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sexta-feira, janeiro 25, 2013

OYÁ EGUNITÁ



Aí temos uma qualidade de Yansã muito pouco compreendida dentro dos candomblés. Começamos por explicar que seus fundamentos, fazem parte da nação Angola, e somente dentro de seus preceitos, podem-se realizar seus ritos. Como Oyá, é a Senhora dos raios, do fogo, mas, seu verdadeiro domínio é sobre os mortos, e o bambuzal.

Seu fundamento vem com determinada qualidade de Oxossi, Ogum, e ainda com Oxalá e Nanã. Tem também um forte domínio sobre os ventos. Diziam os mais antigos, que os ventos mais fortes, pertencem a ela, e que devemos respeitar muito esse vento, pois não sabemos o que Egunitá está nos trazendo naquele momento.

Seu nome se traduz como Senhora de egum. Pois segundo uma de suas lendas, seria egum seu filho legitimo.

Conta essa lenda que em determinada época, ela era esposa de Ogum, mas por mais que tentasse não conseguia ter filhos, o que fez com que consultasse um babalawô. Este após consultar os ancestrais, informou-lhe que ela somente poderia engravidar de um homem que a possuísse com força e violência.

Então, ela contou o acontecido para Xangô e este a tomou dessa forma, e culminou com ela engravidando, pois tinha se separado de Ogum e tinha ido viver com Xangô, e dessa forma como ela a possuiu ela terminou tendo 09 filhos dele. Mas, para seu desespero e tristeza, os oito primeiros nasceram mudos.

Ela novamente consulta o babalawô e este após oferecer sacrifícios aos Orixás, determina que ela volte a copular com o mesmo homem e da mesma forma, e então ela engravida e desta gravidez nasce egum, mas embora não fosse mudo, ela somente falava com uma voz inumana o que causava pavor a todos.

Desta forma ela passou a ser rainha de egum, e até hoje em suas festas ela está presente, pois somente ela tem o poder para enfrenta-lo.

Conta outra lenda que: Em determinada ocasião, vivia Oyá triste porque não conseguia ter filhos. E após consultar um babalawô ele lhe disse que para que ela pudesse engravidar deveria parar de comer carneiro e ovelha. Ela prontamente seguiu esse conselho e ainda fez todas as oferendas que ele a determinou. Depois disso ela conseguiu engravidar e teve 09 filhos.

Entre as oferendas que ela deveria fazer, constava o fato de ter sempre um pano vermelho por perto. E mesmo sem saber o motivo Oyá mantinha este tecido em casa. Após o nascimento de seus filhos foi revelado o mistério do pano: o tecido era para confeccionar a roupa de um de seus filhos: egum.

Esta roupa serviria para no futuro, vestir os eguns que desejassem visitar seus entes queridos após sua ida para o outro lado da vida terrena. Quando o espírito de uma pessoa morta deseja visitar aqueles que deixou na terra, tem que se vestir sem deixar nada à mostra, pois os seres humanos não podem ver seu rosto nem seu corpo, e a roupa feita por Oyá é que veste o mesmo evitando assim maiores consequências para as pessoas e a comunidade.

Em seus fundamentos, essa Oyá sempre se mostra aguerrida, agressiva e se não tivermos muito cuidado ao preparar seus ritos, podemos causar um furor tão grande nela, que corremos o risco de sermos vítimas de sua ira.

Como toda Oyá Igabale, ou Balé, nunca devemos acordar as pessoas que estão manifestadas por ela dentro de casa. Sempre no tempo deve ser suspendida de seu filho, afinal onde estas Oyás estão egum sempre as acompanham.

Seus ritos são feitos de forma muito diferentes dos demais Orixás e seguem preceitos bem atípicos dos demais. Egunitá é uma guerreira, mas, comanda os ventos mais fortes, dança para os eguns, é a senhora dos mortos. É comum encontrarmos essa Yabá dançando para os eguns, como forma de entretê-los e de fazer com que se lembrem de que ela é sua mãe.

Dotada de grande poder e de grande força, Egunitá sempre foi cultuada nas casas de Angola de forma respeitosa e sigilosa, pois todos temem sua ira. Tendo fundamentos com Nanã temiam os mais velhos que ela trouxesse a morte para aqueles que a desafiassem e fizessem seus atos de forma errônea.

