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segunda-feira, junho 29, 2009

SERMOS ABSTÊMIOS FAZ PARTE DE NOSSO SACERDÓCIO

Com frequencia recebemos reclamações na federação na qual sou filiado e ocupo o cargo de Presidente do Conselho Sacerdotal, de que alguns zeladores teriam consumido bebida alcoólica durante os trabalhos realizados no Axé Orixá. Outros reclamam que não conseguem confiar em determinados zeladores porque constantemente são encontrados alcoolizados.

Iniciei-me nos preceitos dessa religião há 23 anos, na casa da sacerdotisa Indembeleouy, e uma das muitas coisas que aprendi com ela, foi que onde existem bebidas alcoólicas somente encontramos energias inferiores.

Vi vários rituais sendo realizados por pessoas muito antigas no santo e nunca encontrei algum deles que se dedicasse ao consumo de bebida durante os ebós ou outros fundamentos dos Orixás. Ao contrario, sempre os encontrei sóbrios e afastados de tudo que fosse do mundo.

Obviamente que como seres humanos, gostamos de tomar uma cerveja de vez em quando, saborearmos um bom vinho entre outras coisas, mas, jamais podemos misturar esses vícios e demais atitudes dentro da realização de nossos rituais.

A bebida alcoólica é uma necessidade da carne e não do espírito. Dentro de nossos assentamentos, por exemplo, colocamos gotas de vinho moscatel e não litros nem dele nem de outra bebida qualquer. E assim mesmo, utilizamos o vinho, pela representação que ele tinha para as culturas ancestrais.

Para os exús, damos sim a cachaça, mas por ser essa a sua bebida ritualística e não porque exú seja um espírito bêbado ou coisa que o valha. Se observarmos bem, veremos que nossos antepassados tinham o hábito de saborearem goles de pinga antes da refeição, pois que essa lhes abria o apetite. Dentro dos rituais de exú, damos a ele a cachaça por ser ela, um item sacro para essa entidade.

Nós que somos sacerdotes de Orixá temos a obrigação de nos mantermos afastados de tudo que for nocivo ao espírito, até mesmo porque não sabemos em que momento de nossas vidas seremos solicitados para socorrermos alguém que necessite com urgência de nossos dons.

Dentro do sacerdócio, se faz sim obrigatório que nos mantenhamos abstêmios ao menos, boa parte de nossas vidas. Por acaso alguém conhece um zelador de santo que vive enchendo a cara, como se diz, e que tenha uma vida tranquila? Ao menos eu, nunca encontrei.

Essas pessoas que vivem para o álcool, sempre teem uma vida de imensas dificuldades, nunca conseguem passar da roupa do corpo, sempre precisam da caridade alheia até mesmo para comerem, e isso mancha o bom nome de nossa religião.

Se você for realizar alguma obrigação e o zelador ou zeladora estiver consumindo bebida ou mostrando sinais de que bebeu, não faça de forma alguma suas obrigações, pois as consequências podem ser drásticas. Jamais podemos misturar o santo ao profano.

Antes de realizarmos uma obrigação, até mesmo um ebó que seja, temos que nos mantermos longe de bebida e sexo, pois que “contamina” as energias que vamos desprender durante a realização.

Ao darmos um ebó em uma pessoa, ou fazermos um holocausto ou qualquer outra obrigação, desprendemos muitas energias, uma vez que o Orixá as utiliza para interagir na vida de nosso cliente.

Que energia poderemos ceder se estamos alcoolizados ou com nosso corpo sujo de sexo? Com certeza as piores possíveis.

Nossa religião é o lido direto com a natureza e com forças elementais dela e assim, somos obrigados a nos mantermos abstêmios para que possamos estar aptos para a realização de nosso sacerdócio.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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