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sábado, março 03, 2007

Cancelamento de e mail

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

LOGUM EDÉ

Eis um grande orixá, filho de Oxum Apondá e Odé Iboalamo, apenas mal compreendido. Uma de suas lendas conta que sua mãe Oxum estava já grávida dele, mas seu pai não sabia. Certo dia Xangô veio visitá-los em sua casa, e como Odé tinha por hábito oferecer banquete a quem fosse em sua casa, retirou-se para o mato a fim de caçar.

Porém como era de costume Odé se embrenhar na mata e demorar a voltar, devido ao encanto que a mesma o proporcionava, tanto por sua beleza quanto pela solidão, algo que ele muito admirava, somente retornou a sua casa três meses depois. Mas hei que ao chegar, encontrou sua esposa Oxum já com cinco meses de gravidez, e vendo sua barriga, disse que aquele filho era de Xangô, renegando aos apelos de sua esposa que tentava explicar que já estava esperando um filho quando ele saiu.

Tomado de um acesso de ciúmes, Odé expulsou Xangô de sua casa e depois a própria esposa. Este sentida foi queixar-se com a mãe de odé, Yemanjá, a qual se compadeceu da situação da nora, e a convidou a morar com ela perto do oceano.

Odé não se conformava e foi para a mata tentar através de ebós, fazer com que ela perdesse a criança. Oxalá interferiu e por mais ebós que fizesse a gravidez vingou. Yemanjá, vendo a hora do parto se aproximar, foi conversar com seu filho, mas este cego de ciúmes, culminou por expulsar sua mãe de sua casa.

Mas o tempo passou e após o parto, estava Oxum a passear com seu filho quando encontrou com Odé e mostrou-lhe a criança a quem chamou Logum Edé. O pai vendo que a criança era muito parecido com ele, se arrependeu e quis levar consigo o filho, o qual Oxum se negou terminantemente. Então Odé pegou sua faca e disse que rasgaria a criança ao meio. Neste exato momento, roncou uma trovoada e um antigo Rei (Xangô), se aproximou e ao ouvir a história, determinou em nome de Oxalá que a criança seis meses moraria com a mãe nas cachoeiras e rios, e seis meses com o pai nas matas.

E assim cresceu Logum, e aprendeu tanto o ofício da caça quanto o da pesca. Por este motivo é que ainda hoje o relacionam com o homossexualismo, mas isto em nada é verdade. O Orixá, jamais influenciará seu filho em questões como a opção sexual, por exemplo, isto em nada condiz com a verdade, apenas usam esta e outras lendas para justificarem uma opção, justa, porém nada tendo a ver com o axé orixá.

Logum é caçador, pescador e oluwô, ou seja, tem o dom de enxergar as coisas através do opelê Ifá, quanto do jogo de búzios. Ao se transladar de volta ao orúm (céu) ainda era um rapaz jovem e bonito, deixando assim com legado, o dom da sedução para seus filhos.

Seu dia é quinta feira.

Sua cor é o verde translúcido e o amarelo translúcido.

Come: feijão fradinho, milho cozido, acaçá, mel, azeite de oliva e dendê.

Sua sudação: Oloriqui, loci, loci.

Vive nos rios e cachoeiras com sua mãe, e nas matas com seu pai.

Tatetú N’Inkisi Lambaranguange: Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

DOIS DE FEVEREIRO, DIA DE YEMANJÁ. ODOYÁ!



