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sexta-feira, janeiro 11, 2013

ORIXÁ TEMPO

Quero aqui reverenciar o verdadeiro Rei de minha Nação, Angola, Tempo. Aquele que não tem casa, que mora em todos os lugares, que nos socorre em todas as nossas angustias e necessidades.

Para nós, angoleiros, nada podemos fazer sem prestarmos reverência a este grande Senhor, que reina absoluto em nossa nação. É sincretizado com São Lourenço. Tem seu assentamento do lado de fora em baixo de uma árvore e ali são postas suas oferendas, mas somente os de idade de Santo suficiente, podem a ele se chegar e entregar-lhe as oferendas necessárias.

É o Orixá mais antigo que existe. Segundo as lendas angolanas, Zambiapongo (Deus), Lembá Furanga (Oxalufã) Lembá Renganga (Oxaguiã), Zambira (Ifá) fazem reuniões e para ela são convocados todos os Orixás e dentre eles, sentado em um canto, calado, sem nada dizer, está o assessor direto de Zâmbi, anotando tudo o que foi dito, e quais os caminhos que a humanidade deverá seguir. Este assessor é Tempo.

 Muito pouco conhecido tanto pelos vivos como pelos mortos, dos que nasceram como dos que estão por nascer, mas, toda a criação está incluída em seus desígnios, pois que estes foram dados pelo Grande Criador do Universo.

Dado a sua grande responsabilidade junto a Deus, é este, um Orixá implacável em suas cobranças. Governa todo o tempo e espaço, acompanha e cobra da humanidade o cumprimento total de seus carmas, e é ele ainda quem determina o começo e o fim de tudo nesse mundo.

Dentro do Candomblé de Angola, se veste de branco, e quando sai na sala, todos os demais Orixás viram, ou seja, se manifestam em seus filhos, afinal o Pai de todos os está ali presente. Aquele que rege tudo, e todos na natureza, ali está para ser reverenciado por seus filhos.

Como assessor de Zâmbi, ele cumpre suas ordens e determinações, então, como não virem reverenciá-lo no momento em que está presente na sala dançando?

Porém, se enganam aqueles que pensam que Tempo somente é conhecido pelos candomblecistas. Ele já era conhecido por outros povos, muito antes de nós, meros mortais, praticantes desta maravilhosa religião existirmos.

Na Mesopotâmia e na Babilônia era tido como Enki, o leão alado, que acompanhava a todos desde o dia de seu nascimento, até o de seu retorno ao infinito. Já no Egito antigo, era chamado de Anúbis, o Chacal, que determinava a caminhada de todos, desde o nascimento até o dia em que tinham que atravessar o vale da morte, voltando assim para a fonte da criação, ou seja; o Supremo Criador.

Até mesmo ente os Maias e os Incas era Tempo conhecido, sendo que para os primeiros, seu nome era Teotihacan e para o segundo era Viracocha. Ente os Maias, era ele o senhor do início e do fim.

Temos ainda Tempo nas culturas Grego e Romana onde era conhecido como Cronos, o senhor absoluto do tempo e do espaço, aquele que abriga e conduz todos os humanos ao caminho da eternidade e sem ele não poderiam alcançar o mundo dos mortos.

Como podemos ver, mesmo nessas culturas, Tempo está relacionado diretamente à ancestralidade, o que não é diferente para nós no Candomblé. Temos muito respeito por este Senhor, e os verdadeiros iniciados, sabem que os resultados de nossas cerimonias, está ligado diretamente a ele, pois que, sem ele não teríamos acesso ao seu domínio que é justamente o tempo e o espaço, e assim sendo, não teríamos como entrar em contato com nossos antepassados.

É ele quem nos facilita o aprendizado, quem nos permite o aprimoramento através do tempo, é ele ainda quem propicia o despertar do amor, a paz após uma tormenta, a tranquilidade em uma angústia, quem nos traz enfim, todas as respostas que precisamos. Diz um antigo ditado popular: “dê tempo ao tempo”. E quanta sabedoria. Pois se damos tempo ao Orixá Tempo, é ele quem nos trará tudo que precisamos.

