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sexta-feira, novembro 09, 2007

QUAL NOSSO ERRO?

A cada dia que passa mais me assusta a situação na qual nos encontramos como praticantes das religiões afro-descedente. Temos sido massacrados dia após dia, sem que nada seja feito realmente por parte de nossos representantes, para coibir tais males que tanto denigrem o nome de nosso país.

As igrejas evangélicas, vêm se destacando cada vez mais, pela prática de denegrir nosso nome, nossa fé. Basta que assistamos a seus programas de televisão para termos consciência de tal situação. Ainda outro dia, se não me falha a memória, Quarta Feira, dia 7 de Novembro, estava a procurar algo interessante nos canais de t.v quando deparei-me com uma senhora que se dizia EX MÃE DE SANTO, ou melhor, EX MÃE DE ENCOSTO, relatando fatos que com certeza jamais existiram em casas de verdadeira fé e culto aos nossos ante passados.

Segundo ela, “O ENCOSTO QUE NELA SE MANIFESTAVA, ENGANAVA AS PESSOAS, POIS PEDIA MATERIAIS E DINHEIRO PARA RESOLVER ALGO, MAS QUANDO O SERVIÇO NÃO DAVA RESULTADO, ELES PEDIAM VALORES CADA VEZ MAIS ALTOS, LEVANDO A PESSOA A GASTAR CADA VEZ MAIS SEM QUE NADA FOSSE RESOLVIDO”.

Queridos, dentro de minha vida espiritual, mesmo antes de me tornar sacerdote, nunca vi em casas sérias, espíritos que pedissem quantias em dinheiro para resolverem os problemas dos consulentes. Vi sim, pedirem materiais, e indicarem que a pessoa conversasse com seu médium, quando era um serviço mais complicado para saber se ele cobraria por tal, e se assim fosse, as pessoas JAMAIS tinham que gastar exorbitâncias alguma.

Só me pergunto se esta senhora realmente foi algum dia uma Zeladora mesmo, pois que ao que parece, era dessas pessoas que usam de má fé, e quando são descobertas pelas pessoas que freqüentavam suas casas, simplesmente saem da religião e começam a se dedicarem a difamar a anterior.

Tenho visto até mesmo filhos que simplesmente ignoram seus pais biológicos, quando estes praticam o candomblé ou umbanda, e eles, os filhos são freqüentadores de igrejas evangélicas. Seria isso uma prática condizente com quem se diz seguidor da doutrina de Jesus Cristo?

Posso afirmar que essa prática em nada condiz com as normas de Cristo, uma vez que ele pregou a união entre todos sem discriminação, pregou a tolerância e pediu: “faça a teu próximo somente aquilo que gostaria que ele lhe fizesse”. Vemos nesta passagem a maior clareza de amor e pedido de perdão e tolerância entre a humanidade em geral.

A revolta vem crescendo dentro de muitos praticantes de nossa religião e isso pode culminar com ações gigantescas na justiça, basta para isso que nos unamos independente de sermos ou não de nações semelhantes de candomblé, se somos umbandistas somente ou não. Temos que nos conscientizar de que antes de tudo somos irmão de fé, e se juntarmos nossas forças poderemos sim, exigir na justiça que nos respeitem em nossa crença, pois que vivemos em um país livre e a constituição e até mesmo a carta dos direitos humanos da ONU, garantem a todos o direito de professar sua fé sem sofrerem qualquer tipo de constrangimento ou impedimento.

Afinal o que fizemos de tão grave contra essas igrejas e seus sacerdotes? Qual nosso erro? Nunca queimamos pessoas em fogueiras, não saímos por aí invadindo templos cristãos, não patrocinamos guerra a fim de ficarmos com parte do botim. O que fizemos para sofrer tanto na mão dessas pessoas que se dizem seguidores de Cristo, mas que agem como se fossem Pôncius Pilatos ou seus carrascos?

