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quinta-feira, setembro 20, 2007

FÉ

FÉ

Muito se fala em fé. Desde os tempos mais remotos ela acompanha o ser humano e na maioria das vezes, é o que o ajuda a caminhar em busca de melhoras para sua vida.

Claro que a fé é algo de mais maravilhoso e valoroso que possuímos, pois que ela nos faz termos a certeza, por exemplo, da existência de Deus nosso eterno pai, nos leva a entender dentro de nossos limites a existência, a magnitude deste ser tão poderoso que criou o universo.

Porém esta mesma fé torna-se arma a mais perigosa que já conhecemos. E este fato torna-se realidade pura e horrível, quando o homem possuído de sua ganância natural, a usa para mentir, enganar, submeter a terceiros, e no apogeu da crueldade, a matar seu semelhante.

Basta olharmos com atenção à história nossa, e veremos que muitas guerras foram criadas em nome da fé. Torna-se mais fácil exterminarmos aqueles que não compactuam com nossa fé, do que aceitar que a sua tem a mesma importância que a nossa.

Quantos reinos, culturas foram destruídas e os carrascos usaram o nome da fé em Deus? É comum encontrarmos relatos na história, de carnificinas ocorridas porque a fé que outros tinham em Deus não se mostrava da mesma forma que os míseros e falsos profetas diziam ser a correta.

Se Deus existe e temos a certeza de que sim, jamais desejaria que seu povo fosse assassinado em nome da fé que alguns dizem ter nele. Machuca ao vermos que sacerdotes usavam seu conhecimento para provocar intrigas que levavam a esses holocaustos terríveis.

Hoje em dia, porém, esta mesma forma errada de se ter fé ainda é praticada. Vemos sumos sacerdotes se alto proclamarem representantes de Cristo, anunciarem que sua fé é a única verdadeira, por se tratar da única deixada por nosso Senhor Jesus quando de sua passagem na terra. Mas, o que vemos mesmo, é utilizarem do nome sacrossanto de Nosso Senhor, para aplacar sua ânsia desenfreada por riquezas, muitas vezes não estando nem aí se seus seguidores têm com que alimentar suas famílias.

E essa maneira de se agir com relação a fé, é vista em todos os seguimentos religiosos e não apenas neste ou naquele. Quantos são sacrificados em suas economias de uma vida, devido à falsa promessa de terem um problema resolvido? Mas, infelizmente isso não se repercute apenas naquele sacerdote, mas sim, em toda a classe religiosa. É necessário extirparmos tais práticas de nosso meio se ainda desejamos sermos vistos como filhos de Deus e não como ladrões sujos que se aproveitam da boa fé alheia e buscam de todas as formas o enriquecimento ilícito.

Avante nossa fé verdadeira e amorosa. Façamos com que o santo nome de Deus nunca mais seja usado como base mentirosa para guerra e assassinatos frios.

O amor ao nosso semelhante ainda é a forma mais linda e gratificante, de mostrarmos a fé em Nosso Pai Celestial.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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segunda-feira, setembro 17, 2007

OBALUAYÊ


Peço licença a Zambi, a Oxalá e a todos os antepassados para falar um pouco deste maravilhoso Orixá. Muito difundido no Brasil, tanto no Candomblé como na Umbanda, porém muitas vezes incompreendido.

Conta sua lenda que ele nasceu da união entre Oxalá e Nanã Buruquê. Porém tinha uma doença grave, a lepra, o que o fez ser rejeitado por sua mãe que o abandonou no mato para que os bichos o comessem, uma vez que naquela época, esta doença era vista até mesmo como uma praga dos deuses e quem a tivesse, dificilmente seria curado. Aliás, nunca era curado, estava condenado à morte.

Ao ser abandonado no mato, começou a sentir fome e frio, e seu choro foi ouvido por Yemanjá que passava nas redondezas. Ela compadeceu-se dele e o levou para sua casa onde o tratou com folhas de bananeira curando suas feridas. Porém o tempo foi passando e ele já não mais aceitava o seio que sua mãe adotiva o oferecia, pois deseja comer.

Daí veio para ela uma questão difícil: com o que alimentar a criança? Então teve a idéia de apanhar um pouco de areia da praia e nela estourar um milho que existia fazendo o doburú, pipocas, que é seu alimento favorito até hoje.

