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sexta-feira, maio 18, 2012

DIA NACIONAL DA UMBANDA


Hoje, dia 18 de maio de 2012, a grande Nação Umbandista, foi agraciada por uma Lei sancionada pela Presidenta da República, a Srª Dilma Rousseff, na qual cria o Dia Nacional da Umbanda. A Lei de Nº 12.664 de16 de Maio de 2012, foi publicada no Diário Oficial ontem, 17 de Maio, e nós da União Espírita Capixaba, não poderíamos deixar de nos confraternizarmos com todos os Umbandistas capixabas e do Brasil.

Esta lei é com certeza, um divisor de águas no combate á intolerância religiosa, pois, com a institucionalização da mesma, nossa tão amada Umbanda, passa definitivamente de Seita para Religião, reconhecida pelos órgãos competentes, e responsáveis pela ordem publica do País.
Mais um grande passo foi dado em busca de nossos direitos, mais um avanço, que muito devemos ao esforço daqueles que não mais estão entre nós, pois que, se não tivessem dado seu sangue e suor em prol de nossa fé, não estaríamos hoje, comemorando esta Lei.
Cremos que somente pessoas especiais, podem introduzir códigos realmente voltados para a população. E o Senado provou finalmente, que ainda restam políticos que buscam formas de promoverem condições de vida em forma de igualdade para todos.

Devemos, pois, sabermos trabalhar dentro dos ditames que essa Lei nos traz e nunca fornecermos armas para que aqueles contrários à nossa fé e à nossa filosofia busquem formas legais de punirem os dirigentes dos Templos e ainda pior: de denegrirem o nome de nossa Religião e de nossos antepassados.

Lembremo-nos de que: “há quem muito é dado, muito será cobrado”. Devemos agir com cautela e amor acima de tudo. Buscar com os órgãos federativos, através de seus Departamentos Jurídicos, o respaldo para que possamos alcançar os benefícios que a Lei do dia Nacional da Umbanda pode nos trazer.

Que soem os atabaques, que as vibrações das entidades sejam mais fortes que nunca, pois O DIA NACIONAL DA UMBANDA está decretado.

Clique aqui para acesso ao Diário Oficial:


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.




segunda-feira, maio 07, 2012

NÃO PODEMOS FAZER NADA SE TEMOS DÚVIDAS


Dentro dos fundamentos dos Orixás, muios são os segredos e, nenhum de nós, pode afirmar que sabemos de tudo, afinal, estamos em um mundo que, quanto mais vivemos, mais aprendemos. Principalmente dentro dos preceitos do Orixá, afinal, são séculos e séculos de conhecimentos armazenados nas memórias do planeta.

Enquanto não nos curvarmos perante a imensa jornada destes seres, e, não nos conscientizarmos de que ainda temos muito que aprender, não estaremos prontos realmente para nos dizermos filhos de Santo. Entendamos que o culto a essas deidades, vem de muito longe, remonta mesmo à criação do mundo, pois os primeiros seres humanos a habitarem o planeta, já mantinham seus rituais sagrados.

Como podemos então, nós, meros mortais, seres ínfimos perante o Supremo Criador, sermos capazes de afirmar que tudo sabemos e que nada é mistério para nós? Somos na verdade, criancinhas, engatinhando na imensidão que é o Universo.

Os segredos dos Orixás, são imensos, na verdade podemos afirmar que são infinitos, pois que, cada tribo, cada aldeia, cada nação, tinha seu modo de cultuar essas entidades divinas. Assim sendo, se formos parar para analisar, veremos que; cada região modificava seu culto, e para cada sacerdote, o mesmo culto era visto de forma diferente, e isso tão somente porque variavam e muito, os tipos de alimentos que eram encontrados em cada uma dessas regiões, e assim por diante, e isto fez com que surgissem várias vertentes da Religião africana.

Como o Brasil, foi escolhido por nossos Orixás como o berço de sua ancestralidade, e aqui foram deixados, imensa gama de conhecimento, a mudança é ainda maior.

