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sábado, março 10, 2007

O Quesito Tempo.


Muitas vezes ao se dirigirem a uma casa de santo, ou mesmo solicitarem um favor aos orixás e demais entidades, as pessoas trazem consigo a ilusão de que seus trabalhos obterão resultados imediatamente ou que as coisas se resolverão como em um passe de mágica. Isso é uma ilusão que muito tem decepcionado tanto aos consulentes como aos sacerdotes que encaram com seriedade suas obrigações, dado à cobrança que estes clientes fazem com a demora de seus trabalhos.

Vale a penas lembrar que como qualquer outra coisa, os trabalhos dependem de tempo, as entidades dependem do tempo para que possam realizar aquele pedido. É como um medicamento que pode em alguns casos, dar o efeito mais rápido, mas em outros, demora mais. Muitos são os fatores comprometedores no quesito de tempo para se obter resultados: quanto tempo já vem aquele problema na vida da pessoa, em qual situação as entidades encontrarão a vida dela, e sobre tudo: o merecimento. Sim, sem ele fica muito mais difícil a pessoa obter seus resultados, ao menos em um tempo menor.

Muitas vezes ao chegarem na vida de uma pessoa para resolver determinado assunto, as entidades encontram uma desordem tal, que primeiro têm que arrumar toda aquela bagunça. Isso é em conseqüência de vários fatores: vida desregrada, atitudes que tomou em um passado recente, pragas, inveja, e até mesmo energias que vão se aproximando dela no decorrer da vida. Por exemplo: sempre andamos nas ruas, como não temos conhecimento deste assunto, passamos por qualquer lugar sem nos preocuparmos se ali tem um acidente, se é uma encruzilhada, simplesmente passamos sem a preocupação de pedir licença para atravessar aquele local, passamos por porta de cemitérios e na maioria das vezes está acontecendo um velório, e mesmo tomamos algumas atitudes que para nós nada tem de anormal que magoou alguém, e estas atitudes, estas mágoas, levam aquela pessoa a nutrir algum ressentimento contra nós, e isso atrai uma carga negativa muito grande em nossa vida.

Quando vivemos sem o devido conhecimento, não colocamos regras em nossas vidas e assim cometemos faltas graves aos olhos dos espíritos, e isso contribui também para que nossos trabalhos demorem mais a dar resultados.

Temos também um agravante muito sério: o orgulho. Sim, este é o grande vilão em nossas vidas. Ainda mais se por ventura um trabalho não dá imediatamente o resultado que pedimos, temos o ímpeto de falar coisas que ofendem em demasia nossos mentores, e eles simplesmente se afastam de nós. A palavra é algo que devemos tomar muito cuidado, pois que ela sim, nos condena muito mais que certas atitudes.

Mas, estas pessoas em sua grande maioria, não têm culpa por esta cobrança, e sim, aqueles falsos sacerdotes que apregoam nos quatro cantos do mundo, que resolvem este ou aquele problema em sete dias, em três! Isso é absurdo total, usam esta pregação para agirem de má fé com as pessoas, abusando da credibilidade que elas depositam em nossos serviços. Se assim fosse, com certeza não existiriam mais problemas neste mundo concordam?
Antes de solicitar um trabalho, seja ele qual for, tenha em sua consciência que tudo na vida requer tempo, e este é de Deus, e assim diferente do nosso tempo. Nossos antepassados nos ajudam sim, mas dependem de tempo, não podem simplesmente resolver nossas vidas de um segundo para outro. Lembremos de um ditado que diz: a fruta só é boa, quando colhida no tempo certo.

Limpemos nossos corações do ódio, da mágoa, do rancor, e de tantas outras coisas que são maléficas a nosso espírito. Deixemos de lado as mazelas, as intrigas, o orgulho, a soberba, pois que se hoje estamos em uma situação financeira boa, recordemos do dia em que não estávamos, lembremo-nos de que o mundo gira e com ele nossa vida está em constante mutação. O que hoje está por baixo, amanhã pode estar por cima e vice-versa.