Unamos-nos irmãos antes que eles, os verdadeiros FALSOS PROFETAS, culminem por transportarem-se e a nós também em uma viagem no tempo, e retomem as fogueiras em praça pública.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e babalorixá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@pop.com.br

segunda-feira, outubro 15, 2007

O DOCE SABOR DE SER INCIADO


Em tempos saudosos, os iniciados na doutrina e nos mistérios dos orixás, sentiam verdadeiro orgulho em serem chamados de Yawôs, de tomarem a benção aos mais antigos, como também em se referir a todos os zeladores e zeladoras, como seus pais e mães.

Mas o que acontece hoje em dia é no mínimo desastroso, pois os iniciados sentem vergonha de serem chamados de Yawôs, e até mesmo de se referirem aos mais velhos como seus pais e mães. Infelizmente isso reflete a péssima doutrina e exemplos que estes estão tendo em suas casas, local onde deveriam aprender com seus zeladores, a importância de um Mukuiu no Zambi, um Kolofé Olorúm, ou de um Motumbá Axé.

Estes zeladores estão mais tendenciosos às pompas do que aos preceitos de nossos antepassados. Mais buscam a soberba e o orgulho do que a humildade, um exemplo que nossos deuses tanto apreciam e amam.

Os antigos costumavam dizer que ser zelador é antes de tudo ser servidor de seu santo como dos santos de seus filhos. Nunca davam importância nem espaço para certos fatores que tanto denigrem a imagem de suas casas e de seus orixás.

Se bobearmos, somos agredidos por estes iniciados sem que seus orixás nada façam para coibir tanta arrogância e tanta soberba. Somos invadidos por pessoas que não levam em conta nosso tempo de santo, tão somente por se intitularem dofonos ou dofanitinhos deste ou daquele orixá. Mas, esquecem-se de que com certeza nosso Adôxo ou Oxú, possuem muito mais tempo que os seus.

Não valorizam as pessoas tão somente por serem de outro axé que não seja o seu. Mas, isso se deve especialmente à arrogância de seus sacerdotes que não sabem impor a doutrina e lei de nossos antepassados, o que com certeza os entristecem lá em seu mundo.

Faz-se necessário que esta doutrina de respeito e abnegação seja refeita antes que nossa fé sucumba em um mundo que em hipótese alguma condiz com esses seres maravilhosos que guardam e regem a natureza.

Sinto saudade dos tempos em que achávamos Doce o Sabor de sermos Iniciados e tínhamos orgulho em sermos chamados de Yawôs, pois sabíamos que um dia estaríamos sentados em nossas cadeiras de Ebomis, um direito que conquistaríamos com nossa humildade e amor e não comprando com dinheiro, ou seja, lá o que for.

Lembremo-nos sempre que orixá é amor e humildade e jamais soberba e orgulho.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador, babalorixá e vice-presidente da UNESCAP, União Espírita capixaba, e membro de seu conselho sacerdotal.

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quarta-feira, outubro 10, 2007

A NATUREZA E OS ORIXÁS


Muito tem nos chamado a atenção, o fato de ambientalistas e cientistas estarem diariamente nas emissoras de T.V nos mostrando os riscos que corremos com a destruição da natureza.

Este fato nos chama a atenção, pois que nossos Orixás dependem dela para que possam interagir em nossas vidas, aliviando assim muitos de nossos problemas.

É comum passarmos por uma encruzilhada e vermos papéis jogados no chão, com oferendas a Exú, outras vezes ao irmos a uma mata, encontramos sacolas as quais foram utilizadas para levar os carregos de clientes e filhos de santo. Essa concepção de despacho precisa urgentemente ser revista pos nós zeladores e por nossos filhos de santo.

Diz uma regra dos antigos, que as comidas de santo ao serem suspensas devem obrigatoriamente serem despachadas no rio, ou seja: levamos até lá as comidas em sacos, acendemos uma vela, batemos paó e despejamos as comidas nas águas, e levamos embora o saco utilizado.

