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quinta-feira, abril 05, 2012

QUEM É DEUS NA NAÇÃO ANGOLA


Sabemos que para os Nagôs ele se chama Olorúm. Já os angolanos tinham outra denominação para Deus: Nzambi (Zambi) ou Nzambi Mpungu (Zambiapongo) - O Deus supremo e criador de tudo e de todos. Sendo que este é apenas um de seus títulos, pois para outras regiões de Angola, ele ainda é conhecido como, Sukula e para outros como Kalunga. Porém, muitos outros nomes ainda estão associados ao Pai Supremo.

Dentro da cultura Banto, nada se fazia que pudesse vir a contrariar as leis de Zambiapongo, pois temiam que este os castigassem através de suas deidades, os Inkisis.

Assim como Olorúm dos Yorúbas, Zambiapombo não possuía Templo nem mesmo um culto especifico, pois acreditavam que através de seus mensageiros, tinham acesso ao Grande Pai e agradando a estes, agradavam o Criador.

O engraçado é vermos que pessoas de outros seguimentos religiosos, dizem que no Candomblé praticamos satanismo. Em nossa cultura, não cremos que possa existir algum ser com capacidade para afrontar a Deus e muito menos para desejar tomar seu Reino.

Acontece que falamos outra língua sim, e por esse mesmo motivo, vale a pena lembrar, que os escravos foram martirizados a mando da igreja de Roma, pois não entendiam o que falavam e logo os associaram a um ser horrendo.

Também foi associada a este ser, a religião que traziam de sua Terra. Pregavam que os negros cultuavam um ser que chamavam demônio e com ele matariam as pessoas.

Se Zambiapongo, Olorúm, é o diabo, então Alá dos mulçumanos também seria? Temos que entender que são nomenclaturas, que a forma de pronuncia muda conforme a região do Planeta, na qual vivemos e assim, o mesmo Sagrado tem um nome em cada canto deste mundo.

Bom, se cultuamos um ser trevoso e maléfico, como podemos basear nosso credo em um ser Supremo e bondoso que a tudo criou?

Não cultuamos deuses como falam, mas sim, Ministros de Deus, seja ele chamado de Zambiapongo ou Olorúm. Para que tenhamos uma ideia, os Bantos, não faziam nada sem consultar seus Inkisis e se esses achassem que tal ato confrontaria com as leis de Deus, imediatamente eram suspensos qualquer ritual.

Deus, ou Nzambi, Zambiapongo, sempre foi muito sagrado para esse povo, tanto que jamais pronunciam seu nome em vão (2º Mandamento da Bíblia: Não tomarás em vão o nome do Senhor seu Deus).

Quando precisam se reportar a ele, é somente em situações extremas. Nesta ocasião, eles rezam e invocam Nzambi, e geralmente é fora de suas aldeias, em baixo de uma árvore ou mesmo na beira de um rio.

Fazem desta forma, porque se acham impuros e também sua moradia, para que ali, a Fonte Suprema de tudo se manifeste.

Dentro da cultura Banto, Nzambi não tem uma representação física, uma vez que ele é o Incriado, ou seja: não foi criado, mas sim, criou a tudo e a todos, é Ele: o princípio, o meio e o fim. Então, reassentar o Ser Sagrado, seria um sacrilégio em sua cultura.

Quando precisam de favores, chamam por suas divindades, pois para eles, estes são seus Ministros e assim sendo, têm toda autonomia para interceder junto a Ele em seu favor. E mais ainda: quando terminam seus rituais, Zambi é louvado, pois graças a Ele é que tudo foi criado e assim sendo, ele é o principio e o fim de tudo e de todos.

Zambiapongo, o Pai Grandioso, que criou todas as criaturas, na visão dos Bantos, e segundo eles, Zambi criou até mesmo o que está acima: as nuvens e eles, naqueles tempos não tinham a mínima condição de sequer imaginar o que existiria lá, nas alturas.

Acreditavam que acima das Nuvens, estava a morada de Zambi e que somente através de muita dedicação é que poderia uma pessoa chegar aos mais ínfimos degraus que levariam à sua morada.

Na cultura Banto, Zambi criou o mundo e tudo que nele existe. Criou o homem, e a mulher para que eles pudessem gerar filhos e assim, perpetuar a raça humana. Criou os animais para que andassem pela Terra e servissem de comida para seus filhos, os humanos.

