O Abassá Lambanranguange,(Casa de Oxóssi) existe desde Dezembro de 1993,e está registrado na UNESCAP, União Espírita Capixaba. Seu sacerdote é o Sr. Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
sábado, janeiro 26, 2008
AMOR E PERDÃO, FONTES INCOMENSURÁVEIS DE CONQUISTAS.
Muitas vezes vemos pessoas que fazem e refazem eternamente obrigações aos orixás, aos guias em geral, rezam, oram, imploram, vivem de joelhos com velas acesas em seus assentamentos, em seus altares e nada conseguem alcançar, e quando alcançam não passam de míseras e insignificantes conquistas que nada rendem.
Na verdade essas pessoas se esquecem de algo muito mais forte que qualquer outra coisa: o amor e o perdão. Sim, esses são na verdade a maior fonte de conquistas que podemos ter ao nosso alcance.
De nada vale as obrigações, velas, oferendas e orações se não estivermos contritos com Deus nosso Pai. E como podemos estar em comunhão com nosso Divino Criador, se não somos capazes de perdoar? Seria como se um ladrão quisesse a condenação de alguém por um furto cometido por ele mesmo, sem, no entanto pagar por seu erro.
Amar meus queridos irmãos é algo que demonstra a personalidade de Deus e sua face espelhadas em nós. Temos que nos lembrar que Deus é paz, perdão, amor incomensuráveis. Nunca, jamais é vingança, ódio, avareza, rancor ou qualquer desses sentimentos impuros.
Para alcançarmos as graças necessárias é preciso liberarmos o amor que existe dentro de nós. Não somente aquele amor por nossos conjugues ou por aqueles que nos amam. Mas sobre tudo, amor por nossos inimigos, por nossos algozes.
Se alguém nos fez mal, devemos perdoar sim, e confiar em Deus que a vitória virá, e não nos utilizarmos de nossa religião no intuito de prejudicarmos a quem quer que seja. Devemos nos lembrar de que Jesus Cristo perdoou seus algozes no momento máximo de seu sofrimento: a crucificação. Quem de nós nunca ouviu outro repetir suas palavras: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem?”.
Reporto-me a vós com essas palavras, para que possamos juntos vermos o quanto se faz necessário amar e perdoar, para que sejamos perdoados.
Liberemos o amor, o perdão e estejamos em comunhão com Deus e nossos Orixás de forma completa. Orixá nunca foi ódio, vingança, soberba, rancor nem nada disso. Ao contrário, sempre foi e sempre será, amor, paz, companheirismo, perdão, humildade, resignação a Deus e seus caminhos.
Como pedirmos perdão se estamos tomados por ódio e vingança? Como desejarmos alcançar a prosperidade plena, se levamos uma vida de fofocas, calúnia, difamações, intolerância? Temos que nos abstermos desses e outros sentimentos inferiores se quisermos realmente sermos congratulados com as bênçãos de Deus e de seus mensageiros, nossos orixás e guias.
Liberemos o amor, aprendamos a perdoar de verdade e sentiremos a diferença que tais atitudes trazem para nossas vidas. Amar aos nossos inimigos é em verdade amar a Deus, uma vez que independente de defeitos ou qualidades somos todos seus filhos. Se alguém nos quer mal, entreguemos nas mãos de Deus, pois que elas são justas e JAMAIS vingativas.
Aprendamos a perdoar verdadeiramente para que possamos ser perdoados por nosso pai celestial.
No dia que realmente praticarmos este amor puro e o perdão, estaremos nos aproximando mais e mais de Deus e de nossos Orixás, e não envergonhando nossos antepassados com tais atitudes indignas de tudo que nos foi deixado por eles.
Lembremos sempre: cada vez que deixamos de amar e perdoar, estamos dando forças a espíritos inferiores que se alimentam de nossas fraquezas, porém, a cada gesto de amor e perdão, estamos fazendo com que esses espíritos enxerguem a luz verdadeira e assim sendo estamos colaborando com a erradicação de forças malignas que atormentam a humanidade dia a dia.
Acreditemos em Deus e seremos recompensados com sua justiça e soberania. Devemos nos lembrar que após túmulo nossas dores e sofrimentos serão nada comparados com o que sofremos aqui neste planeta de expiação. Mantenhamos nossos corações e mentes em constante vigília, sempre buscando o amor e aí sim, estaremos dignos de sermos chamados de Espíritas e acima de tudo: FILHOS DE DEUS.
A JUSTIÇA PERTENCE A DEUS E NOSSOS ORIXÁS.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.
Contatos:
odemutaloia@hotmail.com
odemutaloia@pop.com.br
Na verdade essas pessoas se esquecem de algo muito mais forte que qualquer outra coisa: o amor e o perdão. Sim, esses são na verdade a maior fonte de conquistas que podemos ter ao nosso alcance.
De nada vale as obrigações, velas, oferendas e orações se não estivermos contritos com Deus nosso Pai. E como podemos estar em comunhão com nosso Divino Criador, se não somos capazes de perdoar? Seria como se um ladrão quisesse a condenação de alguém por um furto cometido por ele mesmo, sem, no entanto pagar por seu erro.
Amar meus queridos irmãos é algo que demonstra a personalidade de Deus e sua face espelhadas em nós. Temos que nos lembrar que Deus é paz, perdão, amor incomensuráveis. Nunca, jamais é vingança, ódio, avareza, rancor ou qualquer desses sentimentos impuros.
Para alcançarmos as graças necessárias é preciso liberarmos o amor que existe dentro de nós. Não somente aquele amor por nossos conjugues ou por aqueles que nos amam. Mas sobre tudo, amor por nossos inimigos, por nossos algozes.
Se alguém nos fez mal, devemos perdoar sim, e confiar em Deus que a vitória virá, e não nos utilizarmos de nossa religião no intuito de prejudicarmos a quem quer que seja. Devemos nos lembrar de que Jesus Cristo perdoou seus algozes no momento máximo de seu sofrimento: a crucificação. Quem de nós nunca ouviu outro repetir suas palavras: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem?”.
Reporto-me a vós com essas palavras, para que possamos juntos vermos o quanto se faz necessário amar e perdoar, para que sejamos perdoados.
Liberemos o amor, o perdão e estejamos em comunhão com Deus e nossos Orixás de forma completa. Orixá nunca foi ódio, vingança, soberba, rancor nem nada disso. Ao contrário, sempre foi e sempre será, amor, paz, companheirismo, perdão, humildade, resignação a Deus e seus caminhos.
Como pedirmos perdão se estamos tomados por ódio e vingança? Como desejarmos alcançar a prosperidade plena, se levamos uma vida de fofocas, calúnia, difamações, intolerância? Temos que nos abstermos desses e outros sentimentos inferiores se quisermos realmente sermos congratulados com as bênçãos de Deus e de seus mensageiros, nossos orixás e guias.
Liberemos o amor, aprendamos a perdoar de verdade e sentiremos a diferença que tais atitudes trazem para nossas vidas. Amar aos nossos inimigos é em verdade amar a Deus, uma vez que independente de defeitos ou qualidades somos todos seus filhos. Se alguém nos quer mal, entreguemos nas mãos de Deus, pois que elas são justas e JAMAIS vingativas.
Aprendamos a perdoar verdadeiramente para que possamos ser perdoados por nosso pai celestial.
No dia que realmente praticarmos este amor puro e o perdão, estaremos nos aproximando mais e mais de Deus e de nossos Orixás, e não envergonhando nossos antepassados com tais atitudes indignas de tudo que nos foi deixado por eles.
Lembremos sempre: cada vez que deixamos de amar e perdoar, estamos dando forças a espíritos inferiores que se alimentam de nossas fraquezas, porém, a cada gesto de amor e perdão, estamos fazendo com que esses espíritos enxerguem a luz verdadeira e assim sendo estamos colaborando com a erradicação de forças malignas que atormentam a humanidade dia a dia.
