foxyform

Contador de visitas

contador grátis

sexta-feira, julho 03, 2009

O ADJÁ


Um instrumento sagrado e sem substituição nos rituais do Candomblé. Na verdade, o adjá ou adjarin, é uma sineta de metal, feito em bronze ou metal dourado ou prateado.

É comum vermos nas rodas de Candomblé, pessoas mais velhas de santo, tocarem esse instrumento que tanto pode ser de duas, três ou mais câmpulas, enquanto dançam para os Orixás.

Seu manuseio, no entanto é vedado aos que ainda são yawôs, ou seja: àqueles que ainda não possuem sua obrigação de sete anos. E também aos não iniciados nos preceitos da religião.

Durante a dança o instrumento serve para invocar e manter a vibração do Orixá na sala, para que a energia não saia daquele local onde está sendo realizada a festa. Quando se dança com algum santo, ou seja, quando uma Ekédi ou um sacerdote ou sacerdotisa dançam acompanhando algum Orixá, o som desse instrumento serve para guiar o mesmo durante o ritual.

Já em determinadas situações como rezas e outras obrigações, o adjá tem a função de chamar nossos Orixás para aquele rito, fazendo com que os mesmos abandonem temporariamente sua morada no Orúm, Céu, para se manifestarem sem seus filhos, ou, quando for um Ogã ou uma Ekédi ou ainda alguém mais velho de santo, ele guia o Orixá até aquele local para que o mesmo possa permanecer ali invisível e assim dar a assistência que seu filho ou crente solicita.

Também usamos o adjá para anunciar o inicio de algum ritual ou para chamar a atenção das pessoas para algum ato importante.

Como tudo no Candomblé, o adjá passa pelo processo de imantação e dado a esse, é que somente pessoas autorizadas podem tocá-lo.

De Exú a Oxalá, todos eles respondem ao chamado desse instrumento litúrgico, bastando que a pessoa saiba como utilizá-lo. Seu som chama a atenção dos Orixás, anunciando que alguma coisa está sendo feita naquela casa.

O adjá provoca o transe das pessoas quando tocado acima de suas cabeças, pois no processo de imantação ele recebe as energias do holocausto que foi oferecido a determinado Santo.

Pessoas que ainda não possuem direito a usá-lo, são imediatamente incorporadas por seu Santo, ao pegarem no mesmo. Nosso zelador utilizou aquele instrumento para chamar nosso Orixá, desde nosso bori até nossa iniciação, assim sendo, como vamos sair tocando adjá sem termos recebido autorização para tal? Vale lembrar que: quando recebemos autorização para manusear esse instrumento, nosso Orixá costuma vir em terra para que seja “quebrada a quizila” e assim, ele possa reconhecer nosso direito.

Usado em cerimônias festivas ou não, o adjá é de suma importância no Candomblé e se você ainda não tem “mão de adjá” ou seja; não está autorizado a fazer uso do mesmo, não faça, não pegue nem utilize, pois as consequências podem ser graves.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com

quinta-feira, julho 02, 2009

OS FUNDAMENTOS NÃO SE MODIFICAM

Com a atual vida das pessoas, muita coisa se modifica e claro que para melhor, porém, uma das coisas que não se modificam jamais, são os fundamentos sagrados de nossos Orixás.

Muita invenção se tem hoje em dia: trocam o santo de uma pessoa feita, quem nunca foi zelador, posa de babalorixá, pessoas totalmente despreparadas se prontificando a tirar tudo que outra tenha, em troca de promessas falsas e por aí vai. Agora inventaram mais uma: CANDOMBLÉ VEGETARIANO! Sim, um Candomblé para quem seja vegetariano e não aceita a matança de animais.

Pergunto-me se esses invencionistas sabem o significado da matança em ritual litúrgico. Se possuem o mínimo de bom senso ao profetizarem tamanha barbaridade!

O holocausto é algo IMUTÁVEL dento dos preceitos do Axé Orixá! Alias, como todos os seus fundamentos, não se modificam jamais! Simplesmente não existe como fazermos um santo, ou mesmo resolver várias questões sem oferecermos o holocausto a nossos antepassados.