Devemos nos ater mais a essa deidade, pois trabalha de forma ininterrupta, sempre nos auxiliando em nosso crescimento espiritual. Cobra-nos nossas faltas, pois esta é sua missão para com Zâmbi, mas também, nos alivia a dor, seja ela qual for. Traz-nos a calma necessária para que possamos passar por nossa jornada aqui na Terra.

É ele que nos beneficia na colheita para termos o alimento, nos aplaca o ódio, nos ensina a perdoar e a amar. Temos que entender que sem ele, nada podemos fazer mesmo Oxalá precisou dele para poder nascer.

Tão grande seu valor, e passa tão despercebido na maioria das vezes. Para muitos é apenas mais um Santo no panteão afro. Mas, é na verdade, o mais importante, pois se não fosse Tempo, como nossos Orixás viriam até nós?

Graças ao poder dele podemos nascer viver, e voltarmos para o Reino de Olorúm, onde vivem nossos antepassados, e, se nos fizermos dignos aqui na Terra, poderemos usufruir de todas as glórias que esses seres divinos gozam ao lado do Supremo Criador.

Tempo macura di lê. Tempo N’gana Zambi, aê Tempo!



segunda-feira, janeiro 07, 2013

A IMPORTÂNCIA DA CONCENTRAÇÃO E DA FIRMEZA



Tenho observado que algumas pessoas na hora de entregarem suas oferendas, não se dedicam muito nas orações e pedidos. Tomam seus ebós, banhos, e na hora de entregarem uma oferenda nos pés de um Santo ou mesmo acenderem uma vela para seu Anjo da Guarda, para a consagração dos trabalhos, levam cerca de um minuto. Outros até menos.

Outros nem mesmo se dão ao trabalho de rezarem. Mal terminamos de arriar a oferenda dizem estar tudo certo, viram as costas e saem como se nada tivesse sido feito.

Uma pena que agem assim, pois que, perdem uma oportunidade ímpar de estarem em contato com forças Divinas que ali estão prontas para ouvirem seus clamores e os levarem aos pés de Nosso Senhor. Neste momento, deve a pessoa, esquecer-se de tudo que for relativo ao mundo, e somente se ater ao que está sendo feito, porque quanto mais rezar e conversar com a Entidade a qual se destina a obrigação ou com seu Anjo a Guarda, maior as chances de obter resultado.

Ocorre que quando nos dirigimos a um Orixá, Entidade de Umbanda ou mesmo a nosso Anjo Guardião, devemos conversar mentalmente com ele, da mesma forma que conversamos com uma pessoa, explicando tudo que se passa conosco e solicitando sua ajuda na solução daquele problema que nos aflige.

Se soubermos as rezas tudo bem, mas, se não souber as rezas no dialeto dos Orixás, podemos perfeitamente rezar para eles de nosso jeito mesmo, pois que, já vi pessoas rezarem Pai Nosso e Ave Maria nos pés de Orixá e ser atendido da mesma forma. Isso porque, a pessoa não tinha conhecimento das rezas que praticamos, mas, tinha humildade de sobra em seu coração e esta é a maior oferenda que podemos dar aos Orixás.

Não adianta, pois, acendermos uma vela, rezarmos na velocidade de um carro de corrida, virarmos as costas e sairmos. Porque até para sair de perto de uma oferenda existe a forma correta e esta varia de Orixá para Orixá, de Entidade para Entidade, e compete ao zelador, orientar a pessoa.

Mas, é de suma importância, que a pessoa se mostre com vontade de fazer o trabalho dentro do ritual, porque, se mal o zelador, acende a vela a pessoa já mostra desejo de ir embora, o que pode o zelador fazer?

O consulente tem que entender que está em um momento único, e esta chance não mais voltará, assim sendo, deve aproveitar cada segundo para meditar, entrando em sintonia com a energia que ali está vibrando, para que possa receber o que deseja.

Não tenha pressa ao ir realizar uma obrigação. Vá em um momento que tenha disponível somente para aquilo. Não vá com celular ligado, ou outro aparelho eletrônico. Desligue-se do mundo, pois, a espiritualidade está ali para lhe atender. Então faça por merecer. Dedique aquele tempo somente para eles e verá como as coisas fluem de outra forma.

Obrigação feita com pressa, sem tempo para se concentrar, já perde muito de seu efeito. Lembre-se de que, você precisa do Orixá e não ele de você. Seja fiel ao que lhe for dito e cumpra seu preceito.

