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quinta-feira, dezembro 16, 2010

ORAÇÃO DOS PRETOS VELHOS

Senhor, Pai, que sois o poder, a bondade, a misericórdia, olhai por aqueles que acreditam em vossa bondade, poder e misericórdia.


Daí, Pai, aos que vacilam no vosso poder, na vossa misericórdia e bondade, a clareza de clareza de pensamentos e abri-lhes Senhor, os olhos para que pratiquem sempre a bondade, a caridade para com os outros, reconhecendo assim vossa existência, poder e misericórdia, bem assim, vosso Reino.

Senhor perdoai aqueles que a escuridão ainda não deixou ver os erros cometidos na sua passagem por esse planeta. Daí, senhor, a eles que sofrem a luz do vosso imenso amor.

Que a luz do vosso imenso amor nos ilumine neste mundo e em outros que ainda desconhecemos, mas, que cremos se mais difícil atingir. Oh! Pai, a nós pecadores aceitai o nosso arrependimento dos erros que temos cometido, oh! Pai, pela vossa sagrada bondade e paixão, consenti que caminhemos até vós pelo caminho da perfeição.

Assim seja.


quarta-feira, dezembro 15, 2010

SANGUE, ALIMENTO SAGRADO DOS ORIXÁS

É comum vermos pessoas que não seguem nossa filosofia religiosa se alimentarem de sangue, como na galinha ao molho pardo e no chouriço, por exemplo, mas, para nós adeptos do axé Orixá, esses alimentos não podem de forma alguma fazer parte do cardápio.

Acontece que o sangue, é o alimento sagrado das Divindades, ou seja, de nossos Orixás e somente a eles é dado o direito de saborear deste. O sangue nada mais é que a essência da vida. Sem ele a vida simplesmente não existe, assim sendo, para nós, seres mortais, não é dado o direito de consumo do mesmo.

O tabu existe desde o mais remoto dos tempos, pois, em muitas outras religiões como no Islamismo, por exemplo, não é permitido de forma alguma se consumir sangue dos animais abatidos.

Ao imantarmos um assentamento de Orixá, exú, egum ou outro qualquer, qual o principal item para que essa imantação seja concretizada? O sacrifício de um animal. Como então, nós, seres humanos, poderíamos comer daquilo que é justamente a imantação de nossos ibás?

Quando derramamos o sangue de um animal, estamos dando aquela vida como forma de sacrifício às divindades para que elas nos façam algum favor em troca. Se sacrificamos em prol de nossos Orixás, estamos alimentando um ser ancestral que nos protege e nos guia nos caminhos que Olorúm designou para cada um.

Assim sendo, temos que manter o respeito e não comermos de seu principal alimento. Se sacrificamos uma galinha em nossa casa para o consumo da família, o certo é que seja feito esse sacrifício dentro de um tanque, e a torneira seja aberta para que a água leve aquele sangue embora. Não devemos derramar sangue no chão.

Não devemos sob hipótese alguma, deixar que sangue seja derramado no chão, pois seres negativos podem ali se alimentar e trazerem consequências sérias para nossas vidas.

Existem algumas pessoas que acham que esses tabus são invenções dos mais velhos. Mas, posso garantir que não. Ao nos alimentarmos do sangue, estamos ferindo os preceitos das leis dos Orixás e isso nos trará com certeza sérias consequências em nossas vidas, pois as leis existem para serem cumpridas.

Não devemos matar animal algum que não seja para nosso alimento ou para algum ritual onde haja a real necessidade do holocausto, pois uma vida não se tira em vão. Não se derrama sangue pelo simples motivo de se desejar, mas sim, por existir uma necessidade muito grande e imprescindível.

Somente aos Orixás e às demais entidades, competem determinados alimentos e atos, e a nós compete a obrigação de zelarmos para que esses preceitos sejam respeitados e que nossa religião seja respeitada em toda a sua grandeza.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.


terça-feira, novembro 09, 2010

O NOSSO ANJO DA GUARDA

Como todos nós sabemos cada ser humano possui seu anjo da guarda. Esse é um espírito concedido por Deus, para nos guiar e nos orientar em todos os momentos de nossa vida. É ele na verdade, uma espécie de mentor espiritual, e sempre nos guia para os caminhos do bem, e muitas vezes quando ouvimos o que chamamos de “nossa voz interior”, é na verdade esse espírito quem nos fala.

