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domingo, maio 16, 2010

A ORIGEM DE DAOMÉ, TERRA DOS JÊS E DA CULTURA JÊJE.

Como nação, todos conhecemos o Jêje e sua importância na disseminação do Candomblé, mas, como surgiu esse país?

O Dahomey, ou Daomé em português, foi um próspero reino africano, fundado no século XVII, segundo historiadores, e durou até o século XIX, ocasião em que foi conquistado pela França com o apoio das tropas do Senegal.

A origem da nação Dahomey, deu-se com o povo adjá que pertenciam ao reino costeiro de Aladá. Esse povo teria se deslocado para o norte, e se estabelecido entre outro povo de linguagem fon. Como os Adjás era um povo guerreiro, em meados de 1650 dominaram os fons e seu Rei, Hwegbajá se declarou rei de todo aquele território.

Estabeleceu a capital em Agbome ou Abomei, e tanto ele quanto seus sucessores, estabeleceram um estado totalmente centralizado, tendo como base a prática do culto à realeza, instituindo os rituais de sacrifícios e até mesmo o sacrifício humano em honra a seus antepassados.

Como reinado, toda a terra pertencia ao rei, e esse recebia imposto de tudo que ali se produzia. Porém, como eram guerreiros por excelência, Hwegbajá, e todos os reis que vieram depois dele, tinham outra fonte de renda que proporcionava lucros imensos: a venda de escravos.

Para tanto, mantinham esses reis, contato direto com traficantes de escravos, e a eles entregavam os povos vencidos em batalha, para que fossem vendidos para toda a Europa. Sua invencibilidade nas guerras era graças às armas de fogo, que conseguiam trocando escravos pelas mesmas com os europeus.

Mas, mesmo com todas as conquistas alcançadas, faltava ainda um reino a ser aprisionado, e esse era o reino de Aladá, localidade de onde se originava a família real. A conquista desse reino veio com a regência de Agadjá, Rei e guerreiro, que governou entre 1716 e 1740.

Após ser vencida em batalha, Aladá, ofereceu grandes lucros, pois todos seus habitantes foram transformados em escravos e vendidos diretamente aos comerciantes europeus que viviam da venda de pessoas escravizadas.

Alguns estudiosos acreditam que o fato de os Jêjes terem sido os maiores vendedores de escravos, foi o que favoreceu para que as tropas do Senegal ajudassem a França na conquista do mesmo. Ainda existem outros que afirmam terem sido os Jês que criaram o comércio tradicional que conhecemos até hoje, bem como o comércio de escravos, eram guerreiros e segundo estudiosos teriam sido canibais.

Mesmo com toda a sua força e poder aquisitivo, existia um reino vizinho a Agadjá, o qual seus reis nunca conseguiram vencer, e esse era o reino de Oyó, principal reino de sua época, e que se transformou em Império.

Com a dificuldade de se conquistar Oyó, e pelo fator de ser esse Império, o maior concorrente de vendas de escravos, o Rei de Dahomey tornou-se um súdito feudal de Oyó, pagando tributos a seu governante.

Mesmo como Estado submisso de Oyó, Dahomey continuou a crescer e a prosperar, graças ao comércio escravagista. Era também um reino que vivia da agricultura, tanto que mais tarde seu crescimento continuou aumentando com a produção e venda do azeite de dendê, uma vez que nesse reino existia uma imensa plantação de dendezeiro.

Toda a plenitude econômica de Dahomey, no entanto, se deu no século XIX, pois começou a exportar escravos para uma nova terra: o Brasil. Graças a essa prática, ficou o país conhecido pelo apelido de “costa dos escravos”. Ainda nessa época, um brasileiro de nome Francisco Félix de Souza, protegido do rei Guezô, tornou-se num dos mais famosos comerciantes de escravos.

Depois de uma guerra que durou de 1892 a 1894, Dahomey, foi conquistado pela França, mas, essa vitória somente foi alcançada, graças às tropas de africanos que revoltados com o fato desse povo ser o maior vendedor de sua própria gente para os demais países, ingressaram nas fileiras francesas, entre esses, um povo se destacou na batalha, os Yorúbas.

Com a transformação de muitos países, Dahomey também se adequou as novas à modernidade e assim, em meados de 1960, Daomé alcançou sua total independência se transformando na atual República de Benin. Em 1985 a UNESCO tombou os palácios reais de Abomei como Patrimônio Histórico Mundial.

