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quinta-feira, janeiro 31, 2013

HOMOFÓBICOS? SIM!



Muito na moda hoje em dia, a tal da homofobia. Todos ameaçam prender, etc., e tal por conta desta nova lei. Acho justo, pois quem de nós, míseros seres humanos, temos o direito de julgar a quem quer que seja tão somente pela sua orientação sexual?

Mas, o que irrita, tira mesmo do sério, é que as religiões, ditas cristãs praticam a homofobia aos quatro ventos, e ninguém faz nada para coibir esse absurdo. Vejamos o exemplo: determinada bancada evangélica jura que homossexualismo tem cura, com tratamento psiquiátrico e com o “Nome de Jesus”. Coitado de Cristo, já não tem coisa de mais para se ocupar? Então, me vem a pergunta: onde estão as leis e o judiciário, que nada fazem?

Daí vem a bendita da igreja católica. Condena o homossexualismo, condena o uso de camisinha, e ninguém também faz nada para coibir o abuso. A impressão que me dá, é que para a igreja de Roma, quanto mais pobre no mundo, melhor, pois assim, tem mais gente para ser manipulada, e não corre o risco de perder seu império.

Porém, quanto ao homossexualismo, combatem os pobres. Pois se for um gay de televisão como tem muitos, os padres vão aos programas, cantam, batem palmas, afinal é status!

Se for um rico, milionário, sim, pode tudo! Afinal, nada que uma boa doação do papai não resolva no céu e garanta assim o vivente sua entrada nos portões de São Pedro. Se é que São Pedro lá está esperando alguém, mas vá lá.

Apenas queria saber quando cairão as máscaras e a igreja santa de Roma, aplicará penas severas, como entregar para a polícia, por exemplo, os padres que abusam de crianças em suas paróquias. E olhem que isso ocorre no mundo todo.

Por outro lado, essas mesmas religiões, nos acusam de tudo: satanismo, bruxos e bruxas, macumbeiros, de praticarmos magia negra e segue a lista que é imensa.  Mas engraçado: não condenamos ninguém por sua orientação sexual, ao contrário, aceitamos a todos, pois cremos que tudo e todos são filhos do mesmo Pai.

Não vendemos água da torneira dizendo que veio do Rio Jordão, não impomos condições financeiras para quem deseje apenas o perdão por seus erros. Dividimos o pouco que temos com os que nada têm, buscamos emprego junto àqueles que são empresários e outros, para os que frequentam nossas casas, não tiramos das pessoas um R$1.00 que seja dizendo que é para “as obras do Senhor”, não divulgamos milagres, não incitamos invasão te templos, não difamamos ninguém, nenhum de nossos templos ou todos eles juntos arrecadam sequer R$20.000 por ano, que dirá mais de R$20 bilhões como foi divulgado no JB online, ente no link e veja: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/01/27/jornal-igrejas-arrecadam-r-20-bilhoes-no-brasil-em-2011/, e mesmo assim somos apunhalados a todo o instante.

Eu de minha parte, em minha insignificante existência, me nego a abaixar minha cabeça para igreja, seja ela qualquer uma. Não sigo regras de catolicismo, e acho um absurdo seguirmos as mesmas dentro do Candomblé. Exemplo: na quaresma não se faz nada para Orixá, pois o mesmo está longe da Terra. Será mesmo? Ao que eu saiba, quaresma é uma data católica, que nem mesmo na Bíblia está. E mais: esta mesma igreja, além de praticar estupro, e de condenar uma criança que foi estuprada e tão somente porque abortou o filho que o vagabundo do estuprador pôs em seu ventre, perdoou o estuprador. Lembram-se disso?

Pois é, essa mesma igreja queimou muitos negros, torturou das formas mais violentas possíveis, pois alegavam que negro não tinha alma. E hoje querem que eu obrigue filho de santo meu assistir missa depois da feitura? Nem morto!

Não me abaixo para eles nem para ninguém, pois enquanto nos perseguirem e continuarmos dando crédito, seguindo seus preceitos, estaremos assinando o atestado de que, a razão está com eles.

Querem que eu me curve? Pois bem: que ao menos entreguem os padres pedófilos para a polícia, pois aí sim, estarei vendo uma religião e não um bando de urubus vivendo da carniça dos outros. Parem de dizer que não podem batizar filho de quem não é casado, mas, se for filho de estrela de TV ou de rico batizam.