Dentro do Candomblé sempre cuidamos de nossos Orixás, acendemos velas, damos comidas secas, obrigações com rituais mais profundos, mas muitas vezes esquecemos-nos de alimentar nosso Anjo da Guarda.

Temos sim, que cuidar de nosso Anjo Protetor, da mesma forma que cuidamos de nosso Orixá, apenas diferenciando o culto. Quando passamos por uma obrigação, são cuidados nossos caminhos, nossos Orixás, Exú e até mesmo o egum de nosso Santo, mas, ao sairmos do preceito da obrigação, é bom que cuidemos de nosso Anjo Guardião.

Obviamente que para ele, não oferecemos matança nem mesmo comidas secas, pois é um espírito pertencente à outra esfera, e assim sendo, dispensa os tributos que ofertamos a nossos antepassados.

Para cuidarmos de nosso Anjo da Guarda, basta que mantenhamos em local mais alto que a nossa cabeça, um prato ou pires com uma vela de sete dias branca acesa e ao lado um copo com água, de preferência filtrada. Ao colocarmos a vela e o copo neste local mais alto, basta que rezemos o Pai Nosso, Ave Maria, Salve Rainha, um Credo e um Santo Anjo do Senhor, aquela mesma oração que nossas mães nos ensinaram quando ainda crianças.

Ao apagar essa vela,devemos imediatamente acender outra e trocarmos a água despejando aquela em uma planta que não seja venenosa.

Ao fazermos isso, e cuidando de nosso Orixá, estaremos sempre em dia com nossas obrigações e assim sendo, será muito mais difícil algum inimigo oculto ou não, nos atingir.

Sempre devemos nos cuidar, pois as forças inferiores,sempre nos rondam buscando pontos fracos para nos atingir e assim destruir com nossas vidas e nossas conquistas.

Comumente vemos pessoas que por mais que façam obrigações,não param de sofrer e muito pouco conseguem alcançar. Isso não significa que o zelador fez algo de errado ou que aquela pessoa não esteja sendo merecedor dos favores das divindades, pode estar ocorrendo, que, seu anjo da guarda esteja enfraquecido, ou mesmo esquecido no tangente ao zelo por parte de seu protegido.

Não compete ao zelador de santo, cuidar de nosso anjo da guarda, mas sim a nós mesmos. Não devemos esquecer jamais desse ser que nos guia em todos os momentos de nossa vida, pois o que seria de nós sem ele?

Ao acendermos uma vela para nosso anjo da guarda, estamos mantendo um contato direto com um ser de muita elevação e assim sendo, temos que estar sempre de corpo limpo, com nosso coração livre de qualquer sentimento inferior.

Se formos médium de Umbanda é bom antes dos trabalhos, deixarmos acesa uma vela para nosso Anjo Protetor, para que ele nos auxilie, evitando, por exemplo, que espíritos inferiores e obsessores, tentem se passar por nosso guia protetor, ou até mesmo, que esses seres, suguem nossas energias vitais, no momento em que estivermos incorporados.

Cuide de seu anjo da guarda, ore para ele, faça seus pedidos e verá que muita coisa se transforma em sua vida.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.











segunda-feira, setembro 27, 2010

ESCOLA DOMINICAL

É comum nos templos Cristãos, a escolinha dominical, onde ensinam seus filhos, a doutrina de sua fé, onde os colocam amantes de sua prática religiosa e assim evitam que eles, os pequeninos se aproximem de outras religiões e, até mesmo incentivam que, seus filhos, levem coleguinhas de escola, vizinhos, para a escolinha a fim de que possam introduzi-los em sua doutrina.

Infelizmente não vemos o mesmo acontecendo nos Templos de Umbanda e Candomblé. Poderiam seus sacerdotes, convidarem professores que ali frequentam, para que nos domingos, desenvolvessem trabalhos sobre a cultura negra, por exemplo, a fim de colocarem em prática o que já está previsto em Lei, incentivando assim, que nossos pequeninos, se mantivessem dentro de nossa fé, e dela não se envergonhassem nas ruas.

