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segunda-feira, agosto 03, 2009

OXALUFÃ

Orixá do panteão africano mais cultuado em todas as nações de Candomblé existente no Brasil, juntamente com Oxaguiã.

Oxalufã é segundo as lendas africanas, o Orixá mais velho que existe, tem o corpo curvado pelos anos e possui passos inseguros, o que faz com que ande com certa hesitação, mas nem por isso deixa de ser mais respeitado de todos os Orixás.

Devido a seus passos cambaleantes, ele anda apoiado em uma espécie de cajado, chamado de Opá Xorô, encimado por um pássaro, que para muitos seria a pomba branca, e adornado com várias ferramentas que pertencem a seus filhos, os demais Orixás. É considerado o Orixá da paz, da sabedoria, aquela sabedoria que somente os anos podem nos trazer, em suas obrigações a calma se faz imprescindível, assim como em tudo que diz respeito a ele.

Gosta preferencialmente da cor branca e seus filhos não usam tons vermelho, preto, roxo ou de outras cores mais escuras. Em sua homenagem, as pessoas do santo, costumam usar branco toda sexta feira, pois esse é seu dia. Seu bicho preferido é o Igbín, espécie de caramujo africano por ele muito apreciado, juntamente com a canjica branca ou ebô.


Nas casas mais antigas de Candomblé, costumavam-se todas as sextas feiras, realizar a cerimônia de lavagem de seu peji, ocasião em que seu assentamento é retirado de madrugada com muito silêncio e lavado e depois se oferece a ele o ebô, velas e rezas, pedindo sua misericórdia para o mundo.

Seu arquétipo na África é de um senhor muito velho e muito sábio e seu principal templo fica na cidade de Efon, próximo a Oxogbô. Em sua cidade de origem, a tranquilidade se faz presente, conforme nos relata Pierre Verger, e seu culto ainda é por lá difundido.

No Brasil seu culto é muito difundido, e na Nação Angola, todos os Orixás quando são feitos, comem juntamente com Oxalufã, pois é ele o pai supremo de todas as cabeças, uma vez que está ligado diretamente a criação do mundo e de todos os seres humanos.

Em outra lenda, teria sido esposo de Yemanjá com quem teve 16 filhos, os nossos 16 Orixás cultuados em nossa nação.

Não importando qual é a bandeira de uma nação de candomblé, todos, reverenciam Oxalufã e o amam, por sua sabedoria e por sua capacidade de nos acalmar em nossos momentos mais difíceis.

Sempre que nos reportarmos a esse Orixá, devemos fazê-lo prostrados no chão, pois estamos nos direcionando ao pai maior, àquele que todos os Orixás veem em socorro quando chamados, a quem todos os Orixás devem respeito e satisfação de seus atos, bem como dos atos de seus filhos.
Infelizmente na África, algumas regiões já não mais o cultuam em seu dia próprio, mas encontra aqui em terras brasileiras, o amor, carinho e dedicação por parte de todas as pessoas iniciadas, não importando de que santo sejam.

Em seu dia, não se pratica sexo, não se come carne vermelha, não se bebe, nem se usa roupas escuras, para o mais velhos, os mais novos se trajam de banco em respeito ao Senhor da Criação, ao Pai maior.

Nenhum Orixá pode realizar nada se não for com sua permissão. Mesmo assim, Oxalufã está sempre disposto a perdoar e a amar seus filhos, mesmo sendo o Orixá que mais nos cobra por nossos erros. É sincretizado com Senhor do Bonfim na Bahia e com Jesus Cristo nas demais regiões brasileiras.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com















sexta-feira, julho 31, 2009

SERIA EGUM UM ESPÍRITO DO MAL E QUE CAUSARIA MORTE EM UMA CASA DE SANTO?

Como todos os assentamentos de uma “roça” de candomblé, egum também é de vital importância para o bom funcionamento da casa e segurança tanto de seu zelador (a) como também dos filhos de santo e demais consulentes. O que acontece é que essa figura tem sido muito mal compreendida em nosso tempo.