YEMANJÁ
Este Orixá é natural de Abeokutá, na Nigéria, local onde seu culto prolifera com muita intensidade, mas seus principais seguidores são os naturais de Egbado localidade cuja rainha é Okoto, também conhecida como Osá. Seu principal templo está localizado em Ibará, bairro de Abeokutá e, embora seja cultuada no rio Ogum, seus seguidores vão, anualmente, recolher água para lavar os seus axés, numa fonte de um afluente denominado rio Lakaxa.
Yemanjá seria tão velha quanto Obatalá (em algumas regiões), e talvez tão poderosa quanto ele. É filha de Olóòkun que em Benin é considerado como um deus e em Ifé como uma deusa, cujo reino são os oceanos. Olô – Senhor, dono Okun – Oceano. Teria sido casada com Orunmilá ou Oxalá de quem gerou filhos, ou seja: os demais Deuses, nossos Orixás.
Conta uma lenda que Yemanjá, cansada de viver em Ifé, seguiu em direção ao Oeste indo instalar-se no "por do sol". Inconformado com o abandono Oxalá mandou seu exército à sua procura. Cercada pela tropa, Yemanjá, ao invés de se deixar prender, quebrou um frasco contendo um líquido mágico que lhe havia dado seu pai Olokun, o que fez com que surgisse ali mesmo, um caudaloso rio, cujas águas a levaram até o oceano, local de residência de seu pai.
Por seu caráter intempestivo, Yemanjá perdeu a hegemonia do mundo terrestre assumindo, desde então, domínio sobre a orla marítima em cujo movimento hora calmo, hora agitado e revolto, tem representada a sua personalidade inconstante.
Seu nome em yoruba, Yéyé Omo Ejá (Iyemonjá), significa: "Mãe de Filhos Peixes", ressalta, sobremaneira, seu instinto maternal, uma vez que assume como filhos todos os seres humanos, independente de quais sejam os seus.
Isto está exemplificado num Itan Ifá que descreve a forma como Yemanjá assume a maternidade de Omolú, filho legítimo de Nanã, desprezado pela própria mãe por ser portador de lepra.
Yemanjá representa, portanto, o instinto maternal, assumindo, de muito boa vontade todos os seres humanos como filhos bastando, para tanto, que se recorra aos seus préstimos e que se solicite sua proteção.
Como Oxum, Yemanjá tem, mesmo na África, diversos nomes, todos relacionados aos lugares diferentes e profundos do rio onde é cultuada. Para algumas casas de santo no Brasil, sua relação com o oceano, está também ligada ao fato de ser através deles que os negros aqui chegaram a bordo dos navios como escravos. Como ansiavam por se tornarem livres e retornarem para sua terra natal, e também pelo fato dela ser considerada mãe de todas as pessoas, recorriam a ela com esta expectativa.
Na África é representada por imagens de madeira com seios enormes, símbolo da maternidade fecunda.
O fato de possuir seios enormes tornava Yemanjá demasiadamente suscetível e qualquer menção a eles, era motivo mais do que suficiente para despertar a sua fúria.
Uma lenda narra de que forma um comentário irônico, feito por seu marido, em relação aos seus seios, fez com que Yemanjá, irritada, bate-se com o pé no chão provocando o surgimento de um rio que a teria transportado para o oceano, da mesma forma que na lenda anteriormente descrita.
Segundo as tradições, Yemanjá veste-se de diversas cores, destacando-se, dentre elas, o branco, o azul, o verde-água e o rosa, sempre em tons claros e transparentes.
Aprecia rosas brancas como oferenda e é certo que, seus filhos, quando têm problemas de saúde, possam recuperá-la oferecendo a Orixá, um ramo destas flores na beira da praia.
Na África, Yemanjá é cultuada no rio Ogum (Odo Ogum), onde recebe regularmente os presentes oferecidos por seus filhos e seguidores.
Nas Américas, no entanto, onde seu culto é grandemente difundido, recebe oferendas nas águas do mar. Sua saudação mais comum é "Odo Iyá!" Que significa "Mãe do Rio". Outras formas de saudá-la, utilizadas no Brasil são: "Erú Iyá!" E "Odo fé Iyagbá!" Sendo que esta última saudação, muito utilizada nos ritos de Umbanda, significa: "Amada Senhora do Rio".
É chamada também de "Iyá Ori" (Mãe da Cabeça), devido à crença de que o líquido existente no crânio entre a massa cefálica e a parede craniana, pertence a ela, estando, desta forma, presente e representada em todas as cabeças. E também pelo fato de que durante a gestação, Oxum retém o sangue menstrual, para que Yemanjá possa atuar no útero, a fim de que nele seja gerada uma outra vida.
No Brasil, grandes festas em louvor dela são organizadas na passagem do ano e no dia dois de fevereiro, ocasião em que seus fiéis, reunidos em grandes grupos ou sozinhos, depositam suas oferendas nas águas do mar.
A festa de dois de fevereiro na Bahia atrai para a praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis que formam longas filas diante da porta de um pequeno templo construído em sua honra, sobre um promontório que domina toda a praia.
No Espírito Santo, sua festa mais famosa e disputada, acontece em Jacaraípe, em frente ao Templo a ela erguido em 1977, pelo senhor Orlando Santos, Presidente da UNESCAP e precursor desta homenagem, juntamente com o apoio da associação dos pescadores de Jacaraípe, sem os quais seria impossível o transporte das oferendas.