Essas comidas eram despachadas nas águas, para que servissem de alimento aos peixes, garantindo assim o ciclo de reprodução e alimentação de todos os seres vivos. Se um dia quisermos almoçar um peixe, ali teríamos a certeza de o encontrarmos, pois aqueles alimentos ali despejados contribuíram para a subsistência dos mesmos.

Se por ventura fosse carrego de ebó, e seu destino fosse à mata, o mesmo era levado em sacos, e após adentrarmos a mata despejaríamos seu conteúdo, pois que além de alimentar os animais que ali residem, serviriam de adubo orgânico pra a terra.

Estas formas de despacho tão utilizadas nos dias atuais, nos preocupa, pelo fato da agressão à mãe natureza. Imaginemos por exemplo um encantamento de Odé ou Agué para ajudar alguém sem as matas que são sua morada. E o que dizer de nossa mãe Oxum? Como faríamos oferendas a ela sem os rios e cachoeiras que são seus domínios?

Este pensamento tem que ser levado em consideração por todos nós do candomblé e até mesmo da umbanda. Estamos matando a natureza, e consequentemente nos matando também.

Um outro fator, é que, se nossos orixás são governantes da natureza e parte integrantes dela, poderemos te-los ao nosso lado sem ela? Com certeza que não, pois estes seres encantados estão nos abandonando aos poucos porque ao destruirmos a natureza estamos destruindo seus segredos e mistérios.

Claro que não destruiremos nossos Deuses, mas eles com certeza nunca mais poderão nos ajudar sem os elementos indispensáveis aos seus cultos e obrigações.
Assim sendo irmãos, façamos uma reflexão sobre o que estamos fazendo com a natureza e conosco mesmo. Sejamos conscientes de nossas obrigações com nossos pais e mães e lembremos que uma delas é justamente a defesa do meio ambiente tão essencial para tudo que desejamos fazer neste planeta.

Claro que se temos meios de possuirmos um conforto, ele é válido, mas daí a levarmos a extinção nosso meio ambiente seria burrice concordam?

Lembremos também que corremos o risco de fazer com que nosso planeta se transforme em um planeta fantasma, sem qualquer tipo de vida, e posso garantir que em uma terra inóspita, nossos antepassados os orixás jamais poderão se comunicar conosco e trazer seu conforto e amparo tão essenciais para a solução de nossos problemas e sua ajuda para que sigamos com fé e amor nossa jornada.

NATUREZA VIVA É GARANTIA DE NOSSOS ORIXÁS JUNTOS DE NÓS!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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quinta-feira, setembro 20, 2007

FÉ

FÉ

Muito se fala em fé. Desde os tempos mais remotos ela acompanha o ser humano e na maioria das vezes, é o que o ajuda a caminhar em busca de melhoras para sua vida.

Claro que a fé é algo de mais maravilhoso e valoroso que possuímos, pois que ela nos faz termos a certeza, por exemplo, da existência de Deus nosso eterno pai, nos leva a entender dentro de nossos limites a existência, a magnitude deste ser tão poderoso que criou o universo.

Porém esta mesma fé torna-se arma a mais perigosa que já conhecemos. E este fato torna-se realidade pura e horrível, quando o homem possuído de sua ganância natural, a usa para mentir, enganar, submeter a terceiros, e no apogeu da crueldade, a matar seu semelhante.

Basta olharmos com atenção à história nossa, e veremos que muitas guerras foram criadas em nome da fé. Torna-se mais fácil exterminarmos aqueles que não compactuam com nossa fé, do que aceitar que a sua tem a mesma importância que a nossa.

Quantos reinos, culturas foram destruídas e os carrascos usaram o nome da fé em Deus? É comum encontrarmos relatos na história, de carnificinas ocorridas porque a fé que outros tinham em Deus não se mostrava da mesma forma que os míseros e falsos profetas diziam ser a correta.

Se Deus existe e temos a certeza de que sim, jamais desejaria que seu povo fosse assassinado em nome da fé que alguns dizem ter nele. Machuca ao vermos que sacerdotes usavam seu conhecimento para provocar intrigas que levavam a esses holocaustos terríveis.