Peçamos ao Senhor Deus, a sabedoria para discernirmos as coisas, o entendimento para que possamos enxergar que nem tudo é do jeito e da forma que desejamos. Sejamos humildes perante nosso semelhante, e quem sabe assim, não estejamos alcançando nossos resultados antes mesmo de entregarmos uma oferenda. E se entregarmos, lembremo-nos de aquela pessoa que fez o serviço é apenas um sacerdote, e não Deus, que resolverá tudo na hora. Pois nem mesmo Deus resolve as cosias no momento, ressaltamos:

TUDO NECESSITA DE TEMPO!

Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

quinta-feira, março 08, 2007

O QUE SÃO EBÓS?

Ebós ou Sacudimentos são limpezas que se realizam em uma pessoa, a fim de afastar dela toda a influência negativa que a está atrapalhando a seguir seus caminhos. Este tipo de obrigação é realizado a partir de alimentos cozidos, torrados e até mesmo crus, que ao serem passados no corpo da pessoa, têm o poder de afastar dela aqueles espíritos inferiores.

Para cada caso, existe um tipo de sacudimento específico no qual são usados tipos de materiais e alimentos diferentes. Estes serviços são recomendados pelos orixás através do jogo de búzios, e não apenas o tipo de ebó que a pessoa deve passar, mas até mesmo o local onde o mesmo deverá ser entregue depois de concluído o trabalho.

Existem ebós relacionados a todos os tipos de problemas que possamos ter em nossa jornada terrena. E estes, são desde uma limpeza para abertura de caminhos, até para afastar a carga, a influência de um espírito de morto. Muitas vezes temos um problema que não se resolve, nosso dinheiro nunca é suficiente como antes, objetos se quebram sem explicação alguma dentro de casa, vemos seres andando em nosso lar, uma pessoa tem uma doença que a medicina sozinha não resolve..., enfim: para cada caso existe um ebó para ajudar na solução.

E para cada problema, invocaremos uma entidade diferente para receber aquele ebó e assim ajudar aquele consulente em sua missão. De todos os ebós, os mais pesados são os de praga, e o chamado Ebó Ikú, sendo este último preparado com todo tipo de comida além de outros materiais e destina-se a afastar a influência perigosa de egum. Quando esta entidade se aproxima de alguém no intuito de prejudicar, todo cuidado é pouco, pois que suas manifestações podem provocar desde vômitos sem causa aparente, até mesmo brigas horríveis, separação de um casal, e tantos outros males que seria impossível relatar todos eles em poucas páginas.

Nos caminhos de Exú, temos, ebós de: praga, de saúde, para abrir caminhos para emprego, para reconciliação de um casal, para afastar inveja, para desmanchar feitiço e uma quantidade que seria quase infinita.

Existem ebós até mesmo nos caminhos dos orixás, estes se destinam a emprego, saúde, afastar perseguição, prosperidade, paz, amor, e mais uma lista incomensurável. Além dos ebós aqui citados, existem ainda aqueles que são direcionados exclusivamente para residências, comércios, escritórios, etc.

Existem entre outros, os ebós abaixo relacionados:

Ebós de estrada, encruzilhada, rio, mar, mata, porta de cemitério, porta de igreja, praça.

Independente do local a que se destina o ebó e de sua qualidade é importante que ele seja feito por pessoas preparadas e não por iniciantes nos preceitos da religião. Deve-se também respeitar o resguardo que o sacerdote determinou, pois que com certeza este foi recomendado pelos orixás através do jogo de búzios.

Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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Tel: 0(xx) 27 3282-1860.

quarta-feira, março 07, 2007

OBI


Obi, obi d’água ou simplesmente obi. Todos estes nomes referem-se à mesma obrigação, voltada exclusivamente a confortar uma pessoa em um caso de doença, desemprego, distúrbios nervosos, ou até mesmo para um iniciado dentro dos preceitos do axé orixá, quando por um motivo ou outro, o mesmo não pode passar por um bori. Esta obrigação tem seu nome em referência a uma fruta africana, o obi, sem a qual nada podemos realizar para os orixás, no tangente a sacrifícios, uma vez que é com ela que conversamos com nossos antepassados para sabermos se aquele santo está satisfeito com a obrigação, etc.