Criou as Insabas, para que servissem umas de alimento, outras para remédio, criou a chuva para que molhasse a Terra, criou as aves, os peixes, enfim, tudo e toda espécie de vida.

Mas, ao ver que suas criações estavam á mercê dos homens, ele criou os Inkisis, e deu-lhes poder para governarem a natureza em seu nome, e assim sendo deu-se início ao culto aos sagrados.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá, Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.




quarta-feira, abril 04, 2012

O QUE SÃO OS INKISIS

A palavra ORIXÁ é de origem Yorúba, dialeto usado nos candomblés de Kêtu, e, não BANTU, dialeto usado nos candomblés de Angola.

Seu significado: ORI= CABEÇA – XÁ = GUARDIÃO OU AQUELE QUE GUARDA assim a palavra orixá significa anjo da guarda, ou ainda: ORI= CABEÇA – XÁ = DONO, ou seja: DONO DA CABEÇA.

 Para os africanos a concepção de "anjo da guarda", não era a mesma que conhecemos hoje, através do cristianismo, mesmo porque esta forma de culto existe a aproximadamente 8.000 anos antes de Cristo, e há estudos que tentam provar uma existência ainda mais antiga.

Para eles, os denominados "anjo da guarda", na verdade eram seus antepassados, que após se transladarem para o ORÚM (Céu), passavam a fazer parte da energia de seu Orixá, transformando-se assim em um, e voltando a terra para ajudar seus descendentes a seguirem sua jornada em busca de um aperfeiçoamento.

 Dentro da nação Angola, não cultuamos Orixá, mas sim INKISIS, como eram chamados por nossos antepassados Angolanos. Os Inkisis eram antepassados, que ao deixarem a terra, voltavam a integrar a energia original. Assim transformando-se em GÊNIOS, que é o significado mais aproximado da palavra.

 Esses Inkisis não eram cultuados em conventos (templos), uma vez que os Angolanos eram seminômades, assim prestavam reverência aos seus INKISIS em árvores. Com sua vinda para o Brasil, foi que começaram a ter seus cultos em templos, posteriormente chamados BARRACÕES, assim denominados, devido ao nome dado às construções utilizadas na África, para guardar os escravos capturados para serem vendidos aos europeus.

Nesta grandiosa Nação, existiam seres maravilhosos, que como os Orixás dos Yorúbas, se dedicavam a cuidar de seus filhos e até mesmo a puni-los quando desobedeciam às leis de Deus, ou Zambiapongo, para os Bantos.

Nesta terra, nada se fazia sem antes pedir a permissão dos Inkisis, afinal sempre foram eles, a representação de Zambi no mundo.

Com este  povo, os Angolanos aprenderam que existiam outros seres semelhantes aos seus e assim foram vendo que suas divindades tinham muito em comum com os pertencentes à cultura dos Yorúbas.

Mesmo com a criação do sincretismo, não só com o catolicismo, mas também entre as nações aqui representadas por seus povos, a identidade de suas divindades foi preservada e muito embora, vissem eles, a semelhança entre seus “deuses”, mantinham seu culto próprio e se praticavam a religião de sua terra natal juntos, porém, deixavam bem claro a distinção entre eles.

Como escravos, buscavam a libertação de todo seu povo, e uniam-se para pedir aos “deuses” que atendessem seus pedidos e assim libertassem aquele povo que tanto sofria nas mãos dos Senhores.

Como Gênios, os Inkisis, faziam de tudo para ajudarem seus fiéis e passavam através de seus sacerdotes, todo o ensinamento preciso para que os mandamentos de Zambiapongo fossem seguidos ao pé da letra, como se diz em nosso País.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho religioso da UNESCAP.

segunda-feira, abril 02, 2012

O SAGRADO CARGO DE OGÃ E OS SAGRADOS INSTRUMENTOS: OS ATABAQUES.


Há, no mundo de hoje, quem diga que Ogã não é Pai, que não tem que se dobar para ele, nem mesmo que ser chamado de Pai, pois para essas pessoas eles não passam de “tocadores de atabaques”.

Ainda existem aqueles que dizem: “não respeito Ogã, pois faço 10 ogãs e 100 Ogãs não me fazem”.