Ao tomar a idade adolescente, como ainda tinha feridas horrendas em seu corpo, passou a se vestir do azê, espécie de roupa confeccionada com palha da costa. E assim andava por todos os lugares e as pessoas diziam que seu rosto era terrível de ser visto dado a sua doença, o que lhe revoltava.

Ele cresceu, tornou-se um grande guerreiro, caçador, feiticeiro, e descobriu os segredos da morte. Sua mãe biológica então, passou a sentir vontade de ver seu filho, mas ele a rejeitava, pois sabia de sua história. Yemanjá, sempre matriarca, amorosa, o aconselhava a aceitar sua mãe, pois ela o tinha parido. Ele dizia então que a única mãe que conhecia era ela, pois que o alimentou, e curou suas feridas horrendas.

Porém mesmo depois de crescido, não retirava aquela roupa de palha, o que fez com que Oyá, muito curiosa, esperasse atrás de umas árvores por onde ele passaria. Ao vê-lo se aproximando ela ordenou ao vento que soprasse com toda força possível, e este assim fez, levantando sua roupa e então Oyá contemplou o rosto mais lindo que já vira em sua vida.

Ele se revoltou.com sua atitude e depois de longa conversa fez com ela prometesse que não contaria para ninguém como ele era, pois se revoltava em saber da discriminação que sofria.

E assim foi se criando a história de um dos Orixás mais amados no panteão afro. Ao se trasladar de volta ao Orúm, Céu, ele foi incumbido por Olorúm, Deus, de ser o Orixá da varíola, da bexiga e de todas as doenças que atingiam e matavam os povos das várias nações africanas e do mundo.

E esta incumbência ele traz até os dias de hoje, sendo conhecido como o médico dos pobres. Muito embora seu poder seja ilimitado, sua humildade o distingue de todos os demais seres existentes. Não carrega nem suporta a soberba, é desapegado de bens materiais, pois sabe dos mistérios que envolvem a morte, porém jamais deixa um filho seu ou quem o cultue, passar por dificuldades. Sempre providenciando para que a pessoa tenha tudo àquilo que lhe é necessário a uma vida confortável.

A única coisa que pede em troca, é que a pessoa por ele agraciada, não deixe de atender a quem passe por privações independente de qualquer coisa. Sua vestimenta espelha bem sua humildade: enquanto outros orixás se vestem com luxo, dado aos elementos por eles governados, este maravilhoso orixá, veste-se até os dias de hoje com palha da costa, usa guizos, e sua comida preferida é o doburú, pipoca feita na areia.

Seu nome quando traduzido mostra toda a sua importância e magnitude: Obá – Rei, Ilú – Céu, Ayê – Terra. Ou seja: Rei do Céu e da Terra. Mas a humildade que expressa é muito mais elevada que qualquer ato cerimonial ou até mesmo os títulos que recebeu de Olorúm, Deus.

É comum nos terreiros de Candomblé, as festas em sua homenagem. E a principal delas é o Olubajé. Olú, aquele que, Ba, aceita Jé, comer. Aquele que aceita comer. Nesta festa são servidas todas as suas comidas, juntamente com as comidas de seu irmão Oxum Marê.

Mas, é comum nos candomblés, serem oferecidos presentes para ele toda segunda feira, que é seu dia, a fim de pedir que ele ajude tanto ao zelador da casa quanto aos filhos e demais clientes que ali freqüentam. Alguns fazem o tabuleiro de Obaluyê, par descarregar a casa e abrir caminhos, outros optam por uma cerimônia simples na qual apenas ofertam seu doburú e de joelhos pedem por todos.

Também é deveras invocado quando existe algum problema de doença, feitiço ou mesmo praga em alguém. Senhor da desintegração, governante dos cemitérios, local que passou parte de sua vida estudando este mistério e também onde teve contato com seu antecessor, Omulú, é o responsável por nossas almas e tem na morte sua regência maior, porque existe a necessidade de morrer um para nascer outro, garantindo assim a continuação de nossa espécie.

Sua cor é, vermelho, preto e branco. Sua comida é o doburú, feijão preto cozido, acarajé, frutas, peixe, e seu sacrifico é de cabrito, em algumas casas porco, frangos, pombo, pato e galinha de angola.

Sempre que precisamos dele, ali está, pronto a nos socorrer e nos purificar tanto das doenças quanto de feitiços, pragas, perseguição de egum, e outros males que afligem tanto nosso corpo material como o espiritual.

Louvemos este senhor com a mesma humildade que ele tanto pratica. Mas nos lembremos de sua suma importância no panteão afro, e de sua magnitude entre os nossos antepassados.

