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segunda-feira, maio 06, 2013

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA É CRIME DE ÓDIO E FERE A DIGNIDADE

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis
Juliana Steck
Celebração no Rio de Janeiro pede respeito à liberdade religiosa, em 21 de janeiro, com presença de adeptos de diversas tradições de fé
A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana.
O agressor costuma usar palavras agressivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, deuses e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode incluir violência física e se tornar uma perseguição.
Crítica não é o mesmo que intolerância. O direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio, é assegurado pelas liberdades de opinião e expressão. Mas, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião. Isso também se aplica a transporte público, estabelecimentos comerciais e lugares públicos, como bancos, hospitais e restaurantes.
Presidente da CDH, Ana Rita faz duras críticas ao deputado Marco Feliciano
Ainda assim, o problema é frequente no país. Algumas denúncias se referem à destruição de imagens de orixás do candomblé ou de santos católicos. Ficou famoso no Brasil o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Sérgio Von Helder, que, em 1995, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional de TV. Há também casos de testemunhas de Jeová que são processadas por não aceitarem que parentes recebam doações de sangue, de adventistas do Sétimo Dia a quem não são dadas alternativas quando não trabalham ou não fazem prova escolar no sábado, e de medidas judiciais que impedem sacrifício de animais em ritos religiosos, entre outros.

Em janeiro, a TV Bandeirantes foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo por desrespeito à liberdade de crenças porque, em julho de 2010, exibiu comentários do apresentador José Luiz Datena relacionando um crime bárbaro à “ausência de Deus”. “Um sujeito que é ateu não tem limites. É por isso que a gente vê esses crimes aí”, afirmou o apresentador. A emissora foi condenada a exibir em rede nacional, no mesmo programa, esclarecimentos sobre diversidade religiosa e liberdade de crença.

Recentemente têm provocado reações algumas ­declarações do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Pastor evangélico, ele escreveu no Twitter que africanos são descendentes de um “ancestral amaldiçoado por Noé” e que sobre a África repousam maldições como paganismo, misérias, doenças e fome. A presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES), se manifestou a respeito.

— São declarações e atitudes que instigam o preconceito, o racismo, a homofobia e a intolerância. Todas absolutamente incompatíveis e inadequadas para a finalidade do Legislativo — disse.

Denúncias cresceram mais de 600% em um ano; crenças de matriz africana são as que mais sofrem ataques

A quantidade de denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República cresceu mais de sete vezes em 2012 em relação a 2011, um aumento de 626%. A própria secretaria destaca, no entanto, que o salto de 15 para 109 casos registrados no período não representa a real dimensão do problema, porque o serviço telefônico gratuito da secretaria não possui um módulo específico para receber esse tipo de queixa. Ou seja, muitos casos não chegam ao conhecimento do poder público. A maior parte das denúncias é apresentada às polícias ou órgãos estaduais de proteção dos direitos humanos e não há nenhuma instituição responsável por contabilizar os dados nacionais.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) também não possui dados específicos sobre violações ao direito de livre crença religiosa. No entanto, o ouvidor do órgão, Carlos Alberto Silva Junior, diz que o número de denúncias de atos violentos contra povos tradicionais (comunidades ciganas, quilombolas, indígenas e os professantes das religiões e cultos de matriz africana) relatadas à Seppir também cresceu entre 2011 e 2012.
Caminhada no Dia Contra Intolerância Religiosa, em Fortaleza. Data foi criada em 2007, após morte de líder do candomblé difamada por jornal evangélico
Muitas agressões são cometidas pela internet. Segundo a associação ­SaferNet, em 2012, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos ­recebeu 494 ­denúncias de intolerância religiosa praticadas em perfis do Facebook. O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, foram 247.554 denúncias ­anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.
Ministra da Seppir, Luiza Bairros ressalta a gravidade das agressões
A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012. Mas a tendência não significa que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. “Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo racista, antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa”, explica Thiago Tavares, coordenador da central.

Os dados foram ­divulgados pela Agência Brasil este ano no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 pela Lei 11.635, em homenagem a Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, do terreiro Axé ­Abassá de Ogum, de Salvador. A religiosa do candomblé sofreu um enfarte após ver sua foto no jornal ­evangélico Folha Universal, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.

A ministra da Seppir, Luiza Bairros, disse, nas comemorações de 21 de janeiro, que os ataques a religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. “O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Não se trata apenas de uma ­disputa religiosa, mas também de uma disputa por valores civilizatórios”, disse.

Na ocasião, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançou um comitê de combate à intolerância religiosa. A ­iniciativa pretende promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e auxiliar na elaboração de políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião.

