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domingo, maio 03, 2009

SINCRETISMO



Todos nós sabemos que o sincretismo vem desde nossos antepassados nas senzalas. Sabemos que foi uma forma que os escravos encontraram para que pudessem driblar a vigília constante da igreja e assim poderem cultuar seus deuses sem o risco de pararem numa fogueira ou mesmo de serem torturados, terem seus olhos, unhas e outras partes de seus corpos arrancados, como era o costume da igreja de Roma fazer com quem não seguisse seus rituais.

Com o passar dos anos e dos séculos, esse sincretismo foi se enraizando em nosso meio e hoje em dia não conseguimos imaginar nossos altares de Umbanda sem as imagens dos santos católicos. Nada tenho contra, afinal é uma forma saudável de reverenciarmos pessoas que viveram e morreram em prol de sua fé.

Muitos Caboclos e Pretos Velhos, não permitem que seus gongás fiquem sem essas imagens, que misturadas as de índios, boiadeiros, pretos velhos, marujos, Janaina, e tantas outras, formam o maravilhoso misticismo que seduz não somente aos praticantes da Umbanda, mas a todos de uma forma geral.

Se por um lado essa forma nos é benigna, por outro se não tomarmos cautela, pode nos levar a perder a nossa identidade religiosa. Obviamente que dentro de nossos Terreiros e Tendas, nunca deixarão de existir essas imagens, nem tão pouco nós perderemos nossa fé.

Apenas temos que nos cuidar para que não percamos a identidade de nossas entidades. Temos que termos dentro de nossas mentes que as nossas entidades, possuem suas próprias identidades, da mesma forma que as entidades do catolicismo possuem as suas.

Nossas entidades são sim, portadores de suas identidades próprias, de suas vontades, de seus desejos. Quando aqui na terra, possuíam suas crenças particulares, e é aí que não podemos deixar que o sincretismo influa de forma negativa.

Ao perdermos a identidade de nossas entidades, desvalorizamos completamente nosso culto e nossa crença. Claro, que confessarmos contrários, por exemplo, aos ensinamentos de Cristo, seria negarmos a existência do próprio Deus. Irmos de contra a sua santidade, seria INSANIDADE e todos nós sabemos que Cristo existiu sim, padeceu e morreu em uma cruz em nome da humanidade, como forma de aliviar nossos crimes.

Da mesma forma, a santidade dos santos da igreja devem sim, serem respeitadas. Mas, não porque um ser humano declarou que fulano passa a ser santo de dia tal em diante. Falo da santidade daqueles que padeceram como carneiros em nome de Cristo, essa sim, a meu ver, é a verdadeira santidade.

E temos que nos render a eles sim, mas de forma a mantermos a identidade de nossos Orixás e Guias Protetores, de forma que possamos cultuar nossa fé, de forma coesa e coerente com nossa realidade.


Não misturarmos as identidades de umas e de outras entidades, não significa deixarmos de amá-los. Mas sim, amarmos de forma correta e sabendo que suas identidades, suas ações, são independente das ações de nossos Guias e de nossos Orixás.

Podemos ter as duas coisas sem conflito? Sim, podemos!

Basta que saibamos discernir ente dois seres, respeitando a identidade de cada um, por exemplo: sabendo que Ogum é Ogum e São Jorge é São Jorge, mas respeitando uma ligação feita há séculos quando os escravos eram perseguidos.

Se cantarmos para Ogum, invocamos sua falange, e dentre essas fileiras, pode sim, existir algum espírito que teve uma afinidade com São Jorge e assim, vem nas fileiras de Ogum, amando sua bandeira e fazendo sua caridade sem desrespeitar a quem quer que seja.

Aprendendo a vivermos com essa maravilha chamada sincretismo e sem misturar as identidades, poderemos sim, termos um culto sadio, na respeitabilidade de ambas a s partes.

O sincretismo repito, foi usado em um passado onde a inquisição mandava para a fogueira, todos que não convivessem nas leis de Roma, mas hoje com a garantia por lei das praticas religiosas, por que deixarmos de abrangermos mais nossas raízes, para abrangermos as dos outros em uma totalidade?

Amemos, pois, os santos do catolicismo que assim como nossos Orixás deram suas vidas por algo que acreditavam, mas, amemos muito a identidade e a forma de nossos Orixás.


Sérgio Silveira, Tatetú N’inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gmail.com



sábado, maio 02, 2009

OYÁ GBALE OU OYÁ BALÉ


Uma forma de Oyá que requer muito cuidado ao se lidar com ela. Nessa qualidade, Yansã, governa de forma essencial, os eguns, ou, os espíritos dos mortos. Como matriarcas de egum, essas Oyás são mais agressivas que as demais, e sempre se apresentam prontas para a guerra.

