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domingo, março 30, 2008

GAIA, NOSSA GRANDE MÃE.

Sempre ouvimos falar em nossos templos que devemos zelar de nossos Orixás, como forma de termos uma vida mais equilibrada e confortável nesta vida. Aprendemos que nossos Orixás são nossos anjos guardiões e que devemos promover todas as formas para que ele se sinta em paz e conseqüentemente nos trazer a paz.

Ótimo isso! Mas, existe um espírito que sempre foi cultuado pelos povos antigos e que hoje se encontra esquecido por vários de nós: GAIA! Esse esquecimento é algo que jamais deveria acontecer, pois como podemos observar ao estudarmos as filosofias antigas, Gaia é a Terra, ou ainda para outros, o Espírito da Terra.

Muitos povos acreditavam que ao desencarnarmos, retornaríamos para Gaia, fazendo parte de sua energia, nos uniríamos a esse espírito, retornaríamos à nossa essência.

Esse ensinamento é um dos mais sábios que podemos ter. Vejamos pela ótica desses povos: se aprendemos que fomos feitos do barro, não seria lógico que ao morrermos retornássemos a ele? A própria Bíblia nos ensina: “do pó tu viste, ao pó retornará”. Se formos estudar essas filosofias em conjunto, veremos que os povos mais antigos da Terra, sempre estiveram a um passo à frente de seu tempo, e possuíam um conhecimento elevadíssimo destes assuntos.

Pois bem, sempre cuidamos de nossos Orixás, levando-os oferendas variadas a seu habitat, ou mesmo aos seus assentamentos, mas depois, é comum vermos pessoas despejarem seus Carregos, em sacolas plásticas, em matas ou até mesmo nas águas, contribuindo de forma incomensurável para a degradação de nosso eco-sistema. Assim sendo Destruindo Gaia.

Nossos antepassados africanos nos deixaram um ensinamento de que: todas as comidas ao serem suspensas de nossos Ibás, deveriam ser despejadas nas águas, pois que serviriam de alimento para outros seres viventes ali: os peixes, e os mesmos seriam em um futuro, retirados para alimentação dos seres humanos, assim sendo, estaríamos cuidando de Gaia, contribuindo para a garantia da reprodução e alimentação. Se essas comidas fossem ser ofertadas em locais onde os deuses residissem, deveriam ser depositadas em folhas próprias para tais rituais, e assim, estaríamos mantendo Gaia viva de duas formas: garantindo a alimentação de animais ali existentes e usando um material que se deterioraria servindo de adubo para a mata.

Se agirmos de forma contrária, como podemos esperar que Gaia aja em nosso favor, nos fornecendo alimentação, árvores que nos abrandaria o calor causticante, e até mesmo a água, elemento fundamental para toda a existência na Terra?

Devemos rever mais nossos conceitos, e passar para nossos filhos e filhas, a fim de garantirmos que teremos sempre um local saudável para nós enquanto matéria e também para nosso espírito depois que nos fundirmos ao espírito de Gaia. Da forma como estamos agindo, não teremos a mínima condição de continuarmos as nossas práticas religiosas, pois que estamos Matando nosso Planeta e fazendo com que Gaia, perca as condições de nos fornecer tudo que precisamos em matéria e em espírito. E até mesmo fazendo com que ela não tenha sequer as forças que nossos Orixás utilizam a fim de nos socorrer.

Atendamos ao apelo de Gaia, façamos nossa parte para que amanhã possamos retornar à energia que nos criou e podermos ter um local de paz onde poderemos trabalhar em auxílio aos nossos descendentes.

Façamos com que nossos Orixás continuem existindo, se perpetuando cada vez mais, pois que, se hoje temos a condição de convivermos com eles, foi porque nossos antepassados possuíam a sabedoria de cuidar da natureza, ou seja, de Gaia, para que seus deuses pudessem ter condições de ajudar às gerações futuras. Vamos começar a mudar nossos costumes, os tornando mais saudáveis?