Tem seu dia de culto às Quartas feiras como todas as Oyás. Come cabra, galinhas, galinha de angola, pombo, acarajé, frutas, peixe. Nunca se deve ofertar ovelha para ela, e seus filhos não devem comer ovelhas nem carneiros em hipótese alguma.

Veste-se de branco, bem como de branco é sua louçaria. Traz consigo o eruexim, espécie de chicote de rabo de cavalo com o qual domina e espanta os eguns. Seu fio de contas é vermelho translúcido.

Houve uma época em que Ogum era o ferreiro da Cidade Sagrada de Irê, ali ele residia. Morava com sua esposa Oyá em sua forja, era feliz, amava sua liberdade e conhecia toda a gente do lugar.

Sua casa era bela, mas, como ele gostava da liberdade, não possuía seu lar, portas nem janelas, e seu telhado era de mariwô, apenas para não deixar que a água da chuva o molhasse e para evitar os raios mais quentes do sol. Sua esposa ajudava-o em sua forja e os dois viviam assim a verdadeira felicidade.

 Naquela Cidade, Ogum era considerado importante, afinal ele sabia manejar o ferro, então lhe fora atribuído o Akorô, uma espécie de coroa de metal, que ele usava com muito orgulho. Tinha solicitado a seu irmão Odé, eu caçasse para ele, um imenso touro selvagem, e assim Odé o fez. Ogum então tratou bem o couro do animal e fez com ele um fole imenso. E este era manejado por Oyá que gostava de ajudar o esposo em seu trabalho, afinal ela também amava a liberdade.

Certo dia, porém, uma família resolveu dar uma festa para o velho pau que havia morrido no ano que passara. Foram até a sociedade de egum da aldeia e contrataram seus sacerdotes para realizarem a cerimônia própria para que o egum do pai pudesse vir, ele veio e passeou o dia todo pela cidade com todos da família atrás, felizes pela oportunidade de rever aquele a quem tanto amavam.

E o egum passeou, foi ao mercado, na praça, na casa dos amigos, e mais tarde, resolveu ir até a forja para rever seu amigo o ferreiro. Mas, ao ouvir a música que dali saía com o movimento da forja, começou a dançar na rua. Todos riam com gosto de ver a alegria do espírito do velho. 

Ogum prontamente acelerou seus movimentos na forja e mais ele dançava Oyá por sua vez, acelerava também o fole e o som também saí mais rápido e o povo batia palmas para a música que faziam e cada vez juntavam mais pessoas para verem o egum dançando. Ogum estava então com muito orgulho de sua esposa porque ela era muito forte mesmo, e tinha bom ritmo e sabia como transformar seu fole em instrumento musical dominando assim o egum que era tido como difícil de lidar.

Caiu à noite e o egum continuava dançando. Então, Ogum disse a Oyá que ela largasse o fole e fosse dançar com o egum, que ele mesmo bateria o martelo e manejaria o fole. Assim por horas a fio Oyá dançou com egum, proporcionando alegria ao povo de Irê.

Vendo como sua esposa era Ogum tirou o Akorô de sua cabeça e presenteou sua esposa com ela e disse: “Oyá yawô mi, akorô mi lonnon” que significa: Oyá minha esposa, use meu Akorô na rua. E desde esse momento Yansã teve o direito de usar o Akorô. E este direito ela conserva até hoje, tanto na mãe África como no “novo mundo”, pois seu esposo a autorizou e nenhuma outra Yabá tem esse direito.





sábado, janeiro 19, 2013

O MILAGRE DA PRESSA



Algumas pessoas buscam as casas de Santo na intenção de solucionar algum problema com certa urgência. Alegam que não podem esperar que precisam daquele problema resolvido o mais rápido possível. Seja ele, uma dívida contraída há tempos, um casamento desfeito há meses, uma causa que anda na justiça sabe-se lá há quanto tempo. O fato é que querem a solução imediata.

Mas, se esquecem de que, o Orixá para trabalhar, precisa de tempo, e do tempo de Deus e não do tempo dos homens. Quando entra em um problema, a pessoa deve se acreditar no Santo, buscar sua ajuda imediatamente, e não esperar dias, meses ou mesmo anos, para recorrer à ajuda espiritual.