A começar pelo seu assentamento que poucos sabem como realizar da forma correta. E também a forma de se tratar egum, é muito deturpada. Existem pessoas que os tratam como escravos, e pensam que estão agindo com uma energia dominável. Porém, essa forma de agir com egum, é equivocada e é ela que traz as consequências erradas para a casa de Candomblé.

Egum deve ser alimentado com respeito e carinho, assim como as demais entidades que compõem o universo dos Orixás. Não por ser ele, em serviçal de Orixá, tem que ser tratado de forma grosseira, com xingamentos e palavrões de toda espécie.

Egum existe em uma “roça” para nos proteger, nos amparar, nos livrar de todos os males que nossos inimigos por ventura venham a nos desejar, e também nos ajuda em tarefas variadas, desde a cortar uma feitiçaria que exista contra alguém, e até mesmo auxiliando a recompormos uma família desfeita.

Obviamente que como todas as forças espirituais, ele possui seu lado positivo e o negativo e somente devemos invocar o positivo. Aqueles que invocam egum para o mal, mais dia, menos dia pagam muito caro pelas artimanhas, uma vez que, as forças existem para o bem, e somente Deus tem o direito de julgar e punir alguém e nunca nós estamos aptos para tal.

Já vi pessoas que disseram que “quando se assenta egum em uma casa, ele leva alguém da família”. Isso é errado! Egum quando assentado, somente vai para a rua trabalhar quando nós o mandamos e volta quando o chamamos.

Eles nunca pedem a vida de um ser humano por mais vil que esse seja, afinal egum é escravo de Orixá e esses, seguem à risca as leis de Deus nosso Pai, que proíbe que uma vida seja tocada ainda mais ceifada.

Tenho visto várias casas com egum assentado, na minha mesmo eu tenho, e nunca soube da morte de quem quer que fosse depois do assentamento, salvo aquelas destinadas por Deus, afinal nenhuma entidade nos traz a juventude eterna e nossas vidas teem um fim no dia determinado por Olorúm.

Egum queridos é para nossa defesa e de nossos familiares carnais, assim como para a defesa de nossos filhos de santo e de nossos consulentes. Afinal seguem eles, as leis de nossos Orixás e esses a lei Divina.

Claro que algumas restrições existem para se tratar egum, basta que essas sejam seguidas e teremos aí uma valorosa força sempre disposta a ajudar. Não me refiro a egum solto, a alma penada, mas ao egum escravo de Orixá, uma forma de espírito que vive conforme as determinações do astral superior, ou seja, ao egum assentado, que passa a trabalhar para a “roça” e para seu sacerdote ““.

Pessoas de determinados santos, não podem de forma alguma lidar com egum, pois seus Orixás não convivem com esse tipo de energia, e se por acaso, sua casa pedir para que um seja assentado, basta que se nomeie uma pessoa de confiança para se cuidar de seu assentamento.

Usando essa energia com sabedoria, veremos que muitas coisas podemos fazer para o bem, não importando a entidade para a qual oferecemos presentes.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

quarta-feira, julho 29, 2009

O AXÉ DAS CASAS DE SANTO

Com certeza quando você foi a uma casa de Candomblé, deve ter observado que no meio do salão onde se realizam as festas, existe uma parte do chão que geralmente é marcado por uma tampa de concreto ou por um piso frio mesmo, mas destacando-se do restante do chão.

Ali se encontra o Axé da casa de santo. É um assentamento realizado com muito sigilo e nunca outras pessoas sabem qual o Orixá que ali está assentado, pois esse faz parte assim como a cumeeira da segurança da casa.

Em cima do mesmo costuma-se deixar sempre uma quartinha com água a fim de manter a casa fria como se diz; também determinadas oferendas são ali colocadas em determinados dias e determinadas festividades. Ao se realizar esse assentamento, é necessário que todos os que vão participar estejam de corpo limpo, se resguardando ao menos a três dias antes, de bebida, sexo e demais coisas mundanas que são nocivas ao nosso espírito.