Esta obrigação é a mais simples realizada dentro do axé, no tangente a dar de comer a uma cabeça. Muito embora algumas pessoas achem que ela não tem maiores fundamentos junto com o orixá, mas já presenciamos muitos casos que foram resolvidos com esta. Trata-se neste ato, de confortar o anjo da guarda da pessoa, seja consulente ou filho de santo, ocasião onde alimentamos Oxalá, no intuito de pedir a misericórdia para aquele filho que se encontra em tal sofrimento.

Claro que esta obrigação não cria uma obrigatoriedade do cliente com o santo, ela apenas serve como um modo de resolver de imediato uma questão. Existem aqueles que após o obi, sentem-se tão felizes que optam por penetrar de forma mais profunda dentro de nossa religião.

Nesta obrigação são utilizados: ebô (canjica de Oxalá), ebô yá (a mesma canjica, porém preparada para Yemanjá e de forma diferente), o obi (que é uma fruta de origem africana), frutas variadas, vela e uma quartinha com água além da comida do santo da pessoa. Em alguns casos é utilizado um pombo branco.

Antigamente quando uma pessoa desejava entrar para os preceitos de uma casa, ou seja, ser filho ou filha de santo naquele templo, ou mesmo quando seu orixá exigia feitura, os zeladores tinham por hábito realizar esta como uma primeira obrigação, para daí então estudar a pessoa, ver se ela realmente tinha amor e dedicação para com os orixás, e até mesmo para se certificarem de que era realmente sua casa e sua mão que aquele santo desejava, e não apenas uma empolgação material ou espiritual. Agiam assim, pois que, nesta época não existia o fato de uma pessoa fazer santo com um e tomar obrigações com outro, provocando um rodízio ridículo nas roças de santo como as que se vê hoje em dia.

Para uma pessoa se iniciar, existia todo um processo de identificação dele com a casa e vice-versa. Era uma época em que a fidelidade de um iniciado era realmente levada a sério, assim como a do sacerdote com relação a seus iniciados. E o obi, era justamente a obrigação que funcionava como uma espécie de flerte, vulgarmente comparando, evitando constrangimentos futuros.

Hoje em dia, parece que esta fidelidade simplesmente evaporou-se com a fumaça dos defumadores, pois que uma pessoa se inicia em uma casa e quando desencarna, traz uma longa passagem de terreiro em terreiro. Claro que ainda existem aqueles que prezam a fidelidade, mas são bem poucos nos tempos atuais.
Ser um iniciado é antes de tudo sermos fiéis a mão que alimenta nosso orixá, nosso anjo da guarda, assim como ele é fiel a nosso zelador. Pertencermos ao axé orixá é antes de tudo sermos humildes, desprovidos de arrogância e soberba, é seguirmos nosso destino na certeza de que um ser tão puro e iluminado se dedica a zelar por nós e nossa vida.

ISSO SIM É SERMOS PARTE DESTE MARAVILHOSO MUNDO O QUAL CHAMAMOS; CANDOMBLÉ!

Tatetú N’Inkisi lambaranguange: Odé Mutaloiá.

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sábado, março 03, 2007

Cancelamento de e mail

Venho informar a todos, que à partir desta data, por motivos de troca de provedor, não mais estarei usando o e mail do uol. Todas as mensagens deverão ser encaminhadas apenas para os endereços: odemutaloia@hotmail.com, e, odemutaloia@pop.com.br

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

LOGUM EDÉ

Eis um grande orixá, filho de Oxum Apondá e Odé Iboalamo, apenas mal compreendido. Uma de suas lendas conta que sua mãe Oxum estava já grávida dele, mas seu pai não sabia. Certo dia Xangô veio visitá-los em sua casa, e como Odé tinha por hábito oferecer banquete a quem fosse em sua casa, retirou-se para o mato a fim de caçar.

Porém como era de costume Odé se embrenhar na mata e demorar a voltar, devido ao encanto que a mesma o proporcionava, tanto por sua beleza quanto pela solidão, algo que ele muito admirava, somente retornou a sua casa três meses depois. Mas hei que ao chegar, encontrou sua esposa Oxum já com cinco meses de gravidez, e vendo sua barriga, disse que aquele filho era de Xangô, renegando aos apelos de sua esposa que tentava explicar que já estava esperando um filho quando ele saiu.