Seus rituais em nada lembram os dos demais Orixás, uma vez que até mesmo para solicitar que ela deixe a matéria, ou seja: “ir ao ló”, é feito de forma diferenciada, uma vez que os demais Orixás são suspensos dentro do barracão, e essa Yabá é suspensa no tempo.

Como toda Yansã, ela é altamente sensual, muito embora guerreira destemida é comum vermos essa divindade se apresentar dançando para os mortos. Na concepção yorubana, a morte nunca foi o ponto final de nada, ao contrário, eles acreditam piamente na reencarnação, creem que as pessoas voltam a se encarnarem na mesma família, que o espírito volta a terra na pessoa de seus descendentes.

Nessa fase em que são eguns, são guardados por Oyá Gbale. Nas crendices africanas, temos vários momentos em nossa vida e também depois de nossa morte. Acreditam os africanos que ao desencarnarmos, nosso espírito se desliga do corpo e prontamente é recolhido por uma qualidade de Oxossi que o entrega a Obaluayê e esse por sua vez, entrega o espírito a Oyá Gbale para que ela o guarde enquanto espera o julgamento que será feito no Orúm, Céu.

Ao chegar o dia do julgamento daquela alma, Xangô Agodô abre as portas do Orúm para que ele possa entrar, então, Logum Edé, sincretizado com São Miguel, pesa em sua balança todos os atos daquela pessoa em vida e Yansã se encarrega de o levar para seu local determinado pela justiça Divina.

Oyá Gbale, é também conhecida como Oyá Mensan Orúm, ou seja: a mãe dos nove céus ou dos nove planetas. Recebeu parte dos poderes de Omulú o grande senhor conhecedor de todos os mistérios da morte e consequentemente dos eguns.

Segundo as lendas africanas, ela recebeu esse poder após socorrer Omulú que estava passando por uma dificuldade muito grande. Omulú carregava então os ancestrais, eguns, sozinho e a partir dessa data, Yansã do Balé, passou a dividir com ele essa missão, que somente lhe foi entregue com a permissão de Olodumarê, Senhor Supremo do Destino, ou seja, um dos nomes de Deus para os africanos.

Seus assentamentos podem ser feitos com todos os utensílios de barro, mas, existem também aqueles zeladores que a assentam em louça branca, o que de forma alguma está errada.

Carrega chifres de búfalo, Irukerê, espécie de chicote feito com rabo de cavalo ou boi, símbolo de realeza na África e que ela utiliza para guiar os eguns. Também compõe seu fetiche, a espada, o escudo, e demais fetiches que a lembram como guerreira.

Foi casada com Ogum e depois com Xangô. Com seu Eroexim, ou Irukerê, ela separa os vivos dos mortos. Senhora absoluta dos ancestrais tem sua morada nos bambuzais, mas especialmente nos cemitérios.

É uma Orixá muito amada, festejada e temida dentro do candomblé, porque alem de todos esses atributos, é ela quem divide com Xangô o mistério de carregar o fogo na boca.

Come acarajé, cabra, frutas, e demais comidas. Suas vestimentas são brancas, simbolizando a detenção do poder dos segredos de egum. Na África, branco representa luto.

Seu dia de culto é a Quarta Feira, dia que podemos entregar-lhe presentes solicitando que interceda por nós.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com
FOTO: Oyá-Iansã - escultura de Carybé.

quinta-feira, abril 30, 2009

O QUE É RELIGIÃO?

Desde os tempos mais remotos, a humanidade busca incansavelmente, uma explicação para sua existência, um motivo, para que tudo “termine com a morte”, e, principalmente, uma explicação plausível para o que acontece após a morte.

Muitas lendas, mitos, tabus e toda a sorte de crendices foram criadas, na tentativa de manterem as pessoas sob o julgo de alguém. Os sacerdotes “pagãos” e depois, os sacerdotes cristãos, mantiveram os mesmos e até mesmo criaram outros no intuito de monopolizarem a fé, de pregarem uma salvação, condenando a outros cultos diferentes dos seus, tão somente no interesse de se manterem abastados, juntando verdadeiros tesouros na terra. Mas, esqueceram-se do principal: da alma, do espírito em si, e esse foi seu maior erro e o que levou a dissolução de muitas sociedades religiosas.

A religião, nada de anormal tem, e cada uma está certa sim, dentro de seus conceitos e de suas interpretações. Afinal, se formos juntar as religiões, qual delas poderemos apontar como a verdadeira, a mais pura?

Buscamos ainda nos dias atuais, uma explicação para nossa existência, um motivo para continuarmos na labuta, superando dia após dia as agruras dessa vida, para depois simplesmente morrermos e deixarmos tudo para trás.

Dentro das religiões, sempre vamos encontrar pessoas boas e más, pessoas honestas e desonestas, o que não podemos fazer de forma alguma, é julgarmos a todos por conta do erro de uns.

