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domingo, julho 25, 2010

EBÓ DE MISERICÓRDIA

Existem vários ebós dentro do Candomblé, e cada um tem uma finalidade, mas, o ebó que é bom para uma pessoa não significa que será bom para outro, pois como as cabeças são diferentes, os trabalhos também se modificam.

O ebó de misericórdia tem como finalidade o que sugere o próprio nome: a misericórdia. Ele geralmente é feito somente com alguns itens que são algumas comidas brancas.

Ele serve para afastar uma doença, para abrir caminhos em caso de desemprego, além da várias outras funções. Em sua grande maioria, os zeladores, optam por esse ebó, quando a pessoa passa por uma situação extrema e não tem a mínima condição de arcar com um trabalho mais complexo.

Alguns usam esse ebó, quando a pessoa corre risco de vida também. Ele pode ser usado sempre, mas, deve-se ater que a pessoa ficará com uma dívida para com seu Orixá ou mesmo com o exú ou com o egum daquele santo.

No geral esse ebó utiliza pouquíssimas coisas. É passado somente em circunstância séria, pois, conforme foi visto no jogo, a pessoa está com algum problema muito grave e sem condições para um ebó completo.

Após esse ebó, costuma-se dar um obi d’água na pessoa. Essa obrigação consiste em basicamente, se arriar uma canjica para Oxalá e um obi branco, acompanhado de uma quartinha com água e uma vela de sete dias, para que Oxalá tenha misericórdia daquele vivente, que sofre, e não possui a mínima condição para oferecer uma obrigação completa naquele instante de sua vida.

Comparando com termos médicos, essa obrigação é como uma pessoa que precisa de uma cirurgia, mas não tem condições de realizar naquele momento, então o médico, se utiliza de algum recurso que vai momentaneamente aliviar a dor daquele individuo, mas, ele terá que fazer a cirurgia mais dia menos dia para que possa continuar vivendo.

Assim como o procedimento clínico, a pessoa que passou por um ebó de misericórdia, deverá mais tarde retornar à mesma casa, para que seja feita uma obrigação maior, que irá livrá-lo de vez daquele problema.

É um procedimento de emergência e o consulente fica com uma dívida para com os Orixás, pois essa obrigação vai resolver por um determinado tempo seu problema, mas, ele pode voltar com força ainda maior.

Deve o consulente, ser fiel a quem o passou por essa obrigação, pois foi aquele socorro que o livrou quem sabe, até mesmo da morte iminente que seria causada por algum inimigo oculto. Quando um zelador usa desse tipo de trabalho, ele está automaticamente se comprometendo com o Orixá daquela pessoa, em seu nome, que tão logo seja possível a obrigação maior será realizada.

Se a pessoa, não procurar a mesma casa, para dar continuidade a seu trabalho, ela arcará com as consequências, pois foi o Orixá da casa que pediu a misericórdia para ele. Não adianta, por exemplo, fazer esse ebó com uma pessoa e procurar outra para terminar, pois será traição e o vinculo por si só cobrará a injúria. Obviamente que se a pessoa foi morar em outra cidade longe, se o zelador não mais está praticando a religião por qualquer motivo que seja, pode então a pessoa procurar outra casa e terminar seu trabalho, mas, deverão ser tomadas algumas medidas em prol do Santo que o acolheu.

Assim, se você precisa de um ebó e o mesmo foi feito como misericórdia, não se esqueça de que é apenas um socorro imediato e mais dia menos dia terá que terminar o que começou. E não se esqueça também de que a fidelidade é algo de muito valor.



Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




sábado, julho 17, 2010

A PAZ É IMPRESCINDÍVEL

Todos sabem que é importante dar oferendas aos Orixás para que se possa alcançar as graças desejadas. Sabe-se também que uma oferenda deve ser composta de água e vela, e desde o momento que preparamos a comida, é de suma importância que a pessoa esteja com amor dentro de seu coração e sua mente voltada para o bem.

Mas, de nada adianta tudo isso, se não existir a paz dentro de uma casa onde se cultue Orixá.

A paz é imprescindível em todos os momentos e em todos os dias. Não adianta entregar oferendas a um Orixá, Caboclo ou qualquer outra entidade, mesmo que seja Exú, se dentro da casa não predominar um clima de amor, de serenidade.

As pessoas em geral, perdem muito tempo com coisas ínfimas que em nada colaboram com seu crescimento espiritual, e sem esse não se atinge o material. As entidades necessitam de um clima estabilizado para que possam interagir em nossas vidas e nos proporcionar o que de melhor possamos ter.

A paz queridos irmãos é tão importante para as entidades, como o ar o é para nós, seres humanos. Em um lar ou mesmo templo, onde não impera a paz absoluta, o verdadeiro sentimento de perdão, nada poderá ser construído de bom. O perdão é algo divino e devemos manter nossos corações sempre voltados para ele.

Se uma pessoa nos ferir mil vezes, devemos perdoá-la na mesma quantidade. Porém, deve ser o perdão sincero, não se pode perdoar uma pessoa, e manter resquícios dentro de nós. O perdão tem que ser usado sem limites, da mesma forma que o amor, a serenidade, a honestidade e tantas outras virtudes que somente os seres humanos são capazes de desenvolver.

Uma oferenda feita, seguida de clima tempestuoso, terá com certeza efeito contrário, pois o Orixá se afasta daquele local e abdica até mesmo dos melhores pratos que o servimos, pois não pode, sendo ele, parte da natureza, interagir em um local dominado por forças inferiores.

Brigas, xingamentos, mágoa, vingança, avareza, mesquinharia, tudo isso pertence às esferas inferiores e aos seres que nela habitam. E esses seres, não desejam outra coisa que não seja a destruição de nosso lar, de nossa vida enfim.