ATOTÔ AJUBERÚ, BALÉ, BALÉ.

MISERICÓRDIA DE NÓS MEU PAI!

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e babalorixá.


quinta-feira, setembro 13, 2007

ORIXÁ É PAZ ACIMA DE TUDO


Como sacerdote não posso me calar ao deparar-me com pessoas que buscam nesta maravilhosa força da natureza a vingança, a destruição e outras coisas mais. E muito mais me revolta quando vejo zeladores que incentivam esta prática, em troca de dinheiro ou outras facilidades.

Quando entrei neste mundo encantado que são nossos antepassados, aprendi que eles valorizam a pureza de nossos corações, o amor, a caridade, a humildade acima de tudo.

Mas, infelizmente algumas pessoas apenas vêem esta força como uma arma de vingança por qualquer motivo fútil que se apresente em suas vidas. Se assim fosse, nós sacerdotes e sacerdotisas não teríamos qualquer tipo de problema, pois bastaria acender uma vela e o mal estaria feito. Ledo engano!

Irmãos, é necessário que compreendamos acima de tudo, que nossos orixás são governantes da natureza, e assim sendo representam a forma mais pura de amor: o amor de Deus. E com certeza nosso pai, não é vingança, ódio ou qualquer malefício. Precisamos aprender a perdoar, a orar por nossos inimigos ao invés de sairmos por aí feito terroristas, jogando bombas na vida das pessoas.

Se formos ler com atenção aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mesmo observar o contexto real dos fundamentos passados pelos antigos, veremos que em momento algum nos incentivam a praticar outra coisa que não seja o amor e o perdão.

Sei que a vida é composta de problemas, também sei que inimigos arrumamos com facilidade, seja por inveja ou motivo, mas o que sei também é que aquele que realmente confia em seu orixá, entrega nas mãos dele a solução destes problemas.

Certa feita em uma conversa com a sacerdotisa que me iniciou, Mametú Yndembeleouí, ela me disse: “meu filho, todo aquele que é do santo e se dedica a fazer o mal, jamais passará da roupa do corpo. E aquele que busca vingança nunca terá a paz e a prosperidade, pois nossa obrigação como iniciados, é entregar nas mãos deles tudo de ruim que nos fizerem pois eles saberão fazer a justiça de Deus”.

Mas, hoje com meus 21 anos de feito, com casa aberta, quanto me decepciono ao ver que o contrário prevalece, que as pessoas apenas buscam nossos conhecimentos, ou outros feitos, utilizam dele para o mal. Pobres almas! Esquecem que acima de tudo existe um Deus e este julgará à todos independente de sua cor, raça, ocupação social ou sacerdotal.

Deus é amor, paz e soberania. Será que ele não está vendo nossos atos? Posso garantir que sim. Temos um ditado árabe que mostra bem isso: “uma noite escura, uma pedra de mármore escuro, sobre ele caminha uma formiguinha escura, Deus a vê”.

Aprendi também com esta maravilhosa sacerdotisa que me iniciou, que: “ temos que nos lembrar que temos uma alma para dar conta à Deus de nossos atos, e que jamais um sentimento de vingança ou ódio, nos deixará impunes em nossa vida terrena e mesmo na pós-túmulo”.

Apenas me pergunto se esses sacerdotes que inflamam o desejo de vingança, não temem a ira de Deus ou mesmo de seu orixá. Muitos de nós, conhecemos sacerdotes de conhecimentos incomensuráveis, que passam fome, que sofrem problemas que não encontramos a razão de ser.

Mas nos esquecemos de perguntar o que teria ele feito para que seu orixá permita que passe por isso. A resposta é simples não? A maldade que impera em seu coração o guiou para esta situação avessa aos propósitos de nossos antepassados e nosso Pai Celestial.

Lembremo-nos que tudo aquilo que fizermos contra outra pessoa recairá sobre nós mais dia menos dia. Conservemos as palavras de amor, pratiquemos o perdão, confiemos em Deus e em sua justiça e assim com certeza, veremos a solução de muita coisa em tempo mais hábil do que possamos imaginar.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.

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odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@pop.com.br

quarta-feira, setembro 12, 2007

PERDOAR É PRECISO

Muito se fala em perdão, mas poucos de nós consegue praticar este ato tão sublime aos olhos de Deus e de nossos protetores. Muitas vezes o que vemos são pessoas que dizem perdoar seus inimigos, porém alimentam dentro de si, sentimentos de mágoa, raiva ou mesmo de tristeza com atos praticados por terceiros.

