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sexta-feira, abril 01, 2011

PAI NOSSO E AVE MARIA EM YORUBÁ

Sinal da Cruz Yorubá

L'ORULÓ BABÁ ÓMÓ

ATI ÓMO MIMÓ

AMIM

Pai Nosso em Yorubá

BABÁ UÁ TINGBÉ LORUN AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINÁUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÔ SUGBON BUCURÓ LONIN TUN LA SIM, AMIN.

BABÁ UÁ TINGLÉ AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ

TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINAUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ

LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ

MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÓ SUGBON BUKORÓ LONIN TUN LA

SIM, AMIN.



AVE MARIA

OKOU MARIA ORÊ OLON KON È, OLOUA KPÊLOU É, IWO RÊ NINOU GBOGBO OBINZI, A TIJESOU ESO IWO T’INOU RÉ.

MIMO MARIA, IYA OLORÚM GBADOUA FON WA ÉLÊSIN, NISEI, A TI L’AKOKO TI IKÚ.

quinta-feira, março 24, 2011

OS MANDAMENTOS DA DOUTRINA YORUBÁ, CONFORME O ODÚ IKÁ.

Muitas pessoas pensam que nossa religião, apenas segue em frente sem um parâmetro, sem uma regra, sem nada que contenha seus sacerdotes. Enganam-se. Outras dizem que apenas é um meio de se ganhar dinheiro fácil, pois seus sacerdotes cobram por seus trabalhos realizados. Se cobram é tão somente para que possam manter seus templos em funcionamento assim como em qualquer igreja.

Nossa fé segue regras sérias e sem as quais ficamos à mercê de espíritos atrasados. O mesmo acontecendo se não seguirmos à risca essas regras que foram ditadas por Olodumarê (Deus) no inicio dos tempos.

Sabemos que para tudo existem leis. Um país, um reino, não vive, não sobrevive sem as leis que o regem, pois elas são para garantirem a igualdade entre todos, independente de sua classe social, de seu credo, cor ou sexo. Também, servem as leis para que protejam seus cidadãos, evitando que sofram nas mãos de pessoas sem escrúpulos que somente, pensam em enganar para enriquecerem ilicitamente.

O mesmo acontece com a fé. Nela existem suas leis, em forma de mandamentos, e essas devem ser cumpridas evitando assim, que mais tarde, sejamos punidos por nossas atitudes erradas. Dentro dos cultos aos Orixás não seria diferente e aqui passamos a apresentar os 16 mandamentos que Olodumarê (Deus) criou, e mandou que os homens vivessem dentro dessas leis:

Contam as lendas, que no inicio dos tempos, assim como hoje, os homens andavam sem um rumo certo pela vida e culminavam por irem pedir conselhos à Ifá. Nossos ancestrais assim procediam, e iam mais longe: buscavam em Ifá a promessa de Olodumarê de que os seres humanos teriam uma vida longa na Terra. Então Ifá mostrou a eles os mandamentos de Olodumarê, os quais eles deveriam seguir para que a promessa fosse comprida:



1) wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

2) wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

3) wón ní kí wón ma fi odíde pe òòdè

4) wón ní kí wón ma fi ewé Ìrókò pe ewé Oriro

5) wón ní kí wón ma fi àimòwè bá won dé odò

6) wón ní kí wón ma fi àìlókó bá won ké háin-háin

7) wón ní kí wón ma gba onà èbùrú wo'lé Àkàlà

8) wón ní kí wón ma fi ìkóóde nu ìdí

9) wón ní kí wón ma su sí epo

10) wón ní kí wón ma tò sí àfò

11) wón ní kí wón ma gba òpá l'ówó afójú

12) wón ní kí wón ma gba òpá l'ówó ògbó

13) wón ní kí wón ma gba obìnrin ògbóni

14) wón ní kí wón ma gba obìnrin òré

15) wón ní kí wón ma s'òrò ìmùlè l'éhìn

16) wón ní kí wón ma sàn-án ìbàntè awo

Wón dé'lé ayé tán ohun tí wón ní kí wón má se wón nse

Wón wá bèrè síí kú

Wón fí igbe ta, wón ní Òrúnmìlà npa wón

Òrúnmìlà ní òun kó l'óún npa wón

Òrúnmìlà ní àìpa ìkìlò mó o won ló npa wón

Àgbà re d'owó re.