Devemos em momentos difíceis, voltar nosso coração a Deus e suplicar que seus mensageiros de luz, venham até nós, trazendo a suave brisa do amor. Devemos implorar para que nosso Orixá nos cubra e nos defenda desses sentimentos tão impuros.

A melhor forma de evitarmos esses sentimentos é tão somente rezando para o Orixá, para nosso anjo da guarda e para nossos guias de Umbanda, suplicando o perdão por nossas falhas, e desejando do fundo de nossas almas, que o amor e a paz, sejam uma constante em nossa vida e em nosso dia a dia.

Não nos entreguemos, pois, às forças malignas que existem sim, e que lutam incansavelmente pela destruição de nosso mundo. Oremos, imploremos aos Orixás que eles com certeza nos afastarão de todas as energias.

Façamos oferendas a eles, mas não nos esqueçamos da principal: a paz em nossos corações e em nossa residência.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


quarta-feira, julho 14, 2010

FILHOS DE OGUM, GUERREIROS, PORÉM JUSTOS.

Uma característica dos filhos do Orixá Ogum é o fato de serem guerreiros e determinados. No geral, são pessoas honestas, trabalhadoras e com um senso de responsabilidade muito grande.

São pessoas que se dedicam ao trabalho, e fazem desse a parte mais importante de sua vida. Dedicam-se ao trabalho, como se nada mais houvesse no mundo e ai daqueles que acharem que estão errados. Para eles a responsabilidade está muito acima de qualquer outro fator em sua vida, e não suportam pessoas que ficam na dependência deles ou de outra pessoa qualquer.

Os filhos de Ogum no geral demoram muito analisando a decisão que precisam tomar, pois temem agir de forma errada ou injusta. Não são pessoas de agirem sob impulso, seja ele qual for, e nunca misturam as coisas. Têm o discernimento para deixar cada assunto em seu estágio não permitindo assim que uma coisa influencie na outra.

Pessoas geralmente de poucas palavras, não costumam se arrepender do que fazem, pois antes de fazerem, pensaram muito, e assim sendo, nada têm do que se arrepender. Muitos de seus filhos optam por viver longe da família, e isso faz com que passem a sensação de que não amam as pessoas, é que seu jeito de amar é diferente. São pessoas que mostram amor nas ações e no dia a dia, não são de declarações amorosas.

Não pensem com isso, que são pessoas insensíveis, ao contrário: sentem as mesmas coisas que os demais, mas preferem não explanar sobre seus sentimentos, até porque pensam que o trabalho é mais importante que o resto de suas vidas.

Sofrem por amor, mas um sofrimento diferente, pois com o trabalho ocupam a mente e consequentemente sofrem bem menos, afinal agem com a razão e não com a emoção. Pensam mais ou menos assim: ‘amar eu amo, mas se não podemos ficar juntos, pra que sofrer?”E venhamos e convenhamos eles têm lá suas razões”.

Mas, uma coisa em particular faz com que sejam muito mal interpretados: seu senso de justiça.

Seu senso de justiça é algo tão forte, que mesmo seu pai ou sua mãe estando errados, eles nunca dirão que estão certos. Por mais que amem uma pessoa, jamais tirarão a razão de quem tem para dar a quem não tem.

Suponhamos que uma pessoa faça algo contra seu parente. Ele, o filho de Ogum, antes de julgar irá analisar se a pessoa fez aquilo por simples maldade ou porque foi motivado com outra ação. E se provado que seu parente promoveu aquela atitude devido a alguma coisa de errado, ele nunca se voltará com sua ira contra a pessoa, pois entenderá que se seu ente não agisse daquela forma as coisas não teriam acontecido.

Os filhos de Ogum não se apegam a bens materiais, muito embora gostem das coisas boas, mas preferem dar valor ao espírito. Não são materialistas e se tiverem que abandonar toda uma vida de luxo em troca da paz, não pensarão duas vezes.

São reservados, na maioria de pouca conversa e sempre optam por ser o último a proferir opinião sobre qualquer assunto.

Graças a seu gênio justo, foi que Ogum teve sucesso determinada fase de sua vida:

Eis que Nanã pediu a Orumilá que punisse Ogum, e acabasse com seu reino, pois ele se negou a emprestar sua faca para ela, para que ela pudesse realizar uma matança. Porém Orumilá se negou em atender ao pedido de Nanã dado a Ogum ser muito justo e obediente dentro de suas leis. E assim nasceu a kizila entre os dois Orixás, e essa perdura até os dias de hoje.

Um filho de Ogum, à exemplo de seu pai, sempre busca os caminhos honestos para ter tudo que deseja, e não gostam de emprestar o que é seu. Pensam que da mesma forma que lutaram para ter o que precisam os demais também podem agir assim.

Odeiam quando uma pessoa se mostra dependente deles, pois como guerreiros, não conseguem administrar a dependência, pois trazem dentro de si, a liberdade total, e assim sendo não aceitam que uma pessoa tenha que viver à sombra de outro.

Também são pessoas que não valorizam o sexo de forma viciosa. Gostam do sexo, o fazem bem feito, mas se não tiverem, para eles não tem importância, pois a exemplo de seu Orixá, valorizam mais o trabalho que os prazeres da carne.

Pensam os filhos de Ogum, que o trabalho é a coisa mais importante na vida de uma pessoa, e com ele é que se obtém todo o progresso de que necessita, assim sendo, para que valorizar em demasia o prazer sexual?

