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sábado, novembro 23, 2013

SALVE O GLORIOSO SÃO JORGE GUERREIRO, OGUM IÊ MEU PAI!



“Quem está de ronda é São Jorge, meu pai me diga o que é, quem está de ronda é São Jorge, velando os filhos de fé. Quem está de ronda é São Jorge, toda noite e todo dia, quem está de ronda é São Jorge, Jesus, e a Virgem Maria”

Ponto muito antigo da Sagrada Umbanda, e que me recordo dele no Terreiro de Caboclo Treme Terra no Bairro de Caratoíra, Vitória E.S. Esse ponto nos traz a grandeza desse Santo guerreiro que padeceu sob as ordens do Imperador Diocleciano em 23 de Abril de 303 na Nicomédia, Ásia Menor. Mas, o que Diocleciano não poderia imaginar era que estava construindo o culto mais aclamado em todo o mundo: o culto a São Jorge, o Santo Guerreiro. E tantos são os povos que o cultuam, que não existe a mínima chance de dizer que esse Santo não existiu.

Mas, quem é São Jorge e qual sua história afinal?

Segundo pesquisas, Jorge teria nascido na Capadócia, região central da Anatólia que hoje faz parte da Turquia. Era filho de Militar e seu pai segundo as pesquisas teria morrido em batalha. Após a morte de seu pai, Jorge ainda criança, mudou-se com sua mãe para a Palestina e ali viveu em Lida Cidade de sua mãe, que segundo a Bíblia, foi fundada por um membro da tribo judaica de Benjamim chamado Samed (1Cr 8:12). No Novo Testamento, foi cenário da cura de um paralítico efetuada por Pedro (At 9: 32-35). Como sua mãe era abastada, Jorge foi criado com esmero, nada faltando para a educação de um jovem de seu tempo. Mas, como era um jovem de temperamento forte, se identificou com a carreira militar, afinal, era ele por natureza um combatente, e tamanho foi empenho que não demorou a ser nomeado Capitão do Exército Romano pelo Imperador. Nota-se que tudo isso se deu ainda em sua juventude, tanto que pelos idos de seus vinte anos Jorge foi condecorado com o título de Conde da Capadócia.

Tinha apenas 23 anos de idade quando se deu o falecimento de sua mãe, então, foi residir na corte de Diocleciano o Imperador de Roma, mais precisamente na Nicomédia e ali exercia a função de Tribuno Militar.

Todos sabemos, baseados na história, que Diocleciano, foi quem mais perseguiu os cristãos e pôs fim à vida de muitos, inclusive de outros mártires do cristianismo. Este Imperador, possuía um ódio mortal tanto pelos cristãos, como pelo próprio Cristo, mesmo tendo sua vida antecedido em séculos a de Diocleciano, mas, esse via em Cristo Jesus, uma ameaça a seu reinado bem como a seus deuses. E não media esforços para perseguir e massacrar os cristãos e sua fé.

Tanto que em 302 publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e que todos os outros deveriam oferecer sacrifício aos deuses romanos. Cristão que era, Jorge foi ao encontro do Imperador a fim de objetar essa ação, e para espanto de todos e principalmente de seu Imperador, declarou-se perante aos que ali estavam, como cristão. Porém Diocleciano não queria perder Jorge de suas fileiras e prontamente começou a tentar de todas as formas fazer com que seu capitão, tribuno e Conde, abandonasse sua fé, renegando ao Deus cristão e declarando amor e culto aos deuses romanos.

Porém, Jorge não aceitou nada que o Imperador lhe ofereceu como “pagamento” por sua renúncia, mesmo sendo terras, dinheiro e escravos, e manteve-se fiel à sua fé, possuído de ódio, Diocleciano mandou então que o torturassem para que ele através da dor, abandonasse a fé, e Jorge foi torturado de todas as formas mais terríveis que puderam lançar mão. Mas, depois de cada tortura, quando era levado de novo à frente do Imperador e esse lhe perguntava se renegava a Jesus em prol dos deuses romanos, Jorge reafirmava sua fé com mais ardor ainda. Seu martírio no entanto, foi ganhando notoriedade e muitos romanos culminaram por tomar as dores daquele jovem, inclusive, contam fatos históricos, que até mesmo a mulher de Diocleciano se comoveu com a forma com a qual o bravo e valente soldado era torturado e ela então se converteu ao cristianismo. Além disso, outras pessoas se comoveram com seu martírio, como os mulçumanos, por exemplo.

Vendo Diocleciano que nada do que fazia tinha o poder de persuasão com Jorge, culminou por mandar que fosse degolado e o fato se deu em 23 de Abril de 303, na cidade de Nicomédia na Ásia Menor.

Estudiosos dão conta de que um dos primeiros lugares de devoção teria sido na Síria, onde inclusive existem sepulturas que fomenta-se terem sido os primeiros locais de descanso final de seus restos mortais, o que é confirmado pela Enciclopédia Católica, onde podemos assim ler: Las narrativas de los antiguos peregrinos, Teodosio, Antonino, y Arculfo, desde los siglos sexto al octavo, todos hablan de Lydda o Dospolis como el asiento de la veneración de San Jorge, y como el lugar de descanso de sus restos (Geyer, “Itinera Hierosol.”,139, 176, 288)”. E seguindo lemos assim: “La antigua fecha de las devociones al santo es atestiguada por las inscripciones existentes en ruinas de las iglesias en Síria, Mesopotamia, y Egipto y la iglesia de San Jorge en Tesalónica es también considerada por algunas autoridades como perteneciente al siglo cuarto.”