Cansei de tanta hipocrisia, de tanta mentira. E enquanto isso, os evangélicos, para todos batem palmas para eles. Pastores se vestem de branco como se fossem chefes de terreiro. Será que ninguém vê que isso é marketing para tirar dinheiro dos outros?

Mas os endemoniados somos nós. Agora pergunto: somos nós que adoramos o capeta, ou SÃO ELES O VERDADEIRO CAPETA?

Dentro de nossa fé, cremos que cada um traz sua bagagem para esse mundo, e que se uma pessoa nasceu homossexual, não temos o direito de lhe jogar pedras, até porque não sabemos o fez em sua vida passada. 

Mas eles, os ditos cristãos, apedrejam sem dó nem piedade, maltratam, humilham e ainda se dizem: “eleitos por Cristo para entrar no Céu”.

Por isso e muito mais, amo minha religião e quem quiser conviver comigo tem que saber que sou candomblecista sim, e tenho muito orgulho de meu Pai Odé e todos os Orixás.

Que o MP olhe com mais atenção a essa homofobia dentro das igrejas. Pois eles SÃO HOMOFÓBICOS SIM. ( Apenas para informar: sou étero, casado e pai de três filhos ok?)


segunda-feira, janeiro 28, 2013

MAS VOCÊS QUE SÃO FILHOS DE PEMBA, VOCÊS QUE SÃO FILHOS DE FÉ, BATE A CABEÇA E PEDE A DEUS O QUE QUISER



“mas vocês que são filhos de pemba, mas vocês que são filhos de fé, bata com a cabeça e peça a Deus o que quiser”.

Assim é o ponto onde em muitas casas de Umbanda terminavam as sessões. Ocasião em que os médiuns iam aos pés do Guia Chefe batia sua cabeça, tinha suas costas cruzadas, depois ia até o Peji, batia a cabeça e fazia seus pedidos.

Porém, com muita tristeza em nossa alma, podemos afirmar que raríssimos são os dignos de se dirigirem aos pés de seus Guias Chefes e de seus zeladores ao ser entoado esse ponto. Pois que, filhos de pemba são poucos, e filhos fé; bem, nem sei se existem mais. Afinal, o que impera nos corações das pessoas de hoje, é somente o orgulho, a prepotência, a intolerância, a desobediência, a ânsia de crescer sem trabalhar, a falta de respeito com os mais velhos na religião e principalmente com seu zelador entre tantas outras coisas.

Em tempos atrás, uma pessoa por mais que sofresse, tinha orgulho de ser do Santo ou de ser da Umbanda, pois erámos iniciados para sermos esposos e esposas de Orixá, porém, hoje tão somente visam o material e nem estão aí para os preceitos das casas onde frequentam.

Em nenhum momento nos levantávamos contra nossos zeladores, pois que, estaríamos nos levantando contra nosso Santo, mas, hoje em dia o zelador que se cuide se não quiser apanhar de seus filhos de Santo.
Recordo-me de minha saudosa zeladora, Mametú Yndembeleouí, que Olorúm a tenha em seu reino, quando nos ensinava que somos escravos de nosso Orixá para o resto de nossa vida. Que temos que amar a todos os Orixás, pois, são todos eles, nossos pais e mães, não importando se é este ou aquele Orixá, mas, é uma Deidade que governa a natureza e assim sendo, um Ministro de Deus e temos que respeitar a todos, porque dependemos de todos eles.

Também nos ensinava essa grande sacerdotisa, que, todos os zeladores e zeladoras, eram nossos pais e mães, porque eram muito mais velhos que nós e assim sendo, devíamos a eles, o mesmo respeito que devíamos a quem nos iniciou. E o que vejo hoje? As pessoas mal respeitam seu zelador, que dirá o zelador de outras casas.

Ainda com essa sacerdotisa, aprendi junto de meus irmãos, que; nada nesse mundo passa sem que Olorúm veja e anote em seu caderno, e assim sendo, temos que nos ater a nossos atos, pois, por mais idade que tenhamos no Santo, não somos nada nesse mundo e um dia teremos que dar conta a Deus de nossos atos.

E hoje o que mais vejo são pessoas usando a religião para fazer maldade para seus desafetos. Segundo minha saudosa mãe Yndembeleouí, quando desencarnamos, e chegar à hora de nosso espírito dar contas de nossos atos, Xangô abre a porta para o egum entrar, e Logum Edé com sua balança, vai pesando tudo que é relatado, para que outra qualidade de Xangô nos dê a sentença de acordo com as leis de Deus. E neste momento ai daquele espírito que somente praticou o mal nessa Terra.

