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quarta-feira, março 14, 2012

CANDOMBLÉ, HIERARQUIA E ANCESTRALIDADE.

O culto Sagrado dos Orixás resume-se nessas palavras: Hierarquia e Ancestralidade. Muitas pessoas se dizem adeptas deste sagrado culto, mas, pouquíssimos são os que realmente se dedicam a ele como determina suas leis.

Sermos do Santo, como se diz popularmente, é respeitarmos leis severas, que nos são impostas por Olorúm, para que possamos seguir nossa vida com dignidade. Algumas pessoas, no entanto, preferem fazer-se de cegas para não enxergarem e respeitarem essas leis.

Muito comumente, vemos pessoas procurarem outras com menos tempo de feitas para tomarem obrigações. Isso contaria as leis. Sabemos que somos vistos conforme as obrigações que temos, assim sendo, podemos ter 30 anos de feito, mas, se temos a obrigação de 03 anos, esta é nossa idade para nosso Orixá.

Acontece que, ao procurar uma pessoa mais nova e com as obrigações em dia, esse mais velho encontrará um problema muito sério: por exemplo: a pessoa tem 30 anos de Santo, com apenas a obrigação de 07 e o outro mais novo, com, por exemplo, 25 anos de Santo, tem a obrigação de 21. Certo, toma-se a obrigação de 14, mas com o passar do tempo, terá esta pessoa que tomar a de 21, então ela passará a ser mais velha que seu zelador atual.

Eis aí uma questão que ninguém responde: o que fazer depois de suas obrigações em dia, e com um zelador mais novo de feitura que esta?

Temos que nos atermos para esses detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Temos que seguir as leis que nossos antepassados aqui deixaram.

Nunca uma pessoa mais nova pode fazer algo para um mais velho. Sou do tempo em que, nem mesmo um banho de ervas ou de abô, um mais novo jogava no mais velho.

Outra questão que muito se vê hoje em dia são pessoas com apenas 01, 03 anos de santo, recolhendo Yawô, jogando búzios e por aí vai.

Bem; ao que me consta, apenas pessoas com obrigação de sete anos tem o direito de jogar búzios, isso se tiver o dom, pois sem este, pode-se ter até mesmo obrigação de 21 anos, que não conseguirá enxergar os preceitos que Ifá orienta.  A feitura de Yawô, somente após os sete anos, com a obrigação em dia e isso se o Orixá trouxer o Balaio de Axé, caso contrário, será apenas um Ebomi, poderá participar de todos os rituais, pertinentes as suas obrigações, mas jamais poderá ter uma casa aberta.

Os sacerdotes antigos, quando a pessoa ia jogar búzios para entrar para a feitura, já viam se a pessoa trazia ou não o Balaio de Axé, pois, se o trouxesse, todas as suas obrigações eram feitas de forma a prepara-lo para a abertura de sua casa.

Para cada cabeça existe um problema e para cada problema existe diferença na solução, mas o que não muda nunca são as bases de nossa religião: a ancestralidade e hierarquia, assim sendo, devemos nos ater a assuntos que realmente sejam de nosso alcance para que não caiamos no erro e provoquemos assim a ira de nossos Orixás.

Algumas pessoas atrevem-se a desobedecerem a esses preceitos e com isso, mais dia, menos dia terão ajustes de contas a fazerem com seu Orixá, então, começa outra etapa muito discutida por pessoas que não conhecem os mistérios da religião: se ele é pai de Santo, por que passa por tanta dificuldade?

Acontece que ao ferir as leis de Orumilá, a pessoa paga um preço alto, e na grande maioria das vezes este 
preço se reflete nas dificuldades que lhe são impostas, em doenças ente tantas outras.

É imprescindível que respeitemos a hierarquia pois sem ela nada nesse mundo funciona, muito menos uma casa de Santo. Somente pessoas mais velhas sabem realmente discernirem os problemas variados que acumulamos em nossa vida, e assim sendo, somente eles podem nos orientar a encontrarmos a solução correta e definitiva.

Se desencarnar, por exemplo, uma pessoa do Santo, muitos são os preceitos que devem ser feitos em seu cadáver, mas, somente pessoas que tenham idade e conhecimento suficiente para isso, podem realizar os preceitos para dar sepultamento àquela pessoa desencarnada.