O comitê terá 20 integrantes, sendo 15 deles representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa. Ainda sem data definida para começar efetivamente a funcionar, o comitê depende de um edital que selecionará os integrantes.


Perseguição policial até os anos 1960

O Brasil é um país laico. Isso significa que não há uma religião oficial e que o Estado deve manter-se imparcial no tocante às religiões. Porém, sendo um país de maioria cristã, práticas religiosas africanas foram duramente perseguidas pelas delegacias de costumes até a década de 1960.
 
Como agir
No caso de discriminação religiosa, a vítima deve
ligar para a Central de Denúncias (Disque 100) da
Secretaria de Direitos Humanos.
Também deve procurar uma delegacia de polícia
e registrar a ocorrência. O delegado tem o dever de
instaurar inquérito, colher provas e enviar o relatório
para o Judiciário. A partir daí terá início o processo penal.
Em caso de agressão física, a vítima não deve
limpar ferimentos nem trocar de roupas — já que
esses fatores constituem provas da agressão —
e precisa exigir a realização de exame de corpo de delito.
Se a ofensa ocorrer em templos, terreiros, na
casa da vítima
, o local deve ser deixado da maneira
como ficou para facilitar e legitimar a investigação das
autoridades competentes.
Todos os tipos de delegacia têm o dever de averiguar
casos dessa natureza, mas em alguns estados há
também delegacias especializadas. Em São Paulo,
por exemplo, existe a Delegacia de Crimes Raciais e
Delitos de Intolerância (veja o Saiba Mais).

No período colonial, as leis puniam com penas corporais as pessoas que discordassem da religião imposta pelos escravizadores. Decreto de 1832 obrigava os escravos a se converterem à religião oficial. Um indivíduo acusado de feitiçaria era castigado com pena de morte. Com a proclamação da República, foi abolida a regra da religião oficial, mas o primeiro Código Penal republicano tratava como crimes o espiritismo e o curandeirismo.

A lei penal atual, aprovada em 1940, manteve os crimes de charlatanismo e curandeirismo.

Até 1976, havia uma lei na Bahia que obrigava os templos das religiões de origem africana a se cadastrarem na delegacia de polícia mais próxima. Na Paraíba, uma lei aprovada em 1966 obrigava sacerdotes e sacerdotisas dessas religiões a se submeterem a exame de sanidade mental, por meio de laudo psiquiátrico.

Muitas mudanças ocorreram até 1988, quando a Constituição federal passou a garantir o tratamento igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças.

O texto constitucional estabelece que a liberdade de crença é inviolável, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos. Determina ainda que os locais de culto e as liturgias sejam protegidos por lei.

Já a Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo).

A pena prevista é a prisão por um a três anos e multa.

Restrições religiosas atingem 75% da população mundial

Uma pesquisa mundial feita em 2009 e 2010 indicou o aumento da intolerância religiosa. Segundo o Instituto Pew Research Center, com sede nos Estados Unidos, 5,2 bilhões de pessoas (75% da população mundial ) vivem em locais com restrições a crenças.

No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de restrições. Entre os países com as maiores restrições governamentais (leis, políticas e ações para limitar práticas religiosas), estavam Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, China, Rússia e outros que somaram 6,6 pontos ou mais em um índice de máximo 10. O Brasil aparece, junto com Austrália, Japão e Argentina, em nível baixo, entre os países com 0 a 2,3 pontos.

Mesmo nos países com nível moderado ou baixo de restrições, houve aumento da intolerância. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma proposta — ­rejeitada pela Justiça — de declarar ilegal a lei islâmica. Na Suíça, foi proibida a construção de novos minaretes (torres em mesquitas). O aumento dessas restrições foi atribuído a fatores como crescimento de crimes e violência motivada por ódio religioso.

Projetos modificam Código Penal e regulamentam a Constituição


Entre as propostas em tramitação no Congresso para combater a intolerância religiosa, está o PLC 160/2009, que dispõe sobre as garantias e os direitos fundamentais ao livre exercício da crença, à proteção aos locais de cultos religiosos e liturgias, e à liberdade de ensino religioso, buscando regulamentar a Constituição. O projeto, do deputado George Hilton (PRB-MG), está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS). O relator, Eduardo Suplicy (PT-SP, foto), propôs audiência, ainda não agendada, para debater o texto.

O assunto vem sendo discutido também no âmbito da proposta de reforma do Código Penal, tema de comissão especial do Senado. Um grupo de juristas preparou o anteprojeto, posteriormente apresentado como projeto (PLS 236/2012) por José Sarney (PMDB-AP). A intolerância religiosa está relacionada a assuntos do código, como os crimes contra os direitos humanos e os que podem ser praticados pela internet.