E as pessoas hoje se preocupam com isso? Nada! Somente se preocupam com o que vão ganhar financeiramente falando. Esquecem-se de que nesse mundo, tudo por pior que seja é finito, mas, no mundo do espírito, uma dor pode ser infinita.

Mas, os médiuns em sua maioria não são mais dignos de serem chamados de médium nem mesmo de filhos de santo. Mentem descaradamente, pisam no nome de quem tanto fez por eles, e que muitas vezes até matou sua fome e de sua família, como ocorre em muitos barracões, afrontam seus pais e mães no santo, acusam-nos de coisas horríveis. E se tomam uma baixa, xingam, jogam praga, expulsam de sua casa se o zelador lá estiver, e depois quando a coisa fica feia, ainda saem por aí metendo o pau no zelador de santo.

Seria muito mais bonito se assumissem seu erro. Se confessassem aos quatro cantos do mundo que sua vida está dessa ou daquela forma, porque desafiou a lei do Santo. Mas não. Preferem denegrir a imagem de quem somente os ajudou, do que assumirem seus erros.

Apenas se esquecem de um detalhe: a vida pode até demorar, mas cobra por tudo de ruim que fazemos nesse mundo. Esquecem-se também de que Orixá não é cego, nem surdo, nem mudo muito menos louco e que está sim, vendo tudo que se passa, e não têm pressa de nos cobrar nada.

Temos que amar nosso Orixá, mas temos que amar e respeitar nossos zeladores, todos os mais antigos, os Ogãs, Ekédis, enfim, todos os cargos que são concedidos por um Orixá, pois caso contrário, não passaremos de enxerto onde quer que estivermos.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

OYÁ EGUNITÁ



Aí temos uma qualidade de Yansã muito pouco compreendida dentro dos candomblés. Começamos por explicar que seus fundamentos, fazem parte da nação Angola, e somente dentro de seus preceitos, podem-se realizar seus ritos. Como Oyá, é a Senhora dos raios, do fogo, mas, seu verdadeiro domínio é sobre os mortos, e o bambuzal.

Seu fundamento vem com determinada qualidade de Oxossi, Ogum, e ainda com Oxalá e Nanã. Tem também um forte domínio sobre os ventos. Diziam os mais antigos, que os ventos mais fortes, pertencem a ela, e que devemos respeitar muito esse vento, pois não sabemos o que Egunitá está nos trazendo naquele momento.

Seu nome se traduz como Senhora de egum. Pois segundo uma de suas lendas, seria egum seu filho legitimo.

Conta essa lenda que em determinada época, ela era esposa de Ogum, mas por mais que tentasse não conseguia ter filhos, o que fez com que consultasse um babalawô. Este após consultar os ancestrais, informou-lhe que ela somente poderia engravidar de um homem que a possuísse com força e violência.

Então, ela contou o acontecido para Xangô e este a tomou dessa forma, e culminou com ela engravidando, pois tinha se separado de Ogum e tinha ido viver com Xangô, e dessa forma como ela a possuiu ela terminou tendo 09 filhos dele. Mas, para seu desespero e tristeza, os oito primeiros nasceram mudos.

Ela novamente consulta o babalawô e este após oferecer sacrifícios aos Orixás, determina que ela volte a copular com o mesmo homem e da mesma forma, e então ela engravida e desta gravidez nasce egum, mas embora não fosse mudo, ela somente falava com uma voz inumana o que causava pavor a todos.

Desta forma ela passou a ser rainha de egum, e até hoje em suas festas ela está presente, pois somente ela tem o poder para enfrenta-lo.

Conta outra lenda que: Em determinada ocasião, vivia Oyá triste porque não conseguia ter filhos. E após consultar um babalawô ele lhe disse que para que ela pudesse engravidar deveria parar de comer carneiro e ovelha. Ela prontamente seguiu esse conselho e ainda fez todas as oferendas que ele a determinou. Depois disso ela conseguiu engravidar e teve 09 filhos.

Entre as oferendas que ela deveria fazer, constava o fato de ter sempre um pano vermelho por perto. E mesmo sem saber o motivo Oyá mantinha este tecido em casa. Após o nascimento de seus filhos foi revelado o mistério do pano: o tecido era para confeccionar a roupa de um de seus filhos: egum.