Se a pessoa contraiu, por exemplo, uma dívida e precisa pagar, mas, não quer que alguém saiba, ela não deve esperar os últimos 05 minutos do segundo tempo para solicitar a intercessão dos Orixás naquele caso. 

Se ela realmente crê, deve buscar a ajuda imediatamente, pois assim dará tempo para que a Deidade interceda por ela. Não existe dentro do Axé Orixá, uma varinha mágica, como nos filmes de Harry Potter, onde o sacerdote bate na destra da pessoa, e simplesmente seus problemas somem.

Ao contrário: tudo demanda tempo. Orixá é como uma planta: temos que arar a terra, fazer a cova, plantar a semente, e cuidar esperando que a mesma brote, e depois continuamos a cuidar até que cresça e nos dê o fruto.

Quando damos um presente ao Orixá, não basta irmos a uma casa, acendermos uma fábrica de velas e sacrificarmos uma granja inteira. Nada disso adianta, se a fé não for nosso principal ítem. Alguns professam fé. Mas, que fé é essa que a pessoa mal acaba de fazer uma obrigação e quer o resultado para um problema que se arrasta há tempos?

E por que ela não pensou duas vezes antes de cometer determinado ato? Fácil não? Fazemos o que queremos e depois o Orixá que se vire para nos ajudar! É como dizermos: Deus perdoa porque esta é sua função! Oras! Temos que atentar para nossas ações! Existe uma lei da física que se aplica bem em nossas vidas: “toda ação tem uma reação da mesma intensidade ou maior”.  E isso as pessoas não querem ver.

Se assim o fosse, nós zeladores, poderíamos sair por aí matando, que nada nos aconteceria, afinal bastaria fazer um ebó, acender meia dúzia de velas e sacrificar uns pobres de uns frangos e BINGO! Tudo resolvido. 

Mas que nada. Se não andamos na lei, somos punidos como qualquer um, afinal graças a Deus as leis existem e devem ser cumpridas.

Presenciei uma vez em determinado barracão, uma pessoa dizendo para a sacerdotisa que ela tinha que ajudar, pois estava sem pagar a prestação de sua casa e a mesma iria a leilão e ela não poderia permitir que isso acontecesse. A sacerdotisa então disse: “o que posso fazer é acender umas velas, dar um presente ao Santo, mas se você não pagou o que quer que eu faça? Não sou mãe do Presidente do banco”! E a pessoa ainda se achou no direito de ficar com raiva da sacerdotisa.

Bem, se a pessoa não paga, é obvio que perderá seu bem. Se assim não fosse, não precisaríamos nós, que cuidamos de Santo, pagar a conta de luz, água ou telefone, pois os mesmos não seriam cortados.

Entro nesses detalhes, porque algumas pessoas chegam em nossas casas, achando que fazemos milagres, eu logo digo: a universal é na outra rua. Aqui somente cuido de Orixá. Não entendo o que pensam. Será que nos acham tão bons, ou pensam que somos burros? Acho que a segunda hipótese é a mais certa.

Orixá é amor, fé, humildade, sinceridade, honestidade, caráter, honra e outras coisas que faltam muito nas pessoas hoje em dia. Pensam que por terem determinado poder, podem tudo, que estão acima da lei dos homens e de Deus. Mas, se enganam, pois as leis existem para serem cumpridas e mais dia menos dia, todos independente de quem somos, teremos que dar conta de nossos atos.

Se não cumprimos com as leis, obviamente que teremos que prestar contas à justiça, de nossos atos. Se magoamos a quem amamos e vive ao nosso lado, é claro que a perderemos. O mesmo ocorre com as Leis do Universo, pois elas são feitas para garantir que o Universo gire em harmonia e paz, garantindo assim, as mesmas oportunidades para todos. Não podemos culpar Olorúm por nossos erros e por nossas más ações. 
Temos sim, que nos curvarmos perante suas leis.

Temos que obedecer as leis dos homens, pois nossos Orixás assim nos exigem, está escrito nas leis de Iká e essas são os mandamentos de Olorúm para a humanidade. Nossos ancestrais, as Deidades, sempre nos obrigarão a seguir essas leis, e a dos homens, porque nosso caráter é que vai mostrar quem somos realmente. Se por um lado, a lei dos homens, nos garante direitos, as Leis de Olorúm, nos garante que ao nos transladarmos de volta ao Orúm, Céu, nosso espírito poderá usufruir de todos os gozos na Eterna Morada de Nosso Pai.

Porém, se como filhos rebeldes, não cumprimos suas leis, nem seguimos seus mandamentos, como Iká nos deixou, teremos que nos contentar em viver na vida pós-túmulo em um mundo de ranger de dentes e trevas, pois esta foi nossa escolha.

Olorúm não é de forma alguma, vingativo e nem se trata de um justiceiro. Ele apenas criou Leis para que todos possam se chegar a Ele e se sentirem seus filhos, e mais ainda: serem dignos de ser chamados de seu filhos. Porém, quando somos levados deste mundo para o outro, é nosso espírito que nos julga, porque segundo os espíritos nos ensinam, Olorúm criou em cada espírito uma mente, e esta funciona como uma espécie de cartório, e, este somente dará direito de descanso ao espírito, depois que ele resgatar todas as suas dividas.

Não nos enganemos, pois, achando que podemos isso ou aquilo. Porque na verdade, nada somos nem nada podemos. Vivemos nesse mundo, tão somente pela vontade de Olorúm e saímos dele no dia e hora marcados por Ele. Ao nascermos, temos duas passagens: uma de vinda para esse mundo e outra de volta para o mundo espiritual. E nada nem ninguém poderão impedir esse regresso.

Por isso e muito mais, é que devemos nos ater em nossas ações e nossas atitudes, pois que, seremos cobrados em cada tostão de nossos atos.

Não adianta andarmos errados, e depois irmos a determinado Templo, onde descansam os objetos litúrgicos e os antepassados aqui chamados de Orixá, pensando que eles simplesmente irão apagar nossos erros, porque se assim agissem, não estariam de conformidade com as Leis Divinas.

A sabedoria dos africanos antigos nos mostrou que quando Olorúm se zanga, Ele tem seus Ministros os Orixás para cobrarem para Ele nossas dívidas. Não pode uma pessoa simplesmente pensar que com um presente, esta ou aquela Deidade fará com que seus erros não sejam contabilizados na terra, e muito menos no espaço.

Um sacerdote, uma sacerdotisa, são apenas instrumentos que seu Orixá usa conforme as determinações de Olorúm, e não fadas ou duendes possuidores de varas mágicas que fazem com que seus problemas acabem.
Muitas vezes um zelador ou uma zeladora atende uma pessoa, mas, ela nem imagina o problema pessoal que aquele Pai ou Mãe está passando, afinal a pessoa está ali como consulente e para ela não interessa os problemas do dirigente do Templo. Posso garantir que em sua grande maioria, possuem problemas muito mais graves do que os daqueles que os buscam, mas a imparcialidade nos obriga a atender sem queixumes, sem a menor demonstração de dor.

Se por acaso uma pessoa comete algum ato errôneo, ela tem que entender que precisa pagar por ele, e que nenhuma obrigação deste mundo lhe tirará isso. Pode sim, aliviar a carga, mas a cobrança, essa não desaparece de forma alguma.

Ande certo em sua vida. Caminhe no caminho da sabedoria, não cometa erros sérios com seu irmão, não adultere, não roube, não deseje aquilo que não é seu, não use drogas, não abuse de bebida, não cometa enfim, nenhum ato que seja criminoso aos olhos da justiça terrena e de Olorúm e verá como sua vida prosperará cada vez mais.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi lambanranguange: Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.


sexta-feira, janeiro 11, 2013

ORIXÁ TEMPO

Quero aqui reverenciar o verdadeiro Rei de minha Nação, Angola, Tempo. Aquele que não tem casa, que mora em todos os lugares, que nos socorre em todas as nossas angustias e necessidades.

Para nós, angoleiros, nada podemos fazer sem prestarmos reverência a este grande Senhor, que reina absoluto em nossa nação. É sincretizado com São Lourenço. Tem seu assentamento do lado de fora em baixo de uma árvore e ali são postas suas oferendas, mas somente os de idade de Santo suficiente, podem a ele se chegar e entregar-lhe as oferendas necessárias.

É o Orixá mais antigo que existe. Segundo as lendas angolanas, Zambiapongo (Deus), Lembá Furanga (Oxalufã) Lembá Renganga (Oxaguiã), Zambira (Ifá) fazem reuniões e para ela são convocados todos os Orixás e dentre eles, sentado em um canto, calado, sem nada dizer, está o assessor direto de Zâmbi, anotando tudo o que foi dito, e quais os caminhos que a humanidade deverá seguir. Este assessor é Tempo.

 Muito pouco conhecido tanto pelos vivos como pelos mortos, dos que nasceram como dos que estão por nascer, mas, toda a criação está incluída em seus desígnios, pois que estes foram dados pelo Grande Criador do Universo.

Dado a sua grande responsabilidade junto a Deus, é este, um Orixá implacável em suas cobranças. Governa todo o tempo e espaço, acompanha e cobra da humanidade o cumprimento total de seus carmas, e é ele ainda quem determina o começo e o fim de tudo nesse mundo.

Dentro do Candomblé de Angola, se veste de branco, e quando sai na sala, todos os demais Orixás viram, ou seja, se manifestam em seus filhos, afinal o Pai de todos os está ali presente. Aquele que rege tudo, e todos na natureza, ali está para ser reverenciado por seus filhos.

Como assessor de Zâmbi, ele cumpre suas ordens e determinações, então, como não virem reverenciá-lo no momento em que está presente na sala dançando?

Porém, se enganam aqueles que pensam que Tempo somente é conhecido pelos candomblecistas. Ele já era conhecido por outros povos, muito antes de nós, meros mortais, praticantes desta maravilhosa religião existirmos.

Na Mesopotâmia e na Babilônia era tido como Enki, o leão alado, que acompanhava a todos desde o dia de seu nascimento, até o de seu retorno ao infinito. Já no Egito antigo, era chamado de Anúbis, o Chacal, que determinava a caminhada de todos, desde o nascimento até o dia em que tinham que atravessar o vale da morte, voltando assim para a fonte da criação, ou seja; o Supremo Criador.

Até mesmo ente os Maias e os Incas era Tempo conhecido, sendo que para os primeiros, seu nome era Teotihacan e para o segundo era Viracocha. Ente os Maias, era ele o senhor do início e do fim.

Temos ainda Tempo nas culturas Grego e Romana onde era conhecido como Cronos, o senhor absoluto do tempo e do espaço, aquele que abriga e conduz todos os humanos ao caminho da eternidade e sem ele não poderiam alcançar o mundo dos mortos.

Como podemos ver, mesmo nessas culturas, Tempo está relacionado diretamente à ancestralidade, o que não é diferente para nós no Candomblé. Temos muito respeito por este Senhor, e os verdadeiros iniciados, sabem que os resultados de nossas cerimonias, está ligado diretamente a ele, pois que, sem ele não teríamos acesso ao seu domínio que é justamente o tempo e o espaço, e assim sendo, não teríamos como entrar em contato com nossos antepassados.

É ele quem nos facilita o aprendizado, quem nos permite o aprimoramento através do tempo, é ele ainda quem propicia o despertar do amor, a paz após uma tormenta, a tranquilidade em uma angústia, quem nos traz enfim, todas as respostas que precisamos. Diz um antigo ditado popular: “dê tempo ao tempo”. E quanta sabedoria. Pois se damos tempo ao Orixá Tempo, é ele quem nos trará tudo que precisamos.

Devemos nos ater mais a essa deidade, pois trabalha de forma ininterrupta, sempre nos auxiliando em nosso crescimento espiritual. Cobra-nos nossas faltas, pois esta é sua missão para com Zâmbi, mas também, nos alivia a dor, seja ela qual for. Traz-nos a calma necessária para que possamos passar por nossa jornada aqui na Terra.

É ele que nos beneficia na colheita para termos o alimento, nos aplaca o ódio, nos ensina a perdoar e a amar. Temos que entender que sem ele, nada podemos fazer mesmo Oxalá precisou dele para poder nascer.

Tão grande seu valor, e passa tão despercebido na maioria das vezes. Para muitos é apenas mais um Santo no panteão afro. Mas, é na verdade, o mais importante, pois se não fosse Tempo, como nossos Orixás viriam até nós?

