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segunda-feira, agosto 06, 2012

O QUE É SER UMA EKÉDI


Comumente, vemos pessoas do Santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos Orixás da casa.

Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de Santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. No Jêje ela é conhecida como Ekédi, já no Kêtu são chamadas de Ajoié na Casa Branca e de Iyárobá no Gantois. Na Nação Angola conhecem-nas como Makota.  O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje como disse, mas se popularizou em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas, somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois que, precisam 
 estar acordadas para exercerem sua função.

Dentro de uma casa de Santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifesatados por nosso Orixá.

A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de Santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do Zelador da Casa.

Este cargo é de suma importância dentro do Candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses Seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem e os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos Encantados pudessem vir ao Oyê, Terra.

Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos Orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros Ministros.

A complexidade de uma casa de Santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os Orixás estejam plenamente satisfeitos.

A Ekédi não é suspensa como o Ogã, ela é apresentada ao povo, e com sua cantiga própria,não podendo de forma alguma a mesma, ser usada para outra finalidade, e, quando seu Santo pede, ela então passa pelo processo de confirmação, dado que seu ritual de iniciação é diferente de todos os demais, mesmo dos Ogãs.

Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da Divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações.

Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no Xirê dos Orixás.

Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das Yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos Orixás, toca o Adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos.

Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um Santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando D’ele, para que se sinta amado e repeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nas matanças, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o Santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível.

Devemos às Mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso Orixá de uma forma que Jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um Orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido.

E, quando identificam um aborrecimento na Sagrada face de um Orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela Divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa.

Alguns que não merecem os Orixás costumam levantar calúnias contra nossas mães e até mesmo as abordarem com assuntos mundanos. Enganam-se e muito, pois elas são mães de nossos santos e eles as amam tanto que farão sim, a justiça sempre que verem que elas estão sendo sub julgadas ou desrespeitadas.

Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois que, nos acompanham em todos os rituais, desde os ebós do iniciado, até sua catulagem e matança. Em todos os seus atos de nascimento, elas ali estão, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele Orixá.

Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

sexta-feira, julho 20, 2012

NOVO PLEITO ELEITORAL


Mais um pleito eleitoral se aproxima, e mais uma vez em meu canto, conjecturo minhas preocupações com o futuro de nossa religião. Temos acompanhado perseguições cada vez mais abusivas de evangélicos a templos Umbandistas e Candomblecistas por todo Território Nacional, mais recentemente em Olinda, onde com faixas e palavras de ordem, invadiram um Templo de Umbanda e Candomblé.

E nada é feito para coibir os atentados que esses verdadeiros remanescentes da Ku Klux Klan brasileira, esses falsos religiosos, mentirosos e arrogantes, tomam contra nós. E o que mais me deixa boquiaberto, é que muitos de nós ainda se calam diante de suas palavras falsas, de suas hipocrisias e convivem com eles em harmonia.

E mais um pleito se aproxima e nenhum candidato comprometido com nossa causa está apoiado por nossos seguidores. Sabem por que? Porque como a maioria dos brasileiros, nosso povo se vende. Vendem seu voto por 1/2kg de carne, por milheiro de tijolos, por cimento e assim por diante.

Mas, se esquecem, de que pagamos impostos. Esquecem-se de que a Umbanda é religião sim, e tem seu dia comemorativo no calendário cívico Nacional. E votam em hipócritas que tão somente prometem defender igrejas.

Porém se esquecem daqueles que com seu suor e sangue, construíram essa nação.

Mas, pior do que eles, são os que se omitem, se escondem com medo de se proclamarem pessoas do santo, mas, amam serem beneficiadas com seus poderes. Podres, falsos, hipócritas é o que são. E eu mesmo conheço vários assim. Alegam que se descobrirem que são do santo, ficam sem trabalho, pois eu fiquei sem família, sem trabalho, sem nada, e muitas vezes sem o que comer, por amor a minha fé e não reclamei nem reclamo, pois a isso chamam de ideologia.