Muita invenção vem fazendo com que a seriedade e os verdadeiros conhecimentos sejam perdidos e cada vez mais, pessoas despreparadas se misturam dentro de nossa religião e profanam nossos segredos.

Antes de realizarmos uma matança, existem vários ritos que devem ser seguidos à risca, pois que estamos dando uma vida, no caso do animal, em troca da vida do ser humano. Nunca realizamos uma matança sem real necessidade, até porque não se derrama sangue a todo o instante.

Deviam as pessoas se adentrar realmente nos mistérios, passarem pelo período de noviciado e depois se intitularem zeladores de santo.

Nossos preceitos são passados de pai para filho e nunca, jamais, um sacerdote verdadeiro passa os fundamentos para quem ele não conhece e saiba ter idade de santo suficiente para aprender determinadas “coisas”, pois, nossos fundamentos são passados uma gota aqui e outra ali, sem maiores exageros.

Imagino que essas pessoas que “criam” novas formas de religião sejam na verdade DOENTES que desejam de todo o custo terem seus nomes registrados na historiografia do Candomblé. Também posso afirmar que esses que dizem existir Candomblé vegetariano, são na verdade, PESSOAS QUE NÃO POSSUEM OS SEGREDOS PARA REALIZAREM AS MATANÇAS, e como teem ânsia de serem chamados de pai ou mãe saem por aí inventado modismo e enriquecendo ilicitamente as custas de seus clientes.

CONDENO, pois, todas essas invenções e conclamo aos que realmente fazem um Candomblé sério a se levantarem em defesa de nossa religião que, está se transformando em meio de vida para meia dúzia de pessoas sem índole alguma!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá. Sacerdote e Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP, União Espírita Capixaba.

odemutaloia@hotmail.com

uniaoespiritacapixaba@yahoo.com.br

terça-feira, junho 30, 2009

VAMOS CONVERSAR COM DEUS?

Obviamente que Olorúm, Deus, sempre escuta nossas preces e pedidos e quem as encaminha a ele são nossos Orixás e Guias Protetores.

Sempre que estivermos em um problema maior, devemos nos recolher a um canto e sozinhos e em silêncio absoluto, devemos elevar nossos pensamentos a Deus e aos nossos Orixás e mentalizar tudo que está nos acontecendo e nos machucando. É imprescindível que estejamos mergulhados no maior silêncio possível para que nossa mente não vagueie nos sons externos e assim deturpe nosso pensar.

Uma hora muito boa para isso é na madrugada, pois, o silêncio reina absoluto.

Se Vista com roupas, mesmo as de dormir, mas, claras, e se possível acenda uma vela e ao lado coloque um copo com água. Se tiver mel, adicione umas três gotinhas do mesmo dentro do copo com água, se não tiver, não tem importância, apenas tente colocar água filtrada. Essa vela pode estar no chão mesmo ou em cima de uma mesa de centro, por exemplo.

Acenda ao lado um incenso de mirra, canela, ou rosas. Então, sente-se da forma mais confortável possível em posição de meditação, então, reze um Pai Nosso e uma Ave Maria e ofereça ao seu Anjo da Guarda, e também ao Orixá que preferir. Mas, reze apenas com a mente e com o coração, não permita que sua boca profira qualquer palavra.

Após a oração, deixe seu coração divagar sobre o que deseja, sobre o que o aflija e tão somente com o coração, mentalize e deseje o que deseja. Não tenha pressa em terminar, apenas se entregue ao que está fazendo, com o máximo de fé que lhe for possível.

Após o término, profira um agradecimento a Deus e aos Orixás e Guias Protetores por virem lhe assistir, e termine sempre dizendo a si mesmo, da certeza de ser atendido.

Volte para seu leito, relaxe, e durma, e deixe a vela queimar até terminar. No outro dia, após a vela ter queimado, despeje a água em uma planta sem espinho e não venenosa e a borra da vela pode colocar lá também.

Sempre que desejar, repita esse procedimento, pois muitas vezes temos que insistir em nosso sacrifício para que sejamos atendidos.