Tradução para o português

1 - não digam o que não sabem

(èsúrú pode ser tanto uma conta sagrada como um nome de uma pessoa);

2 - não façam ritos que não saibam fazer

(novamente avisa não troquem a conta sagrada pelo nome);

3 - não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego);

4 - não conduzam as pessoas a uma vida falsa

(mostrando a folha de ìrókò e dizendo que é folha de oriro);

5 - não queiram ser uma coisa que vocês não são

(não queiram nadar se vocês não conhecem o rio);

6 - não sejam orgulhosos e egocêntricos;

7 - não busquem o conselho de Ifá com más intenções ou falsidade

(Àkàlà é um título usado para Òrúnmìlà);

8 - não rompam (não mudem) ou revelem

os ritos sagrados, fazendo mal uso deles;

8 - não sujem os objetos sagrados com as impurezas dos Homens;

busquem nos ritos sagrados somente coisas boas;

10- os templos devem ser lugares puros,

onde a sujeira do caráter humano deve ser lavada;

11- não desrespeitem ou inferiorizem

os que têm maior dificuldade de assimilar conhecimentos ou

deficiências no caráter, ajude-os a mudar;

12- não desrespeitem os mais velhos, a sabedoria está com eles, a vida os fez aprender;

13- não desrespeitem as linhas de condutas morais;

14- nunca traiam a confiança de seu semelhante;

15- nunca revelem segredos que lhe são confiados;

falar pouco e somente o necessário demonstra sabedoria;

16- respeitem os que possuem cargos de responsabilidade maior;

o Babalaô é um Pai, portanto, é devido grande respeito aos Pais.

Porém, nossos ancestrais, da mesma forma que nós, no mundo atual, não cumpriram as determinações de Deus. Olorúm adverte a humanidade através de seus Ministros, os Orixás, mas nem sempre consegue o sucesso desejado.

O homem persiste no erro e mesmo assim, acusa Olorúm, Deus, por sua vida estar ruim e suas coisas não andarem como ele deseja, e também por sua vida não ser tão longa quanto foi prometida. Pois é mais fácil culpar os demais do que assumir nossos erros.

Oras, se não seguimos seus mandamentos, Olorúm, Deus, fica totalmente sem a obrigação de cumprir seu trato com a humanidade, e isso faz com que ele morra velho e renasça de novo, para que, talvez em uma nova vida, uma nova jornada quem sabe ele aprenda e obedeça aos mandamentos, que são as Leis Divinas.

É de suma importância que nós aprendamos os mandamentos de Ifá, pois são de Olorúm e assim ponhamos fim a um eterno ciclo vicioso de dor, angústia e sofrimento. Temos que aprender a nos amar, a nos respeitarmos uns aos outros como irmãos somente, e acima de tudo: seguirmos as Leis de Olodumarê para que, quem sabe um dia, podermos ser um egungun agbá, ou seja: um ancestral ilustre e assim recebermos funções importantes no Orúm, Céu!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP.


quinta-feira, março 17, 2011

OYÁ OU YANSÃ

Orixá muito cultuada no Brasil tanto no Candomblé como na Umbanda. Muito aclamada em momentos de dor, de medo e até mesmo em momentos de angústia, pois sofreu por amor e se dedicou a seu amado como nunca outra mulher se dedicou ao esposo. Foi casada com Xangô e até hoje, é sua grande e verdadeira paixão.

Seu nome Oyá, se origina de um rio no antigo país de Kêto, hoje a Nigéria, o Rio Oyá, onde seu culto sempre foi realizado. Mas, como tudo se modifica, hoje esse rio se chama Rio Níger. Em sua terra natal, ela é associada às águas, mas, como tudo tem sua dualidade, ela também é associada com o ar, sendo a deidade africana que comanda os ventos.

É comum louvar-se Oyá antes de Xangô, como o vento que precede às tempestades, sendo essa uma das formas da divindade do fogo. Oyá está diretamente ligada ao culto dos mortos, pois segundo as lendas afros, recebeu de Orumilá, Deus, a incumbência de guiar os mesmos até um dos noves céus de acordo com suas atitudes aqui na Terra.

Para que pudesse levar a termo sua função, ela recebeu de um feiticeiro que lá existia cujo nome era Oxossi, um instrumento chamado de Eruexím, e com ele se protegia dos mortos conhecidos como eguns.