Lembremo-nos de que sem a natureza, não termos nossos Orixás e estaremos matando GAIA, NOSSA GRANDE MÃE.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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sábado, março 08, 2008

ORIXÁ, FÉ E AMOR INCONDICIONAIS

É comum vermos pessoas dizerem que amam seus orixás acima de qualquer coisa nessa terra. Mas, basta o primeiro sinal de problemas ou dificuldades e vemos toda essa fé se desmoronar, feito barranco em chuva. Outras; clientes em terreiros professam um amor e fé em nossos orixás e guias da Umbanda, mas, tão somente condicionados na resolução de problemas, e quando por motivo acima de suas forças, esse problema não é resolvido no tempo esperado, sua fé é jogada por terra.

Fé é antes de tudo resignação e conhecimento de que somente recebemos aquilo que merecemos, ou, que receberemos mas, no tempo certo. Nada nos será dado sem o consentimento de Deus nosso Eterno Pai.

Ao entrarmos nesse mundo maravilhoso que é o imenso universo espiritual, temos antes de tudo, de estarmos preparados para uma dedicação total. Nosso orixá não se doa pela metade a nós, e conseqüentemente não aceita que nos doemos pela metade para ele.

Se soubermos amar nosso Orixá, e nele termos a fé incondicional, pode até demorar um pouco para obtermos nossas solicitações, mas, com certeza as obteremos sim. Vale a pena lembrarmos que nosso tempo é diferente do tempo de Deus e de seus Ministros, nossos orixás. O que para nós levou meses e anos para acontecer, para eles na verdade se passaram algumas semanas e meses, e isso tão somente se dá por nossos merecimentos.

Comumente, vemos seus nomes serem lançados à lama, por dissidentes da doutrina, que por não verem um pedido atendido (ao menos em tempo hábil para suas mentes contaminadas pelo egoísmo), derrubam sua fé por terra e ocupam-se em deteriorar essa maravilhosa doutrina que tão somente prega amor, caridade e perdão a nossos irmãos.

Termos fé, é sabermos aceitar com resignação as provas que escolhemos antes de encarnarmos nesse planeta, e também aquelas que nos for imposta pela vida. É termos sabedoria para separarmos o joio do trigo, como nos ensinou nosso Amado Mestre, Jesus de Nazaré.

Aceitarmos nossas provações é resignarmos que nem tudo poderá nos ser concedido, afinal, somos humanos e como tais, falhos e cheios de medos e erros. Claro que podemos lutar para alcançarmos uma vida melhor aqui na terra, porém, temos que nos vigiarmos constantemente para que nosso anseio, não deteriore a missão de nosso espírito.

Da mesma forma que comemos o pão que alimenta nosso corpo físico, devemos comer a fé e o amor em nossos orixás, pois que estes são o pão que alimenta nosso corpo espiritual.

Assim meus irmãos, amemos nossos orixás e tenhamos fé incondicionais que eles, dentro das leis Divinas que regem o Universo, virão em nosso socorro, e providenciarão para que tenhamos (dentro de nossos merecimentos), uma vida de mais paz e tranqüilidade neste planeta.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

ELEIÇÃO


Mais um pleito eleitoral se aproxima. Devemos nos cuidar e estudarmos muito bem as propostas de cada candidato antes de darmos nosso voto. Muitos de nós encontram-se totalmente decepcionados com os políticos que pouco ou nada fazem em prol da sociedade e das classes menos favorecidas.

Porém devemos nos lembrar que esses políticos não entraram em seus cargos apontando uma arma, mas sim, que fomos nós, eleitores que os colocamos lá.

Chamo a atenção principalmente de todos os Umbandistas e Candomblezistas. Devemos estudar muito bem os candidatos, e nos lembrarmos que todos os anos somos convidados a entregarmos nossos votos a eles, na esperança de que algo farão em prol de nossa classe tão perseguida e discriminada. Mas depois de eleitos, nada fazem em nosso favor.