Saiba mais
Lei 9.459/1997, que considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões
http://bit.ly/lei9459

Cartilha da Campanha em Defesa da Liberdade de Crença e contra a Intolerância Religiosa
http://bit.ly/cartilhaCEERT

Mapa da intolerância religiosa e violação ao direito de culto no Brasil
http://bit.ly/mapaIntolerancia

Novo Mapa das Religiões
http://bit.ly/mapaReligioes

Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo
Rua Brigadeiro Tobias, 527, 3º andar, bairro Luz, São Paulo, SP
Tel: (11) 3311-3556/3315-0151 ramal 248

Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos no Rio de Janeiro
Tel: (21) 2334-9550

Veja as edições anteriores do Especial Cidadania em www.senado.leg.br/jornal

quinta-feira, maio 02, 2013

LEI CARIOCA PROÍBE EMPRESAS DE QUESTIONAREM RELIGIÃO EM ENTREVISTAS DE EMPREGO

PROJETO DE LEI Nº 1644/2008
      EMENTA:
      PROÍBE INQUIRIR SOBRE A RELIGIÃO DO CANDIDATO EM QUESTIONÁRIOS DE EMPREGO, ADMISSÃO OU ADESÃO A EMPRESAS PÚBLICAS OU PRIVADAS, SOCIEDADES, CLUBES E AFINS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS
Autor(es): VEREADOR ÁTILA NUNES NETO


A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
D E C R E T A :
    Art.1º - Proíbe inquirir por quaisquer meios sobre a religião do candidato a vaga em questionários, formulários ou entrevistas de emprego, admissão ou adesão a empresas públicas ou privadas, sociedades, clubes e afins.

    Art.2º - O descumprimento da presente Lei acarretará ao infrator a aplicação de multa, a qual poderá variar de cento e cinqüenta reais a dois mil e quinhentos reais por infração.

    Parágrafo único - No caso de reincidência a multa será aplicada em dobro e permanecendo a infração poderá ser suspenso o alvará do infrator.


    Art. 3º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.
      Plenário Teotônio Villela, 25 de março de 2008.

    ÁTILA NUNES NETO

JUSTIFICATIVA

Em diferentes partes do mundo, assiste-se ao crescimento da intolerância religiosa, fenômeno que motivou a Resolução 2003/54 da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. O seu parágrafo 5º sublinha que as restrições à liberdade de professar religião ou crença só são permitidas se previstas em lei e necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde, a moral pública e os direitos e liberdades fundamentais. E se aplicadas de modo que não restrinjam o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. 
Nossa Constituição Federal avançou bastante e define em seu artigo 3º inciso IV “- promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. E ainda em seu artigo 5º - “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
(...) 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; 
(...)
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
(...)

A Lei Orgânica Municipal obedecendo a Carta Magna dá maior ênfase em seu Art. 4º - O Município promoverá os valores que fundamentam a existência e a organização do Estado brasileiro, resguardando a soberania da Nação e de seu povo, a dignidade da pessoa humana, o caráter social do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo, visando à edificação de uma sociedade livre, justa e fraterna, isenta do arbítrio e de preconceitos de qualquer espécie e assentada no regime democrático.

E mais:

Art. 5º - Através da lei e dos demais atos de seus órgãos, o Município buscará assegurar imediata e plena efetividade dos direitos e franquias individuais e coletivos sancionados na Constituição da República, bem como de quaisquer outros decorrentes do regime e dos princípios que ela adota e daqueles constantes dos atos internacionais firmados pelo Brasil.

§ 1º - Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, cor, sexo, estado civil, orientação sexual, atividade física, mental ou sensorial, ou qualquer particularidade, condição social ou, ainda, por ter cumprido pena ou pelo fato de haver litigado ou estar litigando com órgãos municipais na esfera administrativa ou judicial.

§ 2º - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício de culto e sua liturgia, na forma da legislação.
§ 3º - O Município estabelecerá sanções de natureza administrativa a quem pregar a intolerância religiosa ou incorrer em qualquer tipo de discriminação, independentemente das sanções criminais.

§ 4º - São proibidas diferenças salariais para trabalho igual, assim como critérios de admissão e estabilidade profissional discriminatórios por qualquer dos motivos mencionados no parágrafo anterior, respeitada a legislação federal.

A entrevista pessoal - uma das fases mais importantes do processo de seleção - deve seguir preceitos éticos. Muitas vezes, o selecionador, na intensa procura do empregado, expõe o indivíduo a situações que podem provocar distorções na sua avaliação. Uma seleção ética evita perguntas invasivas e estritamente pessoais como, por exemplo “qual a sua religião?”. A aceitação de uma religião ou a falta de uma crença não interfere no desempenho de um trabalhador seja ele especializado ou não. 
Esta pergunta caracteriza uma infração as leis que permeiam a nossa República, pois fica caracterizada a discriminação do candidato ao emprego se este não corresponder ao conceito de religião “correta” aceita pelos empregadores. 