Para algumas lendas, o nome Yansã, significa: Yá = Mãe, Sã = Trovão, ou seja: Mãe do trovão, por se tratar da esposa de Xangô o Senhor do trovão. Já outros acreditam que seu nome foi um título que Xangô a concedeu, e que este faz alusão ao entardecer: A Mãe do Céu Rosado ou a Mãe do Entardecer. Ainda hoje nas casas de Candomblé é costume saudar Yansã nos momentos de tempestade pedindo a ela que interceda junto a Xangô pedindo misericórdia evitando assim que sejamos vítimas de sua fúria, e durante o trovão, costumamos colocar nossa mãos para cima e louvar Xangô com a cabeça no chão, pois para os antigos africanos, seria o trovão a voz de Xangô.

No Brasil ela é sincretizada com Santa Bárbara e tem sua festa em 04 de Dezembro no mesmo dia da Santa Católica. Esse sincretismo se dá pelo fato de ser Bárbara, a Santa defensora contra a fúria das tempestades.

Diz-se que nunca se deve maltratar um filho de Yansã, pois terá um inimigo até a morte, pois essa Yabá tomará raiva da pessoa que maltratou seu filho. Ela também é relacionada à justiça e costuma ser invocada em casos onde a mesma seja necessária.

Seu dia é Quarta feira.

Sua cor na Angola é o Vermelho translúcido e no Kêto, o marrom.

Sua comida preferida é o acarajé.

Seu sacrifício é cabra, galinhas, galinha de angola e pombo.

Sua saudação é: Eparrei Oyá. Yá Mensá Orúm.


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.








terça-feira, março 15, 2011

ASSASSINATOS ENVOLVEM FILHOS DE SANTO E ZELADORES.

Muito me deprime na qualidade de sacerdote e de Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP, União Espírita capixaba, ao ver noticias veiculadas nas emissoras de TV sobre crimes de morte envolvendo pessoas do santo. Faz-me sentir tão pequeno que muitas vezes tenho vontade de me trancar em um local onde ninguém mais possa me ver.

Mas sei que esse não é o caminho certo. Se sou um filho de santo um babalorixá não posso me calar diante de tamanha crueldade com nossa religião.

É muito constrangedor vermos esse tipo de notícia, pois sabemos que nada tem a ver com a realidade das casas de Umbanda e Candomblé. Quem conhece as doutrinas sabe que jamais uma pessoa iniciada nesses ritos será capaz de tirar uma vida humana.

O que acontece é que falsos sacerdotes se infiltram em nosso meio e como Anti Cristos pregam uma doutrina que em nada compactua com nossa filosofia de vida.

Acontece que essas pessoas se esquecem de que há um Deus acima de tudo e de todos e que, Ele mais dia menos dia fará sua justiça.

Nunca, em momento algum, nossa religião teve nada a ver com assassinatos, com estelionatários e pedófilos, nem com nada que vá contra as leis que regem nossa Nação. Não podemos mais nos calar diante de tanta barbaridade, pois estão sujando o nome de nossos antepassados e de nossa fé.

Jogam em uma mar de lama, séculos de uma religiosidade que busca somente a ajudar a quem precise. Dento de nossa religião, nem mesmo cabe o sentimento de ira, vingança ou outro que não seja o amor, a paz e o respeito a Deus e aos seres humanos.

Tenho visto constantemente em programas de televisão, pedófilos e até mesmo estelionatários e assassinos, se dizendo pais e mães de santo.

Jamais um verdadeiro sacerdote seja da Umbanda ou do Candomblé, se prestará a esse tipo de atitude, nem mesmo contribuirá para que ladrões saiam impunes de seus crimes.

Para que possam ter uma noção nossos códigos religiosos, nos obrigam a fornecer comida e água mesmo que seja para nosso pior inimigo, pois acreditamos sermos todos, independente de credo, cor raça, opção sexual ou de vida, filhos do mesmo Pai, e este somente quer seus filhos se amando e a ele entregando a justiça para que possa ser feita.

Os verdadeiros sacerdotes possuem uma conduta dentro da moral e da ética, e nunca compactuam com barbaridades como essas. Temos amor por nossos Orixás e Guias Protetores, e eles nos cobram a permanência dentro dessas éticas morais.

Quando virem noticiar que “pai” ou “mãe” de santo está compactuando com coisas ilícitas, saibam que, na verdade, são falsos profetas que somente se preocupam com o enriquecimento material, e que mantém seu espírito afogado em uma mar de podridão sem igual.

Já caminhei por muitos lugares, visitei muitos e muitos templos e nunca soube de um verdadeiro sacerdote que se dedicasse a tamanha brutalidade como o assassinato seja ele de quem que seja.

Primarmos por nossa religião é mantermos nossa honra inatingível, pois somente assim poderemos ser chamados de sacerdotes e filhos de um Orixá.