Se analisarmos as religiões, veremos que elas mesmas se perdem em seus ensinamentos, a menos que seus sacerdotes tenham consciência de que nada somos nesse mundo e se existimos, é tão somente porque Deus assim o achou por bem que fosse.

Religião é uma palavra derivada do terno latino, Re-Ligare, ou seja, Religar, unir novamente o homem a Deus, seu criador. Obviamente que outrora, esse termo teria sido utilizado com outras finalidades, mas, na questão religiosa, essa terminologia passou a englobar todas as formas de culto, devido à necessidade do homem de encontrar-se, ou em minha concepção: de superar sua insignificância perante a grandiosidade do Universo. Sabemos que nossa raça julga-se superior as demais, e que membros das sociedades antigas, jamais admitiriam que pudesse existir algo maior que o homem, e eis que então começou sua busca pelo entendimento de sua existência, bem como o medo do que o aguarda após tumulo.

Passou então o termo “Re-Ligare”, a fazer parte das filosofias religiosas de toda a raça humana, sendo ela Politeísta, Monoteísta ou até mesmo Ateísta.

As religiões assim se dividem:

As monoteístas

As politeístas

As ateístas

As panteístas

As monoteístas pregam a existência de um só Deus, de um só ser que a tudo criou e que a tudo governa, e são exemplos: os seguimentos cristãos. São seguimentos religiosos mais modernos que segundo historiadores, surgiu no último milênio antes de Cristo, e sua expansão e predominância, se deu a partir da idade media.

As politeístas não acreditam em vários deuses como pregam alguns, mas sim, na pluralidade do mesmo. São seus exemplos, as religiões gregas e egípcias. Acreditam nessas religiões, que Deus se dividiu em partes e criou para cada elemento da natureza, uma divindade, em sua forma de ser, ela é confundida com o ateísmo, mas surgiu bem posteriormente a essa, em uma época em que o desenvolvimento cultural da raça humana atingia outros graus. Observamos ao ler os relatos históricos, que: quanto maior a complexidade de uma determinada etnia, mais o politeísmo substitui o panteísmo, uma vez que seus valores, suas formas de culto se agregam.

As ateístas negam a existência de um ser maior, Deus. Muito embora alguns seguidores em alguns momentos pregam e creem na existência de espíritos. Sua presença no meio da humanidade deu-se a partir do século V antes de Cristo, segundo relatos de historiadores. O ateísmo, geralmente surge em uma determinada raça, segundo estudiosos, dado a reação adversa ao monoteísmo.

As panteístas são as mais antigas religiões da humanidade. Teriam surgido na Mesopotâmia. São seus exemplos o Candomblé e todas as ramificações religiosas africanas. Nesse seguimento, Deus á a própria natureza, e todas as coisas estão ligadas, promovendo um equilíbrio, e assim sendo a manutenção do eco sistema é essencial para o aspecto místico.

Mas, o que importa mesmo, não é a nomenclatura que damos, mas sim, o uso que dela fazemos.

Temos que entender, que: termos uma religião é algo profundamente necessário ao nosso crescimento seja como matéria, seja como espírito. Temos que nos RELIGAR a Deus, e assim sendo, buscarmos sua presença em nossas vidas.

Sermos Sacerdotes então, nos traz um peso muito maior do que nossa capacidade de raciocínio pode compreender, pois que, não devemos em hipótese alguma, usarmos de nosso conhecimento religioso e/ou filosófico, para mantermos as pessoas presas e subjugadas a nós.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com



sábado, abril 25, 2009

DE NADA NOS ADIANTA A FÉ SEM AMOR AO PRÓXIMO.

Muito falamos em fé em nossas vidas. Para tudo recorremos à mesma para que possamos assim, vermos nossos problemas resolvidos. Porém, sempre deixamos de perguntarmos se estamos praticando o maior ato de amor a Deus nosso Eterno Pai: o amor a nosso próximo. Sim, amar a nosso próximo é amarmos a Deus acima de tudo nessa vida. É a expressão máxima de nossa fé n’ele.

Nossa fé é válida sim, temos que tê-la viva em nossos corações para que possamos recorrer aos nossos Orixás e Guias Protetores em vários momentos de nossas vidas. Porém temos que entender que Cristo desencarnou pregado na Cruz, por amor a todos nós, filhos de Deus, seus irmãos.

Amarmos nosso próximo é sim, o maior ato de fé nas promessas de Deus, afinal não é somente nós que somos filhos de nosso Pai. Mas, eis que amar a quem nos ama, a quem nos quer bem, muito pouco tem valia perante a nosso Criador. Temos sim, que amarmos nossos inimigos da mesma forma que amamos a nossos amigos, familiares e todos os que nos são caros.

Ao invés de termos em nossos corações a mágoa, ira, ódio e tantos outros sentimentos negativos, semeemos em nossos corações e almas o amor, pois que, somente ele poderá construir um mundo novo e melhor para todos nós.