Acreditemos em Deus e seremos recompensados com sua justiça e soberania. Devemos nos lembrar que após túmulo nossas dores e sofrimentos serão nada comparados com o que sofremos aqui neste planeta de expiação. Mantenhamos nossos corações e mentes em constante vigília, sempre buscando o amor e aí sim, estaremos dignos de sermos chamados de Espíritas e acima de tudo: FILHOS DE DEUS.
A JUSTIÇA PERTENCE A DEUS E NOSSOS ORIXÁS.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.
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quinta-feira, janeiro 24, 2008
DIA DO COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Segunda feira passada foi veiculada em rede nacional de televisão, mais precisamente na Rede Globo, o lançamento do dia do combate à intolerância religiosa, e esse dia foi escolhido, por ser a data de falecimento de uma yalorixá, da Bahia, sendo que a mesma era cardíaca e sofreu um ataque após ser vítima de uma denúncia de charlatanismo.
Com certeza essa denúncia era falsa e este dia veio em um bom momento, afinal somos perseguidos, massacrados mesmo, pelas igrejas evangélicas e até mesmo pela católica e nada ou muito pouco tem sido feito para coibir tal atitude mesquinha e horrenda.
Porém, faz-se imprescindível que não nos contenhamos em apenas um dia por ano, nos mobilizarmos com tal atitude, mas sim, que façamos de todos os dias, um dia de combate a intolerância e perseguição que sofremos em um direito básico garantido pela constituição nacional e pela carta dos direitos humanos da ONU.
Devemos aproveitar o ano eleitoral e prestarmos atenção aos candidatos que se apresentam, nos dizendo que são contra a perseguição, as discriminações etc. e tal, pois que JAMAIS vi um legislador, seja ele municipal federal ou estadual, se levantar verdadeiramente em nosso favor. Apenas nos agradam com mentiras quando se aproxima a eleição, para depois simplesmente nos esquecerem em um canto qualquer feito uma roupa suja ou rasgada.
Se quisermos realmente termos nosso direito garantido e respeitado, temos que lutar de todas as formas para que respeitem-nos como cidadãos acima de qualquer coisa, pois pagamos nossos impostos e sustentamos essa imensa máquina governamental.
Dentro de nossas casas, muitas vezes somos obrigados a nos calar quando vemos pessoas denegrindo nossa imagem, e muitas vezes nos calamos por não termos a noção de nossos direitos garantidos na carta magna de nossa nação.
Muito tem crescido o número de sacerdotes e sacerdotisas que entram na justiça contra as igrejas, devido à falta completa de respeito aos nossos direitos. Devemos seguir esse exemplo e recorremos à justiça através de um advogado sério e que esteja realmente apto a embrenhar-se em tal demanda.
A partir do momento que mais e mais zeladores entrarem na justiça pedindo até mesmo indenização por danos morais, calúnia, difamação e tudo mais, e a justiça obrigar que paguem, a coisa irá mudar, uma vez que somente damos crédito e respeitamos àquilo que nos pesa no bolso. A justiça está aí, a lei existe, depende agora de nós fazermos nossa parte e recorremos a ela, que com certeza tudo isso irá mudar.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá, babalorixá, escritor e pesquisador.
Contatos:
odemutaloia@pop.com.br
odemutaloia@hotmail.com
Com certeza essa denúncia era falsa e este dia veio em um bom momento, afinal somos perseguidos, massacrados mesmo, pelas igrejas evangélicas e até mesmo pela católica e nada ou muito pouco tem sido feito para coibir tal atitude mesquinha e horrenda.
Porém, faz-se imprescindível que não nos contenhamos em apenas um dia por ano, nos mobilizarmos com tal atitude, mas sim, que façamos de todos os dias, um dia de combate a intolerância e perseguição que sofremos em um direito básico garantido pela constituição nacional e pela carta dos direitos humanos da ONU.
Devemos aproveitar o ano eleitoral e prestarmos atenção aos candidatos que se apresentam, nos dizendo que são contra a perseguição, as discriminações etc. e tal, pois que JAMAIS vi um legislador, seja ele municipal federal ou estadual, se levantar verdadeiramente em nosso favor. Apenas nos agradam com mentiras quando se aproxima a eleição, para depois simplesmente nos esquecerem em um canto qualquer feito uma roupa suja ou rasgada.
Se quisermos realmente termos nosso direito garantido e respeitado, temos que lutar de todas as formas para que respeitem-nos como cidadãos acima de qualquer coisa, pois pagamos nossos impostos e sustentamos essa imensa máquina governamental.
Dentro de nossas casas, muitas vezes somos obrigados a nos calar quando vemos pessoas denegrindo nossa imagem, e muitas vezes nos calamos por não termos a noção de nossos direitos garantidos na carta magna de nossa nação.
Muito tem crescido o número de sacerdotes e sacerdotisas que entram na justiça contra as igrejas, devido à falta completa de respeito aos nossos direitos. Devemos seguir esse exemplo e recorremos à justiça através de um advogado sério e que esteja realmente apto a embrenhar-se em tal demanda.
A partir do momento que mais e mais zeladores entrarem na justiça pedindo até mesmo indenização por danos morais, calúnia, difamação e tudo mais, e a justiça obrigar que paguem, a coisa irá mudar, uma vez que somente damos crédito e respeitamos àquilo que nos pesa no bolso. A justiça está aí, a lei existe, depende agora de nós fazermos nossa parte e recorremos a ela, que com certeza tudo isso irá mudar.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá, babalorixá, escritor e pesquisador.
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segunda-feira, dezembro 31, 2007
A VAIDADE SUBSTITUI A DEDICAÇÃO NA INDÚSTRIA DA FÉ.

Saudosos os tempos onde os sacerdotes e sacerdotisas se recolhiam no silêncio de suas casas e, na calada da madrugada faziam seus fundamentos a fim de ajudarem a quem precisasse ou até mesmo para abrir um jogo de búzios pra desvendar algum mistério oculto de maior profundidade.
Hoje, a sabedoria, a humildade a fé e a dedicação, sucumbiram perante a vaidade, a prepotência a arrogância e sobre tudo: a ânsia por dinheiro. Nos templos antigos onde zeladores se dedicavam a cuidar de seus santos e dos demais, a fé e a humildade eram ferramentas imprescindíveis aos mistérios de nossa fé. Tudo era feito em segredo, até mesmo quando éramos recolhidos para nossa inicialização, não sabíamos absolutamente nada, e o dia de nossa catulagem era sigilo total. Éramos retirados de nosso sono para que pudessem ser feitos nossos atos. Até mesmo a limpeza dos animais sacrificados e os ebós eram feitos sem que curiosos soubessem como eram realizados.
Infelizmente para nossa fé, hoje muitos dos zeladores dão mais valor à pompa que aos preceitos. Vão para as praças públicas passarem ervas em turistas a fim de chamarem a atenção das televisões. Jogam búzios em estúdios de t.vcomo se fosse um jogo de dados ou baralho. Banalizaram de tal forma nossa religião, que dificilmente conseguiremos retomar os preceitos de nossos mais velhos.
Uma pena que agem assim, pois que enquanto candomblé era algo lindo pelo seu mistério, hoje caiu na boca de pessoas sem índole que se aproveitam de todo para nos difamarem em seus templos, em nome de Deus e Jesus Cristo.
O oráculo sagrado de Ifá era usado para ver e resolver problemas de santo, ou para auxiliar na investigação de algum mal da carne, para revelar o que impedia uma pessoa de prosperar em sua vida e sobre tudo, aconselhar. Hoje, muito me entristece ver que este mesmo oráculo é usado em televisão para previsões sobre qual artista vai casar, qual cantor vai vender mais disco, qual time de futebol será vitorioso, e por aí em diante.
Peço perdão a quem ler esta publicação, mas na qualidade de sacerdote e Vice - Presidente de uma Federação acho isso uma falta de vergonha, uma perca de conhecimentos, uma banalização de toda uma gama de aprendizado que levamos sete anos apenas para começar a entender.
Dói dentro de meu coração ver que nossos orixás estão sendo transformados em Indústria de fé, como em alguns seguimentos adversos a nossa doutrina. Em conversas com meu pai e presidente da Federação a qual pertenço, o Ogã Orlando Santos, tenho desabafado este pensamento e vejo que ele como alguns outros mais antigos compactuam com essa tristeza.