Texto de: Sérgio Silveira, Odé Mutaloiá, Vice-Presidente da Unescap, Membro do Conselho sacerdotal, Escritor e Pesquisador.

Contatos com a UNESCAP:
uniaoespiritacapixaba@yahoo.com.br

Contatos com Sérgio:
odemutaloia@hotmail.com

quinta-feira, janeiro 25, 2007

HOMENAGEM PÓSTUMA À TÁTA FOMOTINHO, A RAIZ DO JÊJE NO RIO DE JANEIRO

Antonio Pinto de Oliveira, conhecido como "Tata Fomotinho" nasceu em Salvador - Bahia em data desconhecida.
Foi numa visita ao candomblé do Sejá Hunde, em Cachoeira, que Antonio foi tomado por seu vodun, "bolando" de forma definitiva.
A queda de Antonio representou um problema para a Mãe de Santo da casa, Gaiaku Maria Angorense, já que, por tradição, jamais havia raspado um homem, postura que pretendia manter até o fim de sua vida.
Ao consultar Ifá, no entanto, a sacerdotisa foi obrigada a render-se à vontade de Oxum que não abria mão da exigência de ser "feita" na cabeça de Antonio e, naquela casa. Assim, Antonio foi recolhido num barco composto de oito yaôs, sendo ele o único representante do sexo masculino.
Depois de iniciado, Antonio participava como Pai Pequeno na casa de candomblé de Manuelzinho de Oxóssi, filho de Maria Neném. Como a casa era de Angola, Antonio passou a ser chamado pelos yaôs de "Tata" e assim ficou definitivamente conhecido como "Tata Fomotinho".
Transcorria o ano de 1930 quando Antonio, a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro, chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado de seus amigos João Lesengue e Bananguami.
O jovem sacerdote foi residir numa casa muito humilde situada na rua Navarro, mudando-se, pouco tempo depois, para a estrada da Portela, 606, no subúrbio de Oswaldo Cruz.
Naquela época a repressão ao candomblé era terrível, mas Antonio, contava com a proteção de Paulo da Portela, fundador da tradicional Escola de Samba da Portela, o que de certa forma, mantinha a polícia distante da casa de candomblé.
Foi somente em 1935 que Tata Fomotinho, depois de haver plantado definitivamente os fundamentos da casa, confirmou o seu primeiro ogan, tratava-se de um jovem fuzileiro naval, Agostinho, mais tarde Pejigan Gebê, primeiro ogan de Oxum.
No dia 16 de janeiro de 1936, auxiliado por seu ogan e por sua amiga Maria da Cruz, Fomotinho tirava seu primeiro barco de iyaôs, do qual faziam parte Olegário e Marcionílio.
Pouco depois o axé era transferido para a Estrada do Areal de onde se alastraria. A semente por ele trazida da distante Bahia transformava-se em tronco sólido que estendia inúmeros galhos representados por seus muitos filhos de santo.
No dia 8 de junho de 1961, na esquina da rua Silva Gomes, no subúrbio de Cascadura, Tata Fomotinho foi atropelado por um lotação que trafegava em alta velocidade, sendo socorrido em estado desesperador no Hospital Carlos Chagas.
A recuperação foi lenta e dolorosa, mas, meses depois, o sacerdote reassumia suas funções na casa de candomblé. Sua saúde, entretanto, ficara muito abalada e, no dia 19 de fevereiro de 1962, Tata Fomotinho foi acometido de derrame cerebral quando se encontrava em São Paulo. Socorrido no Hospital das Clínicas daquele Estado foi, depois, transferido para a casa de seu filho de santo Jamil de Omulú e daí para a residência de Marcionílio no Rio de Janeiro.
Mas foi em Nilópolis, na casa de seu filho Djalma de Lalú, que Táta Fomotinho, no dia 26 de junho de 1966, veio a falecer.
Dele ficou, além da saudosa lembrança, um legado religioso inestimável, preservado por todos aqueles que foram por ele iniciados, cujos nomes relacionamos a seguir:
Vodunsis: Olegário, Beija-flor, Marcionílio, Antonio Cabeludo, Djalma de Lalú, Jorge de Yemanjá, Leandro, Esmeralda, Jorge de Oxóssi, Corina, Orlando de Omulú, Natália, Zezinho da Boa Viagem, Lucinda, Nicéia, Lucy, José Velho, Idelfonso, Edith, Irene, Marina, Jacy, Jorge de Omulú, Durval de Logun, Joana de Ogum, Berenice, Ivan, Manú, Petronílio de Oxóssi, Avanir, Luíza, Lusinete, Arlete, Tiana, Gumercindo, Filomena, Jorge, Marcílio, Luiza de Oxum , Belinha, Hilbert, Walter, Ernani, Orlando, Edith, Ester, Babazinho, Aidê, Negazinha, Joana, Nina, Toninho, Otávio, Décio, Jamil, João d'Ogun, Ladislau, Valmir, Jussan, Jorge Macuco, Joventino, Maria dos Santos, Leninha, Matilde, Fernando de Oxaguian e Cavalcante de Oxalá.
Ogans: Agostinho, Bento, Beto, Eduardo, Luiz, Walter, José, Damasceno, Wilson, Gabriel, Rubens e Miúdo.
Ekéjis: Sara, Biê e Rosa.

