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domingo, junho 21, 2009

SAUDOSAS GIRAS DE UMBANDA

Antigamente, lá pelos idos dos anos 70 e 80, os trabalhos de Umbanda eram realizados de forma bem diferentes das de hoje. Hoje as coisas mudaram muito e infelizmente parece que o respeito também é algo escasso até mesmo em alguns templos religiosos.

Lembro-me de que ao virarem a linha de caboclo ou preto velho para exú, por exemplo, as crianças eram retiradas de dentro do templo, pois os antigos não permitiam que as mesmas presenciassem esse tipo de trabalho por medo de que as crianças recebessem alguma energia que não fosse 100% compatível com seu desenvolvimento material. E se por ventura o caboclo, pretos velhos, marinheiros ou outro guia fosse realizar um trabalho de puxada, ou seja: trazer algum espírito atrasado que estivesse na vida ou na casa de alguma pessoa ali presente, as crianças e gestantes eram imediatamente retiradas da sala a fim de que não presenciassem o decorrer de um trabalho tão pesado e o mesmo acontecia quando se fazia necessário o uso do fogo de pólvora.

No tangente à bebida então, total diferença de hoje em dia: as entidades não bebiam e quando os exús se incorporavam eram dados a eles apenas uma ou no máximo duas doses de pinga em um coité. Os marujos não bebiam em demasia e assim por diante.

Hoje as coisas andam meio complicadas; realizam qualquer tipo de trabalho na frente de qualquer pessoa, não importando que seja uma grávida ou mesmo criança. Utilizam-se de artifícios mil para convencerem as pessoas a confiarem em seus trabalhos, e isso quando as entidades não chegam para brigarem com alguém pelo fato, por exemplo, de ter discutido em casa.

As bebidas são servidas como se fossem águas em torneira, tamanha a quantidade que se entrega nas salas. Penso que isso não passa de exibicionismo e pretensão, pois que as entidades não precisam de tanta bebida para trabalhar, afinal sabemos que onde existe certa quantidade de álcool somente espíritos inferiores se achegam.

Devemos respeitar as limitações dos corpos dos médiuns, afinal suas entidades precisam deles com boa saúde e disposição e se estão a se entregarem a devaneios e também a exageros, obviamente que somente seres negativos se aproximarão daquela casa e de seus trabalhos.

Também é verdade que nem todas as casas agem assim, que se procurarmos encontraremos pessoas sérias e dispostas a praticarem uma Umbanda com amor e com limitações. Sem o exagero que vemos em uma certa quantidade de templos.

Aliás, nossos templos são nossas igrejas e temos a obrigação moral de zelarmos por eles, não permitindo que nada aconteça e que venha prejudicar o bom andamento de seus trabalhos e mesmo o bom nome de nossa religião.

Zelando por nossos templos, estaremos zelando por nós mesmo uma vez que ali renovamos nossas energias. É ali que nossos menores se comunicam com os demais para lhes amenizar o sofrimento nesse mundo às vezes tão cruel.

E da mesma forma que zelamos de nosso templo. Temos que zelar pelo nome de nossa fé, afinal se somos nós, os primeiros a derrubarmos nossos bons costumes, o que farão as demais pessoas?

Umbanda é paz, amor, equilíbrio acima de tudo, é a união de forças celestiais, de mensageiros de paz e confraternização, e não a orgia que alguns praticam.

Precisamos recuperar o bom senso, levarmos nossos trabalhos sem maiores futilidades, termos a consciência de que somos escolhidos para uma missão divina. Se agimos contrários às leis, estaremos dispondo o bom nome de nossos Guias Protetores.

Amemos pois, a Umbanda e deixemos de lado as futilidades pois elas são necessidades da carne e não do espírito.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

sábado, junho 20, 2009

OROGBÔ OU OROBÔ

Uma fruta muito utilizada no Candomblé assim como o obi. Importantíssima e imprescindível em assentamentos, boris, feituras e demais atos do Axé Orixá. Pertence a família das Garcínias e seu nome científico é Garcinia Kola Heckel, dentro da nação Angola também é conhecido como “falso nós de cola”.

Assim como o obi, os fundamentos de Orixá estão incompletos sem ele, aliás, não fazemos um Yawô sem esse fruto. Originário da África, também é encontrado na Polinésia, Ásia e Austrália.

Ao fazermos o abô, banho sagrado utilizado dentro do Candomblé, essa fruta é um dos itens ritualísticos. Podemos também utilizar o orobô para a consulta de um vivente quando se fizer necessário e claro que não substitui o Oráculo de Ifá. Ao mastigarmos, seu gosto desagrada ao paladar, pois incomoda um pouco, porém, é de imensa utilidade nos preceitos religiosos e serve também para “fechar o corpo” em nosso dia a dia. Também sendo utilizado como banho em determinados momentos de nossa vida quando passamos por algum problema que requeira esse banho.

Ao efetuarmos rituais de Orixá, depois que rezamos e jogamos o obi, fazemos a reza do orobô e procedemos com seu jogo, para sabermos se o Orixá aceitou ou não a obrigação que está sendo realizada.

Ele pode ser utilizado para qualquer Orixá, mas tem um significado para uma determinada qualidade de Xangô que não usa de forma alguma o obi.

Fruto sagrado dos Orixás, a exemplo do obi, não pode de forma alguma ser aberto e jogado por quem não seja feito no santo ou mesmo que não tenha suas obrigações em dia. Seu uso é dentro de Candomblé não pertencendo aos rituais da Umbanda.

