foxyform

Contador de visitas

contador grátis

sexta-feira, agosto 06, 2010

NEM SÓ DE REALIZAR TRABALHOS SE PRATICA O SACERDÓCIO

Muitas são as pessoas que procuram um sacerdote, com vários problemas em sua vida pessoal, financeira, amorosa e outros. Em sua grande maioria os trabalhos são imprescindíveis, pois existe a necessidade de dar-se um rumo na vida da pessoa.

Porém, nem sempre o cliente nos procura para realizar obrigações, ainda mais quando são clientes que já se cuidam há tempos com o mesmo sacerdote.

Existem momentos que a pessoa busca mais, alguém para ouvir seus desabafos, seja por uma incompreensão de seu conjugue, seja por algum dilema com filhos, ou mesmo por estar deprimido com outros problemas.

Nessa hora, é que exercemos o outro lado do sacerdócio: o lado de ouvir e aconselhar. Como sacerdotes, somos um pouco de “psicólogos”, não que tenhamos estudado e com direito de exercer a profissão, mas interagimos como tal sim. Explicamos as coisas da vida e do mundo, orientamos em qual caminho a pessoa deve seguir, e muitas vezes orientamos até mesmo na criação de seus filhos ou apaziguarmos uma briga conjugal.

Se agirmos sempre dessa forma, veremos que aquele cliente se sentirá tão seguro, que nunca mais sentirá vontade de buscar outra casa. Nem sempre a obrigação é fato decisivo. Muitas vezes, um bom conselho, uma orientação ou somente o fato de ouvirmos um desabafo, ajuda e muito àquela pessoa a entender melhor sua vida e seus problemas.

Obviamente que se enxergamos um problema que foge ao nosso alcance e vemos que obrigação não resultará de muito, temos o dever de sugerir que aquela pessoa, busque uma ajuda profissional, pois para isso existem os psicólogos e a medicina tradicional, ou seja: o neurologista e o psiquiatra. Temos apenas que enxergar o momento certo e orientarmos a pessoa a buscar essa ajuda.

Quantas vezes um vivente, busca uma casa, tão somente na intenção de ser ouvido, pois já não suporta mais as agruras que a vida o impõe!

Claro que uma mesa para Oxalá e para Yemanjá, por exemplo, ajuda em muitos aspectos da vida humana, do cotidiano, mas existem momentos que mesmo essas, são dispensáveis, pois o problema é físico e não espiritual.

Saber ouvir é uma dádiva, uma prova de que a pessoa se encontra pronto para o sacerdócio.

Ter sempre uma palavra de consolo, uma opinião construtiva, e ainda a sensatez para agir com a delicadeza que o momento requer, nos faz verdadeiramente sacerdotes no sentido real da palavra.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


segunda-feira, agosto 02, 2010

DEVEMOS RESPEITAR AS FASES DA LUA

Ao realizarmos qualquer obrigação dentro do Candomblé, devemos obrigatoriamente respeitar as fases lunares, pois as mesmas influenciam tudo no Planeta Terra, sejam as marés, o tempo para plantar, para colher, até mesmo o crescimento de nosso cabelo.

O mesmo ocorre com as energias de nossos Orixás.

Como sabemos, são eles, partes da natureza, governam a mesma em nome de Olorúm, o Supremo criador de tudo. Assim sendo, existem limitações para que nós, seres humanos, possamos buscar suas influências em nossa vida e daqueles que nos procuram.

E a maior limitação está justamente nas fases da lua. Não devemos, por exemplo, fazer nada para Orixá em lua minguante, exceto em determinados momentos e determinadas obrigações, pois corremos o risco de ver as coisas minguarem de forma que dificilmente poderemos desfazer.

Para cada obrigação, existe uma fase propicia da lua, a cheia, para uns casos, a nova para outros, a crescente serve para outras finalidades e mesmo a minguante tem sua serventia, porém a pessoa deve saber como irá realizar determinados trabalhos no quarto minguante.

Nessa lua podemos sim, mexer com algumas coisas, exú, por exemplo, não conhece fase lunar, assim pode-se invocar sua presença para trabalhos os mais variados. Da mesma forma acontece com egum, que não reconhece a lua, e dentro da minguante, podemos invocar egum, sem maiores problemas, pois ele com certeza irá receber a oferenda que a ele se destina e se encarregará de tomar as medidas para que a pessoa alcance a graça que pede.

Obrigação para Orixá é algo demasiado delicado e temos que nos acautelar quando formos arriar qualquer obrigação, e principalmente quando o trabalho requer sacrifício de animais.

Nessa fase de obrigação, é imprescindível que recorramos à lua, para vermos em que fase ela se encontra para que não corramos risco algum, e muito menos aquele consulente que tanto vem sofrendo com seus problemas e dificuldades.

