Contador de visitas

contador grátis

segunda-feira, dezembro 26, 2011

2012 O ANO DO FIM DO MUNDO

Tenho recebido muitos e mails de pessoas preocupadas com as previsões para o fim do mundo nesse novo ano que se iniciará em poucos dias. Todos estão preocupados, pois as previsões Maias e de muitos outros seguimentos apontam 2012 como o ano onde o mundo irá acabar.
 
Dentro de meus humildes conhecimentos, posso afirmar que 2012 será sim um ano de transformação, como todos os demais foram e serão. Como candomblecista não creio em fim de mundo, pois Olorúm jamais nos concederia o dom de prevermos o mesmo se esse for acontecer.
 
Acontece que dentro do Candomblé e da Umbanda, cremos sim, no fim de uma era, onde os mais antigos transcendem para o Orúm (céu) e assim dão oportunidade para as futuras gerações.
 
Como nos lembramos, sempre ouvimos dizer que “de um passará, mas a dois não chegará” e com isso veio a crença de que o mundo acabaria no ano de 2000. Mas aqui estamos nós, seguindo em nossa jornada.
Obviamente que se formos olhar com a ótica da morte, o mundo acaba todos os dias, para aqueles que desencarnam e voltam para a pátria espiritual.
 
Cremos que Olorúm, Deus, criou o Universo para que seus filhos, os espíritos, pudessem aprender em sua jornada e assim alcançar a elevação que somente o trabalho e a missão verdadeiramente cumprida proporciona.Cremos ainda que a reencarnação é a forma que temos de resgatar todas as nossas dividas para com o plano espiritual.
 
Sendo o Pai, a fonte suprema de tudo, permitiria que nós, seres humanos soubéssemos de seus segredos mais profundos? Posso afirmar que não, pois seríamos então “deuses” e não filhos do Criador.
 
Com certeza, muitas transformações acontecerão em 2012, até porque será um ano regido por Oxaguiã e Oxum, e Oxaguiã vem caminhando também com Oyá, trazendo para o mundo a chance de modificação. Permitindo a nós, que nos emprenhemos em resgatar nossas dividas e assim nos fazermos merecedores de todas as bênçãos que Deus tem para nós.
 
Não creio, pois, nessa afirmação de fim do mundo, dado que somente Olorúm poderia ter tal conhecimento, pois é Ele o verdadeiro arquiteto e somente a Ele cabe o conhecimento de todas as coisas.
 
Penso que em vez de nos destruirmos com tais pensamentos, deveríamos ofertar presentes aos Orixás, para que possam nos amparar nesse novo ano e assim nos ajudarem a crescer espiritualmente para que possamos um dia nos reunir com nossos ancestrais.
 
Deixemos, pois, de lado, esse medo do fim do mundo, nos concentremos mais no aperfeiçoamento de nossos espíritos, até mesmo porque de nada adianta nos preocuparmos com nada, pois os planos de Olorúm não se modificam se não por sua vontade.
 
Busquemos nossos Orixás e Guias protetores para que nos consolem e nos auxiliem em nossa árdua jornada por esse mundo.
 
Preocupemo-nos mais em amar a nosso semelhante, uma vez que somos todos filhos do mesmo Pai.
 
Respeitemos mais a Leis de Deus e veremos com certeza, um futuro muito melhor para nós e para nossos descendentes.
 
Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

sábado, dezembro 24, 2011

OXAGUIÃ E OXUM, ORIXÁS REGENTES DE 2012.

O ano de 2012 será regido por Oxaguian e Oxum. Esses dois Orixás, trazem a promessa de muita batalha e de muita conquista. Com Oxaguian à frente, teremos um ano, onde as pessoas do Santo, devem se acautelar, pois mesmo sendo Ele o Pai de todos os Orixás, não deixará de cobrar de nós cada erro, cada afronta cometida aos nossos Santos.
 
Esse é um Oxalá de guerra e come junto com Ogum em determinadas situações e assim sendo, traz consigo uma carga muito grande. Seu poder transcende o dos demais Orixás, afinal é Pai de todos os Orixás e também de todos os seres humanos.
 
Os iniciados terão grandes oportunidades nesse ano de 2012, pois que, Oxaguiã vem com Oxum, mas trilha os caminhos de Oyá e assim sendo, traz justiça para a Terra. Basta que saibamos colocar as coisas nos seus devidos lugares e termos a fé, mas aquela fé que nada consegue derrubar. Aquela fé que a tudo supera em nome do Orixá e de Deus.
Lembremos, porém, que nada temos além de nossos merecimentos e desta forma não adianta pedir aos nossos Encantados, aquilo que para as leis de Deus, não somos merecedores. Temos que fazer uma analise completa de nossos erros, de nossos acertos, enfim: de toda nossa vida, porque somente assim saberemos nos encontrar com Olorúm e com as bênçãos que ele traz para nós através de seus Ministros, nossos Orixás e seus mensageiros.
Oxaguiã nos promete um ano de justiça e de muita luta para todos de uma forma em geral.  Nos traz a certeza de que através de nossa batalha diária e de nosso esforço poderemos alcançar coisas além, de nossa imaginação.
 
Oxum nos promete um ano onde os casais têm mais chances de se reconciliarem, de reencontrarmos também aquele amor perdido ou mesmo aquele tão sonhado.
 
Porém, lembremos de que os Orixás não nos prometem riquezas ou outra coisa que seja necessária somente ao corpo material e para acalentar nossos anseios de luxo. Ao contrário: estão ali, prontos para nos proporcionarem uma vida de luta sim, de guerra, mas aquela guerra do dia a dia, de muito trabalho, de esforço, pois somente assim nos tornaremos dignos das bênçãos de Orumilá.
Ifá nos aconselha há entrar o ano de branco ou amarelo. Se puder, dar preferência ao branco e até mesmo ao branco com azul claro que são as cores de Oxaguiã, o Orixá que reinará 2012.
 
Caso deseje, a pessoa pode sim, entrar de amarelo, mas, é de importância que não estejamos de roupas escuras na entrada do ano, pois como é um ano de Oxalá, temos que respeitar suas quizilas e seus desejos.
Outra coisa muito boa para essa entrada de ano é colocarmos uma tigela de canjica branca, (ebô) regrado com mel de abelhas e uma quartinha de água para Oxaguiã, pedindo sua misericórdia e interseção em nossas vidas.
 