Hoje em dia, porém, esta mesma forma errada de se ter fé ainda é praticada. Vemos sumos sacerdotes se alto proclamarem representantes de Cristo, anunciarem que sua fé é a única verdadeira, por se tratar da única deixada por nosso Senhor Jesus quando de sua passagem na terra. Mas, o que vemos mesmo, é utilizarem do nome sacrossanto de Nosso Senhor, para aplacar sua ânsia desenfreada por riquezas, muitas vezes não estando nem aí se seus seguidores têm com que alimentar suas famílias.

E essa maneira de se agir com relação a fé, é vista em todos os seguimentos religiosos e não apenas neste ou naquele. Quantos são sacrificados em suas economias de uma vida, devido à falsa promessa de terem um problema resolvido? Mas, infelizmente isso não se repercute apenas naquele sacerdote, mas sim, em toda a classe religiosa. É necessário extirparmos tais práticas de nosso meio se ainda desejamos sermos vistos como filhos de Deus e não como ladrões sujos que se aproveitam da boa fé alheia e buscam de todas as formas o enriquecimento ilícito.

Avante nossa fé verdadeira e amorosa. Façamos com que o santo nome de Deus nunca mais seja usado como base mentirosa para guerra e assassinatos frios.

O amor ao nosso semelhante ainda é a forma mais linda e gratificante, de mostrarmos a fé em Nosso Pai Celestial.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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segunda-feira, setembro 17, 2007

OBALUAYÊ


Peço licença a Zambi, a Oxalá e a todos os antepassados para falar um pouco deste maravilhoso Orixá. Muito difundido no Brasil, tanto no Candomblé como na Umbanda, porém muitas vezes incompreendido.

Conta sua lenda que ele nasceu da união entre Oxalá e Nanã Buruquê. Porém tinha uma doença grave, a lepra, o que o fez ser rejeitado por sua mãe que o abandonou no mato para que os bichos o comessem, uma vez que naquela época, esta doença era vista até mesmo como uma praga dos deuses e quem a tivesse, dificilmente seria curado. Aliás, nunca era curado, estava condenado à morte.

Ao ser abandonado no mato, começou a sentir fome e frio, e seu choro foi ouvido por Yemanjá que passava nas redondezas. Ela compadeceu-se dele e o levou para sua casa onde o tratou com folhas de bananeira curando suas feridas. Porém o tempo foi passando e ele já não mais aceitava o seio que sua mãe adotiva o oferecia, pois deseja comer.

Daí veio para ela uma questão difícil: com o que alimentar a criança? Então teve a idéia de apanhar um pouco de areia da praia e nela estourar um milho que existia fazendo o doburú, pipocas, que é seu alimento favorito até hoje.

Ao tomar a idade adolescente, como ainda tinha feridas horrendas em seu corpo, passou a se vestir do azê, espécie de roupa confeccionada com palha da costa. E assim andava por todos os lugares e as pessoas diziam que seu rosto era terrível de ser visto dado a sua doença, o que lhe revoltava.

Ele cresceu, tornou-se um grande guerreiro, caçador, feiticeiro, e descobriu os segredos da morte. Sua mãe biológica então, passou a sentir vontade de ver seu filho, mas ele a rejeitava, pois sabia de sua história. Yemanjá, sempre matriarca, amorosa, o aconselhava a aceitar sua mãe, pois ela o tinha parido. Ele dizia então que a única mãe que conhecia era ela, pois que o alimentou, e curou suas feridas horrendas.

Porém mesmo depois de crescido, não retirava aquela roupa de palha, o que fez com que Oyá, muito curiosa, esperasse atrás de umas árvores por onde ele passaria. Ao vê-lo se aproximando ela ordenou ao vento que soprasse com toda força possível, e este assim fez, levantando sua roupa e então Oyá contemplou o rosto mais lindo que já vira em sua vida.