Mesmo, no entanto, que a fase da lua seja outra que não a minguante, temos que observar o tipo de trabalho que fazemos e se naquele momento a lua está propícia para aquele evento. Se a lua estiver cheia, muito se pode fazer, mas nem para tudo ela serve. Dependendo da circunstância, a lua nova ou crescente é de muito mais valia que a cheia e por aí vai.

Ao observarmos a fase da lua, estamos observando o exato momento em que está passando o Planeta e assim, estaremos respeitando a transição pela qual o satélite da terra está, e quais os benefícios que traz consigo.

Povos muito antigos, já respeitavam a lua, pois tinham conhecimento de sua importância, e o mesmo acontecia com sacerdotes muito antigos de nossa religião.

Porém hoje, muitos seja por desconhecimento, o que prova o despreparo para o sacerdócio, seja mesmo por se tratar de pessoa moderna, não leva em consideração o momento pelo qual nosso mundo está passando, devido à fase da lua.

Alguns dizem ser esse fator apenas superstição da parte dos zeladores antigos, mas, como poderiam pessoas que não possuíam nenhum conhecimento de escrita, não sabiam ler, ter tanta sabedoria dentro de si?

Enganados estão os que não respeitam o momento pelo qual a lua está passando e levando nosso planeta com ela, pois se soubermos respeitar esse momento, teremos muito mais a colher em nossas obrigações.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.






domingo, julho 25, 2010

EBÓ DE MISERICÓRDIA

Existem vários ebós dentro do Candomblé, e cada um tem uma finalidade, mas, o ebó que é bom para uma pessoa não significa que será bom para outro, pois como as cabeças são diferentes, os trabalhos também se modificam.

O ebó de misericórdia tem como finalidade o que sugere o próprio nome: a misericórdia. Ele geralmente é feito somente com alguns itens que são algumas comidas brancas.

Ele serve para afastar uma doença, para abrir caminhos em caso de desemprego, além da várias outras funções. Em sua grande maioria, os zeladores, optam por esse ebó, quando a pessoa passa por uma situação extrema e não tem a mínima condição de arcar com um trabalho mais complexo.

Alguns usam esse ebó, quando a pessoa corre risco de vida também. Ele pode ser usado sempre, mas, deve-se ater que a pessoa ficará com uma dívida para com seu Orixá ou mesmo com o exú ou com o egum daquele santo.

No geral esse ebó utiliza pouquíssimas coisas. É passado somente em circunstância séria, pois, conforme foi visto no jogo, a pessoa está com algum problema muito grave e sem condições para um ebó completo.

Após esse ebó, costuma-se dar um obi d’água na pessoa. Essa obrigação consiste em basicamente, se arriar uma canjica para Oxalá e um obi branco, acompanhado de uma quartinha com água e uma vela de sete dias, para que Oxalá tenha misericórdia daquele vivente, que sofre, e não possui a mínima condição para oferecer uma obrigação completa naquele instante de sua vida.

Comparando com termos médicos, essa obrigação é como uma pessoa que precisa de uma cirurgia, mas não tem condições de realizar naquele momento, então o médico, se utiliza de algum recurso que vai momentaneamente aliviar a dor daquele individuo, mas, ele terá que fazer a cirurgia mais dia menos dia para que possa continuar vivendo.

Assim como o procedimento clínico, a pessoa que passou por um ebó de misericórdia, deverá mais tarde retornar à mesma casa, para que seja feita uma obrigação maior, que irá livrá-lo de vez daquele problema.

É um procedimento de emergência e o consulente fica com uma dívida para com os Orixás, pois essa obrigação vai resolver por um determinado tempo seu problema, mas, ele pode voltar com força ainda maior.

Deve o consulente, ser fiel a quem o passou por essa obrigação, pois foi aquele socorro que o livrou quem sabe, até mesmo da morte iminente que seria causada por algum inimigo oculto. Quando um zelador usa desse tipo de trabalho, ele está automaticamente se comprometendo com o Orixá daquela pessoa, em seu nome, que tão logo seja possível a obrigação maior será realizada.

Se a pessoa, não procurar a mesma casa, para dar continuidade a seu trabalho, ela arcará com as consequências, pois foi o Orixá da casa que pediu a misericórdia para ele. Não adianta, por exemplo, fazer esse ebó com uma pessoa e procurar outra para terminar, pois será traição e o vinculo por si só cobrará a injúria. Obviamente que se a pessoa foi morar em outra cidade longe, se o zelador não mais está praticando a religião por qualquer motivo que seja, pode então a pessoa procurar outra casa e terminar seu trabalho, mas, deverão ser tomadas algumas medidas em prol do Santo que o acolheu.

