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quinta-feira, julho 08, 2010

JUNHO ÉPOCA DE LOUVARMOS SÃO JOÃO E XANGÔ

Todos os anos, no mês de Junho, louvamos a São João Batista, líder espiritual, pregador dos evangelhos de Nosso Senhor. Mas, dentro do Candomblé e do Batuque, louvamos também Xangô, o grande Orixá da justiça, aquele que se incumbe perante Deus, de julgar nossos atos, e assim, ver se merecemos viver em espírito junto aos Orixás que governam a natureza.

São João Batista, segundo as tradições Católicas, foi o Santo que Batizou Jesus Cristo, no Rio do Jordão. Dentro das nações afro brasileiras ele é Xangô, mais precisamente Aganjú dentro do Candomblé.

O que muitos não sabem, é que Xangô existiu sim. Foi o terceiro governante de um reino chamado Oyó, que para os praticantes da religião afro descendente, é uma cidade Santa, assim como Meca para os mulçumanos.

Consta nos registros das bibliotecas africanas que Oyó foi fundada em 1700 A.C, e seu primeiro Rei, foi Oranyan, e reinou de 1700 a 1600 A.C. Mais tarde seu filho Dadá Ajaká, recebeu o trono de seu pai e governou de 1600 a 1500 A.C.

Ele tinha um irmão consanguenio que residia em Nupe, terra dos Tapás com sua mãe Torosí, e este era Xangô.

Nesse tempo, Xangô mudou-se para um bairro de Oyó chamado por ele de Kossô que era o mesmo nome da cidade em que vivia com sua mãe, e assim manteve o título de Obá Kossô que trazia consigo.

Dadá era um rei que admirava as belezas, as artes, os poemas e tudo mais, o que não era conveniente para um Rei desse tempo, Xangô então, o destronou e assim assumiu seu lugar, obrigando Ajaká a usar uma coroa rodeada por vários fios ornados de búzios, (Adê) ao invés das contas preciosas usadas na Coroa Real de Oyó.

Essa coroa escondia seu rosto e seus olhos envergonhados pela atitude de seu irmão, e por sua covardia que ajudou a ser usurpado seu trono. E fez uma jura que só retiraria aquela coroa, quando pudesse novamente usar o Adê Real de Oyó que lhe fora roubado por Xangô. Esse adê que Dadá Ajaká passou a usar se chama adê de Bayanni, pois Bayanni era o outro nome pelo qual Ajaká era conhecido em Oyó.

O tempo passa e Dadá Ajaká se casou e nesse casamento teve um filho ao qual deu o nome de Aganjú, esse então era sobrinho de Xangô.

O reinado de Xangô durou sete anos e, como o remorso das atrocidades por ele cometidas lhe corroia, somando-se a revolta do povo por causa de suas arbitrariedades, Xangô abandona Oyó e vai se refugiar na terra natal de sua mãe, Nupe. Depois de certo tempo vivendo nessa terra, Xangô suicida se enforcando em uma árvore chamada àyòn na cidade de Kossô.

Após a morte de seu irmão, Dadá Ajaká retorna a Oyó, e recupera seu trono, tirando assim como prometeu, seu adê Bayanni passando a usar novamente sua Coroa Real, tornando-se o quarto Alafin (Rei) de Oyó.

Texto publicado no Jornal Comando da Cidade de Porto Alegre em Junho de 2010


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