Esta roupa serviria para no futuro, vestir os eguns que desejassem visitar seus entes queridos após sua ida para o outro lado da vida terrena. Quando o espírito de uma pessoa morta deseja visitar aqueles que deixou na terra, tem que se vestir sem deixar nada à mostra, pois os seres humanos não podem ver seu rosto nem seu corpo, e a roupa feita por Oyá é que veste o mesmo evitando assim maiores consequências para as pessoas e a comunidade.

Em seus fundamentos, essa Oyá sempre se mostra aguerrida, agressiva e se não tivermos muito cuidado ao preparar seus ritos, podemos causar um furor tão grande nela, que corremos o risco de sermos vítimas de sua ira.

Como toda Oyá Igabale, ou Balé, nunca devemos acordar as pessoas que estão manifestadas por ela dentro de casa. Sempre no tempo deve ser suspendida de seu filho, afinal onde estas Oyás estão egum sempre as acompanham.

Seus ritos são feitos de forma muito diferentes dos demais Orixás e seguem preceitos bem atípicos dos demais. Egunitá é uma guerreira, mas, comanda os ventos mais fortes, dança para os eguns, é a senhora dos mortos. É comum encontrarmos essa Yabá dançando para os eguns, como forma de entretê-los e de fazer com que se lembrem de que ela é sua mãe.

Dotada de grande poder e de grande força, Egunitá sempre foi cultuada nas casas de Angola de forma respeitosa e sigilosa, pois todos temem sua ira. Tendo fundamentos com Nanã temiam os mais velhos que ela trouxesse a morte para aqueles que a desafiassem e fizessem seus atos de forma errônea.

Tem seu dia de culto às Quartas feiras como todas as Oyás. Come cabra, galinhas, galinha de angola, pombo, acarajé, frutas, peixe. Nunca se deve ofertar ovelha para ela, e seus filhos não devem comer ovelhas nem carneiros em hipótese alguma.

Veste-se de branco, bem como de branco é sua louçaria. Traz consigo o eruexim, espécie de chicote de rabo de cavalo com o qual domina e espanta os eguns. Seu fio de contas é vermelho translúcido.

Houve uma época em que Ogum era o ferreiro da Cidade Sagrada de Irê, ali ele residia. Morava com sua esposa Oyá em sua forja, era feliz, amava sua liberdade e conhecia toda a gente do lugar.

Sua casa era bela, mas, como ele gostava da liberdade, não possuía seu lar, portas nem janelas, e seu telhado era de mariwô, apenas para não deixar que a água da chuva o molhasse e para evitar os raios mais quentes do sol. Sua esposa ajudava-o em sua forja e os dois viviam assim a verdadeira felicidade.

 Naquela Cidade, Ogum era considerado importante, afinal ele sabia manejar o ferro, então lhe fora atribuído o Akorô, uma espécie de coroa de metal, que ele usava com muito orgulho. Tinha solicitado a seu irmão Odé, eu caçasse para ele, um imenso touro selvagem, e assim Odé o fez. Ogum então tratou bem o couro do animal e fez com ele um fole imenso. E este era manejado por Oyá que gostava de ajudar o esposo em seu trabalho, afinal ela também amava a liberdade.

Certo dia, porém, uma família resolveu dar uma festa para o velho pau que havia morrido no ano que passara. Foram até a sociedade de egum da aldeia e contrataram seus sacerdotes para realizarem a cerimônia própria para que o egum do pai pudesse vir, ele veio e passeou o dia todo pela cidade com todos da família atrás, felizes pela oportunidade de rever aquele a quem tanto amavam.

E o egum passeou, foi ao mercado, na praça, na casa dos amigos, e mais tarde, resolveu ir até a forja para rever seu amigo o ferreiro. Mas, ao ouvir a música que dali saía com o movimento da forja, começou a dançar na rua. Todos riam com gosto de ver a alegria do espírito do velho. 

Ogum prontamente acelerou seus movimentos na forja e mais ele dançava Oyá por sua vez, acelerava também o fole e o som também saí mais rápido e o povo batia palmas para a música que faziam e cada vez juntavam mais pessoas para verem o egum dançando. Ogum estava então com muito orgulho de sua esposa porque ela era muito forte mesmo, e tinha bom ritmo e sabia como transformar seu fole em instrumento musical dominando assim o egum que era tido como difícil de lidar.

Caiu à noite e o egum continuava dançando. Então, Ogum disse a Oyá que ela largasse o fole e fosse dançar com o egum, que ele mesmo bateria o martelo e manejaria o fole. Assim por horas a fio Oyá dançou com egum, proporcionando alegria ao povo de Irê.