Assim, se você precisa de um ebó e o mesmo foi feito como misericórdia, não se esqueça de que é apenas um socorro imediato e mais dia menos dia terá que terminar o que começou. E não se esqueça também de que a fidelidade é algo de muito valor.



Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




sábado, julho 17, 2010

A PAZ É IMPRESCINDÍVEL

Todos sabem que é importante dar oferendas aos Orixás para que se possa alcançar as graças desejadas. Sabe-se também que uma oferenda deve ser composta de água e vela, e desde o momento que preparamos a comida, é de suma importância que a pessoa esteja com amor dentro de seu coração e sua mente voltada para o bem.

Mas, de nada adianta tudo isso, se não existir a paz dentro de uma casa onde se cultue Orixá.

A paz é imprescindível em todos os momentos e em todos os dias. Não adianta entregar oferendas a um Orixá, Caboclo ou qualquer outra entidade, mesmo que seja Exú, se dentro da casa não predominar um clima de amor, de serenidade.

As pessoas em geral, perdem muito tempo com coisas ínfimas que em nada colaboram com seu crescimento espiritual, e sem esse não se atinge o material. As entidades necessitam de um clima estabilizado para que possam interagir em nossas vidas e nos proporcionar o que de melhor possamos ter.

A paz queridos irmãos é tão importante para as entidades, como o ar o é para nós, seres humanos. Em um lar ou mesmo templo, onde não impera a paz absoluta, o verdadeiro sentimento de perdão, nada poderá ser construído de bom. O perdão é algo divino e devemos manter nossos corações sempre voltados para ele.

Se uma pessoa nos ferir mil vezes, devemos perdoá-la na mesma quantidade. Porém, deve ser o perdão sincero, não se pode perdoar uma pessoa, e manter resquícios dentro de nós. O perdão tem que ser usado sem limites, da mesma forma que o amor, a serenidade, a honestidade e tantas outras virtudes que somente os seres humanos são capazes de desenvolver.

Uma oferenda feita, seguida de clima tempestuoso, terá com certeza efeito contrário, pois o Orixá se afasta daquele local e abdica até mesmo dos melhores pratos que o servimos, pois não pode, sendo ele, parte da natureza, interagir em um local dominado por forças inferiores.

Brigas, xingamentos, mágoa, vingança, avareza, mesquinharia, tudo isso pertence às esferas inferiores e aos seres que nela habitam. E esses seres, não desejam outra coisa que não seja a destruição de nosso lar, de nossa vida enfim.

Devemos em momentos difíceis, voltar nosso coração a Deus e suplicar que seus mensageiros de luz, venham até nós, trazendo a suave brisa do amor. Devemos implorar para que nosso Orixá nos cubra e nos defenda desses sentimentos tão impuros.

A melhor forma de evitarmos esses sentimentos é tão somente rezando para o Orixá, para nosso anjo da guarda e para nossos guias de Umbanda, suplicando o perdão por nossas falhas, e desejando do fundo de nossas almas, que o amor e a paz, sejam uma constante em nossa vida e em nosso dia a dia.

Não nos entreguemos, pois, às forças malignas que existem sim, e que lutam incansavelmente pela destruição de nosso mundo. Oremos, imploremos aos Orixás que eles com certeza nos afastarão de todas as energias.

Façamos oferendas a eles, mas não nos esqueçamos da principal: a paz em nossos corações e em nossa residência.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


quarta-feira, julho 14, 2010

FILHOS DE OGUM, GUERREIROS, PORÉM JUSTOS.

Uma característica dos filhos do Orixá Ogum é o fato de serem guerreiros e determinados. No geral, são pessoas honestas, trabalhadoras e com um senso de responsabilidade muito grande.

São pessoas que se dedicam ao trabalho, e fazem desse a parte mais importante de sua vida. Dedicam-se ao trabalho, como se nada mais houvesse no mundo e ai daqueles que acharem que estão errados. Para eles a responsabilidade está muito acima de qualquer outro fator em sua vida, e não suportam pessoas que ficam na dependência deles ou de outra pessoa qualquer.

Os filhos de Ogum no geral demoram muito analisando a decisão que precisam tomar, pois temem agir de forma errada ou injusta. Não são pessoas de agirem sob impulso, seja ele qual for, e nunca misturam as coisas. Têm o discernimento para deixar cada assunto em seu estágio não permitindo assim que uma coisa influencie na outra.

Pessoas geralmente de poucas palavras, não costumam se arrepender do que fazem, pois antes de fazerem, pensaram muito, e assim sendo, nada têm do que se arrepender. Muitos de seus filhos optam por viver longe da família, e isso faz com que passem a sensação de que não amam as pessoas, é que seu jeito de amar é diferente. São pessoas que mostram amor nas ações e no dia a dia, não são de declarações amorosas.

