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segunda-feira, junho 14, 2010

MARIA PADILHA

Eis uma grande Pombo Gira sempre disposta a auxiliar quem dela necessite. Dentro da Umbanda é muito comum vermos essa entidade se manifestar e com seus risos, seu cigarro, e sua taça de champanhe, provocar sempre alegria em nossos corações.

Mulher de muita força e poder existem várias qualidades e em cada uma, vemos sempre a mesma disposição em trabalhar em prol dos que dela precisem.

Rainha suprema na falange das pombos giras, mantém quando incorporada aquele ar de soberana, sem perder, no entanto a humildade necessária em um espírito. Gosta muito de perfumes, rosas vermelhas, roupas estampadas, pulseiras, brincos, colares, mostrando assim toda a sua vaidade.

Ao ser requisitada para um trabalho, sempre se mostra merecedora de todas as ofertas que lhe são atribuídas, pois dificilmente encontra obstáculos que não supere.

Padilha, como é carinhosamente chamada, é companheira de Sr. Tranca Ruas, e com ele anda pelas encruzilhadas e trabalha em nossa causa. Muito dificilmente veremos essa mulher prometer algo que não possa cumprir. Sempre é precavida e se o trabalho no qual está empenhada, tem alguma dificuldade em ser resolvido, ela busca na grande estrada do conhecimento, a ajuda para que seu consulente possa ter o resultado que precisa.

Ela sempre carrega consigo, além de seu companheiro, Tranca Ruas, outros exús, e suas qualidades variam de acordo com o local em que vive como espírito. Geralmente vem acompanhando Yansã, pois dentro do Candomblé sempre ela é mensageira desse Orixá.

Assim como na Umbanda, Maria Padilha, é também rainha dentro do Candomblé e nenhuma casa, pode existir sem que a ela faça ofertas. Segundo os zeladores mais antigos, essa senhora é a grande guardiã dos segredos do mundo dos espíritos, e graças a ela, temos muitas causas resolvidas.

As mulheres que possuem essa pombo gira, são dominadoras, atraentes, sensuais, ótimas dançarinas, muito capacitadas na arte do amor, e sempre fazem de tudo para verem seu companheiro feliz. Mas, basta um simples motivo, daqueles mais simples, para elas transformarem esse amor em ódio e assim passam a desprezar com a mesma intensidade que possuem de amar.

Muitas pessoas relacionam Maria Padilha e as demais pombo giras, ao homossexualismo, o que é um grave erro, pois nossa opção sexual é somente nossa e as entidades nada têm a ver com a mesma.

Pelo fato de um homem ter uma pombo gira, não significa que seja homo sexual, ao contrário, existem homens que as possuem como guias, mesmo sem incorporarem e são totalmente éteros.

Nenhuma entidade faz com que uma pessoa escolha outra opção sexual, essa já vem de nascimento e por mais que Padilha seja invocada pelos homo sexuais, isso se deve ao fato de ela ser protetora por excelência e assim sendo, sempre tomará as dores de quem estiver passando por uma dificuldade, ou perseguição.

Da mesma forma, as mulheres que traem seus companheiros. Muitas vezes é associada à determinada entidade aquela traição, outro engano. Se tomamos uma decisão, praticamos o nosso livre arbítrio e nossas entidades jamais podem ser acusadas de compactuarem ou de nos incentivarem.

Criaram-se muitos mitos com relação a Padilha, dado a sua desenvoltura, seu modo sensual de se dirigir aos homens, afinal ela é rainha de cabaré e assim sendo, possui a sensualidade natural nesse tipo de mulher.

Sabe como conquistar um homem e como prende-lo a ela, mas de forma alguma, interferirá na escolha de vida de seus médiuns.

Padilha é muito procurada para problemas de amor, e sempre se dedica a reunir um casal separado por quaisquer que sejam os motivos. Grande protetora, rainha das encruzilhadas, nada podemos fazer sem sua permissão. Sempre é bom ao irmos a uma encruzilhada levar alguma oferenda, darmos a ela algum presente para que nos ajude naquele trabalho, e para que não interfira cancelando assim a obrigação ali entregue.

Quem souber como presentear essa entidade maravilhosa, dificilmente terá algum problema mais sério em sua vida, pois ela é mensageira de Orixá, rainha nas encruzas, nos cabarés, nas estradas, nos cemitérios, e onde mais esteja presente. Nada adianta se fazer contra quem a alimente e a cultue, pois ela sempre estará pronta para defender aquela pessoa.

Aqui estão algumas qualidades de Maria Padilha:

Maria Padilha das sete encruzilhadas,

Maria Padilha das almas

Maria Padilha do cruzeiro,

Maria Padilha das sete sepulturas,

Maria Padilha das estradas, entre outras.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.









quinta-feira, junho 10, 2010

DOBURÚ

Esse é o nome da principal oferenda do Orixá Obaluayê. Trata-se de pipoca estourada e enfeitada com fatias de coco e entregamos a ele, como forma de pedir sua interferência nos assuntos para o qual necessitamos.

Porém, essa comida não é feita como a pipoca tradicional. Para que possamos fazer sua comida preferida, temos que colocar em uma panela, um pouco de areia de rio e depois o milho, e assim vamos mexendo e invocando o Orixá naquilo que desejamos. Também, não podemos fazer a mesma sem um copo com água e uma vela acesa em um canto da cozinha. Depois que terminarmos a comida colocamos a vela do lado de fora, no tempo.

