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segunda-feira, dezembro 31, 2007

A VAIDADE SUBSTITUI A DEDICAÇÃO NA INDÚSTRIA DA FÉ.


Saudosos os tempos onde os sacerdotes e sacerdotisas se recolhiam no silêncio de suas casas e, na calada da madrugada faziam seus fundamentos a fim de ajudarem a quem precisasse ou até mesmo para abrir um jogo de búzios pra desvendar algum mistério oculto de maior profundidade.

Hoje, a sabedoria, a humildade a fé e a dedicação, sucumbiram perante a vaidade, a prepotência a arrogância e sobre tudo: a ânsia por dinheiro. Nos templos antigos onde zeladores se dedicavam a cuidar de seus santos e dos demais, a fé e a humildade eram ferramentas imprescindíveis aos mistérios de nossa fé. Tudo era feito em segredo, até mesmo quando éramos recolhidos para nossa inicialização, não sabíamos absolutamente nada, e o dia de nossa catulagem era sigilo total. Éramos retirados de nosso sono para que pudessem ser feitos nossos atos. Até mesmo a limpeza dos animais sacrificados e os ebós eram feitos sem que curiosos soubessem como eram realizados.

Infelizmente para nossa fé, hoje muitos dos zeladores dão mais valor à pompa que aos preceitos. Vão para as praças públicas passarem ervas em turistas a fim de chamarem a atenção das televisões. Jogam búzios em estúdios de t.vcomo se fosse um jogo de dados ou baralho. Banalizaram de tal forma nossa religião, que dificilmente conseguiremos retomar os preceitos de nossos mais velhos.

Uma pena que agem assim, pois que enquanto candomblé era algo lindo pelo seu mistério, hoje caiu na boca de pessoas sem índole que se aproveitam de todo para nos difamarem em seus templos, em nome de Deus e Jesus Cristo.

O oráculo sagrado de Ifá era usado para ver e resolver problemas de santo, ou para auxiliar na investigação de algum mal da carne, para revelar o que impedia uma pessoa de prosperar em sua vida e sobre tudo, aconselhar. Hoje, muito me entristece ver que este mesmo oráculo é usado em televisão para previsões sobre qual artista vai casar, qual cantor vai vender mais disco, qual time de futebol será vitorioso, e por aí em diante.

Peço perdão a quem ler esta publicação, mas na qualidade de sacerdote e Vice - Presidente de uma Federação acho isso uma falta de vergonha, uma perca de conhecimentos, uma banalização de toda uma gama de aprendizado que levamos sete anos apenas para começar a entender.

Dói dentro de meu coração ver que nossos orixás estão sendo transformados em Indústria de fé, como em alguns seguimentos adversos a nossa doutrina. Em conversas com meu pai e presidente da Federação a qual pertenço, o Ogã Orlando Santos, tenho desabafado este pensamento e vejo que ele como alguns outros mais antigos compactuam com essa tristeza.

Rogo a Olorúm que as coisas mudem e que nossa religião volte a ter a mesma característica que tinha: que a humildade, a fé e a dedicação, voltem a ser a verdadeira razão de uma pessoa se iniciar em nosso culto, e que os que nela já estão voltem a praticar a religião, abolindo essa mísera vaidade e soberba que nos consome a cada dia.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

Contatos:

odemutaloia@pop.com.br

odemutaloia@hotmail.com

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