Tomado de um acesso de ciúmes, Odé expulsou Xangô de sua casa e depois a própria esposa. Este sentida foi queixar-se com a mãe de odé, Yemanjá, a qual se compadeceu da situação da nora, e a convidou a morar com ela perto do oceano.

Odé não se conformava e foi para a mata tentar através de ebós, fazer com que ela perdesse a criança. Oxalá interferiu e por mais ebós que fizesse a gravidez vingou. Yemanjá, vendo a hora do parto se aproximar, foi conversar com seu filho, mas este cego de ciúmes, culminou por expulsar sua mãe de sua casa.

Mas o tempo passou e após o parto, estava Oxum a passear com seu filho quando encontrou com Odé e mostrou-lhe a criança a quem chamou Logum Edé. O pai vendo que a criança era muito parecido com ele, se arrependeu e quis levar consigo o filho, o qual Oxum se negou terminantemente. Então Odé pegou sua faca e disse que rasgaria a criança ao meio. Neste exato momento, roncou uma trovoada e um antigo Rei (Xangô), se aproximou e ao ouvir a história, determinou em nome de Oxalá que a criança seis meses moraria com a mãe nas cachoeiras e rios, e seis meses com o pai nas matas.

E assim cresceu Logum, e aprendeu tanto o ofício da caça quanto o da pesca. Por este motivo é que ainda hoje o relacionam com o homossexualismo, mas isto em nada é verdade. O Orixá, jamais influenciará seu filho em questões como a opção sexual, por exemplo, isto em nada condiz com a verdade, apenas usam esta e outras lendas para justificarem uma opção, justa, porém nada tendo a ver com o axé orixá.

Logum é caçador, pescador e oluwô, ou seja, tem o dom de enxergar as coisas através do opelê Ifá, quanto do jogo de búzios. Ao se transladar de volta ao orúm (céu) ainda era um rapaz jovem e bonito, deixando assim com legado, o dom da sedução para seus filhos.

Seu dia é quinta feira.

Sua cor é o verde translúcido e o amarelo translúcido.

Come: feijão fradinho, milho cozido, acaçá, mel, azeite de oliva e dendê.

Sua sudação: Oloriqui, loci, loci.

Vive nos rios e cachoeiras com sua mãe, e nas matas com seu pai.

Tatetú N’Inkisi Lambaranguange: Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

DOIS DE FEVEREIRO, DIA DE YEMANJÁ. ODOYÁ!