Se você minha irmã ou meu irmão sabe de algum caso como os relacionados acima, não pense duas vezes: denuncie na delegacia de polícia mais próxima e na federação, pois jamais nossa religião nunca conceberá ou compactuará com atos horripilantes como esses.


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

QUAL O FUNDAMENTO DA COBRANÇA DO JOGO DE BÚZIOS?

Muitas pessoas se questionam por que cobramos para jogar búzios, e não entendem quando um sacerdote se nega a abrir o jogo sem o valor estipulado para o mesmo. Então resolvi relatar aqui, a história de nossos antepassados, e que governa o Oráculo Sagrado de Ifá:

Conta-se que em determinada época, há muitos e muitos séculos, em um tempo do qual não nos lembramos mais, um determinado moço, vivia nas esquinas com uns objetos nas mãos e com eles, fazia uma espécie de adivinhação da vida de todos que por ali passavam em troca de algum pagamento.

Interessada em aprender aquele ofício, Oxum solicitou que aquele rapaz se apresentasse em seu castelo, e esse rapaz era Exú. Após uma conversa amigável, Oxum perguntou a ele como ele fazia para que pudesse “consultar” as pessoas que por ali passavam, então, Exú lhe mostrou os búzios com os quais praticava seu dom e esses eram 21.

Imediatamente Oxum, mostrou interesse em aprender com ele o manuseio daquelas “conchas” encantadas, mas ele disse-lhe que de graça não poderia lhe conceder os mistérios, mesmo sabendo que Olorúm assim desejava. Ela disse-lhe que desse seu preço e ele cobrou dela sete barris de ouro.

Ao efetuar o pagamento, Exú começou então a passar para ela os mistérios do Ifá, mas com uma condição: de que ela jamais passasse os segredos do jogo dos 21 búzios para a humanidade, pois assim teríamos o dom da imortalidade.

Oxum foi conversar com Ifá e este disse que Exú estava certo e acrescentou mais: que todos o que desejassem se beneficiar dos segredos do Oráculo pagassem tributo a ela, a Exú e a ele mesmo, Ifá, e assim nasceu o pagamento pelo jogo de búzios, e Oxum passou e a ser a verdadeira senhora desse processo juntamente com Exú.

Quando um sacerdote joga os búzios sem receber a salva de seu anjo de guarda, Oxum lhe tira a visão, pois ela teve que pagar a Exú para que ele lhe passasse seus segredos e com o dinheiro ali arrecadado, esse sacerdote deve retirar uma parte para pagar tributos ás divindades se quiser continuar enxergando o que falam os búzios em sua queda.

Assim, quando se dirigir a uma casa de santo para um jogo, lembre-se de que, ali está um segredo muito grande e é obrigação do sacerdote cobrar para fazer uso do mesmo, sob pena de perder a visão do jogo.

A cobrança do jogo, não é comércio como pensam muitos, mas sim, um preceito religioso e deve ser obedecido à risca.

Sérgio Silveira, Tatetú N1Inkisi; Odé Mutaloiá.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

20 DE JANEIRO DIA DE SÃO SEBASTIÃO, OXÓSSI.

No dia 20 de Janeiro a comunidade Umbandista e também a do Candomblé de Angola, está em festa: comemora-se o dia de São Sebastião, Oxóssi, dentro do sincretismo do Rio de Janeiro, Espírito Santo e demais estados brasileiros, com exceção da Bahia onde o Orixá é sincretizado com São Jorge.

Para aqueles que não sabem, o nome Sebastião vem do grego e significa Sagrado, Reverenciado, o que faz jus ao Santo católico dado à sua vida e morte em prol da fé em Jesus Cristo e sua Doutrina.

Segundo sua história, ele nasceu em Narvonne, França, no final do século III, e desde muito cedo seus pais se mudaram para Milão, onde ele cresceu e foi educado. Seguindo o exemplo de sua amada mãe, ele praticava o Cristianismo.

Ao atingir a maior idade, Sebastião se alistou como militar nas legiões do Imperador Diocleciano. Este então ignorava o fato dele ser cristão. A figura imponente e sua bravura agradaram de tal forma ao Imperador que ele logo foi nomeado Comandante de sua Guarda Pessoal.

Como ninguém sabia de sua tendência religiosa, Sebastião aproveitava para aliviar o fardo daqueles que eram condenados ao suplicio, com palavras de amor e fé em Cristo e ainda tornou-se um grande benfeitor dos cristãos em Roma.