Temos que nos atermos ao fato de que nossos inimigos são antes de tudo, companheiros que estão nos ajudando sem saber, a superar as agruras da vida, a alcançarmos mais um degrau em nossa escalada espiritual. Temos que ter em mente, que, essa vida, esse mundo e tudo o mais que faz parte deles, são somente ocorrências passageiras e mais dia menos dia teremos que prestar contas ao nosso Pai Celestial de todos nossos atos praticados nesse planeta.

Amarmos a todos indiscriminadamente é confessarmo-nos repletos de amor por Deus, pois que estaremos praticando uma das máximas de Jesus Cristo: “Amai a seu próximo como a si mesmo”. Jamais devemos tomar a justiça em nossas mãos, afinal Deus colocou nossos Orixás justamente para interagirem em nossas vidas, e eles assim agem em todos os momentos que passamos, sejam eles, bons ou maus.

Assim meu irmãos, lembremos que:

PRECISAMOS SIM TER FÉ, MAS TAMBÉM TEMOS QUE AMAR A NOSSO PRÓXIMO, POIS ASSIM, ESTAREMOS AMANDO A NOSSO PAI QUE ESTA NO CÉU.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

sexta-feira, abril 10, 2009

O VERDADEIRO CONHECIMENTO NÃO SE COMPRA EM BANCAS DE REVISTA

Comumente temos encontrado pessoas que se dizem “conhecedoras” dos mistérios dos orixás e de toda a prática dos barracões e rituais de santo. Mas, ao nos aprofundarmos um mínimo que seja, vemos que são pessoas completamente OCAS sem nenhuma base religiosa.

O que acontece é que compram revistas, que abundam o mercado, leem e depois saem por aí se dizendo pesquisadores de religiões, se auto intitulam “sabedores” dos mistérios e até mesmo alguns se propagam como zeladores de orixá. Quanta baboseira! Em primeiro lugar, deveriam saber que os verdadeiros sacerdotes ou sacerdotisas, JAMAIS proclamam seus conhecimentos aos quatro ventos. Ao contrário: guardam para si as coisas que aprenderam e somente as utilizam quando a necessidade se faz inadiável.

Deveriam também se ater ao fato que zeladores de santo, são pessoas sinceras, honestas e JAMAIS vão se utilizar de seus conhecimentos para prejudicar a quem quer que seja, pois essa é uma prática inconcebível aos olhos de nossas divindades. O verdadeiro zelador é um praticante de uma das máximas de Sócrates: “tudo que sei, é que nada sei”. Isso sim é sermos servidores de nossos santos.

Também existem aqueles que discriminam nossa religião, dizendo que: “estudei o Candomblé, já fui dessa religião..,”, e por aí vai. Mas se esquecem de dizer, se já foram realmente do Candomblé, qual o verdadeiro motivo de seu afastamento, uma vez, que muitos são expulsos de suas casas, por práticas inadequadas ao caráter que se exige de uma pessoa feita de santo. Outros dizem que leram muito e acharam evasivas as práticas litúrgicas. Oras..., como se achar evasivo algo que nada se conhece?

Sim, digo que nada se conhece, pois os segredos litúrgicos, são guardados a sete chaves e pouquíssimas pessoas teem acesso a eles. E as que possuem acesso, nunca andam proclamando pelo mundo afora, muito menos se dedicam a difamarem a quem quer que seja, pois sabem dos juramentos feitos no roncó, quando de sua iniciação.

Ninguém aprende os segredos dessa religião apenas lendo revistas que na maioria das vezes trazem ensinamentos em nada condizentes com a realidade, e quando trazem, são ocultas muitas coisas como as palavras litúrgicas por exemplo.

Em vez de ficarem se propagando conhecedores disso ou daquilo, Esses Aprendizes De Bancas De Revista, deveriam calar-se e buscarem algo real para falarem ou se ocuparem.

Existem ainda aqueles borizados que adoram se proclamarem PESSOAS DO SANTO, e saem por aí falando tanta besteira que passam INÚMERAS VEZES POR RIDÍCULOS! Proclamam-se conhecedores de Candomblé, querem até mesmo bater de frente com zeladores, questionam isso ou aquilo, e isso quando não saem por aí DANDO UMA DE MÃES E PAIS DE SANTO.

Orixá queridos, é muito mais que uma banca de revista ou artigos de Internet, aceito que essa serve para desmistificar as coisas, mas daí a uma pessoa se intitular conhecedor de um assunto tão somente por ter lido isso ou aquilo em um site ou uma revista, é uma longa avenida.

Pelo amor de Deus! Parem com isso, vão ocuparem suas mentes vazias e doentes com algo real e deixem os mistérios dos orixás para quem realmente sabe o que faz!