Se quisermos combater o preconceito e a intolerância, eis aí uma grande arma: educar nossas crianças e jovens! Poderiam dentro das escolas dominicais, estudarem sobre os antepassados, sobre a mãe África e ainda aprenderem sobre o risco da ingestão de bebida alcoólica, drogas, sobre o risco do sexo sem proteção, do aborto e da gravidez na adolescência, e estariam assim, nossos Templos, exercendo sua função de cidadania.

Nossos Templos têm essa função mas muitos poucos são os sacerdotes que se dedicam de alguma forma para tal ato.

Ao introduzir as escolas dominicais, estariam fazendo com que nossos jovens e nossas crianças tivessem armas para se defender do preconceito que sofrem nas escolas quando se descobre que são adeptos ou filhos de adeptos das religiões de matriz africana. Isso se dá tão somente pela falta de informação.

Obviamente que muito ainda temos que fazer para acabarmos com esses males que assolam nossa comunidade. Leis foram criadas para garantir nossos direitos, mas, enquanto não colocarmos em prática ações como esta,dificilmente, veremos nossos direitos respeitados.

Enquanto isso, crianças são doutrinadas para os julgarem adeptos de satã, filhos do capeta e nada fazemos para dar combate a isso.

Assim,fica aqui a sugestão: que todos os Templos de Umbanda e Candomblé abram suas portas aos domingos, para que essas escolas funcionem, para que essas crianças e jovens sejam doutrinadas de acordo com nossas leis, que aprendam a respeitar e a amar nossos princípios, pois somente assim poderão se defender durante a intolerância e a perseguição que se faz presente em nosso mundo. E ainda, que eles possas ter acesso à palestras sobre temas tão importantes que possam alertá-los sobre drogas,álcool, gravidez e aborto, lembrando que esse ultimo, agride diretamente aos preceitos de nossa amada mãe Oxum.

Tatetú N'Inkisi: Odé Mutaloiá







sábado, setembro 11, 2010

Obrigação de Final de Ano!

Queridos Amigos e Clientes;

Sempre preocupado com seu bem-estar e vendo chegar mais uma passagem de ano, venho oferecer a chance para que todos tenham acesso a uma firmeza para o início do próximo ano. Sabemos como é extramamente importante que tenhamos um início de ano com o pé direito, assim sendo, disponibilizo oferendas individuais para que cada pessoa tenha a chance de ter um ano com mais paz, saude, prosperidade e amor. Conhecedor da atual conjuntura financeira do país, disponibilizo de uma ferramenta ao qual você poderá programar o seu valor de investimento para a transição do ano.

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Interessados entrar em contato:

odemutaloia@hotmail.com

quarta-feira, setembro 01, 2010

TEMOS QUE RESPEITAR A CIÊNCIA E OS TRATAMENTOS MÉDICOS

Muitas vezes nos deparamos com sacerdotes, e até mesmo com entidades que determinam que as pessoas parem de tomar seus medicamentos, pois terão a cura através da espiritualidade somente, e isso acontece até mesmo dentro de algumas igrejas evangélicas.

Acontece que isso é um erro muito grande. Se assim fosse, grandes médiuns como o saudoso Chico Xavier, não teria ido ao médico durante sua vida. Tantos pastores não usariam óculos, por exemplo, e nenhum padre precisaria tomar medicamentos nem mesmo zelador de Santo morreria.

Não que eu não acredite na cura através da fé, ao contrario, sei que a fé ajuda e muito na cura de vários males, inclusive já presenciei várias curas através dela, mas enfatizo que o tratamento clínico é necessário sim. Não podemos simplesmente mandar uma pessoa abrir mão de seus medicamentos, pois não estudamos medicina.

Sermos sacerdote é antes de tudo sermos conscientes da realidade e essa nos obriga a enxergarmos a realidade das coisas do mundo. Eu, por exemplo, uso óculos e faço uso de medicamentos controlados, antes, quando comecei meu tratamento, fui a várias pessoas jogar e todas disseram a mesma coisa: “seu problema é físico, tem que ser cuidado pela medicina”.