Mas, ele foi denunciado por um soldado ao Imperador que mandou prendê-lo e ficou perplexo, quando ele se confessou cristão e por mais que Diocleciano pedisse, ele se negava a rejeitar sua fé. Assim sendo o Imperador mandou que o matassem a flechadas o que foi prontamente atendido: os soldados o levaram para um bosque, o amarraram em uma árvore e despejaram sobre ele uma chuva de flechas.

Quando mais tarde uma mulher chamada Irene foi ao local de seu sacrifício buscar seu corpo para sepultar, viu espantada que ele ainda estava vivo, retirou-o dali imediatamente e o escondeu em sua casa onde tratou de suas feridas.

Em vez de se esconder, Sebastião depois de curado foi se apresentar novamente ao Imperador e pedir para que ele parasse de perseguir os cristãos e mesmo estando espantado com o fato dele estar vivo, Diocleciano não atendeu seus pedidos e mandou que o matassem a pauladas e golpes de bolas de chumbo. Para evitar que ele fosse reverenciado, jogaram seu corpo nos esgotos de Roma. Depois uma mulher, Santa Luciana, o sepultou nas catacumbas. Esse fato se passou em 287.

Dentro dos Templos de Umbanda ele é sincretizado com Oxóssi o patrono dos caboclos e caboclas, seres encantados, espíritos de nossos índios que após o desenlace vêm se comunicar em seus médiuns, trazendo sábios conselhos e também a cura para muitas doenças do corpo e da alma.

Nos Candomblés, Oxóssi, é o grande caçador, aquele que se incumbe de caçar, não de forma predatória, mas para alimentar todas as tribos. Também está associado à agricultura, pois, com as ferramentas criadas por seu irmão Ogum, ara a terra e dela tira o sustento para todos que dele necessitem.

Seja dentro da Umbanda ou do Candomblé, esse Orixá é de suma importância, pois que sem ele, não teríamos a caça para nos alimentar, não teríamos a colheita farta para encher nossa mesa, ficando assim, a humanidade à mercê da fome.

Oxóssi, ainda é o grande caçador de espíritos errantes. É ele quem apreende estes, e os encaminha para seu destino a fim de que possam ser levados por Oyá a seu destino final, onde receberão os frutos de seu trabalho aqui na Terra.

Ao saudarmos Oxóssi, saudamos as matas, e tudo que nela existe, pois que ali é seu habitat natural e ele luta por sua preservação. Seus filhos seguem seus caminhos, lutando dia após dia pela preservação da natureza e de tudo que há nela, pois sabem como ninguém que tudo nesse mundo depende de uma natureza sadia para que possa existir.

Os Caboclos são mensageiros seus, e trazem mensagens as mais variadas possíveis para nós viventes de um mundo onde tudo é passageiro, menos as vontades de Deus todo poderoso. Trabalham em falanges e sempre buscam ajudar a todos que necessitam de sua intervenção em qualquer que seja a dificuldade, desde que seja uma causa justa e para o bem.

Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi, Odé Mutaloiá




sexta-feira, dezembro 24, 2010

OXUM, ORIXÁ REGENTE DE 2011

Segundo o Oráculo Sagrado dos Orixás, esse ano será regido pela radiosa Yabá Oxum. Junto com ela virá o Orixá Odé, e teremos ainda a influência de Yemanjá e Xangô. Mas, Oxum reinará do primeiro ao último dia do ano.

Na interpretação do jogo, teremos um ano bom para a agricultura, no qual tende a ter muita fartura, pois Odé o Senhor da caça e da agricultura, vem junto com sua esposa nesse novo ano. E também por ser um ano onde teremos a água com mais fartura, irrigando nossas plantações.

Oxum mostra a necessidade do ser humano volta-se mais para as coisas do espirito e de Deus, pois ela traz a misericórdia e o perdão para todas as ofensas recebidas.

Como mãe ela pede para que seus filhos se unam e se amem para que possam assim ter paz na Terra. O jogo mostra um ano com ainda alguma tendência de guerra, pois a influência de Xangô assim o faz, mas, as águas de Oxum vêm lavando todo o ódio, rancor e mágoa dos corações.

Teremos um ano em que as conquistas podem ser muitas. Oportunidades as mais variadas tendem a se mostrar para as pessoas.

Para as pessoas do Santo, Oxum traz um ano de muito axé, com fartura e muita prosperidade. Como é senhora dos encantos, podemos ofertar-lhe presentes para que ela encante os inimigos e esses se tornem amigos, pondo fim assim, a todas as desavenças possíveis nesse planeta.