Temos ainda que nos lembrarmos de que mesmo tendo o ano, seu Regente, a vida de cada pessoa pode ter um Regente diferente e assim sendo, é bom que se faça uma consulta a um Babalorixá ou Yalorixá, para saber qual Orixá regerá sua vida e quais os presentes aconselhados a serem ofertados para que possa ter um ano de paz, e prosperidade.
Independente de qual Orixá reina em determinado ano, cada cabeça é diferente da outra e assim sendo, os problemas também, por isso mesmo que mudam-se os regentes individuais para cada pessoa.
 
O Odú que reina o primeiro dia do ano é Odí e esse é um Odú do ciúme, da possessão, e muitas vezes da negatividade. Assim sendo, quanto mais pudermos no isolar das coisas materiais e de seus exageros será melhor, pois somente assim Oxaguiã e Oxum terão condições de interferirem em nossas vidas.
 
UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS, COM MUITA PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE E QUE, A PAZ DE OXALÁ E OXUM SEJAM PRESENTES EM NOSSAS VIDAS.
 
Tetetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





Oxaguian
 
Pelas lendas dos povos yorúbas, Oxaguian é filho de Orumilá e considerado um Oxalá novo. Traz consigo a espada e o escudo o que muitas vezes faz com que seja confundido com Ogum.
 
É o único Oxalá que tem autorização de enfeitar suas contas brancas com pedras azuis, e faz isso em reverência à Ogum. Está muito ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, representando nesse caso os ancestrais. Sempre come acompanhado dos Orixás: Exú, Ogum, Oyá e Oxóssi. Recomenda-se que os filhos deste Orixá agradem muito a Oyá, pois ela é seu caminho, aquele caminho que ele usa para vir atender aos apelos de seus filhos.
 
É este, o Orixá dos Inhames novos, e quando da época da colheita, é oferecida a ele uma festa para que possam assim demonstrar sua gratidão pela fartura. Porém é um Orixá muito arteiro, teimoso, e segundo os mais antigos nos segredos dos Orixás, ele engana até mesmo a morte.
 
Consideram-no o Orixá das lutas, das batalhas e das guerras e assim sendo traz muitas vitórias para aqueles que sabem como agradá-lo e que respeitam suas leis e determinações.
 
Os elementos que ele rege são a água e o ar.
 
Sua cor é o branco com azul sendo que essa segunda, ele traz em homenagem a seu amigo de caminhadas: Ogum.
 
É um Oxalá de temperamento muito quente, o que se reforça pelo fato de sempre estar acompanhado de Ogum e Oyá.
 
Na vida, no cotidiano, ele rege a vida, a criatividade, a guerra, e é também considerado o Orixá da inteligência e do brilho do dia.
 
O dia da semana a ele consagrado é o domingo.
 
Suas comidas preferidas são: O ebô regrado com mel e o inhame amassado com mel e azeite de Oliva, sendo que este é sua preferencia em todos os cultos. Nunca podemos dar de comer a Oxaguian sem que coloquemos uma tigela de inhame amassado para ele.
Seus animais preferidos são: O pombo branco, e o igbín.
 
Os instrumentos sagrados que sempre acompanham seu assentamento são: o pilão oitavado, a espada, o escudo, e o atorí. Essas sendo formadas de varinhas de café, e são ainda seu instrumento de guerra.

 








Oxum

Deusa dos rios, lagos e cachoeiras. É uma Yabá que reina absoluta nesses elementos, sendo a preferida de Oxalá, devido à lenda do Ekudidé. Uma de suas lendas, conta que ela era casada com Odé Yboalamo, e com ele teve um filho: Logum Edé.
 
Oxum é uma senhora que sempre nos socorre em nossos momentos mais difíceis, pois como mãe, sempre está pronta a nos perdoar e nos acalmar. Segundo os mais antigos no Candomblé, é Oxum que com suas águas acalma a ira dos deuses.
 
Ainda são de dominós de Oxum: a riqueza, o poder da sedução, a intimidade e o poder da diplomacia. Seus filhos tendem a ser excelentes políticos, devido ao seu jeito meigo de tratar as pessoas bem como acalmar sua ira.
 
Muito vaidosa, é comum vermos em seus assentamentos vidros de perfume e com ele, regramos seu ibá após o ossé anual.
 
É ainda uma Yabá que tem ligação direta com Obaluayê, mas, nunca teve um relacionamento amoroso com ele. Sempre foi a preferida de Xangô, dado a seu jeito meigo e delicado para tratá-lo. Porém, não devemos nos arriscar a provocar sua ira, pois torna-se violenta e nos pune com o mais alto rigor.
 
Nos preceitos de nossa religião, ela tem acesso direto a todos os Orixás e mesmo tendo abandonado Odé, que era seu esposo, este ainda tem por ela um carinho muito grande e é capaz de abandonar o que estiver fazendo para atender seu chamado.
 
Tem uma preferência por Omolokum, comida feita com feijão fradinho e ovos cozidos. Mas, também come frutas, peixe, canjica amarela e quindim.
 
Seu dia de culto é o sábado e nesse dia seus filhos devem se abster de sexo, bebidas alcoólicas e roupas escuras.
 
Seus bichos de sacrifício são: cabra, galinhas amarelas, codornas, e galinha de angola. Sendo esta seu maior fetiche.






terça-feira, outubro 11, 2011

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA APARECIDA

Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida,

Mãe de Deus, Rainha dos Anjos,

Advogada dos pecadores,

refúgio e consolação dos aflitos e atribulados,

Virgem Santíssima,

cheia de poder e de bondade,

lançai sobre nós um olhar favorável,

para que sejamos socorridos por vós,

em todas as necessidades em que nos acharmos.

Lembrai-vos, ó clementíssima Mãe Aparecida,

que nunca se ouviu dizer

que algum daqueles que têm a vós recorrido,

invocado vosso santíssimo nome

e implorado a vossa singular protecção,

fosse por vós abandonado.

Animados com esta confiança,

a vós recorremos.

Tomamo-vos para sempre por nossa Mãe,

nossa protectora, consolação e guia,

esperança e luz na hora da morte.

Livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos

e ao vosso Santíssimo Filho, Jesus.

Preservai-nos de todos os perigos

da alma e do corpo;

dirigi-nos em todos os assuntos espirituais e temporais.

Livrai-nos da tentação do demónio,

para que, trilhando o caminho da virtude,

possamos um dia ver-vos e amar-vos

na eterna glória, por todos os séculos dos séculos.

Amém.

quarta-feira, maio 25, 2011

SER DO SANTO

Muitas são as pessoas que se dizem do santo. Anunciam aos quatro ventos que são raspados, que fazem parte desse maravilhoso Universo chamado Orixá. Outros propagam que são Sacerdotes e Sacerdotisas de nossa Religião.