Conta a lenda que Oxum vivia indo à forja de Ogum para seduzi-lo, mas, como ele dava mais atenção ao trabalho do que a ela e seus encantos, ela com raiva se entregou a Xangô que já tinha tirado Oyá dele aumentando assim a rixa entre os dois Orixás.

Os filhos de Ogum são carinhosos sim, mas, pensam que existe momento para tudo, e que carinho e beijo, não precisam ser dados em público, pois encaram como falta de respeito a quem estiver por perto, isso no que se refere ao beijo na boca, principalmente os beijos mais calientes.

Amam a natureza e possuem uma facilidade muito grande em conhecer ervas, até mais que os filhos de Odé. As pessoas de Ogum são de uma inteligência muito grande, e sempre buscam se aprimorar cada vez mais. Até mesmo no gosto musical, sempre preferem música mais elitizada, não que se possa dizer que não ouçam outros tipos de música, pois são ecléticos nesse sentido.

Guerreiros, batalhadores, justos, assim são os filhos de Ogum!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




segunda-feira, julho 12, 2010

TODOS SOMOS FILHOS DE ORIXÁ, TODOS SOMOS FILHOS DE OLORÚM

Existe dentro de cada um ser humano, a mesma vibração divina, o mesmo sopro que deu à vida, a todos, independente de cor, raça ou credo. Cada ser humano possui seu dom, sua riqueza seja ela material ou espiritual. Todos compartilham da mesma origem. Todos somos filhos de Olorúm.

Da mesma forma que Olorúm criou seus Ministros, nossos Orixás, criou também a nós, mortais que compartilhamos o mesmo ar, bebemos da mesma fonte de vida: a água.

Independente de ser rico ou pobre, brasileiro ou espanhol, preto, branco, pardo ou seja lá de que cor, mas todos possuem seu Orixá de cabeça e esse com certeza o ama, não importando nada a não ser seu coração.

Termos um coração puro, uma alma elevada, é sermos antes de tudo, dignos de ser chamado de Filho de Deus, ou de Omo Orixá, ou seja: Filho de um Orixá. Nada nos pedem eles, sem que possamos realmente dar. Pedem-nos uma vela, um prato de comida como oferenda, mas que mais nos pedem mesmo, é a pureza de nossos corações.

Não pode uma pessoa deseja ser maior que a outra, pois cada um tem seu destino, sua própria vida. Também não compete a ninguém ter inveja e desejar o que pertence a outro, pois se temos o pouco que seja, nos foi dado por Olorúm, que com sua grande sabedoria, sabe perfeitamente o que merece cada um de seus filhos.

Jamais Olorúm deixará que uma pessoa sofra além de suas forças. Da mesma forma, um Orixá jamais permitirá que seu filho venha a sofrer por coisas que não merece. É de vital importância que saibamos que ao nascermos já trazemos dentro de nós, toda a vida, todos os acontecimentos agendados, e nada acontecerá sem que seja permitido pela sabedoria divina.

Se uma pessoa, por exemplo, nasceu para viver somente com parcos recursos, ele assim deverá viver,e lutar com dignidade e honestidade para se fazer merecedor da melhora de vida que tanto almeja.

Deus não criou ninguém para ser servo do outro, para viver em humilhação, mas, temos sim, que fazer por merecer a fartura, a prosperidade tão almejada por todos e alcançada por poucos.

Se uma pessoa age, sem avareza, sem discriminar a quem quer que seja, sem perseguir seus irmãos, sem mentiras, se age com honestidade e com hombridade, com certeza, mais dia menos dia, sua vida irá melhorar. Porém, não adianta agir com falsidade, pois que podemos enganar a nossos irmãos encarnados, mas nunca, jamais enganaremos a Olorúm ou aos Orixás.

Comumente vemos pessoas que por mais que acendam velas, entreguem oferendas, não conseguem se estabilizar na vida e quando alcançam o objetivo, costuma durar muito pouco.

Por que assim acontece?

Porque com certeza essa pessoa vive uma vida desleal às leis divinas. Não adianta que nunca conseguiremos progredir se não for por nosso esforço, com nosso suor. Entendamos também, que, cada pessoa traz seu carma de outras vidas e esse tem que ser resgatado.

Vivamos, pois, em harmonia com todos os seres humanos, pois cada um de nós, é uma partícula de Olorúm nesse mundo e também de seu Orixá. Não nos enganemos, pois cada um é filho de seu Orixá, ninguém se governa, mas sim, é governado por seu Orixá e esse por sua vez, é governado pelas leis de Orumilá e esse, como verdadeiro Deus, Senhor Onipotente, fará sempre o que for melhor para cada um de seus filhos.

Saibamos que acima de tudo está à vontade de Deus e de nossos Orixás e jamais, passaremos por algo que não mereçamos. Se sofremos hoje, e tivermos fé viva, com certeza nosso amanhã será muito melhor.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.






quinta-feira, julho 08, 2010

Pastor que abusou meninas no Maranhão diz que atendeu pedido de 'anjo'

SÃO LUÍS - O "anúncio" de que o Espírito Santo precisaria de cinco mulheres para dar a luz a seus filhos foi o que motivou o pastor José Pedro Santos, de 60 anos, a abusar sexualmente de pelo menos cinco garotas na cidade de Pinheiro, no Maranhão. Das cinco vítimas do pastor, que são todas menores de idade, duas estão grávidas. A menina de 14 anos estaria no quarto mês de gestação, enquanto a de 15 anos estaria no oitavo.

No entanto, em depoimento à polícia após ser preso, o pastor negou que tenha abusado das meninas. Segundo ele, as duas garotas que estão grávidas receberam um verdadeiro "milagre".