Rogo a Olorúm que as coisas mudem e que nossa religião volte a ter a mesma característica que tinha: que a humildade, a fé e a dedicação, voltem a ser a verdadeira razão de uma pessoa se iniciar em nosso culto, e que os que nela já estão voltem a praticar a religião, abolindo essa mísera vaidade e soberba que nos consome a cada dia.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.
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Hoje, a sabedoria, a humildade a fé e a dedicação, sucumbiram perante a vaidade, a prepotência a arrogância e sobre tudo: a ânsia por dinheiro. Nos templos antigos onde zeladores se dedicavam a cuidar de seus santos e dos demais, a fé e a humildade eram ferramentas imprescindíveis aos mistérios de nossa fé. Tudo era feito em segredo, até mesmo quando éramos recolhidos para nossa inicialização, não sabíamos absolutamente nada, e o dia de nossa catulagem era sigilo total. Éramos retirados de nosso sono para que pudessem ser feitos nossos atos. Até mesmo a limpeza dos animais sacrificados e os ebós eram feitos sem que curiosos soubessem como eram realizados.
Infelizmente para nossa fé, hoje muitos dos zeladores dão mais valor à pompa que aos preceitos. Vão para as praças públicas passarem ervas em turistas a fim de chamarem a atenção das televisões. Jogam búzios em estúdios de t.vcomo se fosse um jogo de dados ou baralho. Banalizaram de tal forma nossa religião, que dificilmente conseguiremos retomar os preceitos de nossos mais velhos.
Uma pena que agem assim, pois que enquanto candomblé era algo lindo pelo seu mistério, hoje caiu na boca de pessoas sem índole que se aproveitam de todo para nos difamarem em seus templos, em nome de Deus e Jesus Cristo.
O oráculo sagrado de Ifá era usado para ver e resolver problemas de santo, ou para auxiliar na investigação de algum mal da carne, para revelar o que impedia uma pessoa de prosperar em sua vida e sobre tudo, aconselhar. Hoje, muito me entristece ver que este mesmo oráculo é usado em televisão para previsões sobre qual artista vai casar, qual cantor vai vender mais disco, qual time de futebol será vitorioso, e por aí em diante.
Peço perdão a quem ler esta publicação, mas na qualidade de sacerdote e Vice - Presidente de uma Federação acho isso uma falta de vergonha, uma perca de conhecimentos, uma banalização de toda uma gama de aprendizado que levamos sete anos apenas para começar a entender.
Dói dentro de meu coração ver que nossos orixás estão sendo transformados em Indústria de fé, como em alguns seguimentos adversos a nossa doutrina. Em conversas com meu pai e presidente da Federação a qual pertenço, o Ogã Orlando Santos, tenho desabafado este pensamento e vejo que ele como alguns outros mais antigos compactuam com essa tristeza.
Rogo a Olorúm que as coisas mudem e que nossa religião volte a ter a mesma característica que tinha: que a humildade, a fé e a dedicação, voltem a ser a verdadeira razão de uma pessoa se iniciar em nosso culto, e que os que nela já estão voltem a praticar a religião, abolindo essa mísera vaidade e soberba que nos consome a cada dia.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.
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terça-feira, dezembro 25, 2007
ANO NOVO
Estamos nos aproximando de mais um ano. Uma nova etapa de nossas vidas se iniciará em 31 de Dezembro. Entraremos em 2008 e novamente renovaremos nossas esperanças e desejos de uma vida melhor, com mais justiça, menos miséria, mais paz para a humanidade e todos os antigos e velhos anseios da humanidade.
Para muitos esse ano será regido por Ogum, pois começará numa terça-feira, dia de seu culto dentro do candomblé. Dentro de sua forma de visão, cada um está certo em sua suas homenagens e ritos a fim de que possa ter um novo ano com saúde, paz, prosperidade etc. e tal.
O problema é que algumas pessoas alcançam seus ideais, mas a maioria segue sua vida da mesma forma: sofrendo e passando por problemas tantos que muitas vezes pensam até mesmo em desistir da caminhada, o que por si só, já é uma afronta a Deus, mas seguem independente de suas dores, seu caminho.
Chamo a atenção aqui para o fato de que: de nada nos adianta tantas oferendas, tantas obrigações se o principal nos esquecemos: seguir fielmente os caminhos de nosso Pai Celestial e obedecer as suas leis. Poderemos alcançar todos os nossos objetivos, neste ano e em todos os que virão posteriormente, para isso basta que nos aproximemos mais de Deus.
A humanidade afasta-se cada vez mais de nosso Supremo Criador, realizando obras totalmente avessas às suas determinações: odiamos, sentimos remorso, caluniamos, mentimos, desejamos o mal para nossos irmãos,e tantas outras coisas a mais que seria impossível relatar aqui nesta humilde página.
Creio eu como sacerdote, que a partir do momento que nos reconciliarmos com Deus, independente de nossa religião ou credo, estaremos muito perto de vermos todos os nossos objetivos alcançados. Nossos Orixás, é claro, se empenham em nos ajudar a conseguir tudo que desejamos e pedimos, tanto na passagem de ano, como durante o decorrer de nossas vidas, mas muito pouco podem fazer se nós não nos fizermos merecedores das graças que solicitamos.
Afirmo isso, pois que nossos pais e mães seguem a única lei que rege o universo inteiro: a lei de Deus. E essa lei, é incorruptível, não é uma lei falha como a dos homens, pois ela se baseia na justiça a fim de promover o bem a todos seus filhos espalhados por este mundo.
Assim, como alcançarmos as coisas boas que ansiamos se dentro de nós, apenas desejamos vingança, guardamos ódio, inveja e outros mais? Como esperar que nossos orixás, seres que governam a natureza nos dêem o que pedimos se agredimos a natureza de todas as formas, matando árvores, animais e plantas que nunca saíram de seu habitat para nos prejudicarem?
Somente no dia que realmente praticarmos as leis de Deus e seguirmos os ensinamentos de nossos antepassados estaremos prontos a receber tudo que desejamos. Temos que entender que nossos orixás, santos, inkisis, voduns, ou seja, lá a forma que os chamamos, também obedecem a essas leis e a elas estão sujeitos.
Deixemos de lado a soberba, ódio, vingança, luxúria, difamações e outros sentimentos e atos repulsivos, nos aproximemos mais de Deus e veremos o quanto nossos Orixás podem fazer por nós.
Não devemos nos esquecer jamais de que a lei de nosso amado pai é somente uma: quem deve paga, quem merece recebe.
Em minha vida sacerdotal, tenho encontrado pessoas que se alarmam com o fato de eu e outros zeladores pregarmos o nome Deus e mesmo empregarmos em nossas liturgias. Vejo pessoas que quando falamos em Jesus Cristo, se calam, pois acreditam somente em nossos orixás. Oras renegar a existência de Cristo é renegarmos a existência do próprio Deus! Não que vamos seguir os ensinamentos das igrejas cristãs, até mesmo porque nossa doutrina se afasta em muito das suas. Mas daí a acharmos que apenas nossos orixás regem nossa vida é uma larga e extensa avenida.
Como posso, por exemplo, ir aos pés de meu pai Odé, pedir perdão por meus erros, se sou incapaz de perdoar àqueles que me ofenderam ou magoaram? Como posso solicitar aos orixás que me ajudem na solução de qualquer problema, se meu coração é somente ódio, se meu pensamento é somente vingança?
Temos que aprender que nossos conhecimentos são para ajudar as pessoas e JAMAIS para prejudicá-las. Se assim agirmos garanto que muita coisa mudará em nossas vidas. Quem de nós nunca sentiu raiva de alguém que nos roubou, que fez com que perdêssemos um emprego? Mas, aprendi um ditado com meu saudoso pai biológico que diz assim: “quando o diabo nos fecha uma porta, é porque em algum lugar Deus nos abriu uma janela, e a janela aberta por Deus, vale mais que 100 portas do diabo”.