O ano de 2011 será regido pelo odú Yorussum, o qual traz consigo Yemanjá e essa derrama toda sua ternura por sobre nós, trazendo assim ótimas oportunidades em nossas vidas.

Com a regência de Yorussum, e consequentemente a influência de Yemanjá, temos um ano muito bom para se constituir família, (esse fato se deve também à regência de Oxum), começar novas amizades e reatar antigos laços.

Temos assim com o reinado de Oxum e a influência de Yemanjá e de seu odú Yorussum, um ótimo ano para a humanidade buscar mais à Deus a paz, dado que essas influências juntas proporcionam ótimo momento para conciliações amorosas e reconciliações diversas.

Já o primeiro dia do ano será regido por Obará e esse traz a influência tanto de Xangô como de Odé. No lado de Odé, esse odú nos traz a fartura, a prosperidade, boas colheitas. No lado de Xangô proporciona bom momento para o lido com documentos e papéis variados.

Xangô inclusive orienta a todos que possuem causas judiciais, que busquem a solução imediatamente após o começo do ano, pois a influência de Obará tende a permanecer por seis dias, mesmo com outro odú regendo os demais dias.

Xangô só alerta para aqueles que devem na justiça, pois fará com que a mesma seja feita doa a quem doer e cobrará caro tudo de ruim que fizemos ou que fizermos no decorrer do ano que se inicia. Esse Orixá por ser guerreiro, Senhor do fogo, traz certo calor de guerra para a humanidade, fazendo com que algum desiquilíbrio possa afetar algum desavisado, mas, as águas de Oxum ali estão para amenizarem todo esse ardor.

Oxum, orixá predominante no ano de 2011, beneficia também na procriação da raça humana, então as mulheres que desejam ter filhos e não conseguem, podem fazer promessas a ela com esse intuito. Mas, ressalto que as promessas são alcançadas de acordo com nosso merecimento perante Olorúm, Deus e que se o pedido for alcançado, devemos pagar o que prometemos de qualquer forma.

A maravilhosa e amorosa Oxum traz o suave perfume e seu amor eterno para diminuírem as dores de nossos corações e elevar nossa alma.

Devemos usar na passagem de ano, tons amarelos, e as mulheres podem e devem abusar das joias ou mesmo das bijuterias em tons dourados atraindo assim as vibrações de Oxum.

Para que você possa alcançar as graças dessa Yabá nesse novo ano faça o seguinte:

Leve em uma cachoeira ou na beira de um rio:

05 maçãs

05 rosas amarelas, sendo que deve jogar perfume nas rosas e colocar o vidro ao lado.

05 velas amarelas

05 quindins

Arrume as maçãs em um prato de bom tamanho, intercale com os quindins, coloque as rosas, se puder coloque em uma jarra e em volta, coloque o vidro de perfume ao aldo, acenda as cinco velas amarelas. Faça seus pedidos e se a obrigação for feita em uma cachoeira, lave sua cabeça pedindo a ela para tirar todo mal de sua vida.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


quinta-feira, dezembro 23, 2010

OFERENDAS PARA OGUM ABRIR OS CAMINHOS

Compre um inhame rosa, de bom tamanho.

Junte 21 palitos de palha de coco bem limpos.

21 moedas

01 copo virgem

01 vela branca comum

01 alguidá médio

Dendê

Mel

Em uma panela coloque o inhame para cozinhar depois de lavar o mesmo. Após cozido coloque em um prato e deixe esfriando. Após frio, descasque-o e unte-o com azeite de dendê e crave as moedas nele. Depois de cravar as moedas, vá enfiando os palitos feitos com a palha de coco untados também no dendê.

Dentro do alguidá coloque seus pedidos e por cima esse inhame enfeitado. Regre com azeite de dendê e mel. Leve em uma estrada de barro reta e lá coloque com a vela acesa e o copo com água e faça seus pedidos. Com certeza abrirá seus caminhos. Se for para emprego, peça a ele que te ajude a conseguir o emprego que deseja, se tiver com alguma dificuldade em seu trabalho ou em sua vida, peça para ele afastar a mesma.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.






segunda-feira, dezembro 20, 2010

MUITO AINDA TEMOS QUE APRENDER COM NOSSOS ORIXÁS E MENSAGEIROS DE LUZ

Vivemos em um mundo onde os valores materiais sempre suplantam os espirituais. As coisas da carne, como poder financeiro sempre falam mais alto que o verdadeiro tesouro: o conhecimento e a nobreza do espirito.