Acontece que dentro de uma mesma fazenda ou casa, conviviam, escravos de várias etnias e isso fez com que seus cultos, culminassem em se unirem, e passaram então a enxergar que, mesmo mudando o nome, a essência era a mesma, então começaram a surgir as qualidades de Santo, e deu-se assim, início ao Candomblé, essa maravilhosa religião, que muitos amam, mas, poucos têm a coragem de declarem adeptos.

Como a essência muda de uma para outra forma de ver, ninguém está apto a dizer que é o grande conhecedor de todos os seus segredos. Obviamente que algumas coisas não modificam, como: pessoas do santo não usam preto, vermelho e roxo, não se come caranguejo, peixe de couro, não se bebe nem se faz sexo nas sextas-feiras, por ser o dia de Oxalá o Grande Pai de todos nós e assim por diante. Mas, daí nos proclamarmos o supremo conhecedor de todos os atos, chega a ser até mesmo ridículo.

O que temos que fazer na verdade, é nos unirmos  mais, e respeitarmos mais a forma de aprendizado de cada um. Nos enxergarmos, como aprendizes nessa grandiosa doutrina, que muito tem a oferecer a quem a ela recorra com seriedade e compromisso com a verdade.

No dia que agirmos assim, estaremos mais próximos de sermos dignos de nossos encantados.

Enquanto um sacerdote não age assim, comete erros sérios e muitas vezes fatais na vida daqueles que o buscam, pois mostra que nada sabe. `A exemplo do grande filósofo Sócrates, temos que dizer sempre: só sei, que nada sei:. Afinal, quem de nós sabe os mistérios da criação?

Temos que primeiro termos consciência de que nada sabemos, para depois nos declararmos, estudantes, na imensa Universidade que é o mundo. Enquanto desejarmos agir apenas como “mestres”, deixaremos de aprender as maravilhas que ainda pode nos oferecer o mundo dos encantados.

Orixá, é e sempre será, algo de muita seriedade e comprometimento, e sempre digo que: o Orixá existe para todos, mas nem todos existem para o Orixá. Afinal, quantos existem por aí que pregam aos quatro ventos, que possui vontade de ser do Santo, mas, não respeita sequer as suas leis?

Se buscarmos, veremos que existem quem diga que a proibição de algumas coisas como hábitos alimentares, por exemplo, não passa de imposição dos sacerdotes. Que essa coisa de não se usar preto, vermelho e roxo, não combina com o mundo atual em que vivemos.

Estaria uma pessoa desta, pronta para ser iniciada nos segredos dos Orixás? Podemos garantir que não. Afinal, como ser de uma religião, se nem mesmo respeitamos seus mandamentos?

Sei que nos dias atuais, muita coisa está diferente, pois a correria do homem em busca da supremacia da riqueza, o colocou escravo desta ambição. Mas, o Orixá não entende isso, e exige que cumpramos seus mandamentos sem questionar.

Outros, se auto proclamam, sacerdotes e sacerdotisas, mas, não buscam aprender mais, não se adentram em conversas com mais velhos, pois em sua ignorância suprema, diz que somente ele e sua casa, são feitos e sabem da verdade.

Com isso, raspam pessoas de Santo errado, ou fazem o Santo certo, mas sem os fundamentos necessários, ofertam comidas em vão, porque se não sabemos o que fazemos estamos ocorrendo em transgressão das leis, pois o Orixá não compactua, com erros. 

Somente com muito esforço e dedicação, podemos nos apresentar como aprendizes destes seres, mas, nunca nos intitularmos conhecedores da verdade. Até mesmo por que, o que é a verdade? A minha ou a sua lei?

Soberba, arrogância, nada disso faz parte do Axé do Santo. Humildade sim, esta é a maior forma de mostrarmos que amamos nossos Orixás. Nosso credo é sim, sacro santo e temos que aprender a respeitar suas leis e  agirmos como eternos aprendizes.

Se não sabemos, por exemplo, como fazer os fundamentos de determinado Orixá, busquemos nos mais velhos o aprendizado,e  sigamos à risca aquilo que nos foi passado. Entendamos que os mais velhos, sempre foram respeitados até mesmo pelos bárbaros. Eram chamados de anciões pois tinham o conhecimento que somente os anos de dor e sofrimento podem trazer para uma pessoa.

Então, por que em nosso meio, não devem ser tratados assim? Nunca poderemos nos igualar a eles, pois se temos 40, 50 anos de vida, eles com certeza, possuem muito mais que nós e estão assim, muito mais aptos a formatarem nossos atos.

Entra, por exemplo, uma pessoa de determinado Santo, e aquele sacerdote, nunca fez seus fundamentos, então, deve ele, buscar nas pessoas mais velhas, a sabedoria para iniciar aquele filho. Não deve em hipótese alguma, agir sem consultar um mais antigo que ele, nos preceitos, pois estará correndo o risco de provocar sérios danos na vida daquela pessoa.

Não nos alto declaremos senhores da verdade, mas, sim, nos declaremos imperfeitos e alunos nessa escola, pois assim estaremos agindo em conformidade com as leis.

Se você meu irmão ou minha irmã, não tem o conhecimento necessário de determinado Santo, não teime em fazer sozinho, peça ajuda a quem seja de sua confiança, peça auxilio e verá que seu filho será um vitorioso na vida.

Não teime em fazer nada sozinho, pois nem mesmo os Orixás são alto suficientes, pois Olorum, os fez um dependendo do outro. Entenda que se estudamos conseguimos o diploma, o mesmo ocorre no Santo.

E você, meu mais velho, não negue o ensinamento para aquele que se dirige a vós com humildade pedindo lição, lembre-se de que: os galos de hoje já foram pintos ontem. Ninguém nasce sabendo e ter a humildade de pedir ajuda, mostra o quanto aquela pessoa tem o real preparo para ser um babalorixá ou yalorixá. Ensine, ajude, participe mesmo dos rituais, mas, sem arrogância ou prepotência, e sim com a mesma humildade que teve para aprender.

Passe seu conhecimento para aqueles que o buscam, afinal de que o serve ele, se for para levar para a sepultura. Não negue aquilo que um dia teve. Mas, ao ensinar, não critique aquela pessoa, não se mostre supremo, mas sim, pergunte com carinho e amor, se ele não gostaria, por exemplo, fazer de uma outra forma, pois assim não o estará humilhando.

Vamos nos dar as mãos, nos unir, em prol de nossa religião e de nossos antepassados.

Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Odé Mutaloiá, Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.


sábado, abril 14, 2012

A COMPATIBILIDADE DA MEDICINA COM A RELIGIÃO


É comum vermos líderes religiosos, avisarem para seus seguidores que a medicina é dispensável quando se faz uso da fé para a cura de doenças. Sempre dizem: ‘jogue fora seus óculos. “Pare de tomar esse medicamento”. E ainda dizem em alguns seguimentos que a doença é obra satânica e que o medicamento também faz parte das artimanhas desse ser.

Isso é o maior erro que uma pessoa pode cometer. Temos, sim, que usar a religião para colaborar no tratamento de doenças, pois é provado cientificamente que, a fé, auxilia e muito no tratamento das pessoas.

Algumas doenças, como a epilepsia, por exemplo, são sim, de fundo espiritual, o mesmo acontecendo com a esquizofrenia, e loucura e outras. Mas, daí a substituir o uso da medicina é um afronto ao diploma de quem se dedicou uma vida a estudar para promover a cura das doenças e dos males em geral de nosso corpo.

Somos filhos de Olorúm, sim, mas, Ele colocou a medicina na Terra para que dela façamos uso, para que ela como grande ciência que é, busque em seus conhecimentos a solução para nossos problemas mais graves.

Não podemos de forma alguma, suplantar a medicina, até mesmo porque, não conseguiremos tal proeza. Somos antes de tudo, seres humanos e assim sendo, passiveis de sermos acometidos pelas doenças.

Um sacerdote não pode, em hipótese alguma, querer saber mais que o médico, assim como este também tem que respeitar a ciência oculta, chamada de fé.

Presenciei caso em que, uma criança precisava de transfusão de sangue imediatamente, pois caso contrário viria a óbito. A família não aceitava de forma alguma o procedimento, alegando que o sangue é a alma e se a criança viesse morrer, seria a vontade de Jeová. O médico então virou para a família e disse: “respeito sua fé e crença, mas, não posso deixar que essa criança venha a falecer por falta da intervenção, pois serei caçado.

Mesmo assim, a família lutava para impedir o ato, e a criança aos poucos morrendo. Então, o medico cansado de esperar e vendo a criança falecer disse: “senhores, quem manda aqui sou eu, e não Jeová e farei a transfusão sim, e se até mesmo Jeová entrar aqui precisando, farei nele também a transfusão”. E a criança sobreviveu.

O que temos nessa passagem, não é a fé, mas sim, o fanatismo, que é na verdade a ignorância em sua supremacia.

Será que Deus não quer que deixemos uma pessoa morrer por falta de um procedimento medicinal, se assim o fosse Ele não seria Deus! Não seria Aquele que tudo criou.

Temos como sacerdotes, a obrigação de incentivarmos aqueles que nos seguem a fazer sim, sua consulta com médicos, buscando na ciência a solução para problemas que impedem o bom funcionamento de seu corpo.

Todas as religiões, inclusive o Candomblé e a Umbanda, pregam que o suicídio e o assassinato, são erros gravíssimos contra Deus e suas leis, então, como podemos incentivar os mesmos, pois ao coibirmos o uso de medicamentos estamos sim, promovendo o assassinato e o suicídio.

A fé e a medicina, podem sim, andarem juntas. Recentemente foi publicado em revistas e até mesmo na T.V, que médicos, solicitaram a intervenção através de orações, para pessoas convalescentes de problemas cardíacos, e, para espanto de todos, aqueles que receberam, além da medicação, correntes de orações, tiveram a cura mais rápida que os demais.

Porém, isso não significa em hipótese alguma, que uma, substitui a outra. Se precisamos da fé, precisamos da medicina e vice versa.

No Templo de meu Orixá, foram tratadas pessoas com os mais variados problemas de saúde, mas, nunca foi sequer mencionado que poderiam parar de fazer uso da medicina. Ao contrário, sempre as pessoas foram orientadas a seguirem à risca as determinações médicas.

Irmãos, se a medicina não fosse necessária, Deus não a teria criado. Uma vez que somente através de sua Imensa Sabedoria, o homem, descobriu a medicina e seus recursos.

Conheço pessoas dentro de nossa religião, que dizem: “você, fulano, não precisa de médico, mas sim do Orixá”. Isso está errado, pois precisamos de ambos.

Obviamente que temos Obaluayê que é chamado carinhosamente de médico dos pobres, mas, nem por isso podemos deixar de recorrer a um profissional que estudou exaustivamente para chegar ao ponto de ser chamado de médico.

Acontece que em alguns casos, a medicina não encontra a solução imediata, pois diagnostica que a pessoa aparentemente nada tem. Então, devemos fazer obrigações para que os médicos possam ser orientados pelos Seres Superiores, a assim, conseguir diagnosticar o mau que acomete àquela pessoa.

Temos espíritos inferiores, que até mesmo acometem sintomas de doenças em alguém, aí, nesse caso, somente os ebós e os procedimentos ritualísticos, aplicados por quem tenha real conhecimento, pode trazer uma solução, mas, mesmo assim a medicina não pode ser deixada de lado.

Oremos, pois, entreguemos oferendas pela saúde de alguém, mas, nunca em hipótese alguma, impeçamos que a pessoa busque a medicina. Pois a compatibilidade de ambas existe sim, e está cada vez mais provada.

Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.

quinta-feira, abril 05, 2012

QUEM É DEUS NA NAÇÃO ANGOLA


Sabemos que para os Nagôs ele se chama Olorúm. Já os angolanos tinham outra denominação para Deus: Nzambi (Zambi) ou Nzambi Mpungu (Zambiapongo) - O Deus supremo e criador de tudo e de todos. Sendo que este é apenas um de seus títulos, pois para outras regiões de Angola, ele ainda é conhecido como, Sukula e para outros como Kalunga. Porém, muitos outros nomes ainda estão associados ao Pai Supremo.

Dentro da cultura Banto, nada se fazia que pudesse vir a contrariar as leis de Zambiapongo, pois temiam que este os castigassem através de suas deidades, os Inkisis.

Assim como Olorúm dos Yorúbas, Zambiapombo não possuía Templo nem mesmo um culto especifico, pois acreditavam que através de seus mensageiros, tinham acesso ao Grande Pai e agradando a estes, agradavam o Criador.

O engraçado é vermos que pessoas de outros seguimentos religiosos, dizem que no Candomblé praticamos satanismo. Em nossa cultura, não cremos que possa existir algum ser com capacidade para afrontar a Deus e muito menos para desejar tomar seu Reino.

Acontece que falamos outra língua sim, e por esse mesmo motivo, vale a pena lembrar, que os escravos foram martirizados a mando da igreja de Roma, pois não entendiam o que falavam e logo os associaram a um ser horrendo.

Também foi associada a este ser, a religião que traziam de sua Terra. Pregavam que os negros cultuavam um ser que chamavam demônio e com ele matariam as pessoas.

Se Zambiapongo, Olorúm, é o diabo, então Alá dos mulçumanos também seria? Temos que entender que são nomenclaturas, que a forma de pronuncia muda conforme a região do Planeta, na qual vivemos e assim, o mesmo Sagrado tem um nome em cada canto deste mundo.

Bom, se cultuamos um ser trevoso e maléfico, como podemos basear nosso credo em um ser Supremo e bondoso que a tudo criou?

Não cultuamos deuses como falam, mas sim, Ministros de Deus, seja ele chamado de Zambiapongo ou Olorúm. Para que tenhamos uma ideia, os Bantos, não faziam nada sem consultar seus Inkisis e se esses achassem que tal ato confrontaria com as leis de Deus, imediatamente eram suspensos qualquer ritual.

Deus, ou Nzambi, Zambiapongo, sempre foi muito sagrado para esse povo, tanto que jamais pronunciam seu nome em vão (2º Mandamento da Bíblia: Não tomarás em vão o nome do Senhor seu Deus).

Quando precisam se reportar a ele, é somente em situações extremas. Nesta ocasião, eles rezam e invocam Nzambi, e geralmente é fora de suas aldeias, em baixo de uma árvore ou mesmo na beira de um rio.

Fazem desta forma, porque se acham impuros e também sua moradia, para que ali, a Fonte Suprema de tudo se manifeste.

Dentro da cultura Banto, Nzambi não tem uma representação física, uma vez que ele é o Incriado, ou seja: não foi criado, mas sim, criou a tudo e a todos, é Ele: o princípio, o meio e o fim. Então, reassentar o Ser Sagrado, seria um sacrilégio em sua cultura.

Quando precisam de favores, chamam por suas divindades, pois para eles, estes são seus Ministros e assim sendo, têm toda autonomia para interceder junto a Ele em seu favor. E mais ainda: quando terminam seus rituais, Zambi é louvado, pois graças a Ele é que tudo foi criado e assim sendo, ele é o principio e o fim de tudo e de todos.

Zambiapongo, o Pai Grandioso, que criou todas as criaturas, na visão dos Bantos, e segundo eles, Zambi criou até mesmo o que está acima: as nuvens e eles, naqueles tempos não tinham a mínima condição de sequer imaginar o que existiria lá, nas alturas.

Acreditavam que acima das Nuvens, estava a morada de Zambi e que somente através de muita dedicação é que poderia uma pessoa chegar aos mais ínfimos degraus que levariam à sua morada.

Na cultura Banto, Zambi criou o mundo e tudo que nele existe. Criou o homem, e a mulher para que eles pudessem gerar filhos e assim, perpetuar a raça humana. Criou os animais para que andassem pela Terra e servissem de comida para seus filhos, os humanos.

Criou as Insabas, para que servissem umas de alimento, outras para remédio, criou a chuva para que molhasse a Terra, criou as aves, os peixes, enfim, tudo e toda espécie de vida.

Mas, ao ver que suas criações estavam á mercê dos homens, ele criou os Inkisis, e deu-lhes poder para governarem a natureza em seu nome, e assim sendo deu-se início ao culto aos sagrados.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá, Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.