Dizer: eu já fui do Candomblé é uma coisa, mas quero que me prove que realmente já foi e se provar que me dê motivo justo e plausível para sua saída e ainda mais, para sua discriminação. Condenar obrigações, sem mesmo terem noção do que falam??!!! PROCUREM ALGO REAL PARA FAZER E DÊEM UM SIGNIFICADO A SUA VIDA INSIGNIFICANTE!!!


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP.

odemutaloia@hotmail.com



quarta-feira, abril 08, 2009

O VERDADEIRO USO DOS CONHECIMENTOS SAGRADOS

Muitas pessoas ao entrarem em contato com os segredos dos Orixás pela primeira vez, guiados por verdadeiros sacerdotes, sentem-se maravilhados com a experiência. E não poderia ser de outra forma, afinal, nossa religião é linda e seus segredos, de forças incomensuráveis.

Uma pena que muitas pessoas, levadas apenas pela ganância, fazem com que nossa fé seja um prato feito para o descrédito e para a difamação, ao usarem-na sem o mínimo senso de responsabilidade e preocupados somente com o lucro, culminam por comercializarem a fé.

Outros, sem o menor senso de responsabilidade e sem o devido preparo para o sacerdócio, tão somente se dedicam em fazer o mal para as pessoas, culminam por proclamarem aos quatro ventos, que realizam trabalhos de vingança etc. e tal. Quanta bobagem...!

Deviam se lembrar, essas pessoas que nosso dom, deve ser usado somente para o bem, promovendo a paz entre as pessoas, que nosso principal objetivo é zelar pela vida, e que JAMAIS temos o direito de atentar contra a vida de semelhante, afinal, essa foi dada por Deus a todos, independente de sua cor, credo ou raça. E agirmos de forma contrária a isso, valerá em um futuro, a penas terríveis as quais seremos submetidos, feito marginais, e que muito dificilmente teremos novamente a afinidade com nossos Orixás.

Usarmos nossa fé contra as pessoas é o mesmo que atentarmos contra Deus diretamente, pois todos somos seus filhos. Nossos Orixás, não compactuam de forma alguma com a expressão do mal e sim, com a harmonia que deve habitar em nossos corações e em nossas almas.

O verdadeiro uso do conhecimento sagrado consiste em praticarmos o amor, a tolerância com nossos inimigos, espalharmos o perdão em vez de nos oferecermos em trabalhos de vingança.

Sermos filhos de nossos Orixás significa acima de tudo, amarmos a todos indistintamente e procurarmos apaziguar corações que anseiam por guerra. Por que usarmos nossos conhecimentos para o mal, se podemos canalizar nossa força imensa, para o bem?

Amemo-nos, pois, para que Deus e seus Ministros, nossos Orixás, possam nos dar abundantes dias na terra e a felicidade que com certeza gozaremos nesse mundo e no outro, após o túmulo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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sexta-feira, março 06, 2009

EXCOMUNHÃO NO PERNAMBUCO

Como sacerdote, claro que valorizo a vida e que ela está em PRIMEIRÍSSIMO LUGAR em todas as esferas de minha vida. Luto dia a dia pela moralização de minha religião e pela manutenção da vida, afinal, ela é o maior tesouro que Deus nos concedeu.

Mas, não posso me calar com essa atitude do Bispo de Pernambuco que optou por excomungar os médicos que fizeram o aborto na menina de apenas nove anos de idade, vitima de um estupro e que ainda por cima corria sério risco de morte.

Que me perdoem os defensores de tal idéia, mas, não posso classificá-la de outra coisa que não seja, mesquinha, retrógrada, fútil., obsoleta e simplesmente individualista e de uma classe machista dominante e chauvinista.

Defendo o direito das mulheres acima de qualquer coisa, não entro em questão de aborto ser ou não permitido aqui nesse Blog, pois acho como disse o Ministro da Saúde, “que aborto é questão de saúde publica acima de qualquer coisa”.

Mas, opiniões à parte, pergunto-me por que de uma atitude estúpida de um sacerdote que deveria sim, a meu ver, ficar ao lado da criança violentada por esse MONSTRO que se autodenomina gente, e não entrar em cena com uma atitude que somente vem denegrir a imagem da igreja a meu ver. DIZER QUE O ABORTO FOI MAIS GRAVE QUE O ESTUPRO? TERIA ESSE BISPO, FAMÍLIA POR ACASO?

Será que para a igreja, seria melhor que essa criança morresse ao dar à luz os gêmeos? E isso segundo os médicos, se ela conseguisse levar a gravidez, pois que corria sério risco de morrer.

Já que a igreja deseja se mostrar tão autoritária e excomungar as pessoas, por que não fez tal ato com o PILANTRA que violentou uma criança que deveria estar aos seus cuidados? Onde fica o direito dessa criança, e onde está a moralização? Afinal estupro ao que me consta é contrária a todas as doutrinas religiosas.