Que Olorúm nos abençoe.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gmail.com

segunda-feira, junho 29, 2009

SERMOS ABSTÊMIOS FAZ PARTE DE NOSSO SACERDÓCIO

Com frequencia recebemos reclamações na federação na qual sou filiado e ocupo o cargo de Presidente do Conselho Sacerdotal, de que alguns zeladores teriam consumido bebida alcoólica durante os trabalhos realizados no Axé Orixá. Outros reclamam que não conseguem confiar em determinados zeladores porque constantemente são encontrados alcoolizados.

Iniciei-me nos preceitos dessa religião há 23 anos, na casa da sacerdotisa Indembeleouy, e uma das muitas coisas que aprendi com ela, foi que onde existem bebidas alcoólicas somente encontramos energias inferiores.

Vi vários rituais sendo realizados por pessoas muito antigas no santo e nunca encontrei algum deles que se dedicasse ao consumo de bebida durante os ebós ou outros fundamentos dos Orixás. Ao contrario, sempre os encontrei sóbrios e afastados de tudo que fosse do mundo.

Obviamente que como seres humanos, gostamos de tomar uma cerveja de vez em quando, saborearmos um bom vinho entre outras coisas, mas, jamais podemos misturar esses vícios e demais atitudes dentro da realização de nossos rituais.

A bebida alcoólica é uma necessidade da carne e não do espírito. Dentro de nossos assentamentos, por exemplo, colocamos gotas de vinho moscatel e não litros nem dele nem de outra bebida qualquer. E assim mesmo, utilizamos o vinho, pela representação que ele tinha para as culturas ancestrais.

Para os exús, damos sim a cachaça, mas por ser essa a sua bebida ritualística e não porque exú seja um espírito bêbado ou coisa que o valha. Se observarmos bem, veremos que nossos antepassados tinham o hábito de saborearem goles de pinga antes da refeição, pois que essa lhes abria o apetite. Dentro dos rituais de exú, damos a ele a cachaça por ser ela, um item sacro para essa entidade.

Nós que somos sacerdotes de Orixá temos a obrigação de nos mantermos afastados de tudo que for nocivo ao espírito, até mesmo porque não sabemos em que momento de nossas vidas seremos solicitados para socorrermos alguém que necessite com urgência de nossos dons.

Dentro do sacerdócio, se faz sim obrigatório que nos mantenhamos abstêmios ao menos, boa parte de nossas vidas. Por acaso alguém conhece um zelador de santo que vive enchendo a cara, como se diz, e que tenha uma vida tranquila? Ao menos eu, nunca encontrei.

Essas pessoas que vivem para o álcool, sempre teem uma vida de imensas dificuldades, nunca conseguem passar da roupa do corpo, sempre precisam da caridade alheia até mesmo para comerem, e isso mancha o bom nome de nossa religião.

Se você for realizar alguma obrigação e o zelador ou zeladora estiver consumindo bebida ou mostrando sinais de que bebeu, não faça de forma alguma suas obrigações, pois as consequências podem ser drásticas. Jamais podemos misturar o santo ao profano.

Antes de realizarmos uma obrigação, até mesmo um ebó que seja, temos que nos mantermos longe de bebida e sexo, pois que “contamina” as energias que vamos desprender durante a realização.

Ao darmos um ebó em uma pessoa, ou fazermos um holocausto ou qualquer outra obrigação, desprendemos muitas energias, uma vez que o Orixá as utiliza para interagir na vida de nosso cliente.

Que energia poderemos ceder se estamos alcoolizados ou com nosso corpo sujo de sexo? Com certeza as piores possíveis.

Nossa religião é o lido direto com a natureza e com forças elementais dela e assim, somos obrigados a nos mantermos abstêmios para que possamos estar aptos para a realização de nosso sacerdócio.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

sábado, junho 27, 2009

SERMOS CANDOMBLEZISTAS É TERMOS ORGULHO DE NOSSA FÉ.