YEMANJÁ
Este Orixá é natural de Abeokutá, na Nigéria, local onde seu culto prolifera com muita intensidade, mas seus principais seguidores são os naturais de Egbado localidade cuja rainha é Okoto, também conhecida como Osá. Seu principal templo está localizado em Ibará, bairro de Abeokutá e, embora seja cultuada no rio Ogum, seus seguidores vão, anualmente, recolher água para lavar os seus axés, numa fonte de um afluente denominado rio Lakaxa.
Yemanjá seria tão velha quanto Obatalá (em algumas regiões), e talvez tão poderosa quanto ele. É filha de Olóòkun que em Benin é considerado como um deus e em Ifé como uma deusa, cujo reino são os oceanos. Olô – Senhor, dono Okun – Oceano. Teria sido casada com Orunmilá ou Oxalá de quem gerou filhos, ou seja: os demais Deuses, nossos Orixás.
Conta uma lenda que Yemanjá, cansada de viver em Ifé, seguiu em direção ao Oeste indo instalar-se no "por do sol". Inconformado com o abandono Oxalá mandou seu exército à sua procura. Cercada pela tropa, Yemanjá, ao invés de se deixar prender, quebrou um frasco contendo um líquido mágico que lhe havia dado seu pai Olokun, o que fez com que surgisse ali mesmo, um caudaloso rio, cujas águas a levaram até o oceano, local de residência de seu pai.
Por seu caráter intempestivo, Yemanjá perdeu a hegemonia do mundo terrestre assumindo, desde então, domínio sobre a orla marítima em cujo movimento hora calmo, hora agitado e revolto, tem representada a sua personalidade inconstante.
Seu nome em yoruba, Yéyé Omo Ejá (Iyemonjá), significa: "Mãe de Filhos Peixes", ressalta, sobremaneira, seu instinto maternal, uma vez que assume como filhos todos os seres humanos, independente de quais sejam os seus.
Isto está exemplificado num Itan Ifá que descreve a forma como Yemanjá assume a maternidade de Omolú, filho legítimo de Nanã, desprezado pela própria mãe por ser portador de lepra.
Yemanjá representa, portanto, o instinto maternal, assumindo, de muito boa vontade todos os seres humanos como filhos bastando, para tanto, que se recorra aos seus préstimos e que se solicite sua proteção.
Como Oxum, Yemanjá tem, mesmo na África, diversos nomes, todos relacionados aos lugares diferentes e profundos do rio onde é cultuada. Para algumas casas de santo no Brasil, sua relação com o oceano, está também ligada ao fato de ser através deles que os negros aqui chegaram a bordo dos navios como escravos. Como ansiavam por se tornarem livres e retornarem para sua terra natal, e também pelo fato dela ser considerada mãe de todas as pessoas, recorriam a ela com esta expectativa.
Na África é representada por imagens de madeira com seios enormes, símbolo da maternidade fecunda.
O fato de possuir seios enormes tornava Yemanjá demasiadamente suscetível e qualquer menção a eles, era motivo mais do que suficiente para despertar a sua fúria.
Uma lenda narra de que forma um comentário irônico, feito por seu marido, em relação aos seus seios, fez com que Yemanjá, irritada, bate-se com o pé no chão provocando o surgimento de um rio que a teria transportado para o oceano, da mesma forma que na lenda anteriormente descrita.
Segundo as tradições, Yemanjá veste-se de diversas cores, destacando-se, dentre elas, o branco, o azul, o verde-água e o rosa, sempre em tons claros e transparentes.
Aprecia rosas brancas como oferenda e é certo que, seus filhos, quando têm problemas de saúde, possam recuperá-la oferecendo a Orixá, um ramo destas flores na beira da praia.
Na África, Yemanjá é cultuada no rio Ogum (Odo Ogum), onde recebe regularmente os presentes oferecidos por seus filhos e seguidores.
Nas Américas, no entanto, onde seu culto é grandemente difundido, recebe oferendas nas águas do mar. Sua saudação mais comum é "Odo Iyá!" Que significa "Mãe do Rio". Outras formas de saudá-la, utilizadas no Brasil são: "Erú Iyá!" E "Odo fé Iyagbá!" Sendo que esta última saudação, muito utilizada nos ritos de Umbanda, significa: "Amada Senhora do Rio".
É chamada também de "Iyá Ori" (Mãe da Cabeça), devido à crença de que o líquido existente no crânio entre a massa cefálica e a parede craniana, pertence a ela, estando, desta forma, presente e representada em todas as cabeças. E também pelo fato de que durante a gestação, Oxum retém o sangue menstrual, para que Yemanjá possa atuar no útero, a fim de que nele seja gerada uma outra vida.
No Brasil, grandes festas em louvor dela são organizadas na passagem do ano e no dia dois de fevereiro, ocasião em que seus fiéis, reunidos em grandes grupos ou sozinhos, depositam suas oferendas nas águas do mar.
A festa de dois de fevereiro na Bahia atrai para a praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis que formam longas filas diante da porta de um pequeno templo construído em sua honra, sobre um promontório que domina toda a praia.
No Espírito Santo, sua festa mais famosa e disputada, acontece em Jacaraípe, em frente ao Templo a ela erguido em 1977, pelo senhor Orlando Santos, Presidente da UNESCAP e precursor desta homenagem, juntamente com o apoio da associação dos pescadores de Jacaraípe, sem os quais seria impossível o transporte das oferendas.

Texto de: Sérgio Silveira, Odé Mutaloiá, Vice-Presidente da Unescap, Membro do Conselho sacerdotal, Escritor e Pesquisador.