Esses foram os Reis de Daomé:

• Ganiehéssu - Não se tendo uma posição exata do inicio de seureinado, que terminou em1620

• Dǎko-Donu, reinou no periodo de 1620 até 1645

• Hwegbadjá, esse Rei governou de 1645 à 1685

• Akabá,seu governo se deu entre 1685 e 1708

• Agadjá, reinou no período de 1708 à 1732

• Tegbesu, reinado entre 1732 e 1774

• Kpenglá, reinou nos anos 1774 até 1789

• Agonglô, foi Rei de Daomé de 1789 à 1797

• Adandozan, reiando entre 1797 à 1818

• Guezô, Rei deste país no período de 1818 até 1858

• Glelé, Rei entre 1856 à 1889

• Gbehanzin, a história se refere a ele como sendo o ultimo Rei de Daomé, e governou entre 1889 e 1894

Texto de Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

Fonte de pesquisa: Bibliotecas virtuais da África e Wikipédia.

quarta-feira, maio 05, 2010

A GRANDIOSA NAÇÃO JÊJE

Como sabemos, o Candomblé se deu início, com a vinda para o Brasil, de vários africanos escravizados em sua terra natal. Junto traziam seus deuses, seu jeito de ver e viver a religião de seus antepassados. Assim o Candomblé, possui suas nações, que são as representações das terras de onde se originaram cada etnia negra que aqui viveu.

Hoje vamos falar um pouco da nação Jêje.

Essa ramificação do Candomblé cultua os Voduns, seres ancestrais do antigo Dahomey, que compõem a rica e elevadíssima cultura Fon. Os negros dessa região, ao chegarem ao Brasil, eram chamados de djedje, ou jêje, como ficou conhecido no português. Essa palavra se origina do Yorubá que significa estranho, estrangeiro. Os povos do antigo Dahomi, assim chamavam seus vizinhos.

Assim como os nagôs, os Jêjes, que possuem as línguas, ewe, fon, mina e ainda os fanti ashantis, formam na verdade, grupos de sudaneses que pertencem à África Ocidental, hoje conhecida como Benin e Togo. Esses negros chegaram ao Brasil, escravizados em meados do século XVII.

Aqui, a palavra djedje, ou seja: Jêje, passou a ser traduzida como inimigo, isso devido a existirem aqui, povos que foram conquistados pelo Rei de Dahomey. Esse Rei conquistava os demais povos e os vendia como escravos para os europeus.

Quando alguns nativos de uma determinada aldeia enxergavam seus conquistadores, gritavam imediatamente: “Pou okan, djedje hum wa”! Ou seja: “olhem, os jêjes estão chegado”! Esse era um alerta para que fugissem de sua aldeia evitando assim, seu aprisionamento e a escravidão.

Segundo alguns historiadores, a mesma frase era usada quando escravos de outras regiões viam os Jêjes chegando em navios, aprisionados e escravizados da mesma forma que colocavam os membros de outras aldeias, e assim eles ficaram conhecidos como Jêjes.

Com a escravidão, muitos reis, rainhas, príncipes e princesas foram levados de sua terra e transformados em seres sem direito algum que não fosse o árduo trabalho e a chibata.

Entre esses, muitos sacerdotes, sacerdotisas ou mesmo os que eram apontados como sucessores dos primeiros, e a esses grupos, a perseguição era ainda maior, pois segundo a igreja, praticavam o culto ao demônio e assim sendo, teriam que ser destruídos de qualquer forma.

Dentre os inúmeros sacerdotes que aqui aportaram, constava nas fileiras dos Jêjes, uma senhora cujo nome era Ludovina Pessoa. Esta era natural da cidade de Mahi, Marri no português.

Foi ela eleita pelos Voduns, para fundar três templos a eles dedicados, e esses templos foram edificados na Bahia, pois que lá ela vivia como escrava.

Os templos que ela fundou eram:

• Templo de Dan, batizado de Kwé Cejá Hundé,

• Templo de Heviossô, batizado como Zoogodo Male Hundô.

• E o último, porém nem por isso menos importante, que foi dedicado a Ajunssum, porém esse não chegou a ser concretizado e os historiadores não sabem apontar a causa.

Segundo pesquisadores, o templo de Ajunssum foi erguido bem depois, por uma africana chamada Gaiaku Satu, em cachoeira de São Felix, e esse templo recebeu o nome de Axé Kpó Egi.