Somente devem estar presentes, além do zelador que irá realizar o ato, pessoas com idade de santo suficiente para participar de certos segredos, e também pessoas de muita confiança tanto do zelador como do dono da casa. Isso porque ali está sendo assentado aquele que será a segurança da casa e dos demais filhos, e consulentes, ali está o mistério do chão da casa.

Dentro do Axé, existem certas entidades que não podem de forma alguma ser ali assentada, pois poderiam comprometer a vida de todos. Por isso é importantíssimo que saibamos muito bem, onde estamos frequentando, e se por acaso a pessoa que for realizar o ato litúrgico, não for nosso zelador, temos que nos certificar de que se trata de pessoa idônea e capaz de realizar tal ato.

Temos que nos lembrar que nossa vida sempre está em risco quando realizados atos de forma errada, por pessoa que não tem capacidade para tal. Para isso devemos consultar a federação local a fim de que possamos ter informações precisas quando se trata de pessoa que não seja nosso zelador de santo.

O Axé é imprescindível para que possa existir uma “roça” de Candomblé, pois sem ele não tem como a casa ser aberta, afinal, quem cuidaria da segurança nossa e de todos que ali frequentarão?

Nunca devemos realizar ato algum nele, mesmo a limpeza do piso, de corpo sujo, pois estaríamos contrariando as leis que regem o Universo de nossos Orixás. Tudo dentro de um templo é sagrado e como tal devemos tratar os assuntos pertinentes a eles.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@ig.com.br

segunda-feira, julho 27, 2009

CUMEEIRA

Dentro de um barracão de Orixá, esta é imprescindível para que o mesmo possa existir. Existem somente dentro de barracões de santo e na Umbanda sua existência é desconhecida.

Ao abrirmos uma casa de Santo, existem vários assentamentos que são feitos e que compõem a segurança tanto da “roça” como do zelador e de seus filhos e clientes. E a cumeeira é um desses fundamentos.

Para que se saiba qual Orixá que será responsável pela mesma, é necessária uma consulta a Ifá para que ele nos mostre os procedimentos a serem realizados. Após a escolha da cumeeira, prepara-se os rituais para o assentamento da mesma.

A casa pertence ao Orixá da pessoa, porém, a cumeeira pertence a outro, ela é o sustentáculo para a casa e seu sacerdote. Aquele Orixá que ali está assentado não tem obrigatoriedade alguma de trazer clientes, ou prestar outro tipo de favor ao zelador ou a seus filhos e consulentes.

A cumeeira representa e guarda os mistérios de cada casa e de seu sacerdote, é nela que seu Orixá se apóia para que sua casa sobreviva ao tempo. Nunca devemos revelar a qualidade daquele Orixá que ali está assentado nem mesmo fornecer detalhes que possam servir para identificá-lo, pois, que assim, ficaríamos a mercê de nossos inimigos.

É comum que ao se mexer na cumeeira, os filhos de santo que ainda não possuem obrigação de sete anos, virem de santo, ou seja, que seus Orixás se manifestem, afinal ali em baixo da mesma todos os filhos nasceram para seus Orixás.

Em baixo da cumeeira são feitos os maiores fundamento do Candomblé e assim sendo, não se deve dar fogo de pólvora em baixo da mesma.

Alguns zeladores costumam enfeitar suas cumeeiras com adornos pertencentes ao santo que ali está assentado e com outros que relembrem seu Orixá, isso varia de acordo com a permissão de seu santo, e com a condição financeira de cada um. O importante é que cada casa tenha a sua, e que a mesma seja feita por pessoas realmente idôneas dentro das leis do santo, pois uma mínima coisa que se fizer e que caso não seja em conformidade com o Orixá que ali comerá, as consequências podem ser terríveis.