Em entrevista à Rádio Mirante AM, a delegada da regional de Pinheiro, Laura Amélia Barbosa, explicou como funcionava este "milagre". Segundo a delegada, o pastor dizia que, certo dia, um anjo apareceu diante de seus olhos e o comunicou que o Espírito Santo estava em busca de mulheres para conceber os "salvadores do mundo".

E a história do pastor vai mais além. Após crescerem, estas cinco crianças se uniriam para destruir o "mundo dos pecadores" e construir um "novo mundo". Tanto que, durante seu depoimento à polícia, José Pedro Santos garantiu que as meninas continuam virgens apesar de estarem grávidas.

- Ele disse que foi um anjo que apareceu para ele e anunciou que cinco meninas iriam engravidar. E esse anjo mostrou uma coroa de fogo com o rosto das meninas dizendo que elas iriam engravidar do Espírito Santo. E então ele atribuiu isso a um milagre. Ele diz que as meninas são virgens e que tudo é um milagre de Deus. E essas crianças quando nascerem vão destruir o mundo dos pecadores e construir um novo - disse a delegada.

A delegada Laura Amélia Barbosa revelou, ainda, que já começou a ouvir as duas meninas que estão grávidas.

Segundo ela, as garotas dizem que os filhos que esperam são frutos do Espírito Santo. Mas confirmam que mantiveram relação sexual com o pastor.

O pastor José Pedro Santos está na Delegacia Regional de Pinheiro. A delegada pediu prisão preventiva de 30 dias para ele.


JUNHO ÉPOCA DE LOUVARMOS SÃO JOÃO E XANGÔ

Todos os anos, no mês de Junho, louvamos a São João Batista, líder espiritual, pregador dos evangelhos de Nosso Senhor. Mas, dentro do Candomblé e do Batuque, louvamos também Xangô, o grande Orixá da justiça, aquele que se incumbe perante Deus, de julgar nossos atos, e assim, ver se merecemos viver em espírito junto aos Orixás que governam a natureza.

São João Batista, segundo as tradições Católicas, foi o Santo que Batizou Jesus Cristo, no Rio do Jordão. Dentro das nações afro brasileiras ele é Xangô, mais precisamente Aganjú dentro do Candomblé.

O que muitos não sabem, é que Xangô existiu sim. Foi o terceiro governante de um reino chamado Oyó, que para os praticantes da religião afro descendente, é uma cidade Santa, assim como Meca para os mulçumanos.

Consta nos registros das bibliotecas africanas que Oyó foi fundada em 1700 A.C, e seu primeiro Rei, foi Oranyan, e reinou de 1700 a 1600 A.C. Mais tarde seu filho Dadá Ajaká, recebeu o trono de seu pai e governou de 1600 a 1500 A.C.

Ele tinha um irmão consanguenio que residia em Nupe, terra dos Tapás com sua mãe Torosí, e este era Xangô.

Nesse tempo, Xangô mudou-se para um bairro de Oyó chamado por ele de Kossô que era o mesmo nome da cidade em que vivia com sua mãe, e assim manteve o título de Obá Kossô que trazia consigo.

Dadá era um rei que admirava as belezas, as artes, os poemas e tudo mais, o que não era conveniente para um Rei desse tempo, Xangô então, o destronou e assim assumiu seu lugar, obrigando Ajaká a usar uma coroa rodeada por vários fios ornados de búzios, (Adê) ao invés das contas preciosas usadas na Coroa Real de Oyó.

Essa coroa escondia seu rosto e seus olhos envergonhados pela atitude de seu irmão, e por sua covardia que ajudou a ser usurpado seu trono. E fez uma jura que só retiraria aquela coroa, quando pudesse novamente usar o Adê Real de Oyó que lhe fora roubado por Xangô. Esse adê que Dadá Ajaká passou a usar se chama adê de Bayanni, pois Bayanni era o outro nome pelo qual Ajaká era conhecido em Oyó.

O tempo passa e Dadá Ajaká se casou e nesse casamento teve um filho ao qual deu o nome de Aganjú, esse então era sobrinho de Xangô.

O reinado de Xangô durou sete anos e, como o remorso das atrocidades por ele cometidas lhe corroia, somando-se a revolta do povo por causa de suas arbitrariedades, Xangô abandona Oyó e vai se refugiar na terra natal de sua mãe, Nupe. Depois de certo tempo vivendo nessa terra, Xangô suicida se enforcando em uma árvore chamada àyòn na cidade de Kossô.

Após a morte de seu irmão, Dadá Ajaká retorna a Oyó, e recupera seu trono, tirando assim como prometeu, seu adê Bayanni passando a usar novamente sua Coroa Real, tornando-se o quarto Alafin (Rei) de Oyó.

Texto publicado no Jornal Comando da Cidade de Porto Alegre em Junho de 2010


sexta-feira, julho 02, 2010

ORIXÁ NÃO ACEITA SACRIFÍCIO HUMANO, ISSO NÃO NOS PERTENCE

Comumente vemos notícias de pessoas presas por realizarem sacrifício humano em caráter religioso, e na grande maioria das vezes, Exú é colocado como a entidade que solicitou esse sacrifício. Vemos até mesmo pessoas que se dizem sacerdotes de Umbanda e Candomblé, que se intitulam pais e mães de santo, participarem dessa atrocidade.

Antes de tudo devo alertar que isso é uma mentira deslavada! Jamais uma entidade, seja ela qual for pede tal barbaridade.

Dentro do Candomblé e da Umbanda, não existem atos no mínimo obscenos como esse. Esta atrocidade é praticada por falsos zeladores que se metem com magia negra, com culto ao demônio, e outras coisas, e para manterem seu verdadeiro culto escondido e livre da perseguição da polícia, colocam a culpa nas religiões afrodescendentes.