Ele se revoltou.com sua atitude e depois de longa conversa fez com ela prometesse que não contaria para ninguém como ele era, pois se revoltava em saber da discriminação que sofria.

E assim foi se criando a história de um dos Orixás mais amados no panteão afro. Ao se trasladar de volta ao Orúm, Céu, ele foi incumbido por Olorúm, Deus, de ser o Orixá da varíola, da bexiga e de todas as doenças que atingiam e matavam os povos das várias nações africanas e do mundo.

E esta incumbência ele traz até os dias de hoje, sendo conhecido como o médico dos pobres. Muito embora seu poder seja ilimitado, sua humildade o distingue de todos os demais seres existentes. Não carrega nem suporta a soberba, é desapegado de bens materiais, pois sabe dos mistérios que envolvem a morte, porém jamais deixa um filho seu ou quem o cultue, passar por dificuldades. Sempre providenciando para que a pessoa tenha tudo àquilo que lhe é necessário a uma vida confortável.

A única coisa que pede em troca, é que a pessoa por ele agraciada, não deixe de atender a quem passe por privações independente de qualquer coisa. Sua vestimenta espelha bem sua humildade: enquanto outros orixás se vestem com luxo, dado aos elementos por eles governados, este maravilhoso orixá, veste-se até os dias de hoje com palha da costa, usa guizos, e sua comida preferida é o doburú, pipoca feita na areia.

Seu nome quando traduzido mostra toda a sua importância e magnitude: Obá – Rei, Ilú – Céu, Ayê – Terra. Ou seja: Rei do Céu e da Terra. Mas a humildade que expressa é muito mais elevada que qualquer ato cerimonial ou até mesmo os títulos que recebeu de Olorúm, Deus.

É comum nos terreiros de Candomblé, as festas em sua homenagem. E a principal delas é o Olubajé. Olú, aquele que, Ba, aceita Jé, comer. Aquele que aceita comer. Nesta festa são servidas todas as suas comidas, juntamente com as comidas de seu irmão Oxum Marê.

Mas, é comum nos candomblés, serem oferecidos presentes para ele toda segunda feira, que é seu dia, a fim de pedir que ele ajude tanto ao zelador da casa quanto aos filhos e demais clientes que ali freqüentam. Alguns fazem o tabuleiro de Obaluyê, par descarregar a casa e abrir caminhos, outros optam por uma cerimônia simples na qual apenas ofertam seu doburú e de joelhos pedem por todos.

Também é deveras invocado quando existe algum problema de doença, feitiço ou mesmo praga em alguém. Senhor da desintegração, governante dos cemitérios, local que passou parte de sua vida estudando este mistério e também onde teve contato com seu antecessor, Omulú, é o responsável por nossas almas e tem na morte sua regência maior, porque existe a necessidade de morrer um para nascer outro, garantindo assim a continuação de nossa espécie.

Sua cor é, vermelho, preto e branco. Sua comida é o doburú, feijão preto cozido, acarajé, frutas, peixe, e seu sacrifico é de cabrito, em algumas casas porco, frangos, pombo, pato e galinha de angola.

Sempre que precisamos dele, ali está, pronto a nos socorrer e nos purificar tanto das doenças quanto de feitiços, pragas, perseguição de egum, e outros males que afligem tanto nosso corpo material como o espiritual.

Louvemos este senhor com a mesma humildade que ele tanto pratica. Mas nos lembremos de sua suma importância no panteão afro, e de sua magnitude entre os nossos antepassados.

ATOTÔ AJUBERÚ, BALÉ, BALÉ.

MISERICÓRDIA DE NÓS MEU PAI!

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e babalorixá.


quinta-feira, setembro 13, 2007

ORIXÁ É PAZ ACIMA DE TUDO


Como sacerdote não posso me calar ao deparar-me com pessoas que buscam nesta maravilhosa força da natureza a vingança, a destruição e outras coisas mais. E muito mais me revolta quando vejo zeladores que incentivam esta prática, em troca de dinheiro ou outras facilidades.