Também é muito apreciado por Águé, sendo que em seus rituais é bom que seja sempre usado para aláfia juntamente com o obi e mesmo na falta desse o orobô pode ser utilizado sozinho. Ainda existem algumas casas que utilizam o orobô no preparo de algumas comidas sagradas dos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gmail.com





quarta-feira, junho 17, 2009

OS SEGREDOS DA ALUBAÇA, OU CEBOLA.

Como tempero a cebola é muito conhecida por todos nós, seja na culinária do dia a dia em nossas casas ou mesmo na cozinha de santo. Com um pH altíssimo ela é benéfica ao coração como dizem os médicos. Muito embora seu sabor não seja muito apreciado por todos quando crua, porém, sua qualidade medicinal até mesmo no combate dos sintomas da gripe são indiscutíveis.

Dentro do Candomblé, sua utilidade vai muito mais além das panelas quando é usada como tempero: ela serve para o ALÁFIA como chamamos o ato de ler a cebola para interpretarmos os problemas de um cliente e também como confirmação de uma obrigação para egum e exú.

Não que sua leitura seja tão expressa como a do jogo de búzios, mas, se o sacerdote tiver visão consegue interpretar alguns detalhes de um problema quando houver a impossibilidade de se abrir o oráculo de Ifá.

Nas matanças e outros rituais de exú e egum, ela é alafiada para que possamos ter a condição de confirmarmos a satisfação e o recebimento das mesmas, desde que seja preparada com os itens ritualísticos necessários e também com a pronunciação das palavras litúrgicas. Nesse momento deve o zelador proceder com a máxima concentração, pois estará em contato direto com a entidade a qual receberá a oferenda.

Também é utilizada a alubaça ou cebola, como forma de se conversar com Caboclos, alguns sacerdotes mais antigos, diziam ser ela o principal ato para se realizar obrigações para o Caboclo Juremeiro, uma vez que seria ele o dono desse processo. Não digo ser certo ou errado essa afirmativa, mas, sei que tudo que os antigos nos ensinavam tinham sim, seus fundamentos e podíamos ir sempre em seus ensinamentos que dificilmente erraríamos fosse no que fosse.

Pertencente a caboclo, exú ou egum, o fato é que a cebola é parte de nossos fundamentos no Candomblé e sem ela muito pouco podemos fazer para algumas entidades, uma vez que ela substitui o obi quando em suas obrigações.

Mas, fica o alerta: assim como os búzios e o obi, a abertura de uma alubaça para jogo, não pode de forma alguma ser realizada por pessoas que não sejam feitas de santo, ou se assim o forem, mas não tiverem suas obrigações em dia. Isso porque a entidade não reconhece aquele que não tem os fundamentos necessários e esses assim como as rezas para cada ocasião somente são passados para as pessoas com determinado tempo de raspados.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

terça-feira, junho 16, 2009

ORIXÁS, MITO OU REALIDADE?

Fonte: <http://aulobarretti.sites.uol.com.br>

Foto do Adê Bayanni Usada por Dadá Ajaká . Pertencente a Yêda Pessoa de Castro, Exposta no Museu Afro Brasileiro, 1983.
Sempre que questionam nossa religião, falam que são demônios, que são seres que apenas existem na imaginação popular. Eis aí um grande erro por parte das pessoas, sejam elas leigas ou mesmo de dentro do Axé Orixá.

Existem pessoas iniciadas que dizem que Orixá nunca teve vida terrena, que não passam de seres mitológicos. Outro ledo engano.

Os Orixás existiram sim, obviamente que existem suas lendas, mas eles existiram, foram pessoas que sofreram, amaram, sorriram, choraram, foram felizes e alegres.

O que acontece é que na tradição africana, se cultuam os antepassados como parte do Orúm, Céu, como composições da energia suprema de Olorúm, Deus, e não como seres que após morrerem, simplesmente deixam de existir para toso o sempre.. E isso vários historiadores das culturas e religiões veem mostrando no dia a dia com seus estudos, suas pesquisas.

Um caso muito estudado é do de Xangô, que nasceu em Nupe, terra dos Tapás a mesma cidade natal de sua mãe Torosí. Nessa época quem reinava em Oyó era Dadá Ajaká, seu irmão consanguíneo. Xangô então muda-se para Oyó e foi residir em um bairro chamado por ele de Kossô, que era o mesmo nome da cidade na qual viveu, mantendo assim seu título: Obá Kossô.

Porém, ao perceber a fraqueza de seu irmão, e sabendo que um país precisava de um Rei mais agressivo e destemido, e sendo ele astuto e com muita ânsia de poder, destronou seu irmão Ajaká transformando-se assim no quarto Alafin de Oyó. Dadá Ajaká é exilado sai de Oyó e vai reinar em uma cidade menor e de menos importância, Igboho, essa era vizinha de Oyó. Como tinha sido deposto de seu trono, não mais tinha o direito de usar a coroa real de Oyó.

Destronado ele teve que usar uma coroa de búzios chamada de Adê de Bayanni e essa foi usada por ele até a morte de seu irmão Xangô, ocasião em que Dadá voltou a reinar.

Xangô teria segundo estudiosos, reinado em 1700 a.C. Era ele um Rei severo, um soberano que amava o poder mais que tudo e com isso ele passou a ser odiado por vários de seus súditos.

