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quinta-feira, novembro 30, 2006

O QUE É BORI?


A palavra bori se traduz como: Cabeça comendo. Bo = comer, Ori = cabeça. Esta é uma obrigação à qual podem receber toas às pessoas, iniciadas ou não. Dependendo da situação e do que solicita o orixá de cada um.

Esta obrigação Constitui-se basicamente de recarregar as energias da pessoa fazendo com que toda a carga negativa existente em sua áurea seja substituída por uma positiva. Dependendo de cada situação, podem ocorrer formas variadas de bori e de sacrifício de aves para o Orixá. Em nosso dia a dia, convivemos com situações várias, e que nos colocam em contato com energias que na maioria das vezes em nada são benéficas.

Com os iniciados na religião esta obrigação é realizada uma vez por ano, ocasião que o iawô, recolhe-se por um período de 12 horas, se não for obrigação de feitura, podendo chegar até mesmo há três dias. Neste caso o bori unifica-se com a obrigação de seu tempo de feitura. Estas obrigações são de: 01, 03, 07,14 e 21 anos após sua iniciação. Antes do recolhimento, a pessoa passa por uma sessão de limpeza (ebó ou sacudimento), destinada a retirar as forças inferiores que possam estar junto dele, e neste recolhimento, se oferece, vários tipos de comidas, desde o feijão preto e o inhame cará de Ogum até o ebô (canjica branca) de Oxalá. Nesta ocasião o sacerdote sacrifica aves pré-determinadas pelo Orixá da pessoa, a fim de que esta possa ter mais um ano de vida, alegria, saúde e conquistas em sua vida. Em caso de obrigação grande são oferecidos os chamados bichos de quatro pés, e estes variam de acordo com a qualidade e a solicitação de cada Orixá.

Para os que não são iniciados, esta obrigação varia muito, dado que cada pessoa tem um problema e assim sendo a solução do mesmo difere. Temos o bori de misericórdia, no qual são oferecidos apenas comidas brancas para Oxalá e Yemanjá, e os sacrifícios, constituídos apenas de aves destes santos.

Os antigos africanos acreditavam na força dos elementos da natureza, tanto como parte ativa da nossa existência, como para nos reabastecer de forças positivas que se bem direcionadas, vão nos levar ao alcance de muitas vitórias na vida terrena. Um dessas forças era a comida. Acreditava-se que os ancestrais ao se transladarem para o Orúm (céu), levariam consigo as experiências adquiridas na terra, e em um futuro poderiam aqui retornar para nos auxiliarem de forma direta em vários aspectos de nossas vidas.

Os Africanos possuíam uma filosofia muita a quem das demais seitas e filosofias existentes. Para eles, tudo na natureza possui vida, até mesmo as pedras, e como tais esses elementos são dignos de respeito e proteção. Possuíam desde tempos remotos, uma concepção de proteção à natureza e esta foi passada de pai para filho, tanto que é muito comum nos barracões de Candomblé, existirem uma variedade de flora que surpreende a todos que ali chegam. As comidas oferecidas em obrigações de santo são comumente jogadas dentro de rios e lagos após serem suspensas da mesa do Orixá. O fato de estas comidas serem ali despejadas reflete-se na preocupação com a continuidade da vida. Sabemos que nossos antepassados preocupavam-se com a vida e a preservação da natureza, assim ao despejarem estes alimentos na água, era sua preocupação apenas alimentar os peixes que ali habitam, garantindo assim a continuidade da vida.

Este fator também está evitando o desperdício de alimento. Dentro da casa de uma pessoa iniciada, é verdadeiro tabu desperdiçar o alimento, seja de que forma for. Assim, é comum a divisão da comida de bori entre as pessoas que ali estão, afinal além de não desperdiçar, estariam todos participando daquele banquete, ocasião que aproveitariam o axé deste santo. Nada se desperdiça em uma roça de santo, até mesmo os resíduos que não servem para ser aproveitado para nada, como certas partes dos animais, são enterrados e não jogados no lixo, temos uma concepção de que tudo que se oferece ao santo é sagrado, e assim até mesmo as partes que de forma alguma servem para serem ingeridas, poderão ser utilizadas como adubo natural para a terra, assim ao enterramos estas partes, estaremos dando continuidade ao que nos foi passado por nossos antepassados: na natureza tudo se aproveita, nada se desperdiça.

Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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domingo, novembro 19, 2006


COSME E DAMIÃO

Quem de nós nunca participou de uma festa de São Cosme e São Damião em algum terreiro, seja de Umbanda ou Candomblé? Sempre festejados em Setembro, é uma verdadeira viagem à nossa infância, onde podemos nos fartar como bolos, balas, doces e tantas outras guloseimas servidas neste dia. Mas uma é especialmente gostosa: O Caruru, também chamado de Caruru de Cosme! Sim, esta é uma das preferidas guloseimas servidas nas casas de Candomblé por ocasião das comemorações destes santos, que tanto se dedicaram à pobreza em sua vida terrena, o que lhes causou grande perseguição por parte do Imperador Diocleciano durante o século V.

Vamos ver um pouco da história destes mártires:
Muitos dos relatos sobre a vida destes Santos nos dão conta que eles eram gêmeos e nasceram na Arábia, trezentos anos após Jesus, porém seus pais eram Cristãos. Quando maiores foram para a Síria, onde estudaram medicina e passaram a se dedicar exclusivamente ao atendimento gratuito. Seus verdadeiros nomes eram Acta e Passio. Como a maioria dos mártires, existem vários relatos sobre sua morte: alguns dizem que foram lançados de um precipício amarrados, pois foram acusados de serem feiticeiros e inimigos dos deuses romanos. Outros contam que na primeira tentativa de ceifarem-lhes as vidas, foram afogadas, porém anjos vieram dos céus e os salvaram. Já em outro relato vemos que foram queimados, porém mal algum lhes causou o fogo, e depois desta vã tentativa teriam sido apedrejados, mas as pedras simplesmente voltavam para trás sem atingi-los. E por fim foram degolados.
O que se sabe ao certo, é que Cosme e Damião foram martirizados na Síria, por ordem do Imperador Diocleciano, que os perseguia por saber de sua religiosidade e de seus atos caridosos aos pobres. Sabemos que este Imperador foi Inimigo de todos os que não se curvassem perante os deuses romanos, porém é desconhecida a forma como morreram. Os milagres a eles atribuídos começaram logo após sua morte. Consta que, depois de mortos apareceram materializados ajudando crianças que sofriam violências. Até mesmo no momento de seu suplício os milagres aconteceram. Consta que o gêmeo Acta levitou, e do gêmeo Passio consta à tranqüilidade com a qual aceitou de seu martírio.
Mas os milagres de cura somente apareceram por volta do século V, e fizeram com que fossem considerados “Médicos dos Pobres”, protetores especiais das crianças. Segundo suas histórias, eles não recebiam qualquer tipo de pagamento quando exerciam a profissão na Síria, e com isso ganharam o título de ANARGIROS, inimigos do dinheiro. Depois com a especialização da medicina, foram escolhidos como Patronos dos Cirurgiões.
Seus corpos foram transportados por vários fiéis para Roma, devido à trucidação dos mesmos por Diocleciano, onde foram sepultados em um templo erguido em sua honra pelo Papa Félix IV na Basílica De Roma com as iniciais SS, que se traduzem como Cosme e Damião.
Dado a sua dedicação às crianças em geral, foram eles nomeados protetores das mesmas, e mais tarde as casas de Umbanda passaram a homenageá-los no dia 27 de Setembro, data que o catolicismo também realiza as homenagens. No Candomblé, são sincretizados com IBEJI, gêmeos da África que segundo as lendas, são os protetores das crianças e também da felicidade e riqueza. Segundo algumas casas, seriam eles filhos de Odé e Oyá, mas independente de sua filiação, em uma coisa todos são unânimes: a rapidez com que atendem os pedidos a eles endereçados, em troca de doces e outras guloseimas.
Seu culto foi iniciado no século V, data em que apareceram os primeiros relatos de seus milagres. Existem registros do culto aos irmãos nesta época, que dão conta de que existia em certas igrejas um óleo santo que tinha seu nome e, além do poder da cura, daria filhos a mulheres estéreis.
No Brasil seu culto foi introduzido pelo Donatário Duarte Coelho, 1535, quando este fundou a primeira igreja a eles dedicada, na cidade de Igarassú, (em Olinda, Pernambuco), que em tupi significa: Igara – Canoa, Assu – Grande.
Pai Sérgio, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.
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Tel: 0 (xx) 27 3282-1860

Esta matéria teve como fonte de pesquisa a Wikipédia.

quinta-feira, novembro 16, 2006

CANDOMBLÉ E UMBANDA, UMA DIFÍCIL MISSÃO.
Sempre que falamos sobre nossa religião, seja ela Umbanda ou Candomblé, esbarramos na mesma dificuldade: o preconceito. Sermos membros de um destes seguimentos está se tornando cada vez mais perigoso para nós. Afinal, são tantas as perseguições que não me admiraria se dentro de pouco tempo, começassem a nos amarrar e chicotear em praça pública.