Quando entrei neste mundo encantado que são nossos antepassados, aprendi que eles valorizam a pureza de nossos corações, o amor, a caridade, a humildade acima de tudo.

Mas, infelizmente algumas pessoas apenas vêem esta força como uma arma de vingança por qualquer motivo fútil que se apresente em suas vidas. Se assim fosse, nós sacerdotes e sacerdotisas não teríamos qualquer tipo de problema, pois bastaria acender uma vela e o mal estaria feito. Ledo engano!

Irmãos, é necessário que compreendamos acima de tudo, que nossos orixás são governantes da natureza, e assim sendo representam a forma mais pura de amor: o amor de Deus. E com certeza nosso pai, não é vingança, ódio ou qualquer malefício. Precisamos aprender a perdoar, a orar por nossos inimigos ao invés de sairmos por aí feito terroristas, jogando bombas na vida das pessoas.

Se formos ler com atenção aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mesmo observar o contexto real dos fundamentos passados pelos antigos, veremos que em momento algum nos incentivam a praticar outra coisa que não seja o amor e o perdão.

Sei que a vida é composta de problemas, também sei que inimigos arrumamos com facilidade, seja por inveja ou motivo, mas o que sei também é que aquele que realmente confia em seu orixá, entrega nas mãos dele a solução destes problemas.

Certa feita em uma conversa com a sacerdotisa que me iniciou, Mametú Yndembeleouí, ela me disse: “meu filho, todo aquele que é do santo e se dedica a fazer o mal, jamais passará da roupa do corpo. E aquele que busca vingança nunca terá a paz e a prosperidade, pois nossa obrigação como iniciados, é entregar nas mãos deles tudo de ruim que nos fizerem pois eles saberão fazer a justiça de Deus”.

Mas, hoje com meus 21 anos de feito, com casa aberta, quanto me decepciono ao ver que o contrário prevalece, que as pessoas apenas buscam nossos conhecimentos, ou outros feitos, utilizam dele para o mal. Pobres almas! Esquecem que acima de tudo existe um Deus e este julgará à todos independente de sua cor, raça, ocupação social ou sacerdotal.

Deus é amor, paz e soberania. Será que ele não está vendo nossos atos? Posso garantir que sim. Temos um ditado árabe que mostra bem isso: “uma noite escura, uma pedra de mármore escuro, sobre ele caminha uma formiguinha escura, Deus a vê”.

Aprendi também com esta maravilhosa sacerdotisa que me iniciou, que: “ temos que nos lembrar que temos uma alma para dar conta à Deus de nossos atos, e que jamais um sentimento de vingança ou ódio, nos deixará impunes em nossa vida terrena e mesmo na pós-túmulo”.

Apenas me pergunto se esses sacerdotes que inflamam o desejo de vingança, não temem a ira de Deus ou mesmo de seu orixá. Muitos de nós, conhecemos sacerdotes de conhecimentos incomensuráveis, que passam fome, que sofrem problemas que não encontramos a razão de ser.

Mas nos esquecemos de perguntar o que teria ele feito para que seu orixá permita que passe por isso. A resposta é simples não? A maldade que impera em seu coração o guiou para esta situação avessa aos propósitos de nossos antepassados e nosso Pai Celestial.

Lembremo-nos que tudo aquilo que fizermos contra outra pessoa recairá sobre nós mais dia menos dia. Conservemos as palavras de amor, pratiquemos o perdão, confiemos em Deus e em sua justiça e assim com certeza, veremos a solução de muita coisa em tempo mais hábil do que possamos imaginar.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, setembro 12, 2007

PERDOAR É PRECISO

Muito se fala em perdão, mas poucos de nós consegue praticar este ato tão sublime aos olhos de Deus e de nossos protetores. Muitas vezes o que vemos são pessoas que dizem perdoar seus inimigos, porém alimentam dentro de si, sentimentos de mágoa, raiva ou mesmo de tristeza com atos praticados por terceiros.