Possuía ele um exército imenso que era comandado por Afonjá que recebia também o nome de Arê Onã kakanfô, o qual foi o comandante de uma revolta para abolir com o tipo de governo em Oyó. Para essa revolta Afonjá solicitou e obteve apoio de um professor nômade, da tribo dos fulanis, povos que vivem ainda hoje segundo os historiadores em todo o continente africano e são nômades. Esse professor que ajudou Afonjá chamava-se Alim al-Salih, e como bom mulçumano ajudou Afonjá, pois queria ver o culto a apenas um Deus ser introduzido em África, o que deu início para a quebra de toda uma tradição.

Xangô após ser rejeitado pelo conselho de anciãos, foi condenado a se enforcar como era o costume da época.

Aqui faço uma referência a esse fato, para mostrar que nunca, Candomblé foi baseado em lendas de seres que jamais existiram nessa terra! Ao contrário: existiram sim, foram reis, rainhas e pessoas de grande influência em suas épocas. Se estudarmos as pesquisas realizadas por vários historiadores, veremos que muito do que chamamos lendas, são na verdade, passagem da vida dessas pessoas e assim sendo, dignas de todo o respeito possível.

Lembremos também que entre os povos antigos, era costume se adorar os reis como reencarnação de deuses que aqui vinham para guiarem seu povo para um caminho de progresso e prosperidade.

Dentro de nossa religião, encontramos muito mais coerência do que imaginamos, e também encontramos respostas para a questão das qualidades de santo na nossa religião.

Ajaká por exemplo, que a história relata como Supremo General das forças armadas de Oyó, é cultuado como uma forma de Xangô, e com toda a razão, pois foi graças a sua ousadia que o povo yorúba passou a ter um governo mais aberto e com uma certa liberdade a qual era imensa para o tempo ao qual se refere essa história, vejamos que nos reportamos aqui a um tempo de 1700 a.C.

Todas as vezes que rezamos para nossos Orixás, rezamos para ancestrais da raça humana, dado que a ciência já vem provando que foi justamente no continente africano que a vida teve início na terra, e para os africanos foi mais precisamente em Ifé.

Não que Ifé tenha sido o berço de toda a raça humana, mas, da raça a qual pertencemos nos dias atuais.

Sermos candomblecistas é sobre tudo pertencermos a uma religião que cultua o ser humano como parte de um cosmo de tamanho e força incomensuráveis e também a natureza como expressão máxima de Deus Onipotente.

Ao confirmarem que zelamos por lendas, as pessoas geram uma grave falta contra essas pessoas que em seu tempo construíram literalmente o mundo que conhecemos atualmente.

Se faz necessário que amemos nossa religião e que tenhamos orgulho de pertencer a uma etnia que sem a qual não estaríamos hoje aqui.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@pop.com.br

sábado, junho 13, 2009

O ORIXÁ OGUM


Rebento de Odudúa e yembo, sendo assim irmão de Xangô, Oxossi, Oxum, Eleguá e Exú. Seu pai foi o grande herói do povo yorubano, e segundo pesquisadores, fundador da cidade sagrada de Ifé. As histórias mostram que certa vez, Odudúa foi acometido por uma cegueira temporária e seu varão Ogum reinou por ele.

Em outros mitos seria ele, filho de Oxalá e yemanjá.

É ele um Orixá de suma importância tanto na África como aqui no Brasil, suas histórias remontam datas em que o homem nem mesmo caminhava pela Terra. Seria ele o primeiro Orixá a descer do céu para a terra. Por isso ser ele o primeiro dos Orixás a ser homenageado e nenhum outro, com exceção de Exú pode receber qualquer oferenda antes dele.

Contam as lendas africanas que os duzentos deuses que residiam à direita de Olodumarê, Deus, se rebelaram contra ele, e assim foram punidos e destruídos por Deus, como Ogum foi o único desses deuses que não se rebelou, coube a ele a tarefa de guiar os quatrocentos deuses que residiam à esquerda de Deus.

Na mitologia yorúba Ogum é o Orixá ferreiro, senhor absoluto dos metais e tudo que temos hoje em dia, devemos a ele. Contam as histórias africanas que foi Ogum quem ensinou a humanidade a forjar o aço para que pudesse assim desenvolver melhor a agricultura e também para que pudessem construir armas para se defenderem dos ataques de seus inimigos.

Em seu fetiche ele carrega sete instrumentos feitos a partir do ferro: machado, enxada, pá, picareta, espada, foice e martelo e com esses instrumentos ele ajuda os homens a vencerem a natureza que em muitas vezes se mostra cruel não permitindo nem mesmo que a aragem seja realizada.

Teria sido Ogum, um destemido guerreiro que brigava constantemente com os reinos vizinhos e sempre que guerreava jamais voltava perdedor, pois era um grande estrategista e assim sendo, seus soldados não temiam ir à guerra onde fosse que esta estivesse.

De suas guerras, Ogum sempre trazia valorosos espólios e também muitos escravos. Em uma de suas lutas contra a cidade de Ará, ele a destruiu completamente além de ter saqueado vários outros reinos vizinhos.

Após essa matança, ele marchou contra Irê e lá, após ter destruído por completo a cidade, matou seu Rei e colocou seu filho no trono, e de volta Ifé, ele adotou o titulo de Oní Ifé, que significa Rei de Ifé.