Com esse ditado, não quero fazer apologias aos ensinamentos das igrejas sobre esse ser, até mesmo porque como candomblezista acredito em Deus e em meus Orixás e não nesse tal de diabo. Mas uso-o como forma ilustrativa e para mostrar a grandeza dos ensinamentos nele contidos.
Deus meus irmãos, é amor, paz, humildade, solidariedade, alegria, compartilhamento. E assim também são nossos orixás. Quem de nós teria hoje coragem para acusar alguém? Seríamos capacitados para dizer que fulano ou fulana está errado em seus atos e assim o condenarmos? Claro que não! Somos seres ainda em aperfeiçoamento e estamos longe de merecermos e possuirmos tal direito.
Se alguém nos fez mal, lembremos de que Deus tudo vê e tudo sabe. Entreguemos em suas mãos a decisão sobre tal ato. Mas também agradeçamos a ele por aquela chance de nos tornarmos dignos de seu nome e de suas bênçãos, pois acredito que o mal que nos fazem, é na verdade forma de Deus nos fazer crescer e aprimorar nossa alma e nossos conhecimentos. Deixemos que ele julgue a todos nós seres humanos. Façamos nossa parte para o crescimento da humanidade em geral e colheremos frutos maravilhosos.
Um dia, em minha adolescência, reclamei com meu pai carnal, de dificuldades que eu passava, pois que me casei muito cedo, fui pai com 19 anos e estava muito dificultoso carregar aquela responsabilidade. Falei com ele que em alguns momentos achava a vida muito injusta, e ele me respondeu apenas: “ANTES DE RECLAMAR DE SUA COLHEITA, LEMBRE-SE DE SUA SEMEADURA”.
Meu pai era Kardecista e seguia as leis de Deus no maior rigor que podia: não odiava a quem quer que fosse não reclamava das dificuldades, não se lamuriava, nunca vi meu pai desejar mal a quem quer que fosse ele simplesmente se conformava com as coisas que Deus impunha em sua jornada, pois dizia que: VIVER É TÃO SOMENTE COLHER HOJE O QUE PLANTAMOS ONTEM”.
Nunca foi rico financeiramente, mas nunca o vi passar fome, ao contrário, seu dinheiro era suficiente para a família e para ajudar a quem dele precisasse. E seu desencarne foi algo muito bonito, pois desencarnou em casa, em meus braços e de minha mãe e foi uma morte digna, pois não sofreu como já vi outros sofrerem, simplesmente teve o que a medicina chama de morte súbita.
O que desejo com isso? Mostrar que devemos nos preparar para o dia de voltarmos para junto de nosso verdadeiro pai. Limparmos nossos corações e deixarmos que nossa alma caminhe nos preceitos de Deus e de nossos Orixás.
Neste fim de ano, brindemos, regozijemos junto dos que amamos, mas não nos esqueçamos de perdoar a quem nos machucou, e sobre tudo: APROXIMEMOS-NOS DE DEUS E ASSIM CONSEGUIREMOS ALCANÇAR TUDO QUE DESEJAMOS E MUITO MAIS.
FELIZ ANO NOVO!
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e Babalorixá.
odemutaloia@pop.com.br
odemutaloia@hotmail.com
Para muitos esse ano será regido por Ogum, pois começará numa terça-feira, dia de seu culto dentro do candomblé. Dentro de sua forma de visão, cada um está certo em sua suas homenagens e ritos a fim de que possa ter um novo ano com saúde, paz, prosperidade etc. e tal.
O problema é que algumas pessoas alcançam seus ideais, mas a maioria segue sua vida da mesma forma: sofrendo e passando por problemas tantos que muitas vezes pensam até mesmo em desistir da caminhada, o que por si só, já é uma afronta a Deus, mas seguem independente de suas dores, seu caminho.
Chamo a atenção aqui para o fato de que: de nada nos adianta tantas oferendas, tantas obrigações se o principal nos esquecemos: seguir fielmente os caminhos de nosso Pai Celestial e obedecer as suas leis. Poderemos alcançar todos os nossos objetivos, neste ano e em todos os que virão posteriormente, para isso basta que nos aproximemos mais de Deus.
A humanidade afasta-se cada vez mais de nosso Supremo Criador, realizando obras totalmente avessas às suas determinações: odiamos, sentimos remorso, caluniamos, mentimos, desejamos o mal para nossos irmãos,e tantas outras coisas a mais que seria impossível relatar aqui nesta humilde página.
Creio eu como sacerdote, que a partir do momento que nos reconciliarmos com Deus, independente de nossa religião ou credo, estaremos muito perto de vermos todos os nossos objetivos alcançados. Nossos Orixás, é claro, se empenham em nos ajudar a conseguir tudo que desejamos e pedimos, tanto na passagem de ano, como durante o decorrer de nossas vidas, mas muito pouco podem fazer se nós não nos fizermos merecedores das graças que solicitamos.
Afirmo isso, pois que nossos pais e mães seguem a única lei que rege o universo inteiro: a lei de Deus. E essa lei, é incorruptível, não é uma lei falha como a dos homens, pois ela se baseia na justiça a fim de promover o bem a todos seus filhos espalhados por este mundo.
Assim, como alcançarmos as coisas boas que ansiamos se dentro de nós, apenas desejamos vingança, guardamos ódio, inveja e outros mais? Como esperar que nossos orixás, seres que governam a natureza nos dêem o que pedimos se agredimos a natureza de todas as formas, matando árvores, animais e plantas que nunca saíram de seu habitat para nos prejudicarem?
Somente no dia que realmente praticarmos as leis de Deus e seguirmos os ensinamentos de nossos antepassados estaremos prontos a receber tudo que desejamos. Temos que entender que nossos orixás, santos, inkisis, voduns, ou seja, lá a forma que os chamamos, também obedecem a essas leis e a elas estão sujeitos.
Deixemos de lado a soberba, ódio, vingança, luxúria, difamações e outros sentimentos e atos repulsivos, nos aproximemos mais de Deus e veremos o quanto nossos Orixás podem fazer por nós.
Não devemos nos esquecer jamais de que a lei de nosso amado pai é somente uma: quem deve paga, quem merece recebe.
Em minha vida sacerdotal, tenho encontrado pessoas que se alarmam com o fato de eu e outros zeladores pregarmos o nome Deus e mesmo empregarmos em nossas liturgias. Vejo pessoas que quando falamos em Jesus Cristo, se calam, pois acreditam somente em nossos orixás. Oras renegar a existência de Cristo é renegarmos a existência do próprio Deus! Não que vamos seguir os ensinamentos das igrejas cristãs, até mesmo porque nossa doutrina se afasta em muito das suas. Mas daí a acharmos que apenas nossos orixás regem nossa vida é uma larga e extensa avenida.
Como posso, por exemplo, ir aos pés de meu pai Odé, pedir perdão por meus erros, se sou incapaz de perdoar àqueles que me ofenderam ou magoaram? Como posso solicitar aos orixás que me ajudem na solução de qualquer problema, se meu coração é somente ódio, se meu pensamento é somente vingança?
Temos que aprender que nossos conhecimentos são para ajudar as pessoas e JAMAIS para prejudicá-las. Se assim agirmos garanto que muita coisa mudará em nossas vidas. Quem de nós nunca sentiu raiva de alguém que nos roubou, que fez com que perdêssemos um emprego? Mas, aprendi um ditado com meu saudoso pai biológico que diz assim: “quando o diabo nos fecha uma porta, é porque em algum lugar Deus nos abriu uma janela, e a janela aberta por Deus, vale mais que 100 portas do diabo”.
Com esse ditado, não quero fazer apologias aos ensinamentos das igrejas sobre esse ser, até mesmo porque como candomblezista acredito em Deus e em meus Orixás e não nesse tal de diabo. Mas uso-o como forma ilustrativa e para mostrar a grandeza dos ensinamentos nele contidos.
Deus meus irmãos, é amor, paz, humildade, solidariedade, alegria, compartilhamento. E assim também são nossos orixás. Quem de nós teria hoje coragem para acusar alguém? Seríamos capacitados para dizer que fulano ou fulana está errado em seus atos e assim o condenarmos? Claro que não! Somos seres ainda em aperfeiçoamento e estamos longe de merecermos e possuirmos tal direito.