Essa comida apesar de muito simples é de grande fundamento dentro de qualquer nação de Candomblé, pois como reza a lenda, era com ela que Yemanjá o alimentava quando seu leite materno secou. As fatias de coco são colocadas para que enfeitemos e ofertemos a ele, as coisas mais belas e saborosas. E também por se tratar de uma fruta de sua apreciação.

Também é a única comida de santo, conhecida tanto no Candomblé como na Umbanda, sendo que no primeiro, recebe o nome de Doburú, flor do velho, como se chama carinhosamente na nação Angola. Já na Umbanda ela é chamada de flor de obaluayê.

Muito utilizada dentro do Candomblé, serve tanto para pedir a misericórdia desse grande Orixá, para um problema de saúde, como também, para nos auxiliar a encontrar um emprego, a termos uma casa, para que seja retirado todo o negativo de uma pessoa entre várias outras utilidades, sendo que para cada uma ela é feita de forma diferente.

O doburú é usado até mesmo para afastar egum dos caminhos de uma pessoa, e também é utilizada em cerimônias fúnebres do Candomblé.

Na Umbanda, ao citarmos o nome dessa comida ou desse Orixá, deve-se louvar o chão em reverencia ao Grande Senhor da Terra, aquele que guarda as almas dos que desencarnam. O mesmo deve acontecer no Candomblé, pois é Obaluayê quem, juntamente com sua mãe, Nanã, auxilia nosso espírito no momento do desenlace.

O doburú pode ser entregue todas as segundas feiras, apenas como um presente a esse Valoroso Ser, para que nos ajude a termos uma semana de paz, de tranqulidade, com caminhos abertos, com saúde e tudo mais que precisarmos dele.

Algumas casas têm por hábito, tocar o doburú todas as segundas feiras, ocasião em que se distribui a comida para todos os que estão presentes, como forma de solicitar a intervenção do santo nos caminhos das pessoas.

Na nação Angola, existe uma obrigação que é feita durante sete segundas feiras seguidas, e tem o nome de Tabuleiro de Obaluayê. Essa obrigação é realizada quando uma pessoa esteja com uma doença muito grave, e mesmo quando alguém se encontra desenganado pelos médicos.

Vale lembrar, que mesmo sendo os Orixás de grande poder, jamais poderão interferir em uma determinação de Deus, ou seja: se a pessoa tiver que desencarnar, ela assim o irá fazer e a obrigação vai servir para que seja feito de modo tranquilo sem sofrimento para a pessoa ou para a família.

Essa comida serve também para ajudar os médicos a diagnosticarem uma doença, quando, por mais que se façam exames, não consegue a medicina entender o que se passa com a pessoa.

Muitos casos de cura, já foram presenciados em casas de santo, com essa obrigação, eu mesmo já presenciei uma pessoa que sofreu um acidente de carro, e perdeu 50 cm do intestino grosso e o fino foi rasgado, derramando fezes em seu interior, e para surpresa até dos médicos, essa pessoa em três dias, estava bem, e findos oito dias estava em casa.

A obrigação, no entanto, foi feita sem faltar uma segunda feira sequer. Foram cumpridas todas as determinações do Orixá.

É comum também, na hora de distribuir o doburú, o sacerdote pedir a quem puder que coloque uma nota de valor ou moedas em um recipiente, pois esse dinheiro é para a manutenção daquele Orixá somente.

Contam as lendas, que Obaluayê, tira esmola, mas, jamais permite que quem tenha fé nele, venha passar fome ou sofrer danos maiores.

Se desejar, obter um favor dessa divindade, faça o doburú e de a ele, com uma vela acesa e uma quartinha com água, que com certeza, ele irá atender seus pedidos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





terça-feira, junho 08, 2010

A PALAVRA CANDOMBLÉ

Muitos pensam que a palavra Candomblé é de origem Yorubá, dialeto falado nas casas de Kêto, mas na verdade, essa palavra é de origem Bantu, língua usada nas casas Angola. Quando os negros aqui chegaram, trouxeram seu culto, suas divindades, suas origens natais e, passaram a cultuar tudo em solo brasileiro.

Esses povos quando aqui chegaram, foram submetidos como sabemos, a todo tipo de degradação e humilhação que as mentes doentias da época julgavam certas. Assim, com sua condição humilhante, eles passaram a se conhecer melhor, trocaram idéias e conhecimentos, assimilaram um, os conhecimentos do outro, e isto sem contar com as crenças indígenas, que eles de forma alguma desacreditaram.

Essas formas poderiam até serem diferentes, das suas, poderiam eles acharem-na não condizente com seu culto, mas, como negar essas divindades que aqui já viviam antes de sua chegada? Então eles os africanos, no meio desta troca de seus conhecimentos tribais, nacionais, foram introduzindo "pequenas" oferendas às divindades indígenas e assim foi se formando ao longo dos anos o CANDOMBLÉ que conhecemos hoje.

Segundo acreditam muitos, foi assim que surgiu o culto aos caboclos dentro de candomblé, sendo conhecidos como: mensageiros dos orixás. Hoje em dia é comum vermos esses caboclos manifestados em festas próprias, entoando suas cantigas e ajudando a quem, precise.