Aqui no Brasil, seja na Umbanda ou no Candomblé, esse valoroso Orixá é de suma importância e nada se faz sem dar satisfação a esse Orixá que não somente sabe manipular o aço e o ferro, mas que acima de tudo é um exímio e destemido guerreiro.

Os antigos nos ensinam a sempre darmos um sacrifício a ele ao recebermos algum favor dele, pois assim, aplacaríamos sua ira, que ainda segundo a sabedoria dos mais antigos em nossa religião, é a pior que pôde se vista até hoje no mundo.

Nada se promete a Ogum e não se cumpra, pois ficará cego de raiva e aí as consequencias podem ser terríveis. Afinal, ele é ainda sincretizado com o Deus Ares, grande deus da guerra.

Como filho, sempre foi obediente a seu pai e sua mãe, e jamais fará algo que contrarie suas ordens. Bom filho, sempre foi amado por todos e desejado por todas as mulheres. Suas filhas são geralmente mulheres de temperamento calmo, porém determinadas e nunca aceitam o julgo de um homem por mais que o ame.

Temos que nos acautelar ao lidar com esse Orixá, pois possui temperamento forte e por qualquer motivo, demonstra um ira jamais vista. Porém se bem agradado, nos abre caminhos maravilhosos e segundo dizem nossos mais velhos: “caminhos que Ogum abre, ninguém fecha”.

Salve Ogum, Principal Orixá em nossas cabeças!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com









quinta-feira, junho 11, 2009

OBI, A FRUTA SAGRADA DOS ORIXÁS

Na verdade obi é uma semente. A nós de cola. Muito usada em todos os preceitos do Axé Orixá, e nada se faz sem que ela esteja presente, seja para confirmar uma obrigação, seja para ser ingerida no dia a dia como forma de proteção contra todos os males que atingem os seres humanos.

Nada podemos realizar dentro do Candomblé sem abrirmos um obi e jogarmos para que o Orixá nos diga se está ou não satisfeito com os rituais realizados.

Segundo as crendices africanas, assim surgiu o obi e sua importância para nossos ancestrais:

Olodumarê, o Deus supremo, percebeu em determinada ocasião que os Orixás estavam se digladiando e, antes de descobrirem que as brigas aconteciam devido às artimanhas de Exú, que sendo brincalhão e esperto não podia deixar passar uma oportunidade de criar uma desavença, ele, Olodumarê, resolveu chamar as quatro divindades calmas para em conjunto encontrarem uma solução para o problema que surgira. Essas divindades eram: paz, Harmonia, Concórdia e Ayê. Sendo que essa última seria segundo as lendas, a única divindade feminina presente.

Por mais que conversassem, não encontravam uma resposta definitiva para os motivos de os mais novos não obedecerem e respeitarem as determinações dos mais velhos, conforme Deus havia determinado que fosse.

E como não se achavam uma solução para tal, começaram a rezar na Terra, pedindo que o equilíbrio voltasse a existir. E enquanto rezavam na Terra, Olodumarê abriu e fechou sua mão direita e depois à esquerda, prendendo assim o ar.

Com o ar preso em suas mãos, ele saiu do ambiente em que estava acontecendo a reunião e ao chegar do lado de fora, plantou o ar que tinha aprisionado em suas mãos. Na realidade não era o ar que ele apanhara, mas sim as orações que eram feitas na terra.

Após o plantio das mesmas ele esperou pelo dia seguinte e eis que uma árvore havia surgido no lugar em que Deus havia feito o plantio.

Ela cresceu de forma rápida e de forma rápida também deu frutos. As frutas ao alcançarem o ponto da colheita, caíam pelo chão. Ayê, ou seja, a Mãe da Terra, apanhou as frutas e as levou para Olodumarê e esse determinou que ela as levasse consigo e as preparasse da melhor maneira que pudesse.

Chegando em casa ela tostou as frutas, mas, o gosto não era nada bom, e no dia seguinte ela cozinhou as frutas, porém, elas mudaram de cor e de forma alguma podiam ser consumidas dado ao gosto horrível. E todas as formas que tentaram ela e os demais, a fruta não ficava boa para ser consumida.

Eis que uma divindade chamada Elenini, que era a divindade do obstáculo, se colocou à disposição para guardar as frutas. Assim, os Orixás colheram todas as frutas e as entregaram a Elenini, para que as guardasse.

Elenini limpou bem as frutas e as guardou e após 14 dias elas continuavam frescas como no dia em que foram colhidas. Então ela decidiu experimentar as frutas e as degustou cruas. Mais 14 dias se passaram e as frutas continuavam frescas.

Então ela levou as mesmas para Deus e disse-lhe que o fruto das preces que ele havia plantado podia ser comido cru, sem qualquer tipo de problema.

E com sua sabedoria suprema, Deus ordenou que como a divindade mais velha de sua casa, foi quem conseguiu descobrir os segredos do fruto das orações, daquele dia em diante as nozes, o obi, seria a partir daquele dia, o alimento não só do céu, mas de todo o lugar, e onde quer que fosse servido os primeiros que deveriam recebê-los seria o mais velho que ali estivesse e depois aos mais novos, e que todos que fossem comer dessa fruta deveriam antes de tudo proferirem uma reza.

Sendo Deus, a supremacia em justiça, determinou ainda que, a árvore de obi, somente crescesse no local onde os mais novos respeitassem os mais velhos. E a primeira fruta que foi comida naquela reunião foi partida pelas mãos do próprio Deus e ela possuía duas partes apenas.