A verdade é que somos discriminados até mesmo dentro das casas legislativas e executivas, locais onde na realidade teríamos que encontrar a paz e a segurança do direito à religião. Isso se dá, pelo fato de não possuirmos representantes de nossa fé dentro destes poderes, e consequentemente terminamos por buscar apoio em candidatos de outras ramificações religiosas, que no momento de nos pedir votos, prometem mil vantagens, que sabemos não terem a mínima intenção de cumprir. Esta é nossa realidade inquestionável. Precisamos rever nossa situação perante estes órgãos que, aliás, são mantidos com nossos impostos.

Um outro fator que nos leva sempre a problemas, é o fato de clientes nos procurarem, achando que possuímos varinha de condão, com a qual, resolveremos seus problemas como num passe de mágica. E isso muitas vezes acontece, dado a irmãos que anunciam esta prática de “em tantos dias resolvo seu problema”. E isso tem levado a inúmeras reclamações por parte de consulentes às federações, afinal se prometemos, temos que cumprir. E como Conselheiro sacerdotal, não poderia deixar de criticar este tipo de atitude. Como sacerdotes, sabemos que o tempo que um orixá ou outra entidade levará para resolver uma questão está totalmente fora de nosso alcance e previsão. Sabemos que ao entregarmos uma oferenda, a entidade irá participar de uma verdadeira batalha com espíritos inferiores, a fim de agir em defesa de quem solicitou tal intervenção. Assim, como podemos prever, quantos dias levará es ta batalha?

Existe ainda, aquela fração de consulentes que nos procuram apenas com o intuito de fazer o mal, como se fôssemos bandidos, pistoleiros, que estivéssemos pronto a sair por aí assassinando as pessoas. Faz-se necessário que estas pessoas entendam que somos sacerdotes e como tais, promovemos a paz, a união e não a destruição de quem quer que seja. Precisam compreender que não basta pedir: temos que sr merecedores daquilo que pedimos. Têm que entender que faz parte do sacerdócio, zelar pala vida, e não a destruir. Temos um Deus somente, independente de religião, e somos submissos a este Deus, em tudo que fazemos. Tentar tirar uma vida é algo que um verdadeiro sacerdote, sequer cogita, se nega até mesmo a pensar nesta possibilidade. Mas infelizmente algumas pessoas, acham que por trabalharmos com esta ciência, temos o direito de atentar contra a vida de outros, isso é um erro, um equívoco e temos que combater.

Sermos sacerdotes é antes tudo primarmos pela vida, pela honestidade e respeito tanto para com as pessoas, como para com a natureza, dado que esta é arte integrante do corpo do Criador do Universo. Ficaria um pai, feliz ao saber que alguém está tencionando ceifar a vida de seu filho, por mais que este seja errado? Com certeza que não. Da mesma forma, Deus, nosso Pai Celestial, não ficará nada satisfeito em saber que alguém tenciona atacar um filho seu.

Ainda existe também o comércio desvairado, a ganância de alguns sacerdotes. Não questiono aqui a cobrança do axé ou do chão por um trabalho, mas sim a forma como alguns casos nos chegaram. Zeladores que ao serem consultados, exigem que a pessoa até mesmo desfaça-se de algo de valor, para a realização de uma obrigação. Isso ao nosso ver, é uma atitude de mercenários e não de um zelador. É correto se cobrar pelo trabalho, até mesmo porque a manutenção de um barracão, terreiro, sabe-se que não é nada barato, ao contrário, onera em muito o sacerdote, mas daí a levarmos uma pessoa a se desfazer de algo, ou exigir que nos dê aquilo, é algo totalmente avesso á cultura de nossos orixás.