Saibam todos que essas pessoas são execradas pelos verdadeiros praticantes da Umbanda e do Candomblé! Não aceitamos em hipótese alguma que uma vida humana seja retirada por qualquer motivo que seja, pois cremos que Deus concedeu a vida a todos nós e somente a ele cabe retirá-la.

Não compactuamos com holocaustos, de pessoas. Não trabalhamos para prejudicar a quem quer que seja! Apenas seguimos a religião de nossos antepassados. Damos continuidade a uma religiosidade que possui mais de 3000 anos de existência. Cultuamos a natureza, o amor a Deus e tudo que ele criou. Respeitamos o próximo e desejamos ser respeitados.

Os rituais envolvendo seres humanos, não pertencem a nós. São cultos antigos, de uma época em que o ser humano vivia em total desconhecimento da verdade, e que a espada era a única lei que realmente valia.

Dentro de nosso credo, aprendemos quando iniciamos nosso caminho sacerdotal, que uma vida humana é valiosa demais aos olhos de Deus, mesmo que seja a pessoa, um criminoso, um ladrão, pois aos olhos do Senhor são todos seus filhos, e como tais, merecem respeito principalmente no tangente à sua vida.

Efetuamos holocausto de animais sim, mas apenas como forma de trocar a vida daquele ser, pela vida de uma pessoa, e também seguindo rituais que até mesmo na Bíblia existe, pois eram feitos sacrifícios a Deus.

Também não profanamos túmulos. Ao contrário, nós praticantes do Candomblé nem mesmo vamos a um cemitério se não houver uma necessidade muito grande como o sepultamento,por exemplo, de um ente querido.

Não acredite, pois, quando uma pessoa tiver o descaramento de aparecer na televisão dizendo que exu fulano o mandou realizar aquilo. Pois é uma mentira deslavada e essa pessoa merece ser julgada com todos os rigores da lei, e ser encarcerada sim, pois somente a Deus cabe o direito de uma vida humana.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


terça-feira, junho 29, 2010

OGÃ

Ogã é um cargo de suma importância dentro de uma casa de santo, pois é ele quem toca os atabaques, instrumento de percussão que chamam as divindades para a terra, a fim de que possam se manifestar através de seus eleitos para serem reverenciados por todos que se encontram na festividade. Além de exercerem outras funções imprescindíveis para que um templo possa funcionar.

Dentro da nação Angola, o ogã é uma espécie de Abikú, diferentemente do que acontece em algumas outras nações. Seu cargo é visto pelo sacerdote em jogo de búzios e então ele será iniciado para esse sacerdócio.

Sim, o cargo de ogã é um tipo de sacerdócio, pois ele é que vai também, auxiliar o sumo sacerdote em diversas tarefas, inclusive na iniciação dos filhos de santo. Quando uma pessoa tem esse cargo, sua vida dentro do santo é bem diferente daqueles que se incorporam com Orixá, a começar por sua iniciação.

Um rodante, como chamamos as pessoas que incorporam, passa por um bori, e começa a ser um abiã dentro da casa de santo, onde seus direitos são muito poucos.

Mais tarde quando vai para a iniciação, passa por um período de vinte e um dias recluso. Já o ogã, a partir do momento em que é apontado e suspenso, já começa a ser chamado de pai, e assim sendo tem o respeito de todos daquela casa, bem como de outras casas.

Sua iniciação se dá com sete dias de reclusão e ele já sai com seus direitos, ou seja, “nasce com sete anos” como falamos no Candomblé. Porém, terá que passar por todas as obrigações normais de uma pessoa, até que complete a de vinte e um anos.

Essas obrigações são para que complete o ciclo pendente que seu Orixá, traz de outras encarnações. Uma pessoa é ogã, pois seu Orixá em outros tempos já passou pela fase de iniciação como rodante, assim sendo, precisa que seu filho apenas cumpra essa fase para que ele, como Orixá possa dar como cumprida a sua missão perante Orumilá.

Um ogã tem como função, além de tocar os atabaques, o zelo pelos mesmos, mantendo-os sempre em condições de serem utilizados. Além disso, é ele o responsável por retirar o couro dos animais sacrificados, de cuidar para que a casa esteja dentro das leis que regem o candomblé, cuida para que o zelador esteja sempre a par de tudo que acontece na roça, mantém os filhos de santo dentro das normas exigidas.

Algumas funções são pertinentes somente a alguns cargos de ogã. Por exemplo, a matança, ou seja, o sacrifício dos animais, pertence ao Axogum, cargo de suprema hierarquia, pois ele é o sacerdote da faca, é o homem que tem mão de faca, estando apto a realizar os cortes para qualquer entidade. É ele, inclusive, que tem o direito de jogar búzios para algum filho de santo, quando do impedimento do sumo sacerdote da casa.

O Axogum não pode errar jamais, afinal ele trabalha em conjunto com o Babalorixá ou com a Yalorixá, auxiliando-os em todos os instantes em cada função. Somente pessoa de altíssima confiança do sumo sacerdote ou sacerdotisa, pode exercer essa função, afinal ele tem a capacidade, a autoridade para imolar os animais, alimentando assim o santo de uma pessoa.

Se ele foi apontado e feito para o santo regente da casa, ele é pai do zelador, pai de seu Orixá e tem até mesmo o direito de sacrificar para o santo do zelador, afinal ele é o escolhido para essa função.