O obi não pode de forma alguma ser partido ou alafiado como dizemos no Candomblé, por pessoas que não sejam feitas de santo, da mesma forma que não pode ser partida por pessoas feitas, mas que ainda não receberam seus direitos sacerdotais.

Utilizamos o obi para a confirmação de uma obrigação, mas, também para tirarmos alguma dúvida com relação à vida de uma outra pessoa, porém, ele não serve para ser jogado como os búzios, pois que suas quedas são limitadas.

Sempre antes de abrirmos um obi, temos que nos prepararmos, deixando nosso corpo limpo de sexo e bebida alcoólica, e temos que proferir as rezas necessárias para esse ato sagrado.

Por mais que façamos os rituais bem feitos, nenhum deles estará pronto se o Orixá não der o aláfia através do obi.

Existem o obi branco que é servido a todos os Orixás e o roxo que é servido a exú. Em todas as obrigações, se faz imprescindível a degustação dessa fruta oriunda da África.

O obi também é conhecido pelo nome cientifico de, cola acuminata, e durante um bom tempo foi usado como dinheiro na África antiga.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

quarta-feira, junho 10, 2009

JOGO DE BÚZIOS

A arte do jogo de búzios é um procedimento que encanta tanto os praticantes do Candomblé, como também a todas as pessoas. Quem nunca sentiu curiosidade de saber como podemos fazer uma leitura da vida das pessoas através daquelas conchinhas tão bonitas?

Essa é uma ciência pertinente somente às pessoas iniciadas no Candomblé, não pertencendo de forma alguma a Umbanda ou qualquer outro seguimento religioso.

Os búzios foram introduzidos na África no ano 890 D.C por mercadores árabes que já o utilizavam desde tempos muito remotos como moeda corrente, prova disso nos dá o Historiador Eduardo Fonseca Júnior em seus livros sobre a África e é relatado no sítio yourbana.com.

Na África ele foi utilizado sempre, desde sua introdução como moeda e posteriormente em adornos de roupas tanto de pessoas comuns, como mesmo nas utilizadas pelos Reis e Imperadores africanos, mais tarde passou a ser utilizado também nos adornos dos ancestrais cultuados em África.

Os búzios foram muito utilizados na África como na Arábia, como fonte de fertilidade e também como forma de afastar maus espíritos.

Ainda na África ele começou a ser utilizado pelas mulheres como forma de “adivinhação” dado ao Opelê Ifá, ser utilizado somente por homens, os Babalaôs.

Sua prática enraizou-se por todo o mundo praticamente principalmente nos paises da América do Sul. Segundo alguns historiadores, sua origem seria na Turquia, isso em tempos muito remotos à civilização que conhecemos. Esses estudiosos afirmam que os turcos introduziram o jogo de búzios na África depois de que os árabes o introduziram como moeda.

No Brasil sua prática deu-se início ainda durante a escravidão e a primeira noticia que temos de seu uso, foi quando as três princesas africanas foram abrir o primeiro candomblé em nossa terra. Ele foi utilizado para informar que Xangô queria ser a cumeeira da casa.

Dentro do Candomblé sua prática ganhou simpatizantes em todas as esferas uma vez que políticos e até mesmo artistas recorriam aos zeladores a fim de pedirem orientação para sua vida e seu negócios.

Hoje em dia, ele é mais conhecido do que o próprio Opelê Ifá, usado desde tempos imemoriais pelos babalaôs na África.

Existem varias formas nesse processo: dentro da nação Angola ele é utilizado com suas quedas baseadas nos Orixás, Inkisis, e nas nações Gêge e Kêto, suas quedas baseiam-se nos caminhos dos Odús. Ainda existem aquelas pessoas que mesclam seu jogo entre Orixás e Odús.
O jogo de búzios é realizado com 16 conchas, búzios, mas também temos o jogo realizado com 04 búzios, mas esse é utilizado apenas na confirmação de algo que desejamos saber.

É imprescindível que o zelador reze os búzios todos os dias de manhã, e assim eles estão prontos para serem utilizados durante o dia para as pessoas que procurem a casa de santo, em busca de intercessão em sua vida.

Também se recomenda aos zeladores que façam todos os dias, após a reza do jogo, uma leitura para sua casa para que possa saber, por exemplo, qual Orixá estará reinando naquele dia em sua casa e assim possa ofertar-lhe presentes para que seu dia seja de paz e prosperidade, bem como para saber se algo está errado em sua casa.

Mesmo sendo uma forma muito comum de consulta aos Orixás e demais espíritos, o jogo de búzios somente pode ser feito por pessoas iniciadas no culto aos Orixás e com sua obrigação de sete anos em dia. E ainda assim, o zelador que iniciou a pessoa, consulta Ifá para saber se a pessoa tem o DOM para exercer o sacerdócio e até mesmo para jogar búzios.

Não existe jogo de búzios para Umbanda, ao menos os mais antigos no Candomblé e na Umbanda diziam isso, e qualquer pessoa que realize essa prática sem ser iniciada e com suas obrigações em dia, está MENTINDO, ENGANANDO AS PESSOAS A FIM DE EXTORQUIREM SEU DINHEIRO, APROVEITANDO DE SUA BOA FÉ PARA ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.