Mas, a verdade, é que de inúmeras pessoas que se iniciam em nossos preceitos, muitos poucos podem se considerar verdadeiramente parte do Mundo do Santo.

Isso porque sermos parte desse Universo não é fácil, pois, implica em uma série de fatores que em sua grande maioria as pessoas não estão preparadas para encarar e uma delas é o afastamento da vida mundana.

Um verdadeiro filho de Santo, não tem vida social. Por maior que seja o evento que pretende participar, sempre terá que abrir mão do mesmo para se dedicar aos assuntos do Orixá, pois como seres que governam a natureza, não compactuam com atos como: bebida, sexo e outros.

Sempre que uma “roça” entra em função, é de suma importância que seus filhos, ali estejam presentes de corpo e mente limpos para que possam dar sua contribuição nos afazeres que aquele Orixá solicita para que possa assim a pessoa que está passando pelo processo e até mesmo os que ajuda, receber as dádivas daquela entidade.

O mesmo ocorre e de forma muito mais rigorosa com os sacerdotes e demais pessoas que possuam cardo de alta hierarquia dentro de uma “roça” de Candomblé.

Como sacerdotes, não temos direito a festas, sexo, bebidas e muitos outros prazeres da vida com abundância, pois que nunca sabemos quando seremos chamados para praticarmos nosso sacerdócio. É uma missão árdua e em sua grande maioria as pessoas fracassam.

Para que possamos nos dedicar literalmente ao sacerdócio temos sim, que estar prontos para abrir mão de muita coisa em nossa vida. Quantas vezes somos chamados, por exemplo, em plena comemoração do ano novo para intercedermos na vida de alguém?

Quantas vezes estamos nos preparando para uma festa, um jantar e nosso telefone toca, e um consulente nos requisita para algo?

E, nos negarmos a atender é sermos negligentes com nosso Santo. Temos que estar prontos sempre, não importa a hora, o dia ou mesmo o momento. E se formos conclamados a parar um ato por mais prazeroso que seja, temos a obrigação de atender, pois assim desejou nosso Orixá.

Como pode, por exemplo, um médico, se negar a atender um paciente seu que sofre um acidente e está muito mal em um hospital?

Como pode um obstetra se negar a atender uma parturiente na sua hora? O mesmo acontece conosco!

Ser do Santo, não é somente sair por aí propagando aos quatro ventos que somos. Mas sim, ter uma vida de reclusão em sua grande maioria. Uma vida de sacrifício, de doação onde muito pouco recebemos.

É preciso termos em nossa consciência de que, nada podemos fazer esperando receber em troca.

Nosso Pai ou Mãe saberá nos compensar se assim formos merecedores. O mesmo ocorre com um ogã, uma ekédi. É de suma importância que estejam prontos sempre, para abrir mão de sua vida particular em beneficio dos assuntos do Santo.

Muitos batem no peito e se dizem ogã, mas pouquíssimos são os que realmente fazem jus ao cargo que receberam, porque preferem a vida do mundo do que se recolherem em clausura, em benefício de outro quando são solicitados pelos Orixás.

As pessoas precisam entender de que se, receberam um cargo, é porque aquele Orixá confiou nele para os momentos em que mais precisasse. E esses momentos são justamente as funções que existem em um Templo, pois, como pode um zelador sozinho se dedicar a tanta coisa?

Ser do Santo, não é festa, mas sim, uma vida de dedicação e submissão.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


segunda-feira, maio 09, 2011

O MAL COMO O BEM, SE PLANTANDO COLHE.

Muitas são as pessoas que se dedicam a uma vida de enganos, achando que fazendo o mal, estarão galgando degraus na hierarquia terrestre. Ledo engano! Esquecem-se essas pessoas, de que acima de tudo existe um Deus, supremo e infalível, que tudo vê e tudo sabe, e com certeza dará a cada um de nós o soldo merecido por nossos atos aqui na Terra.

Alguns chegam até mesmo a procurarem pactos com espíritos inferiores na intenção de obterem favores os mais variados, que vão desde o retorno de um amor até mesmo o enriquecimento. Mas, essas pessoas não se dão conta de que, tudo aquilo que vem fácil, vai mais fácil ainda.

Enganar, mentir, tirar proveito próprio do sofrimento alheio, ludibriar de que forma for às pessoas apenas para se ter algum dinheiro a mais, não faz parte dos ritos dos Orixás. Muito menos pactos com forças malignas. Essa não nos compete de forma alguma, pois que somos criaturas de Deus somente.

Obviamente que não cremos nesses seres infernais que o cristianismo prega, mas temos a certeza de que Olorúm criou tudo, e para tudo ele deu a dualidade. Cremos em uma força negativa, que não disputa com Deus seu Trono, mas que tenta sim, desapropriar os seres humanos de seu bem mais precioso: A vida! O espírito!

O verdadeiro seguidor da doutrina dos Orixás e da Umbanda Jamais pratica o mal, pois sabe que tudo o que vai, volta tudo que se planta colhe. Ao contrário: os verdadeiros seguidores dessas doutrinas primam sempre por andarem em caminho reto, evitando tudo que venha conflitar com as leis de Deus, pois sabem que a Lei do Universo é séria em demasia e que mais dia menos dia daremos conta de tudo que aqui fizemos.

Aprendi com a sacerdotisa que me iniciou, que “temos uma alma para dar conta a Deus” e assim sendo temos que nos acautelar com nossos atos, pensamentos, palavras e sentimentos. Não podemos em hipótese alguma desejar mal a quem quer que seja, pois seremos vítimas desse mal mais dia menos dia.

Temos, pois, que nos precaver, evitando sentimentos de ódio, rancor, ira, ciúmes, inveja, avareza, e tantos outros que como ácido no ferro, correm nossa alma, fazendo com que nosso espirito se distancie cada dia mais das benções de nosso Criador.

Termos um Orixá imantado em nossa cabeça é antes de tudo, um privilegio, mas com dor no coração, podemos notar que são poucos os que se fazem merecedores de tal encantamento.

Ao sermos iniciados, somos conduzidos a buscarmos Deus, Oxalá, e nossos Orixás, para que nos aliviem a dor a fim de que possamos superar as dificuldades da Terra, mas infelizmente alguns preferem os caminhos do mal, prejudicando a quem quer que seja por uns trocados, imitando Judas que traiu nosso Redentor por míseras trinta moedas.

Esses que assim agem não se enganem: pois prestarão contas de cada vintém que tiveram à custa da dor e das lágrimas de seus semelhantes.