Esta forma definitivamente não é o perdão verdadeiro. Para que possamos praticar o perdão, temos que banir estes sentimentos de dentro de nós. Como podemos perdoar se mantivermos tão estranhos sentimentos?

Ao perdoarmos uma pessoa por algo que ela nos tenha feito, devemos limpar de dentro de nós quaisquer resquício destes sentimentos. O ato de perdoar, é sublime, mas, tem que ser acompanhado do desapego a tudo que sentimos de ruim. É imprescindível que esqueçamos as ofensas por piores que sejam para que possamos perdoar de verdade.

Como por exemplo podemos pedir à Deus que esqueça nossos atos ruins, se não somos capazes de esquecer os praticados por outros?

Dentro de nós existe a chama do amor de nosso Pai Celestial, devemos buscar este sentimento e munido dele, amarmos àqueles que não nos querem bem, ou que nos prejudicaram de forma direta e indireta.

Temos também que nos lembrarmos de uma frase da Oração de São Francisco: “ é perdoando que se é perdoado”. Se não formos capazes de perdoar nosso semelhante, não devemos ter a certeza do perdão de nosso Pai.

Perdão é também um ato de caridade, sim, pois que ao praticarmos o mesmo, estamos contribuindo para a escalada espiritual tanto nossa, quanto daqueles que nos ofenderam.

Nossos guias e protetores, nossos orixás, jamais se sentirão bem, ao incorporarem em um médium incapaz de perdoar e esquecer as ofensas recebidas. Devemos nos conscientizar de que para eles o amor prevalece a tudo nesta terra.

Amar e perdoar aqueles que nos são caros, é tarefa prazerosa, mas, quando nos deparamos com a necessidade de perdoar um inimigo...! Bem, aí a coisa se complica.

Quem de nós nunca foi carente do perdão de outro? Quem nunca se dirigiu à Deus através da oração, a fim de suplicar perdão por faltas cometidas?

Devemos nos lembrar disso sempre que formos atingidos por outra pessoa. Temos que ter consciência de que se hoje somos incapazes de perdoar, no amanhã podemos estar em situação que nos levará a depender do perdão. E será que se não formos capazes de perdoar, o seremos? Aqui fica um convite a reflexão:

Será que perdoei verdadeiramente aos que me ofenderam? Vamos refletir.

Lembremo-nos sempre de que: PERDOAR É PRECISO.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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sábado, setembro 01, 2007

O PODER DA ORAÇÃO

É comum em nosso dia a dia, orarmos a Deus nosso Pai, na intenção de solicitarmos alguma intervenção em assuntos variados de nossas vidas. Isso é bom, pois a Oração tem o poder de extirpar males diversos que nos rondam constantemente.

Mas, será que oramos da maneira correta?

A Oração deve ser proferida antes de tudo com o coração e não apenas com a boca, numa repetição inconstante de palavras. É válido sim, proferirmos um Pai Nosso, uma Ave Maria, mas, devemos nos acautelar e dar um sentido especial na oração.

Antes de orarmos, é necessário que façamos uma avaliação de nossas atitudes, peçamos perdão ao Criador, limpemos nossos corações de sentimentos impuros que nos rodeiam frequentemente, e nos recolhamos ao silêncio absoluto.

Devemos escolher um local no qual possamos ter privacidade total, como por exemplo, nosso quarto. Ali, após limparmos nossos corações, pedirmos perdão de nossos erros, elevemos nosso pensamento aos bons espíritos de luz, à Cristo e a Deus, e iniciemos nossa oração.

Não importa que ela seja um Pai Nosso ou outra qualquer que conheçamos o que vale, é que estejamos com nossa mente totalmente voltada para àquele momento, sem nos importar as coisas do mundo. O poder de uma oração é imenso, incomensurável, para diluir todas as forças negativas que nos rondam e teimam em nos arrastar para seu precipício.

Devemos nos entregar de corpo e alma naquele momento, implorar a presença de Deus através de seus mensageiros, suplicar a ajuda para nós, e principalmente, dedicarmos à mesma aos nossos inimigos, para que toda fúria, todo mal que exista dentro dele, seja transformado em bem e amor. Peçamos neste momento a Deus, que perdoe nossos inimigos, que dê luz ao seu anjo da guarda para que ele enxergue que o mal verdadeiro, está fazendo contra si mesmo.