Portanto, antes de adentrar em uma casa de santo, procure saber se aquela pessoa é iniciada nos mistérios do Candomblé, se tem autorização da Federação para isso e somente depois de se certificar, adentre e confie sua vida a ele.

Temos que observar que ao jogarmos búzios, temos a pessoa a nossa mercê e precisamos sermos honestos acima de tudo.

O jogo de búzios foi introduzido no Brasil pelos escravos para que pudéssemos ter acesso aos nossos Orixás e assim sendo, termos como interagir nas mais variadas causas.

Se realizado com seriedade, os búzios têm uma ótima margem de acertos na vida dos consulentes, dependendo é claro de quem os manuseiam. Dificilmente vemos búzios manuseados com seriedade, errarem nas previsões para uma pessoa.

Temos que atentarmos para o que nos diz Ifá dentro de seu oráculo e tomarmos as providências para realizar as obrigações que ele nos determina. Jamais devemos procurar uma casa de santo para testarmos o zelador, pois poderemos ter grandes decepções e muita coisa pode ser prejudicial a nossa vida.

Ifá jamais pede uma obrigação sem que haja real necessidade para a mesma. Pois que ele é o responsável de transmitir as mensagens dos demais deuses para nós seres humanos.


Ifá Ocifuó.

Zambi no Akuatessá.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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odemutaloia@pop.com.br














segunda-feira, junho 08, 2009

HISTÓRIA DO GLORIOSO SÃO JORGE.


Eis aí um dos santos mais cultuados no Brasil, seja na Igreja Católica, na Umbanda ou no Candomblé, sendo que nos dois últimos seguimentos religiosos, ele é cultuado como Ogum o que fez com que fosse EXPULSO, dos cultos do catolicismo.

Segundo os relatos de sua história, ele teria nascido no século III D.c na cidade de Capadócia na Turquia, e, era então o Imperador de Roma, Diocleciano.

Jorge era nascido em berço cristão e com seus pais, aprendeu a amar e a temer a Deus acima de todas coisas. E tinha Jesus Cristo como seu salvador bem como de toda a humanidade.

Após a morte de seu pai, ele muda-se com sua mãe para a Palestina. Devido a seus atos de bravura, dedicação a Roma, e também à sua grande habilidade como guerreiro, ele que já era um dos soldados do imenso exército romano foi promovido a Capitão por Diocleciano que muito o admirava.

Nessa época Jorge, teria 23 anos e passou depois da promoção a residir na corte Imperial de Roma, e também recebeu o título de Conde, pelo Imperador.

Diocleciano tinha uma aspiração: matar todos os cristãos, pois como seus antecessores, acreditava ele, ser Jesus Cristo mesmo depois de morto uma ameaça a seu trono.

Durante a sessão em que o Senado iria confirmar o decreto imperial que levaria todos os cristãos a uma morte certa, Jorge para espanto de todos, levanta-se e se confessa cristão e afirma serem todos os ídolos dos Templos Romanos, falsos deuses.

Diante dessas afirmativas, todos os presentes ficaram perplexos, afinal nenhum membro da corte romana, tinha se atrevido a tal ato, afinal Jorge proclamava que Jesus Cristo era seu senhor e salvador do mundo! Um insulto, pois que somente o Imperador era visto como senhor absoluto de tudo e de todos, e também como a fonte única de poder para salvar a humanidade, era o Imperador, aclamado DEUS!

Então um Cônsul levantou-se e dizendo-se indignado com tal atitude, inquiriu-o sobre a origem de tamanha ousadia. E Jorge prontamente o respondeu que era, devido a sua afirmativa ser a mais pura verdade. O Cônsul não satisfeito e se mostrando ainda mais indignado quis saber dele o por que, ao que ele prontamente respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguíeis, eu sou seu servo e nele confio e me pus em meio de vós para prestar depoimento e testemunho de minha verdade”.

Após essa afirmação, o Imperador imediatamente se dispôs a fazer com que Jorge, abrisse mão de sua fé, e com sua relutância, o entregou a seus carrascos para que lhe impusessem as mais variadas e terríveis torturas.

Após cada tortura sofrida por Jorge, Diocleciano perguntava-lhe se ele renegaria seu Deus e sua fé, e passaria a adorar os ídolos da fé romana, ao que Jorge respondia: “Não Imperador, meu Deus é vivo e sou seu servo, somente a ele temerei e adorarei”. Então mais se intensificavam as torturas.

Como sua fé era imbatível e a noticia se espalhou por Roma, dando mostras de que Deus amava a seu sevo, muitas pessoas se convertiam ao cristianismo e abandonavam os ídolos romanos. Vendo suas intenções frustradas, Diocleciano não teve outra saída que não fosse matar Jorge, e determinou que ele fosse degolado. E a sentença foi cumprida em 23 de Abril de 303.

Segundo pesquisadores, sua sepultura está em Lídia, sua cidade, na Palestina. E esta fica próxima de Jerusalém.

Depois de sua morte, sua fé e devoção a Cristo, se espalhou rapidamente e seu culto alastrou-se por todo o Oriente e mais tarde com as cruzadas, adentrou pelo Ocidente.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

ODODÚA, O GRANDE SENHOR DE ILÊ IFÉ

Dentro da mitologia afro, muitas são as lendas que formam o maravilhoso universo religioso que muitos brasileiros bem como cidadãos de vários países aprenderam a amar e cultuar.