Realmente, Ogã não raspa um noviço, não dá bori, nem muita coisa que um sacerdote ou uma sacerdotisa fazem, mas; quem de nós, dentro do Axé Orixá pode fazer alguma coisa sem um Ogã nos acompanhando?
Se eles, não nos fazem, nós, por nossa vez não podemos fazer um Yawô ou Muzenza sem ele, afinal, quem toca os ensaios de nossos filhos?

Quem irá tocar a saída daquele que estamos iniciando? Quem tocará o “Zambi no Akodidê”?

Quem tocará o Toté de Maiongá?

Como podemos ver, dependemos sim e muito dos Ogãs, pois são na verdade o esteio de uma casa de Candomblé, sem Ogã não se tem uma roça de Santo.

Os Ogãs, dentro da Nação que fui feito, sempre tiveram muito respeito até mesmo por parte daqueles mais antigos na religião, pois são os que chamam nossos Orixás em terra. São eles, com suas mãos sagradas e devidamente preparadas, que primeiro entram em contato com as nossas Divindades, fazendo através do fundamento dos toques, que eles, se dignem a virem do Orúm, para nosso meio.

 Ogã é sim, um tipo de mediunidade, uma qualidade de sacerdote sim, porque sem eles, não temos o transe que faz com que o Sagrado se manifeste no impuro.

Desde tempos mais remotos, o Pai Ogã, como sempre foi chamado nas casas de axé, tem uma responsabilidade muito grande como nossos Orixás e com nossas cabeças, e isso se dá devido ao fato de forçarem a comunicação da Energia Orixá, com sua matéria.

Sempre ouvimos os mais velhos dizerem que Ogã não se manifesta, ou seja: não dá incorporação, mas hoje em dia, vemos muitos que possuem vontade de ser Ogã dando incorporação.

São atos que contrariam as leis dos mais antigos no Santo, afinal Ogã é um sacerdócio a parte nos rituais do Orixá, pois dependemos dele para tocar os instrumentos sagrados para que nossos encantados se manifestem e possam assim socorrer os que deles precisam.

Nunca um Ogã irá se incorporar seja lá com o que for. Ouvi muitos antigos na religião, ensinarem que Ogã é uma pessoa que em outra encarnação foi raspado, era rodante, mas, sua missão não foi completa dentro do Axé Orixá e por isso ele voltou com esse cargo, pois seu Santo não mais precisa vir a Terra, dançar e praticar outros atos que nós, rodantes praticamos e por este e outros motivos é que Ogã já nasce com sete anos, com as mãos para trás.

A manifestação do Orixá do Ogã se dá através de sua mente e de suas mãos, quando estas entoam os toques sagrados para que tenhamos os encantados conosco. Suas intuições são outra manifestação de seu Orixá e eles não precisam de mais nada, além disso, para serem pais.

Pai Ogã: sem ele, a roça não funciona, e sem ele, muito pouco fazemos dentro dos barracões.

Como podemos, por exemplo, fazer os ritos funerários, sem um Pai Ogã para tocar os atabaques, Engoma na Angola e Ilú no Kêtu?

Como tirarmos na sala, nosso filho que está nascendo se não tivermos o Pai Ogã para tocar os ritmos sagrados?

Nenhuma obrigação podemos fazer sem esse Pai, pois que, para a grande maioria dos rituais temos o uso dos atabaques e somente a eles é dado o direito de manipular esses instrumentos, que na verdade pertencem a Ogum.

Sempre foi dito também pelos mais antigos, que uma mulher não tem o direito de tocar esses instrumentos, mas, algumas vezes quando não se tem um Ogã presente, e ali está uma mulher que saiba tocar o instrumento, ela pode sim, mas, desde que esteja de corpo limpo, sem estar menstruada, pois corre o risco de enquizilar os Orixás.

Porém, mesmo assim, algumas pessoas do Santo, insistem em dizer que Ogã não é Pai, que não se deve dar dobale em seus pés e muito menos lhe dedicar o carinho que temos por nosso Pai e Mãe. Como estão enganados.

Tanto são pais, que existem as qualidades de Ogãs, e aqui passo a descrever as de minha nação:

Kambondos - Ogãs.

Tata Nganga Lumbido - Ogã, guardião das chaves da casa.

Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.

Tata Kivanda - Ogã responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).

Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças.

Tata Mavambu - Ogã  que cuida da casa de Exu (pois mulher não deve cuidar porque mulher menstrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não menstruar mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança).