Como podemos observar, São Jorge tem seu culto bem estruturado e arraigado em povos antigos, que viam n’ele a verdadeira expressão da fé em Jesus Cristo e seus ensinamentos. Viam um jovem que mesmo com pouca idade, sabia dar combate nos campos de batalha como sabia defender sua fé com a mesma valentia.

Após sua morte, seus restos mortais foram transferidos para Lida, antiga Dóspolis, local onde crescera com sua mãe. Mais tarde o Imperador cristão Constantino, mandou erguer um suntuoso oratório aberto a todos os fiéis fazendo assim, com que a devoção a Jorge, se espalhasse por todo o Oriente.

Pelos idos do século V. haviam cinco igrejas dedicadas a ele. Apenas no Egito, nos primeiros séculos após sua morte foram construídas quatro igrejas e quarenta conventos e dedicados ao mártir Jorge. Em alguns lugares como Armênia, Império Bizantino, Estreito de Bósforo e na Grécia, São Jorge sempre foi inscrito como um dos maiores Santos do catolicismo.

Dentro dos termos eclesiásticos, o dia de São Jorge, 23 de Abril era mantido com um feriado menor. Quando em 1415, a Constituição do Arcebispo Chicele, trouxe mais luz a esse dia e o transformou em uma das maiores festas cristãs, e ainda ordenou que fosse observado como Dia de Natal.

Seu sincretismo com Ogum, deu-se ainda com os escravos que aqui viviam, e por ser Ogum, caçador, agricultor e guerreiro destemido e valente, esses escravos oriundos de vários locais da África, viram no Santo Católico, uma figura similar a Ogum, que sempre venceu as batalhas onde quer que estivesse. E com esse sincretismo, Ogum que sempre fora cultuado como protetor das colheitas e caçador, juntamente com seu irmão consanguíneo, Oxossi, passou a ser somente o guerreiro, cabendo ao segundo, toda a consagração de caçador e agricultor.

Mas, o sincretismo tomou conta no Brasil, pois que, eram os negros, proibidos de praticarem sua religião, que segundo a Igreja de Roma, “era um culto a satanás”, e como todos que praticassem outra filosofia que não a romana eram torturados e mortos, viram os negros, a única saída possível: sincretizar seus Orixás com os Santos permitidos por Roma.

A forma que mais firmou esse sincretismo, foi quando na Guerra do Paraguai, o Brasil entrou com seus soldados. Temos que nos lembrar de que a grande maioria dos marinheiros daquela época eram negros, e com isso, Ogum passou definitivamente a ser correspondido com São Jorge, tanto que durante aquela Guerra, os Santos, Jorge e Antônio de Pádua, seus correspondentes no Rio de Janeiro e Bahia, respectivamente, chegaram a ter patentes de Oficial e receber soldo, isso tanto no Exército como na Marinha, conforme nos relata a história, e ainda o ponto: “Ogum já jurou bandeira, nos campos do Humaitá…”, é uma alusão à localidade de Humaitá, onde se travou a batalha mais importante dessa guerra.

Com os escravos, apreendemos que Ogum guerreia ferozmente contra seus inimigos, que destrói todas as forças que tentam tirar seu reino e a paz de seu povo. Aprendemos ainda que é um Orixá muito justo e que somente não teve seu reino destruído como pedira Nanã, pois Orumilá via em Ogum um homem honrado, valente, que não mentia e respeitava seus pais.

Com os europeus, aprendemos que Jorge era valente, destemido, guerreiro martirizado em nome de sua fé. Então se formos analisar, a correspondência entre eles é algo certo e inquestionável. Mesmo hoje com a modernização e as leis que amparam nossa religião, o que fez com que o sincretismo deixasse de existir praticamente, entre os adeptos de Ogum, São Jorge continua mais fidedigno que nunca a seu título.

Nos seus pontos na Umbanda, temos constantemente a exaltação dos campos de batalha, o que leva católicos e evangélicos e dizerem que Ogum é demônio sim, pois que, veneramos a violência dos campos de batalha. Mas isso é um erro incomensurável. Ao exaltarmos os campos de batalha, exaltamos na verdade, as batalhas vencidas na guerra do Paraguai e outras, sob a proteção de São Jorge/Ogum, e nos dias de hoje, exaltamos a mesma ajuda mas na batalha do dia a dia, onde temos que vencer constantemente pois vivermos em um mundo globalizado e com isso a concorrência ficou ainda mais acirrada. É também à batalha travada pelos pequenos e médios empresários que tentam sobreviver em um verdadeiro campo minado, onde o imperialismo da grandes empresas massacram a quem ousar entrar em seu caminho.

Assim como São Jorge, Ogum é tão somente nosso defensor e abre as portas para que possamos entrar, abre os caminhos para que possamos passar.





                                                                    
                                                                        FOTOS:
                                                                  enciclopédia católica

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