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terça-feira, dezembro 11, 2012

OGUM, O FILHO AMADO DE ORUMILÁ




                                                                           
Como já nos foi mostrado por Ifá, o ano de 2013, será governado por Ogum. Mas, quem realmente é este Orixá?

Alguns pensam ser ele, apenas um guerreiro, que à exemplo do deus Aires da mitologia grega, bebe sangue de seus inimigos e faz sua cama com a pele dos mesmos. Para outros, Ogum é sinônimo apenas de luta em um campo de batalhas, não mais restando nada para que este grande Senhor possa fazer pela humanidade, além de nos conduzir às estradas da guerra.

Mas, Ogum é muito mais que isso. Foi Ele, quem descobriu o ferro e posteriormente o aço, em suas formas primitivas e aprendeu a manipulá-los construindo assim, as primeiras armas, pois as usadas antes eram de madeira.

Após esta descoberta e a fabricação de armas, Ogum inventou as ferramentas agrícolas e com elas, ensinou os homens a arar a terra para que pudessem tirar dela seu sustento, de forma menos dolorosa, pois que, tudo era feito de forma muito primitiva. Graças a esse ato, foi lhe concedido o título de protetor da agricultura, o que muitos pensam ser de Odé. Mas na verdade é de Ogum este título, pois que, graças a ele, a humanidade passou a ter mais comida na mesa.

E assim seguiu Ogum, sempre em busca de novidades que pudessem colaborar com o progresso e consequentemente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Enquanto seus irmãos, se dedicavam aos exageros da carne, Ele por sua vez, se entregava de corpo e alma ao trabalho, e nada mais fazia sentido para este Orixá, que não fosse a labuta do dia a dia, e seus filhos tendem a ser exatamente assim, preferem mais o trabalho, que os prazeres da vida. Ao menos com excesso.

Ogum sempre foi também, muito amoroso e respeitoso a seus pais, nunca os desobedecendo, não importando quais fossem suas determinações. Contam as lendas que, determinado dia, Orumilá chamou Ogum à sua presença e disse a Ele que seu irmão Exú, estava indo longe demais em suas maldades, que estava matando até mesmo crianças e velhos e que Ele, Orumilá, o Pai de todos, não podia mais suportar tais atos, e assim, solicitou que Ogum impedisse Exú.

Então, Ogum disse respeitosamente: “Meu Pai; como vou fazer para deter meu irmão, que não escuta ninguém; e julga-se senhor de tudo”? Orumilá então respondeu:

“Ogum meu filho: eis que o que vou lhe pedir é demasiado forte e pesado, mas se confias em mim, como seu Senhor e de todas as coisas me atenderá: conversarás com seu irmão, e dará e ele uma chance de se redimir, mas, se ele assim não o quiser, terás que obriga-lo a parar, nem que seja tirando-lhe o bem maior que lhe dei: a vida”.

Então, Ogum voltou para a Terra e conversou com Exú. Explicou-lhe o que havia ocorrido, e suplicou-lhe que parasse com suas maldades, pois seu pai já não mais suportava tais atos e estava disposto a qualquer coisa para por fim a tanta barbárie. Porém, Exú, muito orgulhoso, e prepotente, disse ao irmão, que nem Ele, nem mesmo Orumilá mandavam n’Ele, e, que seguiria sua vida como bem quisesse.

Algum tempo depois, Ogum soube que seu irmão não só cumpriu sua palavra, bem como, havia tomado proporções muito maiores em suas maldades. Então, Ogum procurou Olodumarê, colocou-o a par de toda a situação e perguntou o que faria. Olodumarê então respondeu que Ogum sabia já o que devia ser feito, e que o fizesse sem mais demora.

Voltou Ogum para a Terra, e foi em busca de seu irmão. Novamente tentou conversar com ele, na esperança de que conseguisse que o irmão parasse com seu atos cruéis. Mas, Exú não queria saber e ofendia Olodumarê com palavras e atacava inocentes. Então, não vendo outra saída e após vários esforços, 
Ogum não teve outra opção que não a de ceifar a vida de seu irmão que não obedecia a Olodumarê.

Vendo que seu filho chorava, carregava no peito a dor pelo ato cometido, mas, nunca se voltara contra suas vontades, Olodumarê o convocou de novo à sua presença e o presenteou com um reino, e fez com que esse reino prosperasse muito. Mas mesmo assim, a dor não sumia do coração de Ogum.

Assim sendo, passou a trabalhar ainda mais, e cada dia que se passava se dedicava ainda mais ao trabalho, como forma de manter sua mente ocupada, buscando deste jeito, se desvencilhar do tormento que vivia. E quanto anoitecia o cansaço era tanto, que mal se deitava, o sono já o arremetia para bem longe dali.

E assim ele seguiu o resto de seus dias. E começou a se dedicar a arte da guerra e não existia guerreiro que pudesse competir com ele em sabedoria, destreza, esmero, maestria no manejo da espada, inteligência para criar estratégias de batalhas e começou assim a ganhar títulos e mais títulos e através de suas guerras foi aumentando ainda mais seu reino. Afinal, fora ele, nascido para a guerra, era guerreiro por excelência, e ninguém podia competir com Ogum em um campo de batalha.