A palavra CANDOMBLÉ, assim se traduz no Brasil: Instrumento de percussão e/ou lugar de danças de negros e, por extensão, lugar de terra batida por pés ou ainda terreiro, onde praticavam seus cultos religiosos.

Logo podemos associá-la também como festa, dado a tradução “Lugar de dança dos negros”, pois assim como na África, o toque dos atabaques, revelam o momento de homenagearmos nossos ancestrais, momento em que dançamos em sua honra, a exemplo, do que faziam muitos povos antigos que honravam seus antepassados, com bebida, comida e dança.

Como os terreiros, ou seja, o quintal, o espaço aberto, o pátio, deixaram de existir, foram se construindo os barracões e a palavra Candomblé ficou como nomenclatura dessa religião traga pelos africanos e tão amada por tantos brasileiros.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.






quinta-feira, junho 03, 2010

YÁ LAXÉ

Como todos sabemos, uma casa de Candomblé se faz com vários postos, que são o sustentáculo da mesma. Além do zelador de santo, existem outras pessoas que contribuem com a administração dos templos, fazendo com que o sumo sacerdote, apenas se ocupe dos assuntos nos quais sua interferência seja imprescindível.

Hoje vamos falar um pouco do Posto de Yá Laxé.

O nome Yá Laxé, se traduz como: Mãe do Axé ou Mãe da Casa de Axé. Esse posto como os demais, é escolhido para uma determinada pessoa, de conformidade com o Orixá Regente da casa. Ele através de búzios ou mesmo durante uma festa ou algum evento íntimo escolhe a pessoa que deverá ocupar o cargo, no caso, de Yá Laxé.

Após algum tempo frequentando a casa,a mulher é escolhida para o cargo. Após ser suspensa ou apontada para o mesmo, ela deverá passar por um bori, e posteriormente para a feitura, para que tenha condições de exercer sua função. Algumas optam diretamente pela feitura, dependendo das condições financeiras do momento, pois com o cargo para o qual foi escolhida, caberá ao zelador, arcar com todas as despesas.

Como os demais cargos de uma casa de santo, essa mulher é muito respeitada tanto pelos Yawôs como também pelos outros que possuem cargo ou ainda por aqueles que são ebomis, ou seja: têm a obrigação de sete anos. Mas, seu respeito não se restringe àquela casa, ela deverá ser respeitada onde for, pois possui um cargo sacerdotal dado por um Orixá.

A função da Yá Laxé é de muita importância, pois é ela quem supervisiona as oferendas para os Orixás, como também, é incumbida de zelar pelos assentamentos pertencentes à casa de santo. Não os assentamentos dos filhos, mas o que fazem parte do carrego do zelador ou mesmo os Orixás que são da casa, ou seja: pertencem à casa de santo.

Como uma Ekédi, a Yá Laxé não roda de santo. Ou seja: ela não se incorpora com Orixá nem mesmo com guias de Umbanda, porque durante um ritual, é ela quem auxilia o sacerdote, quem coordena a preparação das comidas que serão ofertadas e ainda, coordena toda a preparação da “roça” para a festa que será realizada.

Dentro de uma casa de Candomblé, a Yá Laxé, somente deve obediência ao santo do zelador, e anda de acordo com o sacerdote, garantindo assim, que tudo esteja em perfeita harmonia na casa do santo.

Nada em uma casa de Candomblé se faz sem que a Yá Laxé participe ou mesmo, na ausência do zelador, sem que ela autorize. Até porque, o Orixá do zelador, quando incorporado, apontou aquela pessoa para o cargo, e a incumbiu de zelar pelo seu assentamento de forma direta. Nesse caso ela passou a ser mãe daquele Orixá, e assim sendo, até mesmo o zelador deve obediência a ela.

No caso de iniciação para esse cargo, a exemplo do que acontece com o Ogã e Ekédi do Orixá regente de um templo, não é o zelador da casa quem inicia a pessoa, mas o seu zelador, ou zeladora, pois como uma Ekédi, ela passará a ser mãe daquela divindade. Será uma espécie de sacerdotisa a qual deverá ser respeitada por todos daquele templo. Se por ventura ela não for respeitada pelo zelador, este corre o risco de ser punido por seu Orixá, pois como seu filho, está desrespeitando uma ordem direta sua, afinal, se ela foi escolhida para aquele posto, é tão somente porque seu santo a escolheu de acordo com as determinações de Orumilá, ou seja: Deus.

Devemos respeitar todos os cargos hierárquicos dentro de um templo, pois são eles que não somente garantirão o funcionamento do mesmo, mas, farão com que o templo esteja aberto e funcionando mesmo após a morte de seu sumo sacerdote.

Compete a Yá Laxé juntamente com um determinado ogã ou ainda com uma ekédi, promover o ossé dos santos, tanto os que são da cabeça do sacerdote, como aqueles que são os santos da casa, ou seja, os santos que garantem a existência e funcionalidade do templo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi; Odé Mutaloiá.







terça-feira, junho 01, 2010

O QUE É MACUMBA?

É comum vermos pessoas leigas, e que são manipuladas por sacerdotes das religiões cristãs, se referirem ao Candomblé e à Umbanda como Macumba. Os sacerdotes usam esse termo para humilhar e desacreditar as religiões afrodescendentes.

Macumba não se trata de religião, mas sim de um instrumento musical que era usado desde tempos remotos.