Não pensem com isso, que são pessoas insensíveis, ao contrário: sentem as mesmas coisas que os demais, mas preferem não explanar sobre seus sentimentos, até porque pensam que o trabalho é mais importante que o resto de suas vidas.

Sofrem por amor, mas um sofrimento diferente, pois com o trabalho ocupam a mente e consequentemente sofrem bem menos, afinal agem com a razão e não com a emoção. Pensam mais ou menos assim: ‘amar eu amo, mas se não podemos ficar juntos, pra que sofrer?”E venhamos e convenhamos eles têm lá suas razões”.

Mas, uma coisa em particular faz com que sejam muito mal interpretados: seu senso de justiça.

Seu senso de justiça é algo tão forte, que mesmo seu pai ou sua mãe estando errados, eles nunca dirão que estão certos. Por mais que amem uma pessoa, jamais tirarão a razão de quem tem para dar a quem não tem.

Suponhamos que uma pessoa faça algo contra seu parente. Ele, o filho de Ogum, antes de julgar irá analisar se a pessoa fez aquilo por simples maldade ou porque foi motivado com outra ação. E se provado que seu parente promoveu aquela atitude devido a alguma coisa de errado, ele nunca se voltará com sua ira contra a pessoa, pois entenderá que se seu ente não agisse daquela forma as coisas não teriam acontecido.

Os filhos de Ogum não se apegam a bens materiais, muito embora gostem das coisas boas, mas preferem dar valor ao espírito. Não são materialistas e se tiverem que abandonar toda uma vida de luxo em troca da paz, não pensarão duas vezes.

São reservados, na maioria de pouca conversa e sempre optam por ser o último a proferir opinião sobre qualquer assunto.

Graças a seu gênio justo, foi que Ogum teve sucesso determinada fase de sua vida:

Eis que Nanã pediu a Orumilá que punisse Ogum, e acabasse com seu reino, pois ele se negou a emprestar sua faca para ela, para que ela pudesse realizar uma matança. Porém Orumilá se negou em atender ao pedido de Nanã dado a Ogum ser muito justo e obediente dentro de suas leis. E assim nasceu a kizila entre os dois Orixás, e essa perdura até os dias de hoje.

Um filho de Ogum, à exemplo de seu pai, sempre busca os caminhos honestos para ter tudo que deseja, e não gostam de emprestar o que é seu. Pensam que da mesma forma que lutaram para ter o que precisam os demais também podem agir assim.

Odeiam quando uma pessoa se mostra dependente deles, pois como guerreiros, não conseguem administrar a dependência, pois trazem dentro de si, a liberdade total, e assim sendo não aceitam que uma pessoa tenha que viver à sombra de outro.

Também são pessoas que não valorizam o sexo de forma viciosa. Gostam do sexo, o fazem bem feito, mas se não tiverem, para eles não tem importância, pois a exemplo de seu Orixá, valorizam mais o trabalho que os prazeres da carne.

Pensam os filhos de Ogum, que o trabalho é a coisa mais importante na vida de uma pessoa, e com ele é que se obtém todo o progresso de que necessita, assim sendo, para que valorizar em demasia o prazer sexual?

Conta a lenda que Oxum vivia indo à forja de Ogum para seduzi-lo, mas, como ele dava mais atenção ao trabalho do que a ela e seus encantos, ela com raiva se entregou a Xangô que já tinha tirado Oyá dele aumentando assim a rixa entre os dois Orixás.

Os filhos de Ogum são carinhosos sim, mas, pensam que existe momento para tudo, e que carinho e beijo, não precisam ser dados em público, pois encaram como falta de respeito a quem estiver por perto, isso no que se refere ao beijo na boca, principalmente os beijos mais calientes.

Amam a natureza e possuem uma facilidade muito grande em conhecer ervas, até mais que os filhos de Odé. As pessoas de Ogum são de uma inteligência muito grande, e sempre buscam se aprimorar cada vez mais. Até mesmo no gosto musical, sempre preferem música mais elitizada, não que se possa dizer que não ouçam outros tipos de música, pois são ecléticos nesse sentido.

Guerreiros, batalhadores, justos, assim são os filhos de Ogum!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




segunda-feira, julho 12, 2010

TODOS SOMOS FILHOS DE ORIXÁ, TODOS SOMOS FILHOS DE OLORÚM

Existe dentro de cada um ser humano, a mesma vibração divina, o mesmo sopro que deu à vida, a todos, independente de cor, raça ou credo. Cada ser humano possui seu dom, sua riqueza seja ela material ou espiritual. Todos compartilham da mesma origem. Todos somos filhos de Olorúm.