Mesmo sendo esse guerreiro nato e indestrutível, Ogum nunca parou com suas pesquisas e estudos sobre os minérios que encontrava no solo da Terra e com eles foi desenvolvendo mais e mais ferramentas e armas e proporcionando cada vez mais aos homens, uma vida mais digna e menos doída.

Construiu muitas coisas e deixou outras tantas para a prosperidade. E depois que se encantou como Orixá, continuou a defender seu povo, buscando formas cada vez mais inovadoras para que pudessem vencer suas batalhas.

Ainda hoje, vemos Ogum em tudo no nosso dia a dia: Ogum é o caminhão que transporta o progresso, e o aço que constrói nossas pontes, prédios, geladeiras, e todos os utensílios que usamos. É Ele ainda, a estrada de ferro por onde passa o progresso da humanidade, é o barulho da arma de fogo, é o asfalto que nos proporciona uma viajem mais confortável, é o avião que nos leva rápido em qualquer direção do planeta, enfim: Ogum é tudo que supera as dificuldades, pois é o progresso, pois sem a descoberta do ferro e do aço, e as formas de manipular os mesmos, não teríamos hoje, nada do que temos.

Conta-nos outra lenda que Nanã desentendeu-se com Ogum e foi pedir a Olodumarê que o punisse, mas, Olodumarê disse a Nanã que Ogum era um filho bom, obediente e justo e que dificilmente sua reclamação contra Ele procedia. Então, deu o direito de Ogum se pronunciar, e ao ver que nada do que lhe dissera Nanã combinava com a realidade, Olodumarê sentiu muita raiva dela e culminou por expulsá-la de sua casa.

Mais tarde, Ogum se encantou por uma linda ninfa, e pediu seu Pai que consentisse na união, e Ele não só consentiu, como deu-lhes um reino de presente. Esta ninfa era uma das Yemanjás novas, que após a união com este Ogum, passou a adotar o nome de Ogunté, ou seja: Aquela que contém Ogum.

Como este Ogum era o verdadeiro Senhor dos ferreiros, ela vivia em sua companhia  e com ele aprendeu a manusear tanto a espada como outras armas de guerra e assim passou a guerrear junto de seu amado esposo. Com a partida dele para o reino de seu Pai, ela ficou sozinha e passou a andar a noite, e assim passou a ser temida como a “Amazona que caminha de noite” e todos tinham medo de sua ira, afinal com seu esposo Ogum, ela aprendera todos os segredos da Guerra e não existia naquelas redondezas quem pudesse se comparar a ela em maestria nesta arte.

Ogum come vários tipos de comida, mas, tem uma predileção por cará, feijão preto, acaçá, feijão fradinho torrado, padê (apenas para algumas qualidades) bode, galos, galinha de angola, pombos, entre outros.

É o Senhor absoluto dos caminhos das estradas e ao trilharmos por eles devemos sempre nos lembrarmos de lhe pedir a benção e a permissão para ali estarmos. Algumas qualidades, ainda governam as encruzilhadas e outros as encruzilhadas próximas a cemitérios. É portanto um Orixá arredio e que não conhece muito a palavra perdão. Em sua filosofia, sempre temos uma fração de segundo para pensarmos antes de agir, assim sendo, por que arrependimento? Afinal tudo termina sendo premeditado.

Louvemos pois, a Ogum. Saibamos respeitar este que tanto nos deu, e tão pouco nos pede. Saibamos honrar seus feitos, e assim, honremos tudo que Ele representa, afinal, que seria de nós sem a tecnologia, sem a modernidade?

Ogum, aquele que vence demanda em qualquer lugar. Aquele que sentou praça na cavalaria. O que deu combate às tropas inimigas quando os negros o invocaram suplicando sua proteção na guerra.

Ogum, aquele que mesmo tendo água em casa se banha com sangue. Ogum que recebe caramujos e come carneiros. Senhor do progresso e dos caminhos, os mesmos caminhos que andamos na vida e depois dela.

Pai Ogum, que cuide de nós neste novo ano que se inicia. Que nos mostre o caminho do progresso e da ascensão, que nos livre das pragas, dos olhos grandes, dos feitiços e das perseguições.  Tende misericórdia de nós Ogum. Se digne a olhar por nós que nada somos. Abençoe-nos Pai.

Ogum, que fostes esposo de Ogunté, que és o verdadeiro protetor dos ferreiros, tende misericórdia de nós, nos cubra, nos ampare e nos defenda hoje e sempre.

Assim seja.

2 comentários:

  1. Muito interessante e completo o texto. Uma visão bem legal. Parabéns pelo texto que fala que todos somos humanos e temos os problemas do corpo físico. Vou ficar acompanhando o blog. Sucesso.

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    1. Prezado Jornalista. Para mim é uma honra seu elogio para minhas más traçadas linhas. Amo minha religão, mas pesquiso as demais, pois creio ser essa a missão de um sacerdote. Quanto a sermos ser humanos e termos problemas no corpo físico, esta é uma batalha constante minha, pois sofri um AVC e todos acham ser problema espiritual. Louvo e honro a medicina, pois faz parte de nossa vida. Combato de todas as formas a demência causada pela ignorância onde tudo é espiritual e nada é físico, temos que respeitar nosso corpo e tratá-lo fificamente sim. Grato por sua visita que me honrou muito e parabéns por seu blog e por morar na região do Brasil que mais amo.

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