Se alguém nos fez mal, lembremos de que Deus tudo vê e tudo sabe. Entreguemos em suas mãos a decisão sobre tal ato. Mas também agradeçamos a ele por aquela chance de nos tornarmos dignos de seu nome e de suas bênçãos, pois acredito que o mal que nos fazem, é na verdade forma de Deus nos fazer crescer e aprimorar nossa alma e nossos conhecimentos. Deixemos que ele julgue a todos nós seres humanos. Façamos nossa parte para o crescimento da humanidade em geral e colheremos frutos maravilhosos.
Um dia, em minha adolescência, reclamei com meu pai carnal, de dificuldades que eu passava, pois que me casei muito cedo, fui pai com 19 anos e estava muito dificultoso carregar aquela responsabilidade. Falei com ele que em alguns momentos achava a vida muito injusta, e ele me respondeu apenas: “ANTES DE RECLAMAR DE SUA COLHEITA, LEMBRE-SE DE SUA SEMEADURA”.
Meu pai era Kardecista e seguia as leis de Deus no maior rigor que podia: não odiava a quem quer que fosse não reclamava das dificuldades, não se lamuriava, nunca vi meu pai desejar mal a quem quer que fosse ele simplesmente se conformava com as coisas que Deus impunha em sua jornada, pois dizia que: VIVER É TÃO SOMENTE COLHER HOJE O QUE PLANTAMOS ONTEM”.
Nunca foi rico financeiramente, mas nunca o vi passar fome, ao contrário, seu dinheiro era suficiente para a família e para ajudar a quem dele precisasse. E seu desencarne foi algo muito bonito, pois desencarnou em casa, em meus braços e de minha mãe e foi uma morte digna, pois não sofreu como já vi outros sofrerem, simplesmente teve o que a medicina chama de morte súbita.
O que desejo com isso? Mostrar que devemos nos preparar para o dia de voltarmos para junto de nosso verdadeiro pai. Limparmos nossos corações e deixarmos que nossa alma caminhe nos preceitos de Deus e de nossos Orixás.
Neste fim de ano, brindemos, regozijemos junto dos que amamos, mas não nos esqueçamos de perdoar a quem nos machucou, e sobre tudo: APROXIMEMOS-NOS DE DEUS E ASSIM CONSEGUIREMOS ALCANÇAR TUDO QUE DESEJAMOS E MUITO MAIS.
FELIZ ANO NOVO!
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e Babalorixá.
odemutaloia@pop.com.br
odemutaloia@hotmail.com
sexta-feira, dezembro 21, 2007
HOMENAGEM PÓSTUMA
Hoje venho a público homenagear um dos maiores zeladores que já vi em minha vida.
Há um ano deixou este mundo e transladou-se de volta ao Orúm, a chamado de Olorúm e de Yemanjá. Com certeza sua vida foi feita de erros e acertos como a de qualquer outro ser humano, mas em seu coração residia a bondade e a vontade de acertar acima de tudo.
Tive o privilégio de conhecer esse homem que mesmo com todos os intempéries da vida, as traições que sofria por parte de seus demais filhos e até mesmo de amigos, nunca negou uma palavra de conforto, carinho e socorro a quem o procurasse. Inteligente por excelência, sempre encontrava uma forma de ajudar àqueles que não dispunham de nada, pois era capaz até mesmo de criar situações nas quais o orixá ficava plenamente satisfeito com o vivente.
Homem, pai, conselheiro, mas acima de tudo AMIGO. Era aquele amigo certo das horas incertas. Sua partida deixou corações trincados, deixou uma sensação de vazio que a muitos atormenta, e eu sou uma dessas pessoas.
Falo aqui de meu saudoso zelador Almir Amorim, Fomo de Yemanjá Ogunté. Foi um baluarte em sua nação, Gêge, cumpriu rigorosamente com todas as vontades de Yemanjá e de todos os orixás que necessitassem de sua interferência.
Sempre zeloso e atencioso com os preceitos dos antepassados, mostrou a todos que cuidou, que a única forma de conseguirmos todos os êxitos em nossa vida, é amando à Deus e aos nossos orixás de forma incondicional.
Doté, você foi meu maior exemplo de amor e dedicação aos orixás, muito aprendi contigo, mas hoje, hoje somente a saudade ocupa seu lugar aqui na terra.
De forma alguma sou infeliz, pois sabemos que a morte não existe e que um dia nos reencontraremos e assim poderemos gozar da paz que somente Olorúm pode nos proporcionar. Se choro por ti? Claro! Afinal sou ser humano e como tal, falho e cheio de imperfeições, mas a certeza de que um dia nos encontraremos me conforta o coração e acalma-me o espírito.
Hoje se encontra nos domínios de minha mãe Yemanjá e com ela tenho certeza de que estás ajudando àqueles que lhe foram amados na terra e amparando aqueles que se negam a enxergar a verdade acima de tudo.
Amei-te um dia e o amarei para sempre.
Nunca tive nesse homem um sacerdote apenas, mas meu verdadeiro e melhor amigo. Era meu único confidente, aquele que levou consigo segredos que jamais ousei contar a outras pessoas. Sempre me amparava em meus momentos de depressão e dizia: “MEU FILHO, A VIDA É ASSIM MESMO, CHEIA DE PROBLEMAS, MAS ELES SÃO NA VERDADE NOSSOS MAIORES ALIADOS, POIS QUE NOS AJUDAM A SUPERAR NOSSOS DEFEITOS E PROGREDIRMOS EM NOSSA ESCALADA NESTA TERRA E NO PLANO ESPIRITUAL”.
Ser filho deste valoroso sacerdote foi um presente que Olorúm, meu pai Odé e minha mãe Yemanjá me deram nessa vida. Hoje a tristeza toma conta de meu coração em vários momentos nesta vida. Mas o consolo que tenho é saber que se perdi um pai, ganhei um amigo no plano espiritual.
Doté siga em paz na certeza de que o amor que sentia por ti, está aqui em meu coração e jamais o esquecerei. Que minha mãe Yemanjá o ilumine em sua nova caminhada, que Olorúm o abençoe, e que sua nova jornada possa ser tão gloriosa quanto foi aqui na terra.
Saudades deste seu filho.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.
odemutaloia@pop.com.br
odemutaloia@hotmail.com
Há um ano deixou este mundo e transladou-se de volta ao Orúm, a chamado de Olorúm e de Yemanjá. Com certeza sua vida foi feita de erros e acertos como a de qualquer outro ser humano, mas em seu coração residia a bondade e a vontade de acertar acima de tudo.
Tive o privilégio de conhecer esse homem que mesmo com todos os intempéries da vida, as traições que sofria por parte de seus demais filhos e até mesmo de amigos, nunca negou uma palavra de conforto, carinho e socorro a quem o procurasse. Inteligente por excelência, sempre encontrava uma forma de ajudar àqueles que não dispunham de nada, pois era capaz até mesmo de criar situações nas quais o orixá ficava plenamente satisfeito com o vivente.
Homem, pai, conselheiro, mas acima de tudo AMIGO. Era aquele amigo certo das horas incertas. Sua partida deixou corações trincados, deixou uma sensação de vazio que a muitos atormenta, e eu sou uma dessas pessoas.
Falo aqui de meu saudoso zelador Almir Amorim, Fomo de Yemanjá Ogunté. Foi um baluarte em sua nação, Gêge, cumpriu rigorosamente com todas as vontades de Yemanjá e de todos os orixás que necessitassem de sua interferência.
Sempre zeloso e atencioso com os preceitos dos antepassados, mostrou a todos que cuidou, que a única forma de conseguirmos todos os êxitos em nossa vida, é amando à Deus e aos nossos orixás de forma incondicional.
Doté, você foi meu maior exemplo de amor e dedicação aos orixás, muito aprendi contigo, mas hoje, hoje somente a saudade ocupa seu lugar aqui na terra.