Contatos com a UNESCAP:
uniaoespiritacapixaba@yahoo.com.br

Contatos com Sérgio:
odemutaloia@hotmail.com

quinta-feira, janeiro 25, 2007

HOMENAGEM PÓSTUMA À TÁTA FOMOTINHO, A RAIZ DO JÊJE NO RIO DE JANEIRO

Antonio Pinto de Oliveira, conhecido como "Tata Fomotinho" nasceu em Salvador - Bahia em data desconhecida.
Foi numa visita ao candomblé do Sejá Hunde, em Cachoeira, que Antonio foi tomado por seu vodun, "bolando" de forma definitiva.
A queda de Antonio representou um problema para a Mãe de Santo da casa, Gaiaku Maria Angorense, já que, por tradição, jamais havia raspado um homem, postura que pretendia manter até o fim de sua vida.
Ao consultar Ifá, no entanto, a sacerdotisa foi obrigada a render-se à vontade de Oxum que não abria mão da exigência de ser "feita" na cabeça de Antonio e, naquela casa. Assim, Antonio foi recolhido num barco composto de oito yaôs, sendo ele o único representante do sexo masculino.
Depois de iniciado, Antonio participava como Pai Pequeno na casa de candomblé de Manuelzinho de Oxóssi, filho de Maria Neném. Como a casa era de Angola, Antonio passou a ser chamado pelos yaôs de "Tata" e assim ficou definitivamente conhecido como "Tata Fomotinho".
Transcorria o ano de 1930 quando Antonio, a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro, chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado de seus amigos João Lesengue e Bananguami.
O jovem sacerdote foi residir numa casa muito humilde situada na rua Navarro, mudando-se, pouco tempo depois, para a estrada da Portela, 606, no subúrbio de Oswaldo Cruz.
Naquela época a repressão ao candomblé era terrível, mas Antonio, contava com a proteção de Paulo da Portela, fundador da tradicional Escola de Samba da Portela, o que de certa forma, mantinha a polícia distante da casa de candomblé.
Foi somente em 1935 que Tata Fomotinho, depois de haver plantado definitivamente os fundamentos da casa, confirmou o seu primeiro ogan, tratava-se de um jovem fuzileiro naval, Agostinho, mais tarde Pejigan Gebê, primeiro ogan de Oxum.
No dia 16 de janeiro de 1936, auxiliado por seu ogan e por sua amiga Maria da Cruz, Fomotinho tirava seu primeiro barco de iyaôs, do qual faziam parte Olegário e Marcionílio.
Pouco depois o axé era transferido para a Estrada do Areal de onde se alastraria. A semente por ele trazida da distante Bahia transformava-se em tronco sólido que estendia inúmeros galhos representados por seus muitos filhos de santo.
No dia 8 de junho de 1961, na esquina da rua Silva Gomes, no subúrbio de Cascadura, Tata Fomotinho foi atropelado por um lotação que trafegava em alta velocidade, sendo socorrido em estado desesperador no Hospital Carlos Chagas.
A recuperação foi lenta e dolorosa, mas, meses depois, o sacerdote reassumia suas funções na casa de candomblé. Sua saúde, entretanto, ficara muito abalada e, no dia 19 de fevereiro de 1962, Tata Fomotinho foi acometido de derrame cerebral quando se encontrava em São Paulo. Socorrido no Hospital das Clínicas daquele Estado foi, depois, transferido para a casa de seu filho de santo Jamil de Omulú e daí para a residência de Marcionílio no Rio de Janeiro.
Mas foi em Nilópolis, na casa de seu filho Djalma de Lalú, que Táta Fomotinho, no dia 26 de junho de 1966, veio a falecer.
Dele ficou, além da saudosa lembrança, um legado religioso inestimável, preservado por todos aqueles que foram por ele iniciados, cujos nomes relacionamos a seguir:
Vodunsis: Olegário, Beija-flor, Marcionílio, Antonio Cabeludo, Djalma de Lalú, Jorge de Yemanjá, Leandro, Esmeralda, Jorge de Oxóssi, Corina, Orlando de Omulú, Natália, Zezinho da Boa Viagem, Lucinda, Nicéia, Lucy, José Velho, Idelfonso, Edith, Irene, Marina, Jacy, Jorge de Omulú, Durval de Logun, Joana de Ogum, Berenice, Ivan, Manú, Petronílio de Oxóssi, Avanir, Luíza, Lusinete, Arlete, Tiana, Gumercindo, Filomena, Jorge, Marcílio, Luiza de Oxum , Belinha, Hilbert, Walter, Ernani, Orlando, Edith, Ester, Babazinho, Aidê, Negazinha, Joana, Nina, Toninho, Otávio, Décio, Jamil, João d'Ogun, Ladislau, Valmir, Jussan, Jorge Macuco, Joventino, Maria dos Santos, Leninha, Matilde, Fernando de Oxaguian e Cavalcante de Oxalá.
Ogans: Agostinho, Bento, Beto, Eduardo, Luiz, Walter, José, Damasceno, Wilson, Gabriel, Rubens e Miúdo.
Ekéjis: Sara, Biê e Rosa.