Muito se fala em Candomblé, mas, pouquíssimos são os que teem coragem de se identificarem como seguidores dessa doutrina. Omitem-se seja por motivos de discriminação, por vergonha, e tantos outros. No quesito discriminação, teem medo de perderem seus empregos ou de não conseguir emprego, no caso dos desempregados, afinal parece mentira, mas ainda existem empresas que perguntam sobre a religião das pessoas quando solicitam uma vaga.

Outros possuem o medo de se confessarem Candomblezistas ou Umbandistas, por terem amigos na alta sociedade, frequentam sempre esse meio, e se descobrem que são dessas religiões serão discriminados, perderão as vantagens que possuem com aqueles de seu hol.

Por que termos vergonha de nossa religião? Temos sim, que nos confessarmos praticantes dessa doutrina e exigirmos que a Constituição seja respeitada, e com ela nossos direitos.

Conheço até mesmo zeladores que teem medo de se identificarem fora de seus templos, porque perderão as vantagens que possuem em determinados meios que frequentam. Outros sempre dão um jeito de mudarem de assunto quando a conversa desvia para religião, porque sentem verdadeiro horror das pessoas descobrirem que são do santo.

Hoje em dia temos tantas leis e ainda assim insistem em perseguir nossa classe. Temos a lei da homofobia, de combate à discriminação racial e também da discriminação e intolerância religiosa.

O problema é que os primeiros exigem que sejam respeitados em sua opção sexual e sua etnia, o que está corretíssimo uma vez que se a lei existe tem que ser respeitada, enquanto nós candomblezistas e umbandistas, nos escondemos atrás das regras da igreja católica, nos confessamos ser de suas fileiras de fiéis ao invés de nos anunciarmos praticantes da religião afro-brasileira.

Enquanto nos omitirmos, JAMAIS seremos respeitados, pois quem mais pode lutar por nós se nos escondemos atrás de dogmas que nunca foram nossos?

Temos que entender que a era do sincretismo já passou há muito tempo, e se era usado era tão somente porque, primeiro os senhores de escravos e depois as leis do país exigiam que fôssemos “cristãos” não podendo termos outra religião. Mas, graças aos estudos que foram à fonte de desmistificação de muita coisa, viram que nós somos tão CRENTES como qualquer membro de igreja, pois crente é todo aquele que crê em algo, e nesse caso, mais precisamente em Deus e seu filho Jesus.

Após esse entendimento, leis foram criadas, nos garantindo o direito supremo e inalienável de termos nossa religião respeitada e a Carta Máxima da Nação, segue o que foi proclamado em 1948 na Declaração dos Direitos Humanos da ONU, em seu artigo 18º que assim diz:

“Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos”.

Oras, se a Constituição do Brasil e a ONU nos garantem o direito de escolhermos e praticarmos nossa religião livremente, por que vamos no calar, perante aqueles que se julgam e agem como nossos algozes como se estivessem no século XV?

Por que nos omitirmos quanto a nossa religião, se tantas coisas belas existem nelas? E ainda existe algo gravíssimo: SOMOS PROIBIDOS DE ENTRAR EM HOSPITAIS E PRESIDIDOS PARA DARMOS ASSISTÊNCIA AOS QUE DESEJAREM, E ISSO TAMBÉM FERE A CONSTITUIÇÃO. Vejamos o que ela diz:

“VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.”“.
Ao que podemos observar, “entidades Civis e Militares” subentende-se como hospitais e presídios, então, por que nos coíbem de nossos direitos garantidos por lei? Por isso tudo irmãos amados, é que devemos sempre estarmos atentos ao que dizem nossas leis, nosso código civil e criminal e estarmos muito cientes de nossas obrigações e de nossos direitos.

Até mesmo o casamento celebrado em templos de Umbanda e Candomblé possuem valor jurídico, basta os nubentes estarem aptos a se casarem e a casa estar devidamente legalizada na Federação, Receita Federal e outros órgãos, isso também nos garante a lei!

Então mais uma vez eu pergunto? Por que termos vergonha de nossa religião? Por que nos escondermos em crenças e dogmas que não nos pertencem de forma alguma?