Dedique seu tempo ali à orações, meditações, entregue-se de corpo e alma. Sinta a energia que fui de todas as comidas, velas, incensos etc., deixe que essa energia penetre seu corpo, seu espírito e que não apenas passe por você.

Se for preciso descansar um pouco nos pés do Santo, faça com amor e carinho. Esqueça-se de tudo lá de fora. Concentre-se apenas nele e no que foi buscar. Porque não depende somente do zelador a resposta da obrigação, mas sim de você. Posso lhes dizer que na verdade, apenas 30% depende do zelador, o restante está nas mãos da pessoa.

Então, valorize seu tempo e seu dinheiro. Entregue-se àquela obrigação e sinta a vibração presente, e, com certeza, verá o resultado mais rápido e mais duradouro.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

terça-feira, janeiro 01, 2013

OFERENDA PARA PROSPERIDADE EM 2013



E chegou 2013. Com ele, novas esperanças, novos horizontes, e a vontade de que tudo se renove em nossas vidas. Muitas são as promessas que fazemos, muitos são nossos desejos, mas, nem sempre alcançamos o que desejamos.

Este novo ano, terá a regência de Ogum e do Odú Obará. Este é um Odú de muita prosperidade, de muita riqueza, e temos a oportunidade de nos vermos beneficiados por ele em vários aspectos de nossas vidas, inclusive no lido com papeis, com documentos. Como tudo dentro do Axé Orixá, precisamos fazer oferendas para que ele nos auxilie em nossa vida. Assim passo aqui uma obrigação simples e que todos podem fazer:

Em um alguidá grande coloque: seis frutas brancas, seis moedas correntes, seis conchas do mar, seis búzios, seis doces brancos. Arrume tudo de forma bem harmoniosa e leve em local limpo e descampado. Lá chagando, apresente o alguidá para a lua cheia e depois arreie o mesmo com os itens dentro, e acenda seis velas brancas.

Mentalize tudo que deseja de bom. Peça saúde, paz, prosperidade, caminhos abertos, enfim, tudo que desejar. Depois, dê seis passos para trás vire-se e saia sem olhar de volta. É importante que antes de fazer essa obrigação, tome um banho de erva fria e vista-se de branco, e observe que a obrigação somente pode ser feita na lua cheia.

Se você é do Santo, e está com Quizila com o Santo, com a casa ou com o Zelador, não é aconselhável que faça, pois Obará carrega Xangô e assim sendo é justiça. Faça as pazes com seu Santo antes de tudo, pois o mesmo pode te cobrar na hora da obrigação.

Este é um Odú muito forte, muito pesado e tudo que nos trás deve ser mantido em sigilo, pois quando passado para os outros, podemos perder tudo que nos deu. Devemos nos acautelar antes de qualquer obrigação, mantendo nosso corpo livre do sexo, bebida e qualquer outro vicio pertinente á carne, pois que, nosso espírito precisa estar contrito com a energia que vamos invocar em nossa intenção.

Um feliz 2013 e que Obará lhe traga muita prosperidade.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

E CHEGA O FIM DO ANO (OU FIM DO MUNDO?).



Mais um ano se finda, e com ele a perspectiva de uma nova vida para todos nós nesse Planeta que a Doutrina dos Orixás e da Umbanda, nos mostram ser um Planeta de expiação. Mais um ano se vai, e com ele, esperamos que vá as mágoas, as tristezas e tudo mais de ruim que acumulamos durante o ano que passou.

Mas, com 2012 é diferente. Isso porque alguns insistem em afirmar que este será o ano do fim do mundo. Bom, eu nos meus míseros 49 anos já passei por alguns fins do mundo e estou aqui.

Ocorre que algumas pessoas tão somente levadas pelo sentimento da ganância, pegam “profecias” que alguns povos antigos como os Maias fizeram, e, sem nem saber o que fazem, deturpam tudo, anunciando o fim do mundo.

E alguns coitados mais uma vez caem no conto. Doam suas suadas economias na construção de templos, na aquisição de bens, que segundo seus mestres, são para abrigar aqueles que sobreviverem.

Bem, se é mesmo o fim do mundo; por que não dividem o dinheiro que arrecadam aos baldes de seus fiéis, entre os miseráveis e ao menos os proporcionam um fim do mundo mais ameno?