Mas esses hipócritas gostam apenas de se beneficiarem. Covardes! E mais um pleito vem, e com ele, mais uma promessa de que iremos continuar a ser perseguidos e podem acreditar: seremos ainda queimados em praça pública de novo! Sim, pois esses mentirosos podem roubar mentir, e está tudo bem, pois têm a Bíblia para se esconderem!

Adulteram, caluniam, maltratam os idosos, mas, a Bíblia os perdoa! Isso é Deus? Não! Meu Deus é Olorúm, aquele que nos ama, mas nos pune sim, independente de termos fé N'ele. Mas, os covardes que se escondem nas igrejas, esses podem tudo.

Os padres podem abusar de crianças e está tudo certo. Sabem por que? Porque sua igreja é representante de Cristo! Mas, era Ele pedófilo?

Povo do Santo: acordem, escolham um candidato de nosso meio, mas que seja sério, pois que, de ladrão já basta os que existem por aí. Tenhamos representantes sérios em nosso quadro político e tudo será resolvido, pois enquanto a KU KLUX KLAN estiver no poder, corremos o risco de pararmos na fogueira.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá. (aquele que será queimado em breve)

sexta-feira, julho 13, 2012

SERIA OMOLOKÔ, UMBANDA?


Muitas pessoas ainda por falta de conhecimento, afirmam que Omolokô seria uma Umbanda, onde se cultuam Orixá. Porém, este culto é sim uma nação de Candomblé, e como tal, tem seus preceitos próprios e devemos respeitar seus Templos, pois que, são oriundos da mesma Mãe África, de onde se originaram todas as demais nações que conhecemos.

Segundo pesquisadores, o nome Omolokô, pode estar ligado ao povo de Loko, que por sua vez, fazia parte de uma nação maior, os Manes. Este era um povo que vivia em Serra Leoa, e tinha como governante o Rei Farma, tendo sido este, o Rei mais poderoso de todos os Reis Mane.

A Sede de seu governo tinha o nome de Lakoja e ficava à margem do Rio Mitombo, sendo este, um afluente do Rio Benue que era um afluente do Rio Níger, sendo este o maior da África, berço de muitas civilizações, inclusive dos Yorúbas. Assim sendo, Lakoja era vizinha do Grande Reino Yorubá.

Outros nomes pelos quais o povo Loko era conhecido eram: Lagos, Lândogo e Sosso. O primeiro registro do nome Loko data de 1606, sendo que na mesma data consta ainda o registro deste mesmo povo com o nome de Loguro.

Pesquisadores afirmam que esse povo viveu até 1917 ao Oriente de Temnis de Scarcies, e que a tribo Loko era dividida em outras, e que o filho do Rei Farma, teria sido batizado com o nome Cristão de D. Felipe, o que prova a sincretização do cristianismo com as religiões africanas, antes mesmo das mesmas se enraizarem no Brasil.

Isto serve para desmistificar o fato de, a Nação Angola e outras falarem o Português e até mesmo terem cantigas com essa língua em seus rituais. Para seguidores de Nações diferentes, e sem o devido preparo, a Angola seria “uma Umbanda melhorada” isso mostra o quanto não conhecem da história do povo que cultuam. Temos neste relato, a comprovação de que o português é muito mais antigo em alguns povos africanos do que se pode imaginar.

Para os historiadores e pesquisadores, os Lokôs, teriam feito parte de um grupo étnico denominado, Mane, e todos os povos que compunham essa Nação teriam vindo para o Brasil, na condição de escravos. E como ocorreu como os Jêjes, Nagôs e outros, criaram a sua religião que foi chamada de Omolokô.

Os Mane eram um povo guerreiro e consta em registros históricos que usavam flechas envenenadas e arcos curtos o que causava um impacto ainda mais mortal em suas vítimas. Outras armas usadas por eles eram as espadas curtas e largas, azagaias (lança curta e delgada, que devido a seu pouco peso era muito usada como arma poderosa, tanto para caça como para a guerra), além de dardos envenenados e facas que traziam amarrados em baixo do braço.