Agirmos assim é nos acovardarmos perante aos nossos antepassados, pois que plantaram seu conhecimento em nosso país, com seu suor e seu sangue, o mesmo que deram para construir essa nação que tanto amamos!

Sejamos nós mesmos! Não nos curvemos perante a imposição de outros e exijamos que nossos direitos sejam respeitados!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi. Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

sexta-feira, junho 26, 2009

NANÃ BURUQUÊ OU BURUKÚ

Grande Senhora muito cultuada em todos os candomblés e também muito temida por todos, por ser a Senhora das almas danadas e impossíveis.

Muitas são as lendas em torno dessa personagem da mitologia afro, mas, em uma coisa todos concordam, ela foi a primeira esposa de Oxalá.

Durante sua vida na terra, teria ela sido uma Yabá muito vaidosa, e foi justamente essa vaidade que fez com que ela renegasse seu filho Omulú, abandonando-o dentro do pântano. Essa atitude de Nanã foi pelo fato de ele ter nascido com várias doenças de pele, e ela, vaidosa como não havia outra igual, não se permitia cuidar de uma criança com tantas chagas, pois que essas lhe traziam repugnância.

Omulú teria sido recolhido por Yemanjá a qual comunicou o fato a Oxalá e esse tomado de ira, a condenou a gerar somente filhos anormais. Ainda não satisfeito Oxalá a expulsou de seu reino e determinou que ela fosse residir no mesmo lugar no qual abandonara seu filho.

Desde então, Nanã tornou-se o Orixá mais temido de todas tribos da África e dentre essas, algumas conservavam o ato de as pessoas se jogarem no chão todas as vezes que seu nome fosse pronunciado, pois temiam sua ira.

Tornou-se ela, a dona das doenças cancerígenas com as quais pune àqueles que lhe desobedecem ou faltam o respeito. Após se transladar ao Orúm, sempre vem acompanhada de seu filho Omulú, e ainda é a protetora dos idosos, doentes, das pessoas que possuem deficiência nas vistas e também dos desabrigados.

Sua origem religiosa se dá no antigo Daomé, hoje a atual república de Benin.

Assim sendo, ela é cultuada como Vodun por esse povo e pela nação Gêge aqui no Brasil. Já nos Kêtos e Angolas é cultuada respectivamente como Orixá e Inkisi.

Carinhosamente é chamada de avó dentro das casas de Candomblé, pois que para as lendas, ela é o mais antigo dos Orixás e através dela é que todos, inclusive os Orixás, puderam nascer. Afinal todos somos feitos à partir da lama.

Seu instrumento é o Ibiri, feito a partir de nervuras de dendezeiro e traduz seu poder entre a vida e a morte, pois é ela, quem guarda e governa os portais por onde passamos ao nascermos e depois ao morrermos.

Dado ao seu incomensurável poder, é Nanã a senhora das almas, da morte, dona da chuva, do mangue, da lama, das doenças e de várias ciências, também é dona e nos protege das enchentes.

Seu culto segundo os africanos é o mais antigo de todos, até mesmo mais antigo do que o ferro, descoberto por Ogum e cedido à humanidade para lhes facilitar o trabalho na terra, e por isso em seu culto não se usariam objetos cortantes.

Nos candomblés dos zeladores mais antigos, ao se pronunciar seu nome, se colocava a mão sobre a boca e emitia-se um som. Esse ato é ainda usado dentro da nação Angola, ao se fazer sua reza e na saída do iniciado quando gritamos: Eminakuêra, uuuuuuuuuuuu.

Segundo sacerdotes antigos, as pessoas desse santo, não podiam ter casa aberta, uma vez que não poderiam jamais raspar um yawô e isso pelo fato de ela ser a senhora da morte e nunca sabermos como ela virá em sua manifestação.

Se bem cultuada eleva seus filhos em sua vida material e financeira e esses possuem muita inteligência. Dificilmente encontramos um filho de Nanã que passe por dificuldades maiores. Sendo a fartura uma característica sua. É sincretizada com Nossa Senhora Sant’ana.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.
odemutaloia@hotmail.com



quarta-feira, junho 24, 2009

INTOLERÂNCIA CAUSA PRISÃO NO RIO DE JANEIRO

Com muita alegria li essa matéria no Site do G1 <http://g1.globo.com> e confesso que meu coração se alegrou, pois finalmente a justiça contra os que agem com menoscabo contra os Umbandistas e Candomblezistas pelo Brasil afora está sendo feita.