Mais tarde, essa nação foi sendo perpetuada em outros estados brasileiros e hoje mantém as mesmas tradições de seus antepassados, sendo considerada pelo povo de santo, como a nação mais rigorosa, a mais difícil de ser praticada, pois que seus rituais seguem as mesmas diretrizes de seus antigos zeladores.



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.


sexta-feira, abril 23, 2010

O CANDOMBLÉ E O BATUQUE

O Candomblé assim como o Batuque, são formas africanas de se ver Deus. São cultos a natureza, às divindades que governam a mesma, segundo a determinação de Olorúm, palavra Yorubá para designar o Supremo Criador, Olô = Senhor, Orúm = Céu, ou seja: Senhor, Dono do Céu.

Como religiões mantêm os preceitos de acordo com as práticas que eram realizadas pelos seus mais antigos sacerdotes, ainda em sua terra natal, a África. Diferem-se entre si, nas qualidades dos Orixás, nas comidas e nas formas de cultos, porém, unem-se na mesma crença de que Olorúm, Deus, criou o mundo e seus Ministros os Orixás para que governassem o mesmo em seu nome, até porque, segundo os antigos africanos, o nome de Deus não deve ser pronunciado em vão.

Tanto no Candomblé como no Batuque, os Orixás, não são em hipótese alguma, superior um ao outro, são na verdade a unificação de suas forças em prol do bem da humanidade assim como, seguindo rigorosamente suas leis.

Assim sendo, os Orixás dependem um do outro para que possam agir e interagir em nossas vidas, abreviando nossos sofrimentos e nos ajudando no nosso crescimento material e principalmente no espiritual.

As formas de culto modificam, nas duas religiões, dado às áreas da África da qual descendem. Mesmo dentro das nações do Candomblé e do Batuque, existem diferenças nos cultos, pois é sabido que cada região tinha seu próprio culto às divindades.

As nações do Candomblé são assim divididas: Angola, Kêtu, Jêje, Nagô, sendo essas as principais, as nações mães, de onde se originaram as ramificações, como Bate Folhas, Engenho Velho, Gantois, Mahi, Bogun, Muxicongo, ente outras.

Já no Batuque, s nações se dividem entre si da seguinte forma: Jêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô. São as nações do Batuque, como no Candomblé, a referência de suas origens, ou seja: cada nação pratica da forma mais aproximada possível os mesmos rituais que seus antepassados praticavam na Mãe África.

O Candomblé tem sua origem ainda no Brasil colônia, uma vez que a primeira casa fundada em Salvador, Bahia, foi o Ilé Axé Iyá Nassô Oká, que segundo as tradições foi fundada por três negras africanas que eram princesas em sua terra, sua data é em tor 1600. Uma outra casa de renome, é Ilê Maroiá Lájié, que foi fundada em 1636.

O Batuque muito embora seja também uma ramificação das nações africanas, teve seu iniício mais tarde, no Estado do Rio Grande do Sul. Consta nos registros que a primeira casa foi fundada já no século XIX, mais precisamente no período de 1833 e 1859. Também foi criado por escravos que viviam nesse Estado, e seu apogeu se deu quando um Príncipe chamado Custodio, chegou nessa terra no final do século XIX. Segundo alguns historiadores, esse Príncipe teria deixado sua terra, Ajudá, que se situava no antigo Dahomey, atual Benin, diante da promessa dos ingleses de que seu povo não sofreria.

O certo é que esse Príncipe governou seu povo com amor e sincera dedicação aos Orixás, e passou a ser visto por seus irmãos como um verdadeiro Deus.

As formas diferenciadas entre o Candomblé e o Batuque se dão também nas formas de se entregarem as oferendas aos Orixás, uma vez que suas comidas também se diversificam entre os dois seguimentos. Alguns aspectos se relacionam de forma comum, a exemplo de Xangô que no Candomblé é o único rei coroado, o mesmo se dando dentro do Batuque.

Na prática do Candomblé, temos Yemanjá como mãe de todos os Orixás, o que ocorre também dentro do Batuque. Existe, porém um Orixá conhecido no Candomblé como Nanã Burukê, que dentro do Batuque, segundo informações de alguns seguidores, seria um Yemanjá velha. Assim sendo, Nanã que para o Candomblé seria a priemeira esposa de Oxalá, sendo assim a mais velha de todos os Orixás, dentro do Batuque é conhecida como Yemanjá.

Outras diferenças existem entre os Santos das duas ramificações, como o dia de algumas divindades. Odé, por exemplo, é cultuado na quinta feira, já no batuque esse dia seria de Ogum.