Encontramos a tradução para essas palavras em alguns dicionários e neles a palavra se traduz como um Instrumento Musical, um tipo de reco-reco, que era utilizado na África desde os tempos mais remotos. Esse instrumento produz um som rascante, ou seja: um som áspero, semelhante ao que produz o diamante ao cortar o vidro, ou ainda parecido com um tecido que se rasga. A pessoa que toca esse instrumento é chamada de Macumbeiro.

O termo pejorativo macumba, surgiu segundo historiadores, com João Paulo Emílio Cristovão dos Santos Barreto, mais conhecido como João do Rio, que viveu no Rio de Janeiro no período de 1881 a 1921, escreveu sobre os negros e seus cultos no Rio de Janeiro. Segundo esse escritor, “as seitas de origem africanas no Rio eram chamadas de Candomblés assim como na Bahia”. Porém o preconceito sempre falou mais alto, e a burguesia da época, denominou esses cultos de “macumbas”, devido aos toques dos tambores e demais instrumentos musicais utilizados.

Podemos ver assim que: nunca a palavra macumba se traduziu como religião verdadeiramente e que somente pessoas sem cultura alguma, que são mais facilmente manipuladas traduzem esse termo de forma tão grotesca e mesquinha.

Algumas pesquisas na história do Brasil nos mostram que apesar de muitos donos e senhores de escravos procurarem seus cativos a fim de receber “favores” de suas divindades, desprezavam depois os mesmos, dizendo que eram eles adoradores de satanás.

O que ainda encontramos nos dias de hoje, quando pessoas de classe elevada buscam nos Terreiros de Candomblé, solução para seus mais variados problemas e que depois de atendidos, proclamam-se aos quatro cantos, contrários a essa religião.

Isso acontece por que, como no tempo do cativeiro, a igreja ainda é predominante em nosso meio e para que possam manter seus fiéis submissos, ameaçam com o fogo eterno todos que não compactuam com seus princípios e isso traz medo aos seguidores.

Ter uma religião africana como fonte de referência, não faz em hipótese alguma daquela pessoa um ser que compactue com forças do mal, ao contrário, muitos dos seguidores dessas religiões têm muito mais medo da ira Divina do que se possa imaginar, uma vez que temem até mesmo a palavras que saem de suas bocas, pois as mesmas são verdadeiras orações e uma vez soltas, não voltam atrás.

Sérgio Sillveira, Tatetú N'Inkisi: Odé Mutaloiá






quarta-feira, maio 26, 2010

A FÉ SE PROVA NAS MAIORES DIFICULDADES

A fé é algo que muitos propagam, mas poucos a possuem de fato. Entre minhas jornadas como zelador de Orixá, encontrei pessoas que proclamavam fé aos quatro cantos, juravam uma fidelidade máxima e perpétua ao Santo, diziam que sempre estariam com seu coração voltado para o Axé Orixá e que nada os faria mudar sua opinião.

Mas, confesso que bem poucos encontrei que realmente tinham a tal fé professada. O problema é que a maioria das pessoas têm a fé enquanto estão com dinheiro no bolso, quando se encontram sem maiores dificuldades. Mas, basta à vida impor um daqueles momentos difíceis aos quais todos nós estamos sujeitos, e vemos a fé desmoronar, como uma barreira sob forte chuva.

São pessoas que na verdade nunca tiveram fé real, que apenas professavam as palavras sem o mínimo de noção do que é ter fé. Muitas vezes a vida nos impõe coisas que nem mesmo os Orixás podem retirar. Aparecem-nos obstáculos que por mais que um zelador intervenha, a dificuldade parece só aumentar.

Nesse momento é que temos que provar nossa fé realmente. Deus em sua infinita sabedoria nos põe a prova milhares de vezes em nossa vida. Nos testa, deixa-nos sofrer, e nesse momento achamos injusto tanta dor, tanta dificuldade, pois, demos tudo que o Orixá pediu, e ainda assim sofremos as intempéries da vida!

Achamos injusto porque na verdade, nunca estivemos prontos para as dificuldades, porque achamos que com nossas obrigações dadas, simplesmente nossa vida seria mais fácil. Aí, justamente nesse momento é que colocamos tudo a perder. Não encaramos que somos antes de tudo, seres humanos e como tal, sujeitos a todos os tipos de mazelas.

Temos que aprender a encarar nossa religião, como religião somente e não como uma varinha mágica que a tudo transformará. Se temos uma fé convicta, nada nesse mundo nos abalará e por mais que estejamos sofrendo, aí sim, é que nos voltaremos cada vez mais para o Santo.

Nos momentos difíceis é que temos que nos encontrar com toda a fé que professamos, que temos que demonstrar o amor por Deus, por nosso Santo, por nossos Guias, e até mesmo pelas pessoas, afinal amar sem dificuldades, qualquer um é capaz.

Nunca soube que em toda a história do candomblé ou da Umbanda, ou de qualquer outro seguimento das religiões africanas, nos foi prometido, dias sem chuva, noites sem tristezas, vida sem morte. Ao contrário: nos é ensinado que quanto mais fizermos para o Santo mais estamos sujeitos a sofrer, pois as pessoas boas, que amam a Deus e seus Ministros, que obedecem as leis Divinas, são constantemente atacadas pelas forças do mal.

Se deitamos com amor em nosso coração e, nos levantamos coma certeza de que em mais um dia, Deus e nossos Orixás estarão conosco, mais rápido superaremos as nossas dificuldades.