A intolerância religiosa é terreno fértil para outras infrações e nesta Casa de Leis cabe a nós coibir e criar modos de fazer cumprir a Constituição e as Leis.


O inteiro teor do projeto segue abaixo e a aprovação pode ser assistida nesse vídeo:

domingo, abril 21, 2013

QUAL A REPRESENTAÇÃO REAL DA ENCRUZILHADA AFINAL; E QUEM MORA NELA?



Sempre que se ouve falar em trabalho de Exú, escuta-se dizer em fazer despacho na encruzilhada. Porém, poucos são os que realmente sabem o significado da encruzilhada, o que ela representa para nós, seres humanos, para nossas vidas e para os espíritos que nela residem.  Pensam alguns que, ali somente vivem seres atrasados, em busca de vingança e de trabalhos nefastos e escusos como forma de destruírem a vida dos seres humanos, prestando assim, serviços aos “seres do inferno”.
Devemos nos ater antes de tudo que: em primeiro lugar, inferno é algo tão somente do Catolicismo e demais religiões Cristãs e nada tem a ver com nosso credo. Foi sua criação no imaginário popular, uma forma de se manter as pessoas fiéis a seus princípios, pois caso contrário, “Deus” as puniria com o fogo eterno. Sempre foi esta a maneira mais fácil de manter uma ou mais pessoas sob nosso julgo: ameaçamos com isso ou aquilo e pronto; garantimos total submissão. Ainda mais, quando fomos nós quem traduziu as escrituras de acordo com nossos interesses e ali colocamos apenas o que era de acordo com nossa conveniência. Teremos como resultado, uma massa mundial, se rendendo a todas as nossas vontades e com isso produzimos guerras, assassinatos, estupros e outros, como fez a igreja católica.
Mas, nada de inferno existe nas encruzilhadas nem mesmo nos espíritos que ali habitam. O que entendemos como encruzilhada afinal?
Encruzilhada segundo definições dos dicionários, nada mais é que o local onde se cruzam duas ou mais ruas ou caminhos. Mas, se assim o é, qual sua importância religiosa para o Candomblé e Umbanda?
Pois bem: Olorúm, Deus criou tudo, e todas as coisas existentes tanto na Terra como no Universo. Até mesmo os mais ínfimos seres foram por Ele criados. Ao criar o mundo, ele deu ao homem, o livre arbítrio, o direito de escolher qual caminho tomar em sua vida, e até mesmo de escolher se deseja viver para servir a Ele, o pai ou às forças das trevas. (Dentro da cultura africana, as forças das trevas são espíritos malfazejos que buscam o mal como força e nada têm com o diabo cristão).
Ao dar ao homem, o livre arbítrio, Olorúm, concedeu-lhe o maior dos desejos que poderia conceder, mantendo oculto dessa criação, apenas o dom da imortalidade. Pois bem, para que o homem decida qual caminho seguir, ele precisa tomar decisões que comprometerão sua vida para todo o sempre. E isso se compara a “estar numa verdadeira encruzilhada” como diz o dito popular.
Estamos em uma estrada ou caminho que leva a determinada Cidade, por exemplo, mas, não conhecemos muito bem o trajeto, eis que, quando chegamos a um entroncamento, ou seja, em uma encruzilhada, ficamos em dúvida de qual direção devemos seguir. Então caberá à nossa cabeça, nossa inteligência nos apontar para onde devemos ir. E isso ocorre em todos os sentidos de nossa vida.
Quantas e quantas vezes temos que tomar decisões em nossas vidas que não sabemos nem mesmo por onde começar a pensar? Temos nesse momento que ponderarmos todas as reflexões daquela decisão em nosso futuro, para então, decidirmos o que fazer. Esta é a encruzilhada que temos que passar em nossa vida. São caminhos que o destino nos reservou como forma de testar nossa fé e nosso amor por Deus, para que possamos provar assim, se estamos vivendo realmente dentro de tudo que pregamos.
Neste momento, os espíritos que residem nas encruzilhadas são presenteados, para que nos ajudem a tomar as decisões mais corretas a fim de que possamos passar por determinada situação sem maiores comprometimentos tanto de nosso corpo físico quanto espiritual.
Em outras situações, estamos sendo atacados por inimigos ocultos que não querem de forma alguma nos permitir seguir em frente com nossos planos de trabalho e crescimento, e isso tão somente por inveja. Nesta fase, presenteamos aos Exús das encruzilhadas para que desmanchem todos os feitiços que existam contra nós, para que tenhamos condições de seguir em frente.
A encruzilhada como podemos ver, é muito mais que uma mera representação. Ela é na verdade, um ponto estratégico em nossas vidas e devemos ter muito respeito ao passar por ela. Sempre que passarmos por uma encruza, devemos mesmo que em pensamento, louvar aos Exús que ali residem, pedindo permissão para, os que pensam que Exú reside na encruzilhada, para a exemplo da deusa Hécate, fazer o mal, tão somente o mal para os seres humanos. Aquela que nas noites de lua nova, andava na Terra com sua horripilante matilha de cães a destruir todos que passassem por onde ela estivesse.
