Contador de visitas

contador grátis

terça-feira, março 25, 2014

BUSQUEMOS A FELICIDADE, POIS ASSIM NOSSO ORIXÁ DESEJA



Algumas pessoas pensam que por sermos do Santo, temos uma vida maravilhosa, sem problemas. Ledo engano! Temos problemas que muitas vezes são maiores do que os que possuem os que nos vêm pedir ajuda. Mas, pela fé, seguimos em frente na esperança de dias melhores. Outros acham que por seremos do Santo e servirmos como sacerdotes e sacerdotisas não temos uma vida humana, e vivemos em eterna clausura. Outro erro, pois somos tão humanos como qualquer outro, Divinos são nossos Oriás.
Existem ainda algumas pessoas que acham que o Orixá não se comove com nossas dores. Mas na verdade se incomodam sim, e sempre que estamos feliz nosso Orixá é feliz junto de nós, da mesma forma ocorrendo com a tristeza.

O que precisamos entender de uma vez por todas, é que somos a complexidade de uma máquina maravilhosa que é o corpo humano, criação mais sublime de Deus, segundo todas as religiões antigas. E como seres humanos, somos passiveis de erros e de acertos, de enganos e de tudo o mais que se diz relação a essa complexa máquina que é o cérebro humano.

Orixá não deseja ver seu filho sofrendo de forma alguma, pois como deuses que governam a natureza em nome de Olorúm, querem que todos sejamos felizes. Ouvi quando era yawô, uma frase de meu padrinho de Santo, que dizia assim: “meu filho, o Orixá quer que seu filho seja feliz, não interessando para ele se a felicidade é com essa ou aquela pessoa, com este ou aquele emprego, pois para ele o que vale é seu filho estar feliz”.

Foi uma das maiores verdades que já ouvi em minha vida, pois pude comprovar a mesma durante minha vida. Em momentos que estamos tristes, podemos sentir, se observarmos, que nosso Orixá, não responde com clareza em determinados momentos, pois está sentindo a injustiça que seu filho sofreu. Sim, pois a injustiça dos outros é nossa maior fonte de tristeza. 

Em minha vida sacerdotal, pude observar também, que muitas vezes, determinado Santo, não está bem, fui jogar para ver o que meu filho ou filha estava passando, e enxerguei que seu Santo, estava num tipo de tristeza e revolta, pois via que seu filho não merecia o que estava passando, então, prontamente dei início a uma grande conversa com meu yawô e depois fiz algumas coisas para ele, e pude comprovar que o resultado, foi: depois da obrigação e de várias conversas, como se fosse um Psicólogo, as coisas mudaram na vida da pessoa.

Em determinado momento, temos que agir assim, funcionando como um tipo de Psicólogo, pois temos como sacerdotes, a obrigação de orientar aqueles que são iniciados em nossa casa, pois nem sempre o sangue é a solução de todos os problemas. Precisamos ouvir nossos filhos, dar atenção a seus problemas, afinal, somos pai ou mãe daquela pessoa dentro das leis de nossa religião, mas, antes de tudo, aquela pessoa e aquele Santo, são sim, filhos de nosso Orixá, e assim sendo, temos a obrigatoriedade de agir como pai e mãe carnal sim.

Se observarmos com carinho nossos filhos, poderemos notar que em determinados momentos, algo não está de acordo com o que aquela pessoa é. Isso seja na incorporação de um Guia, na manifestação de seu Orixá, e nesse momento, precisamos chamar a pessoa em um canto, e sozinhos, deixarmos que ele desabafe, e buscar sim, junto ao Céu, uma solução para que devolvamos a felicidade ao rosto de nosso filho, afinal, para um pai verdadeiro, nada é mais gratificante do que o sorriso de um filho.

Nosso Orixá, quando somos iniciados, aprende que: Ele, pertence ao Orúm, Céu e nós, pertencemos ao Ayê, Terra e assim sendo, temos nossas dificuldades e nossos problemas como qualquer outro ser humano. Porém, temos a obrigação de cuidar para que possamos ao menos minimizar a dor de nossos filhos, pois como disse meu padrinho, “Nosso Orixá apenas deseja ver nossa felicidade”. Orixá não se intromete, por exemplo, com quem dormimos, mas nos exige uma vida longe da promiscuidade e de vícios, pois estes são a ferrugem da alma.

Sejamos então, pais e mães verdadeiros e não apenas chocadeiras, porque este é um ato que tem levado muitas pessoas a saírem de nossa religião e buscarem apoio em outras, afinal, a dor e o sofrimento nos força muitas vezes a tomar atitudes que não desejamos. Temos a prova disso constantemente e se não ajudarmos para que os que confiaram suas vidas à nós, sejam felizes, outros com certeza irão oferecer todo apoio e nesse momento, perdemos todos: nós, o Orixá e nossa religião, porque será mais um a difamar tudo de mais sagrado que temos.

Lembremos de que: NOSSO ORIXÁ DESEJA APENAS A NOSSA FELICIDADE.

segunda-feira, março 10, 2014

A IMPORTÂNCIA DOS RITOS FÚNEBRES



Em todas asa religiões, ao menos naquelas mais antigas, existem os ritos fúnebres, a fim de darem seguimento ao espírito do morto no além. Algumas tribos mais antigas, queimavam os corpos com tudo que lhe pertencia: espada, utensílios etc., a fim de que o morto pudesse ter no outro mundo, na outra vida, tudo o que necessitasse, pois que, acreditavam que na vida pós morte, o espírito viveria de conformidade com a Terra. Se era um guerreiro, como no caso dos Vikings, a espada acompanhava seu dono, pois da mesma forma que tinha inimigos nessa vida, poderia ter na outra, e como lutar sem sua espada?