Somos de uma doutrina tão séria que um dos mandamentos de Orumilá, Deus, para a humanidade assim o diz: - “não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego); não conduzam as pessoas a uma vida falsa (mostrando a folha de ìrókò e dizendo que é folha de oriro);” e assim devemos seguir, pois segundo ainda esses mandamentos, a natureza cobrará de nossos descendentes e de nós mesmos tudo de ruim que aqui fizermos.

Temos que nos lembrar de que “viver é colher hoje o que plantamos ontem” e assim sendo, não adianta a pessoa que semeou vento, tentar colher outra coisa que não seja tempestade.

A vida se encarrega de colocar tudo em seu lugar para que a Justiça Divina se faça, sem que nem o mais ínfimo ponto fique sem ser observado e corrigido por ela. Muitos são os que se dizem sacerdotes, mas, pouquíssimos são aqueles que realmente praticam esse cargo tão importante, pois que: nem luxo nem avareza, condizem com a realidade de Olorúm, e de seus Ministros, nossos Orixás.

Lembremo-nos, pois: que o bem assim como o mal, será colhido, depende apenas da mão que semeou qual a semente que escolheu.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.



quinta-feira, abril 14, 2011

LUTA ENTRE DEUS E O DIABO?

São comum pessoas de outros credos, nos acusarem de satanismo, de cultuadores do demônio, de tantos termos pejorativos, que muitas vezes nem mesmo temos como descrevê-los. Mas, assim o fazem tão somente para manter seus discípulos à sua mercê, incultos, e afastados dos verdadeiros conhecimentos históricos.

Basta darmos uma pequena olhada em livros de história e constatar que em sua grande maioria, tudo o que nos contam desde pequenos, não passam de alegorias para intimidar e amedrontar. É sabido que a igreja católica conseguiu seu maravilhoso império à custa do medo, da fogueira da inquisição que ousaram chamar de santa e de tantas outras barbaridades.

Atos semelhantes ocorrem nos dias atuais quando os sacerdotes dos cultos cristãos ameaçam seus seguidores com as chamas eternas pelo simples fato de serem amigos de quem não pratique sua religião e mais ainda se essa pessoa for de Candomblé ou Umbanda.

Pregam que em nossa fé, a demonologia é a prática real. Mas nada disso tem a ver com a realidade de nossa vida e de nossa doutrina.

Ensinam que existe uma eterna guerra entre o céu e o inferno, entre Deus e o diabo e que esse tenta de todas as formas roubas as almas humanas dos caminhos de Deus, pois tenciona roubar o Trono Celestial.

Nada de demoníaco existe em nosso culto, em nossa filosofia, até mesmo porque não acreditamos que exista tal figura.

Acreditamos que Deus criou tudo, céu, terra, o universo enfim, e tudo que nele exista. Acreditamos na dualidade de tudo e cremos que toda força tem seu lado positivo e negativo, da mesma forma que um ser humano pode ser ruim ou bom, dependendo de seu momento.

Cremos em um Deus único, e nunca existiu nem existirá uma força que possa se comparar com a sua, que dirá tencionar tomar seu trono. Não concebemos que sendo Deus, um ser onipotente e soberano, possa existir outro ser que tenha condições de desejar seu lugar e ambicionar seu reino. Isso mais parece as intrigas que existiam nos antigos impérios.

Dentro de nossa fé, Deus é o ser que a tudo criou, desde as mais belas aves, até as criaturas que possam nos parecer mais repugnantes, e não que o tal de diabo as tenha criado como pregam. Sabemos em nossa doutrina que o Supremo Criador, é absoluto em seu reinado, é o único que não tem começo, meio e nunca terá fim. Pois ele é o princípio de tudo.

Acreditamos em um Deus amoroso, um Pai de amor, perdão e misericórdia e não em um Pai que condena seus filhos a queimarem em uma fogueira como faziam os Papas motivados pela ganância. Não acreditamos em um Deus vingativo, porém justo. Não cremos em um Deus de ódio, mas de amor e suprema justiça.

Dentro de nossa doutrina, não nos compete entender os caminhos de Olorúm, Deus, mas tão somente aceitarmos seus desígnios, pois ele sabe o que é melhor para cada um de nós.

Não concordamos com a ideia de que tenha Ele, criado uma pessoa para ser pobre e sofrer, mas, sabemos que somos hoje o reflexo do que fizemos no ontem.

Dizem ainda que temos deuses em nossa religião. Engano! Temos Ministros de Deus que são nossos Orixás. Acreditamos que existe somente um Deus supremo que criou a natureza e para cada elemento dela uma divindade para que a governasse em seu nome, e essa divindade tem que dar satisfação a ele de cada ato seu, assim como depende de sua autorização para atender qualquer pedido de um ser humano.

Na verdade o termo “deuses” deriva mais das antigas religiões gregas e romanas, pois dentro do Candomblé cultuamos antepassados, seres que aqui viveram e ao desencarnarem sua energia se fundiu com a de seus ancestrais e eles então passaram a fazer parte de uma mesma corrente vibratória e lutam em prol da humanidade.

Sempre foi um fator comum nos povos da antiguidade, cultuarem seus Reis, Imperadores e membros de suas famílias como Seres Divinos o que ocorria na África também e tão somente por isso temos os Orixás. Com a iniciação, temos o começo de um processo secreto que eleva aquele espírito encarnado a este panteão após seu desenlace do corpo físico. Como podem ver, nada de demoníaco existe aí, tão somente damos seguimento a uma rede de culto ancestral, ou seja: cultuamos os antepassados.

O fato de a igreja católica ter seus Santos é o que; se não um culto aos seus antepassados também? A única diferença é que para nós a morte nunca existiu da forma que pregam. Ela tão somente é uma transformação pela qual todos devem passar para que possam voltar para a Pátria Espiritual.

Temos uma consciência bem resolvida com relação à natureza, pois somos totalmente contra a destruição da mesma, e seguindo os ditames de Odé o Sr. Da caça, aquele que caçava para alimentar as tribos africanas: somente devemos matar para comer. Assim sendo, somente sacrificamos um animal para oferenda às divindades ou para nos alimentarmos.

Nunca em hipótese alguma tiramos uma folha de uma árvore se a mesma não tiver necessidade para um rito religioso ou para um remédio. E mesmo assim retiramos somente o necessário evitando assim o desperdício, pois acreditamos que Ossanha nos cobrará, pois a folha que hoje é desperdiçada irá fazer falta no amanhã.

Também existe o fato de que vemos Deus na natureza. As folhas para nós são os olhos de Deus nos cuidando, assim como dos Orixás. As águas dos rios e das cachoeiras são o leite que alimentam a terra e assim sendo a essência de Deus.