Assim como Nanã para o Candomblé, existem Orixás que são cultuados somente no Batuque, como é o caso de Ogum Avagã, uma forma que somente dentro dos preceitos do batuque se conhece seus fundamentos.

Mas, o mais importante é sabermos que como religião, somos todos descendentes de uma mesma etnia: os negros e assim sendo, devemos nos comportar como irmãos, respeitando mutuamente e nos ajudando sempre que for necessário, principalmente dentro da intolerância religiosa, que fere a Carta Máxima de nossa Nação, a Constituição.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

Contatos:


quinta-feira, abril 22, 2010

OGUM MEGÊ



“O seu cavalo corre, em ninguém ver, ô salve as sete espadas de Ogum Megê”.

Essa qualidade de Ogum de Umbanda é muito invocada para resolver casos de feitiçaria e outros trabalhos mais pesados, principalmente os que envolvem a Calunga Pequena, ou cemitério.

Esse Orixá anda geralmente nas encruzilhadas e estradas que dão aceso ao campo santo, e sua força se une com a de Omulú, o grande guardião das almas e de sua morada. Grande guerreiro, sempre está atento para o que se passa dentro dos cemitérios, sendo importante que; antes de fazermos qualquer obrigação neste local, levemos presente para ele.

Ogum Megê, assim como os demais Oguns, é um protetor fiel, e sempre que por ele chamamos, encontramos pronto atendimento às nossas súplicas.

Com seu cavalo, este Ogum ronda os cemitérios sempre e nada podemos fazer sem sua devida autorização. Era comum os umbandistas mais antigos, levarem para ele, cerveja, velas, ou outro tipo de oferenda para que ele autorizasse aos exús daquele lugar, que viessem atender a um chamado sempre que deles precisassem.

Usa as cores vermelha e branca, assim como a grade maioria dos Oguns de Umbanda, fuma cigarro ou charuto e quando incorporado, bebe de forma moderada a cerveja branca.

Ao invocarmos algum exú de cemitério para nos ajudar em alguma situação, o Sr. Ogum Megê, vem imediatamente até as proximidades do portão e pergunta a que lugar vai aquele exú, e se ele não foi devidamente homenageado, pode impedir que aquele exú venha trabalhar, e essa é a causa de alguns trabalhos de cemitério não renderem resultados satisfatórios.

Dentro da quimbanda, assim como os demais Oguns, Megê se encarrega de supervisionar os trabalhos que são realizados e se por ventura algo de muito errado for feito, ele imediatamente comunicará às esferas superiores e se dará assim, o início da cobrança daquele ato, primeiramente para o exú e posteriormente para a pessoa que solicitou o trabalho.

Recebe velas brancas, vermelhas e brancas e sempre ao redor dos cemitérios, também costuma receber cerveja branca e algumas pessoas costumam colocar farofa para o mesmo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.




segunda-feira, abril 19, 2010

OGUM IARA


Temos aqui uma das muitas formas de Oguns dentro da Umbanda, um de seus pontos assim nos diz:

“Ogum Iara, quando era menino, em seu cavalo branco ele foi guerrear, ele guerreou, lá na sua banda e na nossa banda ele venceu demanda”.

Vemos nessa entoação, toda a bravura desse guerreiro, sua forma destemida de encarar as demandas, sejam elas no plano espiritual ou material.

Mas, quem é Ogum Iara?

A palavra Iara em tupi guarani, se traduz segundo alguns estudiosos, como Senhor, Proprietário, e a palavra Ogum significa O Guerreiro, ou ainda Aquele que faz guerra. Assim sendo temos uma tradução lógica de Aquele que é senhor da guerra.

Muito se fala em Ogum como grande guerreiro, mas às vezes nos esquecemos de que ele também é ligado às irradiações femininas, como no caso de Ogum Iara, que trabalha com a radiação da deusa Oxum. Ele une suas forças, com as de Oxum e ainda segundo alguns mais velhos nos preceitos da Umbanda, seria ele, o guardião das cachoeiras de Oxum, juntamente com Ogum das sete cachoeiras.

Assim sendo esse Ogum trabalha com o poder de purificação e transformação do fogo, e com o encantamento das águas doces, que são capazes de nos livrar de todos os males.