E são tantas as profecias, que as pessoas ficam até tontas de tanto que ouvem falar no assunto. O risco é grande, pois já ocorreram vários e vários surtos de suicídios coletivos, tão somente por culpa de alguns falsos profetas.

E enquanto isso, nós, do Santo, vamos vivendo nossas vidas. Preparando-nos para o ano vindouro, suplicando a Olorúm que nos dê um novo ano de paz e saúde. Pois o resto damos nosso jeito. E não acreditamos em fim do mundo. Pois se isso existe somente Deus sabe quando e como será.

Pedimos de joelhos, prostrados na terra aos Orixás, que olhem por nós e que nos auxiliem na nova caminhada que se aproxima. Na verdade, são rituais que herdamos de povos muito antigos, que no solcístio agradeciam aos deuses pela colheita farta, e por todas as boas venturas que receberam.

Com a chegada do “novo mundo” as coisas foram se transformando e passamos a ter o réveillon onde comemoramos a passagem do ano.

Dentro da Umbanda, louva-se a Yemanjá e todos os seus súditos, os marujos, os caboclos e caboclos do mar, pedindo por todos no ano que começa. Dentro do Candomblé, temos outros rituais, onde, por exemplo, presenteamos o Orixá que reinará no novo ano, juntamente com nosso Orixá e o dono da casa, para que se compadeçam de nós e nos permitam passar por nossas dores e sofrimento com dignidade e fé.

Enquanto os “eruditos” proclamam aos quatro cantos do mundo, o fim da vida, eu, me recolho à minha insignificância e rogo à Ogum, Orixá que reinará em 2013, para que, nos caminhos de Obaluayê, nos traga a saúde, a paz e a sinceridade em nossos corações, e nos caminhos de Oxum Marê, nos traga a prosperidade, a transformação que tanto precisamos em nossas vidas. E ainda, que nos caminhos de minha mãe Oyá, ele traga justiça para esse mundo.

Mas, em primeiro lugar, clamo aos céus, que acolham nossos pedidos, que nos auxiliem em nossa jornada, que derrame sabedoria, honestidade e caráter na cabeça de nossos governantes e daqueles que fazem e aplicam as leis.

Clamo com todas as forças de minha alma, para que os Orixás intercedam por nós, seus filhos, aqui na Terra e nos tragam paz em nossos corações tão atribulados.

Em minha humilde vivência, e dentro de meus parcos conhecimentos, clamo às forças Divinas, que nos auxiliem, que nos fortifiquem para que possamos passar por tudo que nos aguarda, com o coração repleto de amor por Olorúm e por todos os seus filhos.

Sinto dentro de minha ‘alma, que momentos ruins nos esperam, que muitas dores sentiremos e muitas lágrimas iremos derramar. Mas sei que, Deus estará presente, assim como esteve em todos os momentos de nossas vidas e que, nada nesse mundo acontece sem que Ele tenha conhecimento.

UM FELIZ 2013 PARA TODOS COM MUITA PAZ, SAÚDE E AMOR EM NOSSOS CORAÇÕES

terça-feira, dezembro 11, 2012

OGUM, O FILHO AMADO DE ORUMILÁ




                                                                           
Como já nos foi mostrado por Ifá, o ano de 2013, será governado por Ogum. Mas, quem realmente é este Orixá?

Alguns pensam ser ele, apenas um guerreiro, que à exemplo do deus Aires da mitologia grega, bebe sangue de seus inimigos e faz sua cama com a pele dos mesmos. Para outros, Ogum é sinônimo apenas de luta em um campo de batalhas, não mais restando nada para que este grande Senhor possa fazer pela humanidade, além de nos conduzir às estradas da guerra.

Mas, Ogum é muito mais que isso. Foi Ele, quem descobriu o ferro e posteriormente o aço, em suas formas primitivas e aprendeu a manipulá-los construindo assim, as primeiras armas, pois as usadas antes eram de madeira.

Após esta descoberta e a fabricação de armas, Ogum inventou as ferramentas agrícolas e com elas, ensinou os homens a arar a terra para que pudessem tirar dela seu sustento, de forma menos dolorosa, pois que, tudo era feito de forma muito primitiva. Graças a esse ato, foi lhe concedido o título de protetor da agricultura, o que muitos pensam ser de Odé. Mas na verdade é de Ogum este título, pois que, graças a ele, a humanidade passou a ter mais comida na mesa.