Da mesma forma que Olorúm criou seus Ministros, nossos Orixás, criou também a nós, mortais que compartilhamos o mesmo ar, bebemos da mesma fonte de vida: a água.

Independente de ser rico ou pobre, brasileiro ou espanhol, preto, branco, pardo ou seja lá de que cor, mas todos possuem seu Orixá de cabeça e esse com certeza o ama, não importando nada a não ser seu coração.

Termos um coração puro, uma alma elevada, é sermos antes de tudo, dignos de ser chamado de Filho de Deus, ou de Omo Orixá, ou seja: Filho de um Orixá. Nada nos pedem eles, sem que possamos realmente dar. Pedem-nos uma vela, um prato de comida como oferenda, mas que mais nos pedem mesmo, é a pureza de nossos corações.

Não pode uma pessoa deseja ser maior que a outra, pois cada um tem seu destino, sua própria vida. Também não compete a ninguém ter inveja e desejar o que pertence a outro, pois se temos o pouco que seja, nos foi dado por Olorúm, que com sua grande sabedoria, sabe perfeitamente o que merece cada um de seus filhos.

Jamais Olorúm deixará que uma pessoa sofra além de suas forças. Da mesma forma, um Orixá jamais permitirá que seu filho venha a sofrer por coisas que não merece. É de vital importância que saibamos que ao nascermos já trazemos dentro de nós, toda a vida, todos os acontecimentos agendados, e nada acontecerá sem que seja permitido pela sabedoria divina.

Se uma pessoa, por exemplo, nasceu para viver somente com parcos recursos, ele assim deverá viver,e lutar com dignidade e honestidade para se fazer merecedor da melhora de vida que tanto almeja.

Deus não criou ninguém para ser servo do outro, para viver em humilhação, mas, temos sim, que fazer por merecer a fartura, a prosperidade tão almejada por todos e alcançada por poucos.

Se uma pessoa age, sem avareza, sem discriminar a quem quer que seja, sem perseguir seus irmãos, sem mentiras, se age com honestidade e com hombridade, com certeza, mais dia menos dia, sua vida irá melhorar. Porém, não adianta agir com falsidade, pois que podemos enganar a nossos irmãos encarnados, mas nunca, jamais enganaremos a Olorúm ou aos Orixás.

Comumente vemos pessoas que por mais que acendam velas, entreguem oferendas, não conseguem se estabilizar na vida e quando alcançam o objetivo, costuma durar muito pouco.

Por que assim acontece?

Porque com certeza essa pessoa vive uma vida desleal às leis divinas. Não adianta que nunca conseguiremos progredir se não for por nosso esforço, com nosso suor. Entendamos também, que, cada pessoa traz seu carma de outras vidas e esse tem que ser resgatado.

Vivamos, pois, em harmonia com todos os seres humanos, pois cada um de nós, é uma partícula de Olorúm nesse mundo e também de seu Orixá. Não nos enganemos, pois cada um é filho de seu Orixá, ninguém se governa, mas sim, é governado por seu Orixá e esse por sua vez, é governado pelas leis de Orumilá e esse, como verdadeiro Deus, Senhor Onipotente, fará sempre o que for melhor para cada um de seus filhos.

Saibamos que acima de tudo está à vontade de Deus e de nossos Orixás e jamais, passaremos por algo que não mereçamos. Se sofremos hoje, e tivermos fé viva, com certeza nosso amanhã será muito melhor.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.






quinta-feira, julho 08, 2010

Pastor que abusou meninas no Maranhão diz que atendeu pedido de 'anjo'

SÃO LUÍS - O "anúncio" de que o Espírito Santo precisaria de cinco mulheres para dar a luz a seus filhos foi o que motivou o pastor José Pedro Santos, de 60 anos, a abusar sexualmente de pelo menos cinco garotas na cidade de Pinheiro, no Maranhão. Das cinco vítimas do pastor, que são todas menores de idade, duas estão grávidas. A menina de 14 anos estaria no quarto mês de gestação, enquanto a de 15 anos estaria no oitavo.

No entanto, em depoimento à polícia após ser preso, o pastor negou que tenha abusado das meninas. Segundo ele, as duas garotas que estão grávidas receberam um verdadeiro "milagre".

Em entrevista à Rádio Mirante AM, a delegada da regional de Pinheiro, Laura Amélia Barbosa, explicou como funcionava este "milagre". Segundo a delegada, o pastor dizia que, certo dia, um anjo apareceu diante de seus olhos e o comunicou que o Espírito Santo estava em busca de mulheres para conceber os "salvadores do mundo".

E a história do pastor vai mais além. Após crescerem, estas cinco crianças se uniriam para destruir o "mundo dos pecadores" e construir um "novo mundo". Tanto que, durante seu depoimento à polícia, José Pedro Santos garantiu que as meninas continuam virgens apesar de estarem grávidas.