OBS: Pesquisa realizada no Centro de Estudos Afro Americano – CECAA, por Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange: Odé Mutaloiá.
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terça-feira, janeiro 23, 2007

JOÃOZINHO DA GOMÉIA

João Alves Tôrres Filho nasceu em Salvador - Bahia, no dia 27 de março de 1914.
Filho de João Alves Torres e de Maria Vitória Torres, sua avó, africana e ex-escrava, teria morrido com 116 anos de idade.
Nascido em família católica, João assistia regularmente as missas na igreja de sua paróquia, chegando a participar das mesmas como coroinha.
De família pobre, o menino viu-se obrigado a trabalhar muito cedo e seu primeiro emprego foi num armazém de secos e molhados onde ganhava o salário de vinte e cinco mil réis, com direito a pernoitar no depósito onde dormia sobre sacas e caixotes.
No emprego João conheceu uma senhora idosa e solitária que o convidou a residir em sua companhia na Estrada da Liberdade, 561.
A "Madrinha", forma carinhosa com que João tratava sua protetora, fez com que estudasse em escolas noturnas e cuidava do menino como se fosse seu próprio filho.
A influência desta senhora, filha de Oyá e iniciada em Cachoeira, foram fundamentais para definir a trajetória religiosa de João.
Apresentando problemas de saúde para os quais os médicos não encontravam solução, o jovem foi levado por sua madrinha ao candomblé de Severiano José de Abreu, conhecido em toda a Bahia como Jubiabá. João
estava então com 16 para 17 anos.
No dia 21 de dezembro de 1931, Oxóssi, na cabeça do jovem yawo, "rodava" e "dava o nome".
Com a morte de Jubiabá, João abriu seu próprio candomblé na localidade denominada Alto da Goméia, nome que seria dado popularmente ao novo axé.
Em 1948 o babalorixá mudou-se para o Rio de Janeiro, transferindo seu candomblé para a rua General Rondon, 360 no bairro de Copacabana, em Duque de Caxias.
Em 1966, já famoso e prestigiado, João voltou à Bahia onde tomou obrigação com a saudosa mãe de santo Menininha do Gantois, incorporando-se, assim, a uma nova raiz.
Transcorria o ano de 1971 quando, em São Paulo, o babalorixá sentiu-se mal, sendo atendido, no dia 6 de fevereiro, no Hospital São Paulo na Vila Clementino, onde permaneceu internado até o dia 19 de março, data do seu falecimento.
Seu corpo foi trasladado para o Rio de Janeiro onde, em 21 de março, seria sepultado no cemitério de Duque de Caxias, sob forte temporal que inundou toda a cidade.
João, que segundo dizem, teria iniciado a mais de mil pessoas, deixou uma lacuna ainda não ocupada em nossa comunidade religiosa.
Seu trono permanece vazio.
Seu cetro, Oxóssi levou para o Orúm.