Temos convivido com pessoas que se dizem altamente espiritualizadas, mas na verdade nada praticam daquilo que pregam. Outras por sua vez, dão valor somente aos bens que alguém conquistou em sua jornada, não se importando em avaliar em que grau de estágio se encontra seu espirito.

Muitos dos que se dizem “sacerdotes”, escondem-se em templos luxuosos, onde a nobreza do ouro impera e a soberba do dinheiro compra tudo até mesmo o perdão pelos “pecados” pregados por sua fé.

Leigos e pessoas sem cultura, ou mesmo, pessoas de alto poderio, mas acostumados com a indulgência paga, amontoam-se nesses templos e ali propagam uma fé que na verdade tem seus fundamentos belos, seus rituais benignos, mas infelizmente a ganância e a avareza derrubam por terra toda sua plenitude.

Muitos ainda se escondem na fé para praticarem o adultério, e outros males que correm a alma e condena o espirito a viver em um mundo de trevas após seu desenlace desse planeta.

De que adiantam templos suntuosos, sedas, carmins, ouro, dinheiro, se nada disso compra nem comprará jamais o perdão por nossos erros?

Em tempos mais remotos, guerras foram travadas, promoveram as cruzadas com o intuito de tomarem a terra dos povos árabes, alegando ser aquela “uma terra santa” e assim pertencente à igreja católica. Onde há registros que uma terra de um povo pertence a uma ramificação religiosa?

Em outros tempos, criaram a santa inquisição, ferramenta que foi abundantemente usada para torturar a matar pessoas em “nome de Deus”, pois segundo suas pregações, negro não possuía alma, eram animais.

Milhões foram queimados vivos nas fogueiras da inquisição e mesmo assim ainda têm coragem de se intitularem “a única religião representante de Cristo”. E todos os ensinamentos desse Profeta; onde foram parar?

Hoje, com as leis, torna-se impossível queimar pessoas vivas, mas, continuam na perseguição contra os templos de Candomblé, alegando sermos nós, adeptos do capeta. Mas, o que é o capeta? Até hoje não achei uma única explicação plausível para esse nome.

Se capeta for a personificação do mal, então o que são eles, que mataram e esquartejaram em nome de Deus?

Sei apenas que perseguem nossa religião e nos massacram como se nada fôssemos. Mas, temos uma lição que devemos aprender com nossos antepassados africanos e com nossos Orixás: a da humildade acima de tudo.

Podemos observar em todos os templos que, quando manifestados, esses Orixás, seres que governam a natureza, trazem dentro de si, uma humildade tamanha, mesmo possuindo uma força indescritível sempre são humildes em tudo que fazem e suas rezas nos consolam em nossos momentos mais difíceis.

Em sua grande maioria, os templos a eles dedicados, estão nas zonas periféricas, sem riqueza, sem ajuntamento de ouro, sem soberba e sem orgulho, até mesmo porque aqueles que se atrevem a agir dessa forma têm um fim doloroso.

Os templos de Orixá são construções simples, onde apenas existe o necessário para os rituais de fé desse povo. Os Ministros de Deus, quando manifestados em seus eleitos, possuem uma humildade tão grande que chega até mesmo a levar às lágrimas as pessoas que realmente entendem de seus fundamentos e assim sendo, sabem de sua procedência, de suas histórias enfim.

O mesmo acontece com a Umbanda, onde também encontramos a humildade, o cheiro do incenso, do charuto, do cachimbo, e as doces palavras de consolo dos pretos velhos e dos demais guias que ali se manifestam para prestarem a caridade.

Mas, muito ainda temos que aprender com todos esses seres, pois estamos muito distantes da humildade verdadeira, do verdadeiro amor e do verdadeiro perdão.

Temos ainda uma longa jornada pela frente, dado que somos espíritos em evolução e como tal, nos assemelhamos à crianças ainda em desenvolvimento, que carecem de atenção diária de suas mães. E nós carecemos da atenção de nossos Orixás e Guias protetores.

Nada desse mundo carregaremos para a vida além-túmulo. De nada nos servirão os tesouros aqui juntados. Para nada nos servirá nossa conta bancária, em nada nos favorecerá o orgulho e a arrogância. Assim, saibamos cultivar hoje, aprendamos com nossos Orixás e Protetores, esses mensageiros de luz, fiéis a Deus, para que tenhamos uma vida melhor em espirito.