Existem ainda outras qualidades de ogã, como:

Alabê que é o que toca os instrumentos denominados de atabaques. É o grande maestro e sob sua batuta os instrumentos ecoam seus sons, avisando aos Orixás que mais uma festa em seu louvor está acontecendo. Graças a esses ogãs, é que temos a maravilha chamada roda de santo, ocasião em que podemos mostrar nosso amor a essas divindades, dançando seus ritmos louvando assim, toda a existência na Terra, que sem a permissão de Olorúm, jamais aconteceria.

O Pejigan, aquele responsável por zelar do altar sagrado da casa. A palavra pejigan assim se traduz: peji = altar, gan = senhor. Em algumas casas, dependendo da nação, ele é o de maior importância, sendo considerado o chefe dos ogãs. É a ele que se reportam quando necessitam de alguma informação sobre determinados assuntos e, o zelador não está ou não pode atender naquele momento, devido a algum impedimento.

Todas as qualidades de ogã são de suma importância para uma casa de santo, e nenhuma pode ser edificada sem a presença dos mesmos, afinal, são eles, os pais de todos os rodantes, aqueles eleitos pelos Orixás para serem seus representantes com altas patentes.

Independente do cargo, se um ogã é suspenso e confirmado para o santo do zelador, ele é pai do mesmo e assim devem andar em harmonia, pois o Orixá, dono da casa, os escolheu para zelar por seu templo. Nesse caso ele é iniciado pelo sacerdote que iniciou aquele zelador.

Em qualquer casa aonde chegar, um ogã deve ser respeitado, pois não pediu para nascer assim, foi escolhido pelos “deuses” para aquela função.

A palavra ogã, deriva da palavra Jêje, que significa chefe, dirigente. Um sacerdote que permanece lúcido durante todas as obrigações não importando qual seja

O fato de o ogã não se incorporar, não significa que ele não tenha intuições ou mesmo que não sinta a presença do santo. Ao contrário: os ogãs possuem alta sensibilidade intuitiva, são capazes de auxiliar o sumo sacerdote até mesmo quando esse enfrenta uma dificuldade, por exemplo, de interpretar determinado assunto no jogo de búzios, são grande sensitivos e sentem a presença de seus Orixás, podendo até mesmo sentir um arrepio ou algo parecido.

Os cargos de ogã são exclusivamente masculinos e jamais uma mulher poderá exercer a função do mesmo. Inclusive o ato de tocar atabaques, é uma aptidão somente para eles. Pois são eles; preparados para tal finalidade. Não incorporam, e assim podem chamar os Orixás até mesmo das pessoas mais antigas que estiverem presentes naquele momento.

Costumam os ogãs saberem todos os fundamentos dos Orixás, dado a sua falta de incorporação. Foram escolhidos para esse sacerdócio e ai daqueles que censurarem um ogã ou mesmo não o respeitar como pai. Sua importância é tanta, que ao falecer uma pessoa, o axexê, ou seja, a cerimônia fúnebre, jamais pode ser realizada sem ele, afinal além de tocar, os instrumentos sagrados, anunciando que a pessoa não mais pertence ao mundo dos vivos, é ele quem preside o ato de despachar os pertences da pessoa.

Quando um Orixá escolhe uma pessoa como seu ogã ou mesmo, como ogã da casa, está entregando a ele, mais que um cargo. O Orixá na verdade o consagra como um sacerdote, uma pessoa que deverá manter sua casa aberta, e ainda, zelar para que todas as obrigações sejam feitas dentro das normalidades.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




terça-feira, junho 22, 2010

MENTIRA E INTRIGA, ÁCIDOS QUE A TUDO CORREM.

Dentro de uma obrigação, temos que manter a disciplina, o amor, a harmonia para que o Orixá possa interferir na vida de uma pessoa. Mas, nem somente nesses momentos essas energias devem ser utilizadas, mas em toda nossa vida, uma vez que os Orixás precisam delas para nos ajudar em nosso dia a dia.

Acontece que muitas vezes, por mais que se lute com fé e dedicação, algumas coisas não alcançam seus objetivos, então, temos que parar analisar e ver onde está o erro. No geral, as pessoas tendem a colocar logo a culpa no santo ou no zelador que fez as obrigações, mas, se esquecem de olhar à sua volta, e ver se está em um ambiente salutar.

Ocorre, que; quando estamos em um local onde a mentira, e a intriga reinam, dificilmente obteremos os resultados desejados, pois, elas são como ácido que a tudo correm, mesmo com as mais belas e amorosas obrigações realizadas.

Não existe como um Orixá trabalhar nesse local, pois ao invés das pessoas, se manterem unidas em prol de todos, alguns se manifestam, seja por inveja, ciúmes ou outro motivo, contrário ao que se está sendo feito, e aí meus queridos, dificilmente alcançaremos a graça desejada.

De nada adianta ter um bom zelador de santo, fartura em materiais, e tudo que se diz respeito ao santo, se uma ou mais pessoas estiverem nutrindo esses sentimentos que somente a espíritos e almas pequenas servem.

Seria como um barco, onde existem pessoas remando para um lado, e outras para outro. Esse barco vai apenas rodar até que afunde levando a todos junto de si.

É de suma importância que, todos estejam com pensamentos positivos, tanto na hora das obrigações, como depois delas. Afinal, de que serve tanta energia positiva, como é jogada nas obrigações, se, depois ficam alguns nutrindo ódio, rancor, mágoa, vingança etc.?

Existe um ditado que diz que: “uma laranja podre em um cesto, estraga todas as demais”. E é a mais pura verdade.

Desde os momentos que antecedem a uma obrigação, o sumo sacerdote que irá realizá-la, tem que se abster de tudo que for do mundo, para que somente o positivo aja no trabalho. Mas, não somente o sacerdote tem essa obrigação, as pessoas que irão ajudar a família da pessoa beneficiada, teem a obrigação de compactuarem com pensamentos e ações positivas.