Diz a noticia que uma delegada do Rio de Janeiro, a Drª Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, informou que essa seria a primeira prisão para esse tipo de crime no referido Estado.

Os citados são o pastor Tupirani e um outro membro da mesma igreja, denominada Igreja Geração Jesus Cristo, e eles foram presos na zona portuária do Rio, suspeitos do crime de Intolerância religiosa.

A delegada informou ainda, segundo a matéria, que esses presos são responsáveis pela veiculação na Internet em que uma pessoa que se diz chamar Afonso Henrique se refere com menosprezo a pais de santo.

A denúncia teria sido feita pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa ao MP, Ministério Público, registrando a queixa no dia 17, Quarta Feira e a prisão se deu no dia 19, Sexta Feira.

Embora a prisão dos dois seja ainda em caráter provisório, mas já alcança um ótimo avanço das religiões de matriz africanas. Afinal sempre somos tratados com desprezo, com termos pejorativos e nada se tinha feito até então.

Aproveito esse espaço para repassar essa notícia e solicitar a todos os irmãos e irmãs que se sentirem vítimas de tais atos, que se encaminhem a Delegacia mais próxima de seu templo ou de sua residência e ali faça um Boletim de Ocorrência, não podemos permitir que continuem agindo de forma cruel, vilipendiando nosso nome e o nome de nossa fé e de nossos antepassados.

Essa com certeza foi à primeira de muitas outras medidas que serão tomadas a partir de agora, colocando um ponto final em todas essas ondas de ataques que temos sido vítimas em toda a história de nossa fé.

Lutemos por nossos direitos e exijamos que a lei seja cumprida! Vivemos em uma democracia e temos nossos direitos garantidos por lei.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

Fonte:<http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1201265-5606,00-PASTOR+E+INTEGRANTE+DE+IGREJA+SAO+PRESOS+SUSPEITOS+DE+INTOLERANCIA+RELIGIOS.html > Acesso em: 22 jun.2009

terça-feira, junho 23, 2009

CONTRA EGUM

Dentro de todos os rituais do candomblé ele está presente e sua importância é imensa nos nossos preceitos. Mas, o que é contra egum?

É um utilitário trançado a partir da palha da costa. Sua confecção se dá com o corpo limpo das impurezas da carne e com rezas de santo feitas durante todo o tempo em que se está confeccionando o mesmo. Também existe a reza para se colocar o contra egum e para retirá-lo da pessoa.

Segundo os mais antigos, ele pertence a Obaluayê e serve para afastar espíritos desencarnados da pessoa que está passando pela obrigação. É de grande significado, pois com suas rezas e posteriormente com sua imantação através de determinados banhos, ele não permite de forma alguma que espíritos de mortos se aproximem de quem o s está usando.

Devemos utilizar os contra eguns mesmo depois de nossos preceitos cumpridos e, sempre que formos a algum hospital, cemitério, delegacias, ou mesmo visitarmos um doente crítico. Dentro de hospitais os utilizamos por ser esse local, um verdadeiro “paraíso” dos mortos, no cemitério dado a ser o local de descanso para nossos entes queridos, e em delegacias e presídios por serem locais infestados de energias negativas.

Algumas pessoas alegam que contra egum pode ser utilizado nos braços, nas pernas ou na cintura, mas isso é um erro. O contra egum somente é utilizado nos braços, o que se usa nas pernas tem outro nome, assim como o que se usa na cintura.

Nas pernas usamos o OPACHORÔ que também pertence a Obaluayê e nesse utiliza-se um guizo preso, pois seu barulho espanta os eguns. Já na cintura usa-se o cordão umbilical que representa a ligação direta do iniciado com seu Orixá.

