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quinta-feira, junho 10, 2010

DOBURÚ

Esse é o nome da principal oferenda do Orixá Obaluayê. Trata-se de pipoca estourada e enfeitada com fatias de coco e entregamos a ele, como forma de pedir sua interferência nos assuntos para o qual necessitamos.

Porém, essa comida não é feita como a pipoca tradicional. Para que possamos fazer sua comida preferida, temos que colocar em uma panela, um pouco de areia de rio e depois o milho, e assim vamos mexendo e invocando o Orixá naquilo que desejamos. Também, não podemos fazer a mesma sem um copo com água e uma vela acesa em um canto da cozinha. Depois que terminarmos a comida colocamos a vela do lado de fora, no tempo.

Essa comida apesar de muito simples é de grande fundamento dentro de qualquer nação de Candomblé, pois como reza a lenda, era com ela que Yemanjá o alimentava quando seu leite materno secou. As fatias de coco são colocadas para que enfeitemos e ofertemos a ele, as coisas mais belas e saborosas. E também por se tratar de uma fruta de sua apreciação.

Também é a única comida de santo, conhecida tanto no Candomblé como na Umbanda, sendo que no primeiro, recebe o nome de Doburú, flor do velho, como se chama carinhosamente na nação Angola. Já na Umbanda ela é chamada de flor de obaluayê.

Muito utilizada dentro do Candomblé, serve tanto para pedir a misericórdia desse grande Orixá, para um problema de saúde, como também, para nos auxiliar a encontrar um emprego, a termos uma casa, para que seja retirado todo o negativo de uma pessoa entre várias outras utilidades, sendo que para cada uma ela é feita de forma diferente.

O doburú é usado até mesmo para afastar egum dos caminhos de uma pessoa, e também é utilizada em cerimônias fúnebres do Candomblé.

Na Umbanda, ao citarmos o nome dessa comida ou desse Orixá, deve-se louvar o chão em reverencia ao Grande Senhor da Terra, aquele que guarda as almas dos que desencarnam. O mesmo deve acontecer no Candomblé, pois é Obaluayê quem, juntamente com sua mãe, Nanã, auxilia nosso espírito no momento do desenlace.

O doburú pode ser entregue todas as segundas feiras, apenas como um presente a esse Valoroso Ser, para que nos ajude a termos uma semana de paz, de tranqulidade, com caminhos abertos, com saúde e tudo mais que precisarmos dele.

Algumas casas têm por hábito, tocar o doburú todas as segundas feiras, ocasião em que se distribui a comida para todos os que estão presentes, como forma de solicitar a intervenção do santo nos caminhos das pessoas.

Na nação Angola, existe uma obrigação que é feita durante sete segundas feiras seguidas, e tem o nome de Tabuleiro de Obaluayê. Essa obrigação é realizada quando uma pessoa esteja com uma doença muito grave, e mesmo quando alguém se encontra desenganado pelos médicos.

Vale lembrar, que mesmo sendo os Orixás de grande poder, jamais poderão interferir em uma determinação de Deus, ou seja: se a pessoa tiver que desencarnar, ela assim o irá fazer e a obrigação vai servir para que seja feito de modo tranquilo sem sofrimento para a pessoa ou para a família.

Essa comida serve também para ajudar os médicos a diagnosticarem uma doença, quando, por mais que se façam exames, não consegue a medicina entender o que se passa com a pessoa.

Muitos casos de cura, já foram presenciados em casas de santo, com essa obrigação, eu mesmo já presenciei uma pessoa que sofreu um acidente de carro, e perdeu 50 cm do intestino grosso e o fino foi rasgado, derramando fezes em seu interior, e para surpresa até dos médicos, essa pessoa em três dias, estava bem, e findos oito dias estava em casa.

A obrigação, no entanto, foi feita sem faltar uma segunda feira sequer. Foram cumpridas todas as determinações do Orixá.

É comum também, na hora de distribuir o doburú, o sacerdote pedir a quem puder que coloque uma nota de valor ou moedas em um recipiente, pois esse dinheiro é para a manutenção daquele Orixá somente.

Contam as lendas, que Obaluayê, tira esmola, mas, jamais permite que quem tenha fé nele, venha passar fome ou sofrer danos maiores.

Se desejar, obter um favor dessa divindade, faça o doburú e de a ele, com uma vela acesa e uma quartinha com água, que com certeza, ele irá atender seus pedidos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





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