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quarta-feira, outubro 19, 2022

Quem foi Tranca Ruas

 


Grande Exú, subordinado ao Orixá Ogum, em sua vida aqui na Terra, era um curandeiro que usava os medicamentos da Natureza, como ervas, casca de árvores, enfim, todos os recursos que esta o emprestava, atuando também na extração de dentes. Seu nome de batismo era Geraldo Branco Compostella.

Descendente de uma família abastada, seu maior sonho quando ainda rapaz era ser padre, em um determinado mosteiro na Cidade de Galícia, Espanha, Cidade esta onde nasceu. Mas, como todo jovem, ele teve seu sonho desviado ao sentir a chama do amor. Ocorre que, em determinado dia, ao assistir a missa, deparou-se com uma linda senhora que ali estava para se confessar, e desde aquele dia, seu rosto não saía mais de sua mente. Para onde quer olhasse, se deparava com a visão daquele rosto que, com certeza era o mais belo que ele já havia visto.

Por mais que tentasse, não conseguia esquecer aquele rosto esplendoroso, ela não lhe saía da mente. Então tomou uma decisão e começou a ir em todas as celebrações como forma de assim, tentar se encontrar novamente com a linda mulher. Passaram-se 30 dias e nada de ela reaparecer, a inquietação tomava conta de seu espírito, quando, de repente, enquanto estava na antessala da igreja, ouviu uma suave voz chamar pelo padre, e ao observar escondido, viu que se tratava daquela que não sía de sua mente.

Pessoa de pensamento rápido, Geraldo, não titubeou e fingiu ser o padre, e assim a linda senhora beijou-lhe a mão, dizendo que gostaria de se confessar pois necessitava do perdão. Ele não conseguia entender que pecados poderia ter uma mulher que em sua visão, mais se parecia com um anjo, e pôs-se a ouvir seus pecados. Ela lhe confessou que fazia parte da bruxaria, e por mais que tentasse não conseguia se livrar deste caminho, e assim sendo, estava decidida a abandonar a Cidade temendo a inquisição. Sua cabeça então entrou em desespero, todos os nervos de seu corpo se abalaram, ela, a sua amada iria embora! Assim, sem mais pensar confessou-lhe que desde que a vira pela primeira vez ali em uma missa, não conseguia pensar em mais nada, e agora, não sabia se estava enfeitiçado, mas, independente de qualquer coisa, o seu sentimento era maior, e sim, ela sairia da Cidade, mas somente com ele.

Assim, ele voltou a seu castelo, se desfez de tudo que possuía e sem pensar mais, deixou a Cidade com seu amor. Aos poucos ele foi se envolvendo com os segredos da magia praticada por sua mulher aprendendo a trabalhar somente para o bem, tendo conhecido o mal, mas, não aceitava praticar essa área da feitiçaria. Mas, um dia sua esposa adoeceu, e a doença não era física, natural, mas sim, provocada por feitiçaria de outras mulheres que agiam somente no lado negro.

Geraldo que ainda não tinha trabalhado no lado do mal, mas, conhecendo seus segredos, invocou uma força tão grande das trevas que não mais tinha como desistir, então, em troca da saúde de sua amada esposa ele daria sua alma para as trevas, o pacto foi feito e no dia seguinte sua esposa estava curada, podendo então, o casal, viver felizes por anos.

Certa noite, ele acordou com gritos terríveis de sua esposa, ela mais uma vez era acometida por doença. Então, ele lançou mão de todos os conhecimentos que tinha da magia, mas, nada adiantava, então, seu único recurso era recorrer de novo às trevas, e assim o fez, porém, nem mesmo as trevas puderam lhe ajudar desta vez, pois que, havia chegado o momento de Deus par ela e nada mais poderia ser feito.

As trevas lhe disseram que a única coisa que poderia ser feito, seria prolongar a vida dela por mais três dias, nos quais viveria sem dor, sem sofrimento, mas, findo este prazo o destino teria que se cumprir o destino, pois era chegado o momento do acerto de contas. O casal, sabendo então que somente teriam mais três dias juntos, viveram-nos intensamente e na noite do terceiro dia, Geraldo acorda no meio de chamas que haviam sido provocadas por uma vela, ainda atordoado, viu aquela a quem amava mais que tudo, caminhando em direção à rua e ele correu então para junto dela. Na rua, os dois desmaiaram. Geraldo acorda na manhã seguinte, sozinho, e temendo o pior ele adentra sua casa e ali encontra o corpo carbonizado de sua esposa deitado ainda na cama, ela apenas o havia tirado dali pois não era sua hora.

Tomado pelo desespero, ele mais uma vez invocou as forças das trevas pedindo que o levassem também para que assim pudesse ficar junto dela, o que lhe foi respondido que, mesmo que ele partisse naquele momento não poderia ficar junto dela, pois seu espírito estava em revolta e teria ainda que pagar pelos erros cometidos, e, até que o espírito se encontrasse, ficaria vagando. Mas, que, via que seu amor por ela era verdadeiro e assim daquele dia em diante seria chamado de Tarchimache e seria o guardião dos caminhos obscuros, cuidaria das almas revoltadas mostrando-lhes o caminho da luz a fim de que pudessem reencarnar dando quitação de seus débitos, seria ainda, responsável por trancar ou destrancar os caminhos do submundo, e, na medida que fosse evoluindo, ficaria responsável pelos caminhos dos humanos sendo a ligação entre estes e o mundo invisível, responsabilizando-se também por entregar os pedidos a qualquer falange a que fossem dirigidos.