Observemos, pois, as propostas de cada um, se possível convidemos os mesmos para participarem de uma reunião em nossos templos, sabatinemos o mesmo na busca de desvendar suas reais intenções, e se depois, resolvermos juntos com nossa confraria a darmos nosso apoio, solicitemos um documento registrado em cartório, no qual esse político se comprometa com nossa causa.

Seguidores de igrejas evangélicas, têm seus representantes, e nós, espíritas independente da facção que seguimos, nos encontramos só em nossa luta, pois não elegemos um membro ativo de nossa religião a fim de vermos nossos direitos constitucionais respeitados.

Lembremos que nosso voto é a melhor arma que temos para lutar. Sejamos, pois, conscientes e saibamos optar, para depois não ficarmos mais quatro anos amargurando o remorso e até mesmo uma raiva, por vermos que mais uma vez fomos excluídos de um direito básico e constitucional: o da livre escolha e prática de uma religião.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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sábado, fevereiro 02, 2008

CARNAVAL, FESTA DA CARNE OU DO DEMÔNIO?

Muito falamos em carnaval, e inúmeros são os preparativos que todos nós fazemos para que possamos participar do reinado de Momo que apesar de sua durabilidade ser de apenas três dias, mas, sua totalização é tão imensa que nos leva á exaustão completa. Brincamos, bebemos, vivemos um êxtase total nesses dias, colocamos todos nossos males para fora, e damos vazão à euforia.

Mas, afinal, carnaval é festa da carne ou do demônio?

Crescemos com a doutrina da Igreja Católica nos mostrando que essa festa é uma orgia de lúcifer e seus anjos decaídos. Mesmo na Umbanda vemos pessoas que acreditam ser essa festa uma profanação de Exú (coitado dele, mais uma culpa lhe foi impostada) a tudo que é de mais sagrado, até dentro do candomblé encontramos zeladores que acreditam piamente nessa teoria que a Igreja Católica vem apregoando por séculos e séculos, e até mesmo introduzindo os preceitos da quaresma em nosso calendário religioso, (o que dentro de minha humilde visão é uma incoerência, uma vez que quaresma é um evento católico nada tendo a ver com nossos antepassados africanos).

Bem, voltando ao tema em questão, o carnaval; lamentavelmente todos esses ensinamentos cristão estão incorretos, e isso afirmo baseado em pesquisas de trabalhos de historiadores como veremos a seguir. Segundo várias pesquisas de profissionais respeitados, o carnaval teve seu começo lá na antiga Grécia, mais precisamente por volta do ano 605 a 527 aC ocasião do surgimento da agricultura.

Essa festa milenar tinha como objetivo festejar a colheita dos grãos, a produtividade e fertilidade do solo, que garantia a alimentação de todo o povo. Alguns historiadores mostram que esses gregos antigos, homens, mulheres e crianças pintavam os corpos e o rosto com a intenção de espantar os demônios que atrapalhariam a boa colheita. Aqui abro um adendo para informar que DEMÔNIOS eram todos os gênios, espíritos, bons ou maus que habitavam fora da terra, no espaço. Fato esse explícito nas doutrinas de Sócrates e Platão, que nos mostram com clareza esse significância.

O carnaval conhecido como festa pagã, teve seu início nos idos do século VIII AC ocasião em que Pisístrato, um governante injusto e cruel, que governou Atenas oficializou o culto a Dionisio. Sendo que a Igreja Católica apenas incorporou esta festa em seu calendário por volta de 590 dC.

A primeira celebração em massa dessa festa foi no Egito antigo, sendo que nessas festas as pessoas homenageavam a deusa ísis e o touro apis dançando em volta de fogueiras, com máscaras e outros adereços.

Mais tarde essa festa se espalhou por toda a Grécia e Roma, como era comum a falta de uma convivência pacífica dado a separação das classes, era imprescindíel que houvesse algo que aliviasse a tensão, pois que assim se evitaria tanbém uma guerra interna, e a bebida passou a ser parte nos festejos caranavalescos, pois que as pessoas da época, ao se embebedarem consideravam-se mais ou menos na mesma altura.