Feito nossa oração, devemos praticar uma segunda parte que muitos se esquecem: dar continuidade a tudo que pedimos enquanto orávamos, ou seja, praticar a caridade, levar a alegria a quem se encontra triste, espalhar o amor e o perdão. Aí sim, poderemos ter a certeza que nossa oração subiu como oferenda aos pés de nosso Pai Celestial.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá, escritor e pesquisador.

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odemutaloia@hotmail.com

sexta-feira, agosto 24, 2007


Por mais que o mundo o deixe triste, as pessoas a magoem, as lágrimas desçam em seus olhos, ainda assim, olhe para cima, para o céu e sinta a força que provém dos anjos. Eles jamais nos abandonam, estão sempre ali, prontos para nos auxiliarem. Olhe para a natureza, encare ali a face de Deus, converse e encontrarás o aconchego que sua alma necessita.
Ame a Deus acima de tudo, honre seus antepassados, e verás a diferença que isso fará em sua vida.




Sérgio Silveira, Tatetú N'Inikisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.






quinta-feira, agosto 16, 2007


A FORÇA DA MAGIA

Anteriormente abordamos aqui o assunto MAGIA, hoje desejo falar sobre sua força.

É comum vermos pessoas aclamarem alguns, e difamarem outros zeladores de Candomblé ou mesmo de Umbanda sobre a força de sua magia e de sua mediunidade.

Queridos, eis que um engano fortíssimo paira sobre este quesito: como descrevi no texto anterior, a magia, é um elemento da natureza, sua força assim sendo é única, o que conta é a força, o desejo de cada um em resolver este ou aquele problema.

A força verdadeira está dentro de nós e não existe força maior ou menor na natureza e em tudo por ela criado. Temos dentro de nós a essência viva de tudo que há na terra, assim sendo sua força também. O que faz um médium ser maior que o outro? Nada! Apenas e tão somente existem aqueles que se dedicam verdadeiramente aos orixás, resguardando os dias santos, abstendo-se de sexo, carne vermelha e outros itens antes de uma sessão por exemplo, e aqueles que apenas seguem uma filosofia por não terem algo melhor para se ocupar. Não realizando assim nada em busca do aprimoramento de sua energia, de sua força.

Assim sendo, existem também aqueles que acreditam verdadeiramente em um ritual realizado e aqueles que apenas crêem se verem algo resolvido em seu favor. Ao começarmos um ritual, é imprescindível que trabalhemos nosso íntimo, a fim de colocarmos nossa energia pura, em prol daquele trabalho.

O desejo mais profundo de nossos corações, já nos garante boa parte do resultado almejado. Acreditar em si mesmo e em nossos mentores, é algo de suam importância para que possamos alcançar este ou aquele favor das entidades às quais recorremos.

Temos antes de tudo que acreditarmos em nós mesmos, nas forças com as quais estamos lidando e confiar que obteremos os resultados.

Não existe mágica maior que essa. Não conseguiremos encontrar em lugar algum uma força maior do que aquela que está dentro de nós.

Sabia que os espíritos usam boa parte desta nossa força para trabalharem em nosso favor? Sim, eles a utilizam como fonte primária ao saírem em caminhada em busca daquilo que solicitamos. Basta que encontrem dentro de nós esta energia incomensurável, que terão mais condições de nos alcançarem o pedido.

Um outro fator que temos que observar, é o nosso merecimento. Sim, não basta pedir para receber, temos que nos mostrar dignos do que pedimos, e não esquecermos que nosso futuro dependerá tão somente de nossos atos no presente.

Aí está a força que tanto buscamos: dentro de nós, seres vivos e integrantes da natureza.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.

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sexta-feira, agosto 10, 2007

DEUS

Nosso erro, é procurar Deus nas coisas mais complexas. Devemos olhar à nossa volta e veremos que ele está presente nas coisas mais simples: nas folhas de uma árvore, no canto dos passáros, numa formiga que trabalha, no riso de uma criança, no correr das águas de um riacho. Sim, nestes elementos, podemos ver o rosto de Deus nosso pai e falar com ele, e se tivermos capacidade, ouvir sua voz.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Lambanranguange Odé Mutaloiá, babalorixá, escritor, pesquisador, vice-presidente e conselheiro sacerdotal da UNESCAP.