Vendo como sua esposa era Ogum tirou o Akorô de sua cabeça e presenteou sua esposa com ela e disse: “Oyá yawô mi, akorô mi lonnon” que significa: Oyá minha esposa, use meu Akorô na rua. E desde esse momento Yansã teve o direito de usar o Akorô. E este direito ela conserva até hoje, tanto na mãe África como no “novo mundo”, pois seu esposo a autorizou e nenhuma outra Yabá tem esse direito.





sábado, janeiro 19, 2013

O MILAGRE DA PRESSA



Algumas pessoas buscam as casas de Santo na intenção de solucionar algum problema com certa urgência. Alegam que não podem esperar que precisam daquele problema resolvido o mais rápido possível. Seja ele, uma dívida contraída há tempos, um casamento desfeito há meses, uma causa que anda na justiça sabe-se lá há quanto tempo. O fato é que querem a solução imediata.

Mas, se esquecem de que, o Orixá para trabalhar, precisa de tempo, e do tempo de Deus e não do tempo dos homens. Quando entra em um problema, a pessoa deve se acreditar no Santo, buscar sua ajuda imediatamente, e não esperar dias, meses ou mesmo anos, para recorrer à ajuda espiritual.

Se a pessoa contraiu, por exemplo, uma dívida e precisa pagar, mas, não quer que alguém saiba, ela não deve esperar os últimos 05 minutos do segundo tempo para solicitar a intercessão dos Orixás naquele caso. 

Se ela realmente crê, deve buscar a ajuda imediatamente, pois assim dará tempo para que a Deidade interceda por ela. Não existe dentro do Axé Orixá, uma varinha mágica, como nos filmes de Harry Potter, onde o sacerdote bate na destra da pessoa, e simplesmente seus problemas somem.

Ao contrário: tudo demanda tempo. Orixá é como uma planta: temos que arar a terra, fazer a cova, plantar a semente, e cuidar esperando que a mesma brote, e depois continuamos a cuidar até que cresça e nos dê o fruto.

Quando damos um presente ao Orixá, não basta irmos a uma casa, acendermos uma fábrica de velas e sacrificarmos uma granja inteira. Nada disso adianta, se a fé não for nosso principal ítem. Alguns professam fé. Mas, que fé é essa que a pessoa mal acaba de fazer uma obrigação e quer o resultado para um problema que se arrasta há tempos?

E por que ela não pensou duas vezes antes de cometer determinado ato? Fácil não? Fazemos o que queremos e depois o Orixá que se vire para nos ajudar! É como dizermos: Deus perdoa porque esta é sua função! Oras! Temos que atentar para nossas ações! Existe uma lei da física que se aplica bem em nossas vidas: “toda ação tem uma reação da mesma intensidade ou maior”.  E isso as pessoas não querem ver.

Se assim o fosse, nós zeladores, poderíamos sair por aí matando, que nada nos aconteceria, afinal bastaria fazer um ebó, acender meia dúzia de velas e sacrificar uns pobres de uns frangos e BINGO! Tudo resolvido. 

Mas que nada. Se não andamos na lei, somos punidos como qualquer um, afinal graças a Deus as leis existem e devem ser cumpridas.

Presenciei uma vez em determinado barracão, uma pessoa dizendo para a sacerdotisa que ela tinha que ajudar, pois estava sem pagar a prestação de sua casa e a mesma iria a leilão e ela não poderia permitir que isso acontecesse. A sacerdotisa então disse: “o que posso fazer é acender umas velas, dar um presente ao Santo, mas se você não pagou o que quer que eu faça? Não sou mãe do Presidente do banco”! E a pessoa ainda se achou no direito de ficar com raiva da sacerdotisa.

Bem, se a pessoa não paga, é obvio que perderá seu bem. Se assim não fosse, não precisaríamos nós, que cuidamos de Santo, pagar a conta de luz, água ou telefone, pois os mesmos não seriam cortados.

Entro nesses detalhes, porque algumas pessoas chegam em nossas casas, achando que fazemos milagres, eu logo digo: a universal é na outra rua. Aqui somente cuido de Orixá. Não entendo o que pensam. Será que nos acham tão bons, ou pensam que somos burros? Acho que a segunda hipótese é a mais certa.

Orixá é amor, fé, humildade, sinceridade, honestidade, caráter, honra e outras coisas que faltam muito nas pessoas hoje em dia. Pensam que por terem determinado poder, podem tudo, que estão acima da lei dos homens e de Deus. Mas, se enganam, pois as leis existem para serem cumpridas e mais dia menos dia, todos independente de quem somos, teremos que dar conta de nossos atos.