- Ele disse que foi um anjo que apareceu para ele e anunciou que cinco meninas iriam engravidar. E esse anjo mostrou uma coroa de fogo com o rosto das meninas dizendo que elas iriam engravidar do Espírito Santo. E então ele atribuiu isso a um milagre. Ele diz que as meninas são virgens e que tudo é um milagre de Deus. E essas crianças quando nascerem vão destruir o mundo dos pecadores e construir um novo - disse a delegada.

A delegada Laura Amélia Barbosa revelou, ainda, que já começou a ouvir as duas meninas que estão grávidas.

Segundo ela, as garotas dizem que os filhos que esperam são frutos do Espírito Santo. Mas confirmam que mantiveram relação sexual com o pastor.

O pastor José Pedro Santos está na Delegacia Regional de Pinheiro. A delegada pediu prisão preventiva de 30 dias para ele.


JUNHO ÉPOCA DE LOUVARMOS SÃO JOÃO E XANGÔ

Todos os anos, no mês de Junho, louvamos a São João Batista, líder espiritual, pregador dos evangelhos de Nosso Senhor. Mas, dentro do Candomblé e do Batuque, louvamos também Xangô, o grande Orixá da justiça, aquele que se incumbe perante Deus, de julgar nossos atos, e assim, ver se merecemos viver em espírito junto aos Orixás que governam a natureza.

São João Batista, segundo as tradições Católicas, foi o Santo que Batizou Jesus Cristo, no Rio do Jordão. Dentro das nações afro brasileiras ele é Xangô, mais precisamente Aganjú dentro do Candomblé.

O que muitos não sabem, é que Xangô existiu sim. Foi o terceiro governante de um reino chamado Oyó, que para os praticantes da religião afro descendente, é uma cidade Santa, assim como Meca para os mulçumanos.

Consta nos registros das bibliotecas africanas que Oyó foi fundada em 1700 A.C, e seu primeiro Rei, foi Oranyan, e reinou de 1700 a 1600 A.C. Mais tarde seu filho Dadá Ajaká, recebeu o trono de seu pai e governou de 1600 a 1500 A.C.

Ele tinha um irmão consanguenio que residia em Nupe, terra dos Tapás com sua mãe Torosí, e este era Xangô.

Nesse tempo, Xangô mudou-se para um bairro de Oyó chamado por ele de Kossô que era o mesmo nome da cidade em que vivia com sua mãe, e assim manteve o título de Obá Kossô que trazia consigo.

Dadá era um rei que admirava as belezas, as artes, os poemas e tudo mais, o que não era conveniente para um Rei desse tempo, Xangô então, o destronou e assim assumiu seu lugar, obrigando Ajaká a usar uma coroa rodeada por vários fios ornados de búzios, (Adê) ao invés das contas preciosas usadas na Coroa Real de Oyó.

Essa coroa escondia seu rosto e seus olhos envergonhados pela atitude de seu irmão, e por sua covardia que ajudou a ser usurpado seu trono. E fez uma jura que só retiraria aquela coroa, quando pudesse novamente usar o Adê Real de Oyó que lhe fora roubado por Xangô. Esse adê que Dadá Ajaká passou a usar se chama adê de Bayanni, pois Bayanni era o outro nome pelo qual Ajaká era conhecido em Oyó.

O tempo passa e Dadá Ajaká se casou e nesse casamento teve um filho ao qual deu o nome de Aganjú, esse então era sobrinho de Xangô.

O reinado de Xangô durou sete anos e, como o remorso das atrocidades por ele cometidas lhe corroia, somando-se a revolta do povo por causa de suas arbitrariedades, Xangô abandona Oyó e vai se refugiar na terra natal de sua mãe, Nupe. Depois de certo tempo vivendo nessa terra, Xangô suicida se enforcando em uma árvore chamada àyòn na cidade de Kossô.

Após a morte de seu irmão, Dadá Ajaká retorna a Oyó, e recupera seu trono, tirando assim como prometeu, seu adê Bayanni passando a usar novamente sua Coroa Real, tornando-se o quarto Alafin (Rei) de Oyó.

Texto publicado no Jornal Comando da Cidade de Porto Alegre em Junho de 2010


sexta-feira, julho 02, 2010

ORIXÁ NÃO ACEITA SACRIFÍCIO HUMANO, ISSO NÃO NOS PERTENCE

Comumente vemos notícias de pessoas presas por realizarem sacrifício humano em caráter religioso, e na grande maioria das vezes, Exú é colocado como a entidade que solicitou esse sacrifício. Vemos até mesmo pessoas que se dizem sacerdotes de Umbanda e Candomblé, que se intitulam pais e mães de santo, participarem dessa atrocidade.