Mesmo para rituais mais simples, somente zeladores com tempo de Santo, podem praticar, pois tudo que vamos fazer dentro do Axé Orixá, requer sabedoria e esta, somente com os anos passados dentro de nossa casa, junto de nosso zelador para adquirirmos a mesma.

Acontece que muitas pessoas, sem o mínimo preparo, saem por aí, jogando búzios, se atrevendo a se alto denominarem sacerdotes, porém, quando encontram certos obstáculos é que mostram que realmente não possuem nenhum atributo para o exercício.

Pé de dança, dialeto, não mostram sabedoria nos preceitos do Orixá, somente dentro do quarto sagrado, o Ronkó, é que podemos avaliar se a pessoa tem mesmo o conhecimento que diz ter.

Assim, devemos observar os mínimos detalhes ao entrarmos em um Templo, pois muitos são os enganadores e poucos os que realmente sabem o que fazem.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.



sexta-feira, março 09, 2012

NOVA PÁGINA

Sempre buscando divulgar mais a nossa maravilhosa doutrina, o Abassá Lambanranguange, conta com mais uma página: http://abassalambanranguange.webnode.com/. Venha nos visitar!

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

PRECE AOS CABOCLOS

Pai Amantíssimo, misericordioso e bom, que permitis que vosso mensageiro baixe sobre a Terra, como espírito que ele é mensageiro de Vosso Reino, que traga a sabedoria, a luz e o conhecimento para nós, vossos humildes filhos que estamos procurando a verdade. Dai-nos a compreensão de nossas dívidas para que possamos merecer o que é de melhor, para nosso bom êxito material e espiritual. Com a permissão de Deus, que este protetor, Caboclo, (dizer o nome do Caboclo), nos ampare guie e proteja de todos os males que possam existir. Assim Seja.

SÚPLICA A UM CABOCLO

Caboclo protetor e meu guia, meu guardião, abram as portas por onde eu possa entrar, que todos os males possam ser desviados de meus caminhos, que vossos mensageiros possam guiar-me em nome de Deus, e da Virgem Mãe, que eu ande sempre coberto com o Santo Manto de Cristo Nosso Senhor, e que este seja o escudo de todas as tentações. Assim Seja.

OBS. Essa súplica deve ser rezada não somente quando em apuros sérios, mas, também todas as noites antes de dormir e de manhã ao se levantar.

terça-feira, janeiro 31, 2012

ORAÇÃO SAGRADA A OGUM

Antigamente, como ainda ocorre hoje em dia, as pessoas quando se viam em determinadas situações, pediam socorro aos Santos, para que pudessem se livrar daquilo que o importunava. E era muito comum, os sacerdotes lançarem mãos de orações consideradas milagrosas para muitos. Aqui segue uma dessas Orações que muitos já usaram e obtiveram graças maravilhosas:

Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ..
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pé não me alcancem
Tendo mãos não me pegue não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançara
Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge










domingo, janeiro 22, 2012

PORQUE NADA EM MINHA VIDA DA CERTO?

Esta é uma pergunta com a qual, nos deparamos em nosso dia a dia. Pessoas que fazem todas as oferendas possíveis aos Orixás tomam banhos, defumações, encantamentos os mais diversos, e nada resolve seus problemas.

Acontece que: todos nós temos nosso Orixá, isso é sabido por todos. Porém, muitas pessoas se esquecem de que independente do Orixá que temos em nossas cabeças temos ainda o Orixá de nossa família, ou seja: o Orixá familiar, temos a influencia do Orixá que reinou no dia que nascemos, e ainda a fase da lua em que ocorreu nosso nascimento. E quando falo isso, não falo do nosso nascimento para o Santo, mas sim, do nosso nascimento do útero materno.

Existem muitas e muitas coisas, pequenas, que atrapalham nosso dia a dia e nossa vida. Carregamos toda uma carga nossa e ainda a de nossos antepassados. Se uma pessoa nasce, por exemplo, em uma determinada, e nada dá resultado na vida dela, temos que analisar o Orixá que regia no dia de seu nascimento, a fase da lua, o Orixá de sua família, seus Odús, o Odú de sua mãe e/ou pai além de uma infinita lista de análises que podemos fazer para que essa pessoa tenha condições de subir na vida.

Para isso é feito um mapeamento espiritual, e nem todos os sacerdotes sabem fazer, pois são fundamentos de pessoas muito, mas muito antigas no Santo e que já desencarnaram e apenas uns poucos felizardos tiveram a oportunidade de aprender.

Para que possamos ter uma ideia da complexidade das coisas, temos a influência até mesmo da quantidade de letras que carregamos em nosso nome. Tudo isso conjugado com nossos Odús, tanto pessoais, como de nossa família, resulta em grandes caminhos positivos ou negativos.

A solução disso tudo está na análise desses dados, devidamente acompanhados por Ifá para que ele possa nos dar condições de fazer com que essa pessoa caminhe.

Nem sempre as obrigações são caras, pois podem se resumir em alguns presentes, mas em alguns casos são obrigações complexas e que dependem de investimento. Vai daí a honestidade de cada zelador para que não jogue obrigações desnecessárias na pessoa, até mesmo porque, estará lidando com os antepassados dessa pessoa e isso pode resultar em cobranças seríssimas.

Orixá é paz, amor e prosperidade, mas, nós como seres humanos carregamos a imperfeição como parte de nossa constituição e assem sendo, muitas das vezes tudo isso que é o Orixá, não pode nos dar caminhos, pois necessitam de equilíbrio.

Com certeza após esse mapeamento, que dura vários e vários dias, de trabalhos intensos, poderemos dar à pessoa sugestões de como ela reverter às coisas em sua vida. E, além das obrigações que fazemos, existem ainda uma gama de pequenas oferendas e outras coisas que a própria pessoa faz para que mantenha sempre essa positividade que atraímos após seu mapeamento espiritual.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


odemutaloia@hotmail.com

http://abassalambanranguange.webnode.com/

segunda-feira, janeiro 02, 2012

EXÚ TIRIRI

Eis dos maiores mistérios de Olorúm: O Grande e Valoroso Exú Tiriri! Senhor das encruzilhadas, aquele que desfaz demandas, injustiças e todo o mau que possam nos desejar.
 
Como todos os demais Exús, come primeiro nas casas de axé e sempre é muito requisitado até mesmo na Umbanda, onde tem grande valor como guardião das encruzas e mensageiro sublime dos Orixás.
 
Seu nome no dialeto yorubá , assim se traduz: Ti (com grande força) Ri (valor e mérito) Tiriri: Com grande força valor e mérito. Em algumas casas é mensageiro de Ogum, e em outras de Odé. Não importando a ligação de cada casa, saliento que esse é um Exú (Orixá) de muito poder e de muita vibração e que sempre que requisitado, buscas resolver os assuntos de forma rápida.
 
Como guardião das encruzas, sempre dependemos dele para realizar nossos rituais, uma vez que a encruzilhada é o caminho que nos leva a todos os outros caminhos. Por ela, passam todos os tipos de pessoas e assim sendo, caminham os mais variados problemas e ainda, encontramos a solução para muitos outros.
 
Segundo alguns zeladores, ele é uma qualidade de legbára, e assim sendo, uma das cabaças que Olorúm usou para criar o mundo. Seu culto é muito difundido tanto no Candomblé, como na Umbanda, nos Xangôs de Pernambuco e até mesmo no Batuque do Rio Grande do Sul, sendo que lá como em outras ramificações, recebe o nome de Tiriri Lonã.
 
Como Lonã, é o grande Senhor dos caminhos e se precisamos ter ou ajudar a alguém ter caminhos, devemos recorrer a ele, afinal seu domínio, sempre foi e sempre será utilizado para que possamos chegar a qualquer lugar que desejarmos.
 
Se buscarmos ainda mais sua forma de culto, seu arquétipo, veremos que ele ainda é conhecido em algumas casas como Timbiriri. Ti (ferir, bater) Biri (repentinamente) ou seja: Timbiriri, ferindo repentinamente.
 
Outro erro muito cometido contra Tiriri e os demais Exús, é conferirmos a ele, toda a responsabilidade das coisas ruins que nos acontece. Esquecemo-nos de que, como seres humanos, somos mais erros que acertos e assim sendo, nossa vida se resume à: colher o que plantamos.
 
Senhor Tiriri, como é chamado pela grande maioria das pessoas, dedica-se muito a fazer o bem, o mesmo ocorrendo com os outros Exús, tanto os de Candomblé como os da Umbanda. Praticam-se eles, a maldade, a culpa é somente nossa que utilizamos de sua força para prejudicar nossos semelhantes.
 
Acontece que para Exú, não existe muita diferença entre o bem e o mau, pois se para defender uma pessoa, ele tiver que prejudicar outra, ele assim o fará. Precisa sim, da pessoa que for realizar o trabalho, solicitar ao consulente que tão somente mentalize a solução de seus problemas, que tenha em mente que, Deus está sim, presente naquele momento e que devemos entregar tudo nas mãos Dele, pois Exú somente fará aquilo que lhe for ordenado por nosso Pai Celestial.
 
Erroneamente, algumas pessoas associam Sr. Tiriri ao demônio, à satanás, mas, posso garantir que ele é parte de suma importância em nossa vida, porque é ele quem leva nossos pedidos aos nossos Orixás.
Sua força deve sim, ser canalizada para o bem, para o progresso e nunca para a maldade, afinal, temos que nos lembrar que Olorúm, nos cobrará mais dia menos, dia, por todos os nossos atos.
 
Termos Tiriri em nossa companhia, é certeza de muitas vitórias em nossas vidas, porque ele sempre virá em nosso socorro. Porém, vale à pena ressaltar, que somente podermos receber aquilo que formos merecedores aos olhos de Deus pois sua lei, governa todo o Universo.
Saibamos pois, buscarmos a ajuda desse grande mensageiro e solicitemos a ele, que nos ajude em nossas dificuldades, mas que também, nos mostre o verdadeiro caminho para que possamos alcançar as Graças Divinas.

Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.
 

PRECE DE EXÚ TIRIRI:

Sou EXU, Senhor. Pai, permite que assim te chame, pois, na realidade, Tu o és, como és meu criador. 
Formaste-me da poeira Ástrica, mas como tudo que provém de Ti, sou real e eterno.
 
Permite Senhor, que eu possa servir-Te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos. Não reclamo, não me queixo porque esta é a Tua vontade.
Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pelas sendas tortuosas da provação.
 
Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante. Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem contudo poder negar-me ou recorrer.
 
Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado a exercer a descrença, a confusão e a ignominia, pois esta é a condição que Tu me impuseste. Não reclamo, Senhor, mas fico triste por ver os teus filhos, que criaste à Tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniquidades que eles mesmos criam, e eu, por Tua lei inflexível, delas tenho que participar.
 
No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto grande e feliz quando encontro n'algum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.
 
Aceito sem queixumes, Senhor, a lei que, na Tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me.
 
Peço-Te, Oh Pai infinito, que lhes perdoe.
 
Peço-Te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.
 
Perdoa-os, e torna-os bons, porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do Teu amor e a graça do Teu perdão.
 
Fleruty (Exu Tiriri)
 
Obs: prece foi psicografada por A . J. Castro, da Cabana de Lázaro

EXÚ ONÃ

Vamos falar um pouco dessa deidade das casas de candomblé. Como já vimos antes, a palavra Exú, nunca significou capeta, pois os africanos não tinham a compreensão desse ser inferior.

Exú é uma das principais divindades do panteão afro, pois é ele quem guarda a porta que separa nosso mundo do mundo dos encantados. Uma qualidade de Exú muito cultuada é Onã ou Bára Onã. Senhor dos caminhos, é ainda o guardião das porteiras e das entradas das casas de Santo, morando do lado de fora do portão e não no lado de dentro.

Em sua grande maioria, os sacerdotes assentam esse Bára, pois sem ele, ficaria muito difícil, acesso às casas, pois quem iria guiar as pessoas até ali? Obviamente que seu assentamento é feito de forma diferente dos demais Exús, uma vez que ficaria complicado colocar um Igbá de Exú na rua, assim sendo, seus fundamentos são preparados de outra forma, mas, na hora de comer, ele come fora de casa, ou seja: na rua, do lado de fora do portão.

É irmão de Ogum, e com ele, ronda as estradas nos protegendo de todos os infortúnios que possam vir contra nós. Seus preceitos são complicados e muito diferentes dos demais Exú, porque sendo ele o dono da rua, se alimenta nela mesma, e sempre está pronto a nos ajudar.

Como os demais Orixás Exú, ele come padê, bode, galos, feijão fradinho torrado, milho vermelho torrado, aguardente, acarajé, entre outras comidas.

Quando uma pessoa está com muita dificuldade, deve se dar presentes a Onã, para que ele reconheça aquela pessoa e ajude a abrir seus caminhos, seja para emprego, negócios e outros. Sendo Exú uma das cabaças que criou o mundo, devemos ter por ele muito respeito e sempre agradá-lo, pois, a qualquer momento que precisarmos ele ali estará para nos ajudar.

Algumas pessoas insistem em dizer que Onã mora dentro do quintal, mas, em todas as casas de fundamento, ele é o guardião da entrada externa, é ele quem traz clientes, que cuida dos caminhos e protege a casa e seu sacerdote.

Bára Onã, conhecedor de todos os mistérios, come com Ogum e anda com o mesmo. Poucas pessoas se lembram de agradar essa divindade e justamente por isso, sua vida caminha até certo ponto e depois fracassa.

Se alguém vai fazer uma viajem, abrir um negócio é interessante se consultar a Onã para ver se é necessário fazer oferendas a ele para que tudo corra bem com aquela pessoa.

Seu dia de culto: Segunda feira

Suas cores: o preto e o vermelho

Suas comidas: padê, acarajé, feijão fradinho e milho torrado.

Saudação: Laroiê Exú, Exú a Mojubá. Cobá Laroiê Exú Onã.


Tatetú N'Inkisi: Odé Mutaloiá.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

2012 O ANO DO FIM DO MUNDO

Tenho recebido muitos e mails de pessoas preocupadas com as previsões para o fim do mundo nesse novo ano que se iniciará em poucos dias. Todos estão preocupados, pois as previsões Maias e de muitos outros seguimentos apontam 2012 como o ano onde o mundo irá acabar.
 
Dentro de meus humildes conhecimentos, posso afirmar que 2012 será sim um ano de transformação, como todos os demais foram e serão. Como candomblecista não creio em fim de mundo, pois Olorúm jamais nos concederia o dom de prevermos o mesmo se esse for acontecer.
 
Acontece que dentro do Candomblé e da Umbanda, cremos sim, no fim de uma era, onde os mais antigos transcendem para o Orúm (céu) e assim dão oportunidade para as futuras gerações.
 
Como nos lembramos, sempre ouvimos dizer que “de um passará, mas a dois não chegará” e com isso veio a crença de que o mundo acabaria no ano de 2000. Mas aqui estamos nós, seguindo em nossa jornada.
Obviamente que se formos olhar com a ótica da morte, o mundo acaba todos os dias, para aqueles que desencarnam e voltam para a pátria espiritual.
 
Cremos que Olorúm, Deus, criou o Universo para que seus filhos, os espíritos, pudessem aprender em sua jornada e assim alcançar a elevação que somente o trabalho e a missão verdadeiramente cumprida proporciona.Cremos ainda que a reencarnação é a forma que temos de resgatar todas as nossas dividas para com o plano espiritual.
 
Sendo o Pai, a fonte suprema de tudo, permitiria que nós, seres humanos soubéssemos de seus segredos mais profundos? Posso afirmar que não, pois seríamos então “deuses” e não filhos do Criador.
 
Com certeza, muitas transformações acontecerão em 2012, até porque será um ano regido por Oxaguiã e Oxum, e Oxaguiã vem caminhando também com Oyá, trazendo para o mundo a chance de modificação. Permitindo a nós, que nos emprenhemos em resgatar nossas dividas e assim nos fazermos merecedores de todas as bênçãos que Deus tem para nós.
 
Não creio, pois, nessa afirmação de fim do mundo, dado que somente Olorúm poderia ter tal conhecimento, pois é Ele o verdadeiro arquiteto e somente a Ele cabe o conhecimento de todas as coisas.
 
Penso que em vez de nos destruirmos com tais pensamentos, deveríamos ofertar presentes aos Orixás, para que possam nos amparar nesse novo ano e assim nos ajudarem a crescer espiritualmente para que possamos um dia nos reunir com nossos ancestrais.
 
Deixemos, pois, de lado, esse medo do fim do mundo, nos concentremos mais no aperfeiçoamento de nossos espíritos, até mesmo porque de nada adianta nos preocuparmos com nada, pois os planos de Olorúm não se modificam se não por sua vontade.
 
Busquemos nossos Orixás e Guias protetores para que nos consolem e nos auxiliem em nossa árdua jornada por esse mundo.
 
Preocupemo-nos mais em amar a nosso semelhante, uma vez que somos todos filhos do mesmo Pai.
 
Respeitemos mais a Leis de Deus e veremos com certeza, um futuro muito melhor para nós e para nossos descendentes.
 
Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

sábado, dezembro 24, 2011

OXAGUIÃ E OXUM, ORIXÁS REGENTES DE 2012.

O ano de 2012 será regido por Oxaguian e Oxum. Esses dois Orixás, trazem a promessa de muita batalha e de muita conquista. Com Oxaguian à frente, teremos um ano, onde as pessoas do Santo, devem se acautelar, pois mesmo sendo Ele o Pai de todos os Orixás, não deixará de cobrar de nós cada erro, cada afronta cometida aos nossos Santos.
 
Esse é um Oxalá de guerra e come junto com Ogum em determinadas situações e assim sendo, traz consigo uma carga muito grande. Seu poder transcende o dos demais Orixás, afinal é Pai de todos os Orixás e também de todos os seres humanos.
 
Os iniciados terão grandes oportunidades nesse ano de 2012, pois que, Oxaguiã vem com Oxum, mas trilha os caminhos de Oyá e assim sendo, traz justiça para a Terra. Basta que saibamos colocar as coisas nos seus devidos lugares e termos a fé, mas aquela fé que nada consegue derrubar. Aquela fé que a tudo supera em nome do Orixá e de Deus.
Lembremos, porém, que nada temos além de nossos merecimentos e desta forma não adianta pedir aos nossos Encantados, aquilo que para as leis de Deus, não somos merecedores. Temos que fazer uma analise completa de nossos erros, de nossos acertos, enfim: de toda nossa vida, porque somente assim saberemos nos encontrar com Olorúm e com as bênçãos que ele traz para nós através de seus Ministros, nossos Orixás e seus mensageiros.
Oxaguiã nos promete um ano de justiça e de muita luta para todos de uma forma em geral.  Nos traz a certeza de que através de nossa batalha diária e de nosso esforço poderemos alcançar coisas além, de nossa imaginação.
 
Oxum nos promete um ano onde os casais têm mais chances de se reconciliarem, de reencontrarmos também aquele amor perdido ou mesmo aquele tão sonhado.
 
Porém, lembremos de que os Orixás não nos prometem riquezas ou outra coisa que seja necessária somente ao corpo material e para acalentar nossos anseios de luxo. Ao contrário: estão ali, prontos para nos proporcionarem uma vida de luta sim, de guerra, mas aquela guerra do dia a dia, de muito trabalho, de esforço, pois somente assim nos tornaremos dignos das bênçãos de Orumilá.
Ifá nos aconselha há entrar o ano de branco ou amarelo. Se puder, dar preferência ao branco e até mesmo ao branco com azul claro que são as cores de Oxaguiã, o Orixá que reinará 2012.
 
Caso deseje, a pessoa pode sim, entrar de amarelo, mas, é de importância que não estejamos de roupas escuras na entrada do ano, pois como é um ano de Oxalá, temos que respeitar suas quizilas e seus desejos.
Outra coisa muito boa para essa entrada de ano é colocarmos uma tigela de canjica branca, (ebô) regrado com mel de abelhas e uma quartinha de água para Oxaguiã, pedindo sua misericórdia e interseção em nossas vidas.
 
Temos ainda que nos lembrarmos de que mesmo tendo o ano, seu Regente, a vida de cada pessoa pode ter um Regente diferente e assim sendo, é bom que se faça uma consulta a um Babalorixá ou Yalorixá, para saber qual Orixá regerá sua vida e quais os presentes aconselhados a serem ofertados para que possa ter um ano de paz, e prosperidade.
Independente de qual Orixá reina em determinado ano, cada cabeça é diferente da outra e assim sendo, os problemas também, por isso mesmo que mudam-se os regentes individuais para cada pessoa.
 
O Odú que reina o primeiro dia do ano é Odí e esse é um Odú do ciúme, da possessão, e muitas vezes da negatividade. Assim sendo, quanto mais pudermos no isolar das coisas materiais e de seus exageros será melhor, pois somente assim Oxaguiã e Oxum terão condições de interferirem em nossas vidas.
 
UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS, COM MUITA PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE E QUE, A PAZ DE OXALÁ E OXUM SEJAM PRESENTES EM NOSSAS VIDAS.
 
Tetetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





Oxaguian
 
Pelas lendas dos povos yorúbas, Oxaguian é filho de Orumilá e considerado um Oxalá novo. Traz consigo a espada e o escudo o que muitas vezes faz com que seja confundido com Ogum.
 
É o único Oxalá que tem autorização de enfeitar suas contas brancas com pedras azuis, e faz isso em reverência à Ogum. Está muito ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, representando nesse caso os ancestrais. Sempre come acompanhado dos Orixás: Exú, Ogum, Oyá e Oxóssi. Recomenda-se que os filhos deste Orixá agradem muito a Oyá, pois ela é seu caminho, aquele caminho que ele usa para vir atender aos apelos de seus filhos.
 
É este, o Orixá dos Inhames novos, e quando da época da colheita, é oferecida a ele uma festa para que possam assim demonstrar sua gratidão pela fartura. Porém é um Orixá muito arteiro, teimoso, e segundo os mais antigos nos segredos dos Orixás, ele engana até mesmo a morte.
 
Consideram-no o Orixá das lutas, das batalhas e das guerras e assim sendo traz muitas vitórias para aqueles que sabem como agradá-lo e que respeitam suas leis e determinações.
 
Os elementos que ele rege são a água e o ar.
 
Sua cor é o branco com azul sendo que essa segunda, ele traz em homenagem a seu amigo de caminhadas: Ogum.
 
É um Oxalá de temperamento muito quente, o que se reforça pelo fato de sempre estar acompanhado de Ogum e Oyá.
 
Na vida, no cotidiano, ele rege a vida, a criatividade, a guerra, e é também considerado o Orixá da inteligência e do brilho do dia.
 
O dia da semana a ele consagrado é o domingo.
 
Suas comidas preferidas são: O ebô regrado com mel e o inhame amassado com mel e azeite de Oliva, sendo que este é sua preferencia em todos os cultos. Nunca podemos dar de comer a Oxaguian sem que coloquemos uma tigela de inhame amassado para ele.
Seus animais preferidos são: O pombo branco, e o igbín.
 
Os instrumentos sagrados que sempre acompanham seu assentamento são: o pilão oitavado, a espada, o escudo, e o atorí. Essas sendo formadas de varinhas de café, e são ainda seu instrumento de guerra.

 








Oxum

Deusa dos rios, lagos e cachoeiras. É uma Yabá que reina absoluta nesses elementos, sendo a preferida de Oxalá, devido à lenda do Ekudidé. Uma de suas lendas, conta que ela era casada com Odé Yboalamo, e com ele teve um filho: Logum Edé.
 
Oxum é uma senhora que sempre nos socorre em nossos momentos mais difíceis, pois como mãe, sempre está pronta a nos perdoar e nos acalmar. Segundo os mais antigos no Candomblé, é Oxum que com suas águas acalma a ira dos deuses.
 
Ainda são de dominós de Oxum: a riqueza, o poder da sedução, a intimidade e o poder da diplomacia. Seus filhos tendem a ser excelentes políticos, devido ao seu jeito meigo de tratar as pessoas bem como acalmar sua ira.
 
Muito vaidosa, é comum vermos em seus assentamentos vidros de perfume e com ele, regramos seu ibá após o ossé anual.
 
É ainda uma Yabá que tem ligação direta com Obaluayê, mas, nunca teve um relacionamento amoroso com ele. Sempre foi a preferida de Xangô, dado a seu jeito meigo e delicado para tratá-lo. Porém, não devemos nos arriscar a provocar sua ira, pois torna-se violenta e nos pune com o mais alto rigor.
 
Nos preceitos de nossa religião, ela tem acesso direto a todos os Orixás e mesmo tendo abandonado Odé, que era seu esposo, este ainda tem por ela um carinho muito grande e é capaz de abandonar o que estiver fazendo para atender seu chamado.
 
Tem uma preferência por Omolokum, comida feita com feijão fradinho e ovos cozidos. Mas, também come frutas, peixe, canjica amarela e quindim.
 
Seu dia de culto é o sábado e nesse dia seus filhos devem se abster de sexo, bebidas alcoólicas e roupas escuras.
 
Seus bichos de sacrifício são: cabra, galinhas amarelas, codornas, e galinha de angola. Sendo esta seu maior fetiche.