Lembremo-nos sempre de que apenas nossa alma irá para a vida pós morte e lá teremos que dar contas de todos os atos cometidos nesse mundo.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


quinta-feira, dezembro 16, 2010

OS RITUAIS COM SACRIFÍCIO

Dentro do Candomblé é natural o sacrifício de animais, sejam aves ou quadrúpedes dependendo da situação, em louvor às divindades que governam a natureza em nome de Olorúm, Deus.

Em praticamente tudo que fazemos, emprega-se esse rito, pois com o sangue, consagra-se desde os objetos litúrgicos, até mesmo a vida das pessoas que buscam a intervenção dos Santos para a solução de um determinado problema em sua vida.

Quando sacrificamos uma ave, por exemplo, para Exú, damos a ele aquela vida, em troca do favor solicitado naquele momento. Temos que lembrar que o ato de sacrificar animais, vem desde os primórdios da humanidade e mesmo os Profetas Bíblicos, efetuavam sacrifícios a Deus, em busca de santidade para a vida de suas comunidades.

Porém, esses sacrifícios dentro de nossa religião, não podem de forma alguma ser realizados por pessoas que não estejam devidamente preparados para tal. São os sacerdotes e sacerdotisas de Orixá, os Ogãs, Ekédis e outras pessoas de cargos altos e que possuem as obrigações que têm o direito de levarem o obé, faca, ao pescoço de um animal para sacrificá-lo em honra das entidades.

E mesmo para essas pessoas realizarem o ato, existe o momento certo, oportuno, em que a entidade solicita aquele ritual. Este não é feito somente porque desejamos. Existe a necessidade de uma consulta à Ifá, para sabermos se a divindade deseja o sacrifício e qual o animal que ele quer que seja imolado em sua honra.

Não basta querermos dar-lhe, por exemplo, um cabrito, temos que saber se ele deseja o quatro pés, como chamamos, pois pode ocorrer que ele queira um ou dois frangos, por exemplo.

E mesmo que aquele ser deseje o ritual, esse não pode ser praticado como uma coisa simples, corriqueira. Tem-se todo um preparo tanto das pessoas que participarão da imolação como até mesmo do ambiente que esta deverá acontecer, pois o ato de se derramar sangue é algo deveras sério e requer muita responsabilidade da parte de todos que forem compor a comitiva do rito.

Existem as folhas certas, as rezas, as cantigas, todo um processo de encantamento, de se pedir licença para que se possa realizar a atividade. Não é somente pegar uma galinha e cortar fora sua cabeça!

Uma matança mesmo que seja de uma codorna, deve ser bem preparada e realizada com muito cuidado e respeito, pois estamos alimentando um ser que governa determinado elemento da natureza e assim sendo, deve-se acautelar o máximo para que nada saia errado.

O menor erro pode ser fatal e suas consequências seríssimas na vida de quem estiver passando pela obrigação. Nada se faz com gracejos e com pensamentos desvirtuados no mundo do Orixá. Para tudo devemos saber a reza certa, as palavras certas e como proceder.

Não devemos de forma alguma deixar sangue no chão, pois as consequências podem ser terríveis, não podemos permitir que pessoas que não estejam preparadas participem de determinados fundamentos, pois pode causar problemas em sua espiritualidade.

Deve-se levar os assuntos pertinentes ao Orixá com muita seriedade e muito mais ainda quando se trata de sacrificar uma vida, pois mesmo sendo um animal, é um ser vivo, e assim sendo, não temos como saber que fim levará aquela obrigação, caso as coisas não sejam feitas da forma correta.

Nenhuma pessoa deve participar de um ritual de matança sem estar com seu corpo limpo de todas as impurezas do mundo, principalmente sexo e bebida.

Nem mesmo devemos falar alto nos momentos que antecedem a matança, ou durante ela e nem ainda quando o Orixá estiver comento, pois o barulho os incomoda.

Temos que nos lembrar que são seres encantados, verdadeiros elementais, governadores das forças da natureza, antepassados que se dignam a vir entre nós para nos ajudar a viver nesse mundo de provações.

Quando o zelador está em ritual de matança, a casa deve se manter o mais limpa possível, tanto física como espiritualmente para que as energias sejam as mais positivas possíveis. Nada deve acontecer para contrariar as leis que regem esse mundo maravilhoso que é o Candomblé, pois ele é feito de leis severas implantadas pelos antepassados oriundos da África que por sua vez herdaram de seus antepassados.

Uma matança é o ritual mais sagrado que existe e se nele não houver toda disciplina possível, as dores e sofrimentos podem ser inimagináveis. Por isso, respeitemos as leis de nossos Orixás e deixemos os fundamentos para quem realmente se encontra em condições de realiza-los.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.