“Uma andorinha só não faz verão” diz outro ditado popular. E aí mais uma vez, vemos a sabedoria dos antigos, ditando os caminhos corretos para seguirmos.

Após a obrigação, a pessoa beneficiada, passa por um período no qual estará muito sensível e vulnerável ocasião em que as forças inferiores farão de tudo para estragarem o que foi feito, e se encontram essas energias negativas, teem terreno fértil para semearem suas malditas sementes.

As pessoas devem se conscientizar de que, tudo aquilo que desejamos para os outros, volta contra nós mesmos, e assim deixarem a mesquinharia, o orgulho e a avareza fora de suas vidas. Os fofoqueiros deviam entender que somente eles são as maiores vitimas de suas intrigas e maledicências.

Deveriam essas pessoas se envergonhar e pararem de mentir e intrigar, pois mais dia menos, dia, elas mesmos serão suas vítimas. Acontece que: “o que mata a cobra, é o próprio veneno”. E essas palavras já ouvia quando ainda era criança.

Quantas vezes uma família inteira terá que sofrer por conta de pessoas assim, até que as mesmas deixem do lado de fora de suas vidas essas ações?

Mentira, intriga, servem somente para destruírem tudo ao nosso redor, não importa se somos sacerdotes, sacerdotisas, abikús, ebomis etc.

Usemos, pois, sempre da verdade, da harmonia e do amor, por mais que achemos defeitos nos outros e veremos que muita coisa ao nosso redor pode mudar.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




sábado, junho 19, 2010

POSSESSÃO

Este fator que ocorre em número muito maior do que possa se imaginar é algo gravíssimo e que tem que ser tratado dentro do Santo, pois os danos que causa em uma pessoa são muito mais fortes do que alguns imaginam.

A pessoa que está sendo vítima da possessão, não tem conhecimento algum de seus atos, de suas ações diárias e podem vir até mesmo a cometer crimes que perante a lei, serão julgados e condenados.

Os possuídos, por mais que aparentem normalidade em suas ações, não são em hipótese alguma conhecedores do que lhes ocorre, e medidas muito sérias precisam ser tomadas para que se afastem aquelas forças que, sob o julgo dos mesmos encontra-se determinado ser humano.

Muitas vezes a pessoa está possuída por egum, outras por espíritos trevosos, e até mesmo por vários espíritos ao mesmo tempo. Ocorre que esses espíritos nunca agem sozinhos, como falange que são, agem em grupos e deterioram com a vida de uma pessoa em pouco tempo.

Algumas possessões podem ocorrer por feitiçaria que fizeram contra ela, outras porque mexeram em despachos em encruzilhadas e cemitérios, além de vários ouros fatores, e é importante que o zelador entenda bem as quedas dos búzios para que possa resolver a questão, como é também de vital importância que a família ofereça todas as informações possíveis, para ajudar ao sacerdote a entender melhor o que se passa para que assim, tenha condições de efetuar a obrigação.

Se não for cuidada da forma que precisa, a pessoa obsedada pode ter consequências até mesmo em sua patologia, levando assim a aparecerem doenças que por mais que a medicina trate a cura não virá.

Existem pessoas que demonstram, por exemplo, um distúrbio mental, que os médicos identificam como esquizofrenia, sendo que a pessoa jamais possuiu tal doença, por mais que em sua família tenham existido casos semelhantes.

Deve-se evitar o tratamento clinico? Obviamente que não, pois a medicação ajudará a manter a mente da pessoa centrada e irá corrigir os danos que a possessão causou. Mas, é de suma importância que sejam feitos ebós, banhos, e obrigações para o anjo da guarda da pessoa e também para seu Orixá, a fim de que, seja afastado dela, o espírito que a mantém refém de suas vontades.

Em todos os casos de obsessão, é importante que, caso tenha já a pessoa sido levada ao médico, que se respeite o tratamento clínico e se intervenha com os trabalhos espirituais, pois a união desses dois tratamentos garantirão que a pessoa não fique com sequelas da doença.

Existem vários sintomas que indicam obsessão:

• Dores de cabeça sem motivo clínico algum,

• A pessoa, por mais que esteja o sol brilhando necessita de luz acesa dentro de casa, pois se sente em escuridão,

• A falta de higiene tanto pessoal como com o local onde vive e/ou trabalha,

• Xingamentos, onde a pessoa passa a maior parte de sua vida chamando pelos espíritos ruins, mas nesse caso, deve-se observar também se a pessoa sempre teve essa mania, e assim sendo não é propriamente a obsessão, ou a pessoa foi acompanhada em toda sua vida por espíritos obsessores, o que ocorre com frequência

• A pessoa acende velas para mortos e outros espíritos inferiores dentro de casa,

• De uma hora para outra a pessoa se entregou ao vício da bebida ou outras drogas, e se nesse caso, outras drogas, é vital que haja o tratamento clinico, pois ele limpará o organismo da pessoa,

• Por mais que a pessoa tente, mas, não consegue um bom sono durante a noite,

• Loucura mental ou outras doenças relacionadas à mente, além de uma imensa lista de problemas que são sintomas de obsessão.

Para cada um desses sintomas, existem tratamentos espirituais diferentes, da mesma forma que acontece com o tratamento médico que varia de pessoa para pessoa.

Às vezes é feito um trabalho espiritual aliado com o clínico e a pessoa melhora, mas após algum tempo os sintomas persistem, isso não significa que o zelador fez algo de errado.