Antes, porém de chegar ao Brasil, essa festa adentrou em Veneza e segundo alguns historiadores e pesquisadores, foi lá que foram introduzidas as fantasias, músicas e carros alegóricos que conhecemos hoje.

Porém existe um outro tipo de carnaval: O CRISTÃO, que a Igreja Católica oficializou por volta de 590 dC, devido à impossibilidade de sua proibição continuar, as autoridades eclesiásticas apenas exigiram um caráter mais sério no festejo por considerar que a forma como vinha sendo realizado era pecaminoso, porém essa exigência tirava o caráter principal: o riso e a brincadeira.

Somente durante o concílio de Trento em 1545 que o carnaval foi considerado festa popular. Então o Papa Gregório XIII, achou por bem transformar o calendário Juliano em Gregoriano e assim, estabeleceu as datas nas quais o carnaval aconteceria, porém mais uma exigência: essa mobilidade deveria exigir que a festa popular não coincidisse com a festa da Páscoa Católica.

Assim sendo, tudo nos mostra que essa festa maravilhosa em nada tem a ver com o diabo, satanismo ou qualquer coisa do gênero, e muito menos o “pobre” do exú é violador de datas ou atos santos ou sacrossantos, e nós candomblezistas ou umbandistas podemos sim brincarmos sem que estejamos violando nossos conceitos e de nossos antepassados.

Apenas devemos observar o uso de bebidas alcoólicas se não pudermos evitar em definitivo, para que nossa emoção benigna não se transforme em algo maligno e assim cometamos atitudes que acabarão com nossa euforia e a de nossos semelhantes.

Brinquemos nosso carnaval, mas não nos esqueçamos que nossos orixás, estão a nos cobrar disciplina, respeito e carinho por nossos irmãos.

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá, babalorixá, escritor e pesquisador.

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Fontes de pesquisas: http://www.fundaj.gov.br; www.estrelaguia.com.br

sábado, janeiro 26, 2008

AMOR E PERDÃO, FONTES INCOMENSURÁVEIS DE CONQUISTAS.

Muitas vezes vemos pessoas que fazem e refazem eternamente obrigações aos orixás, aos guias em geral, rezam, oram, imploram, vivem de joelhos com velas acesas em seus assentamentos, em seus altares e nada conseguem alcançar, e quando alcançam não passam de míseras e insignificantes conquistas que nada rendem.

Na verdade essas pessoas se esquecem de algo muito mais forte que qualquer outra coisa: o amor e o perdão. Sim, esses são na verdade a maior fonte de conquistas que podemos ter ao nosso alcance.

De nada vale as obrigações, velas, oferendas e orações se não estivermos contritos com Deus nosso Pai. E como podemos estar em comunhão com nosso Divino Criador, se não somos capazes de perdoar? Seria como se um ladrão quisesse a condenação de alguém por um furto cometido por ele mesmo, sem, no entanto pagar por seu erro.

Amar meus queridos irmãos é algo que demonstra a personalidade de Deus e sua face espelhadas em nós. Temos que nos lembrar que Deus é paz, perdão, amor incomensuráveis. Nunca, jamais é vingança, ódio, avareza, rancor ou qualquer desses sentimentos impuros.

Para alcançarmos as graças necessárias é preciso liberarmos o amor que existe dentro de nós. Não somente aquele amor por nossos conjugues ou por aqueles que nos amam. Mas sobre tudo, amor por nossos inimigos, por nossos algozes.

Se alguém nos fez mal, devemos perdoar sim, e confiar em Deus que a vitória virá, e não nos utilizarmos de nossa religião no intuito de prejudicarmos a quem quer que seja. Devemos nos lembrar de que Jesus Cristo perdoou seus algozes no momento máximo de seu sofrimento: a crucificação. Quem de nós nunca ouviu outro repetir suas palavras: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem?”.

Reporto-me a vós com essas palavras, para que possamos juntos vermos o quanto se faz necessário amar e perdoar, para que sejamos perdoados.