Devemos entender que, por mais que tenhamos alguns aspectos parecidos com outras religiões, somos muito distantes delas, até mesmo porque, dentro da visão africana, Olorúm, Deus, é supremo, como nas outras, mas, não pode existir outro ser que deseje roubar-lhe o trono. Não entende o africano milenar, que sendo Olorúm o Supremo Criador, uma de suas criações tenha força nem poder para lhe dar combate. Na verdade eles acreditavam e passaram para nós essa crença, de que, Olorúm, criou a tudo e todos, e mesmo Exú é seu filho, aliás, o primeiro Orixá, aquele que recolhe nossas preces e nossos pedidos e leva para o Reino dos Céus.
É ele ainda que, se encarrega de vigiar os portais que separam nosso mundo dos mundos dos Orixás e dos mortos, a fim de que, nenhuma força adentre dentro do mundo da outra sem permissão. É Exú quem guia nossos Orixás a Terra quando de suas primeiras manifestações. Se não fosse pela vontade de Exú, homem e mulher não sentiriam desejo sexual, e assim sendo, não copulariam e com isso não perpetuariam sua raça.
Vejamos então, como Exú é de suma importância para nós e para nossa vida e nosso mundo! Dificilmente sem ele nem mesmo nossas preces seriam atendidas. Sua importância é tamanha que até mesmo nas oferendas é ele o primeiro a ser presenteado.
Em seus domínios, as encruzilhadas, Exú na verdade, zela por nós, cuida para que nossos inimigos não possam ultrapassar os limites e assim nos fazerem ainda mais mal do que conseguiram. Sabemos que as decisões que temos que tomar em nosso dia a dia, nem sempre são fáceis e em algumas delas, podemos machucar alguém e Exú sempre nos acolhe durante esse processo, garantindo que estejamos em paz com nossa consciência e a melhor forma para isso, é evitando que os seres inferiores, os eguns e outros, se infiltrem em nosso meio, e permeiem nossa mente com pensamentos nefastos e que somente nos afastarão dos ideais de Olorúm.
Silenciosamente, ele vigia nossos caminhos, nos orienta em tudo que pedimos, e sempre que possível guerreia contra aqueles que teimam e nos desviar dos caminhos que Deus quer para nós.
Porém, outro guerreiro também habita as encruzilhadas: Ogum. Sim, o Senhor da guerra, das batalhas, ali faz sua morada, afina, como andar por uma estrada sem que cruze por uma encruzilhada? E quando Ogum habita as encruzilhadas é justamente para coibir os excessos cometidos por Exú, é como forma de sustentar a coexistência dos dois mundos: o mundo dos encarnados e dos desencarnados, não permitindo assim, que de forma alguma, algo ultrapasse os limites do aceitável.
Porém, enquanto Exú mora nos cantos das encruzilhadas, o meio pertence a Ogum, é ali que suas oferendas são postas. Mas, como hoje em dia o transito de dá por meio de veículos motorizados, geralmente preferimos agradar Ogum em estradas afastadas, linhas de trem ou mesmo em encruzilhadas afastadas em locais onde praticamente não existem carros transitando.
Temos que prestar bem atenção na forma de entregarmos oferenda para Exú, pois dependendo da cor que colocamos de vela, da forma que entregamos essa oferenda, corremos o risco de Ogum vir receber, deixando assim Exú sem o que lhe é devido.
Segundo a lenda, Ogum decapitou Exú seu irmão, a pedido de Orumilá, pois este estava ultrapassando fazia tempos, os direitos que haviam sido conferidos a ele, e em muito também havia já, extrapolado os limites do aceitável, e como seu Pai, Orumilá determinou que Ogum refreasse o irmão, e este optou pela Guerra, Ogum não teve escolha que não decapitar o mesmo.
Assim, quando se coloca uma oferenda para Exú em uma encruzilhada, temos que saber a forma correta até mesmo para se chegar lá, pois corremos o risco de agradar a um, e desagradar o outro. Em cada ambiente da natureza, Olorúm colocou um de seus Ministros, os Orixás responsável, e não seria diferente com a estrada, encruzilhada, campina, porteira, enfim, tudo que se diz respeito ao mundo que habitamos.
Dizer que na encruzilhada é local para o mal, é falta de conhecimento, pois muita coisa boa é feita ali. O bem ou o mal está dentro da cabeça e do coração do ser humano e não das entidades. São as pessoas que manipulam as entidades, mesmo as sem luz alguma, para prejudicar seus desafetos. Assim, não precisar ir à encruzilhada, cemitério, ou seja, lá o que for para fazer maldade. Basta ter a maldade em seu coração e o local em nada importa.
Mas, aviso: cuidado com o mal, pois este é faca de dois gumes. Corta dos dois lados e mais dia menos dia, teremos que dar conta de nossos atos aqui na Terra.
Encruzilhada, portanto, nada mais é, que o sentido de seguir em caminhos opostos ou não, ao que estamos, e depende de quem está seguindo tomar a decisão. Por se tratar de uma espécie de bifurcação, que nos propicia diferentes oportunidades de caminhar, é que Exú ali reside, à espera dos transeuntes, para que lhes dêm presentes e sigam seus caminhos em paz.
Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