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.

sexta-feira, março 30, 2012

A IDONEIDADE

Muitos sonham em ser do Santo, e os feitos sonham em ter sua casa aberta. Mas, o que poucos sabem é que se precisa de muito mais que vontade para se ter uma “roça” aberta.

Todos podem se iniciar para o Santo, mas, muito poucos são os que carregam o “balaio de axé”, que é o cargo que seu santo traz para ter-se o direito de abrir um Templo.

Os zeladores mais antigos costumavam observar se a pessoa tinha ou não, o dom para ter casa aberta, durante seu processo de iniciação e muitas vezes antes mesmo do rito inicial. Tomava-se todo o cuidado para não cair no erro de dar casa para quem não tivesse direito a isso.

Porém, mesmo com o cargo de zelador e com as obrigações em dia, era um costume dos mais antigos, não permitirem que as pessoas com menos de 48 ou 50 anos de idade, abrisse sua casa.

Este ato devia-se tão somente à maturidade que requer o sacerdócio.

Para se ter uma casa aberta, temos que entender antes de tudo, estamos assumindo responsabilidade não somente com nosso Santo, mas, também, com os Orixás que nos buscam e com a vida das pessoas que confiam seu destino em nossas mãos.

Como ouvi de meu Pai, meu Amigo, o Alabê, Orlando Santos: "Temos que ter responsabilidade primeiro com nossa vida, para depois assumirmos compromisso com a vida de terceiros”. E isso ele me disse, confirmando a informação de que pessoas como a saudosa Mãe Menininha, o saudoso Luís da Muriçoca, não permitiam que as pessoas abrissem seus Templos antes do amadurecimento imprescindível para o lido com os assuntos da Religião.

Encontramos hoje, pessoas que além de serem novas no Santo, não possuem o mínimo discernimento necessário para terem uma casa aberta. E essas pessoas se auto intitulam zeladores e zeladoras de Orixá, mas nem mesmo sabem o significado de certas rezas e cantigas que usamos em nossos rituais.

Encontramos outros, que dizem aos quatro cantos do mundo: “eu mesmo corto para meu Orixá”!  Oras se é tão fácil assim, porque temos que ter um zelador que cuide de nossa cabeça?

Não importa o tempo de Santo que temos, a lei determina que tenhamos alguém para cortar para nosso Santo. Esta é uma forma de Olorúm, mostra que ninguém é alto suficiente nesse mundo, e que sempre precisamos um do outro, assim como os Orixás, que precisam uns dos outros. A prova disso, é que: Todos dependem de Exú, e este depende, por exemplo, de Ogum de Odé e dos demais.

Os demais precisam de Ogum que é a estrada, os caminhos, e ele juntamente com os demais Santos depende de Odé para caçar e alimentar as tribos.

Ogum e Odé dependem de Oxum que é o rio, o leite da Terra, e esta depende de outros. Todos dependem de Agué por causa das folhas, mas ele depende dos demais, inclusive de Obaluayê que é o dono do chão, e assim consequentemente, nossos Orixás, uns vão dependendo dos outros, mas todos são irmãos e dependentes do único que não depende de nada: Olorúm Deus.

Bem, se assim o é no reino dos Orixás, por que nós, pobres, fétidos seres humanos não dependeremos de ninguém?

Já encontrei nessa minha humilde jornada, pessoas que mesmo novas de Santo, buscam um conhecimento que não lhes pertence ainda, e ao nos negarmos a passar, pois seguimos ordens, somos até mesmo espraguejados.

Já vi pessoas que solicitam fundamentos até mesmo de como assentar sua cumeeira, mas se negam a serem filhos de Santo, pois dizem que os zeladores são um bando disso ou daquilo. Mas, o engraçado é que ninguém se raspa no Santo.

Se desejamos ter fundamentos, é de suma importância que tenhamos um zelador ou zeladora e este sejamos fiéis. Antigamente as pessoas obedeciam a seus zeladores, pois estavam obedecendo a seus Orixás, mas hoje, menosprezam os mais antigos e se auto intitulam pais e mães de Santo, mas não enxergam o primeiro erro: somos zeladores e não pais e mães de Santo, até porque se estes possuem um Pai, este é Deus que a tudo criou.

Por esses e muitos outros motivos é que os mais antigos na Religião não permitiam que as pessoas abrissem suas casas antes do amadurecimento necessário.

Quantos não cometeram erros, pois não tinham ainda o tempo ideal para assumirem o sacerdócio?