Ogum Iara ainda é associado para alguns à Yemanjá, por ser ela, nas crendices africanas uma sereia, mas vale a pena lembrar que Iara é a sereia encantada de nossos índios, aquela que em noites de luar, vive a cantar nas margens dos rios e onde mora. Também é conhecida como mãe d’agua pelos nossos índios.

Conta sua história que antes de ser transformada em sereia, Iara era uma índia guerreira, a melhor que já tinham visto naquelas tribos. Porém, ela era invejada por seus irmãos, pois seu pai vivia cobrindo-a de elogios, tanto por sua beleza como por sua valentia.

Certo dia, cansados de tanto ouvirem elogios à sua irmã e desejando tomarem seu lugar, planejaram matá-la e logo puseram seu macabro plano em ação.

Certa noite adentraram em sua tenda logo após ela dormir para darem cabo de sua vida, mas, como ela tinha ouvidos aguçados, escutou-os e para que sua vida não fosse tirada, teve que matar seus irmãos, fato consumado, ela fugiu com medo de seu pai que era um valente pajé.

Tão logo soube da morte de seus outros filhos e do desaparecimento de sua filha, ligou os fatos e decretou uma caçada impiedosa a Iara.

Após sua captura, ela foi condenada, a morrer afogada e foi jogada no local onde os rios Negro e Solimões se encontram para que ali morresse. Mas, os peixes penalizados com sua situação, a trouxeram de volta para a margem poupando assim sua vida. Eis que era uma noite de lua cheia, e ao seu clarão, ela foi transformada em sereia.

Por ser guerreira, ela passou a caminhar juntamente com Ogum e assim este passou a ser conhecido como Ogum Iara. Como Ogum opera a força viva do fogo, e Iara comanda as forças do rio, passaram a juntos formarem essa qualidade de Ogum.

Vale a pena lembrar de que Ogum e Iara são seres distintos, não se fundindo como um só. Tão somente por ele caminhar junto dela, passou a ser chamado Ogum Iara, ou a União do fogo com a água.

Também é esse Ogum, que, juntamente com Ogum das sete cachoeiras, guardam as águas de Oxum, garantindo assim, que seu reino não sucumba perante a invasão de forças malignas.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.









sexta-feira, abril 16, 2010

OGUM NA FORTALEZA DO HUMAITÁ

Dentro da Umbanda é comum ouvirmos o entoar de cânticos para Ogum, sempre valorizando sua condição de valoroso guerreiro, pronto a ajudar a quem esteja precisando de sua ajuda. Vejamos como exemplo alguns pontos entoados nas casas de Umbanda:

“Lá no Humaitá, onde Ogum guerreou, lá em alto mar, onde Yemanjá lhe coroou. Se a tua espada é de ouro, sua coroa é de rei, Ogum é táta de Umbanda, seu canjira de Umbanda, Ogum ieê”.

"Bandeira linda de Ogum, está içada lá no Humaitá, representando o general de Umbanda, Ogum vence demanda em qualquer lugar”.

Nesses dois pontos, temos a afirmação inequívoca de que Ogum foi invocado nesse campo de batalha. Mas, infelizmente, algumas pessoas acham que Humaitá não passa de uma alegoria, de um local que somente encontramos no imaginário da população. Mas, essa é uma forma equivocada de ver as coisas.

Humaitá existiu sim, era um forte existente no Paraguai, mais precisamente a margem esquerda do rio que possui o mesmo nome, e ao sul de sua capital Assunção.

Eis que naquela época, muitos dos marinheiros eram negros e como tal, não podiam de forma alguma encarar uma guerra sem pedir a proteção do santo guerreiro. Mesmo os que ali estavam, mas, que possuíam a fé católica, solicitaram a intervenção do valoroso São Jorge para que pudesse sair vencedores daquela demanda.

Curiosamente a palavra Humaitá em tupi guarani, traz o seguinte significado: hu = negro, ma = agora, e ita = pedra, assim sendo temos a tradução: a pedra agora é negra.

Temos então mais que um motivo para atribuirmos ao glorioso Ogum, São Jorge, essa vitória das forças brasileiras nessa guerra. Ogum como destemido que sempre foi, jamais iria se negar a intervir em uma batalha como essa, até porque segundo os historiadores, esse forte era o mais temível de sua época e dificilmente qualquer país teria dificuldades em invadir o mesmo.

Não importa se em tempo da guerra, chamaram por Ogum ou São Jorge, mesmo porque dentro do sincretismo existente em algumas partes do Brasil, Ogum é sincretizado com o Santo Católico, Jorge, que à exemplo do deus da guerra africano, era destemido de tal forma que teria matado um dragão para salvar uma donzela em perigo.