Adilson de Oxalá
Pesquisa Realizada por Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Odé Mutaloiá
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segunda-feira, janeiro 22, 2007

HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO


Conhecido como Oxossi em alguns estados como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, e como Xapanã, (qualidade de Omulú) nas casas de Batuque no Rio Grande do Sul. Na Umbanda, é patrono das falanges de Caboclo e estes nada fazem sem reverenciar este santo. Na Igreja Católica é protetor contra a peste a fome e a guerra.

Segundo pesquisas realizadas sobre sua vida, Sebastião teria nascido em Narvonne, França, nos idos do século III, e era ainda menino quando seus pais se mudaram para Milão, local em que ele foi educado e cresceu. Como sua mãe, Sebastião sempre foi piedoso e forte em sua fé, o Cristianismo.

Ao atingir a fase adulta, alistou-se como era de praxe no serviço militar, servindo nas legiões do Imperador Diocleciano. Este Imperador ignorava que ele era cristão. Sua figura imponente sua bravura e prudência, logo chamaram a atenção de Diocleciano que o nomeou Comandante de Sua Guarda Pessoal, o que Sebastião usou para se tornar um protetor e guardião de todos os cristãos encarcerados em Roma. Era com freqüência que os infelizes, vítimas do ódio pagão recebiam dele palavras de consolo, nas quais ele animava aos que iria em breve sofrer o martírio, mostrando-os que receberiam a glória no céu.

Assim seguia ele, confortando e amparando as vítimas da intolerância, enquanto o Imperador seguia sua perseguição, culminando por expulsar todos os cristãos de seu exército. E foi então nesta época que Sebastião foi denunciado por um soldado, Diocleciano sentiu-se traído imensamente, afinal era ele, o comandante de sua guarda pessoal. Mandou que prendessem imediatamente seu comandante e o trouxessem à sua presença. Mas tamanha foi sua perplexidade, quando ouviu da boca do próprio Sebastião a confissão de que era realmente cristão. Diocleciano então, tentou fazer com que ele abdicasse de sua fé, ao que ele com firmeza disse que não, e ainda mostrou vários motivos que o convenciam cada vez mais a seguir sua fé, usando-a para socorrer os aflitos e perseguidos.

Tomado de uma ira descomunal, Diocleciano ordenou aos soldados que o matassem a flechadas, ordem esta que foi cumprida imediatamente: os soldados o levaram para um descampado, tiraram-lhe toda a roupa, amararam-no em uma árvore e atiraram uma imensa quantidade de flechas (que posteriormente passaram a ser seu símbolo). Depois foram embora, deixando-o pr que morresse de tanto sangrar.