Encontramos sempre, pessoas as mais humildes e bem antigas no Santo, que se orgulham de abaixar-se para um Orixá, mas, os de hoje, se negam aos preceitos e se acham acima de tudo e de todos.

Quando encontramos uma pessoa do Santo, sofrendo em demasia, não nos enganemos, ela está apanhando do Santo, pois este bate sim, sem dó naqueles que não seguem seus preceitos.

A hierarquia é tão séria, que mesmo Olookê, dependeu de outros Orixás para vir para a Terra. Mas poucos são os que o conhecem e sabem de seus preceitos. Santo, queridos irmãos, é devoção, amor e submissão a leis muito sérias que regem o Universo, pois este é regido por Olorúm.

Assim, se você tem cargo para zelador, tenha calma, espere a hora que lhe for autorizado abrir seu Templo e verá que da mesma forma que a fruta só é saborosa colhida no tempo certo, assim nós, seres humanos, somente poderemos ser bons sacerdotes dentro do hábil de Deus e dos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá, Presidente do Conselho religioso da UNESCAP.



terça-feira, março 27, 2012

A IMPORTÂNCIA DO RETIRO ESPIRITUAL


Muito comumente vemos somente pessoas de outros seguimentos religiosos, dedicarem-se ao retiro espiritual, e, dentro de nossa Religião, é muito raro encontrarmos essa prática.

Acontece que o retiro espiritual é de suma importância tanto para os adeptos da Umbanda como mesmo do Candomblé, afinal é uma oportunidade de estarmos em contato direto com a Natureza e consequentemente com nossos Orixás e Guias Protetores.

Para que possamos promover um retiro espiritual, é imprescindível que tenhamos acesso a um local onde a mata e a cachoeira sejam presentes.
Não se deve ter acesso à bebida alcoólica, carne vermelha e muito menos aos prazeres da carne, pois ali estão as pessoas, tão somente para que possam se energizar e conseguirem assim alcançar a força e o poder da natureza.

No retiro espiritual, temos a oportunidade ímpar, de entrarmos em contato com a natureza e consequentemente com os encantados que nela habitam.

O recomendável para se obtiver sucesso no retiro, é mantermos o ambiente puro. Para tal, devemos ao chegar, defumar todo o espaço que será utilizado, acender velas e arriar oferendas aos encantados para que eles possam assim, entrarem em contato conosco e trazerem a essência mais pura de Deus.

Para tal, é imprescindível que se faça essa reclusão durante três dias: sexta, sábado e domingo. E, desde a chegada, devemos orar, pedindo aos encantados que se dignem a vir até aquele local, trazer a paz e a harmonia necessárias.

Antes de se dar inicio ao retiro, tanto o dirigente do Templo, como as pessoas que dele farão parte, devem-se abster de sexo, bebida e carne vermelha com três dias de antecedência e, antes de sair do Templo, todos devem tomar banhos de ervas cheirosas, deixar seus anjos da guarda acesos com velas de sete dias, bem como o gongá e seus Orixás, (se forem de Candomblé).

Outra oportunidade ótima que temos durante a reclusão, é trocarmos ideias sobre a religião, sobre os caminhos que devemos seguir em nossas vidas, e até mesmo, formas de combater a discriminação e o pré-conceito de que somos vítimas no dia a dia.

Pedir orientação aos seres de luz, para que possamos seguir nossa jornada nessa Terra, sempre voltados ao bem a ao amor ao próximo. O dirigente deve aproveitar ainda, essa chance, para doutrinar seus médiuns e até mesmo os Guias que compõem o corpo astral da casa. E para isso, deve-se fazer uso de orações, cânticos sagrados, e pregar toda a doutrina necessária para que sejam seus filhos, médiuns exemplares.

O retiro deve fazer parte do calendário anual de eventos da casa e é recomendado que aconteça ao menos duas vezes por ano. Nunca deve o dirigente, perder uma oportunidade de zelar pela moral de sua casa e de seus filhos, pois estará antes de tudo, colaborando para o bom andamento das causas espirituais e para o aperfeiçoamento de seu corpo mediúnico.

Ao fazer o retiro espiritual, o dirigente de um templo, está antes de qualquer coisa, dando sua parcela para que a religião que tanto amamos, seja mais humana e que tenha mais condições de se ver seus praticantes seguindo as orientações primárias da espiritualidade: o amor ao próximo, à Deus e a todas as suas criações.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.