E assim seguiu Ogum, sempre em busca de novidades que pudessem colaborar com o progresso e consequentemente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Enquanto seus irmãos, se dedicavam aos exageros da carne, Ele por sua vez, se entregava de corpo e alma ao trabalho, e nada mais fazia sentido para este Orixá, que não fosse a labuta do dia a dia, e seus filhos tendem a ser exatamente assim, preferem mais o trabalho, que os prazeres da vida. Ao menos com excesso.

Ogum sempre foi também, muito amoroso e respeitoso a seus pais, nunca os desobedecendo, não importando quais fossem suas determinações. Contam as lendas que, determinado dia, Orumilá chamou Ogum à sua presença e disse a Ele que seu irmão Exú, estava indo longe demais em suas maldades, que estava matando até mesmo crianças e velhos e que Ele, Orumilá, o Pai de todos, não podia mais suportar tais atos, e assim, solicitou que Ogum impedisse Exú.

Então, Ogum disse respeitosamente: “Meu Pai; como vou fazer para deter meu irmão, que não escuta ninguém; e julga-se senhor de tudo”? Orumilá então respondeu:

“Ogum meu filho: eis que o que vou lhe pedir é demasiado forte e pesado, mas se confias em mim, como seu Senhor e de todas as coisas me atenderá: conversarás com seu irmão, e dará e ele uma chance de se redimir, mas, se ele assim não o quiser, terás que obriga-lo a parar, nem que seja tirando-lhe o bem maior que lhe dei: a vida”.

Então, Ogum voltou para a Terra e conversou com Exú. Explicou-lhe o que havia ocorrido, e suplicou-lhe que parasse com suas maldades, pois seu pai já não mais suportava tais atos e estava disposto a qualquer coisa para por fim a tanta barbárie. Porém, Exú, muito orgulhoso, e prepotente, disse ao irmão, que nem Ele, nem mesmo Orumilá mandavam n’Ele, e, que seguiria sua vida como bem quisesse.

Algum tempo depois, Ogum soube que seu irmão não só cumpriu sua palavra, bem como, havia tomado proporções muito maiores em suas maldades. Então, Ogum procurou Olodumarê, colocou-o a par de toda a situação e perguntou o que faria. Olodumarê então respondeu que Ogum sabia já o que devia ser feito, e que o fizesse sem mais demora.

Voltou Ogum para a Terra, e foi em busca de seu irmão. Novamente tentou conversar com ele, na esperança de que conseguisse que o irmão parasse com seu atos cruéis. Mas, Exú não queria saber e ofendia Olodumarê com palavras e atacava inocentes. Então, não vendo outra saída e após vários esforços, 
Ogum não teve outra opção que não a de ceifar a vida de seu irmão que não obedecia a Olodumarê.

Vendo que seu filho chorava, carregava no peito a dor pelo ato cometido, mas, nunca se voltara contra suas vontades, Olodumarê o convocou de novo à sua presença e o presenteou com um reino, e fez com que esse reino prosperasse muito. Mas mesmo assim, a dor não sumia do coração de Ogum.

Assim sendo, passou a trabalhar ainda mais, e cada dia que se passava se dedicava ainda mais ao trabalho, como forma de manter sua mente ocupada, buscando deste jeito, se desvencilhar do tormento que vivia. E quanto anoitecia o cansaço era tanto, que mal se deitava, o sono já o arremetia para bem longe dali.

E assim ele seguiu o resto de seus dias. E começou a se dedicar a arte da guerra e não existia guerreiro que pudesse competir com ele em sabedoria, destreza, esmero, maestria no manejo da espada, inteligência para criar estratégias de batalhas e começou assim a ganhar títulos e mais títulos e através de suas guerras foi aumentando ainda mais seu reino. Afinal, fora ele, nascido para a guerra, era guerreiro por excelência, e ninguém podia competir com Ogum em um campo de batalha.

Mesmo sendo esse guerreiro nato e indestrutível, Ogum nunca parou com suas pesquisas e estudos sobre os minérios que encontrava no solo da Terra e com eles foi desenvolvendo mais e mais ferramentas e armas e proporcionando cada vez mais aos homens, uma vida mais digna e menos doída.