A cumeeira guarda nossos segredos e fica conosco até o dia em que Olorúm nos chamar de volta para o seu reino. Nessa ocasião, respeitando-se o período de luto, são realizados rituais que deverão seguir as orientações do Oráculo Sagrado de Ifá. Afinal sem ele, nada fazemos em uma casa de santo.

Não existe uma qualidade pré-determinada de Orixá a ser assentado, mas, devemos sempre prestar atenção antes de realizarmos esse assentamento, pois temos que respeitar os caminhos do Orixá da pessoa, bem como outros segredos que nos são passados no período que preparamos a mesma para seu assentamento.

Nunca, em hipótese alguma, devemos mexer na cumeeira de corpo sujo, e mesmo que não tenhamos feito coisas que podem sujar nosso corpo, devemos tomar um banho antes de irmos a cumeeira, pois que ali, está um Orixá, a vida de todos nós.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@ig.com.br

odemutaloia@hotmail.com


quinta-feira, julho 23, 2009

A DISCRIMINAÇÃO GANHA TERRENO

Com tantas distorções dentro de nossa religião, a discriminação continua a ganhar terreno dentro dos seguimentos evangélicos. Nada mais, nenhuma casa ou templo está livre de ser atacado por pessoas que ainda praticam essa arbitrariedade em pleno século XXI.

Porém a culpa é nossa! Temos visto ser veiculado em vários meios de comunicação, inclusive na Internet, caso de pessoas que tiveram seus templos depredados e mesmo assim a grande maioria se inibe com medo de denunciar as agressões às Delegacias de Polícia. Temos que aprender que enquanto nos omitimos, estamos fornecendo meios para que seguidores do “cristianismo”, (se é que isso faz parte de ser cristão), para que continuem a nos perseguir e culminem por apedrejar templos e casas de caridade.

Temos que entender de uma vez por todas, que, temos direitos garantidos pela Constituição Federal,e pela Carta dos Direitos Humanos da ONU, conforme nos mostra os textos abaixo:



Constituição Federal de 1988 (D. O. U., 05/10/1988)
Artigo 5º da Constituição Federal

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.
Se assim o é, por que somos impedidos de nos manifestarmos em hospitais e presídios, por exemplo? Ao coibirem nossa prática religiosa, estão desobedecendo a Carta Máxima que rege nossa Nação e isso é prática ilícita dentro de nossos direitos.

Vejamos o que nos garante a Declaração Universal dos Direitos Humanos:


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948



“Artigo XVIII

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras’.

Como podemos observar, estamos garantidos de todas as formas legais para o livre exercício da religião, porém, algumas pessoas insistem em agirem de forma contraria a todos os sistemas de proteção que temos, e isso, com nossa bênção, pois nos calamos diante de tanta opressão.

Temos que fazer valer nossos direitos temos que nos unirmos e buscarmos nos tribunais, condições de punição para esses, e com certeza veremos a justiça ser feita.

Vários sacerdotes e sacerdotisas estão acordando para essa realidade e buscando seus direitos, mas, temos que fazer isso de forma substancial e não apenas um ou outro. Se formos à justiça de forma expressiva, como maioria, conseguiremos calar aqueles que tentam nos amordaçar, extirpar nossos direitos. Não passam esses, de parias que seguem na perseguição em nome de um, que apenas pregou a paz, o amor, e a união entre todos os povos.

Ao nos unirmos, combateremos toda essa ignorância que ainda permanece nos dias atuais. Se somos candomblezistas ou umbandistas, somos adoradores do demônio. Mas, e os que mataram, estupraram e cometeram tantos crimes em nome de Deus? São anjos celestiais?

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

segunda-feira, julho 20, 2009

O QUE SÃO OS ORIXÁS NO CANDOMBLÉ DE ANGOLA

A palavra ORIXÁ é de origem Yorúba, dialeto usado nos candomblés de Kêto, e, não BANTU, dialeto usado nos candomblés de Angola. Seu significado: ORI= CABEÇA – XÁ = GUARDIÃO OU AQUELE QUE GUARDA assim a palavra orixá, significa anjo da guarda, ou ainda: ORI= CABEÇA – XÁ = DONO, ou seja: DONO DA CABEÇA.