Assim, temos a existência de Ogum na batalha do Humaitá que se deu, devido ao Paraguai ter invadido o Mato Grosso. E lá estava Ogum para ajudar a quem o invocava com tanta força, daí a relação entre o santo e essa terrível batalha.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá






quarta-feira, abril 14, 2010

BANHO DE ABÔ

Dentro das nações de Candomblé existem vários ebós que se destinam à limpeza do corpo e do espírito de um ser vivo. Eles servem para desmanchar tudo de ruim que existe nesse ser, desde o negativo de seu odú, até mesmo, trabalhos de magia negra que foram realizados contra ela.

Dentro desses ebós, existe como complemento, o banho de abô. Esse é preparado com varias ervas que são maceradas em água limpa, e seu processo é complexo: começamos com a escolha do dia em que vamos até a mata para recolhermos as ervas que deverão ser utilizadas na preparação desse banho.

Após a escolha do dia, tanto o zelador como as pessoas que vão lhe auxiliar, devem se resguardar por um período de três dias, sem sexo, bebida alcoólica ou qualquer outro elemento que “suje” seu corpo.

Na véspera de se ir à mata para recolher as ervas, deve-se preparar os presentes para Ossanha a fim de que o mesmo nos permita retirar as Insabas sagradas. No dia seguinte antes do sol esquentar, as pessoas saem do barracão vestidas de branco, e sem conversar nada pertinente ao mundo, adentram na mata para recolherem as ervas que servirão para preparar o banho, que podem variar de caso para caso.

Após recolherem as ervas, as pessoas voltam para o barracão e deixam as Insabas descansarem por um período de no mínimo seis horas para somente depois começarem a preparar o banho. Todo esse processo é restrito às pessoas devidamente preparadas e com tempo de feitura suficiente para se saber como se prepara o abô.

O banho de abô deve ser condicionado em um pote de barro, denominado porrão, também sagrado para os rituais de Candomblé seja ele de qualquer nação.

Após seu preparo o omin eró tem a função de limpar o corpo das pessoas e, no caso de iniciação é ele que vai trazer o Orixá para a terra. Nunca devemos usar esse banho com outra finalidade que não seja a de limpeza, pois seus fundamentos são muito grandes, e após tomarmos esse banho, nem mesmo caboclo ou outra entidade de Umbanda se incorpora em seu médium.

O banho de abô tem muita utilidade dentro do axé orixá, e casa nenhuma deve ficar sem o mesmo, pois sua força é muito grande e, ele tem a força para repelir qualquer aproximação inferior.

Espíritos errôneos jamais se aproximam de uma pessoa que toma esse banho, pois sua essência aproxima de forma direta o Orixá da pessoa e este jamais compactua com espíritos inferiores.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.





sexta-feira, abril 09, 2010

O PADÊ DE EXÚ

Dentro dos rituais sagrados de Exú, não pode faltar de forma alguma seu padê, espécie de farofa crua, na qual é adicionada a farinha de mandioca, e vários elementos, dependendo da necessidade de cada pessoa.

Os mais utilizados de forma geral, são: o padê de água, de dendê, e o de mel. Sendo que esses são muito utilizados quando se realiza algum sacrifício de aves ou de quatro pés para essa divindade. O padê sem o ritual de sacrifício tem por finalidade, se presentear a Exú para que ele nos ajude em determinados assuntos nos quais necessitamos. Trata-se de uma comida preferida por todos os exús e sua aplicabilidade remonta das senzalas que existiam no Brasil.

É público que na África não existia esse tipo de alimento, farinha de mandioca, uma vez que esse foi criado pelos índios brasileiros, mas, os antigos sacerdotes, que eram escravos, introduziram esse presente ao culto de exú e desde essa época, é comum dar-se de presente para exú seu padê.

O padê de dendê serve para se esquentar os caminhos e é muito utilizado para a abertura de caminhos para emprego, para o progresso de uma empresa ou para várias outras utilidades. O padê de azeite de oliva costuma ser usado para se conseguir um equilíbrio em determinado setor da vida de uma pessoa, o de mel, serve para se adoçar uma pessoa, para fazer com que exú nos traga, por exemplo, o livramento de uma perseguição, para que uma pessoa que é nosso inimigo se transforme em nosso amigo, para ajudar em questões amorosas entre tantas outras utilidades.