O vento para nós é sua voz conversando em nossos ouvidos, nos trazendo suas mensagens através de Oyá, pois é ela quem o governa.

Desta forma devotamos à natureza um respeito muito grande e nem mesmo os matos que nascem em nossos quintais nós os matamos, pois sabemos que se ali estão é por algum motivo que somente Deus sabe.

Ao cultuarmos nossos Orixás, não cultuamos esse tal de demônio, até mesmo porque, os antigos africanos não conheciam essa forma espiritual. Isso nasceu com o cristianismo. Na África antiga e quando se fala nisso, se fala em 15, 20.000 anos atrás, tudo que existia era o culto aos antepassados às divindades por excelência.

Como não conheciam esse ser, não o concebiam em sua religião e isso ocorria com os escravos quando vieram para o Brasil. Somente com a sua catequização, tomaram conhecimento que na doutrina de seus dominadores existia um ser que eles ousavam dizer que combatiam com Deus.

Porém, devemos nos lembrar de que esses catequizadores destruíram todas as culturas com as quais tiveram contato e não deixaram sobrar pedra sobre pedra, pois tudo que se relacionava a outra cultura a outra religião era dita como do demônio.

Basta lembrarmos que a própria igreja abonava a escravidão e diziam que os negros não possuíam alma, que eram animais. Que quando encontram a estátua de Nossa Senhora Aparecida ela foi renegada pela igreja de Roma, pois era negra e assim sendo pertencia aos negros então não era obra de Deus.

Muitos e muitos povos foram dizimados por essa mesma igreja que hoje se diz representante de Cristo. Mas, se estudarmos os evangelhos, veremos que em nada andam em conformidade com seus ensinamentos, o mesmo ocorrendo com os templos evangélicos, pois são suntuosos, imensos, enquanto Cristo andava pelo deserto, não tinha o que comer e se vestia em trapos praticamente.

Preocupam-se tanto em nos difamar e não enxergam que em seus cultos falam mais no diabo do que em Deus. Por que? Essa pergunta permanece sem resposta.

Não somos seres demoníacos, não praticamos demonismo, até mesmo porque não acreditamos nisso, acreditamos somente em um Deus único e não concebemos nem compactuamos com a ideia de que possa existir em qualquer parte do Universo um ser que ouse sequer pensar em usurpar seu trono, pois tudo que existe foi ele quem criou e somente a ele compete governar.

PARA NÓS DEUS É E SEMPRE SERÁ O SENHOR DE TODAS AS COISAS.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


terça-feira, abril 05, 2011

POMBO GIRA MARIA MOLAMBO

Para muitos seguidores da Umbanda e do Candomblé, essa Senhora é apenas um ser sem luz, sem condições alguma de ajudar a quem quer que seja. Muitos dizem até mesmo ser ela, um egum, ou seja: um espírito atrasado que não tem a mínima condição de ajudar quem quer que seja em nada.

Julgam-na por seu nome, uma bêbada, sem equilíbrio, mas seu nome está relacionado somente a uma fase de sua vida terrena como veremos mais abaixo.

Ela ao contrário do que pregam alguns, é sim, um ser de muito conhecimento e de muita sabedoria e, além disso, possui muitas condições para ajudar a todos nós em nossa caminhada aqui na Terra, afinal é um Exú Mulher e como tal, tem passagem livre entre os dois mundos. Conhece as duas faces da moeda e sabe o que é a dor e o sofrimento.

Teve vida terrena sim, em um Estado Brasileiro onde conheceu a magnitude da fartura e a dor da miséria, mas passemos á sua história:

Segundo o pesquisador Reginaldo Prandi, em sua publicação, Pomba Gira e as Faces Inconfessas do Brasil. Herdeiras do Axé cap. IV, seu nome de batismo teria sido Rosa Maria e residia e Alagoas. E ela era prometida a um determinado herdeiro de uma família muito influente.

Mas, como o amor fala mais alto, e assim sendo, nos leva a segui-lo e não às regras a nós impostas, ela fugiu com outro homem por quem era apaixonada, de seu Estado Alagoas para o Pernambuco.

Porém, para os abastados, uma humilhação como essa somente poderia ser paga com sangue e assim o apaixonado casal passou a ser perseguido por onde quer que andasse. Eis que três anos e meio após o começo da incansável perseguição, foram encontrados e sofreram a terrível vingança: o rapaz foi assassinado e Rosa Maria entregue ao pai, que a exemplo das famílias da época, a humilhou e a expulsou de casa.

Durante o tempo em que viveram juntos, Rosa Maria deu à luz uma filha e tendo que sustenta-la não teve outra opção que não a de trabalhar como doméstica em casa de parentes, pois mesmo eles se negavam ajudar a moça, seu próprio sangue.

Mas, como o destino é caprichoso, sua filha desencarnou e ela foi lançada à própria sorte, e assim, sem ter como se sustentar, pois naquela época não se encontrava emprego fácil para mulheres ela culminou em se prostituir.

Algum tempo depois, tomada pela tuberculose e sofrendo terrivelmente com o abandono, soube que seus pais haviam falecido e ela, era herdeira de imensa fortuna. Assim, rica, Rosa Maria dedicou-se á caridade e ajudava a todos e continuou assim até sua morte.

Depois de seu desenlace, conheceu Maria Padilha e optou por entrar para a falange das Pombas Giras.




sexta-feira, abril 01, 2011

PAI NOSSO E AVE MARIA EM YORUBÁ

Sinal da Cruz Yorubá

L'ORULÓ BABÁ ÓMÓ

ATI ÓMO MIMÓ

AMIM

Pai Nosso em Yorubá

BABÁ UÁ TINGBÉ LORUN AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINÁUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÔ SUGBON BUCURÓ LONIN TUN LA SIM, AMIN.

BABÁ UÁ TINGLÉ AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ

TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINAUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ

LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ

MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÓ SUGBON BUKORÓ LONIN TUN LA

SIM, AMIN.



AVE MARIA

OKOU MARIA ORÊ OLON KON È, OLOUA KPÊLOU É, IWO RÊ NINOU GBOGBO OBINZI, A TIJESOU ESO IWO T’INOU RÉ.

MIMO MARIA, IYA OLORÚM GBADOUA FON WA ÉLÊSIN, NISEI, A TI L’AKOKO TI IKÚ.

quinta-feira, março 24, 2011

OS MANDAMENTOS DA DOUTRINA YORUBÁ, CONFORME O ODÚ IKÁ.