Para os africanos a concepção de "anjo da guarda", não era a mesma que conhecemos hoje, através do cristianismo, mesmo porque esta forma de culto (o culto aos Orixás) existe a aproximadamente 8.000 antes de Cristo, e há estudos que tentam provar uma existência ainda mais antiga. Para eles, os denominados "anjo da guarda", na verdade eram seus antepassados, que após se transladarem para o ORÚM (Céu), passavam a fazer parte da energia de seu Orixá. Transformando-se assim em um, e voltando à terra para ajudar seus descendentes a seguirem sua jornada em busca de um aperfeiçoamento.

DENTRO da nação Angola, não cultuamos Orixá, mas sim INKISIS, como eram chamados por nossos antepassados Angolanos. Os Inkisis eram antepassados, que ao deixarem a terra, voltavam a integrar a energia original. Assim transformando-se em GÊNIOS, que é o significado mais aproximado da palavra.

Esses Inkisis não eram cultuados em conventos (templos), uma vez que os Angolanos eram seminômades, assim prestavam reverência aos seus INKISIS em árvores. Com sua vinda para o Brasil, foi que começaram a ter seus cultos em templos, posteriormente chamados BARRACÕES, assim denominados, devido ao nome dadas as construções utilizadas na África, para guardar os escravos capturados.

Ainda nos dias de hoje encontramos SACERDOTES que aprenderam a identificar esta ou aquela árvore na qual reside um INKISI, mas muito poucos herdaram este conhecimento, porque a condição para termos os conhecimentos completos do culto, está na dependência ÚNICA e EXCLUSIVA, de termos somente um sacerdote/ sacerdotisa em nossa vida, mostrando assim a fidelidade não só a quem nos iniciou, como também e principalmente aos nossos Santos de cabeça. Ao entregarmos nossa cabeça a outra pessoa, ou nos deixarmos levar pela vã ilusão de que alguém sabe muito, tão somente por usar um dialeto diferente, corremos o risco de aprendermos as coisas de forma deturpada, e assim perdermos tudo o que nosso zelador teria a nos ensinar. O que nos trará sérias consequências no futuro, pois não saberemos a forma correta de agir em determinadas situações. Mas se nosso pai ou mãe nos liberou, nos deu sua benção ao sairmos de sua casa, devemos escolher bem quem nos guiará daí para frente, pois que sempre estaremos esbarrando com pessoas que se dizem saber muito, mas, na realidade...!

Assim se faz o candomblé de Angola: como qualquer outro, seja Kêto, Jêje, o importante é sermos fiel a nosso sacerdote ou sacerdotisa, aos nossos Orixás, para que possamos assim, termos um aprendizado completo, no qual tenhamos uma verdadeira estrutura para ajudarmos àqueles que dependerem de nossa intervenção para o favor que solicitam aos nossos antepassados, seres tão evoluídos, mas também tão humildes que não nos negam seu retorno aqui, para nos auxiliarem com toda sua experiência adquirida em sua larga jornada material e espiritual.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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A ORIGEM DO CANDOMBLÉ DO BRASIL


O candomblé como conhecemos, apesar de ter seus fundamentos nos Orixás, Inkisis e Voduns da África, como religião, só existe no Brasil. Na África sempre existiu e existem os cultos a DIVINDADES, sem a concepção religiosa que temos aqui, e sem a miscelânea cultural dos povos que para cá vieram como escravos, sem a qual JAMAIS teria se formado essa grandiosa religião.