Como usavam flechas envenenadas, eram comuns acidentes com as mesmas envolvendo membros de sua tribo, assim para não morrerem com o veneno impregnado em suas armas, eles carregavam sempre consigo uma bolsinha com o antídoto.

Guerreiros e destemidos, tinham por hábito avisar seus inimigos do ataque iminente em sua aldeia. E para tal, usavam palhas. Conforme o número de palhas era a quantidade de dias que faltava para a invasão. Eram ainda um povo de riqueza, tanto que ostentavam em seus braços e pernas manilhos de ouro e prata. 

Constantemente se aliavam aos brancos que invadiam a África a fim de comercializarem os negros capturados em batalhas, porém culminaram em também serem comercializados para o “novo mundo”.

Dentro de seus rituais religiosos estavam os assentamentos de seus deuses e ídolos de madeira em figura tanto de seres humanos como de animais. Ao saírem para a guerra, prestavam homenagens a seus deuses para que pudessem sair vitoriosos. Mas, se acontecesse de, perderem a batalha açoitavam-nos até a exaustão como forma de punição, pois não os teriam ajudado na guerra.

Se saíssem vencedores, entregavam oferendas de comida e bebidas como gratidão por terem vencido mais uma guerra e assim terem expandido seu reino. Tratavam suas mulheres como cabondos. Uma peculiaridade dessa tribo é que sua principal identificação era a falta de dois dentes frontais de sua boca.

Como religião, o Omolokô se instalou na cidade do Rio de janeiro, nos idos do Século XIX, se organizando ali, de forma completa e se enraizando por outros Estados do Brasil. Graças ao conhecimento que seus praticantes trouxeram da África, e, que foi passado de forma oral para seus descendentes, ainda no Brasil colônia.

Porém, como todas as demais nações, esta sofreu influência de outras vertentes africanas, afinal, dentro das senzalas, os negros se amontoavam, e aquele que diz que sua Nação não possui influência alguma, com certeza, não conhece a história de nosso País. Naquela época, a predominância no Brasil eram os cultos aos Orixás Nagôs e aos Inkisis dos Bantus, e assim os Lokôs sofreram a influência direta dessas duas ramificações em seus cultos.

Obviamente que mantiveram todo o arquétipo de seus rituais, mas, como a influência fora demasiada, culminaram por introduzir alguns ritos de outras Nações, mas, com uma interpretação mais contemporânea.

Isto fez com que a Nação Omolokô se destacasse das demais, que mantinham em seus cultos a predominância de sua terra natal. Outro fator muito curioso dentro do Omolokô, é que não possui a iniciação como nos demais Candomblés, onde se tem umbigueira, akodidê, pois que lá os Orixás não são iniciados.

Para muitos, a palavra Omolokô, se traduz como: filho da gameleira branca, ou: filhos de Lokô, um grande Orixá muito cultuado dentro dos Candomblés de Kêtu. O que  faz com que  muitos confundam seus ritos e assim o chamem de Umbanda de Omolokô, é que teria sido ela, a primeira Nação a aceitar os caboclos e demais mensageiros dos Orixás, isso devido talvez, a convivência desse povo com os índios que existiam em nosso país na época da colônia.

Mas, de forma alguma essa abrangência diminui sua imagem como Religião, porque tem suas raízes no mesmo povo que fundou as demais matrizes, e assim sendo, possui sim, o direito de se denominar Nação de candomblé, o que pode desagradar a muitos despreparados, que por arrogância, pregam aos quatro ventos que somente os de sua casa são feitos de verdade. 

 Não devemos de forma alguma, subestimar seus preceitos, nem mesmo seus conhecimentos, pois são de muita profundidade e quando tivermos todos, um convívio mais harmonioso, e buscarmos um entendimento maior entre as casas, veremos que na verdade, somos todos uma só Nação, uma só Tribo e que pertencemos ao mesmo Rei: Olorúm.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.                                          

Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP



segunda-feira, julho 02, 2012

POSIÇÃO SOCIAL NÃO PREVALECE EM CASA DE SANTO


Algumas pessoas têm o costume de se achar acima das leis do Orixá, dado a sua posição social. Seja ela devido a bens materiais, como dinheiro, outros por títulos, e assim por diante. Mas, é importante frisar que nada disto vale dentro de uma casa de Santo.