É importante lembrarmos que ao usarmos os contra eguns nem mesmo Caboclos, Pretos Velhos ou outra entidade qualquer se aproxima de nós, muito menos se incorporam, pois são esses espíritos de desencarnados e assim não se comportam dentro dos segredos do Candomblé.

Sempre que tivermos utilizando contra egum, estamos impossibilitados de praticarmos sexo e de consumirmos bebidas alcoólicas, pois, que nessa fase, nosso Orixá está diretamente ligado a nós e como sabemos, essas coisas lhes são completamente estranhas.

Vale também lembrar que na Umbanda não se usa contra egum, porque suas rezas, sejam para confeccioná-los ou mesmo para retirá-los e colocá-los no médium, são pertencentes tão somente ao Candomblé e que na Umbanda não se conhece as mesmas.

E se por ventura você estiver usando contra egum, não se envergonhe, ao contrário; tenha orgulho do mesmo, pois pertence a uma religião muito mais antiga que o cristianismo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com


MAIS UM CASO DE INTOLERÂNCIA ASSOLA A CIDADE DO RIO DE JANEIRO!

A intolerância religiosa, continua crescendo, e muito pouco estamos fazendo para salvaguardar nossos direitos. Vejamos o texto que me foi enviado por esse nosso irmão Yango D’Obaluayê que me autorizou sua publicação:

Madrugada do dia 10.06.09, por volta de 02 hs da madrugada, vândalos ou talvez delinquentes invadem a “Tsara Antal Kóczé" - Santuário de Santa Sara Kali - localizada na Estrada do Gabinal, 1799 - Freguesia - Jacarepaguá - Cidade do Rio de Janeiro, Brasil BR, que tem como responsável o Barô Joelmir Amrmendro (mais conhecido como Pai Joelmir D. Oxossi).

Segundo relato de Pai Joelmir o ataque deve ter acontecido de madrugada, pois naquele mesmo dia ele passará hora antes a invasão e tudo parecia normal. No dia seguinte seguindo os seus rituais de rotina e junto a sua esposa Sra. Beatriz Machado e seus filhos, viu sinais de arrombamentos, janelas quebradas, de início pensou em assalto, mas logo que a adentrou o santuário sagrado, viu o que nunca gostaria de ter visto, o seu altar totalmente depredado, imagens de Santa Sara de Kali e de NSra. Aparecida Padroeira do Brasil quebradas, vidros por toda parte, sinais de urina jogados no altar e na parede, sangue em algumas partes das dependências do Santuário, imagens ciganas e vasos totalmente destruídos, pertences de cultos espalhados por toda parte do salão, e o mais interessantes, produtosde valor intactos sem serem levados ou roubados, a cozinha foi totalmente remexida, alguns alimentos foram levados e o dinheiro sagrado do altar também já não estava mais lá.

A Ocorrência foi registrada como: Preconceito de Raça, Cor , Etnia,Religião ou Procedência Nacional (Lei 7.716/89) capitulo artigo 20 da mesma Lei (Lei Caó).

Dia 14.06.09 às 10h da Manhã haverá um manifesto em frente a Tsara, onde a Santa Sara restaurada, será imantada e posta novamente em seu altar.

IRMÃOS TEMOS QUE FAZER ALGUMA COISA, NÃO PODEMOS PERMITIR DE SERMOSVILIPENDIADOS DE PROFESSAR A NOSSA FÉ, NÃO DEVEMOS PERMITIR QUE NINGUÉM POSSA ABUSAR DE NOSSA ANCESTRALIDADE, DE NOSSOS ANTEPASSADOS, A JÓIA RARA E VALIOSA DE NOSSA CULTURA E DE NOSSA RELIGIOSIDADE, TEMOS QUE DAR UM BASTA.