Se não cumprimos com as leis, obviamente que teremos que prestar contas à justiça, de nossos atos. Se magoamos a quem amamos e vive ao nosso lado, é claro que a perderemos. O mesmo ocorre com as Leis do Universo, pois elas são feitas para garantir que o Universo gire em harmonia e paz, garantindo assim, as mesmas oportunidades para todos. Não podemos culpar Olorúm por nossos erros e por nossas más ações. 
Temos sim, que nos curvarmos perante suas leis.

Temos que obedecer as leis dos homens, pois nossos Orixás assim nos exigem, está escrito nas leis de Iká e essas são os mandamentos de Olorúm para a humanidade. Nossos ancestrais, as Deidades, sempre nos obrigarão a seguir essas leis, e a dos homens, porque nosso caráter é que vai mostrar quem somos realmente. Se por um lado, a lei dos homens, nos garante direitos, as Leis de Olorúm, nos garante que ao nos transladarmos de volta ao Orúm, Céu, nosso espírito poderá usufruir de todos os gozos na Eterna Morada de Nosso Pai.

Porém, se como filhos rebeldes, não cumprimos suas leis, nem seguimos seus mandamentos, como Iká nos deixou, teremos que nos contentar em viver na vida pós-túmulo em um mundo de ranger de dentes e trevas, pois esta foi nossa escolha.

Olorúm não é de forma alguma, vingativo e nem se trata de um justiceiro. Ele apenas criou Leis para que todos possam se chegar a Ele e se sentirem seus filhos, e mais ainda: serem dignos de ser chamados de seu filhos. Porém, quando somos levados deste mundo para o outro, é nosso espírito que nos julga, porque segundo os espíritos nos ensinam, Olorúm criou em cada espírito uma mente, e esta funciona como uma espécie de cartório, e, este somente dará direito de descanso ao espírito, depois que ele resgatar todas as suas dividas.

Não nos enganemos, pois, achando que podemos isso ou aquilo. Porque na verdade, nada somos nem nada podemos. Vivemos nesse mundo, tão somente pela vontade de Olorúm e saímos dele no dia e hora marcados por Ele. Ao nascermos, temos duas passagens: uma de vinda para esse mundo e outra de volta para o mundo espiritual. E nada nem ninguém poderão impedir esse regresso.

Por isso e muito mais, é que devemos nos ater em nossas ações e nossas atitudes, pois que, seremos cobrados em cada tostão de nossos atos.

Não adianta andarmos errados, e depois irmos a determinado Templo, onde descansam os objetos litúrgicos e os antepassados aqui chamados de Orixá, pensando que eles simplesmente irão apagar nossos erros, porque se assim agissem, não estariam de conformidade com as Leis Divinas.

A sabedoria dos africanos antigos nos mostrou que quando Olorúm se zanga, Ele tem seus Ministros os Orixás para cobrarem para Ele nossas dívidas. Não pode uma pessoa simplesmente pensar que com um presente, esta ou aquela Deidade fará com que seus erros não sejam contabilizados na terra, e muito menos no espaço.

Um sacerdote, uma sacerdotisa, são apenas instrumentos que seu Orixá usa conforme as determinações de Olorúm, e não fadas ou duendes possuidores de varas mágicas que fazem com que seus problemas acabem.
Muitas vezes um zelador ou uma zeladora atende uma pessoa, mas, ela nem imagina o problema pessoal que aquele Pai ou Mãe está passando, afinal a pessoa está ali como consulente e para ela não interessa os problemas do dirigente do Templo. Posso garantir que em sua grande maioria, possuem problemas muito mais graves do que os daqueles que os buscam, mas a imparcialidade nos obriga a atender sem queixumes, sem a menor demonstração de dor.

Se por acaso uma pessoa comete algum ato errôneo, ela tem que entender que precisa pagar por ele, e que nenhuma obrigação deste mundo lhe tirará isso. Pode sim, aliviar a carga, mas a cobrança, essa não desaparece de forma alguma.

Ande certo em sua vida. Caminhe no caminho da sabedoria, não cometa erros sérios com seu irmão, não adultere, não roube, não deseje aquilo que não é seu, não use drogas, não abuse de bebida, não cometa enfim, nenhum ato que seja criminoso aos olhos da justiça terrena e de Olorúm e verá como sua vida prosperará cada vez mais.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi lambanranguange: Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.