De forma alguma sou infeliz, pois sabemos que a morte não existe e que um dia nos reencontraremos e assim poderemos gozar da paz que somente Olorúm pode nos proporcionar. Se choro por ti? Claro! Afinal sou ser humano e como tal, falho e cheio de imperfeições, mas a certeza de que um dia nos encontraremos me conforta o coração e acalma-me o espírito.
Hoje se encontra nos domínios de minha mãe Yemanjá e com ela tenho certeza de que estás ajudando àqueles que lhe foram amados na terra e amparando aqueles que se negam a enxergar a verdade acima de tudo.
Amei-te um dia e o amarei para sempre.
Nunca tive nesse homem um sacerdote apenas, mas meu verdadeiro e melhor amigo. Era meu único confidente, aquele que levou consigo segredos que jamais ousei contar a outras pessoas. Sempre me amparava em meus momentos de depressão e dizia: “MEU FILHO, A VIDA É ASSIM MESMO, CHEIA DE PROBLEMAS, MAS ELES SÃO NA VERDADE NOSSOS MAIORES ALIADOS, POIS QUE NOS AJUDAM A SUPERAR NOSSOS DEFEITOS E PROGREDIRMOS EM NOSSA ESCALADA NESTA TERRA E NO PLANO ESPIRITUAL”.
Ser filho deste valoroso sacerdote foi um presente que Olorúm, meu pai Odé e minha mãe Yemanjá me deram nessa vida. Hoje a tristeza toma conta de meu coração em vários momentos nesta vida. Mas o consolo que tenho é saber que se perdi um pai, ganhei um amigo no plano espiritual.
Doté siga em paz na certeza de que o amor que sentia por ti, está aqui em meu coração e jamais o esquecerei. Que minha mãe Yemanjá o ilumine em sua nova caminhada, que Olorúm o abençoe, e que sua nova jornada possa ser tão gloriosa quanto foi aqui na terra.
Saudades deste seu filho.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.
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quinta-feira, dezembro 20, 2007
LEDO ENGANO
Constantemente vejo pessoas se intitularem, supremos nos assuntos dos Orixás, dizerem que fazem e acontecem com os conhecimentos que possuem. Ledo engano! Supremacia, somente em Deus nosso pai, e até mesmo nossos Orixás estão sujeitos a esta magnânima supremacia.
Ao se intitularem supremos nesses assuntos as pessoas se esquecem de que esses ensinamentos lhes foram passados porque seu orixá o escolheu para uma missão: ajudar a quem precise, sem distinção de raça, cor e credo.
Outrora, os mais antigos possuíam muito mais conhecimento que nós hoje em dia, e nunca soubemos de arrogância dentro deles. Ao contrário, em sua grande maioria eram pessoas humildes, sem leitura, e que se dedicavam exclusivamente a fazer o bem sem olhar a quem. Mesmo nos idos dos anos 80 tive a oportunidade de conviver com pessoas que mesmo tendo todo conhecimento, se mantinham na humildade e servidão aos orixás.
Se voltássemos a viver da mesma forma que eles, com certeza teríamos muito mais respeito das pessoas por nossa fé, e colocaríamos um ponto final em tanta intolerância com nossa classe.
Orixá é antes de tudo, humildade e servidão. A arrogância, soberba, e outros males desta estirpe, não condizem com suas leis e seus objetivos. Basta que olhemos à nossa volta e veremos inúmeras pessoas que tanto se intitularam os poderosos, que hoje estão derrotados por si mesmos.
Ao nos deixarmos influenciar por coisas assim, afastamo-nos dos caminhos e objetivos de nosso orixá que é justamente o nosso engrandecimento espiritual. Esquecemos de que estamos neste planeta apenas de passagem e que mais dia, menos dia retornaremos ao nosso verdadeiro lar e teremos que prestar contas de tudo que fizemos nessa vida. Será que estamos preparados para isso?
Vivamos em paz com nossa consciência, deixemos que as pessoas admirem nossas qualidades como sacerdotes, mas acima de tudo, não esqueçamos que magnânimo somente Deus nosso amado e eterno Pai.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá, Babalorixá, Escritor e Pesquisador.
Contatos:
odemutaloia@pop.com.br
odemutaloia@hotmail.com
Ao se intitularem supremos nesses assuntos as pessoas se esquecem de que esses ensinamentos lhes foram passados porque seu orixá o escolheu para uma missão: ajudar a quem precise, sem distinção de raça, cor e credo.
Outrora, os mais antigos possuíam muito mais conhecimento que nós hoje em dia, e nunca soubemos de arrogância dentro deles. Ao contrário, em sua grande maioria eram pessoas humildes, sem leitura, e que se dedicavam exclusivamente a fazer o bem sem olhar a quem. Mesmo nos idos dos anos 80 tive a oportunidade de conviver com pessoas que mesmo tendo todo conhecimento, se mantinham na humildade e servidão aos orixás.
Se voltássemos a viver da mesma forma que eles, com certeza teríamos muito mais respeito das pessoas por nossa fé, e colocaríamos um ponto final em tanta intolerância com nossa classe.
Orixá é antes de tudo, humildade e servidão. A arrogância, soberba, e outros males desta estirpe, não condizem com suas leis e seus objetivos. Basta que olhemos à nossa volta e veremos inúmeras pessoas que tanto se intitularam os poderosos, que hoje estão derrotados por si mesmos.
Ao nos deixarmos influenciar por coisas assim, afastamo-nos dos caminhos e objetivos de nosso orixá que é justamente o nosso engrandecimento espiritual. Esquecemos de que estamos neste planeta apenas de passagem e que mais dia, menos dia retornaremos ao nosso verdadeiro lar e teremos que prestar contas de tudo que fizemos nessa vida. Será que estamos preparados para isso?
Vivamos em paz com nossa consciência, deixemos que as pessoas admirem nossas qualidades como sacerdotes, mas acima de tudo, não esqueçamos que magnânimo somente Deus nosso amado e eterno Pai.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá, Babalorixá, Escritor e Pesquisador.
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domingo, dezembro 16, 2007
A DESVALORIZAÇÃO DE NOSSA FÉ E DE NOSSOS ANCESTRAIS
Cada dia que passa mais me choca as formas errôneas como é praticada essa religião tão linda que nossos antepassados aqui deixaram como legado para nós, seus descendentes independente de cor e raça.
Sempre encontramos notícias que denigrem nosso nome e nossa fé. Ainda esta semana, mais precisamente sexta-feira, dia 15 de Dezembro, foi veiculada no Jornal Nacional, a notícia de um assassinato de uma criança, e a mulher que cometeu tal barbaridade, disse que havia matado aquele ANJO, em um ritual de magia negra, a mando de uma mãe de santo, com a finalidade de que ela pudesse engravidar.
Enoja-me tal situação, pois todos que praticamos um Candomblé sério e verdadeiro sabemos que uma vida, ainda que seja de nosso pior inimigo, é intocável, ainda mais se tratando de uma criança, um ser totalmente inocente.
Em parte, as federações têm uma culpabilidade grande nessas atrocidades, pois antigamente éramos sabatinados sem misericórdia quando pretendíamos abrir um terreiro, e depois de concedido o alvará, éramos fiscalizados de perto e com rigor. Mas hoje, bem, hoje as federações em sua maioria, se preocupam apenas com as anuidades que temos que pagar, não estão nem aí se esse ou aquele sacerdote está em condições de manter sua casa aberta,e pasmem: MUITAS VEZES AS PESSOAS CONSEGUEM ALVARÁ SEM MESMO SEREM FEITAS OU TEREM TEMPO HÁBIL PARA TAL EXERCÍCIO.
Em um caso como esse, deveria a federação, e espero que esteja acontecendo, averiguar os antecedentes desta sacerdotisa (?) e encaminhar ao ministério público, caso seja real a informação, um processo para que esta casa fosse fechada permanentemente e que esta pessoa fosse presa.
Acredito também que deveria haver uma investigação paralela da federação local, a fim de averiguar se essa pessoa realmente deu esse tipo de orientação, pois que é muito fácil fazermos besteira e colocarmos a culpa em alguém. E se isso aconteceu que sejam tomadas medidas muito sérias.