Antes de tudo devo alertar que isso é uma mentira deslavada! Jamais uma entidade, seja ela qual for pede tal barbaridade.

Dentro do Candomblé e da Umbanda, não existem atos no mínimo obscenos como esse. Esta atrocidade é praticada por falsos zeladores que se metem com magia negra, com culto ao demônio, e outras coisas, e para manterem seu verdadeiro culto escondido e livre da perseguição da polícia, colocam a culpa nas religiões afrodescendentes.

Saibam todos que essas pessoas são execradas pelos verdadeiros praticantes da Umbanda e do Candomblé! Não aceitamos em hipótese alguma que uma vida humana seja retirada por qualquer motivo que seja, pois cremos que Deus concedeu a vida a todos nós e somente a ele cabe retirá-la.

Não compactuamos com holocaustos, de pessoas. Não trabalhamos para prejudicar a quem quer que seja! Apenas seguimos a religião de nossos antepassados. Damos continuidade a uma religiosidade que possui mais de 3000 anos de existência. Cultuamos a natureza, o amor a Deus e tudo que ele criou. Respeitamos o próximo e desejamos ser respeitados.

Os rituais envolvendo seres humanos, não pertencem a nós. São cultos antigos, de uma época em que o ser humano vivia em total desconhecimento da verdade, e que a espada era a única lei que realmente valia.

Dentro de nosso credo, aprendemos quando iniciamos nosso caminho sacerdotal, que uma vida humana é valiosa demais aos olhos de Deus, mesmo que seja a pessoa, um criminoso, um ladrão, pois aos olhos do Senhor são todos seus filhos, e como tais, merecem respeito principalmente no tangente à sua vida.

Efetuamos holocausto de animais sim, mas apenas como forma de trocar a vida daquele ser, pela vida de uma pessoa, e também seguindo rituais que até mesmo na Bíblia existe, pois eram feitos sacrifícios a Deus.

Também não profanamos túmulos. Ao contrário, nós praticantes do Candomblé nem mesmo vamos a um cemitério se não houver uma necessidade muito grande como o sepultamento,por exemplo, de um ente querido.

Não acredite, pois, quando uma pessoa tiver o descaramento de aparecer na televisão dizendo que exu fulano o mandou realizar aquilo. Pois é uma mentira deslavada e essa pessoa merece ser julgada com todos os rigores da lei, e ser encarcerada sim, pois somente a Deus cabe o direito de uma vida humana.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


terça-feira, junho 29, 2010

OGÃ

Ogã é um cargo de suma importância dentro de uma casa de santo, pois é ele quem toca os atabaques, instrumento de percussão que chamam as divindades para a terra, a fim de que possam se manifestar através de seus eleitos para serem reverenciados por todos que se encontram na festividade. Além de exercerem outras funções imprescindíveis para que um templo possa funcionar.

Dentro da nação Angola, o ogã é uma espécie de Abikú, diferentemente do que acontece em algumas outras nações. Seu cargo é visto pelo sacerdote em jogo de búzios e então ele será iniciado para esse sacerdócio.

Sim, o cargo de ogã é um tipo de sacerdócio, pois ele é que vai também, auxiliar o sumo sacerdote em diversas tarefas, inclusive na iniciação dos filhos de santo. Quando uma pessoa tem esse cargo, sua vida dentro do santo é bem diferente daqueles que se incorporam com Orixá, a começar por sua iniciação.

Um rodante, como chamamos as pessoas que incorporam, passa por um bori, e começa a ser um abiã dentro da casa de santo, onde seus direitos são muito poucos.

Mais tarde quando vai para a iniciação, passa por um período de vinte e um dias recluso. Já o ogã, a partir do momento em que é apontado e suspenso, já começa a ser chamado de pai, e assim sendo tem o respeito de todos daquela casa, bem como de outras casas.

Sua iniciação se dá com sete dias de reclusão e ele já sai com seus direitos, ou seja, “nasce com sete anos” como falamos no Candomblé. Porém, terá que passar por todas as obrigações normais de uma pessoa, até que complete a de vinte e um anos.

Essas obrigações são para que complete o ciclo pendente que seu Orixá, traz de outras encarnações. Uma pessoa é ogã, pois seu Orixá em outros tempos já passou pela fase de iniciação como rodante, assim sendo, precisa que seu filho apenas cumpra essa fase para que ele, como Orixá possa dar como cumprida a sua missão perante Orumilá.

Um ogã tem como função, além de tocar os atabaques, o zelo pelos mesmos, mantendo-os sempre em condições de serem utilizados. Além disso, é ele o responsável por retirar o couro dos animais sacrificados, de cuidar para que a casa esteja dentro das leis que regem o candomblé, cuida para que o zelador esteja sempre a par de tudo que acontece na roça, mantém os filhos de santo dentro das normas exigidas.