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terça-feira, agosto 07, 2007

ORAÇÃO AOS BOIADEIROS


Getuá


Meu amigo Boiadeiro! Tu que guia teu gado pelas porteiras dos caminhosde Ogum, que passa por rios, sob Sol e chuva com seu berrante aanunciar tu chegada, com teu chicote em punho, hábil com o laço e nãodeixa demanda criar ajuda-me nesta hora, abra as porteiras de meuscaminhos, traga no teu laço aqueles que me querem mal, que na suachibata haja justiça de minha causa. Que eu encontre em meus caminhos a solução pros meus pedidos.

odemutaloia@hotmail.com


odemutaloia@pop.com.br






domingo, julho 29, 2007

MAGIA


É comum vermos as pessoas falarem sobre a magia, sempre incluindo em seus discursos a magia boa e má. Mas, poucos sabem sentir a magia que existe em nossa volta, afinal ela está presente em tudo pertinente ao mundo que nos rodeia. Seja no ar, na água, no fogo, nas folhas, nos animas, a magia está ali, basta sentirmos sua presença e sabermos como utilizar esta imensa força da natureza.

Muitas vezes as pessoas se degladeiam no assunto magia boa e ruim. Dizem sempre: “fulano é um bruxo do bem, cicrano é do mal”. Mas o que elas não se dão conta, é que na natureza, não existe maldade. A força está ali para quem quiser se servir da mesma, e da forma que achar mais conveniente.

A maldade queridos, está em nós e não nas forças elementais que usamos em nossas vidas. Afinal, essa força foi criada por Deus, com um motivo único independente de sua forma ou feição. Nós seres humanos é que ao manipularmos tais forças, as direcionamos para um ou para outro lado, isso dependendo de nossa índole, de nosso modo de ver e viver cada situação que a vida nos impõe.

Colocarmos a culpa em maldades praticadas por nós, nas forças da natureza, é algo desprezível. Vejamos o exemplo de um exú: este foi criado para encaminhar nossos pedidos às esferas superiores, foi também criado na intenção de propiciar o coito entre nossa raça, colaborando assim para a multiplicação nossa. Mas quantas vezes os utilizamos para o mal? Várias! Isso por culpa dele? Não, em hipótese alguma! Esta entidade, não tem a mínima noção de que o que está fazendo é bom ou ruim. Apenas em seu modo de ver, está prestando um serviço a quem o chamou e assim sendo será recompensado após sua jornada.

O mesmo acontece com egum e tantas outras formas de energia existentes a nossa volta. São seres na verdade, puros em sua essência, e nós pobres mortais, em nossa ganância por poder, é que os utilizamos contra nosso semelhante, nos esquecendo que todas as nossas ações repercutirão em um breve futuro.

Lembremo-nos que: “viver, é tão somente colher hoje, o que plantamos ontem”, e assim, todas nossas ações nos trarão conseqüências seríssimas mais a frente. Enquanto lutarmos por um mundo melhor, de forma justa e sem o desejo ínfimo da vingança, estaremos preparando um banquete de paz e harmonia para nós mesmos em nosso futuro. Mas, se nos deixamos levar pela vingança, ódio, raiva ou qualquer outro sentimento inferior e contrário às leis de Deus nosso Pai Celestial, estaremos nos condenando a uma vida completamente cheia de todos os tipos de sofrimentos e dores.

É preciso que saibamos usar a magia, para beneficiar as pessoas e não para nos fazermos seus juizes e algozes. Temos que entender que as leis de Deus são para todos e não somente para alguns. Esta lei, jamais nos fará réus se formos vítimas, mas também jamais irá tirar o direito de quem tem para dar a quem não tem.

Lembremo-nos de nosso Mestre Jesus, que soube como ninguém perdoar os que o odiavam até mesmo em seu suplício pediu ao pai que os perdoasse. Será então que estamos realmente agindo em conformidade com as leis divinas?

Temos que nos atentar também de que nossos orixás, e todas as entidades, são partes vivas desta lei, compõem o grandioso elemento denominado MAGIA e, estes seres com certeza não compactuam nem concebem tais atitudes.

Que possamos aprender a amar sem sermos amados, perdoar sempre, e pedir em nossas orações que Deus perdoe nossos inimigos. Mas se formos feridos de forma imensa, entreguemos nas mãos de Deus e de seus Ministros, que são nossos orixás e seus mensageiros.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador, vice-presidente da União Espírita Capixaba e membro de seu conselho sacerdotal.

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