Muito se fala nessas lendas, mas, de forma como se fossem elas, apenas lendas, parte do imaginário popular. Mas, diz um antigo ditado popular que, “toda lenda tem seu fundo de verdade”.

Quando começamos a nos embrenharmos nos caminhos do aprendizado de uma cultura, muito estudamos de suas lendas, suas práticas religiosas, e até mesmo sua culinária.

E com o mundo da África não seria diferente. Entramos em seu universo, sabendo que temos um Orixá e que esse coordena nosso destino segundo as vontades e determinações de Olorúm (Deus). Aprendemos que nosso Orixá, sempre estará disposto a nos auxiliar, desde conseguirmos nosso emprego, até mesmo a constituirmos uma família saudável e harmoniosa.

Aprendemos que nesse mundo existem lendas, e que essas lendas reportam-se à vida terrena de nossos antepassados. Muito poucos, no entanto, sabem que essas “lendas”, muitas vezes são na verdade fatos reais e que constituíram a vida de determinado ser quando de sua passagem aqui na Terra.

Observando os relatos dos antigos sacerdotes e sacerdotisas, nos é ensinado uma vasta gama de conhecimento de nossos Santos, e depois comparando esse aprendizado, com estudos realizados por historiadores, pesquisadores e demais estudiosos, vemos que na verdade, nos foi passado por nossos mestres espirituais, verdadeiros conhecimentos da história de um povo, suas glórias, vitórias, derrotas, tristezas e mais fatos.

Descobrimos então que fazemos parte de uma raça que existiu de forma sobre maneira às demais, e que escreveu seu nome com sangue e suor, fossem como escravos no Brasil ou ainda, como escravos em sua terra natal, servindo a seus próprios irmãos como servos insignificantes.

Essa servidão se dava, porque era comum nas guerras que o vencido se submetesse ao vencedor, sob pena de verem seu povo ser morto, suas mulheres e filhas estupradas e vários outros meios de torturas, e assim sendo, por pior que fosse a escravidão, essa seria melhor que as maldades que lhes seriam impostadas.

Estudando a cultura de povos antigos, vemos que a escravidão era comum e os indivíduos escravizados, muito pouco poderia ter. geralmente seus reis eram guerreiros imbatíveis e temidos, e não poderia ser diferente com a África e os fundadores de seus reinos.

Na África existiu um Rei que foi segundo historiadores, um dos mais temido guerreiros que já existiu, seu nome: Nimrod, no Brasil é conhecido por Ododúa.

Ele existiu segundo estudiosos no período de 2000 à 1800 A.c e, era um temível guerreiro e invasor, não conhecendo limites para suas conquistas nem mesmo a palavra medo e seu significado. Quando seu exército se aproximava de um determinado reino, seu governante sabia que, mesmo que mandasse todos os homens de seu reino, mais os de outros reinos vizinhos, não conseguiria deter Nimrod e sua legião.

Como valoroso e temido guerreiro, ele invadiu e dominou muitos reinos da África antiga e tornou-se o Patriarca de várias nações, entre elas a famosa Oyó que segundo os Pesquisadores, foi onde se deu início a nossa atual civilização.

Nos relata a história que Nimrod, teria descido do Egito até o reino de Yarba local onde fixou sua morada. Contam que no decorrer do caminho do Egito até Yarba, Nimrod teria fundado vários reinos e nomeou governadores para agirem em seu nome. Afinal naqueles tempos uma viajem como essa levava anos.

Na Bíblia encontramos relatos de que Abraão teria feito um pacto com Jeová, e esse determinou que ele viajasse, fundasse novos reinos e se tornasse o Patriarca de vários povos e de sua Geração. Com Nimrod, teria sido um pacto com Olodumarê, Olô = Senhor, dono, Odú = Destino, marê = Supremo; Olodumarê, senhor supremo do destino, = Deus.

Nas pesquisas encontramos relatos de que Olodumarê, teria mandado que Nimrod viajasse para a África para que ele pudesse redimir os descendentes de Caim, que assim como esse, traziam um sinal em suas testas.

Então ele seguiu a viajem e por onde passava, fundavas reinos que mais tarde fariam parte de um só Império: Oyó. Afinal sua missão vinha diretamente do Deus que a tudo criou.

Após fundar Ilê Ifé, ou seja Oyó, Nimrod adotou o nome de Ododúa, que significa, aquele que tem existência própria. Ele adotou esse nome, segundo a história, pelo fato de cultuar uma entidade santa, chamava, Oduá. Essa divindade por sua vez, nos relata a história, era Odulobojé e seria a representação feminina da criação, ou seja. Aquela que tem o poder da gestação.

Temos inclusive relatos na história de que, um branco vivia entre os negros em Oyó e governava a tudo e a todos, e Nimrod, ou Ododúa, vinha do Egito, local onde as pessoas como o Faraó, os sacerdotes e mesmo aqueles que pertenciam a nobreza, possuíam a pele mais clara.

Segundo Pesquisadores, ele como outros Reis e Guerreiros valorosos de seu tempo, passou a ser cultuado após sua morte, afinal esse era o costume dos yorúbas: cultuarem seus ancestrais. Assim, criou-se ainda em África, o culto a Ododúa, que aqui no Brasil, teve seu nome associado ao Próprio Deus, devido a esse pacto entre eles firmado.