Em caso de abertura de caminhos para uma empresa, para se atrair clientes para um comércio, para que se arrume emprego, é aconselhável que se coloque sete moedas correntes. Para as demais utilidades pode-se colocar de uma a sete moedas correntes.

Ainda existem outros tipos de padês chamados negativos, que servem para livrar uma pessoa da praga, por exemplo, da feitiçaria, do olho grande etc.

Porém, sempre é bom lembrar que as divindades do Candomblé somente atendem ao chamado de pessoas preparadas e com tempo de santo suficiente para entregarem as oferendas, e se alguma pessoa sem esses requisitos, tentar realizar alguma cerimônia, os efeitos podem ser catastróficos na vida do consulente.

E esse fato ocorre muito frequente uma vez que a ganância, a ânsia de dinheiro faz com que pessoas sem preparo algum, decidam interferir solicitando ajuda das entidades para pessoas em seu dia a dia. Exú como sendo um Orixá de grande poder, não tem o hábito de perdoar, e se por ventura, algo for feito de forma irregular, teremos sérias complicações na vida daquele vivente.

Pode-se servir o padê para exú independente de lua ou dia de semana, não sendo aconselhável somente nas sextas feiras, pois esse é um dia consagrado a Oxalá e assim sendo, como existe uma kizila entre Exú e Oxalá, não se recomenda que seja feita qualquer oferenda para essa entidade, deixando o dia de sexta feira somente dedicado a se presentear Oxalá e assim mesmo sem matança, somente com comida seca e reza.

Como qualquer Orixá do panteão africano, exú também tem seu Oriki, ou seja, um conjunto de palavras litúrgicas que são utilizadas para invocá-lo. A esse conjunto de palavras dá-se o nome também de Reza.

As rezas de exú servem para acordá-lo, para invocá-lo para que se digne e vir receber a oferenda que lhe trazemos como para que interaja em nossa vida ou na vida de uma pessoa que necessita dessa intervenção.

É imprescindível que ao entregarmos o padê para exú, estejamos de corpo limpo, sem sexo, bebida ou qualquer outra substância nociva ao lido com os fundamentos do Axé Orixá. Temos também que recorrermos ao jogo para ver qual o tipo de problema existe na vida daquela pessoa e qual Exú se digna a olhar por ela e ajudar.

Nunca, em hipótese alguma, devemos invocar exú sem uma necessidade real, pois o mesmo é dotado de uma força que ser humano algum é capaz de controlar.

Que exú abra seus caminhos e lhe traga muita paz e tranquilidade



Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.



quarta-feira, abril 07, 2010

A FAVA DE ARIDAN E SEU USO DENTRO DO AXÉ ORIXÁ


Dentro dos fundamentos de santo, é comum o uso de favas para que se dê o complemento do encantamento do assentamento ou mesmo a proteção do yawô bem como da casa.

A mais utilizada dentro das casas de Santo, é a Aridan, de origem africana e que lá possui o mesmo nome, sendo que este se traduz como fruta, isso no dialeto yorúba, já na região do congo, ela é conhecida como Kiaka, Evaka, Chiacha, entre outros. Seu nome científico é: tetrepleura ou tetraptera (Schum & Thour).

Foi trazida para o Brasil pelos escravos, com a finalidade ritualística bem como farmacológica. (Essa fruta, (fava), existe ainda hoje na África central, e constitui-se basicamente de uma árvore com aproximadamente 30 metros de altura, segundo os estudiosos), e produz seus frutos que são constituídos da seguinte forma: 04 frutos alados, tendo uma polpa carnuda e dentro das mesmas encontramos as sementes. Possui essa fruta um perfume picante e odor aromático. Devido a isso, muitos acreditam que ela tem o poder de repelir insetos.

Dentro da farmacologia afro, ela é utilizada no combate a convulsão, hanseníase, inflamações, e ainda aplicada nas dores de reumatismo.

Nos rituais de Orixá, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos mais remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.

A Aridan é muito conhecido do povo de Candomblé por ser talvez a mais sagrada de todas as favas de utilidade religiosa, mesmo Exú leva essa fava em seu assentamento, e jamais se faz matança para Orixá sem que ela esteja presente dentro do Ibá Orixá.

Sua utilidade como disse acima, serve tanto para o encantamento como para a proteção da pessoa e da casa. Nessa utilização, essa fava corta os males feitos por feiticeiros e impede até mesmo que o mal olhado atinja a pessoa, sua casa ou seu local de trabalho.