Muitas pessoas pensam que nossa religião, apenas segue em frente sem um parâmetro, sem uma regra, sem nada que contenha seus sacerdotes. Enganam-se. Outras dizem que apenas é um meio de se ganhar dinheiro fácil, pois seus sacerdotes cobram por seus trabalhos realizados. Se cobram é tão somente para que possam manter seus templos em funcionamento assim como em qualquer igreja.

Nossa fé segue regras sérias e sem as quais ficamos à mercê de espíritos atrasados. O mesmo acontecendo se não seguirmos à risca essas regras que foram ditadas por Olodumarê (Deus) no inicio dos tempos.

Sabemos que para tudo existem leis. Um país, um reino, não vive, não sobrevive sem as leis que o regem, pois elas são para garantirem a igualdade entre todos, independente de sua classe social, de seu credo, cor ou sexo. Também, servem as leis para que protejam seus cidadãos, evitando que sofram nas mãos de pessoas sem escrúpulos que somente, pensam em enganar para enriquecerem ilicitamente.

O mesmo acontece com a fé. Nela existem suas leis, em forma de mandamentos, e essas devem ser cumpridas evitando assim, que mais tarde, sejamos punidos por nossas atitudes erradas. Dentro dos cultos aos Orixás não seria diferente e aqui passamos a apresentar os 16 mandamentos que Olodumarê (Deus) criou, e mandou que os homens vivessem dentro dessas leis:

Contam as lendas, que no inicio dos tempos, assim como hoje, os homens andavam sem um rumo certo pela vida e culminavam por irem pedir conselhos à Ifá. Nossos ancestrais assim procediam, e iam mais longe: buscavam em Ifá a promessa de Olodumarê de que os seres humanos teriam uma vida longa na Terra. Então Ifá mostrou a eles os mandamentos de Olodumarê, os quais eles deveriam seguir para que a promessa fosse comprida:



1) wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

2) wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

3) wón ní kí wón ma fi odíde pe òòdè

4) wón ní kí wón ma fi ewé Ìrókò pe ewé Oriro

5) wón ní kí wón ma fi àimòwè bá won dé odò

6) wón ní kí wón ma fi àìlókó bá won ké háin-háin

7) wón ní kí wón ma gba onà èbùrú wo'lé Àkàlà

8) wón ní kí wón ma fi ìkóóde nu ìdí

9) wón ní kí wón ma su sí epo

10) wón ní kí wón ma tò sí àfò

11) wón ní kí wón ma gba òpá l'ówó afójú

12) wón ní kí wón ma gba òpá l'ówó ògbó

13) wón ní kí wón ma gba obìnrin ògbóni

14) wón ní kí wón ma gba obìnrin òré

15) wón ní kí wón ma s'òrò ìmùlè l'éhìn

16) wón ní kí wón ma sàn-án ìbàntè awo

Wón dé'lé ayé tán ohun tí wón ní kí wón má se wón nse

Wón wá bèrè síí kú

Wón fí igbe ta, wón ní Òrúnmìlà npa wón

Òrúnmìlà ní òun kó l'óún npa wón

Òrúnmìlà ní àìpa ìkìlò mó o won ló npa wón

Àgbà re d'owó re.


Tradução para o português

1 - não digam o que não sabem

(èsúrú pode ser tanto uma conta sagrada como um nome de uma pessoa);

2 - não façam ritos que não saibam fazer

(novamente avisa não troquem a conta sagrada pelo nome);

3 - não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego);

4 - não conduzam as pessoas a uma vida falsa

(mostrando a folha de ìrókò e dizendo que é folha de oriro);

5 - não queiram ser uma coisa que vocês não são

(não queiram nadar se vocês não conhecem o rio);

6 - não sejam orgulhosos e egocêntricos;

7 - não busquem o conselho de Ifá com más intenções ou falsidade

(Àkàlà é um título usado para Òrúnmìlà);

8 - não rompam (não mudem) ou revelem

os ritos sagrados, fazendo mal uso deles;

8 - não sujem os objetos sagrados com as impurezas dos Homens;

busquem nos ritos sagrados somente coisas boas;

10- os templos devem ser lugares puros,

onde a sujeira do caráter humano deve ser lavada;

11- não desrespeitem ou inferiorizem

os que têm maior dificuldade de assimilar conhecimentos ou

deficiências no caráter, ajude-os a mudar;

12- não desrespeitem os mais velhos, a sabedoria está com eles, a vida os fez aprender;

13- não desrespeitem as linhas de condutas morais;

14- nunca traiam a confiança de seu semelhante;

15- nunca revelem segredos que lhe são confiados;

falar pouco e somente o necessário demonstra sabedoria;

16- respeitem os que possuem cargos de responsabilidade maior;

o Babalaô é um Pai, portanto, é devido grande respeito aos Pais.

Porém, nossos ancestrais, da mesma forma que nós, no mundo atual, não cumpriram as determinações de Deus. Olorúm adverte a humanidade através de seus Ministros, os Orixás, mas nem sempre consegue o sucesso desejado.

O homem persiste no erro e mesmo assim, acusa Olorúm, Deus, por sua vida estar ruim e suas coisas não andarem como ele deseja, e também por sua vida não ser tão longa quanto foi prometida. Pois é mais fácil culpar os demais do que assumir nossos erros.

Oras, se não seguimos seus mandamentos, Olorúm, Deus, fica totalmente sem a obrigação de cumprir seu trato com a humanidade, e isso faz com que ele morra velho e renasça de novo, para que, talvez em uma nova vida, uma nova jornada quem sabe ele aprenda e obedeça aos mandamentos, que são as Leis Divinas.

É de suma importância que nós aprendamos os mandamentos de Ifá, pois são de Olorúm e assim ponhamos fim a um eterno ciclo vicioso de dor, angústia e sofrimento. Temos que aprender a nos amar, a nos respeitarmos uns aos outros como irmãos somente, e acima de tudo: seguirmos as Leis de Olodumarê para que, quem sabe um dia, podermos ser um egungun agbá, ou seja: um ancestral ilustre e assim recebermos funções importantes no Orúm, Céu!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP.


quinta-feira, março 17, 2011

OYÁ OU YANSÃ

Orixá muito cultuada no Brasil tanto no Candomblé como na Umbanda. Muito aclamada em momentos de dor, de medo e até mesmo em momentos de angústia, pois sofreu por amor e se dedicou a seu amado como nunca outra mulher se dedicou ao esposo. Foi casada com Xangô e até hoje, é sua grande e verdadeira paixão.