Esses povos quando aqui chegaram, foram submetidos como sabemos, a todo tipo de degradação e humilhação que as mentes doentias da época julgavam certas. Assim, com sua condição humilhante, eles passaram a se conhecer melhor, trocaram idéias e conhecimentos, assimilaram um, os conhecimentos do outro, e isto sem contar com as crenças indígenas, que eles de forma alguma desacreditaram. Essas formas poderiam até serem diferentes, das suas, poderiam eles acharem-na mentirosa, mas, como negar essas divindades que aqui já viviam antes de sua chegada?

Então eles os africanos, no meio desta troca de seus conhecimentos tribais, nacionais, foram introduzindo "pequenas" oferendas às divindades indígenas e assim foi se formando ao longo dos anos o Candomblé que conhecemos hoje.

Segundo acreditam muitos, foi assim que surgiu o culto aos caboclos dentro de candomblé, sendo conhecidos como: mensageiros dos orixás. Hoje em dia é comum vermos esses caboclos manifestados em festas próprias, entoando suas cantigas e ajudando a quem, precise.

A palavra CANDOMBLÉ é de origem Bantu e não Yorúba como acreditam alguns, e seu significado no Brasil: Instrumento de percussão e/ou lugar de danças de negros e, por extensão, lugar de terra batida por pés ou ainda terreiro, onde praticavam seus cultos religiosos.

Como podemos ver o candomblé, é uma religião Brasileira, formada originalmente pelos africanos, e nada tendo a ver com os santos católicos como querem e acreditam muitos. Este sincretismo surgiu apenas como meio do negro, enganar a sociedade da época, e praticar assim sua religião sem maiores perseguições. E se não fossem esses conhecimentos trocados entre si, onde uma tribo introduziu "Deuses" da outra em seus cultos, jamais, voltamos a repetir, existiria esta religião que conhecemos hoje, e com certeza, é a de maior adeptos no Brasil, mas uma grande parte de seus seguidores têm vergonha ou medo de serem discriminados e, se confessam assim praticantes do cristianismo. Dando verdadeiro significado à palavra hipocrisia.

Temos que acabar com essa perseguição que sofremos. Temos que exterminar o preconceito, não com brigas, guerras, mas com a justiça! Afinal e os direitos humanos, onde ficam?

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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domingo, julho 19, 2009

PARA SE OBTER UM DIA BOM, COM A INFLUÊNCIA DE SEU ANJO DA GUARDA

01 vela branca Nº 06

01 pires de preferência branco

01 copo com água filtrada

Azeite de Oliva

Pegue a vela e unte-a com o azeite de oliva. Depois, esfregue-a nas mãos mentalizando tudo que deseja para esse dia. Não tenha pressa, faça com calma e vá mentalizando tudo de melhor que deseja. Depois coloque a vela no pires em um local mais alto que sua cabeça, acenda a mesma e ao lado coloque o copo com água filtrada. Feito isso, reze um Pai Nosso, uma Ave Maria e ofereça ao seu anjo da guarda.

Se desejar continuar, no dia seguinte troque a água despejando a que está no copo em uma planta não venenosa e repita a obrigação. Esta pode ser feita diariamente se desejar.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloa@hotmail.com

sábado, julho 18, 2009

A DUALIDADE DE UMA ENERGIA CHAMADA EXÚ

Sabemos que a palavra Exú se traduz ao pé da letra como Esfera, nada tendo com o capeta cristão. Mas, para que serve essa energia afinal?

A verdadeira função desse Orixá é vigiar os portais que ligam nosso mundo, Ayê, ao mundo dos Orixás, Orúm. Além disso, desempenha papel de suma importância no jogo de búzios, uma vez que é ele quem vai buscar as respostas para os consulentes. Nada fazemos sem Exú, esse valoroso guerreiro e místico guardião.

Ao criar o mundo, Olorúm, Deus, deu a cada um de seus Ministros, nossos Orixás, uma função, e a Exú ele deu o poder da adivinhação, a força para proteger o reino dos Orixás a fim de que esse não fosse invadido por forças ocultas.

