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terça-feira, junho 16, 2009

ORIXÁS, MITO OU REALIDADE?

Fonte: <http://aulobarretti.sites.uol.com.br>

Foto do Adê Bayanni Usada por Dadá Ajaká . Pertencente a Yêda Pessoa de Castro, Exposta no Museu Afro Brasileiro, 1983.
Sempre que questionam nossa religião, falam que são demônios, que são seres que apenas existem na imaginação popular. Eis aí um grande erro por parte das pessoas, sejam elas leigas ou mesmo de dentro do Axé Orixá.

Existem pessoas iniciadas que dizem que Orixá nunca teve vida terrena, que não passam de seres mitológicos. Outro ledo engano.

Os Orixás existiram sim, obviamente que existem suas lendas, mas eles existiram, foram pessoas que sofreram, amaram, sorriram, choraram, foram felizes e alegres.

O que acontece é que na tradição africana, se cultuam os antepassados como parte do Orúm, Céu, como composições da energia suprema de Olorúm, Deus, e não como seres que após morrerem, simplesmente deixam de existir para toso o sempre.. E isso vários historiadores das culturas e religiões veem mostrando no dia a dia com seus estudos, suas pesquisas.

Um caso muito estudado é do de Xangô, que nasceu em Nupe, terra dos Tapás a mesma cidade natal de sua mãe Torosí. Nessa época quem reinava em Oyó era Dadá Ajaká, seu irmão consanguíneo. Xangô então muda-se para Oyó e foi residir em um bairro chamado por ele de Kossô, que era o mesmo nome da cidade na qual viveu, mantendo assim seu título: Obá Kossô.

Porém, ao perceber a fraqueza de seu irmão, e sabendo que um país precisava de um Rei mais agressivo e destemido, e sendo ele astuto e com muita ânsia de poder, destronou seu irmão Ajaká transformando-se assim no quarto Alafin de Oyó. Dadá Ajaká é exilado sai de Oyó e vai reinar em uma cidade menor e de menos importância, Igboho, essa era vizinha de Oyó. Como tinha sido deposto de seu trono, não mais tinha o direito de usar a coroa real de Oyó.

Destronado ele teve que usar uma coroa de búzios chamada de Adê de Bayanni e essa foi usada por ele até a morte de seu irmão Xangô, ocasião em que Dadá voltou a reinar.

Xangô teria segundo estudiosos, reinado em 1700 a.C. Era ele um Rei severo, um soberano que amava o poder mais que tudo e com isso ele passou a ser odiado por vários de seus súditos.

Possuía ele um exército imenso que era comandado por Afonjá que recebia também o nome de Arê Onã kakanfô, o qual foi o comandante de uma revolta para abolir com o tipo de governo em Oyó. Para essa revolta Afonjá solicitou e obteve apoio de um professor nômade, da tribo dos fulanis, povos que vivem ainda hoje segundo os historiadores em todo o continente africano e são nômades. Esse professor que ajudou Afonjá chamava-se Alim al-Salih, e como bom mulçumano ajudou Afonjá, pois queria ver o culto a apenas um Deus ser introduzido em África, o que deu início para a quebra de toda uma tradição.

Xangô após ser rejeitado pelo conselho de anciãos, foi condenado a se enforcar como era o costume da época.

Aqui faço uma referência a esse fato, para mostrar que nunca, Candomblé foi baseado em lendas de seres que jamais existiram nessa terra! Ao contrário: existiram sim, foram reis, rainhas e pessoas de grande influência em suas épocas. Se estudarmos as pesquisas realizadas por vários historiadores, veremos que muito do que chamamos lendas, são na verdade, passagem da vida dessas pessoas e assim sendo, dignas de todo o respeito possível.

Lembremos também que entre os povos antigos, era costume se adorar os reis como reencarnação de deuses que aqui vinham para guiarem seu povo para um caminho de progresso e prosperidade.

Dentro de nossa religião, encontramos muito mais coerência do que imaginamos, e também encontramos respostas para a questão das qualidades de santo na nossa religião.

Ajaká por exemplo, que a história relata como Supremo General das forças armadas de Oyó, é cultuado como uma forma de Xangô, e com toda a razão, pois foi graças a sua ousadia que o povo yorúba passou a ter um governo mais aberto e com uma certa liberdade a qual era imensa para o tempo ao qual se refere essa história, vejamos que nos reportamos aqui a um tempo de 1700 a.C.

Todas as vezes que rezamos para nossos Orixás, rezamos para ancestrais da raça humana, dado que a ciência já vem provando que foi justamente no continente africano que a vida teve início na terra, e para os africanos foi mais precisamente em Ifé.

Não que Ifé tenha sido o berço de toda a raça humana, mas, da raça a qual pertencemos nos dias atuais.

Sermos candomblecistas é sobre tudo pertencermos a uma religião que cultua o ser humano como parte de um cosmo de tamanho e força incomensuráveis e também a natureza como expressão máxima de Deus Onipotente.

Ao confirmarem que zelamos por lendas, as pessoas geram uma grave falta contra essas pessoas que em seu tempo construíram literalmente o mundo que conhecemos atualmente.

Se faz necessário que amemos nossa religião e que tenhamos orgulho de pertencer a uma etnia que sem a qual não estaríamos hoje aqui.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

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