O que conseguimos com isso? Sacerdotes serem vítimas de armas de fogo, suas casas serem perseguidas tanto por meios legais como ilegais dado a sua atitude, descrença cada vez maior de nossa religião, entre outros. Volto a dizer: concordo com a cobrança por um trabalho realizado, mas algo que não explore a pessoa, afinal, não estaríamos assim tirando proveito da desgraça alheia? Cobrar axé é uma coisa, porém extorquirmos as pessoas é outra. Se olharmos com mais atenção, veremos que certas atitudes é que estão exterminando com nossa religião.

Nos reservemos desses atitudes, sejamos sérios, honestos, fiéis aos nosso clientes e filhos. Vamos combater a discriminação, mas também combatamos atitudes que somente denigrem nossa religião e nossa imagem. E combatamos esta idéia de que somos milagrosos e que trabalhamos contra a vida ao invés de ser em prol dela.

Pai Sérgio,

Tatetú N’inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, novembro 08, 2006

YAMIM

Estas senhoras conhecidas por Yamins, ou seja, minha mãe, são seres muito antigos da mitologia africana. Segundo as lendas, foi graças a uma oferenda feita pela mãe de Odé, a elas, que ele conseguiu matar com sua única flecha, o pavoroso pássaro que assombrava determinado reino.

Sua forma mais antiga e mais temida é Oxorongá, antiga feiticeira, que da mesma forma que suas irmãs, Abotô, e Alá, possuem cabeça, pés e asas de pássaro, e corpo de mulher. Moram no mais profundo recanto das matas em cima de árvores. Jamais se socializam, não suportam que as chamemos em vão, a não ser se desejamos guerrear contra alguém.

São mães de egum, e as Oxuns mais antigas que existem. O certo é que não devemos pronunciar seus nomes sem um motivo justo ou mesmo proferirmos seu Oriki, palavras litúrgicas, sagradas, que tem o poder de as invocar independente do local que estejamos. Também não devemos pronunciar seus nomes, próximos de alguns elementos da natureza, como a terra vermelha, por exemplo.

Um outro fator importante, é que antes de solicitarmos algum favor delas, devemos estar muito ciente do que pedimos, pois que não poderemos mais tarde nos arrepender e voltarmos atrás. Alguns dos zeladores mais antigos ensinavam que não se deviam cultuar esses seres em residências onde houvesse crianças. Muitos deles, aliás, tinham verdadeiro pavor até mesmo em proferir seus nomes. Isso era tabu. Seu culto sempre foi um dos mais secretos no Candomblé e sua cerimônia de padê, somente é presenciado pelos iniciados na casa e assim mesmo, que tenham certo tempo de feitos. Um abiã, (iniciando), um cliente, jamais presenciam esta cerimônia.

Muitos acreditam que sem a preparação do Encantamento do Orixá em nossas cabeças, elas podem até mesmo nos matar. São seres de poder imenso e, que uma vez invocados nada nem ninguém poderá subjugá-las. Em sua cerimônia de padê, geralmente as mulheres é que participam, assim mesmo, dependendo da Qualidade de seu santo. Uma pessoa de Oxalá, por exemplo, participa da cerimônia, mas tão somente como observador e não como parte ativa.

Suas oferendas são entregues em primeiro lugar, para depois então agradarmos as demais entidades, antes de iniciarmos os festejos de um terreiro de Candomblé. Ao que se sabe, elas não possuem filhos, ou seja: não se raspa uma pessoa para Yamim, se por ventura existe alguém que seja seu filho, é necessário que o sacerdote recorra a Ifá, e se aconselhe sobre qual santo deve ser encantado, dado que não é qualquer outro santo que pode ser feito em seu lugar. Somente algumas qualidades poderiam substituir as mesmas.

Se precisarmos de um favor delas, devemos nos preparar muito antes, afinal são seres muito antigos, desconhecem muitas coisas, porém, conhecem segredos que jamais poderíamos imaginar que existem. Quando provocadas, causam terrores inimagináveis na vida de quem as provocou.

Segundo antigos zeladores, elas seriam as Bruxas do Candomblé, e como tais, com muito conhecimento tanto para o bem como para o mal. Dado a isso, esses antigos sacerdotes sempre buscavam alternativas diversas antes de invocarem seus nomes e sua presença. Também nos ensinavam que: “uma pessoa, sem o devido preparo e conhecimento necessário, jamais deve se atrever a invocar essas poderosas feiticeiras”.

Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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