segunda-feira, abril 08, 2013

ODÚS, OS CAMINHOS QUE TODOS TEMOS QUE SEGUIR.



Quando Olorúm, Deus, criou o homem, Ele em sua Sabedoria viu que o mesmo precisava se elevar se quisesse alcançar os degraus que Ele, o Criador, havia construído para que suas criações pudessem se chegar até sua morada. Mas, notou que dificilmente isso aconteceria, dado que por mais que os tivesse feito à sua imagem e semelhança, sua mais amada criação, não se esmerava em crescer até que merecesse atingir o ápice de seu mérito.

Então, Olorúm determinou que surgissem os Odús, que seriam o destino, os caminhos de cada um nesta Terra. Com os elementos que Ele mesmo havia criado: a água, o fogo, o ar e a terra, foram criando os Odús e dando a eles poder de guiarem os homens, orientando para que, não se desviassem de seu propósito maior: atingir a perfeição necessária para que pudesse ir para junto do Pai.

Os primeiros homens a serem guiados pelos Odús, mesmo vivendo em épocas onde a guerra, a selvageria imperavam, conseguiram alcançar ao menos parte de sua elevação, pois que, não matavam aquilo que não comiam, ou se não fosse para defender o que lhes pertencia. Não cobiçavam o que jamais poderiam ter, como, por exemplo, a sabedoria excessiva que somente serve para corromper os corações dos homens.

Entregavam-se, mas por amor. Nem mesmo comiam por ânsia, pois sabiam que o alimento não seria farto para sempre, e assim sendo, evitavam o desperdício, porque temiam não ter o que comer no amanhã.

Ao plantarem suas sementes na terra, oravam aos deuses, pedindo para que intercedessem ao Pai Maior, para que sua semeadura desse fruto. Antes de colherem ofertavam uma parte a terra e à natureza como forma de agradecer aos deuses, ao Pai Supremo e a toda a natureza pela fartura em sua colheita. Quando matavam um animal, fosse em rituais religiosos ou mesmo para alimentar suas tribos, agradeciam aos deuses e até mesmo àquele animal sacrificado, pois que, sua carne alimentaria a todos e sua pele serviria de roupa para aquecer ao frio.

E assim viviam, e simplesmente viviam, e hoje, segundo aos mais antigos na religião, são nossos Orixás. Vêm de volta a esse Planeta tão somente como agradecimento a Deus, e a melhor forma que encontram de agradecer, é nos guiando em bons caminhos, nos mostrando que vale sim, à pena seguirmos os princípios aqui deixados por Zambi.

Temos que seguir nosso rumo e nosso destino. Por mais que possa nos parecer pesado o fardo, jamais Deus nos daria algo para o qual não teríamos forças para suportar. Isso nos deixa claro os Mandamentos deixados por Iká. Precisamos apenas nos conformar com o que não podemos mudar, e lutar muito para nosso aperfeiçoamento.

Quantos de nós, não reclamou, já da luta diária? Quantas e quantas vezes já não nos achamos esquecidos por Deus e pela espiritualidade? Mas, ocorre que, são justamente nesses momentos que eles mais estão ao nosso lado, e muitas das vezes nos carregam no colo, só que, ao contrário de nós, não proclamam aos quatro ventos o que fazem. Preferem sim, agir no calado, sem que a própria pessoa saiba, pois a Sabedoria Suprema de Deus assim solicita.

Não podemos pedir que outros passem por nós o que nos está reservado, pois, estaríamos lutando e pedindo em vão. Nossos Odús são nossos caminhos e tudo o que temos nessa vida, é resultado do que fomos em vidas passadas. Nada, mas nada mesmo, passa sem que os Olhos de Olorúm, estejam observando.