Penso que a igreja tem que rever seus pontos de vista, e enxergar que vivemos em um mundo no qual os valores mudaram exacerbadamente e não cabem mais, valores obsoletos como esses que simplesmente amaldiçoam a quem não compactua com seu modo de viver, pensar e fazer as coisas.

Porém, se a atitude desse médico é errada, posso garantir que não é mais errada que a da igreja que por séculos queimou pessoas em fogueiras tão somente por confessarem-se de outro credo.

Excomunguem então seus antepassados que chegaram mesmo a dizer que “preto não tem alma”, frase muito comumente utilizada pelos CARRASCOS da inquisição.

Onde estão os direitos dessas pessoas queimadas? Onde estão os direitos garantidos pela Constituição Federal e pelos vários códigos de lei que regem nossa nação?

E ainda mais: para cada bandido preso, existem correntes de padres, pastores, e membros de arquidioceses defendendo seus direitos, assim sendo, seres malditos como esse monstro, sabem que contam com esses sacerdotes para lutarem por seus direitos.

No mais, só me resta PARABENIZAR ao médico responsável pela execução do aborto e dizer-lhe: NÃO TEMAS A EXCOMUNHÃO, POIS ELA DE NADA VALE, E MILHÕES DE PESSOAS ESTÃO AO SEU LADO!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, março 04, 2009

AMEMOS NOSSOS ZELADORES

Antigamente, um zelador de santo era amado acima de qualquer coisa por seus filhos, mas, hoje, o que vemos é a arrogância tomando conta da maioria dos iniciados no Candomblé, derrubando a hierarquia, desrespeitando todos os tabus que nós, aprendemos com nossos antepassados.

Uma ânsia de conhecimento e de se auto intitularem “zeladores”, faz com que o amor e o respeito sejam delegados a segundo plano. Isso com certeza vem ferir os princípios de ética e moral que sempre existiram dentro das casas de santo. Muitas vezes os zeladores se veem obrigados a aceitarem algumas coisas, para que possam dar seguimento às suas casas, fazendo com que a nossa doutrina não se perca com o tempo.

Algumas pessoas que se dizem zeladores, não possuem o mínimo preparo para exercerem tal função, se levam pela soberba e assim destroem nossa fé cada dia mais. Esquecem-se de que Candomblé é HIERARQUIA E ANCESTRALIDADE, tumultuam as coisas, mentem, caluniam, pisam literalmente em cima de preceitos tão sérios e tão antigos, e ainda existem algumas pessoas que acham que esses estão certos e que a doutrina tem que mudar para acompanhar os tempos.

Sabemos que os tempos são outros, e muito zeladores veem aos poucos mudando suas formas de ver e de fazer as coisas, mas existem coisas que NÃO MUDAM NUNCA, e o respeito aos mais velhos é uma delas.

Esquecem-se de que amar seu zelador é antes de tudo, amar a seu próprio Orixá, pois que foi ele quem escolheu a mão que vai alimentá-lo. Aparecem cada dia mais, pessoas que se intitulam cartomantes, jogadores de búzios e assim por diante, mas sem preparo algum para a dura realidade da vida sacerdotal.

Sim, dura realidade, pois ser sacerdote é muito mais que jogar búzios, muito mais que sacrificar animais, até mesmo porque, sacrifício, não se faz assim a todo instante. Existem momentos e horários próprios para as coisas.

Ser sacerdote é antes de tudo, abrirmos mãos de nossa vida pessoal, é muitas vezes abdicarmos de um fim de semana ensolarado, de nos privarmos do convívio com nossas famílias, para darmos socorro a quem precise.

Mas, se por um motivo ou outro, um zelador, chama a atenção de um filho, esvai-se nesse momento todo o amor que ele professava para seu mestre, e até mesmo as juras que o próprio Orixá fez em relação a seu zelador.

Sinto saudade dos tempos em que, ao tomarmos uma “baixa” de nossos zeladores, nos curvávamos e tomávamos sua benção, pois entendíamos que aquilo era para nosso engrandecimento espiritual. Sinto saudade do tempo em que um zelador era amado de verdade por seus filhos e não questionado em suas atitudes. Mas, hoje em dia, se colocam em duvidas até mesmo os atos ritualísticos que os zeladores executam.

E com isso quem perde, somos nós mesmos, pois que, muitos zeladores mais antigos, estão preferindo se afastarem dos cultos, se preocupando apenas em cuidar de seu Orixá e suas casas terminam por fecharem as portas.

E essa atitude é tomada apenas por quem leva as coisas do Orixá com realidade e não com falsas promessas e nem mesmo com bagunça.

Se amamos nossos Orixás, aprendamos a amar nossos zeladores, pois eles foram escolhidos por nossos Santos, e não por nós.