Liberemos o amor, o perdão e estejamos em comunhão com Deus e nossos Orixás de forma completa. Orixá nunca foi ódio, vingança, soberba, rancor nem nada disso. Ao contrário, sempre foi e sempre será, amor, paz, companheirismo, perdão, humildade, resignação a Deus e seus caminhos.

Como pedirmos perdão se estamos tomados por ódio e vingança? Como desejarmos alcançar a prosperidade plena, se levamos uma vida de fofocas, calúnia, difamações, intolerância? Temos que nos abstermos desses e outros sentimentos inferiores se quisermos realmente sermos congratulados com as bênçãos de Deus e de seus mensageiros, nossos orixás e guias.

Liberemos o amor, aprendamos a perdoar de verdade e sentiremos a diferença que tais atitudes trazem para nossas vidas. Amar aos nossos inimigos é em verdade amar a Deus, uma vez que independente de defeitos ou qualidades somos todos seus filhos. Se alguém nos quer mal, entreguemos nas mãos de Deus, pois que elas são justas e JAMAIS vingativas.

Aprendamos a perdoar verdadeiramente para que possamos ser perdoados por nosso pai celestial.

No dia que realmente praticarmos este amor puro e o perdão, estaremos nos aproximando mais e mais de Deus e de nossos Orixás, e não envergonhando nossos antepassados com tais atitudes indignas de tudo que nos foi deixado por eles.

Lembremos sempre: cada vez que deixamos de amar e perdoar, estamos dando forças a espíritos inferiores que se alimentam de nossas fraquezas, porém, a cada gesto de amor e perdão, estamos fazendo com que esses espíritos enxerguem a luz verdadeira e assim sendo estamos colaborando com a erradicação de forças malignas que atormentam a humanidade dia a dia.

Acreditemos em Deus e seremos recompensados com sua justiça e soberania. Devemos nos lembrar que após túmulo nossas dores e sofrimentos serão nada comparados com o que sofremos aqui neste planeta de expiação. Mantenhamos nossos corações e mentes em constante vigília, sempre buscando o amor e aí sim, estaremos dignos de sermos chamados de Espíritas e acima de tudo: FILHOS DE DEUS.

A JUSTIÇA PERTENCE A DEUS E NOSSOS ORIXÁS.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

DIA DO COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Segunda feira passada foi veiculada em rede nacional de televisão, mais precisamente na Rede Globo, o lançamento do dia do combate à intolerância religiosa, e esse dia foi escolhido, por ser a data de falecimento de uma yalorixá, da Bahia, sendo que a mesma era cardíaca e sofreu um ataque após ser vítima de uma denúncia de charlatanismo.

Com certeza essa denúncia era falsa e este dia veio em um bom momento, afinal somos perseguidos, massacrados mesmo, pelas igrejas evangélicas e até mesmo pela católica e nada ou muito pouco tem sido feito para coibir tal atitude mesquinha e horrenda.

Porém, faz-se imprescindível que não nos contenhamos em apenas um dia por ano, nos mobilizarmos com tal atitude, mas sim, que façamos de todos os dias, um dia de combate a intolerância e perseguição que sofremos em um direito básico garantido pela constituição nacional e pela carta dos direitos humanos da ONU.

Devemos aproveitar o ano eleitoral e prestarmos atenção aos candidatos que se apresentam, nos dizendo que são contra a perseguição, as discriminações etc. e tal, pois que JAMAIS vi um legislador, seja ele municipal federal ou estadual, se levantar verdadeiramente em nosso favor. Apenas nos agradam com mentiras quando se aproxima a eleição, para depois simplesmente nos esquecerem em um canto qualquer feito uma roupa suja ou rasgada.

Se quisermos realmente termos nosso direito garantido e respeitado, temos que lutar de todas as formas para que respeitem-nos como cidadãos acima de qualquer coisa, pois pagamos nossos impostos e sustentamos essa imensa máquina governamental.

Dentro de nossas casas, muitas vezes somos obrigados a nos calar quando vemos pessoas denegrindo nossa imagem, e muitas vezes nos calamos por não termos a noção de nossos direitos garantidos na carta magna de nossa nação.