Construiu muitas coisas e deixou outras tantas para a prosperidade. E depois que se encantou como Orixá, continuou a defender seu povo, buscando formas cada vez mais inovadoras para que pudessem vencer suas batalhas.

Ainda hoje, vemos Ogum em tudo no nosso dia a dia: Ogum é o caminhão que transporta o progresso, e o aço que constrói nossas pontes, prédios, geladeiras, e todos os utensílios que usamos. É Ele ainda, a estrada de ferro por onde passa o progresso da humanidade, é o barulho da arma de fogo, é o asfalto que nos proporciona uma viajem mais confortável, é o avião que nos leva rápido em qualquer direção do planeta, enfim: Ogum é tudo que supera as dificuldades, pois é o progresso, pois sem a descoberta do ferro e do aço, e as formas de manipular os mesmos, não teríamos hoje, nada do que temos.

Conta-nos outra lenda que Nanã desentendeu-se com Ogum e foi pedir a Olodumarê que o punisse, mas, Olodumarê disse a Nanã que Ogum era um filho bom, obediente e justo e que dificilmente sua reclamação contra Ele procedia. Então, deu o direito de Ogum se pronunciar, e ao ver que nada do que lhe dissera Nanã combinava com a realidade, Olodumarê sentiu muita raiva dela e culminou por expulsá-la de sua casa.

Mais tarde, Ogum se encantou por uma linda ninfa, e pediu seu Pai que consentisse na união, e Ele não só consentiu, como deu-lhes um reino de presente. Esta ninfa era uma das Yemanjás novas, que após a união com este Ogum, passou a adotar o nome de Ogunté, ou seja: Aquela que contém Ogum.

Como este Ogum era o verdadeiro Senhor dos ferreiros, ela vivia em sua companhia  e com ele aprendeu a manusear tanto a espada como outras armas de guerra e assim passou a guerrear junto de seu amado esposo. Com a partida dele para o reino de seu Pai, ela ficou sozinha e passou a andar a noite, e assim passou a ser temida como a “Amazona que caminha de noite” e todos tinham medo de sua ira, afinal com seu esposo Ogum, ela aprendera todos os segredos da Guerra e não existia naquelas redondezas quem pudesse se comparar a ela em maestria nesta arte.

Ogum come vários tipos de comida, mas, tem uma predileção por cará, feijão preto, acaçá, feijão fradinho torrado, padê (apenas para algumas qualidades) bode, galos, galinha de angola, pombos, entre outros.

É o Senhor absoluto dos caminhos das estradas e ao trilharmos por eles devemos sempre nos lembrarmos de lhe pedir a benção e a permissão para ali estarmos. Algumas qualidades, ainda governam as encruzilhadas e outros as encruzilhadas próximas a cemitérios. É portanto um Orixá arredio e que não conhece muito a palavra perdão. Em sua filosofia, sempre temos uma fração de segundo para pensarmos antes de agir, assim sendo, por que arrependimento? Afinal tudo termina sendo premeditado.

Louvemos pois, a Ogum. Saibamos respeitar este que tanto nos deu, e tão pouco nos pede. Saibamos honrar seus feitos, e assim, honremos tudo que Ele representa, afinal, que seria de nós sem a tecnologia, sem a modernidade?

Ogum, aquele que vence demanda em qualquer lugar. Aquele que sentou praça na cavalaria. O que deu combate às tropas inimigas quando os negros o invocaram suplicando sua proteção na guerra.

Ogum, aquele que mesmo tendo água em casa se banha com sangue. Ogum que recebe caramujos e come carneiros. Senhor do progresso e dos caminhos, os mesmos caminhos que andamos na vida e depois dela.

Pai Ogum, que cuide de nós neste novo ano que se inicia. Que nos mostre o caminho do progresso e da ascensão, que nos livre das pragas, dos olhos grandes, dos feitiços e das perseguições.  Tende misericórdia de nós Ogum. Se digne a olhar por nós que nada somos. Abençoe-nos Pai.

Ogum, que fostes esposo de Ogunté, que és o verdadeiro protetor dos ferreiros, tende misericórdia de nós, nos cubra, nos ampare e nos defenda hoje e sempre.

Assim seja.