Lógico que acendo minhas velas e arreio minhas comidas ao santo na esperança da ajuda, mas, por nada nesse mundo abro mão de meus medicamentos que tanto me ajudam em meu dia a dia.

Temos que entender que zelador é ser humano e não um deus como pensam muitos. Temos problemas e muitas vezes muito maiores do que possuem os que nos procuram, e temos que estar aptos a ajudar e para isso temos que nos cuidar.

O uso da medicina é sim, de suma importância na vida do ser humano e penso ser uma total irresponsabilidade quando um sacerdote seja de qual religião for, orienta e pessoa a parar com seus medicamentos.

Se a medicina não fosse necessária, Deus não a teria criado.

Temos que respeitar uma pessoa que passa uma vida estudando e que tem a capacidade, por exemplo, de abrir uma pessoa e devolvê-la com vida para o mundo. Outras que possuem o dom de entender a mente humana e assim por diante.

Que seria de nós sem a medicina?

Posso garantir que não seria muita coisa, pois graças a seus conhecimentos, é que a raça humana ainda existe nesse planeta. Assim, se você, meu irmão ou minha irmã, pratica o sacerdócio, nunca oriente a quem quer que seja a deixar de lado seus medicamentos, ao contrário: faça um trabalho paralelo, pois as duas energias juntas conseguirão grandes êxitos.

Para você que estiver lendo essa postagem humilde e segue algum tratamento, não se deixe enganar por falsos profetas e abandonar assim seu tratamento médico, pois sem ele, sua matéria sucumbirá e seu espírito pode ter sérias consequências. Faça seu tratamento espiritual, mas, siga com o clínico e verá quanta coisa mudou.

Eu, simples sacerdote, quantas vezes já me disseram para largar meus medicamentos, mas somente eu, sei o que se passa comigo quando estou sem eles.

Isso é fanatismo e não fé! Orixá cuida do espírito e a medicina da matéria!

Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.


sexta-feira, agosto 27, 2010

EXISTEM SIM, AQUELES QUE NÃO PRECISAM SER RASPADOS.

Em postagem anterior, falamos sobre a importância da feitura e o porquê de uma pessoa ser raspada para que possa ser iniciada nos preceitos dos Orixás. Tenho recebido alguns e mails de pessoas questionando se são lendas as afirmações de que existem algumas pessoas que não precisam ser raspadas.

Sim, essas pessoas existem sim, mas são raras. São pessoas chamadas de Abikú, ou seja: já vêm prontas antes mesmo de seu nascimento. A essas pessoas é dado todo o preceito do Santo, mas seu cabelo não é retirado.

São feitos outros tipos de fundamentos, que somente zeladores preparados podem realizar, pois senão forem feitos de forma correta, podem acontecer coisas terríveis com a pessoa e essas não terem mais retorno.

Os abikús são pessoas sensíveis com uma mediunidade aguçada e avançada e precisam de auxilio especial, pois muitas vezes são incompreendidos, pois têm uma percepção que vai além do alcance de seu aprendizado.

Porém, seu processo de iniciação é diferente dos demais, justamente por ser ele, uma pessoa que dispensa a iniciação comum. Claro que ele passa por obrigações, mas, ao contrário do iniciante comum, não cumpre os sete anos de yawô, pois já nasce com sete anos.

Seu ibá já posto no alto, mas, repito somente pessoas que realmente estejam preparadas para isso podem realizar seus fundamentos, pois existe até mesmo o risco de desencarne para ambos os lados.

Abikú já nasce feito, mas isso não o isenta de obrigações e é justamente aí que o zelador tem que estar muito ciente para não fazer coisa errada, pois como muita coisa dentro do santo, pode ter consequências gravíssimas depois.

Um processo de iniciação é por demais complexo, ainda mais se tratando de um abikú, pois esse tem outros tipos de fundamentos a serem feitos em sua cabeça. Da mesma forma, como existem determinados santos que não são raspados, e outros que não trazem mãos nas dores.

Assim sendo, não se trata somente de uma lenda, existem sim, pessoas que não precisam ser raspadas.

Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá





domingo, agosto 15, 2010

TEMOS QUE TER REPRESENTANTES NA POLÍTICA

Mais um ano de eleições chegou e ao que me consta faltam candidatos que sejam adeptos do Candomblé ou da Umbanda. Isso é um erro.

Todas as eleições acontecem às mesmas coisas: candidatos que nunca tiveram compromisso com nossa religião usam o pleito para buscar apoio de membros das religiões afro-brasileiras, para se elegerem.

Nesse período prometem “mundos fundos”, se dizem contrários à intolerância religiosa, contra a discriminação seja ela qual for, pedem nosso voto e prometem que em sua gestão não encontraremos obstáculos para praticar nossa fé. Alguns mais abusados, mesmo sendo evangélicos, se dizem até mesmo a favor da liberdade religiosa. Porém, depois de eleitos, nos abandonam nos perseguem de todas as formas.

E isso acontece por quê?

Porque não temos candidatos de nossa religião. Eu mesmo já vi uma pessoa feita de santo filho de uma das maiores babás de Umbanda do Espírito Santo, visitar templo por templo, pedindo apoio das pessoas para sua candidatura e teve uma péssima votação.

Pergunto-me até quando iremos votar em pessoas que nada teem com nossa fé! Busco noite e dia respostas que sei, nunca virão e por quê?

Porque sempre votamos errado! Não buscamos promover reuniões e quando são promovidas, muito poucos aparecem, para que possamos ter um candidato nosso.

Não quero crer que seja por vergonha de nosso povo! Não quero acreditar que nossa gente, ainda continua vendendo seu voto e dando assim poderes a quem nunca fará algo por nossa religião!

Se não temos um candidato de nossa fé, façamos então reuniões com os que existem, e peçamos um documento registrado em cartório, no qual, ele se comprometa a combater a discriminação e a intolerância religiosa e ainda mais: façamos com que nesse documento existam parágrafos dizendo que aquele candidato irá apoiar as causas de nossa religião, como por exemplo:

• Novos templos sejam construídos com a ajuda das prefeituras e até mesmo dos governos estaduais.

• Que fará aquele candidato fazer valer a lei que isenta os terreiros de impostos, assim como as demais religiões são isentas.

• Que terá ele, compromisso com a questão religiosa sem que para isso tenhamos que oferecer suborno.

• Que promoverá a reforma de monumentos das religiões afro-brasileiras que existem em todo o país.

• Que buscará dentro das leis, coibir a forma pejorativa como somos tratados por igrejas como a universal etc.

Somente quando tomarmos consciência de nossa importância, poderemos obter o respeito desses que são SUSTENTADOS com o dinheiro público e que nada fazem para coibir os abusos que sofremos em nosso dia a dia.

Busquemos apoio de pessoas sérias, conscientizemos os zeladores e seus filhos para que possamos fazer valer nossos direitos que estão na Constituição Federal, pois da forma que andam as coisas, não me surpreenderá se daqui a algum tempo, estiverem queimando nosso povo em fogueiras como fez a Igreja Católica.

Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.

sábado, agosto 14, 2010

ORIXÁ EXISTE PARA TODOS, MAS, NEM TODOS EXISTEM PARA O ORIXÁ


Durante minha trajetória dentro do Candomblé, encontrei as mais diversas pessoas, e, todas professavam fé nos Orixás. Mas posso garantir que muito poucas encontrei que realmente tivesse a tal fé professada.

Ocorre que, antigamente, uma pessoa fazia santo, para ser esposa ou esposo de Orixá. Tinha em mente que seu Orixá era nada mais nada menos, que uma religião e como tal, intercederia sim em sua vida, mas suas provações não deixariam de existir.

Não se fazia Santo com o intuito de enriquecer, de se tornar celebridade. Apenas se fazia Santo para se cumprir uma exigência daquele ser Divino, que cobrava a iniciação. Eram as pessoas; felizes com seu Orixá, não importando os problemas que tivessem em suas vidas, pois sabiam que vivemos em um mundo onde a maldade e a desigualdade imperam.

Não havia o tipo de pergunta: “onde está o santo?” “Foi para isso que dei comida ao Santo?”.