Agora me pergunto: mãe de santo? NUNCA! Mãe do capeta, do cão, ou até mesmo dos quintos dos infernos completos, pois um verdadeiro sacerdote jamais faria uma coisa dessas!
Estas coisas enojam a todos que praticamos uma religião de forma séria e coerente. Temos que acordar pra vida, descermos de nossos altares ridículos que nos colocamos em alguns casos, e enxergarmos que estamos contribuindo com nosso silêncio para que pessoas que JAMAIS foram sacerdotes, denigram nosso nome e de nossa religião.
Enquanto medidas sérias não forem tomadas, esses horrores continuarão acontecendo e cada vez mais seremos pratos cheios servidos nos banquetes da intolerância que sofremos por parte de outras religiões.
Vamos dar um basta nisso tudo, levantemo-nos em prol de nossa fé, antes que ela sucumba diante de tantas atrocidades e mentiras!
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá. Babalorixá, Escritor e pesquisador.
odemutaloia@hotmail.com
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Sempre encontramos notícias que denigrem nosso nome e nossa fé. Ainda esta semana, mais precisamente sexta-feira, dia 15 de Dezembro, foi veiculada no Jornal Nacional, a notícia de um assassinato de uma criança, e a mulher que cometeu tal barbaridade, disse que havia matado aquele ANJO, em um ritual de magia negra, a mando de uma mãe de santo, com a finalidade de que ela pudesse engravidar.
Enoja-me tal situação, pois todos que praticamos um Candomblé sério e verdadeiro sabemos que uma vida, ainda que seja de nosso pior inimigo, é intocável, ainda mais se tratando de uma criança, um ser totalmente inocente.
Em parte, as federações têm uma culpabilidade grande nessas atrocidades, pois antigamente éramos sabatinados sem misericórdia quando pretendíamos abrir um terreiro, e depois de concedido o alvará, éramos fiscalizados de perto e com rigor. Mas hoje, bem, hoje as federações em sua maioria, se preocupam apenas com as anuidades que temos que pagar, não estão nem aí se esse ou aquele sacerdote está em condições de manter sua casa aberta,e pasmem: MUITAS VEZES AS PESSOAS CONSEGUEM ALVARÁ SEM MESMO SEREM FEITAS OU TEREM TEMPO HÁBIL PARA TAL EXERCÍCIO.
Em um caso como esse, deveria a federação, e espero que esteja acontecendo, averiguar os antecedentes desta sacerdotisa (?) e encaminhar ao ministério público, caso seja real a informação, um processo para que esta casa fosse fechada permanentemente e que esta pessoa fosse presa.
Acredito também que deveria haver uma investigação paralela da federação local, a fim de averiguar se essa pessoa realmente deu esse tipo de orientação, pois que é muito fácil fazermos besteira e colocarmos a culpa em alguém. E se isso aconteceu que sejam tomadas medidas muito sérias.
Agora me pergunto: mãe de santo? NUNCA! Mãe do capeta, do cão, ou até mesmo dos quintos dos infernos completos, pois um verdadeiro sacerdote jamais faria uma coisa dessas!
Estas coisas enojam a todos que praticamos uma religião de forma séria e coerente. Temos que acordar pra vida, descermos de nossos altares ridículos que nos colocamos em alguns casos, e enxergarmos que estamos contribuindo com nosso silêncio para que pessoas que JAMAIS foram sacerdotes, denigram nosso nome e de nossa religião.
Enquanto medidas sérias não forem tomadas, esses horrores continuarão acontecendo e cada vez mais seremos pratos cheios servidos nos banquetes da intolerância que sofremos por parte de outras religiões.
Vamos dar um basta nisso tudo, levantemo-nos em prol de nossa fé, antes que ela sucumba diante de tantas atrocidades e mentiras!
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá. Babalorixá, Escritor e pesquisador.
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sexta-feira, novembro 23, 2007
SAUDOSOS TEMPOS
Lembro-me com freqüência dos tempos em que vivia na roça de Mametú Indembelouí, quem me iniciou na ciência do culto aos Orixás. Lembro-me de seus ensinamentos que eram passados a mim e aos meus irmãos, como gotas de água em um oceano, ou seja, aos poucos.
Hoje em dia, as pessoas ao pretenderem adentrar no culto, já nos chegam com uma ânsia de poder que jamais imaginei ver. E o que mais dói, é que essa ânsia é em ter poder para destruir a vida dos outros. Já outras pessoas já nos chegam com tanta vontade de saber, mas, sem se preocuparem se estão prontos ou não para adquirirem tais conhecimentos. E isso vem fazendo com que nossa religião cada vez mais tenha pessoas totalmente despreparadas para exercerem o sacerdócio.
Com saudades me lembro também de como eram feitas as coisas do santo dentro daquela casa. Por exemplo, se íamos apanhar ervar para fazer o abô, em primeiro lugar eram escolhidas as pessoas que participariam daquela cerimônia. Essas pessoas se resguardavam dentro da casa de santo, três dias antes do ritual, a fim de se purificarem de relações sexuais e uso de bebidas alcoólicas.
No dia do ritual, saíamos em jejum, e antes do sol nascer, levávamos oferendas para Agué, e após os ritos na entrada da mata, entrávamos nela e sem conversar íamos apanhando as folhas, ao som de cânticos e reza para as divindades. Íamos e voltávamos em silêncio, sendo que o mesmo só era quebrado pelo som das rezas e cantigas.
Após a colheita das INSABAS, retornávamos ao barracão e ali, em uma esteira previamente preparada, depositávamos as insabas e somente depois é que íamos ter direito ao café, um cigarrinho (escondido) para quem fumasse etc. e tal. Na caída da noite, após as ervas estarem plenamente descansadas da colheita e transporte, é que começávamos o preparo o banho de abô que serviria para purificar não somente aos filhos da casa, mas, a todos que necessitassem.
Hoje em dia, ao saírem para a colheita de ervas, sejam para o abô ou para a feitura de um Yawô, as pessoas mais parecem que vão para uma festa, tamanha a algazarra que fazem dentro e fora da mata.
Ao dar início ao preparo das comidas de santo, ou mesmo de ebó, jamais existia conversas na cozinha, as únicas palavras pronunciadas eram as rezas necessárias para aquele ritual. Já tive a oportunidade de ver em uma cozinha de santo, rádio tocando como se estivessem preparando qualquer coisa, menos comida a ser servida aos nossos Deuses.
Realmente, saudosos aqueles tempos, nos quais se faziam fundamentos de santo e não brincadeiras como se vê hoje em dia. E isso sem relatar o comportamento dos iniciados de hoje, que nada se parecem com os de outrora.
Será que estariam nossos orixás satisfeitos com essas mudanças em seus rituais? Creio que não, pois que me foi ensinado que candomblé é hierarquia e ancestralidade, assim sendo, jamais essas atitudes condizem com nossos antepassados que aqui viveram e deram suas vidas para que pudéssemos ter essa religião que tanto tem feito por quem a procure.
Se pudesse voltar ao tempo, com certeza seria muito mais feliz, pois teria a chance de ainda assistir a fundamentos ou ORÔS como chamamos, que nunca mais serão vistos na maioria das casas de santo deste milênio.
Sérgio Silveira, Tatetú “Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá”.
odemutaloia@hotmail.com
Hoje em dia, as pessoas ao pretenderem adentrar no culto, já nos chegam com uma ânsia de poder que jamais imaginei ver. E o que mais dói, é que essa ânsia é em ter poder para destruir a vida dos outros. Já outras pessoas já nos chegam com tanta vontade de saber, mas, sem se preocuparem se estão prontos ou não para adquirirem tais conhecimentos. E isso vem fazendo com que nossa religião cada vez mais tenha pessoas totalmente despreparadas para exercerem o sacerdócio.