Seu nome Oyá, se origina de um rio no antigo país de Kêto, hoje a Nigéria, o Rio Oyá, onde seu culto sempre foi realizado. Mas, como tudo se modifica, hoje esse rio se chama Rio Níger. Em sua terra natal, ela é associada às águas, mas, como tudo tem sua dualidade, ela também é associada com o ar, sendo a deidade africana que comanda os ventos.

É comum louvar-se Oyá antes de Xangô, como o vento que precede às tempestades, sendo essa uma das formas da divindade do fogo. Oyá está diretamente ligada ao culto dos mortos, pois segundo as lendas afros, recebeu de Orumilá, Deus, a incumbência de guiar os mesmos até um dos noves céus de acordo com suas atitudes aqui na Terra.

Para que pudesse levar a termo sua função, ela recebeu de um feiticeiro que lá existia cujo nome era Oxossi, um instrumento chamado de Eruexím, e com ele se protegia dos mortos conhecidos como eguns.

Para algumas lendas, o nome Yansã, significa: Yá = Mãe, Sã = Trovão, ou seja: Mãe do trovão, por se tratar da esposa de Xangô o Senhor do trovão. Já outros acreditam que seu nome foi um título que Xangô a concedeu, e que este faz alusão ao entardecer: A Mãe do Céu Rosado ou a Mãe do Entardecer. Ainda hoje nas casas de Candomblé é costume saudar Yansã nos momentos de tempestade pedindo a ela que interceda junto a Xangô pedindo misericórdia evitando assim que sejamos vítimas de sua fúria, e durante o trovão, costumamos colocar nossa mãos para cima e louvar Xangô com a cabeça no chão, pois para os antigos africanos, seria o trovão a voz de Xangô.

No Brasil ela é sincretizada com Santa Bárbara e tem sua festa em 04 de Dezembro no mesmo dia da Santa Católica. Esse sincretismo se dá pelo fato de ser Bárbara, a Santa defensora contra a fúria das tempestades.

Diz-se que nunca se deve maltratar um filho de Yansã, pois terá um inimigo até a morte, pois essa Yabá tomará raiva da pessoa que maltratou seu filho. Ela também é relacionada à justiça e costuma ser invocada em casos onde a mesma seja necessária.

Seu dia é Quarta feira.

Sua cor na Angola é o Vermelho translúcido e no Kêto, o marrom.

Sua comida preferida é o acarajé.

Seu sacrifício é cabra, galinhas, galinha de angola e pombo.

Sua saudação é: Eparrei Oyá. Yá Mensá Orúm.


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.








terça-feira, março 15, 2011

ASSASSINATOS ENVOLVEM FILHOS DE SANTO E ZELADORES.

Muito me deprime na qualidade de sacerdote e de Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP, União Espírita capixaba, ao ver noticias veiculadas nas emissoras de TV sobre crimes de morte envolvendo pessoas do santo. Faz-me sentir tão pequeno que muitas vezes tenho vontade de me trancar em um local onde ninguém mais possa me ver.

Mas sei que esse não é o caminho certo. Se sou um filho de santo um babalorixá não posso me calar diante de tamanha crueldade com nossa religião.

É muito constrangedor vermos esse tipo de notícia, pois sabemos que nada tem a ver com a realidade das casas de Umbanda e Candomblé. Quem conhece as doutrinas sabe que jamais uma pessoa iniciada nesses ritos será capaz de tirar uma vida humana.

O que acontece é que falsos sacerdotes se infiltram em nosso meio e como Anti Cristos pregam uma doutrina que em nada compactua com nossa filosofia de vida.

Acontece que essas pessoas se esquecem de que há um Deus acima de tudo e de todos e que, Ele mais dia menos dia fará sua justiça.

Nunca, em momento algum, nossa religião teve nada a ver com assassinatos, com estelionatários e pedófilos, nem com nada que vá contra as leis que regem nossa Nação. Não podemos mais nos calar diante de tanta barbaridade, pois estão sujando o nome de nossos antepassados e de nossa fé.

Jogam em uma mar de lama, séculos de uma religiosidade que busca somente a ajudar a quem precise. Dento de nossa religião, nem mesmo cabe o sentimento de ira, vingança ou outro que não seja o amor, a paz e o respeito a Deus e aos seres humanos.

Tenho visto constantemente em programas de televisão, pedófilos e até mesmo estelionatários e assassinos, se dizendo pais e mães de santo.

Jamais um verdadeiro sacerdote seja da Umbanda ou do Candomblé, se prestará a esse tipo de atitude, nem mesmo contribuirá para que ladrões saiam impunes de seus crimes.

Para que possam ter uma noção nossos códigos religiosos, nos obrigam a fornecer comida e água mesmo que seja para nosso pior inimigo, pois acreditamos sermos todos, independente de credo, cor raça, opção sexual ou de vida, filhos do mesmo Pai, e este somente quer seus filhos se amando e a ele entregando a justiça para que possa ser feita.

Os verdadeiros sacerdotes possuem uma conduta dentro da moral e da ética, e nunca compactuam com barbaridades como essas. Temos amor por nossos Orixás e Guias Protetores, e eles nos cobram a permanência dentro dessas éticas morais.

Quando virem noticiar que “pai” ou “mãe” de santo está compactuando com coisas ilícitas, saibam que, na verdade, são falsos profetas que somente se preocupam com o enriquecimento material, e que mantém seu espírito afogado em uma mar de podridão sem igual.

Já caminhei por muitos lugares, visitei muitos e muitos templos e nunca soube de um verdadeiro sacerdote que se dedicasse a tamanha brutalidade como o assassinato seja ele de quem que seja.

Primarmos por nossa religião é mantermos nossa honra inatingível, pois somente assim poderemos ser chamados de sacerdotes e filhos de um Orixá.

Se você minha irmã ou meu irmão sabe de algum caso como os relacionados acima, não pense duas vezes: denuncie na delegacia de polícia mais próxima e na federação, pois jamais nossa religião nunca conceberá ou compactuará com atos horripilantes como esses.


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

QUAL O FUNDAMENTO DA COBRANÇA DO JOGO DE BÚZIOS?

Muitas pessoas se questionam por que cobramos para jogar búzios, e não entendem quando um sacerdote se nega a abrir o jogo sem o valor estipulado para o mesmo. Então resolvi relatar aqui, a história de nossos antepassados, e que governa o Oráculo Sagrado de Ifá:

Conta-se que em determinada época, há muitos e muitos séculos, em um tempo do qual não nos lembramos mais, um determinado moço, vivia nas esquinas com uns objetos nas mãos e com eles, fazia uma espécie de adivinhação da vida de todos que por ali passavam em troca de algum pagamento.

