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sexta-feira, julho 03, 2009

O ADJÁ


Um instrumento sagrado e sem substituição nos rituais do Candomblé. Na verdade, o adjá ou adjarin, é uma sineta de metal, feito em bronze ou metal dourado ou prateado.

É comum vermos nas rodas de Candomblé, pessoas mais velhas de santo, tocarem esse instrumento que tanto pode ser de duas, três ou mais câmpulas, enquanto dançam para os Orixás.

Seu manuseio, no entanto é vedado aos que ainda são yawôs, ou seja: àqueles que ainda não possuem sua obrigação de sete anos. E também aos não iniciados nos preceitos da religião.

Durante a dança o instrumento serve para invocar e manter a vibração do Orixá na sala, para que a energia não saia daquele local onde está sendo realizada a festa. Quando se dança com algum santo, ou seja, quando uma Ekédi ou um sacerdote ou sacerdotisa dançam acompanhando algum Orixá, o som desse instrumento serve para guiar o mesmo durante o ritual.

Já em determinadas situações como rezas e outras obrigações, o adjá tem a função de chamar nossos Orixás para aquele rito, fazendo com que os mesmos abandonem temporariamente sua morada no Orúm, Céu, para se manifestarem sem seus filhos, ou, quando for um Ogã ou uma Ekédi ou ainda alguém mais velho de santo, ele guia o Orixá até aquele local para que o mesmo possa permanecer ali invisível e assim dar a assistência que seu filho ou crente solicita.

Também usamos o adjá para anunciar o inicio de algum ritual ou para chamar a atenção das pessoas para algum ato importante.

Como tudo no Candomblé, o adjá passa pelo processo de imantação e dado a esse, é que somente pessoas autorizadas podem tocá-lo.

De Exú a Oxalá, todos eles respondem ao chamado desse instrumento litúrgico, bastando que a pessoa saiba como utilizá-lo. Seu som chama a atenção dos Orixás, anunciando que alguma coisa está sendo feita naquela casa.

O adjá provoca o transe das pessoas quando tocado acima de suas cabeças, pois no processo de imantação ele recebe as energias do holocausto que foi oferecido a determinado Santo.

Pessoas que ainda não possuem direito a usá-lo, são imediatamente incorporadas por seu Santo, ao pegarem no mesmo. Nosso zelador utilizou aquele instrumento para chamar nosso Orixá, desde nosso bori até nossa iniciação, assim sendo, como vamos sair tocando adjá sem termos recebido autorização para tal? Vale lembrar que: quando recebemos autorização para manusear esse instrumento, nosso Orixá costuma vir em terra para que seja “quebrada a quizila” e assim, ele possa reconhecer nosso direito.

Usado em cerimônias festivas ou não, o adjá é de suma importância no Candomblé e se você ainda não tem “mão de adjá” ou seja; não está autorizado a fazer uso do mesmo, não faça, não pegue nem utilize, pois as consequências podem ser graves.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com

4 comentários:

  1. Axé, adorei seu encinamento,eu tenho 5 anos de feita com minhas obrigçãoe em dia em 2014 2 de setembro faço 7 anos vou receber o deká.
    Eu procuro me comportar o mas silenciosamente possivel quase invisivel no barracão ate que depois que paguei meus 3 anos meu pai tem me tratado com mais amizade.
    Mas voltando ao adja, eu ganhei um de presente mas me recuso a tiralo da caixa ate o dia que meu pai dizer para levalo para o barracão,pois se la eu não uso como vou usalo em casa ou em outro lugar, mas essa mãe de santo que me deu minha amiga afirma que posso usar quando eu quizer em minha casa e ate minha filha ekedy.
    Favor mr responder.

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  2. Sim, o uso deste instrumento sempre foi proibido para quem não tem suas obrigações em dia. Está certa em não usar,pois pode ter 05 anos e obrigação de três, mas para seu Orixá essa é sua idade ou seja: apenas 03 anos. O que falta é responsabilidade em pessoas que se dizem zeladores, mas que passam por cima de todas as leis. Parabéns por agir assim e que Oxalá lhe abençoe.

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  3. qual a diferença entre adja e xeri?

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    1. O adjá é um instrumento que pode ser usado em todos os rituais. Já o xérim, é exclusivo de Xangô e somente em sua roda ou em suas obrigações é utilizado. Obviamente que quando tocado, outros Orixás respondem ao seu toque, mas especificamente pertence a Xangô.

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