No Brasil e no resto do mundo, essa divindade é associada ao diabo, mas esse é um dos maiores enganos por parte das pessoas. Primeiro porque, na cultura Yorúba, Olorúm, Deus, não tem um rival como no cristianismo, ele é a força máxima e assim sendo nada nem ninguém poderia competir com ele.

Exú é simplesmente a dualidade das energias criadas. Para entendermos melhor essa ação, façamos uma comparação com a energia elétrica e algumas forças naturais: a mesma eletricidade que nos beneficia, ao fazer funcionar os motores de um ar condicionado para nos aliviar do calor, da geladeira, da televisão e de nosso computador, por exemplo, é a mesma que nos mata se entrarmos em contato com ela diretamente. A mesma chuva que irriga nossas plantações e nos traz o alimento, é a que nos mata se cair em excesso. O mesmo Sol que nos aquece para não morremos de frio, nos mata, se formos expostos de forma errônea a seus raios.

Assim como podemos ver, em tudo existe a dualidade e com Exú não seria diferente. Não que ele nos mate, mas, representa a magia, ou melhor, a dualidade da magia, o encanto em seus vários aspectos.

Na África, Exú é representado por chifres e falo. Mas, nada de imoral ou demoníaco possui nisso, e os estudiosos sérios, que não se deixam levar pelo fanatismo, sabem que, esses símbolos apenas representam força, virilidade e poder, e assim sendo nunca foi relacionado a uma energia como a do tal do capeta.

Exú inclusive é o responsável por nos ajudar em nossa manutenção, nos trazendo as condições para que possamos ter o dinheiro necessário para nos sustentarmos e á nossa família.

Em nossas lendas, nunca encontramos vestígios desse ser nas culturas dos povos africanos. Ao contrário: todas elas pregam que existe somente um Deus, chamado Olorúm, o qual a tudo criou e a tudo governa, com sabedoria e amor. E ele não possui nenhum rival, pois seu poder jamais será igualado a outro.

Da mesma forma que Exú conhece o planeta terra, conhece também os Orúns, céus, que formam a moradia de Deus e dos Orixás. Se usa o falo, não é por se tratar de uma imoralidade, mas sim, por representar a masculinidade necessária para que uma nova vida possa ser desenvolvida dentro do útero materno.

A complexidade desse Orixá é tanta e se reflete em seus eleitos, por isso é raro vermos uma pessoa que seja seu filho. Agradarmos a Exú em primeiro lugar significa muito em nossos rituais, e isso se dá porque ele é quem leva nossos pedidos aos nossos Orixás, é ele quem ronda ininterruptamente os portais que separam os mundos, além de ser ele o mensageiro entre os mundos, o encarregado de executar as tarefas que nossos Orixás não executam. Ainda temos que nos lembrar que Exú é o único Orixá que mais se aproxima de nosso mundo, uma vez que os demais vivem no Orúm, Céu.

Se seus conhecimentos são utilizados para o mal, nenhuma culpa lhe cabe, uma vez que deixou para nós, os segredos da guerra e da paz, da vida e da morte, devido a sua vontade de ajudar, mas, se esses segredos são utilizados para o mal, então o capeta somos nós mesmos.

Zelarmos dessa entidade é algo de imprescindível e insubstituível para o bom funcionamento das casas de santo, pois somente ele pode abrir os portais para que nossos Orixás entrem em comunicação conosco, e até mesmo para que nossos Guias e Protetores possam atravessá-lo e virem se comunicar através de seus médiuns.

É justamente essa grandiosa e maravilhosa dualidade que nos permite até mesmo o transe necessário para que possamos nos incorporar. Assim sendo, por que deixarmos que seja ele, associado a algo tão malévolo? Complicado e controverso é Exú? Sim! Mas, o que, dentro da criação divina não o seja, para nossa limitada compreensão?

Sergio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com

sexta-feira, julho 10, 2009

FANATISMO É PREJUDICIAL À NOSSO ENGRANDECIMENTO ESPIRITUAL E MATERIAL.