Graças ao poder dele podemos nascer viver, e voltarmos para o Reino de Olorúm, onde vivem nossos antepassados, e, se nos fizermos dignos aqui na Terra, poderemos usufruir de todas as glórias que esses seres divinos gozam ao lado do Supremo Criador.

Tempo macura di lê. Tempo N’gana Zambi, aê Tempo!



segunda-feira, janeiro 07, 2013

A IMPORTÂNCIA DA CONCENTRAÇÃO E DA FIRMEZA



Tenho observado que algumas pessoas na hora de entregarem suas oferendas, não se dedicam muito nas orações e pedidos. Tomam seus ebós, banhos, e na hora de entregarem uma oferenda nos pés de um Santo ou mesmo acenderem uma vela para seu Anjo da Guarda, para a consagração dos trabalhos, levam cerca de um minuto. Outros até menos.

Outros nem mesmo se dão ao trabalho de rezarem. Mal terminamos de arriar a oferenda dizem estar tudo certo, viram as costas e saem como se nada tivesse sido feito.

Uma pena que agem assim, pois que, perdem uma oportunidade ímpar de estarem em contato com forças Divinas que ali estão prontas para ouvirem seus clamores e os levarem aos pés de Nosso Senhor. Neste momento, deve a pessoa, esquecer-se de tudo que for relativo ao mundo, e somente se ater ao que está sendo feito, porque quanto mais rezar e conversar com a Entidade a qual se destina a obrigação ou com seu Anjo a Guarda, maior as chances de obter resultado.

Ocorre que quando nos dirigimos a um Orixá, Entidade de Umbanda ou mesmo a nosso Anjo Guardião, devemos conversar mentalmente com ele, da mesma forma que conversamos com uma pessoa, explicando tudo que se passa conosco e solicitando sua ajuda na solução daquele problema que nos aflige.

Se soubermos as rezas tudo bem, mas, se não souber as rezas no dialeto dos Orixás, podemos perfeitamente rezar para eles de nosso jeito mesmo, pois que, já vi pessoas rezarem Pai Nosso e Ave Maria nos pés de Orixá e ser atendido da mesma forma. Isso porque, a pessoa não tinha conhecimento das rezas que praticamos, mas, tinha humildade de sobra em seu coração e esta é a maior oferenda que podemos dar aos Orixás.

Não adianta, pois, acendermos uma vela, rezarmos na velocidade de um carro de corrida, virarmos as costas e sairmos. Porque até para sair de perto de uma oferenda existe a forma correta e esta varia de Orixá para Orixá, de Entidade para Entidade, e compete ao zelador, orientar a pessoa.

Mas, é de suma importância, que a pessoa se mostre com vontade de fazer o trabalho dentro do ritual, porque, se mal o zelador, acende a vela a pessoa já mostra desejo de ir embora, o que pode o zelador fazer?

O consulente tem que entender que está em um momento único, e esta chance não mais voltará, assim sendo, deve aproveitar cada segundo para meditar, entrando em sintonia com a energia que ali está vibrando, para que possa receber o que deseja.

Não tenha pressa ao ir realizar uma obrigação. Vá em um momento que tenha disponível somente para aquilo. Não vá com celular ligado, ou outro aparelho eletrônico. Desligue-se do mundo, pois, a espiritualidade está ali para lhe atender. Então faça por merecer. Dedique aquele tempo somente para eles e verá como as coisas fluem de outra forma.

Obrigação feita com pressa, sem tempo para se concentrar, já perde muito de seu efeito. Lembre-se de que, você precisa do Orixá e não ele de você. Seja fiel ao que lhe for dito e cumpra seu preceito.

Dedique seu tempo ali à orações, meditações, entregue-se de corpo e alma. Sinta a energia que fui de todas as comidas, velas, incensos etc., deixe que essa energia penetre seu corpo, seu espírito e que não apenas passe por você.

Se for preciso descansar um pouco nos pés do Santo, faça com amor e carinho. Esqueça-se de tudo lá de fora. Concentre-se apenas nele e no que foi buscar. Porque não depende somente do zelador a resposta da obrigação, mas sim de você. Posso lhes dizer que na verdade, apenas 30% depende do zelador, o restante está nas mãos da pessoa.

Então, valorize seu tempo e seu dinheiro. Entregue-se àquela obrigação e sinta a vibração presente, e, com certeza, verá o resultado mais rápido e mais duradouro.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.