Lembremos que: A sabedoria verdadeira, somente é passada para aqueles que amam suas casas, seus santos e seus zeladores. E, que fora desses princípios, apenas aprenderemos coisas erradas, marmotagens e NUNCA O VERDADEIRO AXÉ ORIXÁ.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com


sexta-feira, fevereiro 27, 2009

OBÁ

Grandiosa Orixá, guerreira e caçadora, foi uma das esposas de Xangô, é semelhante à Oyá em alguns aspectos. É a ninfa do Rio Obá na Nigéria.

Como uma das esposas de Xangô, Obá sofria com sua predileção por Oxum, vaidosa, linda de corpo, e sempre estava em sua companhia por onde quer que esse fosse. Obá sentia-se muito triste, pois achava que devido a sua forma, era um tanto obesa, Xangô preferia mais Oxum, e assim sendo Obá sofria dia após dia, pois amava incomensuravelmente seu marido, mas esse sempre a desprezava. Não enxergava ele, que grande guerreira e dedicada esposa tinha n’ela.

Certo dia, Obá ao ver que Oxum se encontrava sozinha, perguntou a ela o que a mesma fazia para que o esposo sempre a procurasse, sempre desejasse estar a seu lado, enquanto que ela, Obá, sofria pelo desprezo que lhe dispensava seu amado esposo. Também disse que sentia vontade de dar um filho a Xangô, mas esse não a procurava para nada, e quando ela dele se aproximava, era repudiada de todas as formas possíveis. Então, perguntou a Oxum o que ela fazia, pois também faria ela Obá, não importando o que fosse para que pudesse ser ao menos um pouco amada pelo marido.

Oxum, muito faceira, se mostrou consternada com o sofrimento de Obá e passou a lhe ensinar o que fazia para manter Xangô sempre apaixonado, mas, não sabia Obá, a armadilha que Oxum lhe preparava. Assim sendo, aproveitando-se de que estava com um pano marrado na cabeça e que esse cobria sua orelhas, Oxum disse a Obá:

“Não está vendo esse pano amarrado em minha cabeça e rodeando todo meu rosto? Então; cada vez que minha orelha cresce, eu a corto e faço uma sopa para Xangô e assim sendo, ele se mantém apaixonado por mim”!

Obá, que já não cabia mais em si de amor pelo marido e sofrendo terrivelmente com o desprezo do mesmo, não pensou duas vezes, disse a Oxum que ela queria preparar a comida de seu esposo naquele dia e Oxum prontamente cedeu, pois fazia parte de seu plano, e Obá então não titubeou e decepando sua orelha esquerda, preparou um ensopado para seu esposo.

Mas, ao ver a comida que lhe trazia sua mulher, ele tomou nojo dela, pois a orelha significava para algumas tribos, a representação do órgão genital feminino, e assim sendo Xangô, culminou por expulsar Obá de seu reino, amaldiçoando-a e a proibindo de pisar naquelas terras para sempre.

E assim saiu Obá, desiludida e chorando copiosamente, pois que havia sido vítima de uma armadilha de sua rival Oxum e culminara por receber total repúdio do esposo que tanto amava. Não sabia ela que na verdade, Oxum fez aquilo, pois mesmo sendo mais bonita que Obá, sentia inveja da mesma e temia que Xangô culminasse por preferir Obá, mas, também Oxum não imaginava que Xangô não queria Obá, por ser ela, mais baixa e gorda, e ele, preferia a vaidade a qualquer outra coisa.

Assim sendo, ia Obá caminhando em prantos, quando se deparou com Oyá e essa perguntou-lhe por que das lágrimas, e Obá a colocou a par da situação e da vergonha que passara. Oyá se revoltou com tamanha injustiça e imediatamente arquitetou um plano para que Obá pudesse se sentir vingada:

Como sabia o caminho que Oxum percorria todos os dias para ir até o rio se banhar, ela, Yansã, pegou uma abóbora e a cozinhou de forma que ficasse pronta pouco antes de Oxum passar, feito isso, a abóbora bem cozida e ainda fervendo, Oyá cavou um buraco e ali colocou a abóbora e apenas camuflou com um pouco de folhas para que Oxum não se percebesse. E assim quando Oxum pisou, enfiou o pé naquele buraco e queimou-o profundamente.

Assim, sentindo-se vingada, Obá recomeçou sua caminhada, agradecida a Yansã pela ajuda, e seguiu em frente, e foi adentrando pela mata, até que em determinado momento, não sabia mais como sair daquele lugar. E assim passaram-se dias e ela sem poder sair daquela mata e a fome a castigava terrivelmente.

Certo dia, Odé, o Grande Caçador, aquele que caçava para alimentar todas as tribos da África, a encontrou, e reconhecendo-a e vendo que ela chorava, perguntou o que lhe acontecia.