As pessoas eram felizes pelo simples fato de estarem comungando com sua fé, sabendo que dias melhores estavam por vir.

Hoje, coitado do Santo que não der um carro zero a seu filho, uma mansão para determinado cliente e assim por diante. Trocaram a fé pelo conforto material, o amor pelas divindades foi trocado pelo luxo e pela avareza.

Não sou muito velho no santo, fui iniciado em 1983 e muito aprendi no quesito de amor ao santo acima de tudo nessa Terra. Vi muitas pessoas realmente velhas no santo, professarem seu amor, sua dedicação aos seres que governam a natureza. Tive o privilegio de conviver com pessoas que não mais estão nesse mundo, mas, que deixaram sua marca de amor e submissão ao Orixá e às vontades de Deus.

O que vejo hoje, muito me entristece, pois vejo pessoas que se dizem com fé, blasfemarem aos quatro cantos do mundo contra os Orixás, quando algo não sai do jeito que desejam.

Já encontrei até mesmo pessoas que nunca tomaram sequer água de obi, mas por terem santo de alguém de sua família em casa, que ao passarem certas dificuldades, perguntou aos Santos:

“O que vocês estão fazendo aqui?”

Quanta pobreza de espírito! Quanta maldade no coração dessa pessoa! Pergunto-me: por que a sua religião, a qual frequentou tanto tempo, não deu moral em seu espírito nem a livrou de tanto sofrimento?

Simples, porque era somente sua religião e nada mais, além disso.

O fato de termos um Orixá, não significa que não mais iremos ter problemas em nossas vidas!

Ao contrario: sabe-se que toda pessoa que tem muita fé, sofre ainda mais que os demais, pois é testada a cada dia pelas forças negativas. Encontro sempre em meus caminhos, pessoas que professam outra religião, mas que sofrem muito e nem por isso culpam Deus por seu sofrimento.

Eu mesmo já passei por muitas coisas ruins nessa vida, de chegar ao ponto de ser roubado por um filho de santo, mas nem por isso culpei santo algum, nem mesmo o dele, pois penso que as coisas do mundo, tratamos no mundo.

Mas, as pessoas do Candomblé não podem passar por nada, que logo questionam: “onde está o santo”? Até mesmo pessoas de outras religiões, perguntam a mesma coisa. Quem disse que pelo fato de ser iniciada no Candomblé, uma pessoa deixaria de ter problemas ou de sofrer nesse mundo, sendo ele um planeta de expiações?

Passamos hoje e passaremos sempre por nossas provações, independente da religião que sigamos. Os Orixás existem para nos darem forças para seguir em nossa jornada e não como promessa de uma vida perfeita.

Ao invés de reclamarem do santo, por que não dizem: “ainda bem, porque senão fosse o santo poderia ter acontecido algo muito mais grave comigo”.

Viver para o santo é viver em uma eterna clausura, onde a vida material muito pouco existe para nós. Não cabe dentro do axé Orixá, reclamações, vinganças, lamúrias nem nada parecido.

Dentro do mundo dos Orixás cabe somente o amor e a submissão às vontades de Deus. Não nos é permitido questionarmos os mistérios de Deus nem de seus mensageiros. Se sofremos é tão somente porque estamos em um mundo onde a dor e a tristeza são partes ativas do viver.

Ao que me lembre de Orixá nunca nos prometeu, dia sem chuva, noite sem luar, vida sem tristeza, a única coisa que prometem, são fidelidade, amor e companheirismo por toda a vida!

Assim, se sua vida anda ruim, não se lamente, nem blasfeme contra os Orixás, mas faça algo para modificar seus dias e sua vida!

Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.


terça-feira, agosto 10, 2010

TEMOS QUE APRENDER A LIDAR COM A MORTE

Existe um antigo dito popular que diz que: “tudo na vida passa, tudo se acaba”. Até mesmo a vida finda algum dia. Infelizmente para alguns, a perda de um ente querido, torna-se em dor que o acompanha para sempre. Isso se deve ao fato e não saber lidar com a morte.