Quando alguém entra para os preceitos do Candomblé, tem que entender que, sua posição social ficou lá fora. Ali dentro ele tão somente é um adepto e a ele, compete somente aquilo que tem direito dentro dos limites das obrigações que possui.

Nos ritos, nada substitui a hierarquia que existe na Religião, e nós, sacerdotes, não estamos neste mundo para sermos coniventes com erros, em troca de favores financeiros, nem mesmo de favorecer a quem quer que seja tão somente pelo seu dinheiro ou sua posição por mais privilegiada que seja.

Não podemos colocar tais assuntos, acima dos assuntos dos Orixás, uma vez, que são Eles, os Verdadeiros donos da religião. A eles, e tão somente a eles, pertence o direito de dar cargos, de escolher ou não, quem vai herdar, por exemplo, um trono. E nunca a posição social de uma pessoa.

Se vamos dar uma obrigação em alguém que tenha uma situação financeira privilegiada, é importante que esta pessoa saiba que, mesmo assim será apenas um iniciante e que seus bens materiais nada significam ali dentro. Não podem corromper os Orixás e suas leis. Ao contrário: são seres que não se importam com nada disso, tanto é que, aquela pessoa, dormirá sim, na esteira como outra qualquer e não terá regalias alguma.

Alguns se acham no direito de exigir isso ou aquilo, tão somente porque estão em uma situação privilegiada e até mesmo ajudam o sacerdote e o Templo. Porém, devem entender que isso por mais que seja bem vindo não está, nem nunca estará acima das leis do Santo, pois que são leis que existem há séculos.

Em uma “roça” de Santo, não existe separação de classe. Todos são iguais perante o Sagrado. Todos são filhos do mesmo Pai e da mesma Mãe. Os mais humildes possuem o mesmo direito que os ditos “ricos”.

Juízes, médicos, advogados, artistas, músicos, pedreiros, lavadeiras, diaristas, secretárias, enfim: todos, são iguais e assim sendo, usam sim, calçolão, camisú, andam descalços, e prestam reverência aos Orixás e às pessoas que possuem cargos hierárquicos mais elevados. Não adianta pensar que, tão somente pelo fato de ser, por exemplo, um advogado, a pessoa tem direito a tratamento diferencial porque está enganado.

Aqueles mais humildes costumam sim, ter mais liberdade junto aos verdadeiros sacerdotes, pois sabem o quanto são massacrados no mundo exterior. Mas, o aconselhável é que todos tenham o mesmo tratamento e não sintam de forma alguma o constrangimento de serem mal tratados.

O amor entre pais e filhos, irmãos, deve ser trabalhado noite e dia, porque somos uma família e como tal, devemos seguir diretrizes que nos levem ao caminho do bem, sem, no entanto, humilhar a quem quer que seja.

União, submissão ao Orixá e às leis que regem o Universo, estes são alguns dos segredos para se manter uma casa funcionando em perfeita condições para que os Orixás atuem nela e em prol dos que ali vão em busca de soluções para seus problemas.

Soberba, prepotência, inveja, ódio, vingança, devem ser deixado para trás juntamente com outros sentimentos tão nocivos a nosso espírito. De que nos vale a cura, as velas, os clamores, se vivemos em desarmonia com essas leis?

Saibamos todos, que: de nada serve nossa posição social dentro de um templo, pois, somente as vontades dos Orixás prevalecem no mesmo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.

sábado, maio 19, 2012

SOMENTE ATRAVÉS DO IFÁ PODEMOS FALAR COM OS ORIXÁS


Desde que Candomblé é Candomblé, Ifá, é a única maneira de entrarmos em contato com os Orixás, seja para sabermos qual deles rege a cabeça e a vida de uma pessoa, ou para entendermos a situação que ela passa na vida e assim buscarmos uma solução junto a esses Ministros de Olorúm, Deus, para que possamos auxiliar em sua busca pela solução.