Esta forma definitivamente não é o perdão verdadeiro. Para que possamos praticar o perdão, temos que banir estes sentimentos de dentro de nós. Como podemos perdoar se mantivermos tão estranhos sentimentos?

Ao perdoarmos uma pessoa por algo que ela nos tenha feito, devemos limpar de dentro de nós quaisquer resquício destes sentimentos. O ato de perdoar, é sublime, mas, tem que ser acompanhado do desapego a tudo que sentimos de ruim. É imprescindível que esqueçamos as ofensas por piores que sejam para que possamos perdoar de verdade.

Como por exemplo podemos pedir à Deus que esqueça nossos atos ruins, se não somos capazes de esquecer os praticados por outros?

Dentro de nós existe a chama do amor de nosso Pai Celestial, devemos buscar este sentimento e munido dele, amarmos àqueles que não nos querem bem, ou que nos prejudicaram de forma direta e indireta.

Temos também que nos lembrarmos de uma frase da Oração de São Francisco: “ é perdoando que se é perdoado”. Se não formos capazes de perdoar nosso semelhante, não devemos ter a certeza do perdão de nosso Pai.

Perdão é também um ato de caridade, sim, pois que ao praticarmos o mesmo, estamos contribuindo para a escalada espiritual tanto nossa, quanto daqueles que nos ofenderam.

Nossos guias e protetores, nossos orixás, jamais se sentirão bem, ao incorporarem em um médium incapaz de perdoar e esquecer as ofensas recebidas. Devemos nos conscientizar de que para eles o amor prevalece a tudo nesta terra.

Amar e perdoar aqueles que nos são caros, é tarefa prazerosa, mas, quando nos deparamos com a necessidade de perdoar um inimigo...! Bem, aí a coisa se complica.

Quem de nós nunca foi carente do perdão de outro? Quem nunca se dirigiu à Deus através da oração, a fim de suplicar perdão por faltas cometidas?

Devemos nos lembrar disso sempre que formos atingidos por outra pessoa. Temos que ter consciência de que se hoje somos incapazes de perdoar, no amanhã podemos estar em situação que nos levará a depender do perdão. E será que se não formos capazes de perdoar, o seremos? Aqui fica um convite a reflexão:

Será que perdoei verdadeiramente aos que me ofenderam? Vamos refletir.

Lembremo-nos sempre de que: PERDOAR É PRECISO.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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sábado, setembro 01, 2007

O PODER DA ORAÇÃO

É comum em nosso dia a dia, orarmos a Deus nosso Pai, na intenção de solicitarmos alguma intervenção em assuntos variados de nossas vidas. Isso é bom, pois a Oração tem o poder de extirpar males diversos que nos rondam constantemente.

Mas, será que oramos da maneira correta?

A Oração deve ser proferida antes de tudo com o coração e não apenas com a boca, numa repetição inconstante de palavras. É válido sim, proferirmos um Pai Nosso, uma Ave Maria, mas, devemos nos acautelar e dar um sentido especial na oração.

Antes de orarmos, é necessário que façamos uma avaliação de nossas atitudes, peçamos perdão ao Criador, limpemos nossos corações de sentimentos impuros que nos rodeiam frequentemente, e nos recolhamos ao silêncio absoluto.

Devemos escolher um local no qual possamos ter privacidade total, como por exemplo, nosso quarto. Ali, após limparmos nossos corações, pedirmos perdão de nossos erros, elevemos nosso pensamento aos bons espíritos de luz, à Cristo e a Deus, e iniciemos nossa oração.

Não importa que ela seja um Pai Nosso ou outra qualquer que conheçamos o que vale, é que estejamos com nossa mente totalmente voltada para àquele momento, sem nos importar as coisas do mundo. O poder de uma oração é imenso, incomensurável, para diluir todas as forças negativas que nos rondam e teimam em nos arrastar para seu precipício.