Como tal poder não se consagra a qualquer um, ele passou ainda em África a ser cultuado como Divindade Máxima, ou seja: não tinha filhos a ele iniciados e assim o permanece até hoje.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com








sexta-feira, junho 05, 2009

SAMBA DE CABOCLO




Festa muito concorrida, realizada esporadicamente pelos Candomblés de Angola, para homenagear esses mensageiros de nossos Inkisis, (Orixás).

Geralmente essa festa é realizada uma vez por ano, e, na ocasião, são oferecida todas as comidas que eles gostam, frutas e outras iguarias, além da Jurema, uma bebida ritualística e preparada com ervas dentro de um segredo muito bem guardado.

Durante o ano, são realizadas várias festas em homenagens aos Orixás, Inkisis, e nelas se ofertam suas comidas preferidas a eles e a todos que dela participam. Mas, em determinada época, que varia de casa para casa, é realizada a festa chamada Samba de Caboclo.

Geralmente começa-se com a louvação e a entrega de presentes a Exú para que ele não permita que forças estranhas se aproximem e culminem por perturbarem o evento. Depois então se pemba a casa, e após a louvação de ogum e Oxossi, canta-se para os caboclos. Obviamente que o ritual de iniciação varia de acordo com a casa e com o sacerdote e seu aprendizado.

Depois os ogãs, começam a entoar cantigas próprias para a evocação desses mensageiros dos Santos. Uns cantam primeiro para os chamados, “Caboclos de pena” que são indígenas que servem aos Orixás, e depois se entoam a toada, cânticos próprios para invocar os boiadeiros.

E chegam eles, cada um com seu brado, Ilá, e depois de serem vestidos com laçarotes que enfeitam seus tórax, rodilhas de pano da costa na cabeça, cumprimentam as pessoas e são servidos com charutos e coetés contendo a Jurema.

Dá-se início às cantigas de cada Caboclo, ocasião em que ele se apresenta, dizendo seu nome e de onde vem. Alguns Caboclos preferem dançar e beber sua Jurema, mas, outros querem consultar as pessoas, agradá-las da mesma forma que são agradados. Desejam compartilhar de sua alegria com todos que ali estão para homenageá-los e assim segue-se a festa em plena alegria.

O Caboclo do zelador da casa sempre é o primeiro a incorporar-se em seu médium e depois de satisfeitas suas necessidades e vontades iniciais, começa a chamar pelos Caboclos de seus filhos de santo.

Quem já participou de uma festividade dessas, sabe a maravilha que são os momentos que passamos com essas entidades. Sempre possuem uma palavra de conforto para os que precisam, gostam de se sentirem amados e muitas vezes mostram seu amor por nós, seres humanos que ali estamos a lhes homenagear.

Muito dificilmente um Caboclo de Nação, como são chamados, vira em ocasiões que não seja sua festa, e isso se deve ao fato de ser ele, o mensageiro de nosso Orixá e assim sendo, passa todo tempo servindo o Santo ao qual é submisso e trabalhando em favor da casa e das pessoas que compõem seu universo. Sempre que desejamos sua intervenção em algum assunto de nossa vida, lá estão eles, prontos a nos atenderem segundo as determinações de nossos Orixás. Bastando que para isso, ofereçamos a obrigação adequada para cada um.

Esses caboclos são assentados da mesma forma que todas as entidades do Candomblé, e seus assentamentos variam de conformidade com sua qualidade.

Obviamente que sendo o Caboclo, um mensageiro de nosso santo, conhece sua face e assim sendo têm de ser muito respeitados por seus filhos e demais pessoas que frequentam a casa de Candomblé.

Comumente vemos os Caboclos afirmarem em suas cantigas, sua procedência tanto quando na vida material, como também a qual Orixá serve e onde vive no mundo espiritual, basta que para isso prestemos atenção a tudo que eles cantam e nos falam, aliás, as cantigas são orações cantadas e sempre devem ser seguidas de respeito.

Muitos são os Caboclos que se incorporam no Candomblé:

Caboclo Lírio d’água.

Boiadeiro menino.

Lajedo.

Sultão das Matas.

Pena Azul.

Pena Branca.

Cabocla Jussara.

Cauíza.

Erú.

Pena Roxa.

Caboclo Iluarada.

Aqui citamos apenas alguns desses maravilhosos seres que se dedicam a nos ajudar em nossa cainhada, e citar seus nomes todos, seria humanamente impossível, assim sendo, espero que todos se sintam homenageados nessas humildes páginas.

Também são muitas suas cantigas mas algumas mais conhecidas, servem aqui como forma de homenagear aos mensageiros de nossos ancestrais:

“Maré encheu, maré vazou, de longe muito longe, eu avistei Iluarada, a sua cabaninha, coberta de sapê, seu arco sua flecha, sua cabaça de mel”.

“Pedrinha, miudinha na Luanda ê, Lajedo, tão grande, tão grande na Luanda ê”.

“Nos caminhos da Lapa, gangará, cercado de espinhos gangará, quanta gente boa gangará e eu aqui sozinho gangará”.

“Táta mona e ta, aroeira, pelos caminhos que eu andar, aroeira, eu só vê Luanda, aroeira, sou filho de Gangazumbá aroeira”.

“Valente na sua tribo, caçador Irajá, na tribo dos guaranis, ele foi cacique ele foi pajé, na tribo dos guaranis, o seu nome é Aimoré, Aimoré, moré, moré, Aimoré, moré moré, moré”.

Salve todos os caboclos de nação, e, que possam nos ajudar em nossa jornada nessa vida.

Axé.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com