Apesar de ter tantas utilidades, ela não é posta na cabeça da pessoa, cabendo essa utilidade apenas ao obi e ao orobô. Em caso a pessoa ser perseguida por inimigos, basta que se mantenha essa fava dentro de casa ou escritório, pronunciando as palavras litúrgicas para que ela mantenha o ambiente salutar e afastar toda a energia negativa.

Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá






terça-feira, abril 06, 2010

POR QUE DARMOS OFERENDAS AOS ORIXÁS?

Muitas pessoas se perguntam o por que de darmos oferendas aos Orixás e também por que temos que pagar o axé ou chão do zelador para que o mesmo possa nos preparar e entregar as oferendas aos Orixás quando são necessárias para resolver qualquer assunto em nossas vidas.

Pois bem, as oferendas o próprio nome já diz, são nada mais que presentes, que se constituem em comidas e sacrifícios prediletos de cada Santo do panteão afro. Para cada Orixá, existem comidas diferentes e as mesmas, são verdadeiras iguarias na culinária africana, o mesmo acontece com o sacrifício, muito embora sejam ofertados galos, galinhas, pombos, cabritos e outros para os Orixás, todos possuem formas diferentes de se sacrificar seus animais prediletos.

Em tempos remotos, parte da colheita era oferecida aos deuses como forma de agradecer pela fartura na mesma, e em tempos anteriores ao cristianismo, eram oferecidos holocaustos a Deus e mesmo parte da colheita era a ele ofertada como forma de agradecimento e pedido de prosperidade. A essa doação, ou oferta, dava-se o nome de dízimo.

Com os Orixás, o mesmo acontece, oferecemos presentes como comidas secas, e em alguns casos o holocausto como forma de agradecermos por sua ajuda em determinado assunto, ou para pedir que interfira na solução de problemas variados de nossas vidas.

Nada se faz dentro do Axé Orixá, sem que a eles, ofertemos esses “presentes”, afinal são deuses que governam a natureza e assim sendo, nada mais justo que ofertarmos as obrigações que nos solicitam.

Quanto ao pagamento do axé do zelador, também é algo muito justo por vários motivos: um templo não se mantém sem dinheiro, pois temos água, luz e outras coisas a serem pagas mensalmente e ninguém com certeza absoluta vai se comprometer a arcar com as mesmas.

Em segundo plano, porém não menos importante, está o trabalho realizado por aquele zelador. Nas igrejas, por mais que alguns teimem em dizer que não, mas se cobram pelas coisas sim, pois tem o dízimo que obrigatoriamente é pago pelos fiéis além das ofertas que são entregues todos os dias de culto. Então por que no Candomblé e na Umbanda, os sacerdotes teem a obrigação de realizar as coisas sem cobrança?

Dentro de nosso mundo, é comum, desde tempos remotos, que os sacerdotes recebessem pagamentos em formas variadas por suas intervenções junto aos deuses ou junto a Deus, na solução de problemas variados.

Quem nunca ouviu falar das indulgências vendidas por Roma para seus fiéis? E mesmo em tempos atuais, um batizado, casamento, ou outra cerimônia qualquer que seja, é cobrado algum valor sim, assim sendo dentro dos templos afro religiosos, temos total direito em cobrar pelos serviços prestados.

O que não podemos, seja qual for a nossa ramificação religiosa, é; como sacerdotes, explorar a fé das pessoas, extorquindo-as de todas as formas possíveis. E esse fato vemos constantemente divulgado em veículos de informação, quando os sacerdotes cristãos prometem até mesmo, terrenos no céu para quem se dedicar a pagar mais para a igreja.

A partir do momento que cobramos, temos também a obrigação moral de zelarmos verdadeiramente por aquela pessoa que nos pagou, afinal foi seu sacrifício em favor dos Orixás, sua fé, que o levou a nos procurar.

Não podemos ser hipócritas e cobrarmos sem nos dedicarmos de verdade nos problemas daqueles que buscam em nós uma solução para suas vidas. Não temos o direito de pegar o dinheiro de uma pessoa e não realizarmos suas obrigações, e se por ventura seus pedidos não forem atendidos imediatamente, temos sim, a obrigação moral de revermos a situação a fim de que encontremos a forma para resolvermos a sua vida.

Assim sendo, é completamente normal a cobrança do axé ou chão do zelador, mas temos que ter a responsabilidade de acompanharmos de perto os problemas daquela pessoa que solicitou nossa interferência.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.