A morte nada mais é que uma transformação, da mesma forma que a água se transforma em vapor, e vice versa, somos transformados por essa mensageira do além. Quando morremos na carne, começa a real vida do espírito, ou seja: nosso espírito, livre do invólucro que é seu corpo físico, retorna para a pátria espiritual e vai começar uma nova etapa, só que essa ao contrário da etapa terrena, não possui os vícios e necessidades da carne.

Morremos no corpo, mas, continuamos vivos no espírito, pois esse sim é eterno e puro, muito embora insistamos em contaminá-lo com as vicissitudes do mundo.

A morte como transformação, faz parte de todos os mistérios de Deus, e esse sabe perfeitamente o que cada um de nós, precisa e merece.

Não devemos temer a morte, mas sim, o sofrimento da carne e do espírito, e para isso, precisamos aprender a nos preparar para esse momento certo de cada um de nós. E a melhor forma de nos prepararmos, é vivendo mais o espírito que a carne, ou seja: vivermos sem ganância, sem mentiras, sem intrigas, sem ódio, rancores, mágoas, avareza, desejar coisas ruins para nossos irmãos, além de tantos outros defeitos da carne.

Temos que nos lembrar de que; independente do tipo de vida, do credo, da cor e da raça, somos todos filhos do mesmo Pai, e esse mais dia menos dia, nos chamará de volta para seu Reino, para que possamos dar conta de nossos atos aqui na Terra.

Termos em nossa consciência que, somente Deus tem o poder absoluto, que somente Ele pode por e dispor de tudo nesse mundo, é estar atentos às suas leis e vontades. O ser humano precisa entender que nem mesmo os Orixás, podem proporcionar aquilo que aos olhos da Justiça Divina, não se fez merecedor.

Nem mesmo nossos Orixás podem interpor-se entre a vida e a morte, pois as duas fazem parte do viver. Ao nascermos, damos o primeiro passo em direção ao túmulo, e essa caminhada somente termina no tempo que nos foi designado, pois nada se passa sem que a espiritualidade acompanhe.

Precisamos, pois, fazer-nos merecedores de suas intervenções em nossa jornada, inclusive, na hora de nosso desenlace material.

Nada tem de anormal na morte. Ela faz parte da rotina de vida de tudo que existe nesse planeta. Basta olhar e ver que, mesmo as plantas possuem seu ciclo e um dia perecem para dar lugar à outra de sua espécie.

Quando morremos, na verdade, cedemos lugar para que outros possam nascer e assim darem seguimento à sua jornada nesse mundo. Para cada um que morre, nasce outro em seu lugar e assim, a vida segue, tanto aqui, quanto no mundo espiritual.

Não devemos ter na mente que com a morte se findam as coisas. Se finda a vida terrena, mas como ser infinito que é o espírito continua seguindo em frente sem olhar para trás. Devemos seguir esse exemplo, e continuar sempre, pois a cada passo que damos, é uma folha que viramos uma página a menos no grande livro de Olorúm.

Não devemos nos apegar em valores mundanos, mas sim, “juntarmos tesouros no Reino de Deus” porque somente dessa forma estaremos nos aproximando mais da pureza. Como ser ancestral, nosso espírito caminha sempre por sua estrada e nada desse mundo tem valor para ele. Então, por que temermos a morte?

Ao chegar em casa, após um exaustivo dia de trabalho, o que faz uma pessoa? Toma seu banho e troca de roupa, pois aquela está suja e ele simplesmente a deixa em um canto sem que seu olhar pouse nela.

Da mesma forma age o espírito quando seu corpo morre: ele simplesmente abandona aquela vestimenta terrena que usou e segue em busca de seu caminho, sem o peso da Terra e sem as dificuldades mundanas.

Se choramos por alguém que se vai, é tão somente, porque temos dentro de nós, a ideia de que não mais veremos aquela pessoa. Mas isso está errado. Aquele ser passou a completar a energia do Cosmo e com certeza estará ao nosso lado sim. E mais dia menos dia, estaremos todos juntos de novo.

Então, esqueçamos o medo da morte. Vivamos nossa vida, como se cada dia fosse o último e procuremos nos aperfeiçoar para que sejamos dignos das bênçãos de Olorúm que recai não somente sobre os encarnados, mas também sobre aqueles que já deixaram esse mundo.

Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.