Mas como a providência Divina não falha, ao cair de noite, a mulher de um outro mártir chamado Castulo, foi com algumas amigas onde se deu a execução, a fim de retirar de lá seu corpo e conceder-lhe uma sepultura. Esta mulher chamava-se Irene. Ao se aproximarem de Sebastião, viram que ele ainda estava vivo, o que de forma alguma poderia ter acontecido, dado a quantidade de flechas que lhe foram atiradas, fazendo com que fosse impossível a qualquer ser humano sobreviver. Assim elas o tiraram da árvore, e Irene o escondeu em sua casa, cuidando para que suas feridas cicatrizasse. Após completamente recuperado daquele mortífero ataque, Sebastião rejeitou a idéia de se esconder, e deu continuidade ao seu processo de evangelização, terminando por se apresentar ao Imperador e até mesmo censurando as perseguições e injustiças praticadas por ele contra os cristãos.
Porém mesmo com todas as provas dos poderes que vinha dos céus, Diocleciano ignorou todos os pedidos de seu antigo comandante, e determinou que ele fosse morto com pauladas e golpes de bolas de chumbo. Se negava assim Diocleciano a reconhecer um poder maior que o seu: O Poder de Deus! Insatisfeito com a morte de Sebastião, o Imperador a fim de impedir que seus seguidores levassem seu corpo e o venerassem, mandou que o jogassem em um esgoto público de Roma.
Mas uma piedosa mulher chamada Luciana recolheu seu corpo e deu-lhe uma sepultura nas catacumbas. Estes fatos se passaram no decorrer do ano de 287. Muito depois, no ano de 680, seus restos (relíquias) foram transportados com solenidade para uma basílica construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje. Uma terrível peste destruía Roma na época e desde o translado de seus restos mortais, ela simplesmente desapareceu.
Foto:São Sebastião, por Mantegna
Odé Mutaloiá
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segunda-feira, janeiro 15, 2007

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Pena que as pessoas aos nos procurarem para resolver uma questão seja ela qual for, pensem que somos possuidores de poderes mágicos, ao invés de enxergarem que apenas somos sacerdotes e sacerdotisas. Não vêem que não possuímos Varinha Mágica, e que assim sendo Jamais poderemos resolver suas questões da noite para o dia. Muitos quando nos procuram, pensam que ao entregarem uma oferenda aos Orixás, seus problemas desaparecerão imediatamente, mas se esquecem de que no plano espiritual, o tempo não é o mesmo da terra, e de um outro fator importante: O Merecimento! Sim, sem o merecimento nossos antepassados pouco podem fazer por nós, afinal eles cumprem a mesma lei que rege tudo e todos; a lei de Deus nosso pai.

Existem ainda aqueles que pensam que ao se iniciarem no santo, levarão uma vida de paz, alegria e prazeres tão somente. Doce engano. Não procuram aprender e se o fazem simplesmente se esquecem de que nosso espírito se aperfeiçoa dia a dia, e este aperfeiçoamento se deve justamente em nosso aprendizado diário e infinito. Temos que enxergar que nossos problemas são nada mais nada menos que degraus que galgaremos um de cada vez, são os temperos de nossas vidas, são as maiores formas de aprendermos a valorizar aquilo que temos e que possuímos de maior valor: NOSSA VIDA! Ao nos proporcionar a vida, nosso Criador tão somente espera que cumpramos nossa tarefa de aprender e assim podermos voltar para junto dele cientes de nossas responsabilidades mesmo como espíritos desencarnados.

Mas nossos consulentes, filhos e amigos esperam algo que não podemos oferecer: a eliminação de seus problemas. Tudo que nossos antepassados podem fazer e que é importantíssimo é dar-nos a fé e o amor para passarmos por nossas provações com humildade e tolerância. Humildade para nos resignarmos e tolerância para sabermos que além de toda esta tribulação que é o planeta terra, existe um mundo melhor, onde a justiça e a paz reinam absolutas. Tanto nossos orixás e até mesmo nossos caboclos e pretos-velhos, ajudam-nos constantemente, mas nossa incoerência faz com que apenas olhemos as tormentas de nossa vida, e não a ajuda e amor indispensáveis que nos chegam dia após dia. Claro que todos queremos um mundo melhor, isso não pecado algum, mas este mundo está longe de alcançarmos, pois que nossa arrogância, impaciência e incompreensão nos levam cada vez mais a um caminho de sofrimento. Somente com muito amor, paz e humildade poderemos construir este mundo tão sonhado.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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quinta-feira, novembro 30, 2006

O QUE É BORI?


A palavra bori se traduz como: Cabeça comendo. Bo = comer, Ori = cabeça. Esta é uma obrigação à qual podem receber toas às pessoas, iniciadas ou não. Dependendo da situação e do que solicita o orixá de cada um.