Cada passo, cada gesto que fazemos, está sendo analisado pelas correntes espirituais, e essas, os levam para outras esferas que as levam para outras, até que sejam anotadas no Livro Sagrado. Iká, quando nos deixou os Mandamentos de Olorúm, deixou bem claro que somente através da resignação e do fazer o bem, poderemos alcançar a perfeição que buscamos desde nossa criação.

Seguir em frente com sabedoria, determinação, fé e resignação, é antes de tudo certeza de que Deus em sua soberania e supremacia nos observa e nos providenciará colheita farta mediante nossa semeadura.

Não nos compete, pois, julgar a quem quer que seja, dado que seremos julgados da mesma forma por Zambi e por seus Ministros, nossos Orixás. Temos ao contrário, que nos ater as coisas do bem e do amor, esperando que um dia receberemos o soldo de acordo com nosso trabalho.

Como Pai, jamais Deus daria a um de seus filhos, pedra no lugar de pão. Porém, deixou bem claro, que sem fazer por merecer, nada teremos nesse mundo ou no outro. E para que pudéssemos ser merecedores de todas as maravilhas que criou para nós, deixou no outro mundo, os Odús, que influenciam diretamente nossos passos aqui na Terra de forma que nos orientando, garantem que possamos nos adequar às necessidades do espírito e às exigências das Leis Divinas, a fim de sermos mais que filhos, mas presentes na perante o Pai.

Sigamos, pois, o que nos orientam os Odús através do oráculo sagrado de Ifá, pois eles são os porta vozes de Olorúm para os homens. Mantenhamo-nos firmes no propósito de fazer o bem sem olhar a quem, pratiquemos a caridade e o amor, pois que, Iká assim nos aconselha, e veremos a colheita de nossas vidas, ser farta.

Agindo em conformidade com as Leis Divinas, dificilmente seremos dominados pelas esferas mais inferiores que tentam de todas as formas nos denegrirem perante nosso Pai. Odús são os Mensageiros de Deus, os antepassados de nossos Orixás, o que de mais sagrado podemos invocar, respeitemos, pois,  suas orientações e decisões e assim, com certeza, viveremos mais e melhor. 

Tatetú N'Inkisi Odé Mutaloiá.

segunda-feira, março 11, 2013

O CASAMENTO GAY E A ADOÇÃO DE FILHOS



Verdadeiros embates acontecem no mundo atual, com relação à união de pessoas do mesmo sexo, e da adoção por parte dos mesmos de crianças. Uns se dizem a favor, outros se anunciam contra aos quatro ventos, e ainda temos PASTORES que publicam em todos os meios de comunicação que Gay não merece nada precisam sim, de tratamento e da palavra do Senhor, e que, ser negro é ter nascido com azar.

Bom, dentro de minha religião, temos sim, homossexuais tanto homem como mulheres e isso serve para que caiam sobre nós de pauladas, nos acusando de várias barbaridades. Ocorre que somos de uma religião que não tenta mudar quem quer que seja; ao contrário, aceitamos as pessoas como elas são e as respeitamos acima de tudo.

Sofremos na carne, a discriminação e não podemos nos calar perante tal abuso contra os gays, sejam eles, homens ou mulheres, pois cremos que, cada um tem o direito de viver sua vida da maneira que mais lhe convém.

Muito me espanta que dentro de uma nação como a nossa, pessoas com o Sr. Marco Feliciano, um verdadeiro MONSTRO, assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, pois prega aos quatro cantos do mundo, ser homofóbico e racista, para isso basta entrarem no link a seguir: http://migre.me/dAEqk e verem com seus próprios olhos as barbaridades deste MONSTRO.

Mas, voltando à minha religião, somos sim, a favor da união entre pessoas do mesmo sexo, eu inclusive já celebrei casamentos desta natureza, da mesma forma que pastores e padres. Dentro do Candomblé pensamos que cada ser é responsável por sim, e temos a obrigação de aceitar as pessoas como elas são desde que, não se utilizem de drogas e nem pratiquem roubos, estupros e outros crimes, pois para o Orixá isso não condiz com os Mandamentos de Olorúm, deixados por Iká na Terra para os homens.

Preocupa-me e muito, tanto como sacerdote, vice-presidente de uma Federação e Presidente de seu Conselho Religioso, mas também, como homem, como ser humano, o rumo que estão tomando as coisas em nosso Brasil. Não podemos mais nos calar, temos que exigir que a OAB o Ministério Público, entrem em ação e retirem um ser desses de tal cargo e, até mesmo da vida pública.

Temos o direito de expor nosso pensamento, mas não de atacar as pessoas e praticar o pré-conceito. Vivemos em um Estado Laico, onde todos são iguais perante a lei. Mas na prática o que vemos, é a frieza e a crueldade vencerem tudo e todos.