É comum vermos as pessoas e espelharmos suas atitudes no arquétipo de seu Orixá. Temos várias experiências que mostram que nossos Orixás influenciam sim, na vida de seus eleitos e também em suas atitudes.

Muitas vezes, porém temos a mania de tudo encararmos como arquétipo de santo e com isso nos esquecemos de que as pessoas teem sua natureza própria e que cada um age conforme as ações de seu dia a dia. Segundo a lei da física, toda ação tem uma reação e assim sendo não podemos condicionar todas as atitudes das pessoas com seu santo.

Temos que nos ater para que não caiamos na garra do fanatismo e assim, colocarmos as pessoas no mesmo nível dos Orixás, nem mesmo que esqueçamos que antes de tudo são seres humanos e assim sendo, compostos de erros e acertos.

Se uma pessoa é aguerrida e até mesmo positiva demais. Logo pensamos: é filho deste ou daquele Orixá. Se por outro a pessoa tende a gostar de uma conversinha, dizemos: com certeza é filho de santo tal. Porém nos esquecemos de analisarmos sua natureza própria. Claro que algumas atitudes são sim, frutos da natureza de seu santo, existe alguns detalhes em determinados filhos de determinados santos, que jamais encontraríamos em filhos de outros Orixás. Mas nem tudo corresponde ao arquétipo dos santos.

Temos que aprender a olhar as pessoas com olhos de sacerdote sim, mas não podemos nos esquecer jamais que o ser humano é uma complexidade inigualável e assim sendo, sua natureza pode mudar em determinadas situações.

Nem todos que são obesos, por exemplo, são filhos de Xangô como afirmam muitos, e nem todas as mulheres de Oyá traem seus maridos, de conformidade com a crença errônea de algumas pessoas. E por outro lado, nem todos os filhos de Exú são usuários de drogas.

O que acontece, é que o ser humano ao nascer é uma folha de papel em branco, e tanto nós quanto a vida, vamos escrevendo no decorrer de seu desenvolvimento, o seu futuro. Se uma pessoa cresce sem amor, sem cuidados maiores, como querermos que tenha essa ou aquela personalidade, independente do santo que o escolheu?

Obviamente que se a pessoa cresce em um lar sem harmonia, por mais que seja filho, por exemplo, de Yemanjá, poderá sim, ter atitudes totalmente ímpares de sua mãe.

O fanatismo nunca foi nem nunca será boa companhia para quem quer que seja, independente de sermos sacerdotes de Umbanda, Candomblé, Cartomante, ou qualquer outro. Ao contrario, o fanatismo nos bitola, nos deixa sem a mínima capacidade de discernir entre o certo e o errado.

Acautelemos-nos, pois com essa terrível arma que pode perfeitamente ser apontada contra nós mesmos.

Outro fator, é que se uma pessoa se dedica, por exemplo, a escrever um livro, logo alguém diz: "claro! É filho de tal santo!” Eis aí outro equivoco inenarrável! Claro que a espiritualidade nos orienta e nos auxilia em varias tarefas, mas temos também que nos lembrarmos de sua capacidade como ser pensante e parte do imenso cosmo e da natureza no geral.

Não podemos simplesmente oferecer crédito total à espiritualidade, afinal: onde ficaram as capacidades do ser humano? Não é possível a quem quer que seja, sobreviver vinte e quatro horas por dia apenas em comunicação com a espiritualidade! Existem nossos momentos e neles somos capazes de realizarmos qualquer coisa que desejarmos de verdade.

Atemo-nos então a creditarmos aos espíritos seus méritos sim, mas não nos esqueçamos de que somos seres racionais e assim sendo capazes sim de realizarmos nossas obras.

Não quero com essas palavras, desmerecer a espiritualidade e sua incomensurável ajuda aos seres humanos. Desejo apenas que nos lembremos que como seres racionais, somos sim, capazes de muitas coisas.

Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com