OBS: Pesquisa realizada no Centro de Estudos Afro Americano – CECAA, por Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange: Odé Mutaloiá.
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terça-feira, janeiro 23, 2007

JOÃOZINHO DA GOMÉIA

João Alves Tôrres Filho nasceu em Salvador - Bahia, no dia 27 de março de 1914.
Filho de João Alves Torres e de Maria Vitória Torres, sua avó, africana e ex-escrava, teria morrido com 116 anos de idade.
Nascido em família católica, João assistia regularmente as missas na igreja de sua paróquia, chegando a participar das mesmas como coroinha.
De família pobre, o menino viu-se obrigado a trabalhar muito cedo e seu primeiro emprego foi num armazém de secos e molhados onde ganhava o salário de vinte e cinco mil réis, com direito a pernoitar no depósito onde dormia sobre sacas e caixotes.
No emprego João conheceu uma senhora idosa e solitária que o convidou a residir em sua companhia na Estrada da Liberdade, 561.
A "Madrinha", forma carinhosa com que João tratava sua protetora, fez com que estudasse em escolas noturnas e cuidava do menino como se fosse seu próprio filho.
A influência desta senhora, filha de Oyá e iniciada em Cachoeira, foram fundamentais para definir a trajetória religiosa de João.
Apresentando problemas de saúde para os quais os médicos não encontravam solução, o jovem foi levado por sua madrinha ao candomblé de Severiano José de Abreu, conhecido em toda a Bahia como Jubiabá. João
estava então com 16 para 17 anos.
No dia 21 de dezembro de 1931, Oxóssi, na cabeça do jovem yawo, "rodava" e "dava o nome".
Com a morte de Jubiabá, João abriu seu próprio candomblé na localidade denominada Alto da Goméia, nome que seria dado popularmente ao novo axé.
Em 1948 o babalorixá mudou-se para o Rio de Janeiro, transferindo seu candomblé para a rua General Rondon, 360 no bairro de Copacabana, em Duque de Caxias.
Em 1966, já famoso e prestigiado, João voltou à Bahia onde tomou obrigação com a saudosa mãe de santo Menininha do Gantois, incorporando-se, assim, a uma nova raiz.
Transcorria o ano de 1971 quando, em São Paulo, o babalorixá sentiu-se mal, sendo atendido, no dia 6 de fevereiro, no Hospital São Paulo na Vila Clementino, onde permaneceu internado até o dia 19 de março, data do seu falecimento.
Seu corpo foi trasladado para o Rio de Janeiro onde, em 21 de março, seria sepultado no cemitério de Duque de Caxias, sob forte temporal que inundou toda a cidade.
João, que segundo dizem, teria iniciado a mais de mil pessoas, deixou uma lacuna ainda não ocupada em nossa comunidade religiosa.
Seu trono permanece vazio.
Seu cetro, Oxóssi levou para o Orúm.


Adilson de Oxalá
Pesquisa Realizada por Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Odé Mutaloiá
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segunda-feira, janeiro 22, 2007

HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO


Conhecido como Oxossi em alguns estados como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, e como Xapanã, (qualidade de Omulú) nas casas de Batuque no Rio Grande do Sul. Na Umbanda, é patrono das falanges de Caboclo e estes nada fazem sem reverenciar este santo. Na Igreja Católica é protetor contra a peste a fome e a guerra.