Temos Orixás que nos protegem, mas temos leis também e temos que usá-las sim. Não concebo nem compactuo com a ideia de que, uma pessoa por ser negra ou gay, não seja vista como filho de Deus nem mesmo como cidadão comum.

Faço aqui uso das palavras de um grande amigo, o Dr., Mário Márcio, Fisioterapeuta, e atuante nas causas sociais: “alguém pode apontar um filho de gays assassino, ladrão, traficante ou algo do gênero”?  Não! As estatísticas mostram que são filhos de éteros sim.

Lido com gays há muitos anos, e tudo que vi, foi educarem seus filhos adotivos com rigor, seriedade, honestidade e hoje são médicos, advogados, e outras profissões, mas, todos trabalham e vivem do suor de seu rosto.

Isso porque os gays sabem o que é discriminação, perseguição e não querem de forma alguma que seus filhos sofram no mundo. Não conheci também, pais mais amorosos que eles.

Existem gays errados, que roubam e etc. e tal? Sim. Mas não podemos condenar uma classe por causa de meia dúzia, pois existem muito mais éteros que roubam, matam estupram, do que na comunidade gay.

Ser gay, lésbica, é uma opção de vida sim, e temos que respeitar, pois são eles, filhos do mesmo Pai que todos nós. Conheço sim, 06 gays que são errados, mas em contrapartida, conheço 200 que trabalham, lutam no dia a dia para se sustentarem. Sofrem até mesmo dentro de suas famílias e ainda por cima são chamados disso ou daquilo?

Bem, se querem tanto combater os gays, porque então, não dão o mesmo combate a padres gays, artistas famosos, membros de congregações evangélicas e outros? Por que não atacam com força total a pedofilia que impera dentro do catolicismo e toda a sociedade vestida de hipocrisia se cala perante a mesma?

Então, que saibam todos que: como sacerdote, apoio sim aos gays, lésbicas e afins. Como homem e pai de família também, pois se um de meus filhos quisesse ser gay, eu o colocaria dentro de minha casa, em baixo de minhas asas e ai daquele que o ofendesse, pois amo meus filhos acima de tudo.

Conheço famílias abastadas que têm filhos homossexuais, bissexuais e que lhes dão total apoio. Como eu, um simples sacerdote, poderia virar meu rosto e desamparar as pessoas apenas por não terem a mesma orientação sexual que eu? HIPOCRISIA é a palavra para isso.

Temos também que defender seus direitos à adoção, pois, não significa que pelo fato de uma criança ser criada em um lar onde residem duas pessoas do mesmo sexo, que ela também terá esta orientação, afinal, todos os que conhecemos, são oriundos de éteros, de casamentos chamados de normais, se é que isso existe, pois até onde sei, o casamento que se conhece, foi instituído pela igreja católica para permitir o sexo entre as pessoas e mais tarde com a introdução do código civil, o casamento nada mais é, que um contrato de sociedade entre duas pessoas, no caso, homem e mulher.

Palavras do Senhor? Como diria uma amiga advogada: “palavras do senhor Constantino” e realmente pois a Bíblia que todos os cristão usam, são na verdade, edições republicadas daquilo que Constantino achava que devia ser bom para cobrir seus erros, e quando Roma viu que era bom para ela também, deixou como estava e até hoje todos adoram-na. Mas, por que os escritos verdadeiros que foram e são encontrados, são consumidos por Roma?

Bem, se nada têm a esconder e a temer, deixem que esses pergaminhos sejam analisados por cientistas atuais e assim, que façam a verdadeira tradução. E, aproveitando o ensejo: onde estão os escritos dos cristão agnósticos? A igreja consumiu, pois ali estava tudo ao contrário do que eles manipularam e manipulam até hoje.

E agora vêm falar contra gays, umbandistas, candomblecistas e outros? Que vão primeiro se olharem no espelho e prestarem contas das vidas que tiraram durante séculos em Nome de Jesus, como se Ele quisesse isso.

Pois, se amo e/ou amamos nossos Orixás, temos sim, que amar as pessoas independente de sua opção sexual e dar-lhes total apoio em nossas casas, pois para aqueles que realmente conhecem o Candomblé sabem o que significa ser diferente em nosso mundo.

Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

TROCA DE E MAIL

Por motivos alheios a minha vontade, informo que a partir de hoje, 19 de fevereiro de 2013, não mais estarei respondendo aos e mails enviados para o endereço do Hotmail. Aqueles que desejarem entrar em contato comigo, podem usar o endereço: odemutaloia@gmail.com, assim, desejo a todos uma vida de muita paz e muito axé.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.