Interessada em aprender aquele ofício, Oxum solicitou que aquele rapaz se apresentasse em seu castelo, e esse rapaz era Exú. Após uma conversa amigável, Oxum perguntou a ele como ele fazia para que pudesse “consultar” as pessoas que por ali passavam, então, Exú lhe mostrou os búzios com os quais praticava seu dom e esses eram 21.

Imediatamente Oxum, mostrou interesse em aprender com ele o manuseio daquelas “conchas” encantadas, mas ele disse-lhe que de graça não poderia lhe conceder os mistérios, mesmo sabendo que Olorúm assim desejava. Ela disse-lhe que desse seu preço e ele cobrou dela sete barris de ouro.

Ao efetuar o pagamento, Exú começou então a passar para ela os mistérios do Ifá, mas com uma condição: de que ela jamais passasse os segredos do jogo dos 21 búzios para a humanidade, pois assim teríamos o dom da imortalidade.

Oxum foi conversar com Ifá e este disse que Exú estava certo e acrescentou mais: que todos o que desejassem se beneficiar dos segredos do Oráculo pagassem tributo a ela, a Exú e a ele mesmo, Ifá, e assim nasceu o pagamento pelo jogo de búzios, e Oxum passou e a ser a verdadeira senhora desse processo juntamente com Exú.

Quando um sacerdote joga os búzios sem receber a salva de seu anjo de guarda, Oxum lhe tira a visão, pois ela teve que pagar a Exú para que ele lhe passasse seus segredos e com o dinheiro ali arrecadado, esse sacerdote deve retirar uma parte para pagar tributos ás divindades se quiser continuar enxergando o que falam os búzios em sua queda.

Assim, quando se dirigir a uma casa de santo para um jogo, lembre-se de que, ali está um segredo muito grande e é obrigação do sacerdote cobrar para fazer uso do mesmo, sob pena de perder a visão do jogo.

A cobrança do jogo, não é comércio como pensam muitos, mas sim, um preceito religioso e deve ser obedecido à risca.

Sérgio Silveira, Tatetú N1Inkisi; Odé Mutaloiá.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

20 DE JANEIRO DIA DE SÃO SEBASTIÃO, OXÓSSI.

No dia 20 de Janeiro a comunidade Umbandista e também a do Candomblé de Angola, está em festa: comemora-se o dia de São Sebastião, Oxóssi, dentro do sincretismo do Rio de Janeiro, Espírito Santo e demais estados brasileiros, com exceção da Bahia onde o Orixá é sincretizado com São Jorge.

Para aqueles que não sabem, o nome Sebastião vem do grego e significa Sagrado, Reverenciado, o que faz jus ao Santo católico dado à sua vida e morte em prol da fé em Jesus Cristo e sua Doutrina.

Segundo sua história, ele nasceu em Narvonne, França, no final do século III, e desde muito cedo seus pais se mudaram para Milão, onde ele cresceu e foi educado. Seguindo o exemplo de sua amada mãe, ele praticava o Cristianismo.

Ao atingir a maior idade, Sebastião se alistou como militar nas legiões do Imperador Diocleciano. Este então ignorava o fato dele ser cristão. A figura imponente e sua bravura agradaram de tal forma ao Imperador que ele logo foi nomeado Comandante de sua Guarda Pessoal.

Como ninguém sabia de sua tendência religiosa, Sebastião aproveitava para aliviar o fardo daqueles que eram condenados ao suplicio, com palavras de amor e fé em Cristo e ainda tornou-se um grande benfeitor dos cristãos em Roma.

Mas, ele foi denunciado por um soldado ao Imperador que mandou prendê-lo e ficou perplexo, quando ele se confessou cristão e por mais que Diocleciano pedisse, ele se negava a rejeitar sua fé. Assim sendo o Imperador mandou que o matassem a flechadas o que foi prontamente atendido: os soldados o levaram para um bosque, o amarraram em uma árvore e despejaram sobre ele uma chuva de flechas.

Quando mais tarde uma mulher chamada Irene foi ao local de seu sacrifício buscar seu corpo para sepultar, viu espantada que ele ainda estava vivo, retirou-o dali imediatamente e o escondeu em sua casa onde tratou de suas feridas.

Em vez de se esconder, Sebastião depois de curado foi se apresentar novamente ao Imperador e pedir para que ele parasse de perseguir os cristãos e mesmo estando espantado com o fato dele estar vivo, Diocleciano não atendeu seus pedidos e mandou que o matassem a pauladas e golpes de bolas de chumbo. Para evitar que ele fosse reverenciado, jogaram seu corpo nos esgotos de Roma. Depois uma mulher, Santa Luciana, o sepultou nas catacumbas. Esse fato se passou em 287.

Dentro dos Templos de Umbanda ele é sincretizado com Oxóssi o patrono dos caboclos e caboclas, seres encantados, espíritos de nossos índios que após o desenlace vêm se comunicar em seus médiuns, trazendo sábios conselhos e também a cura para muitas doenças do corpo e da alma.

Nos Candomblés, Oxóssi, é o grande caçador, aquele que se incumbe de caçar, não de forma predatória, mas para alimentar todas as tribos. Também está associado à agricultura, pois, com as ferramentas criadas por seu irmão Ogum, ara a terra e dela tira o sustento para todos que dele necessitem.

Seja dentro da Umbanda ou do Candomblé, esse Orixá é de suma importância, pois que sem ele, não teríamos a caça para nos alimentar, não teríamos a colheita farta para encher nossa mesa, ficando assim, a humanidade à mercê da fome.

Oxóssi, ainda é o grande caçador de espíritos errantes. É ele quem apreende estes, e os encaminha para seu destino a fim de que possam ser levados por Oyá a seu destino final, onde receberão os frutos de seu trabalho aqui na Terra.

Ao saudarmos Oxóssi, saudamos as matas, e tudo que nela existe, pois que ali é seu habitat natural e ele luta por sua preservação. Seus filhos seguem seus caminhos, lutando dia após dia pela preservação da natureza e de tudo que há nela, pois sabem como ninguém que tudo nesse mundo depende de uma natureza sadia para que possa existir.

Os Caboclos são mensageiros seus, e trazem mensagens as mais variadas possíveis para nós viventes de um mundo onde tudo é passageiro, menos as vontades de Deus todo poderoso. Trabalham em falanges e sempre buscam ajudar a todos que necessitam de sua intervenção em qualquer que seja a dificuldade, desde que seja uma causa justa e para o bem.

Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi, Odé Mutaloiá