Segundo pesquisas realizadas sobre sua vida, Sebastião teria nascido em Narvonne, França, nos idos do século III, e era ainda menino quando seus pais se mudaram para Milão, local em que ele foi educado e cresceu. Como sua mãe, Sebastião sempre foi piedoso e forte em sua fé, o Cristianismo.

Ao atingir a fase adulta, alistou-se como era de praxe no serviço militar, servindo nas legiões do Imperador Diocleciano. Este Imperador ignorava que ele era cristão. Sua figura imponente sua bravura e prudência, logo chamaram a atenção de Diocleciano que o nomeou Comandante de Sua Guarda Pessoal, o que Sebastião usou para se tornar um protetor e guardião de todos os cristãos encarcerados em Roma. Era com freqüência que os infelizes, vítimas do ódio pagão recebiam dele palavras de consolo, nas quais ele animava aos que iria em breve sofrer o martírio, mostrando-os que receberiam a glória no céu.

Assim seguia ele, confortando e amparando as vítimas da intolerância, enquanto o Imperador seguia sua perseguição, culminando por expulsar todos os cristãos de seu exército. E foi então nesta época que Sebastião foi denunciado por um soldado, Diocleciano sentiu-se traído imensamente, afinal era ele, o comandante de sua guarda pessoal. Mandou que prendessem imediatamente seu comandante e o trouxessem à sua presença. Mas tamanha foi sua perplexidade, quando ouviu da boca do próprio Sebastião a confissão de que era realmente cristão. Diocleciano então, tentou fazer com que ele abdicasse de sua fé, ao que ele com firmeza disse que não, e ainda mostrou vários motivos que o convenciam cada vez mais a seguir sua fé, usando-a para socorrer os aflitos e perseguidos.

Tomado de uma ira descomunal, Diocleciano ordenou aos soldados que o matassem a flechadas, ordem esta que foi cumprida imediatamente: os soldados o levaram para um descampado, tiraram-lhe toda a roupa, amararam-no em uma árvore e atiraram uma imensa quantidade de flechas (que posteriormente passaram a ser seu símbolo). Depois foram embora, deixando-o pr que morresse de tanto sangrar.

Mas como a providência Divina não falha, ao cair de noite, a mulher de um outro mártir chamado Castulo, foi com algumas amigas onde se deu a execução, a fim de retirar de lá seu corpo e conceder-lhe uma sepultura. Esta mulher chamava-se Irene. Ao se aproximarem de Sebastião, viram que ele ainda estava vivo, o que de forma alguma poderia ter acontecido, dado a quantidade de flechas que lhe foram atiradas, fazendo com que fosse impossível a qualquer ser humano sobreviver. Assim elas o tiraram da árvore, e Irene o escondeu em sua casa, cuidando para que suas feridas cicatrizasse. Após completamente recuperado daquele mortífero ataque, Sebastião rejeitou a idéia de se esconder, e deu continuidade ao seu processo de evangelização, terminando por se apresentar ao Imperador e até mesmo censurando as perseguições e injustiças praticadas por ele contra os cristãos.
Porém mesmo com todas as provas dos poderes que vinha dos céus, Diocleciano ignorou todos os pedidos de seu antigo comandante, e determinou que ele fosse morto com pauladas e golpes de bolas de chumbo. Se negava assim Diocleciano a reconhecer um poder maior que o seu: O Poder de Deus! Insatisfeito com a morte de Sebastião, o Imperador a fim de impedir que seus seguidores levassem seu corpo e o venerassem, mandou que o jogassem em um esgoto público de Roma.
Mas uma piedosa mulher chamada Luciana recolheu seu corpo e deu-lhe uma sepultura nas catacumbas. Estes fatos se passaram no decorrer do ano de 287. Muito depois, no ano de 680, seus restos (relíquias) foram transportados com solenidade para uma basílica construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje. Uma terrível peste destruía Roma na época e desde o translado de seus restos mortais, ela simplesmente desapareceu.
Foto:São Sebastião, por Mantegna
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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Cancelamento de e mail

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