A NECESSIDADE URGENTE QUE AUTORIDADES ASSUMAM SEUS PAPÉIS ESTAMOS CHEIOS DE MEIAS VERDADES, DE MEIAS POSIÇÕES, MEIAS AÇÕES, QUE NÃO VEMOS NUNCA ACONTECER, ONDE ESTÁ OS NOSSOS DIREITOS? ONDE SE ENCONTRA A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA QUE É RASGADA DIARIAMENTE! PRA QUE SERVE O CONGRESSO? A ONDE ESTA A CÂMARA DE VEREADORES QUE SÃO ELEITOS PARA DEFENDER A CIDADANIA DOS CARIOCAS, A ONDE FICA ESTA TAL FISCALIZAÇÃO QUE NÃO APARECE NUNCA! QUANDO DEFATO E DE DIREITO SEREMOS RESPEITADOS?*

segunda-feira, junho 22, 2009

SATANISMO E ADORAÇÃO AO INFERNO NUNCA FOI CANDOMBLÉ

Existem pessoas sem escrúpulos que andam a anunciar aos quatro ventos, que, nós praticantes do candomblé somos adeptos de lúcifer e de seus anjos trevosos. MENTIRA !

Porém essa mentira encontra guarida em FALSOS SACERDOTES que culminam por dizerem para as pessoas que; após sua obrigação, teem que esquecer de Deus, pois quem lhes dará tudo daquele dia por diante é o diabo. CALÚNIA, DIFAMAÇÃO E FALTA DE CARÁTER!

Sou sacerdote de Candomblé, com 23 anos de feito, pratico Umbanda por amor e nunca vi tamanha barbaridade como essa! Candomblé nada tem a ver com esse ser trevoso que nada tem para oferecer às pessoas. Temos, sim a ver com Deus nosso Pai Celestial e com seus Ministros nossos Orixás! Esses sim possuem tudo que desejamos nessa vida.

Andam por aí esses FALSOS SACERDOTES, pregando que fazem e acontecem, mas, se formos observar suas vidas veremos que vivem em petição de miséria e que muitas vezes nem mesmo o que comerem teem em suas casas.

Claro! Andar pregando os infernos para que possam trabalhar para as pessoas? Em minha opinião isso é no mínimo ridículo e deveriam essas pessoas serem presas, terem até mesmo seus direitos religiosos suspensos em todo o Território Nacional.

Se por acaso você que está lendo essa humilde página foi levado a ouvir essas arbitrariedades, não tema: denuncie o fato à federação e exija que atitudes sejam tomadas para coibir tais atos.

Esses que pregam o satanismo são tão ridículos que ensinam para seus filhos e consulentes que a palavra Candomblé significa magia negra!

Que vão primeiro se formarem como sacerdotes, aprenderem primeiro a falar coisa séria e não essas asneiras que somente saem da boca de quem não tem preparo algum para nada a não ser ROUBAR dinheiro dos outros que de boa fé, entregam seus problemas em suas mãos.

Amarmos nossos Orixás é sobre tudo, amarmos a Deus em primeiro lugar é temermos sua ira e termos a consciência de que a ELE VAMOS PRESTAR CONTAS DE NOSSOS ATOS E NÃO AO INFERNO E SEUS MÍSEROS HABITANTES!

A palavra Candomblé tem significado em nada parecido com diabo, capeta, ou seja, lá o que for. A palavra Orixá, como já expliquei inúmeras vezes tão somente significa Guardião da Cabeça, ou seja: Anjo da Guarda para ficar mais claro. Mas, pessoas sem índole, sem preparo algum, andam por aí dizendo que nossos Orixás são capetas. Só se capeta forem eles, que mentem e roubam usando o nome sagrado de nossos antepassados.

Se temos até mesmo que zelarmos da natureza, pois nele moram nossos Santos, se somos proibidos de usar drogas, se somos aconselhados a viver sem bebida alcoólica em nosso dia a dia, e também a não roubar nada, como podemos servir a esse ser Inferior?

Temos sim, que combater essa prática ridícula que macula de todas as formas nossa fé e que somente serve como meio de vilipêndio. Nunca nossa fé teve algo a ver com seres funestos. Ao contrário, amamos a natureza e Deus acima de tudo!

Não se deixe enganar prezado leitor, amamos somente a Deus e nada mais, e se amamos nossos Orixás, é somente porque esses são a expressão de nosso Criador.

Use seus direitos, exija providências da federação e se afaste de pessoas que pregam tais inverdades.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com