Muito tem crescido o número de sacerdotes e sacerdotisas que entram na justiça contra as igrejas, devido à falta completa de respeito aos nossos direitos. Devemos seguir esse exemplo e recorremos à justiça através de um advogado sério e que esteja realmente apto a embrenhar-se em tal demanda.

A partir do momento que mais e mais zeladores entrarem na justiça pedindo até mesmo indenização por danos morais, calúnia, difamação e tudo mais, e a justiça obrigar que paguem, a coisa irá mudar, uma vez que somente damos crédito e respeitamos àquilo que nos pesa no bolso. A justiça está aí, a lei existe, depende agora de nós fazermos nossa parte e recorremos a ela, que com certeza tudo isso irá mudar.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá, babalorixá, escritor e pesquisador.

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

A VAIDADE SUBSTITUI A DEDICAÇÃO NA INDÚSTRIA DA FÉ.


Saudosos os tempos onde os sacerdotes e sacerdotisas se recolhiam no silêncio de suas casas e, na calada da madrugada faziam seus fundamentos a fim de ajudarem a quem precisasse ou até mesmo para abrir um jogo de búzios pra desvendar algum mistério oculto de maior profundidade.

Hoje, a sabedoria, a humildade a fé e a dedicação, sucumbiram perante a vaidade, a prepotência a arrogância e sobre tudo: a ânsia por dinheiro. Nos templos antigos onde zeladores se dedicavam a cuidar de seus santos e dos demais, a fé e a humildade eram ferramentas imprescindíveis aos mistérios de nossa fé. Tudo era feito em segredo, até mesmo quando éramos recolhidos para nossa inicialização, não sabíamos absolutamente nada, e o dia de nossa catulagem era sigilo total. Éramos retirados de nosso sono para que pudessem ser feitos nossos atos. Até mesmo a limpeza dos animais sacrificados e os ebós eram feitos sem que curiosos soubessem como eram realizados.

Infelizmente para nossa fé, hoje muitos dos zeladores dão mais valor à pompa que aos preceitos. Vão para as praças públicas passarem ervas em turistas a fim de chamarem a atenção das televisões. Jogam búzios em estúdios de t.vcomo se fosse um jogo de dados ou baralho. Banalizaram de tal forma nossa religião, que dificilmente conseguiremos retomar os preceitos de nossos mais velhos.

Uma pena que agem assim, pois que enquanto candomblé era algo lindo pelo seu mistério, hoje caiu na boca de pessoas sem índole que se aproveitam de todo para nos difamarem em seus templos, em nome de Deus e Jesus Cristo.

O oráculo sagrado de Ifá era usado para ver e resolver problemas de santo, ou para auxiliar na investigação de algum mal da carne, para revelar o que impedia uma pessoa de prosperar em sua vida e sobre tudo, aconselhar. Hoje, muito me entristece ver que este mesmo oráculo é usado em televisão para previsões sobre qual artista vai casar, qual cantor vai vender mais disco, qual time de futebol será vitorioso, e por aí em diante.

Peço perdão a quem ler esta publicação, mas na qualidade de sacerdote e Vice - Presidente de uma Federação acho isso uma falta de vergonha, uma perca de conhecimentos, uma banalização de toda uma gama de aprendizado que levamos sete anos apenas para começar a entender.

Dói dentro de meu coração ver que nossos orixás estão sendo transformados em Indústria de fé, como em alguns seguimentos adversos a nossa doutrina. Em conversas com meu pai e presidente da Federação a qual pertenço, o Ogã Orlando Santos, tenho desabafado este pensamento e vejo que ele como alguns outros mais antigos compactuam com essa tristeza.

Rogo a Olorúm que as coisas mudem e que nossa religião volte a ter a mesma característica que tinha: que a humildade, a fé e a dedicação, voltem a ser a verdadeira razão de uma pessoa se iniciar em nosso culto, e que os que nela já estão voltem a praticar a religião, abolindo essa mísera vaidade e soberba que nos consome a cada dia.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

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terça-feira, dezembro 25, 2007

ANO NOVO


Estamos nos aproximando de mais um ano. Uma nova etapa de nossas vidas se iniciará em 31 de Dezembro. Entraremos em 2008 e novamente renovaremos nossas esperanças e desejos de uma vida melhor, com mais justiça, menos miséria, mais paz para a humanidade e todos os antigos e velhos anseios da humanidade.

Para muitos esse ano será regido por Ogum, pois começará numa terça-feira, dia de seu culto dentro do candomblé. Dentro de sua forma de visão, cada um está certo em sua suas homenagens e ritos a fim de que possa ter um novo ano com saúde, paz, prosperidade etc. e tal.

O problema é que algumas pessoas alcançam seus ideais, mas a maioria segue sua vida da mesma forma: sofrendo e passando por problemas tantos que muitas vezes pensam até mesmo em desistir da caminhada, o que por si só, já é uma afronta a Deus, mas seguem independente de suas dores, seu caminho.

Chamo a atenção aqui para o fato de que: de nada nos adianta tantas oferendas, tantas obrigações se o principal nos esquecemos: seguir fielmente os caminhos de nosso Pai Celestial e obedecer as suas leis. Poderemos alcançar todos os nossos objetivos, neste ano e em todos os que virão posteriormente, para isso basta que nos aproximemos mais de Deus.

A humanidade afasta-se cada vez mais de nosso Supremo Criador, realizando obras totalmente avessas às suas determinações: odiamos, sentimos remorso, caluniamos, mentimos, desejamos o mal para nossos irmãos,e tantas outras coisas a mais que seria impossível relatar aqui nesta humilde página.

Creio eu como sacerdote, que a partir do momento que nos reconciliarmos com Deus, independente de nossa religião ou credo, estaremos muito perto de vermos todos os nossos objetivos alcançados. Nossos Orixás, é claro, se empenham em nos ajudar a conseguir tudo que desejamos e pedimos, tanto na passagem de ano, como durante o decorrer de nossas vidas, mas muito pouco podem fazer se nós não nos fizermos merecedores das graças que solicitamos.

Afirmo isso, pois que nossos pais e mães seguem a única lei que rege o universo inteiro: a lei de Deus. E essa lei, é incorruptível, não é uma lei falha como a dos homens, pois ela se baseia na justiça a fim de promover o bem a todos seus filhos espalhados por este mundo.

Assim, como alcançarmos as coisas boas que ansiamos se dentro de nós, apenas desejamos vingança, guardamos ódio, inveja e outros mais? Como esperar que nossos orixás, seres que governam a natureza nos dêem o que pedimos se agredimos a natureza de todas as formas, matando árvores, animais e plantas que nunca saíram de seu habitat para nos prejudicarem?

Somente no dia que realmente praticarmos as leis de Deus e seguirmos os ensinamentos de nossos antepassados estaremos prontos a receber tudo que desejamos. Temos que entender que nossos orixás, santos, inkisis, voduns, ou seja, lá a forma que os chamamos, também obedecem a essas leis e a elas estão sujeitos.

Deixemos de lado a soberba, ódio, vingança, luxúria, difamações e outros sentimentos e atos repulsivos, nos aproximemos mais de Deus e veremos o quanto nossos Orixás podem fazer por nós.

Não devemos nos esquecer jamais de que a lei de nosso amado pai é somente uma: quem deve paga, quem merece recebe.

Em minha vida sacerdotal, tenho encontrado pessoas que se alarmam com o fato de eu e outros zeladores pregarmos o nome Deus e mesmo empregarmos em nossas liturgias. Vejo pessoas que quando falamos em Jesus Cristo, se calam, pois acreditam somente em nossos orixás. Oras renegar a existência de Cristo é renegarmos a existência do próprio Deus! Não que vamos seguir os ensinamentos das igrejas cristãs, até mesmo porque nossa doutrina se afasta em muito das suas. Mas daí a acharmos que apenas nossos orixás regem nossa vida é uma larga e extensa avenida.

Como posso, por exemplo, ir aos pés de meu pai Odé, pedir perdão por meus erros, se sou incapaz de perdoar àqueles que me ofenderam ou magoaram? Como posso solicitar aos orixás que me ajudem na solução de qualquer problema, se meu coração é somente ódio, se meu pensamento é somente vingança?

Temos que aprender que nossos conhecimentos são para ajudar as pessoas e JAMAIS para prejudicá-las. Se assim agirmos garanto que muita coisa mudará em nossas vidas. Quem de nós nunca sentiu raiva de alguém que nos roubou, que fez com que perdêssemos um emprego? Mas, aprendi um ditado com meu saudoso pai biológico que diz assim: “quando o diabo nos fecha uma porta, é porque em algum lugar Deus nos abriu uma janela, e a janela aberta por Deus, vale mais que 100 portas do diabo”.

Com esse ditado, não quero fazer apologias aos ensinamentos das igrejas sobre esse ser, até mesmo porque como candomblezista acredito em Deus e em meus Orixás e não nesse tal de diabo. Mas uso-o como forma ilustrativa e para mostrar a grandeza dos ensinamentos nele contidos.

Deus meus irmãos, é amor, paz, humildade, solidariedade, alegria, compartilhamento. E assim também são nossos orixás. Quem de nós teria hoje coragem para acusar alguém? Seríamos capacitados para dizer que fulano ou fulana está errado em seus atos e assim o condenarmos? Claro que não! Somos seres ainda em aperfeiçoamento e estamos longe de merecermos e possuirmos tal direito.

Se alguém nos fez mal, lembremos de que Deus tudo vê e tudo sabe. Entreguemos em suas mãos a decisão sobre tal ato. Mas também agradeçamos a ele por aquela chance de nos tornarmos dignos de seu nome e de suas bênçãos, pois acredito que o mal que nos fazem, é na verdade forma de Deus nos fazer crescer e aprimorar nossa alma e nossos conhecimentos. Deixemos que ele julgue a todos nós seres humanos. Façamos nossa parte para o crescimento da humanidade em geral e colheremos frutos maravilhosos.

Um dia, em minha adolescência, reclamei com meu pai carnal, de dificuldades que eu passava, pois que me casei muito cedo, fui pai com 19 anos e estava muito dificultoso carregar aquela responsabilidade. Falei com ele que em alguns momentos achava a vida muito injusta, e ele me respondeu apenas: “ANTES DE RECLAMAR DE SUA COLHEITA, LEMBRE-SE DE SUA SEMEADURA”.

Meu pai era Kardecista e seguia as leis de Deus no maior rigor que podia: não odiava a quem quer que fosse não reclamava das dificuldades, não se lamuriava, nunca vi meu pai desejar mal a quem quer que fosse ele simplesmente se conformava com as coisas que Deus impunha em sua jornada, pois dizia que: VIVER É TÃO SOMENTE COLHER HOJE O QUE PLANTAMOS ONTEM”.

Nunca foi rico financeiramente, mas nunca o vi passar fome, ao contrário, seu dinheiro era suficiente para a família e para ajudar a quem dele precisasse. E seu desencarne foi algo muito bonito, pois desencarnou em casa, em meus braços e de minha mãe e foi uma morte digna, pois não sofreu como já vi outros sofrerem, simplesmente teve o que a medicina chama de morte súbita.

O que desejo com isso? Mostrar que devemos nos preparar para o dia de voltarmos para junto de nosso verdadeiro pai. Limparmos nossos corações e deixarmos que nossa alma caminhe nos preceitos de Deus e de nossos Orixás.

Neste fim de ano, brindemos, regozijemos junto dos que amamos, mas não nos esqueçamos de perdoar a quem nos machucou, e sobre tudo: APROXIMEMOS-NOS DE DEUS E ASSIM CONSEGUIREMOS ALCANÇAR TUDO QUE DESEJAMOS E MUITO MAIS.

FELIZ ANO NOVO!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e Babalorixá.

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