Com saudades me lembro também de como eram feitas as coisas do santo dentro daquela casa. Por exemplo, se íamos apanhar ervar para fazer o abô, em primeiro lugar eram escolhidas as pessoas que participariam daquela cerimônia. Essas pessoas se resguardavam dentro da casa de santo, três dias antes do ritual, a fim de se purificarem de relações sexuais e uso de bebidas alcoólicas.
No dia do ritual, saíamos em jejum, e antes do sol nascer, levávamos oferendas para Agué, e após os ritos na entrada da mata, entrávamos nela e sem conversar íamos apanhando as folhas, ao som de cânticos e reza para as divindades. Íamos e voltávamos em silêncio, sendo que o mesmo só era quebrado pelo som das rezas e cantigas.
Após a colheita das INSABAS, retornávamos ao barracão e ali, em uma esteira previamente preparada, depositávamos as insabas e somente depois é que íamos ter direito ao café, um cigarrinho (escondido) para quem fumasse etc. e tal. Na caída da noite, após as ervas estarem plenamente descansadas da colheita e transporte, é que começávamos o preparo o banho de abô que serviria para purificar não somente aos filhos da casa, mas, a todos que necessitassem.
Hoje em dia, ao saírem para a colheita de ervas, sejam para o abô ou para a feitura de um Yawô, as pessoas mais parecem que vão para uma festa, tamanha a algazarra que fazem dentro e fora da mata.
Ao dar início ao preparo das comidas de santo, ou mesmo de ebó, jamais existia conversas na cozinha, as únicas palavras pronunciadas eram as rezas necessárias para aquele ritual. Já tive a oportunidade de ver em uma cozinha de santo, rádio tocando como se estivessem preparando qualquer coisa, menos comida a ser servida aos nossos Deuses.
Realmente, saudosos aqueles tempos, nos quais se faziam fundamentos de santo e não brincadeiras como se vê hoje em dia. E isso sem relatar o comportamento dos iniciados de hoje, que nada se parecem com os de outrora.
Será que estariam nossos orixás satisfeitos com essas mudanças em seus rituais? Creio que não, pois que me foi ensinado que candomblé é hierarquia e ancestralidade, assim sendo, jamais essas atitudes condizem com nossos antepassados que aqui viveram e deram suas vidas para que pudéssemos ter essa religião que tanto tem feito por quem a procure.
Se pudesse voltar ao tempo, com certeza seria muito mais feliz, pois teria a chance de ainda assistir a fundamentos ou ORÔS como chamamos, que nunca mais serão vistos na maioria das casas de santo deste milênio.
Sérgio Silveira, Tatetú “Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá”.
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domingo, novembro 18, 2007
DISCRIMINAÇÃO CONTRA COR É CRIME, MAS, E CONTRA A RELIGIÃO?

Nos dias atuais muito temos visto em redes de televisão, jornais, rádios e na Internet, campanhas contra a discriminação e o preconceito racial. Políticos fazem barulho até demais, mostrando que em um país como o nosso é intolerável este ato horrendo. Mesmo entidades que se dignam a lutar pelos direitos dos negros, investem alto no combate a estes atos que realmente NÃO CONDIZEM COM O MUNDO ATUAL EM QUE VIVEMOS.
Mas, me pergunto apenas, o porquê de nós, praticantes do Candomblé, ÚNICA RELIGIÃO QUE ESSES MESMOS NEGROS, trouxeram para o Brasil, somos perseguidos e nem políticos nem ninguém tem coragem de mostrar a cara e defender nossos direitos. Até mesmo negros, nos condenam por serem membros de outra religião.
Será que discriminar a religião que os negros plantaram aqui no Brasil, não poderia ser incorporado na lei que combate a discriminação racial? Em meu ver sim. Pois da mesma forma que todos, pagamos impostos, votamos, mas ninguém coloca nossos direitos na cara de pastores que manipulam seus fiéis, jogando-os contra nós e nossa fé.
Até mesmo ex sacerdotisas (seriam mesmo sacerdotisas?) vão a programas de televisão se intitulando EX MÃE DE ENCOSTO, e falam o que querem, denigrem nossa imagem, nossa religião e os governos nada fazem para coibir essa coisa ridícula. Mas basta chegar o período eleitoral e lá vêm eles, nos chamando para pedir votos, mentindo descaradamente que são contra essa prática, e nós bobos damos nosso voto a eles. Se o que dizem é verdade, por que então que ao nos apresentarmos nas Assembléias Legislativas como praticantes desta religião, nunca conseguimos nada?
Concordo em grau gênero e número com o combate a discriminação racial, ou seja lá quaisquer que forem, mas penso que temos nossos direitos e que eles deveriam sim, serem respeitados e que as entidades de consciência negra deveriam olhar com mais atenção. Ou será que esses mesmos negros que aqui chegaram em navios negreiros, não trouxeram esta religião? Seria ela por acaso fundada aqui pelos europeus? Com certeza que não.
Somente me pergunto se em breve não seremos queimados em praça pública, a exemplo do que faziam os padres com os negros que não se rendiam a religião por eles imposta.
Amor e tolerância não deveriam ser os lemas principais de qualquer religioso? Creio que sim, mas, o que vemos é totalmente contrário a tudo isso. Quem de nós nunca foi constrangido tão somente por causa de nossa opção religiosa?
Temos que nos empenhar mais como religiosos, em exigir que os governos obriguem a respeitarem-nos, afinal na Carta dos Direitos Humanos da ONU, e até mesmo em nossa constituição, rezam o direito a livre prática religiosa. Sinceramente, acho muita mesquinharia tanto barulho por conta da discriminação racial, e a plena tolerância com a discriminação religiosa.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, Escritor e Pesquisador.
odemutaloia@hotmail.com
odemutaloia@pop.com.br
Mas, me pergunto apenas, o porquê de nós, praticantes do Candomblé, ÚNICA RELIGIÃO QUE ESSES MESMOS NEGROS, trouxeram para o Brasil, somos perseguidos e nem políticos nem ninguém tem coragem de mostrar a cara e defender nossos direitos. Até mesmo negros, nos condenam por serem membros de outra religião.
Será que discriminar a religião que os negros plantaram aqui no Brasil, não poderia ser incorporado na lei que combate a discriminação racial? Em meu ver sim. Pois da mesma forma que todos, pagamos impostos, votamos, mas ninguém coloca nossos direitos na cara de pastores que manipulam seus fiéis, jogando-os contra nós e nossa fé.
Até mesmo ex sacerdotisas (seriam mesmo sacerdotisas?) vão a programas de televisão se intitulando EX MÃE DE ENCOSTO, e falam o que querem, denigrem nossa imagem, nossa religião e os governos nada fazem para coibir essa coisa ridícula. Mas basta chegar o período eleitoral e lá vêm eles, nos chamando para pedir votos, mentindo descaradamente que são contra essa prática, e nós bobos damos nosso voto a eles. Se o que dizem é verdade, por que então que ao nos apresentarmos nas Assembléias Legislativas como praticantes desta religião, nunca conseguimos nada?
Concordo em grau gênero e número com o combate a discriminação racial, ou seja lá quaisquer que forem, mas penso que temos nossos direitos e que eles deveriam sim, serem respeitados e que as entidades de consciência negra deveriam olhar com mais atenção. Ou será que esses mesmos negros que aqui chegaram em navios negreiros, não trouxeram esta religião? Seria ela por acaso fundada aqui pelos europeus? Com certeza que não.
Somente me pergunto se em breve não seremos queimados em praça pública, a exemplo do que faziam os padres com os negros que não se rendiam a religião por eles imposta.
Amor e tolerância não deveriam ser os lemas principais de qualquer religioso? Creio que sim, mas, o que vemos é totalmente contrário a tudo isso. Quem de nós nunca foi constrangido tão somente por causa de nossa opção religiosa?
Temos que nos empenhar mais como religiosos, em exigir que os governos obriguem a respeitarem-nos, afinal na Carta dos Direitos Humanos da ONU, e até mesmo em nossa constituição, rezam o direito a livre prática religiosa. Sinceramente, acho muita mesquinharia tanto barulho por conta da discriminação racial, e a plena tolerância com a discriminação religiosa.
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, Escritor e Pesquisador.
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