Digo tudo isso, como ser humano que lutou, sofreu e nos momentos difíceis fraquejou, se revoltou com as dificuldades. Mas, após a tempestade, vi que somente a fé e o amor incondicionais, me fariam superar os obstáculos.

Aprendi um ditado chinês que assim diz:

“certo dia, o servo chegou para seu amo e disse: “senhor, seus bois e vacas morreram, sobrou somente um boi e uma vaca e a plantação' Então seu senhor respondeu: “que bom que sobrou um boi e uma vaca, pois assim podemos recomeçar, afinal ainda temos também as plantações”. No segundo dia o mesmo servo disse: “senhor morreram o único boi e a única vaca que sobraram”. O senhor respondeu: “que bom, pois ainda temos a plantação”. Porém, no terceiro dia o servo retornou e disse: “senhor, o senhor está acabado, pois além de terem morrido todos seus animais, sua plantação acabou, pois caiu um raio e a tudo incendiou.” Então, o senhor olhou para seu servo e respondeu sem perder a calma: “QUE BOM QUE TUDO ACABOU, POIS CHEGOU O MOMENTO DE RECOMEÇARMOS”!

Essas palavras muito me foram úteis em um dia de minha vida, e espero que possa ser útil para mais alguém, pois, a cada dor que passamos, nosso Orixá passa conosco, a cada lágrima que derramamos, nosso Orixá está conosco, e nunca nos desampara, nós, é que nos afastamos deles, nos revoltamos e assim damos força ao inimigo para nos ver cair.

Mantenha sua fé independente do que estiver passando. Ame a Deus e seu Orixá de forma incondicional, sem nada pedir em troca, e verá que as coisas se transformam, mesmo que dure um tempo.

Lembre-se de que; nos momentos difíceis é que mostramos nossa fé!

Um axé para todos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.








segunda-feira, maio 24, 2010

POR QUE TEMOS QUE SER RASPADOS EM NOSSA INICIAÇÃO

A vida de uma pessoa dentro do Candomblé é marcada por uma série de rituais sem os quais ela não pode se considerar como membro dessa religião que tantos adeptos possui, e que, a cada dia, mais e mais praticantes e simpatizantes veem se juntar às suas fileiras.

O mais importante desses processos é sua feitura, quando ela passa a ser um membro de uma casa,como yawò, ou seja, como um noviço, que vai aprender aos poucos, todos os mistérios que compõem esse grande e belo universo.

A feitura é um processo que leva até um mês, ocasião em que o iniciando, fica recluso, sem contato algum com o mundo externo. Nesse período, ele aprende as cantigas, rezas, danças e alguns dos elementos básicos para sua vida como filho de santo.

Passa por um bori, e depois de mais alguns dias ele é feito, ou seja, tem sua cabeça raspada para que possa ser reconhecido por seu Orixá e pelos demais como um membro ativo da religião.

Algumas pessoas se prendem a mitos, que dizem os mais variados absurdos sobre essa fase, chegam a dizer que nessa época a pessoa que se iniciou, faz um pacto com as forças trevosas. Mas, isso não passa de lenda.

Em nossa feitura, temos contato direto com nosso Santo e sendo ele uma força da natureza, pura e muito elevada, dispensa algumas necessidades dos seres humanos, como sexo, bebida, fumo e outras. Exatamente por esse motivo, ficamos isolados do mundo: para nos purificarmos das energias negativas que trazemos de nossa vida cotidiana.

Durante o processo de reclusão, passamos por várias etapas, e em cada uma delas, temos uma visão de como Deus é grandioso, e de como criou a tudo para que os seres humanos tenham condição de cumprir sua jornada.

Se temos nossa cabeça raspada, nada tem a ver com simbologia infernal, até mesmo, pelo fato de os africanos nunca terem conhecido essa coisa em sua terra natal. Somos raspados, pois essa fase representa o nosso nascimento para o mundo do Orixá, ou seja: morremos para o mundo exterior, e nascemos para esse novo mundo que nos apresenta, onde buscaremos a cada dia o aperfeiçoamento nosso e de nosso Orixá.

Depois que somos raspados, e que o Orixá é imantado em nosso corpo, o mesmo nos aceitou como parte dessa filosofia que remonta à época muito mais antiga que o Cristianismo.

Se recebemos outro nome, ou seja: Digina, é para que saibamos que desde o momento de nossa iniciação, temos um compromisso com a doutrina de nossos antepassados, com sua maneira de ver e de viver. Nossa Digina é o nome que nosso Orixá nos deu, da mesma forma que um pai e uma mãe dão nome a seus filhos quando de seu nascimento.

Recebemos então, juntamente com nosso nome, o compromisso de zelarmos pela natureza, pelo ser humano, pelos animais e por tudo que Olorúm, Deus, criou e nos concedeu o direito de utilizarmos durante nossa existência.

Tão somente por isso, existe o grande mistério de uma iniciação e que somente os que passaram por ela, sabem o seu significado real, e tudo que ali é feito. Pois dentro do Candomblé, tudo é mistério e somente os iniciados teem autorização para desvendarem, e isso dependendo de seu tempo e grau de iniciação.

Sergio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





segunda-feira, maio 17, 2010

CANDOMBLÉ: UMA RELIGIÃO MONOTEÍSTA OU POLITEÍSTA?

Devido ao fato de zelarmos, e invocarmos a presença de nossos Orixás para nos ajudem em nossas vidas, é comum nos chamarem de “adoradores de deuses” de politeístas. Os sacerdotes das religiões cristãs, dizem que não teremos salvação, etc. e tal, por sermos politeístas e não acreditarmos em Cristo e Deus.

O fato de cuidarmos de nossos Orixás, em nada nos apresenta como politeístas, pois dentro do Candomblé, acreditamos em um Deus único, que criou o céu, a Terra e tudo que existe em nosso mundo e fora dele.

Somos de uma religião Monoteísta sim, pois cremos em um só Deus, e seus Ministros que são nossos Orixás. Esses seres são na verdade, antepassados de todos nós, e após seu desencarne, conforme a crença africana, sua energia se misturou com a dos Orixás e hoje nos auxiliam na vida.

Por que então, se cremos nos Orixás não somos Politeísta?

Muito fácil: os africanos mais antigos, aqueles que viveram há séculos e séculos atrás, eram caçadores e agricultores, era uma civilização arraigada a seus cultos, pois esses por sua vez, descendiam de seus ancestrais.

Assim sendo, como um povo caçador e agricultor, e como faziam várias outras civilizações, viam na Terra, nos rios, na caça, nas plantas, em fim; em tudo que existia, a forma e a presença de Deus, Olorúm, e assim sendo, cultuavam essas formas como se fossem a expressão da face de Olorúm. Quando matavam, agradeciam a Deus pela caça e rezavam para aquele ser que mataram para lhe agradecer por sua carne servir de alimento para seu povo.

Como um povo antigo, acreditavam que tudo que na Terra existia, era um presente de Deus para que pudessem sobreviver, enquanto aguardavam seu retorno para o mundo dos espíritos. Vale à pena lembrar, que esses povos temiam a ira dos espíritos, da mesma forma com que temiam a ira do Criador.

Assim, com o passar dos anos, as civilizações antigas foram dando lugar a outras mais modernas, mas, mesmo assim, a cultura de seus ancestrais estava arraigada no mais íntimo de seus seres, e foi passada de geração para geração.

Com a chegada do mundo moderno, a ciência se desenvolveu, o homem sempre necessitado de uma explicação para tudo e principalmente para a sua própria existência, começou a criar maneiras de explorar seu inconsciente para que pudesse ter uma lógica até mesmo para a existência de sua alma, coisa que a ciência antiga não acreditava em hipótese alguma.

Segundo pesquisadores, a ciência conseguiu provar que um corpo pesava menos depois da morte e assim, pode aceitar a existência do espírito.

Com nossa religião, não foi diferente, foi preciso que estudiosos, como Pierre Verger, adentrassem para o mundo do culto aos Orixás, para que as pessoas passassem então a nos olhar de outra forma.

Puderam então, ver que concebemos sim, a existência de Deus e de seu filho Jesus Cristo, mesmo sendo nossa religião muito mais antiga que o Cristianismo. Acontece que vários negros ao irem para os Estados Unidos, Brasil e outras localidades do mundo, conheceram a história de Cristo.

Isso se deu, pois mesmo sendo pessoas que não sabiam escrever, eram dotados de grande inteligência, e, vendo as gravuras dos livros que contavam a vida e morte de Jesus, compreenderam que ele fora um homem o qual lutou pela liberdade acima de tudo e somente não compreenderam como os mesmos homens que deviam a ele, o sacrifício ao qual se submeteu, o mataram em uma Cruz.

Não compreendiam como que uma pessoa que somente desejava a paz, fosse morto pela sua própria gente! Mais tarde, quando começaram a ser catequizados, foram vendo que suas interpretações eram mais que corretas e desde então passaram a conhecer a Cristo e sua vida.

Viram também, que os homens que os escravizaram, adoravam um ser que chamavam de Deus e que esse tinha como Reino, o céu. Então, viram que esse mesmo Deus era conhecido em sua terra por outros nomes dependendo da localização de cada tribo, e viram que: Olorúm, Zambiapongo, Ododúa, e outras formas de o chamarem, eram na verdade um só, e, o mesmo para o qual, os brancos celebravam cultos aos domingos, nascia assim à correspondência de Deus com Olorúm, Zambiapongo e outros.

Contavam suas lendas, que existia: Olorúm, seu rebento Oxalá e, Oxalufã e Oxaguiã e viram que dentro da religião dos brancos, existiam: Deus, e as três pessoas da Santíssima Trindade na qual constava como governante do mundo, Cristo. E assim, sincretizaram Cristo com Oxalá, e por aí foi que surgiu o sincretismo.

Dentro das ramificações das religiões africanas, Deus era único e para ele, não faziam cultos, não dedicavam filhos aqui na Terra, pois como poderia uma pessoa se incorporar com aquele que tudo criou? Também, não chamavam seu nome em vão, e, somente em casos muito extremos ousavam pronunciar o Santo nome de Olorúm.

Por que não dedicavam cultos expressos a Olorúm? Porque ele já é onipresente e assim sendo, vive e caminha com os homens diariamente através de seus Ministros, que são os Orixás! Também não dedicavam filhos para serem iniciados a ele, pois em sua visão, todos somos filhos de Deus, e somente temos nossos Orixás, para que esses intercedam junto a Deus por nós!

Quando nascia uma criança, o babalaô, que era a pessoa incumbida de consultar os antepassados através do jogo de Ifá, fazia a consulta para ver se aquela criança era escolhida para o sacerdócio e se assim fosse, dava-se início a seu aprendizado.

Na África antiga, se o Rei de uma aldeia, fosse, por exemplo, filho de Ogum, todos os que nasciam ali eram consagrado para esse Orixá. Aqui no Brasil, foi que se deu início ao culto de que, cada um tem seu Orixá próprio, pois o mesmo é destinado por Orumilá, outro nome com o qual Deus é conhecido na África.

Temos apenas que ficar atentos, pois mesmo tendo nosso Orixá, temos o Orixá de nossa família e a esse também devemos entregar presentes e as mais diversas oferendas conforme a deliberação do Oráculo Sagrado de Ifá.

Assim sendo, podemos obsevar que o Candomblé é sim uma religião Monoteísta, pois acreditamos em um único ser, que a tudo criou e que preside o destino dos homens aqui na Terra.

Cremos sim, em Cristo seu único filho, pois os primeiros que aqui chegaram aprenderam a fonte de bondade suprema que é esse Filho de Deus.

Apenas temos outra forma de vermos Deus e nossas vidas! Não acreditamos na morte como o fim, mas sim como o recomeço de uma nova etapa na vida do espírito, pois, cremos também que o Universo não desperdiça nada e, que após desencarnarmos, nosso espírito se funde com o de nossos antepassados, para que possamos assim, auxiliar os que aqui vivem, e tudo isso faz parte de um processo de aperfeiçoamento para que um dia, possamos todos, inclusive nossos Orixás, vivermos na presença de Deus.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





domingo, maio 16, 2010

A ORIGEM DE DAOMÉ, TERRA DOS JÊS E DA CULTURA JÊJE.

Como nação, todos conhecemos o Jêje e sua importância na disseminação do Candomblé, mas, como surgiu esse país?

O Dahomey, ou Daomé em português, foi um próspero reino africano, fundado no século XVII, segundo historiadores, e durou até o século XIX, ocasião em que foi conquistado pela França com o apoio das tropas do Senegal.

A origem da nação Dahomey, deu-se com o povo adjá que pertenciam ao reino costeiro de Aladá. Esse povo teria se deslocado para o norte, e se estabelecido entre outro povo de linguagem fon. Como os Adjás era um povo guerreiro, em meados de 1650 dominaram os fons e seu Rei, Hwegbajá se declarou rei de todo aquele território.

Estabeleceu a capital em Agbome ou Abomei, e tanto ele quanto seus sucessores, estabeleceram um estado totalmente centralizado, tendo como base a prática do culto à realeza, instituindo os rituais de sacrifícios e até mesmo o sacrifício humano em honra a seus antepassados.

Como reinado, toda a terra pertencia ao rei, e esse recebia imposto de tudo que ali se produzia. Porém, como eram guerreiros por excelência, Hwegbajá, e todos os reis que vieram depois dele, tinham outra fonte de renda que proporcionava lucros imensos: a venda de escravos.

Para tanto, mantinham esses reis, contato direto com traficantes de escravos, e a eles entregavam os povos vencidos em batalha, para que fossem vendidos para toda a Europa. Sua invencibilidade nas guerras era graças às armas de fogo, que conseguiam trocando escravos pelas mesmas com os europeus.

Mas, mesmo com todas as conquistas alcançadas, faltava ainda um reino a ser aprisionado, e esse era o reino de Aladá, localidade de onde se originava a família real. A conquista desse reino veio com a regência de Agadjá, Rei e guerreiro, que governou entre 1716 e 1740.

Após ser vencida em batalha, Aladá, ofereceu grandes lucros, pois todos seus habitantes foram transformados em escravos e vendidos diretamente aos comerciantes europeus que viviam da venda de pessoas escravizadas.

Alguns estudiosos acreditam que o fato de os Jêjes terem sido os maiores vendedores de escravos, foi o que favoreceu para que as tropas do Senegal ajudassem a França na conquista do mesmo. Ainda existem outros que afirmam terem sido os Jês que criaram o comércio tradicional que conhecemos até hoje, bem como o comércio de escravos, eram guerreiros e segundo estudiosos teriam sido canibais.

Mesmo com toda a sua força e poder aquisitivo, existia um reino vizinho a Agadjá, o qual seus reis nunca conseguiram vencer, e esse era o reino de Oyó, principal reino de sua época, e que se transformou em Império.

Com a dificuldade de se conquistar Oyó, e pelo fator de ser esse Império, o maior concorrente de vendas de escravos, o Rei de Dahomey tornou-se um súdito feudal de Oyó, pagando tributos a seu governante.

Mesmo como Estado submisso de Oyó, Dahomey continuou a crescer e a prosperar, graças ao comércio escravagista. Era também um reino que vivia da agricultura, tanto que mais tarde seu crescimento continuou aumentando com a produção e venda do azeite de dendê, uma vez que nesse reino existia uma imensa plantação de dendezeiro.

Toda a plenitude econômica de Dahomey, no entanto, se deu no século XIX, pois começou a exportar escravos para uma nova terra: o Brasil. Graças a essa prática, ficou o país conhecido pelo apelido de “costa dos escravos”. Ainda nessa época, um brasileiro de nome Francisco Félix de Souza, protegido do rei Guezô, tornou-se num dos mais famosos comerciantes de escravos.

Depois de uma guerra que durou de 1892 a 1894, Dahomey, foi conquistado pela França, mas, essa vitória somente foi alcançada, graças às tropas de africanos que revoltados com o fato desse povo ser o maior vendedor de sua própria gente para os demais países, ingressaram nas fileiras francesas, entre esses, um povo se destacou na batalha, os Yorúbas.

Com a transformação de muitos países, Dahomey também se adequou as novas à modernidade e assim, em meados de 1960, Daomé alcançou sua total independência se transformando na atual República de Benin. Em 1985 a UNESCO tombou os palácios reais de Abomei como Patrimônio Histórico Mundial.

Esses foram os Reis de Daomé:

• Ganiehéssu - Não se tendo uma posição exata do inicio de seureinado, que terminou em1620

• Dǎko-Donu, reinou no periodo de 1620 até 1645

• Hwegbadjá, esse Rei governou de 1645 à 1685

• Akabá,seu governo se deu entre 1685 e 1708

• Agadjá, reinou no período de 1708 à 1732

• Tegbesu, reinado entre 1732 e 1774

• Kpenglá, reinou nos anos 1774 até 1789

• Agonglô, foi Rei de Daomé de 1789 à 1797

• Adandozan, reiando entre 1797 à 1818

• Guezô, Rei deste país no período de 1818 até 1858

• Glelé, Rei entre 1856 à 1889

• Gbehanzin, a história se refere a ele como sendo o ultimo Rei de Daomé, e governou entre 1889 e 1894

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

Fonte de pesquisa: Bibliotecas virtuais da África e Wikipédia.

quarta-feira, maio 05, 2010

A GRANDIOSA NAÇÃO JÊJE

Como sabemos, o Candomblé se deu início, com a vinda para o Brasil, de vários africanos escravizados em sua terra natal. Junto traziam seus deuses, seu jeito de ver e viver a religião de seus antepassados. Assim o Candomblé, possui suas nações, que são as representações das terras de onde se originaram cada etnia negra que aqui viveu.

Hoje vamos falar um pouco da nação Jêje.

Essa ramificação do Candomblé cultua os Voduns, seres ancestrais do antigo Dahomey, que compõem a rica e elevadíssima cultura Fon. Os negros dessa região, ao chegarem ao Brasil, eram chamados de djedje, ou jêje, como ficou conhecido no português. Essa palavra se origina do Yorubá que significa estranho, estrangeiro. Os povos do antigo Dahomi, assim chamavam seus vizinhos.

Assim como os nagôs, os Jêjes, que possuem as línguas, ewe, fon, mina e ainda os fanti ashantis, formam na verdade, grupos de sudaneses que pertencem à África Ocidental, hoje conhecida como Benin e Togo. Esses negros chegaram ao Brasil, escravizados em meados do século XVII.

Aqui, a palavra djedje, ou seja: Jêje, passou a ser traduzida como inimigo, isso devido a existirem aqui, povos que foram conquistados pelo Rei de Dahomey. Esse Rei conquistava os demais povos e os vendia como escravos para os europeus.

Quando alguns nativos de uma determinada aldeia enxergavam seus conquistadores, gritavam imediatamente: “Pou okan, djedje hum wa”! Ou seja: “olhem, os jêjes estão chegado”! Esse era um alerta para que fugissem de sua aldeia evitando assim, seu aprisionamento e a escravidão.

Segundo alguns historiadores, a mesma frase era usada quando escravos de outras regiões viam os Jêjes chegando em navios, aprisionados e escravizados da mesma forma que colocavam os membros de outras aldeias, e assim eles ficaram conhecidos como Jêjes.

Com a escravidão, muitos reis, rainhas, príncipes e princesas foram levados de sua terra e transformados em seres sem direito algum que não fosse o árduo trabalho e a chibata.

Entre esses, muitos sacerdotes, sacerdotisas ou mesmo os que eram apontados como sucessores dos primeiros, e a esses grupos, a perseguição era ainda maior, pois segundo a igreja, praticavam o culto ao demônio e assim sendo, teriam que ser destruídos de qualquer forma.

Dentre os inúmeros sacerdotes que aqui aportaram, constava nas fileiras dos Jêjes, uma senhora cujo nome era Ludovina Pessoa. Esta era natural da cidade de Mahi, Marri no português.

Foi ela eleita pelos Voduns, para fundar três templos a eles dedicados, e esses templos foram edificados na Bahia, pois que lá ela vivia como escrava.

Os templos que ela fundou eram:

• Templo de Dan, batizado de Kwé Cejá Hundé,

• Templo de Heviossô, batizado como Zoogodo Male Hundô.

• E o último, porém nem por isso menos importante, que foi dedicado a Ajunssum, porém esse não chegou a ser concretizado e os historiadores não sabem apontar a causa.

Segundo pesquisadores, o templo de Ajunssum foi erguido bem depois, por uma africana chamada Gaiaku Satu, em cachoeira de São Felix, e esse templo recebeu o nome de Axé Kpó Egi.

Mais tarde, essa nação foi sendo perpetuada em outros estados brasileiros e hoje mantém as mesmas tradições de seus antepassados, sendo considerada pelo povo de santo, como a nação mais rigorosa, a mais difícil de ser praticada, pois que seus rituais seguem as mesmas diretrizes de seus antigos zeladores.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.