Então, decidiu-se que ele poderia ir com as trevas dando início à sua missão e resgatar sua amada. Deu-se então, o início da missão, mas, sua evolução foi tanta que em pouco tempo ele já estava presente em todas as falanges existentes, tendo adotado o nome de Tranca Ruas, obtendo também autorização para formar sua própria falange, como mais uma força para colaborar com as demais falanges espirituais.

 

Tatetú N’Inkisi Lambranguange, Odé Mutaloiá 

Exú Marabô, o mago

 


Exú muito valoroso dentro da Umbanda, não se nega a nenhuma batalha para ajudar aqueles que lhe pedem socorro. Sua vida terrena foi baseada na baseada na magia e nos encantos. Diz seu ponto: “exú tem chifre, Zambi tem coroa, seu Marabô não deixa sua banda à toa. E sua história remonta a muito, muito tempo atrás:

Conta-se que, há séculos atrás havia um reino que estava banhado pela tristeza, pois sua rainha havia sido acometida por uma estranha doença. Seu esposo, o rei, muito apaixonado, não negava esforços para ver sua amada rainha livre da doença, podendo assim voltar a sorrir e preencher o reino com sua alegria. Médicos de vários locais haviam sido chamados, mas, nada conseguiam fazer para livrar a soberana daquele mal que a acometia.

O rei, certo dia, estava pensativo, cabisbaixo em seu trono, quando lhe disseram que um homem negro desejava lhe falar sobre a saúde de sua rainha, pois ele sabia o que lhe ocorria e também, sabia o que fazer para resolver o problema. O rei, ficou muito desconfiado, afinal, todos os médicos já a haviam visitado e nenhum de seus conhecimentos conseguiram restaurar a saúde de sua amada. Mas, como ele não media os esforços para que a saúde de sua esposa fosse restaurada, permitiu que o tal homem entrasse, tudo valia à pena para não permitir que aquela que ele, o rei tanto amava morresse.

O rei foi surpreendido com tal homem: ele era negro, alto e forte, e vestia apenas um pano enrolado em sua cintura sem nada mais a lhe cobrir o corpo, e no pescoço, usava como adorno, colares feitos com ossos de animais.

Ele então se apresentou ao rei: “meu nome é Perostino, majestade e eu sei o mal que aflige sua rainha. Me leve até ela e eu irei curá-la. O rei então, perdeu-se dentro de seus pensamentos, não se conformava em ter deixado aquele homem entrar, afinal como poderia aquele maltrapilho curar sua rainha, sendo que todos os médicos de todos os reinos conhecidos haviam falhado? Mas, o desejo de ver sua esposa curada era maior que tudo, e, ele daria até mesmo seu reino pela plena restituição de sua saúde, e assim, permitiu que aquele estranho homem, tão mal-vestido e adornado, entrasse nos aposentos da rainha.

Aquele estranho homem permaneceu no aposento da soberana por três noites, levando consigo ervas, pedras, aves, animais, e tudo o mais que ele conseguiu encontrar na Natureza. Eis que no quarto dia, a rainha, para surpresa de todos se levantou e foi caminhar pelo jardim, com sua saúde plenamente recuperada, e com uma disposição que parecia que nada havia lhe acontecido.

Então, o casal de tão felizes que estavam com a cura, que tornaram Perostino um homem muito rico, dando-lhe livre acesso a todo o castelo, e as pessoas que ficavam doentes, eram a ele encaminhadas, pois ele conseguia curá-las.

Mas, a inveja chegou e logo comentários maldosos começaram a surgir, alegando que Perostino seria nomeado primeiro-ministro, apesar de sua cor e origem desconhecida para todos. O rei, ao saber de tal conversa se sentiu indignado, afinal, um homem daquela cor, poderia sim, ser rico, mas, jamais poderia se tornar uma autoridade, e determinou que ele deixasse o castelo imediatamente.

Presotino então, foi tomado de ódio dentro de coração, pois nem mesmo lhe deram o direito de ser ouvido, logo ele, que havia curado a rainha, quando tantos outros falharam! E assim começou a arquitetar sua vingança enquanto humildemente fingia que iria embora.

O rei, ficou tão feliz por haver se livrado daquele incomodo, que determinou que um banquete fosse servido naquela mesma noite. Porém, Perostino sem que ninguém visse, colocou veneno na comida e assim, o rei e a rainha caíram mortos no chão perante o olhar cruel de seu algoz. Sabendo que mais cedo ou mais tarde seria descoberto, Perostino fugiu através das matas e depois arrependeu-se profundamente do mal que havia feito. A dor tomou conta de sua consciência e de sua alma, e assim viveu muito triste durante um ano, quando uma doença que cobriu seu corpo de feridas tirou-lhe a vida. Passaram-se anos até que aquele espírito se recuperasse da culpa que carregava e encontrasse os caminhos nos quais anda até os dias de hoje, ajudando a todos que o buscam.

Depois de seu longo aprendizado, ele foi colocado para trabalhar como Exú nas linhas mais inferiores, adotando o nome de Marabô, tornando-se assim, um espírito muito sério e compenetrado, atendendo a todos com dedicação e empenho.

 

Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá