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sexta-feira, abril 09, 2010

O PADÊ DE EXÚ

Dentro dos rituais sagrados de Exú, não pode faltar de forma alguma seu padê, espécie de farofa crua, na qual é adicionada a farinha de mandioca, e vários elementos, dependendo da necessidade de cada pessoa.

Os mais utilizados de forma geral, são: o padê de água, de dendê, e o de mel. Sendo que esses são muito utilizados quando se realiza algum sacrifício de aves ou de quatro pés para essa divindade. O padê sem o ritual de sacrifício tem por finalidade, se presentear a Exú para que ele nos ajude em determinados assuntos nos quais necessitamos. Trata-se de uma comida preferida por todos os exús e sua aplicabilidade remonta das senzalas que existiam no Brasil.

É público que na África não existia esse tipo de alimento, farinha de mandioca, uma vez que esse foi criado pelos índios brasileiros, mas, os antigos sacerdotes, que eram escravos, introduziram esse presente ao culto de exú e desde essa época, é comum dar-se de presente para exú seu padê.

O padê de dendê serve para se esquentar os caminhos e é muito utilizado para a abertura de caminhos para emprego, para o progresso de uma empresa ou para várias outras utilidades. O padê de azeite de oliva costuma ser usado para se conseguir um equilíbrio em determinado setor da vida de uma pessoa, o de mel, serve para se adoçar uma pessoa, para fazer com que exú nos traga, por exemplo, o livramento de uma perseguição, para que uma pessoa que é nosso inimigo se transforme em nosso amigo, para ajudar em questões amorosas entre tantas outras utilidades.

Em caso de abertura de caminhos para uma empresa, para se atrair clientes para um comércio, para que se arrume emprego, é aconselhável que se coloque sete moedas correntes. Para as demais utilidades pode-se colocar de uma a sete moedas correntes.

Ainda existem outros tipos de padês chamados negativos, que servem para livrar uma pessoa da praga, por exemplo, da feitiçaria, do olho grande etc.

Porém, sempre é bom lembrar que as divindades do Candomblé somente atendem ao chamado de pessoas preparadas e com tempo de santo suficiente para entregarem as oferendas, e se alguma pessoa sem esses requisitos, tentar realizar alguma cerimônia, os efeitos podem ser catastróficos na vida do consulente.

E esse fato ocorre muito frequente uma vez que a ganância, a ânsia de dinheiro faz com que pessoas sem preparo algum, decidam interferir solicitando ajuda das entidades para pessoas em seu dia a dia. Exú como sendo um Orixá de grande poder, não tem o hábito de perdoar, e se por ventura, algo for feito de forma irregular, teremos sérias complicações na vida daquele vivente.

Pode-se servir o padê para exú independente de lua ou dia de semana, não sendo aconselhável somente nas sextas feiras, pois esse é um dia consagrado a Oxalá e assim sendo, como existe uma kizila entre Exú e Oxalá, não se recomenda que seja feita qualquer oferenda para essa entidade, deixando o dia de sexta feira somente dedicado a se presentear Oxalá e assim mesmo sem matança, somente com comida seca e reza.

Como qualquer Orixá do panteão africano, exú também tem seu Oriki, ou seja, um conjunto de palavras litúrgicas que são utilizadas para invocá-lo. A esse conjunto de palavras dá-se o nome também de Reza.

As rezas de exú servem para acordá-lo, para invocá-lo para que se digne e vir receber a oferenda que lhe trazemos como para que interaja em nossa vida ou na vida de uma pessoa que necessita dessa intervenção.

É imprescindível que ao entregarmos o padê para exú, estejamos de corpo limpo, sem sexo, bebida ou qualquer outra substância nociva ao lido com os fundamentos do Axé Orixá. Temos também que recorrermos ao jogo para ver qual o tipo de problema existe na vida daquela pessoa e qual Exú se digna a olhar por ela e ajudar.

Nunca, em hipótese alguma, devemos invocar exú sem uma necessidade real, pois o mesmo é dotado de uma força que ser humano algum é capaz de controlar.

Que exú abra seus caminhos e lhe traga muita paz e tranquilidade



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.



quarta-feira, abril 07, 2010

A FAVA DE ARIDAN E SEU USO DENTRO DO AXÉ ORIXÁ


Dentro dos fundamentos de santo, é comum o uso de favas para que se dê o complemento do encantamento do assentamento ou mesmo a proteção do yawô bem como da casa.

A mais utilizada dentro das casas de Santo, é a Aridan, de origem africana e que lá possui o mesmo nome, sendo que este se traduz como fruta, isso no dialeto yorúba, já na região do congo, ela é conhecida como Kiaka, Evaka, Chiacha, entre outros. Seu nome científico é: tetrepleura ou tetraptera (Schum & Thour).

Foi trazida para o Brasil pelos escravos, com a finalidade ritualística bem como farmacológica. (Essa fruta, (fava), existe ainda hoje na África central, e constitui-se basicamente de uma árvore com aproximadamente 30 metros de altura, segundo os estudiosos), e produz seus frutos que são constituídos da seguinte forma: 04 frutos alados, tendo uma polpa carnuda e dentro das mesmas encontramos as sementes. Possui essa fruta um perfume picante e odor aromático. Devido a isso, muitos acreditam que ela tem o poder de repelir insetos.

Dentro da farmacologia afro, ela é utilizada no combate a convulsão, hanseníase, inflamações, e ainda aplicada nas dores de reumatismo.

Nos rituais de Orixá, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos mais remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.

A Aridan é muito conhecido do povo de Candomblé por ser talvez a mais sagrada de todas as favas de utilidade religiosa, mesmo Exú leva essa fava em seu assentamento, e jamais se faz matança para Orixá sem que ela esteja presente dentro do Ibá Orixá.

Sua utilidade como disse acima, serve tanto para o encantamento como para a proteção da pessoa e da casa. Nessa utilização, essa fava corta os males feitos por feiticeiros e impede até mesmo que o mal olhado atinja a pessoa, sua casa ou seu local de trabalho.

Apesar de ter tantas utilidades, ela não é posta na cabeça da pessoa, cabendo essa utilidade apenas ao obi e ao orobô. Em caso a pessoa ser perseguida por inimigos, basta que se mantenha essa fava dentro de casa ou escritório, pronunciando as palavras litúrgicas para que ela mantenha o ambiente salutar e afastar toda a energia negativa.

Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá






terça-feira, abril 06, 2010

POR QUE DARMOS OFERENDAS AOS ORIXÁS?

Muitas pessoas se perguntam o por que de darmos oferendas aos Orixás e também por que temos que pagar o axé ou chão do zelador para que o mesmo possa nos preparar e entregar as oferendas aos Orixás quando são necessárias para resolver qualquer assunto em nossas vidas.

Pois bem, as oferendas o próprio nome já diz, são nada mais que presentes, que se constituem em comidas e sacrifícios prediletos de cada Santo do panteão afro. Para cada Orixá, existem comidas diferentes e as mesmas, são verdadeiras iguarias na culinária africana, o mesmo acontece com o sacrifício, muito embora sejam ofertados galos, galinhas, pombos, cabritos e outros para os Orixás, todos possuem formas diferentes de se sacrificar seus animais prediletos.

Em tempos remotos, parte da colheita era oferecida aos deuses como forma de agradecer pela fartura na mesma, e em tempos anteriores ao cristianismo, eram oferecidos holocaustos a Deus e mesmo parte da colheita era a ele ofertada como forma de agradecimento e pedido de prosperidade. A essa doação, ou oferta, dava-se o nome de dízimo.

Com os Orixás, o mesmo acontece, oferecemos presentes como comidas secas, e em alguns casos o holocausto como forma de agradecermos por sua ajuda em determinado assunto, ou para pedir que interfira na solução de problemas variados de nossas vidas.

Nada se faz dentro do Axé Orixá, sem que a eles, ofertemos esses “presentes”, afinal são deuses que governam a natureza e assim sendo, nada mais justo que ofertarmos as obrigações que nos solicitam.

Quanto ao pagamento do axé do zelador, também é algo muito justo por vários motivos: um templo não se mantém sem dinheiro, pois temos água, luz e outras coisas a serem pagas mensalmente e ninguém com certeza absoluta vai se comprometer a arcar com as mesmas.

Em segundo plano, porém não menos importante, está o trabalho realizado por aquele zelador. Nas igrejas, por mais que alguns teimem em dizer que não, mas se cobram pelas coisas sim, pois tem o dízimo que obrigatoriamente é pago pelos fiéis além das ofertas que são entregues todos os dias de culto. Então por que no Candomblé e na Umbanda, os sacerdotes teem a obrigação de realizar as coisas sem cobrança?

Dentro de nosso mundo, é comum, desde tempos remotos, que os sacerdotes recebessem pagamentos em formas variadas por suas intervenções junto aos deuses ou junto a Deus, na solução de problemas variados.

Quem nunca ouviu falar das indulgências vendidas por Roma para seus fiéis? E mesmo em tempos atuais, um batizado, casamento, ou outra cerimônia qualquer que seja, é cobrado algum valor sim, assim sendo dentro dos templos afro religiosos, temos total direito em cobrar pelos serviços prestados.

O que não podemos, seja qual for a nossa ramificação religiosa, é; como sacerdotes, explorar a fé das pessoas, extorquindo-as de todas as formas possíveis. E esse fato vemos constantemente divulgado em veículos de informação, quando os sacerdotes cristãos prometem até mesmo, terrenos no céu para quem se dedicar a pagar mais para a igreja.

A partir do momento que cobramos, temos também a obrigação moral de zelarmos verdadeiramente por aquela pessoa que nos pagou, afinal foi seu sacrifício em favor dos Orixás, sua fé, que o levou a nos procurar.

Não podemos ser hipócritas e cobrarmos sem nos dedicarmos de verdade nos problemas daqueles que buscam em nós uma solução para suas vidas. Não temos o direito de pegar o dinheiro de uma pessoa e não realizarmos suas obrigações, e se por ventura seus pedidos não forem atendidos imediatamente, temos sim, a obrigação moral de revermos a situação a fim de que encontremos a forma para resolvermos a sua vida.

Assim sendo, é completamente normal a cobrança do axé ou chão do zelador, mas temos que ter a responsabilidade de acompanharmos de perto os problemas daquela pessoa que solicitou nossa interferência.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

segunda-feira, abril 05, 2010

DEDICAÇÃO AO NOSSO ORIXÁ

Algumas pessoas, por mais que frequentem uma casa, muitas vezes deixam a desejar no tangente à dedicação ao Orixá de sua cabeça, bem como com a própria casa onde foi iniciado.

Temos que nos ater, que não basta visitarmos a casa em dia de festa ou quando chamados por nosso zelador. A casa assim como os Orixás, precisa de uma dedicação constante de nossa parte, bem como da parte de todos os que frequentam aquele ambiente para que a mesma possa existir em condições de nos atender quando dela precisarmos.

Da mesma forma que temos que manter nosso Santo com vela e comida seca, a casa que frequentamos e onde temos nosso Santo, também precisa ser mantida com recursos financeiros para que possa assim nosso zelador, ter as condições que necessita para atender a todas as pessoas que de uma forma ou de outra necessitem ou venham a necessitar de qualquer tipo de intervenção em seus problemas.

Temos que nos lembrar, que vivemos em um mundo moderno, onde alguns itens são imprescindíveis, como: água, luz, gás e outros. Se participamos de uma igreja seja ela qual for, teremos que pagar o dízimo, pois, dele é que sairá a manutenção daquele templo, assim por que nos omitirmos com relação à casa de Santo?

Ao ajudarmos na manutenção da casa, estamos também nos dedicando ao nosso Orixá, uma vez que o mesmo, ali vive e goza dos benefícios, principalmente quando de nossas obrigações. Não é justo de forma alguma que um zelador arque com as despesas de uma casa de santo e nós, filhos ou frequentadores simplesmente nos achemos no direito de negar nossa ajuda.

Orixá é dedicação acima de tudo, lembremo-nos disso, e saibamos agir com carinho para com ele e com a manutenção do Templo onde recorremos em nossos momentos mais difíceis.

Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

segunda-feira, março 29, 2010

OS TEMPLOS DE CAMOMBLÉ E UMBANDA

Existem várias pessoas que frequentam as casas de Umbanda e Candomblé, mas, muito poucas são as que realmente entendem seu significado correto. Algumas chegam a pensar que somente são sagradas quando estão em funcionamento, oferecendo uma festa ou mesmo algum tipo de trabalho. Ledo engano!
Essas casas são na verdade TEMPLOS e como tal, merecem todo nosso respeito e dedicação. Mas, o que é realmente um templo?
A palavra Templo, deriva do latim, Templum, que significa local sagrado. Geralmente é uma obra arquitetônica, e, se dedica ao serviço religioso, não importando o credo ali praticado.
Porém, o termo Templo, pode ser usado figurativamente dando sentido a uma reflexão do mundo divino. Ou seja: a habitação de Deus na terra, ou em se tratando dessas religiões, a habitação de Deus e de seus Ministros e Mensageiros.
Os verdadeiros Templos, teem que obrigatoriamente envolverem um simbolismo cósmico, e toda a energia que habita o cosmo. Ao nos depararmos com seus objetos, deparamo-nos acima de tudo com simbologias sagradas que perduram através dos tempos. Os castiçais,por exemplo, representam os planetas, por isso em tempos atrás era comum que os mesmos possuíssem sete braços, ou fossem um total de sete. Atualmente mesmo possuindo quantidade menores de braços, abrigam as velas, que representam a luz de Deus para nossos caminhos. A chama que alimenta nossa fé em tudo aquilo que praticamos e pregamos.
O altar da Umbanda ou Peji como chamamos, representa a ação de graças por tudo aquilo que realizamos o conseguimos durante nossa vida nesse planeta. Representa ele, a união de Deus com os homens, devemos assim nos aproximarmos dele, com nossos corpos, mente e coração limpos de toda e qualquer energia negativa.
Existe ainda um local onde se coloca o assentamento principal da casa, local esse chamado no Candomblé de Axé, constitui-se basicamente de um buraco onde são plantados os fundamentos daquela casa, e,esse buraco fica situado bem no meio da sala principal. Seja na Umbanda ou no Candomblé, esse “buraco” juntamente com o assentamento ali depositado, representa o centro do mundo, e dedica-se a segurança da casa bem como de todos aqueles que ali frequentam.
Segundo as tradições antigas, é nesse assentamento que se comunicam as forças terrestres e as celestiais. Desde tempos imemoráveis são dessa forma construídos os Templos e nele praticados os ritos religiosos de acordo com o seguimento de cada sacerdote.
A cumeeira, representa o sustentáculo da casa, assim sendo, deve-se muito respeito à mesma, pois independente do Orixá daquela casa, teremos uma cumeeira e nela são depositados as mais variadas oferendas, pois, se por um lado o assentamento no chão representa o centro do mundo, a cumeeira representa o céu, e nela é assentado um Orixá para que o mesmo sustente aquela casa, não deixando que sucumba perante as forças inimigas.
Como podemos ver, tudo dentro de um templo religioso, seja Umbanda ou Candomblé, refere-se à união do homem ao seu Criador, buscando sempre uma forma de nos sustentar durante as provações às quais somos submetidos nesse mundo.
Temos, pois, que revermos nossos conceitos com esses Templos e, entendermos que ele funciona como nossa “igreja”. A palavra igreja deriva do antigo grego, que por sua vez, foi tirada do hebraico Yahveh, e esse termo era usado para designar uma assembléia do povo do deserto.
Assim podemos traduzir igreja, como assembléia ou reunião.
É de suma importância que respeitemos nossos templos, que zelemos por ele, que contribuamos para sua manutenção, pois assim estaremos servindo aos nossos Orixás e Protetores de todas as formas.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

CHEGOU A QUARESMA

Como ocorre todo o ano, após o festejo de momo, surge novamente a quaresma, um ritual cristão mais propriamente da Igreja católica, sendo que as demais Igrejas denominadas Evangélicas não possuem esse ritual.

A palavra quaresma, se traduz do latim, quadragésima, é para os católicos um período de orações e sacrifícios e que antecede a maior festividade do catolicismo: a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a páscoa.

Esse período de orações e jejuns inicia-se na quarta feira de cinzas e seque até a quinta feira santa, ocasião em que se comemora a última ceia de Cristo com seus apóstolos, e termina no sábado de aleluia.

O período da quaresma são quarenta dias após o carnaval, mas se contado em sua totalidade, daria uma soma de quarenta e sete dias, porém como os domingos já são santos para os católicos, eles não são contados, ficando assim somente os quarenta dias.

Nos templos de Umbanda é comum os trabalhos seguirem em ritmo normal, iniciando na quarta feira de cinzas com uma gira de pretos velhos, que veem na terra para nos conceder as cinzas que nos redimirão dos atos praticados no carnaval, e afastará os espíritos inferiores que normalmente se aproximam das pessoas durante o carnaval, pois mesmo na Umbanda, as entidades de luz, afastam-se durante os dias da festividade de momo.

Dentro das casas de Candomblé, hoje em dia existem variações com relação a esse ritual: os antigos zeladores para serem aceitos pela comunidade local, a exemplo do que faziam negros e negras como Chica da Silva, que viveu em no Arraial do Tijuco hoje Diamantina MG, entravam para as irmandades da igreja católica, como Sagrado Coração de Jesus, e seguiam seus rituais e preceitos. Assim sendo, introduziram dentro do Candomblé o ato de se resguardar a quaresma, ou seja, a casa fica fechada durante os quarenta dias desse rito.

Comumente vemos casas de Angola e mesmo algumas de Jêje ou Kêtu que mantêm suas festividades suspensas, pois acreditam que: “o santo está dormindo” ou seja, afastado da terra e que somente exú responde e governa para eles durante essa passagem. No sábado de aleluia tocam o adarrun, toque sagrado para invocar os orixás de volta a nosso planeta.

Porém hoje em dia com a atual situação das religiões afro-brasileiras, esse tipo de ritual vem sido abolido em grande maioria das casas de candomblé, pois, conforme dizem seus zeladores: “trata-se de um ritual cristão e não do axé orixá”, assim sendo não veem motivo para que se mantenha na atualidade.

Um outro fator que com certeza contribuiu e muito para a introdução desse preceito no candomblé, foi o fato de que os negros eram proibidos por seus “donos” a praticarem a religião de seus antepassados e assim sendo, primaram pelo sincretismo.

Mesmo em meados do século XX, ainda era comum a policia perseguir os templos de Umbanda e Candomblé, ocasião em que prendiam todos que se encontravam naquele local, então, os sacerdotes e sacerdotisas continuaram a manter o culto da quaresma como forma de mostrar uma “submissão” ao cristianismo, afastando assim a idéia de culto demoníaco, que erroneamente se tinha de nossa religião.

Mas, com o avanço das leis, muitas casas hoje em dia, aboliram esse ritual, e assim sendo, podemos até mesmo ver saídas de yawô durante os quarenta dias que se seguem após a folia.

Se esse ou aquele está errado, nessas humildes páginas não nos compete dizermos, apenas posso afirmar que, se cultuando ou não a quaresma, o que realmente importa é que sigamos fielmente as leis de nossos orixás, não nos importando as pedras que encontraremos em nosso caminho.

Não nos importa o ritmo de cada casa e de seu sacerdote, o que importa realmente, é que sejamos fiéis à casa que nosso orixá escolheu, pois ele com certeza sabe o que é melhor para seus filhos.

Sérgio Silveira, Tatetú n”inkisi: Odé Mutaloiá

odemutaloia@hotmail.com




















ORAÇÃO DOS ESTUDANTES AO MENINO JESUS DE PRAGA

Ó Santo Menino Jesus, sabedoria eterna e encarnada, que pela vossa suave imagem de Praga, dispensais a todos, generosamente, as Vossas graças, e de modo à juventude que a Vós recorre, volvei olhar benigno sobre mim, que invoco a vossa proteção para os meus estudos.

Iluminai a minha mente, tornando fácil a aquisição do saber. Reforçai minha memória, a fim de que possa reter tudo o que aprendi. Nos momentos difíceis sede a minha luz, o meu amparo e o meu conforto. ò dulcíssimo Menino Jesus de praga, Protegei-me todos os dias, cobrindo-me com o Vosso manto protetor, e guiai-me sobretudo na aquisição do saber e no caminho da salvação eterna.

Amém

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

ORAÇAO DOS PRETOS VELHOS

Senhor, Pai, que sois o poder, a bondade, a misericórdia, olhai por aqueles que acreditam em vossa bondade, poder e misericórdia.

Daí, Pai, aos que vacilam no vosso poder, na vossa misericórdia e bondade, a clareza de clareza de pensamentos e abri-lhes Senhor, os olhos para que pratiquem sempre a bondade, a caridade para com os outros, reconhecendo assim vossa existência, poder e misericórdia, bem assim, vosso Reino.

Senhor, perdoai aqueles que a escuridão ainda não deixou ver os erros cometidos na sua passagem por esse planeta. Daí, senhor, a eles que sofrem a luz do vosso imenso amor.

Que a luz do vosso imenso amor nos ilumine neste mundo e em outros que ainda desconhecemos, mas, que cremos se mais difícil atingir. Oh! Pai, a nós pecadores aceitai o nosso arrependimento dos erros que temos cometido, oh! Pai, pela vossa sagrada bondade e paixão, consenti que caminhemos até vós pelo caminho da perfeição.

Assim seja.

sábado, fevereiro 06, 2010

EIS QUE CHEGOU O CARNAVAL

Chegamos mais uma vez, à festa mais popular de nosso amado país. Obviamente que muitas pessoas do santo, brincam na folia de momo, se distraindo, esquecendo-se um pouco das lutas e dos sofrimentos do dia a dia. Entregam-se com fervor à folia, aos ritmos que fazem o delírio de todos nós.

Claro que não condeno àqueles que se dedicam a essa festa, afinal antes de tudo ela é uma das poucas festas onde a discriminação e a intolerância não encontram berço. Porém, não devemos nos esquecer de, antes de sairmos para a folia, deixarmos nosso Orixá e nosso Exú acesos para que possam nos guardar de todas as maldades do mundo, afinal, estamos em uma época em que os exageros colaboram para o aumento da violência e outros.

Não devemos também, esquecermos das promessas e juras que fizemos aos nossos Pais e Mães e nos mantermos atentos, em vigília para que possamos nos prevenir. Para as pessoas do santo, é sim, permitido, desfilar em escolas de samba, dançarem nos bailes de clube, e até mesmo nos de rua, mas NOS É PROIBIDO, a prática de crimes sejam eles quais forem.

Podemos brincar na folia, mas não podemos esquecer-nos de agirmos com coerência e calma durante os festejos. Sabemos que muitos espíritos inferiores estão à solta nessa época, tentando de todas as formas, arrebatarem mais almas para seu seio, e aí é que entra nossa responsabilidade como pessoas do santo: impedindo que esses seres, se apoderem de nós e, ao convocarmos nossas forças superiores, impedir também que se apoderem de nossos entes queridos, vizinhos e amigos.

Se convocarmos Deus e nossos Orixás, claro que enviarão mensageiros para que nos auxiliem e que tenhamos assim uma festa de amor e paz somente.

Não devemos como pessoas de uma religião, nos entregarmos em demasia à bebida e temos que nos mantermos mais que nunca, em vigília constante por conta das drogas que são consumidas em altíssimas doses, facilitando assim a interferência de seres inferiores que se alimentam dessas energias, provocando o caos em várias famílias.

Brinquemos, pois com Momo, mas, nos lembremos de que após o término da festa, temos que tomar um banho de limpeza para que possamos estar assim, livres de toda a influência negativa.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

segunda-feira, dezembro 21, 2009

PARA QUE 2010 SEJA DE PAZ E PROSPERIDADE

Segundo o Oráculo de Ifá esse ano que vem será regido por Oxalá, Yemanjá e teremos também uma influencia de Oxum. Podemos esperar um ano em que as pessoas buscarão mais paz dentro de seus corações e em suas vidas.

Temos um bom ano para casamentos, namoros e demais relações serem coroados de êxito, devemos nos prevenir, porém, pois Oxalá é o Orixá que mais nos cobra, sendo ele o Pai de todos os Orixás, fica irado se vê que seus filhos aqui na terra, independente de seu Orixá, estiverem andando de forma contrária às leis que regem o Universo.

Podemos fazer vários banhos e simpatias para esse novo ano, uma boa dica é combinarmos o branco com o azul para que os dois Orixás reinantes de 2010 possam interagir de forma mais direta em nossas vidas. E também acendermos incenso de mirra e de rosas em nossa casa nos primeiros dias do ano.

Para que tenhamos um ano com mais sorte na vida financeira e com paz podemos realizar o seguinte:

Na véspera do ano novo, selecione bem um pacote de meio quilo de canjica branca, lave bem lavado, e deixe de molho por pelo menos duas horas. Depois leve ao fogo e deixe cozinhar até estar bem mole, no ponto de comer. Ao retirar do fogo, separe a água em uma panela ou bacia e acrescente mais água fria e ali deixe descansando. Divida a canjica em duas porções iguais e prepare assim:

Uma das porções lave bem com água fria para que fique bem soltinha, depois deixe escorrer, escreva seus pedidos para Oxalá e coloque dentro de uma tigela branca, após a canjica estar sem água, coloque dentro da tigela e regre com mel de abelhas.

A outra porção proceda da seguinte forma: em uma panela coloque azeite de oliva e cebola branca ralada, e uma pitada de sal. Depois da cebola estar bem frita, jogue dentro a canjica sem lavar e mexa para que ela pegue tempero. Coloque seus pedidos a Yemanjá em um papel e deposite o mesmo no fundo a outra tigela e então coloque a canjica temperada. Após ela estar bem fria,proceda da seguinte forma:

Escolha um local em sua casa, onde não haja bebida, sexo nem fumo. Ali deposite as duas tigelas e no meio coloque um copo com água e uma vela de sete dias branca e ofereça as comidas a Oxalá e Yemanjá, no intuito de tudo que deseja para o próximo ano. Feito isso coloque sua roupa e curta sua festa.

No dia seguinte, pegue a água da canjica que separou em uma panela ou bacia, acrescente mel e depois de um banho de asseio, jogue esse banho da cabeça aos pés. Deixe a água escorrer bem, enxugue as partes íntimas e vista roupas claras. Assim estará pronto para o ano que se inicia.

Um axé bem forte para todos e que Oxalá e Yemanjá, tragam muita sorte, amor, paz e felicidade para todos!

FELIZ 2010!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.
odemutaloia@hotmail.com