Acontece que hoje em dia, cartomantes se dedicam a ver Santo em tarô e outros jogos de cartas, até mesmo criaram o Tarô dos Orixás. Isso lamentavelmente acontece e é um grande erro.

Como Seres Divinos oriundos da África, em tempos mais remotos, eram vistos seus assuntos, pelos sacerdotes que praticavam o Opelê Ifá, um determinado método de conversa com estes, que era praticado através de ossos de animais amarrados em uma espécie de cordão.

No Brasil, se popularizou o jogo de búzios e somente através dele, podemos entrar em contato com os Orixás e seus Mensageiros, ou seja: seus Exús, Erês e outros.

Mas, nem por isso o jogo de búzios, trata-se de um jogo de adivinhação como dizem muitos. Ele é utilizado para conversarmos com esses Ministros de Deus, para que possamos assim, entender melhor o que se passa na vida de uma pessoa.

Respeitamos o jogo de cartas por sabermos se tratar de um processo muito antigo e que vem de datas remotas, e que, segundo alguns, tem sua origem nos povos ciganos.

Porém, infelizmente, algumas pessoas hoje em dia, misturam as coisas, pregam aos quatro cantos do mundo, que enxergam o Orixá da pessoa através das cartas.

Misturam assim as coisas, confundem os consulentes que cada dia mais, perdem a fé nas religiões dos antepassados e com isso, denigrem o nome da mesma. É de suma importância que mantenhamos as coisas em seus devidos lugares.

Búzios para os Orixás e Cartas para demais assuntos. Agindo da forma que agem, é como se uma pessoa em um concerto de ópera, começasse a cantar samba. Incoerência pura. Orixá não responde em Tarô ou outro jogo de cartas, tão somente por não conhecerem esse processo.

São seres oriundos de Tribos e Reinos onde seus descendentes sempre buscaram e buscam através de seus sacerdotes, a revelação de suas vidas através do Oráculo Sagrado de Ifá. E este não se pronuncia através de outros meios que não sejam os comuns entre os africanos.

E o jogo de búzios por sua vez, somente pertence aos que são raspados e com as obrigações em dia, ou seja: aqueles que possuem o direito de praticarem o sacerdócio, e nunca àqueles que não foram feitos, ou que não possuem suas obrigações, muito menos pertence a entidades de Umbanda, pois esse seguimento não conhece esse processo, nem suas entidades têm o direito de usarem atos e rituais pertencentes somente aos zeladores de Candomblé.

O que vemos, é uma banalização, dos segredos, em uma busca incansável por dinheiro, por uma demonstração de poder que nenhum de nós possui, pois, somos todos aprendizes nesse mundo de Deus.

Tenho 48 anos de idade e desde os meus 10 anos frequento a Umbanda, como da saudosa babá Zilda do Caboclo Treme Terra, da babá Maria Pitanga e o Caboclo Mata Virgem, e tantos outros, e nunca vi suas entidades jogando búzios ou mesmo fazendo rituais com canjica branca ou outra que fosse exclusiva de Orixá de Candomblé.

Sempre vi a Umbanda com seus lindos e maravilhosos rituais e nada disso acontecia. O mesmo com as cartomantes, pois que, conheci muitas e nunca as vi explanando sobre Orixá nem mesmo os enxergando em suas cartas.

Mas, hoje, as pessoas possuem uma ânsia tão grande de poder, que não se importam se estão machucando seu consulente, se o estão enganando. Tão somente querem dinheiro e poder.

Precisamos colocar as coisas em seus lugares e compete às Federações fiscalizar isso e colocar um ponto final nessa banalização dos rituais sagrados, ou daqui a pouco veremos saída de yawô em um templo de Umbanda.

Assim queridos irmãos, se for a uma cartomante e ela disser seu Orixá, não se iluda, pois é enganação. E uma entidade jogando búzios, também o é, pois somente os sacerdotes e sacerdotisas preparados podem exercer esse ato.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.