Os católicos, usam o velório, que traduzido ao pé da letra, significa, queimação de velas, pois naqueles instantes que ali estão, são acesas velas de forma ininterrupta  bem como rezam o terço e outras preces no sentido de iluminarem  a alma do defunto com as velas, e que também seja sua chama, a luz que o guiará no outro mundo, bem como a simbologia de sua fé, ou seja, a Luz de Deus em sua vida e as orações são para pedir aos céus, que os Anjos recebam aquela alma e o encaminhem para o paraíso onde Nosso Pai está.

Na Umbanda, temos o velório, só que rezado em orações variadas a fim de que, aquele desencarnado, encontre seu caminho, e que seja recebido pelos espíritos de luz, sejam, Caboclos, Pretos Velhos e outros, para que o encaminhem para um local de descanso onde poderá se redimir de seus erros, bem como, receber o auxílio tão imprescindível para os que desencarnam.

Mas, todos os atos, são na verdade, honras à memória do morto, bem como, súplicas para que seus erros sejam apagados, uma vez que nesse mundo todos nós erramos e muito em nossa vida em nosso dia a dia. Servem esses atos, para encomendarem o corpo à Terra, pois o espírito já está encomendado, serve para que as últimas horas que passamos com nosso ente, sejam de paz e conforto para os que ficam, mas, principalmente para aquele que vai.

Dentro do Candomblé temos sim, nossos rituais fúnebres e eles variam de cada pessoa e de seu cargo. Assim sendo, os ritos daqueles que são borizados, são diferentes dos que são raspados, e esses possuem a diferença entre sua idade de Santo e o cargo que possuem. Mas, seriam esses nossos ritos realmente necessários? Sim. Pois sem eles, o desencarnado não encontra a paz em sua vida pós túmulo.

Ocorre que, se não houvesse necessidade desses ritos, os antigos não os teriam introduzido em nosso culto. Sabemos que nós os seres humanos, somos descendentes de nossos ancestrais, e que em algumas casas, os Orixás tiverem sim, vida terrena, sabemos ainda, que os que se foram antes de nós, tiveram seus rituais e com eles, puderam ingressar no local onde estavam os que os antecediam, e nossos rituais ainda hoje servem para isso.

Raspamos nossos filhos, os borizamos e assim os preparamos para a vida neste Planeta, então, temos que saber o que fazer quando desencarnam para que tanto sua alma, quanto seu Orixá, Guias, Exus, tenham a mesma liberdade, ou seja: dêm por completo o seu ciclo terreno. Os atos que fazemos, são secretos, como tudo em nossa religião, e somente aqueles que possuem a idade certa e o conhecimento para tal podem participar. São ritos tristes, obviamente mas que, garantem que aquele espírito seguirá sua nova jornada, mais tranquilo e mais feliz, pois cortamos seus vínculos com tudo o que pertence a esse Mundo e o permitimos caminhar em sua nova etapa.

O que não podemos de forma alguma, é deixar esses ritos esquecidos, nem mesmo ficar chamando o nome daquela pessoa que se foi durante nossa vida.

Da mesma forma que, quando fazemos uma viajem, ansiamos o momento de voltar para nossa casa, o espírito sente desejo de se libertar desse mundo e voltar para sua verdadeira morada. A morte, nada mais é que uma transformação, onde saímos dessa vida ilusória e passageira, para voltarmos para nossa verdadeira vida, junto de Olorúm e de todos os nossos antepassados.
Não existe o porquê de termos medo da morte, nem mesmo dos defuntos, pois esses não nos fazem mal algum. Ao contrário, tudo que desejam mesmo é ir embora e nem mesmo olhar para trás.

Mesmo quando morre uma pessoa em nossa família e que não seja do Santo, é bom nos resguardamos uns dias, afinal, morte é morte. Alguns insistem em dizer que se a pessoa não é do Santo, não existe necessidade de se resguardar em nada e de nada. Mas eu, creio que temos sim que nos resguardar, até mesmo para honrarmos a memória de quem se foi.

Sabemos que quando morre alguém em uma casa de Santo, todas as comidas são suspensas e não acendemos velas que não sejam para o defunto. Temos para isso nossos motivos, mas, se analisarmos bem, mesmo que a pessoa não seja do Santo, devemos seguir alguns ritos, pois irão nos garantir, por exemplo, que aquele espírito não nos incomodará.

Por que algumas casas são mal assombradas? Porque o espírito que ali está, pode ser de uma pessoa que tenha morrido com raiva, pode ser que tenha deixado algo para trás sem que ninguém soubesse, enfim, são tantos os casos e motivos, mas o importante é que sejamos conscientes de que temos rituais a serem feitos e que esses se estendem em nossas casas e nos corpos daqueles que ficaram na Terra.

Os ritos fúnebres são tão importantes como os que fazemos para alimentar um Orixá, pois os que se foram precisam de se libertarem desse mundo de dor e sofrimento. Nada temos de melhor para os que se foram, do que nossa oração, nossos ritos e a paz que os transmitimos através de vibrações positivas na certeza de que ele se foi, nós ficamos, mas um dia nos encontraremos de novo.