Devemos nos entregar de corpo e alma naquele momento, implorar a presença de Deus através de seus mensageiros, suplicar a ajuda para nós, e principalmente, dedicarmos à mesma aos nossos inimigos, para que toda fúria, todo mal que exista dentro dele, seja transformado em bem e amor. Peçamos neste momento a Deus, que perdoe nossos inimigos, que dê luz ao seu anjo da guarda para que ele enxergue que o mal verdadeiro, está fazendo contra si mesmo.

Feito nossa oração, devemos praticar uma segunda parte que muitos se esquecem: dar continuidade a tudo que pedimos enquanto orávamos, ou seja, praticar a caridade, levar a alegria a quem se encontra triste, espalhar o amor e o perdão. Aí sim, poderemos ter a certeza que nossa oração subiu como oferenda aos pés de nosso Pai Celestial.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá, escritor e pesquisador.

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sexta-feira, agosto 24, 2007


Por mais que o mundo o deixe triste, as pessoas a magoem, as lágrimas desçam em seus olhos, ainda assim, olhe para cima, para o céu e sinta a força que provém dos anjos. Eles jamais nos abandonam, estão sempre ali, prontos para nos auxiliarem. Olhe para a natureza, encare ali a face de Deus, converse e encontrarás o aconchego que sua alma necessita.
Ame a Deus acima de tudo, honre seus antepassados, e verás a diferença que isso fará em sua vida.




Sérgio Silveira, Tatetú N'Inikisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.






quinta-feira, agosto 16, 2007


A FORÇA DA MAGIA

Anteriormente abordamos aqui o assunto MAGIA, hoje desejo falar sobre sua força.

É comum vermos pessoas aclamarem alguns, e difamarem outros zeladores de Candomblé ou mesmo de Umbanda sobre a força de sua magia e de sua mediunidade.

Queridos, eis que um engano fortíssimo paira sobre este quesito: como descrevi no texto anterior, a magia, é um elemento da natureza, sua força assim sendo é única, o que conta é a força, o desejo de cada um em resolver este ou aquele problema.

A força verdadeira está dentro de nós e não existe força maior ou menor na natureza e em tudo por ela criado. Temos dentro de nós a essência viva de tudo que há na terra, assim sendo sua força também. O que faz um médium ser maior que o outro? Nada! Apenas e tão somente existem aqueles que se dedicam verdadeiramente aos orixás, resguardando os dias santos, abstendo-se de sexo, carne vermelha e outros itens antes de uma sessão por exemplo, e aqueles que apenas seguem uma filosofia por não terem algo melhor para se ocupar. Não realizando assim nada em busca do aprimoramento de sua energia, de sua força.

Assim sendo, existem também aqueles que acreditam verdadeiramente em um ritual realizado e aqueles que apenas crêem se verem algo resolvido em seu favor. Ao começarmos um ritual, é imprescindível que trabalhemos nosso íntimo, a fim de colocarmos nossa energia pura, em prol daquele trabalho.

O desejo mais profundo de nossos corações, já nos garante boa parte do resultado almejado. Acreditar em si mesmo e em nossos mentores, é algo de suam importância para que possamos alcançar este ou aquele favor das entidades às quais recorremos.

Temos antes de tudo que acreditarmos em nós mesmos, nas forças com as quais estamos lidando e confiar que obteremos os resultados.

Não existe mágica maior que essa. Não conseguiremos encontrar em lugar algum uma força maior do que aquela que está dentro de nós.

Sabia que os espíritos usam boa parte desta nossa força para trabalharem em nosso favor? Sim, eles a utilizam como fonte primária ao saírem em caminhada em busca daquilo que solicitamos. Basta que encontrem dentro de nós esta energia incomensurável, que terão mais condições de nos alcançarem o pedido.

Um outro fator que temos que observar, é o nosso merecimento. Sim, não basta pedir para receber, temos que nos mostrar dignos do que pedimos, e não esquecermos que nosso futuro dependerá tão somente de nossos atos no presente.

Aí está a força que tanto buscamos: dentro de nós, seres vivos e integrantes da natureza.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá.

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