Esta obrigação Constitui-se basicamente de recarregar as energias da pessoa fazendo com que toda a carga negativa existente em sua áurea seja substituída por uma positiva. Dependendo de cada situação, podem ocorrer formas variadas de bori e de sacrifício de aves para o Orixá. Em nosso dia a dia, convivemos com situações várias, e que nos colocam em contato com energias que na maioria das vezes em nada são benéficas.

Com os iniciados na religião esta obrigação é realizada uma vez por ano, ocasião que o iawô, recolhe-se por um período de 12 horas, se não for obrigação de feitura, podendo chegar até mesmo há três dias. Neste caso o bori unifica-se com a obrigação de seu tempo de feitura. Estas obrigações são de: 01, 03, 07,14 e 21 anos após sua iniciação. Antes do recolhimento, a pessoa passa por uma sessão de limpeza (ebó ou sacudimento), destinada a retirar as forças inferiores que possam estar junto dele, e neste recolhimento, se oferece, vários tipos de comidas, desde o feijão preto e o inhame cará de Ogum até o ebô (canjica branca) de Oxalá. Nesta ocasião o sacerdote sacrifica aves pré-determinadas pelo Orixá da pessoa, a fim de que esta possa ter mais um ano de vida, alegria, saúde e conquistas em sua vida. Em caso de obrigação grande são oferecidos os chamados bichos de quatro pés, e estes variam de acordo com a qualidade e a solicitação de cada Orixá.

Para os que não são iniciados, esta obrigação varia muito, dado que cada pessoa tem um problema e assim sendo a solução do mesmo difere. Temos o bori de misericórdia, no qual são oferecidos apenas comidas brancas para Oxalá e Yemanjá, e os sacrifícios, constituídos apenas de aves destes santos.

Os antigos africanos acreditavam na força dos elementos da natureza, tanto como parte ativa da nossa existência, como para nos reabastecer de forças positivas que se bem direcionadas, vão nos levar ao alcance de muitas vitórias na vida terrena. Um dessas forças era a comida. Acreditava-se que os ancestrais ao se transladarem para o Orúm (céu), levariam consigo as experiências adquiridas na terra, e em um futuro poderiam aqui retornar para nos auxiliarem de forma direta em vários aspectos de nossas vidas.

Os Africanos possuíam uma filosofia muita a quem das demais seitas e filosofias existentes. Para eles, tudo na natureza possui vida, até mesmo as pedras, e como tais esses elementos são dignos de respeito e proteção. Possuíam desde tempos remotos, uma concepção de proteção à natureza e esta foi passada de pai para filho, tanto que é muito comum nos barracões de Candomblé, existirem uma variedade de flora que surpreende a todos que ali chegam. As comidas oferecidas em obrigações de santo são comumente jogadas dentro de rios e lagos após serem suspensas da mesa do Orixá. O fato de estas comidas serem ali despejadas reflete-se na preocupação com a continuidade da vida. Sabemos que nossos antepassados preocupavam-se com a vida e a preservação da natureza, assim ao despejarem estes alimentos na água, era sua preocupação apenas alimentar os peixes que ali habitam, garantindo assim a continuidade da vida.

Este fator também está evitando o desperdício de alimento. Dentro da casa de uma pessoa iniciada, é verdadeiro tabu desperdiçar o alimento, seja de que forma for. Assim, é comum a divisão da comida de bori entre as pessoas que ali estão, afinal além de não desperdiçar, estariam todos participando daquele banquete, ocasião que aproveitariam o axé deste santo. Nada se desperdiça em uma roça de santo, até mesmo os resíduos que não servem para ser aproveitado para nada, como certas partes dos animais, são enterrados e não jogados no lixo, temos uma concepção de que tudo que se oferece ao santo é sagrado, e assim até mesmo as partes que de forma alguma servem para serem ingeridas, poderão ser utilizadas como adubo natural para a terra, assim ao enterramos estas partes, estaremos dando continuidade ao que nos foi passado por nossos antepassados: na natureza tudo se aproveita, nada se desperdiça.

Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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domingo, novembro 19, 2006


COSME E DAMIÃO

Quem de nós nunca participou de uma festa de São Cosme e São Damião em algum terreiro, seja de Umbanda ou Candomblé? Sempre festejados em Setembro, é uma verdadeira viagem à nossa infância, onde podemos nos fartar como bolos, balas, doces e tantas outras guloseimas servidas neste dia. Mas uma é especialmente gostosa: O Caruru, também chamado de Caruru de Cosme! Sim, esta é uma das preferidas guloseimas servidas nas casas de Candomblé por ocasião das comemorações destes santos, que tanto se dedicaram à pobreza em sua vida terrena, o que lhes causou grande perseguição por parte do Imperador Diocleciano durante o século V.

Vamos ver um pouco da história destes mártires:
Muitos dos relatos sobre a vida destes Santos nos dão conta que eles eram gêmeos e nasceram na Arábia, trezentos anos após Jesus, porém seus pais eram Cristãos. Quando maiores foram para a Síria, onde estudaram medicina e passaram a se dedicar exclusivamente ao atendimento gratuito. Seus verdadeiros nomes eram Acta e Passio. Como a maioria dos mártires, existem vários relatos sobre sua morte: alguns dizem que foram lançados de um precipício amarrados, pois foram acusados de serem feiticeiros e inimigos dos deuses romanos. Outros contam que na primeira tentativa de ceifarem-lhes as vidas, foram afogadas, porém anjos vieram dos céus e os salvaram. Já em outro relato vemos que foram queimados, porém mal algum lhes causou o fogo, e depois desta vã tentativa teriam sido apedrejados, mas as pedras simplesmente voltavam para trás sem atingi-los. E por fim foram degolados.
O que se sabe ao certo, é que Cosme e Damião foram martirizados na Síria, por ordem do Imperador Diocleciano, que os perseguia por saber de sua religiosidade e de seus atos caridosos aos pobres. Sabemos que este Imperador foi Inimigo de todos os que não se curvassem perante os deuses romanos, porém é desconhecida a forma como morreram. Os milagres a eles atribuídos começaram logo após sua morte. Consta que, depois de mortos apareceram materializados ajudando crianças que sofriam violências. Até mesmo no momento de seu suplício os milagres aconteceram. Consta que o gêmeo Acta levitou, e do gêmeo Passio consta à tranqüilidade com a qual aceitou de seu martírio.
Mas os milagres de cura somente apareceram por volta do século V, e fizeram com que fossem considerados “Médicos dos Pobres”, protetores especiais das crianças. Segundo suas histórias, eles não recebiam qualquer tipo de pagamento quando exerciam a profissão na Síria, e com isso ganharam o título de ANARGIROS, inimigos do dinheiro. Depois com a especialização da medicina, foram escolhidos como Patronos dos Cirurgiões.
Seus corpos foram transportados por vários fiéis para Roma, devido à trucidação dos mesmos por Diocleciano, onde foram sepultados em um templo erguido em sua honra pelo Papa Félix IV na Basílica De Roma com as iniciais SS, que se traduzem como Cosme e Damião.
Dado a sua dedicação às crianças em geral, foram eles nomeados protetores das mesmas, e mais tarde as casas de Umbanda passaram a homenageá-los no dia 27 de Setembro, data que o catolicismo também realiza as homenagens. No Candomblé, são sincretizados com IBEJI, gêmeos da África que segundo as lendas, são os protetores das crianças e também da felicidade e riqueza. Segundo algumas casas, seriam eles filhos de Odé e Oyá, mas independente de sua filiação, em uma coisa todos são unânimes: a rapidez com que atendem os pedidos a eles endereçados, em troca de doces e outras guloseimas.
Seu culto foi iniciado no século V, data em que apareceram os primeiros relatos de seus milagres. Existem registros do culto aos irmãos nesta época, que dão conta de que existia em certas igrejas um óleo santo que tinha seu nome e, além do poder da cura, daria filhos a mulheres estéreis.
No Brasil seu culto foi introduzido pelo Donatário Duarte Coelho, 1535, quando este fundou a primeira igreja a eles dedicada, na cidade de Igarassú, (em Olinda, Pernambuco), que em tupi significa: Igara – Canoa, Assu – Grande.
Pai Sérgio, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.
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Tel: 0 (xx) 27 3282-1860

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