Acontece que existem espíritos que vêm com a pessoa desde seu nascimento, e nesse caso ou em outros, vão embora, mas voltam, e esse retorno pode ser por vários motivos, e é importante que se comunique o fato ao sacerdote para que ele possa intervir novamente até que aquela força seja afastada em definitivo.

Muitas pessoas, ao verem que seu ente querido voltou, por exemplo, a um estado de loucura, agridem o sacerdote com palavras, mas, a culpa não é do mesmo, pois as forças das trevas são persistentes e determinadas a não perderem aquela alma que conquistaram. Esse retorno acontece até mesmo dentro das Igrejas quando praticam o exorcismo.

Quando, por exemplo, é feito um feitiço contra aquela pessoa, ou ela se contaminou por trabalho negro feito para outro familiar, foi feito um pagamento para aquela entidade, e essa não vai abandonar a presa facilmente. Ao contrário, voltará quantas vezes for necessário para cumprir a tarefa a ela designada.

A magia negra possui recursos inimagináveis e os usarão sem dúvida alguma contra seu desafeto. O mesmo ocorrendo, quando a pessoa é vítima de um egum, ou seja: alma de morto.

Esse espírito não vai abandonar sua vítima com facilidade e muitas vezes, essa guerra pode levar meses ou até mesmo anos.

Já presenciei casos, em que, pessoa feita de santo, foi vítima de um egum, e esse após algum tempo se passar dos ebós e da matança do voltava para tentar de novo, e assim foi, até que o Orixá finalmente venceu.

A demora nesse caso ocorre, porque quando são realizados os trabalhos, forma-se uma batalha entre as forças protetoras e as forças trevosas, e da mesma forma que em uma guerra, muitas vezes a força do mal se afasta, para tão somente buscar reforços e voltar a atacar, e nesse caso, muitas vezes, o retorno é com mais força do que tinha antes.

Acontece da mesma forma que um exorcismo realizado nas Igrejas, onde inicialmente o demônio se afasta da pessoa, mas pode acorrer de voltar, como foi o caso de Emily Rose, ocorrido nos Estados Unidos, onde por mais que o padre tenha lutado, culminou com a morte da moça. Foi então o padre culpado? Não! Apenas ele lutava sozinho contra uma força muito maior que a dele, e também naquele caso, houve o choque entre a medicina e a fé, sendo que nesses casos, é imprescindível que as duas andem juntas, por mais que o médico não reconheça o poder da fé.

A possessão existe em número muito maior do que se possa imaginar e em alguns casos, pode atingir a toda a família, provocando discórdia, brigas, desentendimentos cada vez maiores, e nesse caso, a intervenção do sacerdote se dá em várias vezes e não em uma somente. É o tão citado aqui, confronto entre as forças do bem e as do mal.

Já presenciei um caso, em que uma pessoa, (não cito nomes, por uma questão de ética), sofreu um surto psíquico e mais tarde foi diagnosticado como surto de esquizofrenia. Foram feitos, ebós, banhos e outras obrigações, mas, o tratamento médico não deixou de existir, e a pessoa melhorou, voltou a ter uma vida “normal”, obviamente respeitando as limitações que a doença deixou, e depois de quase um ano, a medicina diagnosticou que aquela pessoa, não sofreu um surto esquizofrênico.

Nesse caso, a pessoa tinha sofrido um ataque de um egum, de uma determinada pessoa que fazia parte da família quando viva e que não tinha simpatia pelos familiares. Isso é muito comum, pois após a morte, o espírito continua vivo, e com capacidade para interferir de formas variadas na vida das pessoas.

Vi também, um médico, que tinha uma pessoa de sua família diagnosticada como esquizofrênica e chegando ao apogeu da loucura, mesmo com certa desconfiança na chamada, fé, esse médico levou seu parente a um sacerdote e a pessoa voltou a ser como era antes.

Logicamente que mágica não existe, e em todos esses casos, mantiveram o tratamento clínico e o religioso, e dispuseram de tempo e recursos para se obter os resultados.

Existe ainda outro tipo de possessão: aquele que faz com que uma determinada doença não seja diagnosticada pela medicina. Isso ocorre, porque aquele espírito não deseja o bem de seu desafeto e intervém para que o médico não descubra o mal para que possa curar. Nesse caso, existem obrigações para neutralizar a força espiritual, permitindo assim que a medicina possa proporcionar a cura da pessoa.

O que não podemos fazer em hipótese alguma é interferir nos trabalhos da ciência, pois um médico estuda uma vida inteira e tem a capacidade sim, de diagnosticar e tratar muitos males.

Nem tudo é causa espiritual, mas para tudo a espiritualidade pode sim, interferir, desde que, respeitando-se o profissional da saúde que cuida daquela pessoa.

Quando temos uma pessoa que não aceita de forma alguma as obrigações, existem meios para se fazer as mesmas, sem que ela tenha conhecimento algum, do que ocorre.

Se uma pessoa de sua família mostra alguns dos sintomas acima relacionados, faça o seguinte:

Em um prato branco, coloque o nome da pessoa e por cima mel. Depois coloque esse prato em um local mais alto que a sua cabeça e ao lado um copo com água. Dentro co prato coloque uma vela de sete dias e acenda e mesma, rezando: um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Credo, uma Salve Rainha e uma oração para o anjo da guarda.

Findas as orações, faça os pedidos na intenção da saúde mental ou física da pessoa. Após a vela terminar de queimar, despeje aquela água em uma planta não venenosa, e descarte a embalagem que estava a vela. Coloque outro copo com água, outra vela e repita os procedimentos. Faça isso quantas vezes for necessário e caso não aja uma melhora maior, busque a intervenção de um sacerdote.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.