Algumas funções são pertinentes somente a alguns cargos de ogã. Por exemplo, a matança, ou seja, o sacrifício dos animais, pertence ao Axogum, cargo de suprema hierarquia, pois ele é o sacerdote da faca, é o homem que tem mão de faca, estando apto a realizar os cortes para qualquer entidade. É ele, inclusive, que tem o direito de jogar búzios para algum filho de santo, quando do impedimento do sumo sacerdote da casa.

O Axogum não pode errar jamais, afinal ele trabalha em conjunto com o Babalorixá ou com a Yalorixá, auxiliando-os em todos os instantes em cada função. Somente pessoa de altíssima confiança do sumo sacerdote ou sacerdotisa, pode exercer essa função, afinal ele tem a capacidade, a autoridade para imolar os animais, alimentando assim o santo de uma pessoa.

Se ele foi apontado e feito para o santo regente da casa, ele é pai do zelador, pai de seu Orixá e tem até mesmo o direito de sacrificar para o santo do zelador, afinal ele é o escolhido para essa função.

Existem ainda outras qualidades de ogã, como:

Alabê que é o que toca os instrumentos denominados de atabaques. É o grande maestro e sob sua batuta os instrumentos ecoam seus sons, avisando aos Orixás que mais uma festa em seu louvor está acontecendo. Graças a esses ogãs, é que temos a maravilha chamada roda de santo, ocasião em que podemos mostrar nosso amor a essas divindades, dançando seus ritmos louvando assim, toda a existência na Terra, que sem a permissão de Olorúm, jamais aconteceria.

O Pejigan, aquele responsável por zelar do altar sagrado da casa. A palavra pejigan assim se traduz: peji = altar, gan = senhor. Em algumas casas, dependendo da nação, ele é o de maior importância, sendo considerado o chefe dos ogãs. É a ele que se reportam quando necessitam de alguma informação sobre determinados assuntos e, o zelador não está ou não pode atender naquele momento, devido a algum impedimento.

Todas as qualidades de ogã são de suma importância para uma casa de santo, e nenhuma pode ser edificada sem a presença dos mesmos, afinal, são eles, os pais de todos os rodantes, aqueles eleitos pelos Orixás para serem seus representantes com altas patentes.

Independente do cargo, se um ogã é suspenso e confirmado para o santo do zelador, ele é pai do mesmo e assim devem andar em harmonia, pois o Orixá, dono da casa, os escolheu para zelar por seu templo. Nesse caso ele é iniciado pelo sacerdote que iniciou aquele zelador.

Em qualquer casa aonde chegar, um ogã deve ser respeitado, pois não pediu para nascer assim, foi escolhido pelos “deuses” para aquela função.

A palavra ogã, deriva da palavra Jêje, que significa chefe, dirigente. Um sacerdote que permanece lúcido durante todas as obrigações não importando qual seja

O fato de o ogã não se incorporar, não significa que ele não tenha intuições ou mesmo que não sinta a presença do santo. Ao contrário: os ogãs possuem alta sensibilidade intuitiva, são capazes de auxiliar o sumo sacerdote até mesmo quando esse enfrenta uma dificuldade, por exemplo, de interpretar determinado assunto no jogo de búzios, são grande sensitivos e sentem a presença de seus Orixás, podendo até mesmo sentir um arrepio ou algo parecido.

Os cargos de ogã são exclusivamente masculinos e jamais uma mulher poderá exercer a função do mesmo. Inclusive o ato de tocar atabaques, é uma aptidão somente para eles. Pois são eles; preparados para tal finalidade. Não incorporam, e assim podem chamar os Orixás até mesmo das pessoas mais antigas que estiverem presentes naquele momento.

Costumam os ogãs saberem todos os fundamentos dos Orixás, dado a sua falta de incorporação. Foram escolhidos para esse sacerdócio e ai daqueles que censurarem um ogã ou mesmo não o respeitar como pai. Sua importância é tanta, que ao falecer uma pessoa, o axexê, ou seja, a cerimônia fúnebre, jamais pode ser realizada sem ele, afinal além de tocar, os instrumentos sagrados, anunciando que a pessoa não mais pertence ao mundo dos vivos, é ele quem preside o ato de despachar os pertences da pessoa.

Quando um Orixá escolhe uma pessoa como seu ogã ou mesmo, como ogã da casa, está entregando a ele, mais que um cargo. O Orixá na verdade o consagra como um sacerdote, uma pessoa que deverá manter sua casa aberta, e ainda, zelar para que todas as obrigações sejam feitas dentro das normalidades.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.