Ela prontamente lhe contou o que lhe fizera Oxum, do repúdio que sofrera de seu marido Xangô, e de como Oyá a ajudara a se vingar. Porém, Odé notou seu semblante carregado e com traços estranhos e entendeu o que se passava, e perguntou Obá se ela tinha se alimentado, ela disse que não e que a fome a castigava também, assim Odé a alimentou, e antes de partir, disse a ela que deixaria ali, um arco e flechas para que ela pudesse caçar e não mais sentir fome.

Obá agradeceu a Oxossi, mas disse a ele que infelizmente não sabia caçar e assim sendo, não podia aceitar seu presente, pois que nada poderia fazer. Odé compadecido com toda aquela situação, imediatamente se ofereceu para ensiná-la a caçar e assim o fez. Ensinou Obá a caçar e ela nunca mais passou fome.

Hoje em dia, nas casas de candomblé, ela quando dança, imita os gestos de uma guerra, pois que é guerreira, usa adaga e escudo, e tampa o local da orelha decepada, como a sentir vergonha do ato de amor por seu marido, em determinado momento, ela assume sua forma de caçadora e dança imitando os movimentos da caça, aprendidos com Odé, e ao brandir seu Ofá, (arco e flechas), traz a fartura para aquela casa e para todos que a prestigiam.

Seu dia de culto é a Quarta-Feira.

Seus animais de sacrifício são: cabra, galinhas, galinha da angola, pata, e pombos.

Sua comidas são: Acarajé, amalá, feijão fradinho, ebô, acaçá, arroz.

Saudação: Obá Xirê.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com




terça-feira, fevereiro 24, 2009

O BOM MÉDIUM SE DOUTRINA

Nossa mediunidade é antes de tudo, um dom que Deus nos concedeu para que possamos levar segurança, paz e traquilidade às pessoas que necessitem. Frequentemente somos solicitados a intervir em assuntos os mais variados, e sempre nos deparamos com pessoas conturbadas, aflitas, perdias em meio a um mar de percas, desespero, dor e sofrimento.

Nesses momentos é que mais precisamos de nosso equilíbrio, de nossa doutrina pela qual passamos durante nosso aprendizado espiritual, e nossa preparação para o sacerdócio. Temos que saber distinguir as coisas para que possamos encaminhar as pessoas para o que mais necessitam em seus momentos de dor e sofrimento, independente de quais sejam esses.

Mas, se nos falta o equilíbrio, como vamos levá-lo a quem sofre? Sempre nos deparamos, por exemplo, com pessoas que sofrem perseguições de inimigos, visíveis ou invisíveis, e nesse momento a calma, o bom raciocínio é fundamental para um médium.

Não podemos induzir as pessoas à vingança ou qualquer outra coisa que não seja o perdão e o amor incomensuráveis. Pois se agirmos assim, estaremos contradizendo todos os ensinamentos que nossos zeladores, Guias e Orixás nos trazem diariamente. Claro que em algumas situações, temos que tomar medidas para defendermos nossos consulentes, filhos e filhas de santo e até mesmo nossa família, mas, isso não nos dá em hipótese alguma o direito de fazermos justiça com nossas mãos.

Quando encontramos situações em que alguma pessoa nossa se encontra perseguido por forças inferiores, temos que induzirmos a esse ser, a orar e a perdoar seu perseguidor, pois mal muito maior ele, o perseguidor, comete contra si mesmo. Façamos obrigações para neutralizar as forças dos inimigos e não para aumentarmos uma guerra já existente.

Quem lida com a Umbanda e o Candomblé, sabe perfeitamente que as demandas, são batalhas ferrenhas e horríveis, travadas no plano espiritual, o que causa danos aos dois lados, afinal estamos lidando com forças muito além de nossa capacidade mortal e limitada.

Temos de nos lembrar que como médiuns, somos ferramentas das quais se utilizam nossos mentores e orixás, para que possam fazer a caridade a quem precise, e se essa ferramenta não estiver em condições de uso, eles não podem ajudar aos nossos semelhantes.

E como mantermos essa ferramenta em plena condição de uso? Simples: policiando-nos com relação aos nossos sentimentos, colocando o amor e o perdão como bases inatingíveis por espíritos inferiores, nos doutrinando para que ao se aproximarem de nós, os espíritos sem luz, encontrem uma barreira às suas forças negativas e, sobretudo, que encontrem um coração repleto de amor e perdão e assim sendo, eles se afastarão de nós, e essas energias positivas que carregamos em nosso peito, nossa mente e nossa alma, os conduzirá a locais onde espíritos de luz poderão encaminhá-los para que possam se refazer através do arrependimento, e conseguirem alcançar boas energias, e consequentemente, em um breve futuro, passarão a trabalhar em prol da humanidade e não contra ela.

Doutrinemos-nos, aprendamos a afastar de nós as energias negativas, e teremos muito mais êxito em nossa jornada. Lembremos da máxima de São Francisco de Assis: “É PERDOANDO QUE SE É PERDOADO”.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com