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quinta-feira, novembro 16, 2006

CANDOMBLÉ E UMBANDA, UMA DIFÍCIL MISSÃO.
Sempre que falamos sobre nossa religião, seja ela Umbanda ou Candomblé, esbarramos na mesma dificuldade: o preconceito. Sermos membros de um destes seguimentos está se tornando cada vez mais perigoso para nós. Afinal, são tantas as perseguições que não me admiraria se dentro de pouco tempo, começassem a nos amarrar e chicotear em praça pública.

A verdade é que somos discriminados até mesmo dentro das casas legislativas e executivas, locais onde na realidade teríamos que encontrar a paz e a segurança do direito à religião. Isso se dá, pelo fato de não possuirmos representantes de nossa fé dentro destes poderes, e consequentemente terminamos por buscar apoio em candidatos de outras ramificações religiosas, que no momento de nos pedir votos, prometem mil vantagens, que sabemos não terem a mínima intenção de cumprir. Esta é nossa realidade inquestionável. Precisamos rever nossa situação perante estes órgãos que, aliás, são mantidos com nossos impostos.

Um outro fator que nos leva sempre a problemas, é o fato de clientes nos procurarem, achando que possuímos varinha de condão, com a qual, resolveremos seus problemas como num passe de mágica. E isso muitas vezes acontece, dado a irmãos que anunciam esta prática de “em tantos dias resolvo seu problema”. E isso tem levado a inúmeras reclamações por parte de consulentes às federações, afinal se prometemos, temos que cumprir. E como Conselheiro sacerdotal, não poderia deixar de criticar este tipo de atitude. Como sacerdotes, sabemos que o tempo que um orixá ou outra entidade levará para resolver uma questão está totalmente fora de nosso alcance e previsão. Sabemos que ao entregarmos uma oferenda, a entidade irá participar de uma verdadeira batalha com espíritos inferiores, a fim de agir em defesa de quem solicitou tal intervenção. Assim, como podemos prever, quantos dias levará es ta batalha?

Existe ainda, aquela fração de consulentes que nos procuram apenas com o intuito de fazer o mal, como se fôssemos bandidos, pistoleiros, que estivéssemos pronto a sair por aí assassinando as pessoas. Faz-se necessário que estas pessoas entendam que somos sacerdotes e como tais, promovemos a paz, a união e não a destruição de quem quer que seja. Precisam compreender que não basta pedir: temos que sr merecedores daquilo que pedimos. Têm que entender que faz parte do sacerdócio, zelar pala vida, e não a destruir. Temos um Deus somente, independente de religião, e somos submissos a este Deus, em tudo que fazemos. Tentar tirar uma vida é algo que um verdadeiro sacerdote, sequer cogita, se nega até mesmo a pensar nesta possibilidade. Mas infelizmente algumas pessoas, acham que por trabalharmos com esta ciência, temos o direito de atentar contra a vida de outros, isso é um erro, um equívoco e temos que combater.

Sermos sacerdotes é antes tudo primarmos pela vida, pela honestidade e respeito tanto para com as pessoas, como para com a natureza, dado que esta é arte integrante do corpo do Criador do Universo. Ficaria um pai, feliz ao saber que alguém está tencionando ceifar a vida de seu filho, por mais que este seja errado? Com certeza que não. Da mesma forma, Deus, nosso Pai Celestial, não ficará nada satisfeito em saber que alguém tenciona atacar um filho seu.

Ainda existe também o comércio desvairado, a ganância de alguns sacerdotes. Não questiono aqui a cobrança do axé ou do chão por um trabalho, mas sim a forma como alguns casos nos chegaram. Zeladores que ao serem consultados, exigem que a pessoa até mesmo desfaça-se de algo de valor, para a realização de uma obrigação. Isso ao nosso ver, é uma atitude de mercenários e não de um zelador. É correto se cobrar pelo trabalho, até mesmo porque a manutenção de um barracão, terreiro, sabe-se que não é nada barato, ao contrário, onera em muito o sacerdote, mas daí a levarmos uma pessoa a se desfazer de algo, ou exigir que nos dê aquilo, é algo totalmente avesso á cultura de nossos orixás.

O que conseguimos com isso? Sacerdotes serem vítimas de armas de fogo, suas casas serem perseguidas tanto por meios legais como ilegais dado a sua atitude, descrença cada vez maior de nossa religião, entre outros. Volto a dizer: concordo com a cobrança por um trabalho realizado, mas algo que não explore a pessoa, afinal, não estaríamos assim tirando proveito da desgraça alheia? Cobrar axé é uma coisa, porém extorquirmos as pessoas é outra. Se olharmos com mais atenção, veremos que certas atitudes é que estão exterminando com nossa religião.

Nos reservemos desses atitudes, sejamos sérios, honestos, fiéis aos nosso clientes e filhos. Vamos combater a discriminação, mas também combatamos atitudes que somente denigrem nossa religião e nossa imagem. E combatamos esta idéia de que somos milagrosos e que trabalhamos contra a vida ao invés de ser em prol dela.

Pai Sérgio,

Tatetú N’inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

Contatos:

odemutaloia@uol.com.br

odemutaloia@hotmail.com

Tel: 0(xx)27 3282/1860.

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